Empresários concordam com Bolsonaro e veem com muita desconfiança a pandemia da Covid-19

Deputados Distritais na fiscalizacao do plano de contingencia do coronavirus no HRAN
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Coluna Brasília-DF

Empresários reunidos no almoço da Lide DF, sob o comando do ex-senador Paulo Octávio, eram unânimes em afirmar que, apesar das crises, não vão deixar de investir ou revisar para baixo suas programações. Eles veem com muita desconfiança a pandemia da Covid-19 e concordam com o presidente Jair Bolsonaro de que é preciso ver as coisas com mais calma e menos alarmismo.

“Ganância infecciosa” 

Numa roda, Ennius Muniz, da Conbral, puxou, na hora, a expressão que o ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan usou em 2002 para definir o perfil do investidor americano. Pelo menos, no DF, tem muita gente acreditando que parte dessa celeuma que derrubou bolsas e fez o dólar subir levará muita gente a adquirir ações pelo mundo afora a preço de banana.

Derrubada de veto sobre BPC é recado a Bolsonaro

Recado a Bolsonaro
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O governo não terá apoio dos congressistas quando seus projetos tiverem relação direta com corte de benefícios sociais. Essa é a mensagem inserida na derrubada do veto que permitirá o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) a idosos e pessoas com deficiência em famílias com renda de meio salário mínimo per capita.

… e de Bolsonaro ao Congresso

Porém, em tempos de Orçamento Impositivo, a tendência do governo é devolver a bola e ir até ao Supremo Tribunal Federal, se for preciso. Se for para pagar o BPC a mais famílias — com o veto de Bolsonaro a ideia era restringir o BPC a famílias que recebem 1/4 do mínimo per capita —, o Congresso deverá indicar a fonte de receita. O governo não pagou, porque considerou que não havia dinheiro suficiente para isso. Agora, deputados e senadores podem, se quiserem, ajudar retirando recursos das tais emendas que o Poder Executivo é obrigado a atender.

Vem mais

Antes de o Congresso derrubar o veto do BPC, parlamentares no cafezinho tentavam se mobilizar para derrubar o veto parcial do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro. A intenção é derrubar todos os dispositivos vetados.

Para antes que caia tudo!

A suspensão da sessão evitou novas derrotas do governo. Ou seja, ao que tudo indica, as notícias de que o presidente Jair Bolsonaro desistiu de fazer acordo com o Congresso terminou prejudicando o Poder Executivo no Congresso.

CURTIDAS

E o PT, hein?/ Parte do PT não desistiu de ter Fernando Haddad como candidato a prefeito de São Paulo. Só tem um probleminha: Haddad já repetiu, reiteradamente, que não quer. Dia desses, conversou até com Lula a respeito. O ex-presidente, porém, desconversou.

Por falar em PT…/ Quem andou por Brasília foi o governador da Bahia, Rui Costa, dedicado a fazer com que o Tribunal de Contas da União apurasse por que a inclusão no Bolsa Família foi maior nas regiões consideradas mais ricas do país. Costa é considerado um dos nomes do partido de Lula para concorrer à Presidência da República em 2022.

Mandetta e Guedes/ Os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, viraram uma dupla afinada. Mandetta leva a mensagem de que é preciso apenas lavar as mãos e evitar aglomerações, ou seja, precaução. Guedes, por sua vez, pede o mesmo ao mercado: muita calma nessa hora e celeridade nas reformas.

Por falar em aglomerações/ Um dos empresários presentes à Lide dizia, para quem quisesse ouvir, que é preciso ir à manifestação de domingo para que o Congresso pare de “atrapalhar” o governo e reclamou que eles (os congressistas) “mudam tudo”. Na China e na Venezuela, respondeu outro, é assim que funciona.

Fala sobre fraude deixa Rosa Weber uma arara com Bolsonaro

O presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro (PSL), e a presidente do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, ministra Rosa Weber
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A atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, está uma arara com Bolsonaro. Em conversas reservadas, a fala do presidente sobre fraude nas eleições foi vista como mais uma forma de atacar o Poder Judiciário nas manifestações de domingo.

Fica fria, Rosa

Aliados de Bolsonaro na seara eleitoral irão a campo para tentar esclarecer a alta corte eleitoral de que o presidente não teve a intenção de criticar o TSE, mas apenas alertar para a necessidade do voto impresso, algo que sempre reivindicou. Aliás, ele e o falecido ex-governador do Rio Leonel Brizola.

