Militares querem que Bolsonaro faça as pazes com o Congresso

Bolsonaro base política
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

Em conversas reservadas, militares têm dito que caberá ao presidente Jair Bolsonaro buscar os políticos e arrefecer os ânimos em torno da manifestação convocada para 15 de março. Afinal, os problemas decorrentes do coronavírus, seus reflexos na economia, indicam que a tensão já estará alta demais para que a política venha a balançar ainda mais a árvore chamada Brasil.

Alguns militares de alta patente e próximos ao presidente consideram, inclusive, que o melhor para Bolsonaro seria resolver as questões do Orçamento na base da conversa e não levando seu pessoal às ruas em manifestações contra as instituições. Que saiam às ruas, mas em apoio ao presidente e não contra as instituições.

Hoje, no próprio Congresso, tem crescido o entendimento de que não dá para o relator da proposta orçamentária ter o poder de decidir a destinação de quase R$ 30 bilhões e que as emendas impositivas já estão de bom tamanho. Porém, se o presidente insuflar manifestações contra o parlamento, esse apoio, em vez de crescer, pode minguar. O momento é de muito calma nessa hora.

O papa está chamando

O papa Francisco convocou dois mil economistas, a maioria até 35 anos e de várias partes do mundo, para discutir um projeto econômico capaz de reduzir as desigualdades sociais. No convite aos profissionais para um encontro em Assis, no fim de março, ele diz que “não há razão para haver tanta miséria”. “Precisamos construir caminhos.”

Tutti buona genti

Entre os convidados especiais, o indiano Amartya Sen, 86 anos, ganhador do prêmio Nobel em 1998 e um dos criadores do IDH, e Jeffrey Sachs, 65, autor de O Fim da Pobreza. Dos jovens brasileiros, um dos convidados é Henrique Delgado, doutorando na Universidade de Denver, nos Estados Unidos.

Paz, porém…

… não com todos. O presidente Bolsonaro tem dito a seus aliados que não quer briga com os governadores de um modo geral. A principal exceção dessa lista é Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, onde o presidente faz política.

Versões

O chefe do Executivo recebe hoje de manhã, em audiências separadas, os ministros da Defesa, Fernando Azevedo, e, logo depois, o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ambos foram a Fortaleza conferir a paralisação dos policiais e tentar acabar com a greve. Ele quer ouvir o que cada um tem a dizer sem que combinem as impressões sobre o conflito.

Presidente na lida/ Bolsonaro avalia apoiar alguns candidatos a governos municipais, ainda que o Aliança pelo Brasil não tenha saído do papel. É coisa para a partir de julho, quando a campanha começar a esquentar.

Agora, vai!/ Brasileiro faz piada com tudo. Ontem, um gaiato num restaurante de Brasília falava alto. “Quem vai conseguir que a turma não gaste dinheiro no exterior é o ministro da Saúde (Luiz Henrique Mandetta). E só precisou citar um vírus”. É, pois é.

Novo escritor na área/ Felipe Dantas, um jovem brasiliense de 14 anos, lança, neste sábado, seu primeiro livro, A Vila dos Magos, com sessão de autógrafos na Leitura do Terraço Shopping, a partir das 16h.

Novo escritor na área II/ Desde pequeno, Felipe sempre dizia que sua profissão seria “escritor de livro grosso”. O primeiro chega às livrarias com 204 páginas e conta a história de quatro amigos que caem numa cilada ao entrar numa casa velha, embarcando num mundo mágico. Brasília chega aos 60 anos com seus jovens filhos em franca produção. Que venham outros!

Partido de Bolsonaro tem 500 mil assinaturas e só depende da Justiça Eleitoral

Aliança pelo Brasil
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

O que dependia diretamente dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro já foi feito para a formação do Aliança pelo Brasil — ou seja, a coleta de mais de 500 mil assinaturas. Porém, eles não vão parar com essa busca como forma de demonstrar força na largada. Falta, entretanto, a parte mais difícil, a conferência desses apoios na Justiça Eleitoral. Essa parte foi, inclusive, a que evitou a formação do partido de Marina Silva a tempo de colocar a ex-senadora como candidata na eleição de 2014 — o que a levou a optar pela vice de Eduardo Campos, morto num acidente de avião durante a campanha.

