Autor: Denise Rothenburg
Bolsonaro pode ter que pagar por segurança em ato de domingo
Não é só o general Eduardo Pazuello que terá dor de cabeça por causa do ato de domingo, no Rio de Janeiro. Ainda sem partido, Jair Bolsonaro corre o risco de ter que arcar com as despesas de sua segurança na aglomeração do final de semana. Afinal, o país ainda não está em temporada eleitoral e a manifestação não faz parte da agenda oficial. Como ele ainda está sem partido, advogados de algumas legendas quebram a cabeça para ver como deve ser cobrada a diária dos seguranças que o acompanham, nos quais há, inclusive, o uso de helicóptero oficial.
Os atos políticos de presidentes anteriores eram custeados por seus respectivos partidos, que, ao longo das campanhas, ressarciam o poder público pelos gastos. Agora, de concreto, há um anúncio do líder do PT, Elvino Bohn Gass (RS), junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), para verificar se o presidente deve mesmo ressarcir os cofres públicos. Há outros advogados estudando ações junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela campanha fora de época.
Filhos fiéis escudeiros
Por onde Bolsonaro viaja, sempre um de seus filhos o acompanha, com ares de segurança. Às vezes, dormem, inclusive, no mesmo quarto do pai. A família tem medo de que algo ocorra ao presidente. E, quanto mais perto de 2022, maior será esse cuidado.
Bolsonaro tem a força
A polêmica sobre Pazuello deixou em segundo plano o tamanho do ato de apoio a Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Muitos políticos aliados e oposicionistas ficaram com a certeza de que, ao contrário do que muitos dizem por aí, o presidente tem força e apoio para 2022. A guerra eleitoral está apenas começando.
12 x 4
Por enquanto é esse o placar dentro do Alto Comando do Exército sobre a participação de Pazuello no ato em favor de Bolsonaro, no final de semana. Dos 16 generais de quatro estrelas, quatro querem que o ex-ministro da Saúde seja preso.
Múltipla escolha
A participação de Pazuello fere várias normas do Estatuto Militar, que, no artigo 45, diz: “São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político”. No artigo 28, inciso IV, está escrito: “Cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades competentes” — o que, na visão de muitos, inclui o respeito às regras sanitárias.
Um mês de CPI
Até aqui, as principais apostas da CPI da Covid são as de que Bolsonaro e seu grupo mais próximo seguiram a seguinte receita: buscar a imunização de rebanho e um medicamento, no caso a cloroquina, que curasse aqueles que apresentassem sintomas.
Erro de cálculo
A morte de aproximadamente 450 mil brasileiros, muitos por falta de atendimento médico e insumos básicos, como oxigênio, não estava no script. Tanto é que o governo sempre deu maior visibilidade ao número de recuperados pela covid-19, hoje na casa de 14,4 milhões dos 16 milhões de casos registrados.
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Dimas x Pazuello/ A CPI espera concluir o capítulo vacinas nesta quinta-feira, com o depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. A expectativa é a de que ele detalhe a negociação e o recuo do governo federal em relação aos 46 milhões de doses da CoronaVac, cujo acordo Pazuello fecharia, no ano passado, e Bolsonaro ordenou que não se comprasse.
DNA para localizar/ O Ministério da Justiça e Segurança Pública lança, hoje (25/5), a primeira campanha nacional para estimular parentes de pessoas desaparecidas a doarem DNA para compor o Banco Nacional de Perfis Genéticos. Assim, quando alguém for encontrado, esse cruzamento de dados poderá agilizar a identificação.
Cláudio Castro monta o time/ O governador do Rio de Janeiro desembarca em Brasília, amanhã (26/5), para se filiar ao PL de Valdemar Costa Neto. E esta semana anuncia, ainda, a mudança no secretariado, onde o partido terá assento. O ex-deputado Alexandre Valle, por exemplo, assumirá a Secretaria de Educação.
Vale ler e guardar/ Do Estatuto Militar: “Amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal” — é o inciso I, do artigo 28, que trata da ética militar. Simples assim.
Governo vai liberar R$ 9 bilhões para emendas parlamentares ao Orçamento desde ano
Deputados e senadores ávidos pela liberação de suas emendas ao orçamento tiveram uma boa notícia nesta segunda-feira. A ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, anunciou a liberação de R$ 9 bilhões para a execução dos pedidos dos parlamentares. Esse dinheiro era esperado especialmente por aqueles aliados do governo que certamente terão problemas eleitorais, caso aprovem medidas antipáticas à população, em especial, as reformas administrativa e tributária.