Até aqui…

A bandeira de paz hasteada pelos aliados de Bolsonaro aos ministros do TSE não funcionou. Até porque o presidente disse que tinha provas. Agora, os ministros querem saber que provas são essas. Por ali, no TSE, tem gente apostando que tudo foi criado para dar combustível aos bolsonaristas nas redes sociais e ver se os internautas esquecem o PIB de 1,1% e as projeções previstas para 2020, que já foram revistas.

Militares: as Forças Armadas são uma coisa, e o Planalto é outra

Militares Planalto
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Os militares mandaram vários sinais à classe política de que não concordam com o clima de tensão reinante entre o Planalto e o Congresso. A prioridade deles hoje é servir num clima de paz, sem golpes, contragolpes, rasteiras ou seja lá que nome alguns tentem dar ao mal-estar entre o presidente Jair Bolsonaro e os congressistas.

E a fórmula para que isso aconteça é separar as estações –– Exército brasileiro e o Planalto. Ainda que haja generais em postos-chaves do governo, as Forças Armadas são uma coisa, e o Planalto é outra. A intenção de quem está na ativa é ajudar no sentido de estabelecer diálogos e separar estações.

Bolsonaro, Doria e a economia

Enquanto o presidente deixa o PIB de 1,1% na cota de Paulo Guedes, o governador de São Paulo, João Doria, aproveita seu périplo por Brasília para lembrar que o PIB paulista cresceu 2,8% em 2019.

Enquanto isso, no parlamento…

Os líderes do governo ficaram preocupados com o pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para que Bolsonaro retire o tal PLN 4, o projeto de lei orçamentária fruto do acordo para manutenção dos vetos, e que preserva parte do poder do relator do Orçamento. Se o fizer, terá mais problemas em relação a futuros acordos com o parlamento.

Respiro

O governo ganhou mais um mês e meio para tentar chegar a um acordo com os caminhoneiros em torno da tabela do frete. O empresariado considera que adiar o fim do tabelamento para daqui a dois anos, conforme chegou a ser discutido na reunião, não atende a agricultura e a indústria. Ou seja, o impasse continua.

Falta de ar

Empresários argumentam que adiamentos desse tema do frete não ajudam a alavancar o PIB neste primeiro mandato de Bolsonaro. Porém aliados do presidente avaliam que uma greve de caminhoneiros em protesto contra o fim do tabelamento do frete tende a piorar a situação.

Um problema de cada vez

Não há solução perfeita para o caso dos caminhoneiros. E, enquanto não houver, o governo pedirá para adiar qualquer decisão a respeito. Pelo menos até o coronavírus sair do palco.

O que ele pensa/ Quando perguntado sobre a declaração de Bolsonaro a respeito de fraude eleitoral, o senador Major Olimpio (PSL-SP) reagiu assim: “Ele está apresentando um recurso contra ele mesmo”.

E o slogan ficou/ O secretário da Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, terminou virando “meme” no WhatsApp com a seguinte inscrição: “A solução para o (Paulo) Guedes: chama o Meirelles”. Em sua campanha presidencial, o ex-ministro da Fazenda de Michel Temer dizia que o Brasil estava votando “contra”: uns em Bolsonaro contra o PT e outros no PT contra Bolsonaro, e já se sabia onde isso iria parar. Sua propaganda terminava com o slogan: “Chama o Meirelles agora e não se lamente depois”.

Mandetta e o seu cumprimento/ Na reunião da Frente Parlamentar da Medicina, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o deputado federal Flávio Nogueira (PDT-PI), seguiram o cumprimento –– choque de punhos –– recomendado pelo titular da pasta como forma de precaução ao coronavírus. Eles agora se cumprimentam assim.

Judiciário presente/ A posse da nova diretoria da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), a ser presidida por Manoel Victor Sereni Murrieta e Tavares, promete reunir os ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. O evento fará homenagens ao ministro Mauro Campbell e à ex-presidente do Conamp, Norma Angélica Reis Cardoso Cavalcanti.

Bolsonaro precisará decidir se atende os caminhoneiros ou o PIB

Caminhoneiros tabelamento do frete
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Na reunião de hoje com o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux para discutir a lei do tabelamento do frete, os empresários chegam dispostos a fechar um acordo em torno do valor pago aos caminhoneiros, desde que não haja tabelamento. Os caminhoneiros, por sua vez, vão determinados a cobrar o cumprimento da lei do frete.