Gestos que falam alto

A presença do chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, no feriadão de carnaval, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, foi um recado direto àqueles que pretendem culpar o ministro pelas agruras governamentais no Congresso. A mensagem é: “não mexam com Ramos, ele é leal”.

Fim de festa

A reforma administrativa que o governo prepara será mais profunda do que se divulgou até agora. Ou seja, não vai se restringir à extinção de carreiras em desuso por causa da tecnologia.

Na encolha

Juntos no carnaval, os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, têm interesse na corrida presidencial, mas vão apostar algumas fichas na reeleição. Afinal, se Bolsonaro estiver popular no final de 2021, ninguém vai arriscar entrar no confronto direto contra o capitão.

Pragmatismo eleitoral

Entre os bolsonaristas, há a certeza de que o maior adversário de Bolsonaro é ele mesmo. Porém, se a economia apresentar bons resultados, as palavras que o presidente solta aqui e ali serão esquecidas pela maioria do eleitorado.

Espuma para entreter

É assim que os bolsonaristas mais sensatos veem as manifestações de protesto contra o presidente nas escolas de samba do Rio, de São Paulo e no carnaval de rua pelo país. Numa democracia, são válidas. Mas, abertamente, nenhum bolsonarista fará esse discurso. Faz parte do show manter a polêmica em alta.

Eduardo na lida/ Enquanto a maioria curte o carnaval, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) está em Washington para participar da CPAC (Conservative Political Action Conference), a maior conferência dos conservadores do mundo, algo que ele planeja trazer para o Brasil a fim de dar embasamento teórico e planejamento estratégico para o conservadorismo brasileiro.

Eduardo no discurso/ O deputado brasileiro fala em dois painéis: O primeiro deles “CPAC exile: The Unshackled Voices of Socialist Regimes” — em tradução livre,”CPAC exílio: As vozes destemidas dos regimes socialistas”. O segundo, é “CPAC: The World is Watching” — “O mundo está assistindo”.

Eduardo no planejamento/ O deputado pretende trazer o know how do evento para o Brasil, para tentar construir uma “sociedade mais esclarecida sobre os malefícios do socialismo e as iscas que eles jogam para pescar apoios e eleitores”. A ideia é formar centros de reflexão (think tanks) em todo o país. “É um trabalho hercúleo, mas todo o verão começa com uma andorinha”, diz Eduardo. A CPAC nos Estados Unidos vai até sábado.

Eduardo na plateia/ O evento terá um painel específico sobre a China, tratada como “o perigo presente”, e vários sobre a luta contra as fake news (sim, eles também reclamam desses abusos). Os pontos altos são as palestras do presidente Donald Trump, do vice, Mike Pence, e a exposição do secretário de Estado, Michael Pompeo. Pompeo falará no jantar da sexta (com ingressos a US$ 250 ou para aqueles que compraram os pacotes premium de todo o evento, com preços entre US$ 1.200 e US$ 5.750). Os palestrantes na CPAC, obviamente, são convidados.

Possibilidade de não disputar as eleições deste ano leva tensão ao Aliança pelo Brasil

Publicado em coluna Brasília-DF

As notícias de que o presidente Jair Bolsonaro deixará o Aliança pelo Brasil fora das eleições deste ano começam a incomodar os aliados. O deputado Doutor Luiz Ovando (PSL-MS) distribuiu vídeo nas redes sociais alertando para o risco de dispersão dos apoiadores. “Precisamos do Aliança, até porque o mandato dos nossos parlamentares corre perigo. Nosso presidente precisa de um partido para se fazer presente nas ações políticas no Congresso Nacional, exercitar-se na eleição de 2020 com candidaturas a prefeito, vereadores e vice-prefeito. Time que não joga não tem torcida, e a física da política não tolera espaço vazio, sendo necessário firmar alicerces e plantar raízes para a reeleição presidencial e parlamentar de 2022”, cobrou o deputado.