Coincidência ou não, esses recursos sejam justamente no momento em que o governo sofre problemas na CPI da Pandemia no Senado, com a pressão sobre o poder público federal e, na Câmara, tenta emplacar uma reforma tributária fatiada, que promete provocar muita polêmica até ser aprovada.
A ministra assinou a portaria assim que chegou ao estúdio da TV Brasil, para gravação do programa Sem Censura, comandado pela jornalista Marina Machado, que foi ao ar nesta segunda-feira. “São recursos que vão atender as emendas e ajudar a movimentar a economia dos municípios”, afirmou Flávia. A ministra defendeu ainda as emendas de relator, as RP9, aquelas em que os deputados e senadores vão aos ministérios dizer a quais municípios devem ser direcionados os recursos. Daí, a designação de “orçamento secreto” porém, não é secreto, está inscrito no Orçamento e pode ser rastreado. “São recursos legais, aprovados pelo Parlamento e que podem ser aplicados e fiscalizados normalmente”, afirmou a ministra.
Pelo menos, quatro generais do Alto Comando do Exército querem detenção de Pazuello

O Alto Comando do Exército está dividido sobre qual a punição que dará ao general Eduardo Pazuello por causa da participação do ato de apoio ao presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. Dos 16 que integram o colegiado, quatro defenderam que o ex-ministro da Saúde pegue uns dias de detenção para dar o exemplo a outros militares que ultrapassarem a linha divisória entre a política e a instituição de estado. Pazuello, embora em trajes civis no ato do último Domingo, é um general da ativa. O blog apurou, entretanto, que Pazuello não deve ser preso, porque há uma maioria no Alto Comando que apoia uma punição mais branda. Porém. a pressão está grande para que ele passe para a reserva, conforme revelou o site do Correio.
A presença de Pazuello no ato é, por si só, uma falta em relação ás normas do Exército que proíbem participação do pessoal da ativa em atos políticos. Para completar, houve o desrespeito o, na avaliação de alguns generais, às regras sanitárias que devem ser seguidas pelos militares, por exemplo, o uso de máscaras, algo que já provocou inclusive multa ao próprio prefeito do Rio, Eduardo Paes. Quando deixou o Ministério da Saúde, Pazuello não quis ir pra a reserva, porque tem 58 anos, longe da idade limite de 66 anos para que um general permaneça na ativa. Agora, ao que tudo indica, não poderá esperar esses oito anos desfrutando de um cargo no Exército.
Em novo partido, governador do Rio muda secretariado. Ex-deputado assume Educação
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, agora com titular do cargo, conclui esta semana uma reforma no seu secretariado, de maneira a aumentar sua base política dentro do PL, partido ao qual vai se filiar nesta quarta-feira em Brasília, ato que deve contar ainda com a presença da ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, além, obviamente, do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. O ex-deputado Alexandre Valle (PL-RJ), da região de Itaguaí, assumirá a Secretaria de Educação. Deve haver mudanças nas secretarias de Governo e de Trabalho. A ideia é reforçar o time que o acompanhará rumo à campanha reeleitoral.
Castro tinha convites de outras legendas, como o DEM, mas optou pelo PL, porque, no Rio, há espaço e um acordo para que a sua campanha reeleitoral. O PL já tem os três senadores do Rio de Janeiro e administra 22 municípios. Estrutura que trabalhará pela reeleição do governador. Alexandre Valle, por exemplo, planeja inclusive não ser candidato a deputado federal no ano que vem, de forma ficar na secretaria para ajudar a reeleição de Claudio Castro. É o PL se organizando para concorrer com o PSD de Gilberto Kassab, outro partido que também arregimentou aiados no Rio de Janeiro, como o prefeito da capital, Eduardo Paes, e o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Bolsonaro quer ampliar sua força nos estados onde o PT obteve a maioria
Bolsonaro tenta minar bases petistas
Enquanto o ex-presidente Lula tenta verificar quais as suas chances de concorrer em 2022 com apoios até de antigos adversários num segundo turno contra o presidente Jair Bolsonaro, o capitão visita os estados onde obteve os menores percentuais de votação em 2018 para inaugurar obras. O piso de Bolsonaro em 2018 foi justamente o Piauí, onde apenas 23% dos eleitores votaram nele no mano a mano contra Fernando Haddad (PT). No Maranhão, onde cumpriu agenda na sexta-feira, o presidente fechou o segundo turno com 26,7% dos votos.