Logo, tem tudo para haver um impasse, se a categoria não ceder. “Estamos desenhando um novo modelo de contratação direta dos caminhoneiros, mas qualquer mudança só vai adiante se o tabelamento do frete cair”, antecipa à coluna o presidente executivo da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga, Luiz Henrique Baldez.

Até aqui, tanto a equipe econômica do governo quanto as confederações empresariais se posicionaram contra o tabelamento. Logo, se ninguém ceder, o presidente Jair Bolsonaro enfrentará mais uma encruzilhada: ou atende os caminhoneiros, ou o PIB. Com a crise econômica despontando no horizonte, há quem diga que a situação para os caminhoneiros está chegando ao ponto de “ou pegar, ou largar”.

Governo contra governo

O acordo entre Executivo e Legislativo em torno dos projetos de lei orçamentária (PLNs), enviados na semana passada, teve validade menor do que a de um iogurte. A orientação de muitos governistas, hoje, será no sentido de votar contra a proposta.

Ninguém pisca

Às vésperas do movimento de 15 de março, a expectativa geral no Congresso é de que ninguém consiga muita coisa em termos de diálogo para sair da barafunda de dólar alto e bolsas caindo. O ano, que deveria começar depois do carnaval, agora, só após 15 de março.

Confiança, ativo em falta

A declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre confiança na política econômica de Paulo Guedes terá vários testes este mês: de caminhoneiros a envio das reformas. São assuntos que, na avaliação de aliados do presidente no Congresso, chegaram à hora da verdade.

Vem briga aí

Os problemas enfrentados pelo governo não tiraram o presidente Jair Bolsonaro da pole position de 2022. E, nesse cenário, vai ter partido brigando pela vice. Em especial, MDB e DEM.

Curtidas

Criança, a saída/ A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) têm um ponto em comum: a criação do Ministério da Criança. “Um dos grandes sonhos que a Damares compartilha comigo é criarmos, um dia, o Ministério da Criança”, disse Paula, durante encontro com a ministra. Investir na criança, afirma Damares, “economiza em tudo, no sistema socioeducativo e prisional, na saúde, em tudo”.

Ele tem razão/ Num ponto, todos os políticos concordam com o presidente Jair Bolsonaro: nessa atividade, quem tem medo de rua, melhor buscar outra função.

O tempo, senhor da razão/ Em Brasília, políticos apostam quanto tempo Regina Duarte aguenta ficar no governo: os mais otimistas calculam seis meses.

Bolsonaro perde apoio no Senado

Bolsonaro
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Coluna Eixo Capital/Por Ana Maria Campos

A ala de senadores que, invariavelmente, apoia a maioria das propostas do governo rachou. Uma, liderada pelo senador Álvaro Dias (Podemos-PR), é hoje mais fiel ao ministro da Justiça, Sergio Moro, do que ao presidente Jair Bolsonaro. E que ninguém se surpreenda se, daqui a alguns meses, Dias se lançar candidato a presidente da Casa, uma vez que o Podemos hoje é a segunda bancada, saltou de cinco para 10 senadores, e tenta ainda arrebanhar para esse projeto a maioria do grupo Muda Senado.

Dias tem história na Casa e é considerado a ponte entre os reformistas e parte dos senadores mais antigos. E, nesta Legislatura, se mostra um player com projetos presentes e futuros. Esse movimento do Podemos ajudou a levar o MDB a buscar uma aproximação maior com Bolsonaro. Com os dois líderes do governo, o partido estará em qualquer projeto que não inclua o ex-juiz. Até mesmo com o presidente que, no passado, era visto com desprezo pelos emedebistas. Como dizia, dia desses, um atento observador dos movimentos emedebistas, nem Gabigol é tão profissional em campo como o MDB na hora de armar seu jogo.

Advogados irados com Fux

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux conseguiu provocar os advogados pelo país afora –– em especial, os de seu estado, o Rio de Janeiro. É que ele convocou uma audiência pública para discutir a lei que instituiu o juiz das garantias e chamou 35 representantes do Poder Judiciário e do Ministério Público e apenas 11 dos advogados.

Barrados

Ficaram de fora instituições tradicionais e que sempre participam de audiências públicas por causa da qualidade de seu trabalho, caso do Instituto dos Advogados do Brasil, do Instituto de Direito de Defesa e da Sociedade dos Advogados Criminais do Rio de Janeiro.