Cardiologista e entusiasta do projeto do presidente Jair Bolsonaro, o deputado lembra que, desde 21 de novembro, data da convenção de fundação do novo partido, há um trabalho organizado e estratégico para a formação da legenda, e que o certo seria consolidar já o Aliança pelo Brasil. A pressão promete aumentar depois do carnaval. Afinal, os aliados de Bolsonaro querem que o seu maior líder tenha lado em 2020. Resta saber se ele atenderá ao chamado ou se manterá em cima do muro.

Senado pretende segurar
A depender das contas dos líderes do governo, os senadores têm tudo para evitar a derrubada dos vetos do presidente Jair Bolsonaro à Lei de Diretrizes Orçamentárias. Seria uma forma de distensionar o ambiente.

Última esperança
O grupo Muda Brasil tem reclamado da presença do MDB, no caso, os senadores Fernando Bezerra Coelho (PE) e Eduardo Gomes (TO), líderes no Senado e no Congresso, respectivamente. As reclamações, entretanto, não fizeram eco no Planalto. A turma ali, inclusive o presidente, sabe que, se eles não conseguirem segurar o Orçamento, não são outros líderes que o farão.

“Está na hora de todos colocarem a cabeça no lugar e serenarem os ânimos”

A frase do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que se referia ao caso do motim policial no Ceará, vale para diversas situações da política atual.

Depois do samba, do frevo e do axé
Com os mercados no mundo em polvorosa por causa dos novos alertas da Organização Mundial de Saúde sobre o coronavírus, a equipe econômica passa o feriado em alerta. A ordem é se preparar para um novo solavanco na economia e novo pulo no valor do dólar.

Vai que é tua, Camilo!/ O governo federal foi a Fortaleza dar uma força, mas não se envolveu nas razões do conflito entre os policiais e o governo do Ceará. O governador Camilo Santana que resolva. Afinal, a força policial é tarefa do governo estadual, e qualquer gesto dos ministros nesse campo poderia ser interpretado como interferência indevida.

Ninguém sai, ninguém sai/ No elevador da Justiça Federal, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann,, o deputado Paulo Pimenta (RS), e um grupo de assessores discutiam, dia desses, qual o melhor caminho a seguir para chegar ao carro. Abriu o elevador, um deles afirmou: “É só virar à direita”. Eis que Gleisi se sai com esta: “Então, vamos ficar aqui. Tem que ser à esquerda sempre”.

Exemplo/ O trabalho dos militares e das autoridades de saúde no caso do grupo resgatado na China por causa da epidemia do coronavírus é citado nos bastidores do governo como um modelo a ser seguido em outras áreas. Profissional, sem estresse.

Então ficamos assim/ Com o cenário de 2022 completamente nebuloso e o presidente Jair Bolsonaro ainda liderando as pesquisas — só perde num segundo turno contra o seu ministro Sérgio Moro —, os governadores de São Paulo, João Dória, e o do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, se aproximam, mas não avançam o sinal. Estão na linha do “vamos ver quem estará melhor lá na frente, mas, até lá, vamos conversando”.

Governo quer voltar ao controle das emendas do Orçamento após o carnaval

Publicado em coluna Brasília-DF

Depois do frevo, do axé e do samba….

O governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para tentar retomar, pelo menos, o controle do ritmo de liberação do Orçamento. Porém, vários deputados se comprometeram com prefeitos a obter recursos, mesmo antes de derrubar os vetos. Um grupo do Piauí, por exemplo, já festeja o compromisso de R$ 6 milhões em emendas do senador Marcelo Castro (MDB-PI).