Dos cinco estados que o presidente visitou neste mês de maio, ele obteve mais de 50% dos votos em apenas dois, Mato Grosso do Sul, 65,2%, e Rondônia, 72,2%. Em Alagoas, Bolsonaro ficou com 40% dos votos. Embora o presidente esteja cumprindo a sua obrigação de levar obras e serviços à população, há um ditado que todos os parlamentares sempre reafirmam, “em política, não há coincidência”. E, com pouco alarde, o presidente vai colocando a foto do governo em estados onde o PT obteve a preferência, ainda que Lula não fosse o candidato. É o esforço para tentar desde já ganhar terreno antes da largada oficial da campanha de 2022.
Se virar à esquerda, perde o outro lado
A vida do presidente do DEM, ACM Neto, não está nada fácil. Ele já acenou com um possível apoio a Ciro Gomes (PDT), o que soou para alguns demistas como algo que pode terminar por atrapalhar o próprio Neto na Bahia. Afinal, se ele apoiar Ciro, outro nome baiano mais conservador será candidato com apoio do presidente Jair Bolsonaro.
A armadilha do impeachment
Alguns petistas consideram que não há condições de promover um impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Sabe como é, o MDB promoveu o
Impeachment de Dilma, ficou dois anos no poder e não obteve sucesso eleitoral em 2018. Na época de Collor, o PT foi um dos indutores do processo e quem “se deu bem” depois foi Fernando Henrique Cardoso.
A obsessão de Bolsonaro
A permanência do auxílio emergencial para além de quatro parcelas está no radar do governo por dois motivos: Primeiro, dinheiro na mão da população ajuda a aquecer a economia. Segundo, é no Nordeste que está a maioria dos beneficiários.
Muita calma nessa hora
Ao dizer que não vislumbra terceira onda Sa covid-19 no Brasil, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tenta acalmar a população de evitar novos lockdowns país afora, algo que o presidente Jair Bolsonaro abomina.
CURTIDAS
Energia no limite/ O presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, Edio Lopes, já fez as contas e descobriu que o custo de dois anos com óleo diesel para abastecer as usinas termelétricas em Roraima seria suficiente para construir um linhão do Amazonas para Roraima. São gastos 1,1 milhão de litros de diesel por dia para abastecer as usinas termelétricas.
Ciro tem a força/ O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, montou uma estrutura no Piauí capaz de ajudar o seu candidato a presidente da República a conseguir alguma vantagem eleitoral em municípios importantes do Estado. Se Bolsonaro quiser a estrutura da “equipe senador Ciro Nogueira”, é bom continuar tratando o PP a pão de ló.
Agarrado no serviço/ Depois que o presidente Jair Bolsonaro desfilou em Alagoas com adversários do relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros, o senador tem reservado todos os fins de semana para agendas no estado com o governador, Renan Filho. Não dá para deixar o presidente tomar conta.
Por falar em CPI…/ Paralelamente ao depoimento da “capitã cloroquina” — secretária Mayra Pinheiro que foi ao Amazonas defender o uso do medicamento contra Covid —, o que vai pegar fogo é a sessão de quarta-feira. Há quase 350 requerimentos pendentes, sendo a maioria se convocação de testemunhas. Na lista, quase todos os ministros de Bolsonaro, inclusive Paulo Guedes, da Economia, e Anderson Torre, da Justiça e uma penca de governadores.
A aprovação da Medida Provisória da Eletrobras deixou duas constatações aos políticos e ao governo. A primeira e mais visível: a agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes, não está morta. A segunda: o poder político do presidente da Casa, Arthur Lira, é maior do que se podia esperar. Num dado momento das negociações, parte da oposição buscou o governo para tentar votar o texto original apresentado pelo Planalto. O governo preferiu o texto do relator, Elmar Nascimento, recheado de “jabutis”. Rejeitar o projeto de Elmar seria brigar com Arthur Lira e o Centrão. Para muitos, está líquido e certo que, para manter Arthur Lira como grande aliado, o governo dispensa até os próprios projetos.