Partido fala mais alto

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é cobrado a apoiar um representante do DEM para sucedê-lo no cargo. É que o partido corre o risco de não conseguir manter a presidência do Senado e, para completar, o nome preferido por Rodrigo para a Câmara –– o do líder da Maioria, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) ––, não consegue garantir o apoio de todo o PP, onde quem tem a maioria é Arthur Lira (AL).

O desafio de Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), está com vários problemas a resolver. O primeiro deles é que o grupo de senadores que o apoiou não se sente prestigiado na Casa. E, agora, com o MDB reivindicando a relatoria do Orçamento, vai ficar pior. É quase que adeus à reeleição.

Cheque em branco, não

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu que os movimentos sociais saiam em defesa das reformas na manifestação de 15 de março. Só tem um probleminha: ele ainda não disse o que fará, nem na administrativa e nem na tributária. Assim, a pauta do ato do próximo dia 15 será mesmo única: apoio a Bolsonaro.

STJ libera Niemeyer/ O ministro João Otávio Noronha (STJ) determinou a reabertura da Avenida Niemeyer, no Rio. A decisão é de caráter imediato, atendendo ao pedido da cidade. Pelo menos, essa o prefeito Marcelo Crivella ganhou.

Sem unanimidade/ A filiação do jornalista José Luiz Datena ao MDB balançou a unidade partidária. Bastou alguém gritar na plateia “presidente do Brasil” para que o governador do DF, Ibaneis Rocha, mostrasse um semblante de desconforto. O governador, a depender da performance no governo local, pode se colocar como uma das apostas para empunhar a bandeira do partido na sucessão presidencial.

Trotes não cessam/ Os parlamentares dos mais diversos partidos têm sofrido com trotes. Dia desses, foi a vez do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) receber a ligação de um homem que mencionava uma festa do ministro Paulo Guedes, que precisava de dados pessoais e coisa e tal. Como ex-policial, Daniel foi direto: “Sei… Festa… Paulo Guedes… Ô meu irmão, sou policialll! Você acha que eu caio nessa???!!!” O sujeito desligou na hora.

8 de março/ Índices elevados de feminicídios, agressões físicas, verbais e tanto desrespeito nas redes sociais. Ainda assim, há o que comemorar. Em especial, a nossa luta por dias melhores e respeito entre homens e mulheres. Desistir, jamais! Feliz Dia Internacional da Mulher.

Após Datena, MDB promete novas filiações para ressurgir com força no cenário eleitoral

Apresentador José Luiz Datena, da Band, é o novo filiado do MDB
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Coluna Brasilia-DF

A filiação do jornalista José Luiz Datena ao MDB é a primeira de uma série que promete fazer com que uma das legendas marcadas pela velha política ressurja com força no cenário eleitoral. São, pelo menos, dois fatores que levam a isso: o primeiro deles é que, no MDB, cabe um pouco de tudo –– desde aqueles que lideram o governo de Jair Bolsonaro, e simpatizam com o presidente, até ex-ministros da presidente Dilma Rousseff, caso dos senadores Eduardo Braga (AM) e Marcelo Castro (PI). Num momento de indefinição da política, o MDB soa como aquele avião que tem autonomia de voo para mudar de rota no meio do caminho, levando seus passageiros com alguma segurança até outro aeroporto.

O segundo fator é que, num cenário de não coligação para as eleições deste ano, situação que se repetirá em 2022, o melhor é buscar um grande partido, que tem recursos e tem a cara da estabilidade. Não por acaso, ontem, nos bastidores da filiação de Datena, muitos diziam que, no período de Henrique Meirelles na Fazenda, o crescimento econômico foi o mesmo registrado no período Paulo Guedes. E Meirelles pegou a economia em recessão, situação pior do que a encontrada por Guedes. E que ninguém se espante se o partido começar a bater bumbo nessa questão. Afinal, dizem os emedebistas, esperava-se mais do atual governo.

Em nome dos filhos

Os aliados de Bolsonaro no Congresso são quase que unânimes em afirmar que, diante das dificuldades enfrentadas pelos filhos parlamentares nos conselhos de ética, foi preciso buscar um acordo em relação ao Orçamento. Afinal, um clima tenso poderia acabar respingando neles.

Em nome próprio

A sucessão de recursos de Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) para evitar uma investigação sobre as “rachadinhas”, ou seja, a cota retirada do salário de servidores do antigo gabinete, será usada pela oposição para tentar desgastá-lo. Já tem gente preparando discurso na linha de “quem não deve não teme”.