… vêm as manifestações
Paralelamente às promessas dos deputados, uma mensagem sem assinatura viraliza nas redes num chamamento à população para que vá às ruas em 15 de março, com “pauta única”: a defesa do “governo do presidente Jair Messias Bolsonaro, o presidente que o povo escolheu. Não aceitaremos a imposição de um parlamentarismo branco, nem manobras da esquerda nem narrativas da imprensa”.

Guedes de volta ao jogo
É no ministro da Economia, Paulo Guedes, que o governo vai centralizar o diálogo com o Congresso, em prol das reformas tributária e administrativa, na semana seguinte ao carnaval. Por isso, o pedido de desculpas em relação à infeliz citação das empregadas domésticas na Disney, quando reclamou dos gastos excessivos dos brasileiros no exterior.

Concentra, mas não sai
A aposta de deputados e senadores é a de que, apesar de a reforma tributária ser mais polêmica do que a administrativa, há mais consenso sobre a necessidade de organizar a parafernália de impostos no Brasil do que mexer com servidores públicos. Por isso, a reforma que o presidente pretende enviar depois do carnaval ao Congresso deve ficar para um segundo momento. Pelo menos, essa é a intenção a preços de hoje.
Balança…

Parlamentares ligados a Bolsonaro começam a formar um cinturão de apoio ao líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Alguns deles juram que parte da Secretaria de Governo, capitaneada pelo general Luiz Eduardo Ramos, os movimentos para a troca de Hugo por Osmar Terra (MDB-RS).

..mas tem apoio
Os deputados, em especial os de primeiro mandato, consideram que Victor Hugo teve dificuldades no começo da missão de líder, mas, aos poucos, conseguiu se firmar e hoje tem exercido muito bem o seu papel.

Primeira infância em alta/ A deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) conseguiu emplacar, para ações destinadas à primeira infância, 20% da complementação da União no novo Fundeb. É nesse período, de 0 a 6 anos, que as janelas de aprendizado e formação estão abertas.

Cid esclarece/ É bom os senadores que pensavam em processar Cid Gomes (PDT-CE), por dedicar a sua licença do Senado a pilotar uma retroescavadeira, mudarem de ideia. A licença que ele tirou não foi por razões médicas, e sim para tratar de interesses pessoais, sem remuneração. Menos mau.

Por falar em Ceará…/ Em 2017, o então deputado Danilo Forte (PSDB-CE) defendeu a intervenção na área de segurança do estado. O governador Camilo Santana disse que não precisava.

Agora, vai/ Com o fim da greve dos petroleiros e a boa notícia de que os Estados Unidos voltarão a comprar carne brasileira in natura, amigos de Bolsonaro torcem para que ele consiga boas noites de sono neste carnaval, quando estará no Guarujá. Dificuldade para dormir, por incrível que pareça, sempre foi uma queixa dos inquilinos do Alvorada.

Líderes partidários decidem não travar reforma tributária por causa da fala de Heleno

Publicado em coluna Brasília-DF

Coluna Brasília-DF

Antes de partirem para a folga de carnaval, os líderes partidários e representantes de partidos que compõem a comissão da reforma tributária decidiram não travá-la por causa de qualquer declaração de integrantes do governo, como a do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, sobre o Congresso chantagear o Poder Executivo. “O sentimento que nos une é de blindar a reforma, independentemente de declarações inoportunas que partem de representantes do governo. É esquecer essa narrativa e entregar as reformas”, diz à coluna o deputado Silvio Costa Filho, de Pernambuco, que representará o Republicanos na comissão da reforma tributária.

Em tempo: os congressistas acreditam que o parlamento ainda será reconhecido como o grande artífice das reformas econômicas, uma vez que, até aqui, o governo não enviou um texto da sua lavra para a tributária, e a administrativa já foi adiada várias vezes.