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Na MP, a proposta do relator, deputado Elmar Nascimento, era atribuir à Codevasf a gestão dos recursos de revitalização das bacias do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba, onde estão seus apadrinhados — assunto que o leitor da coluna viu em primeira mão aqui. O texto final terminou modificado nesta parte relativa à Codevasf. A gestão dos recursos ficará a cargo de um comitê a ser presidido por representante definido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, ao qual a Codevasf está vinculada, e instituído por regulamento do Poder Executivo. Para muitos deputados, isso significa que saiu da empresa, mas, nem tanto. Alguns congressistas até pensaram em retomar o comitê gestor independente, proposto inicialmente pelo governo, por causa das denúncias relativas à distribuição de tratores com suspeita de superfaturamento. Depois que o assunto saiu dos holofotes, afastando o risco de uma CPI, a mudança terminou levando o tema ao Ministério, onde nada impede que esse comitê seja constituído pela diretoria da empresa, toda indicada politicamente.
(Atualizada em relação ao impresso no que tange à gestão dos recursos da revitalização do São Francisco)
Vai que é tua, Eletrobras
Os governos dos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará andavam às voltas com a conta de energia decorrente da transposição do São Francisco. O problema agora está quase resolvido. O deputado Danilo Forte (PSDB-CE) conseguiu emplacar uma emenda na MP que cria as bases para privatização da Eletrobras, para que a empresa assuma essa conta. Agora, falta a aprovação do Senado e a sanção do presidente Bolsonaro.
Prepare-se, lá vem sucata
A mesma MP permitiu, ainda, o financiamento de termelétricas, o que deixará o país de portas abertas para receber equipamentos obsoletos da Europa e da Ásia. O Brasil, com tanto potencial para energia limpa, não precisa desses trambolhos do século passado.
Campanha em construção
As falas do senador Marcos Rogério na CPI da Pandemia representam a linha dorsal do futuro relatório paralelo que os governistas vão defender na Comissão, quando chegar o momento de concluir a CPI. E será ainda a largada para o discurso que o presidente Jair Bolsonaro fará quando estiver em campanha pela reeleição.
A reunião que faltava
A participação do presidente Jair Bolsonaro na reunião que rejeitou uma intervenção no Amazonas foi considerada a única grande novidade que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello apresentou à CPI. Era o único tema polêmico no qual a oposição não tinha elementos para tentar incluir o presidente na roda.
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Pegou jeito I/ Para quem diz não ter pretensões políticas, o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, está cada vez mais à vontade nos palanques. Pelo menos essa é a observação daqueles que acompanham as viagens presidenciais. Ontem (20/5), ao inaugurar uma ponte entre Piauí e Maranhão ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o ministro chegou a dizer, “dá vontade de fazer igual ao Silvio Santos, alô, caravana de Teresina!”
Pegou jeito II/ Tarcísio chamou funcionários das empresas ao palco, agradeceu-lhes pelo trabalho, às bancadas de deputados federais dos dois estados, à população que teve paciência para o período de obras. Não deixou nada a desejar.
Ensaio geral/ Essas viagens têm contado com discursos do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que preparam o que virá pela campanha de 2022. “Essa CPI reclama, porque queria que Bolsonaro trouxesse 70 milhões de vacinas da Pfizer. Ele trouxe 200 milhões de doses e a população será vacinada”, disse Faria.
Por falar em Fábio Faria…/ Bolsonaro e o PP terão que resolver um problema mais à frente: Tanto Fábio Faria quanto o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, planejam ingressar no PP para disputar a vaga ao Senado do Rio Grande do Norte em 2022. Se Fábio não for chamado para ser o candidato a vice, haverá disputa entre os dois.
Aliados de Bolsonaro querem que CPI da Covid ouça governadores
Terminada esta semana de depoimentos da CPI da Covid, os aliados do presidente Jair Bolsonaro virão com força total para tirar o governo federal da sala e colocar os estaduais. A ideia é começar pelo governador Wilson Lima, do Amazonas, mas, na roda, os governistas querem colocar ainda o do Pará, Hélder Barbalho, alvo de operação da Polícia Federal por causa da compra de respiradores. Convocar Hélder será como um “teste” para a imparcialidade do relator, Renan Calheiros (MDB-AL).
Se der tempo, essa briga pela convocação do governador amazonense começa hoje, no embalo do depoimento de Eduardo Pazuello sobre a crise de oxigênio no estado. Alguns governistas dizem que é a oportunidade ideal para abrir logo essa porteira.
