Ano-novo, língua nova

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Como disse Caetano Veloso: sejamos imperialistas!
 
 
Língua à brasileira

  Luis Turiba   Ó órgão vernacular alongado Hábil áspero ponteado Móvel Nobel ágil tátil Amálgama lusa malvada Degusta deglute deflora Mas qual flora antropofágica Salva a pátria mal amada   Língua de trapo, língua solta Língua ferina, língua douta Língua cheia de saliva Savará, língua de fogo!   Viva & declinativa Língua fônica apócrifa Lusófona & arcaica Crioula iorubaica   Língua de sogra, língua provecta Língua morta & ressurecta Língua tonal viperina Palmo de neolatina Poema em linha reta Lusíadas no fim do túnel Caetano não fica mudo Nem “seo” Manuel lá da esquina   Por ti Guesa Errante, afrogueixa O mar se abre o sol se deita Por Mários de Sagarana Por magos de Saramago Viva os lábios! Viva os livros! Dos Rosas Campos & Netos Os léxicos, Andrades, os êxtases Toda a síntese da sintaxe Dos erros milionários Desses malandros otários Descartáveis, de gorjetas   Língua afiada a Machado Afinal, cabeça afeita Desafinada índia-preta Por cruzas mil linguageiras A coisa mais língua que existe É o beijo da impureza Desta língua que adeja Toda a brisa brasileira Por mim,                Tupi,                        Por tu Guesa