 

Ciumeira na roda

A perspectiva de o presidente fazer do deputado Osmar Terra (MDB-RS) o novo líder do governo na Câmara deixa os bolsonaristas convictos de orelha em pé. O mesmo presidente Jair Bolsonaro, que tanto criticou o MDB durante o governo do presidente Michel Temer, agora entrega sua articulação política no parlamento a três representantes do MDB.

De mansinho, chegaram lá

O MDB tem a liderança no Senado, com Fernando Bezerra Coelho (PE); a liderança no Congresso, com o senador Eduardo Gomes (TO); e parte para ter ainda a da Câmara, com Osmar Terra. Agora, dizem alguns, só falta o presidente Bolsonaro arrumar algum cargo para Michel Temer.

Nem tudo está perdido

A entrevista do vice-presidente Hamilton Mourão ao CB.Poder, da TV Brasília, publicada no Correio Braziliense, foi lida pelos políticos como a existência de um ponto de equilíbrio no Planalto. Mourão é hoje, dizem alguns, quem pode ajudar o presidente a melhorar as relações, não só com o Congresso como também com a classe empresarial.

Enquanto isso, nas coxias do Senado…

Tem senador intrigado com o fato de Cid Gomes (PDT-CE) ter tirado licença médica do Senado e se apresentar cheio de saúde pilotando uma retroescavadeira. O fato de ele ter levado dois tiros, entretanto, deixa as excelências constrangidas em levar o caso ao Conselho de Ética.

CURTIDAS

Em alta/ Quatro personagens são vistos entre os grandes do PIB paulista como pessoas que devem ser ouvidas em palestras este ano. O empresário e apresentador Luciano Huck encabeça a lista, seguido pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, pela senadora Simone Tebet (MDB-MS) e pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Gustavo Montezano.

Apostas/ Os dois integrantes do governo são vistos como “revelação” do governo Bolsonaro e há curiosidades sobre o que têm a dizer aos papas da indústria e do comércio. Os outros dois são promissores no campo político.

Nas redes/ A retroescavadeira usada por Cid Gomes e o uniforme de empregada doméstica acompanhado de um Mickey de pelúcia, e do cartaz “empregada do Paulo Guedes”, bombam no carnaval do WhatsApp. Chovem memes sobre essas duas situações.

Greve de PMs por reajuste irá para outros estados

Greve PMs
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

É bom os governadores ficarem atentos. A onda de greves de policiais militares que começou em Minas Gerais, chegou ao Ceará e irá para outros estados, repetindo o enredo de 1997, quando o então governador de Minas, Eduardo Azeredo, cedendo à paralisação da PM, concedeu um reajuste aos policiais de seu estado. O gesto terminou por estimular greves em outros estados em efeito cascata, e só estancou no Ceará, onde o então governador Tasso Jereissati enfrentou os policiais. Depois que o governador de Minas, Romeu Zema, concedeu o reajuste, outros estados seguem a mesma receita da paralisação. O pós-carnaval promete.

A diferença agora é o grau das reações. Cid Gomes tentou enfrentar os PMs com uma retroescavadeira e terminou atingido por dois disparos de arma de fogo. Em 1997, grevistas foram presos e cinco pessoas terminaram feridas num confronto entre manifestantes e a tropa de elite da PM, acionada pelo governador para acabar com a greve .

Meia-volta, volver

A frase do chefe de Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Augusto Heleno, acusando o Congresso de chantagem por causa do Orçamento Impositivo, levou os congressistas a desconfiarem dos acenos por diálogo do governo.

Dos males, o menor

A salvação da conversa com o Legislativo será o presidente Jair Bolsonaro reforçar os acenos que fez na posse dos ministros, na última terça-feira. O canal que está aberto chama-se Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado.

Por falar em Alcolumbre…

Ele falou ontem por cinco vezes com o ministro da Justiça, Sergio Moro, a fim de ajudar o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), a resolver a crise da PM com forças federais. Quem está preocupado é o senador Major Olímpio (PSL-SP), que pediu uma comissão externa da Casa para acompanhar o conflito no Ceará.