Jair na roda

Mesmo sem partido, Bolsonaro será um dos personagens da eleição deste ano, uma vez que grupos de oposição e de seus ex-aliados, como o ex-ministro Gustavo Bebianno, desejam nacionalizar a disputa. Só tem um probleminha: o eleitor quer saber da sua cidade. Na visão de quem manda, o cidadão, Bolsonaro no quesito eleitoral é assunto para 2022.

Foi Brumadinho

Cientes das dificuldades que o país enfrenta há vários anos, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), tinha a resposta sobre o PIB na ponta
da língua: “Foi um ano difícil, tivemos logo na largada o acidente na barragem de Brumadinho, que comprometeu o resultado”, disse.

Nunca antes

A secretária da Cultura, Regina Duarte, foi a primeira a revelar, no discurso de posse, a promessa de carta branca e porteira fechada de Bolsonaro. Nenhum ministro chegou a tanto.

Curtidas

Quem não nega…/ Perguntado pela coluna sobre um possível segundo mandato no comando do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) respondeu assim: “Se tiver votos…”.

… pode buscar/ Alcolumbre sabe das dificuldades. O grupo Muda Senado, que tem quase 22 senadores, não quer saber de reeleição e tem alguns candidatos, como o senador Álvaro Dias (Podemos-PR).

Questão semântica/ Perguntado logo no início da tarde se havia acordo para apreciação dos vetos pendentes, o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), respondeu assim: “Não há acordo, há entendimento”.

Economia não é piada, presidente/ Ao pedir a um humorista que respondesse a uma pergunta sobre o PIB, na porta do Alvorada, Bolsonaro terminou por passar a ideia de desrespeito aos números e ao próprio trabalho. Não por acaso, no fim da tarde, parou e respondeu seriamente sobre a questão. Melhor assim.

MDB busca presidência do Senado e uma parte das emendas

MDB
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O primeiro emedebista a defender abertamente a manutenção dos vetos do presidente Jair Bolsonaro ao Orçamento foi o senador Renan Calheiros (AL), principal adversário de Davi Alcolumbre (DEM-AP) na eleição para presidente do Senado, no ano passado. Com a posição da bancada, tanto o alagoano quanto o líder dos emedebistas, Eduardo Braga (AM), movem uma peça importante no sentido de tentar se posicionar para buscar a presidência da Casa ali na frente. De quebra, o MDB deve levar ainda uma parte das emendas ao Orçamento. Esse é o jogo do futuro.

De imediato, tudo o que o partido quer é encontrar formas de não deixar seus governadores à míngua. Na lista, os filhos dos senadores Jader Barbalho e de Renan Calheiros (AL) –– Renan Filho governa Alagoas, e Helder Barbalho, o Pará.

Se vetar, perde

Os partidos de oposição e de centro se uniram para aprovar o 13º anual do Bolsa Famíla –– e não apenas para 2019, conforme havia proposto o governo –– e, ainda, para o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Agora, se Bolsonaro quiser vetar, vai dar discurso para o PT, que distribuiu vídeos ontem para marcar a sua posição de pai do Bolsa Família.

Contagem regressiva I

Ao se encontrar com movimentos sociais e falar em 15 semanas para mudar o Brasil, conforme revelou o Congresso em Foco, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se desgastou um pouquinho mais com o parlamento. Ele quer que aprove as reformas tributária e administrativa, mas, até agora, não entregou as propostas. As que estão no Congresso caminham dentro do cronograma.

Contagem regressiva II

No Senado, Guedes já é visto como alguém com o prazo de validade praticamente vencido no governo. Forte mesmo é o novo ministro de Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que representou a área econômica na negociação da reforma da Previdência.

No embalo dos senadores

Quando o MDB anunciou que votaria pela manutenção dos vetos, os deputados passaram a seguir essa direção. Afinal, se o Senado tem votos para manter os vetos, ninguém iria se desgastar apenas para marcar uma posição contra o governo.

Projeto prioritário

O governador de São Paulo, João Dória, ganhou pontos no mercado, ao conseguir aprovar a sua reforma previdenciária na Assembleia paulista, ontem. Assim, terá mais folga para arrumar as contas, a fim de concorrer à reeleição, daqui a dois anos. É o projeto mais palpável hoje.