… ele não vê ninguém na frente

Enquanto os deputados têm vários pré-candidatos ao comando da Casa, Alcolumbre não tem hoje um sucessor nato. Um grupo, entretanto, dentro do grupo Muda Senado, está disposto a apostar em Simone Tebet (MDB-MS), que hoje pilota a Comissão de Constituição e Justiça.

É carnaval/ Na sessão de ontem da Câmara, as excelências já tinham dispensado a gravata. A maioria foi só marcar presença, alguns inclusive de camisa polo, antes de correr para o aeroporto.

Exceções/ No final da tarde, quem ainda transitava pela Casa era Túlio Gadelha
(PDT-PE). E olha que ele vem de um estado onde os festejos de Momo começaram em janeiro.

Olha o decoro, deputado/ Pela manhã, enquanto um colega discursava, o deputado Tiririca (PL-SP) comia chocolate e falava alto. Eles sequer se respeitam.

Políticos especulam que Paulo Guedes pode ter pedido o boné

Paulo Guedes
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

Bastou o presidente Jair Bolsonaro dizer com todas as letras que Paulo Guedes não havia pedido para sair, e que ficaria no governo até o último dia, para que, num instante, os políticos passassem a especular que o ministro da Economia havia pedido o boné. Ou, no mínimo, pensava em sair, diante dos ainda frágeis resultados da economia e da série de polêmicas em que se envolveu recentemente, por causa de declarações, como, por exemplo, a da farra com o dólar baixo – que teria levado até domésticas aos parques da Disney.

Guedes andava mesmo acabrunhado. Dia desses, comentou que não daria mais entrevistas ou falaria com jornalistas. Tudo por causa da repercussão de sua fala sobre as domésticas. Agora, Bolsonaro disse que ele fica até o último dia de governo. Resta saber se o ministro terá fôlego para tanto balanço do navio, caso a economia não reaja a contento este ano.

Risco inflacionário

Uma ação em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF) promete acabar com a redução do ICMS dos agrotóxicos. O resultado logo ali na frente, se não houver alguma solução intermediária, será o aumento do preço dos alimentos, algo capaz de mexer com a inflação. O agro tentará jogar essa bola para escanteio.

Vamos conversar?

A declaração pública de Bolsonaro, de que precisa fortalecer o relacionamento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foi vista como um gesto importante, com várias leituras entre deputados e senadores. A principal delas é a de que, no Planalto, há a certeza de que o Senado vai defender o presidente em caso de algum pedido de impeachment.

Perfil & problema

Bolsonaro não tem lá muito do que reclamar dos senadores, mas é bom ficar de olho na Câmara. Começa a cristalizar a ideia de que é preciso encontrar um nome com mais independência em relação ao Planalto para assumir a Presidência da Casa no lugar de Rodrigo Maia, no ano que vem. O primeiro da lista é o do líder do PP, Arthur Lyra. Em segundo lugar, Elmar Nascimento (DEM-BA).

Nome da cúpula

O líder da Maioria, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), é visto até aqui como o candidato de Maia, mas não dos presidentes dos partidos.

“Pior que decisão mal tomada é uma indecisão”

A frase, do presidente Jair Bolsonaro, passou a muitos a impressão de que ele não está muito convicto da reforma administrativa

Assim, não vai/ O cancelamento do programa Brasil Mais irritou empresários. Alguns estiveram em Brasília apenas para participar do evento e prestigiar o governo. Houve quem deixasse o Planalto jurando não voltar.

O mais aplaudido/ O ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra, pode comemorar. Ao discursar no Planalto se despedindo do cargo, foi mais aplaudido que Onyx Lorenzoni, que tomou posse ontem.

Por falar em despedida…/ No DEM, na Câmara, teve festa de despedida para Gustavo Pires, que vai assumir a chefia de gabinete do ministro Luiz Henrique Mandetta depois do carnaval.

… segundo escalão, só depois/ O novo ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, só deve tratar dos demais cargos da pasta após o carnaval.

Olha o decoro, presidente/ Não cabe a qualquer autoridade agredir verbalmente uma mulher, seja quem for — jornalista, deputada, senadora, esposa de adversário, educadora, ministra — com declarações de cunho sexual. Respeito deve ser a palavra-chave nas relações sociais e políticas.

Deputados acreditam que Aguinaldo Ribeiro é o nome de Maia para sucedê-lo

Aguinaldo Ribeiro
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

Os gestos de apreço do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao líder da maioria, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), levam os deputados a apostarem que Aguinaldo é o nome de Rodrigo para sucedê-lo no comando da Casa. Embora ainda falte praticamente 10 meses para a eleição, o assunto tem tomado conta das rodas de conversas dos políticos.

O último sinal foi o jantar que Maia organizou para comemorar o aniversário do líder, na semana passada. Aguinaldo também tem acompanhado todos os encontros econômicos que Maia mantém em São Paulo. Antes, inclusive, de ser indicado relator da reforma tributária. Outros pré-candidatos começam a ficar meio incomodados com essa parceria. Afinal, política é feita de gestos. E, no momento, todos os de Rodrigo levam a Aguinaldo.

Partido é uma coisa…

As apostas das excelências é de que, se houver disputa para lançar um nome à Presidência da Câmara dentro do PP, o líder da bancada, Arthur Lyra, ganha fácil. Ele é visto como um defensor dos colegas

… plenário é outra

No plenário da Câmara, entretanto, as apostas se voltam para Aguinaldo Ribeiro, que tem a simpatia também das esquerdas, uma vez que foi ministro de Dilma Rousseff e de Michel Temer. Outro que se movimenta também no plenário é Elmar Nascimento, ex-líder do DEM, que planeja concorrer a presidente da Câmara.

Bolsonaro conseguiu…

…Unir Wilson Witzel e os governadores dos mais diversos partidos, do centro à esquerda, numa carta com crítica ao presidente, por causa da insinuação de que o governo da Bahia, comandado pelo PT, queria a morte do miliciano Adriano da Nóbrega. Há quem diga que, se esses governadores se unirem também para trabalhar as bancadas, a balança da reforma tributária vai pender em favor dos estados.

Desenvolvimento Regional, a nova fronteira

É na pasta ocupada por Rogério Marinho que se concentra a maioria das apostas de deputados e senadores sobre a interlocução com o governo. A Casa Civil, avisam, é vista como uma instituição para “recepção de autoridades”. Nem a interface com os ministérios os políticos consideram que é feita ali.

O que eles pensam

Deputados e senadores consideram que quem coordena os ministérios é a área econômica, capitaneada por Paulo Guedes. E, quando alguém menciona que essa tarefa cabe à Casa Civil, a resposta é resumida numa frase sempre repetida em reuniões pelo deputado Sílvio Costa Filho (PE): “O importante não é o que se diz, é o que as pessoas entendem”.

A pressão não acabou/ A troca de comando na Casa Civil está longe de resolver os problemas do presidente Jair Bolsonaro na seara política. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, continua sob fogo cruzado.

É só o começo/ As autoridades conseguiram contornar a paralisação no Porto de Santos, mas os problemas do governo não acabaram. Os caminhoneiros continuam insatisfeitos, bem como os petroleiros, que continuam em greve.

Cada um no seu quadrado/ O presidente da República, Jair Bolsonaro, e o da Câmara, Rodrigo Maia, ficaram distantes no jogo do Flamengo contra o Athletico-PR, no último domingo. O governador Ibaneis, que também estava lá, ficou em outro espaço. Bolsonaro ficou com seus ministros e o vice-presidente, Hamilton Mourão.