Neobolsonarista?/ Um grupo conversava animadamente no cafezinho da Câmara. Eis que chega o senador Eduardo Gomes, comandante da bancada governista no Congresso: “Estou procurando o líder do governo, Randolfe Rodrigues. Vocês o viram por aí?” Randolfe passou o dia defendendo a manutenção dos vetos presidenciais ao Orçamento.

Influiu e contribuiu/ A convocação do ato de 15 de março ajudou a acelerar a tentativa de acordo entre os congressistas e o governo para a manutenção dos vetos. Agora, se continuar na linha de “fora, Maia” ou “fora, Alcolumbre”, a tensão entre o Poder Executivo e Legislativo não cessará.

Quem tem a força/ A aposta dos petistas é a de que Jilmar Tatto trabalha para levar a vaga de candidato a prefeito de São Paulo pelo PT, ainda no primeiro turno. Se ficar para o segundo, dificilmente ele vence.

 

Acordo entre Bolsonaro e Alcolumbre tem vetos em troca do respeito aos Poderes

Bolsonaro e Davi Alcolumbre
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A conversa entre Jair Bolsonaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-RJ), ficou mais ou menos assim: o Congresso mantém os vetos às leis orçamentárias, que davam um poder quase imperial ao relator da proposta, e, em troca, o presidente da República se desdobrará em mensagens de respeito à independência dos poderes, e jogará para colocar a manifestação de 15 de março num tamanho ajustável. Ou seja, em defesa do governo e não em ataques diretos ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional.

Falta, obviamente, combinar o jogo com a ala radical dos bolsonaristas e com os congressistas. É isso que será feito hoje, até a hora da votação. A manutenção do veto é vista como um ponto nevrálgico para se distensionar o ambiente político, e passar à discussão das reformas de que o país necessita. Num ano curto por causa do período eleitoral, a tensão só reduzirá ainda mais o tempo de se agarrar no serviço de tentar salvar alguma coisa, em termos de crescimento econômico.

Suspeitas

Nos bastidores do Congresso, há quem diga que toda a tensão na política vem sob encomenda para que a população não perceba que o governo federal, até agora, não entregou o serviço prometido — leia-se, um crescimento econômico sustentável. No Planalto, porém, a ordem é “deixa falar”, porque “a data-limite” para essa entrega é o fim do mandato, que, nos cálculos palacianos, é 2026.

Heleno na mira

A distensão com Bolsonaro não significa que o Congresso esteja disposto a esquecer a forma como foi tratado, numa conversa vazada, pelo chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. Se for ao Congresso, entretanto, o general terá a chance de acenar a bandeira branca. Afinal, o conflito hoje não interessa a ninguém.

O que eles pensam

Os líderes do governo fazem a seguinte conta para a votação de hoje: “Na Câmara, a derrubada do veto balança. No Senado, essa possibilidade está morta”.

Onde mora o perigo

O Projeto de Lei 550/19, conhecido como a nova lei de segurança de barragens, provocou um último apelo do setor, no que se refere à remoção obrigatória dos rejeitos. Em Minas Gerais, houve vários alertas aos parlamentares, no sentido de
lembrá-los de que mexer em barragens que estão consolidadas pode aumentar o risco geotécnico. Isso sem contar o desemprego. É melhor aumentar a segurança do que mexer no que está feito.

Vem mais/ Paralelamente ao projeto para incluir as milícias como organizações criminosas, e aumentar as penas dos crimes desse segmento, senadores estudam algo parecido para as milícias digitais patrocinadoras das fakes news, que estão na mira da CPI presidida pelo senador Ângelo Coronel (PSB-BA)

É só o começo/ Não se espante, caro leitor, se Ciro Gomes (foto) passar a polemizar quase que diariamente com o ministro da Justiça, nas redes sociais. Há quem diga que o ex-ministro, ex-governador e ex-deputado cearense sonha com Sérgio Moro no papel de seu adversário, na próxima eleição presidencial.

Em movimento/ Considerado um adversário por Bolsonaro, o governador de São Paulo, João Dória, trabalha incansavelmente na busca de parcerias com outros estados. Ontem, por exemplo, esteve com o governador Romeu Zema, de Minas Gerais, para troca de experiências na área de defesa civil, a fim de buscar saídas conjuntas para as tragédias provocadas pelas fortes chuvas que castigam Minas e São Paulo.

Mês da mulher/ A forma como as redes sociais se referiram à primeira-dama Michelle Bolsonaro e à deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), no último domingo, reforçam a imagem de um país mal-educado, dividido e desrespeitoso. Triste Brasil.