Posse antes do carnaval/ A ministra Maria Cristina Peduzzi assume, nesta quarta-feira, às 17h, a Presidência do Tribunal Superior do Trabalho para o biênio 2020-2021. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho será o vice-presidente, e Aloysio Correia da Veiga, o novo corregedor-geral da Justiça do Trabalho.

Por falar em carnaval…/ As apostas dos próprios deputados são de que esta semana parlamentar será devagar quase parando, a próxima, então, nem se fala.

Temor de nova greve dos caminhoneiros preocupa o mercado

Bolsonaro caminhoneiros
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

O mercado começa a olhar com uma certa desconfiança sobre a capacidade de o governo federal arbitrar e resolver conflitos entre setores que apoiam o presidente Jair Bolsonaro. O que acendeu o pisca-alerta foi o pedido do Poder Executivo para que o Supremo Tribunal Federal adiasse o julgamento do tabelamento do frete e a decisão dos caminhoneiros de Santos de tentar promover uma paralisação nesta segunda-feira.

» » »

O que incomoda é que, passado um ano e quase dois meses do governo do presidente Jair Bolsonaro, esse assunto continua sem solução e os problemas nos setores envolvidos se acumulando. Apesar de a economia ter sinais de recuperação, se essa dificuldade de resolver problemas se repetir em outros setores em que houver conflitos entre apoiadores do presidente, há o risco de a avaliação do governo, que tem melhorado, voltar a cair.

» » »

Em tempo: os caminhoneiros de Santos querem chamar a atenção para a necessidade de cumprimento da lei da tabela do frete mínimo, a perda de trabalho em contêineres no porto a redução dos tributos sobre o óleo diesel. Há quem diga que, se o governo não agir rápido em relação a uma solução que atenda a caminhoneiros, agronegócio e indústria, o país pode viver em breve a repetição do cenário de 2018, quando uma greve dos caminhoneiros paralisou o país. Quem conseguir, que durma com um barulho desses.

Gato escaldado

Há uma tensão no ar com essa paralisação dos caminhoneiros em Santos. Aliás, desde 2013 qualquer movimento causa apreensão, por causa do aumento das passagens de ônibus na cidade de São Paulo, que virou uma série de protestos pelo país.

Releitura do voluntariado I

Nos idos dos anos 1990, a então primeira-dama Ruth Cardoso capitaneou o programa Comunidade Solidária, iniciativa tão importante quanto o Pátria Voluntária comandado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Releitura do voluntariado II

A professora Ruth não precisou deslocar sequer um livro do Planalto para se agarrar no serviço. Agora, a biblioteca palaciana está em reforma e quem pergunta sobre a obra leva uma banana do presidente, que considera uma crítica só trabalho de sua mulher. O Pátria Voluntária é importantíssimo e merece destaque. Deve ser feito com liderança e não com obra física no Planalto.

Um alento

Em março, o governo terá liquidado o problema do Instituto de Seguridade dos Portuários, o Portus. Só falta agora a parte burocrática, de assinatura dos documentos pelas partes. Vai aumentar a contribuição, mas, pelo menos, o fundo está a salvo da liquidação depois de registrar um deficit de R$ 3,4 bilhões.

CURTIDAS

Muita calma nessa hora/ Atento a todos os movimentos da política, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, vai lançar candidatos a prefeitos em quase todas as capitais, em especial, nas maiores. “É cedo para tratar de sucessão presidencial. Primeiro, é preciso ver a força dos partidos”, diz ele.

O capitão fez escola/ O costume do presidente Jair Bolsonaro de conversar com os ministros via WhatsApp se espalhou pelo governo. Até o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, adotou esse método e resolve muitas pendências pelo app, inclusive com sindicalistas.

Melhor assim/ Enquanto alguns deputados reclamam do excesso de militares no primeiro escalão, muitos colocam as mãos para o céu. “Melhor os generais, que são preparados e têm uma visão estratégica do país, do que a turma ligada à ala ideológica, capitaneada por Olavo de Carvalho”.