País quer vacina contra fake news
Pesquisa do DataSenado para a CPI da Covid aproveitou para captar o sentimento dos brasileiros sobre as notícias falsas divulgadas na internet. O levantamento mostrou que 92% dos brasileiros querem punição para aqueles que praticam fake news e, pelo menos, 58% já receberam em suas redes sociais alguma mentira relacionada à vacina contra a covid-19.
E a favor da vacinação
Apenas 12% dos entrevistados disseram que não vão se vacinar contra a covid-19. Desse grupo, 78% disseram não confiar nos imunizantes.
Ricardo Salles balança…
… Mas não cai. Diante da operação da Polícia Federal que investiga exportação ilegal de madeira, com direito a busca e apreensão envolvendo os endereços do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o presidente Jair Bolsonaro avisou que não vai demiti-lo por isso, e ainda pediu a parlamentares que deem uma ajuda ao ministro no campo político dentro do Congresso. Tudo o que o governo não quer é mais uma CPI na praça.
Por falar em CPI…
Os parlamentares consideram que passou a pressão por uma nova CPI do Orçamento. E o governo jura que Eduardo Pazuello foi muito bem na primeira parte de seu depoimento, porque preservou o presidente. E deu discurso para a guerra de narrativas sobre vacinas e cloroquina. O problema é que, hoje, tem mais um capítulo.
Tereza para o Senado/ Se não for candidata a vice-presidente, numa chapa pela reeleição de Bolsonaro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, será a aposta do DEM para uma vaga ao Senado, no ano que vem. Ela praticamente desistiu de concorrer ao governo do estado.
Recordar é viver/ Em 26 de fevereiro, esta coluna publicou a seguinte nota: “Vai sobrar, mas… O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, é quem, na avaliação de aliados do presidente, terá de responder pela falta de vacinas, diante da situação que o país atravessa. Eles se esquecem de que, lá atrás, quando Pazuello quis comprar imunizantes do Butantan, Bolsonaro o desautorizou. Aos poucos, o presidente mudou o discurso, mas já era tarde para conseguir vacinas no curto prazo”.
O “pit bull da CPI”/ É assim que muitos senadores têm se referido ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), por causa da forma como ele tem reagido na CPI. Falta um triz para que a oposição coloque na roda a história do pagamento da casa de R$ 6 milhões, que até hoje não foi totalmente esclarecido.
Enquanto isso, na Paraíba…/ O líder do governo na Câmara Municipal de Campina Grande, Alexandre Pereira (PSD), fez o seguinte discurso dia desses: “Estão aqui fazendo uma testagem de todos os funcionários e eu que sou negativista (queria dizer negacionista), não vou fazer. Sou muito mais da ivermectina, azitromicina, chá de hortelã e limão galego. Quem quiser fazer testagem, pode fazer. Quem quiser tomar vacina na minha vez, pode tomar, e ocupar minha vaga aí na questão da testagem”.
Primeiro capítulo do depoimento de Pazuello deixa claro descaso inicial do governo com vacinas
Até aqui, o ex-ministro Eduardo Pazuello cumpriu o script de defender o presidente Jair Bolsonaro, “que nunca me ordem para nada” e contou com o senador Flávio Bolsonaro para jogar a bola para fora de campo todas as vezes em que foi apertado pelo relator, ou se mostrava meio impaciente com a insistência sobre determinadas perguntas.
Para os senadores, porém, alguns pontos estão claros, em especial, os referentes às vacinas. Na avaliação de muitos, ficou líquido e certo que o vai-e-vem do acordo com o Instituto Butantan, no ano passado, foi uma questão política. O que levou a esse entendimento foi o fato de Pazuello dizer que o presidente Jair Bolsonaro, “quando ele recebe uma posição política de São Paulo, ele se posiciona como agente político também”, referindo-se ao governador João Dória.
Apesar de Pazuello ter dito com todas as letras que “a posição de agente político ali não interferiu em nada o que fazíamos com o Butantan”, os senadores se baseiam no fato de ter havido um recuo no acordo no ano passado, aquele anunciado inicialmente para o fornecimento de 46 milhões de doses para o Programa Nacional de Imunização. E o próprio presidente disse, com todas as letras, que mandou não comprar a vacina da China.
A história de que a Controladoria Geral da União (CGU) e a Advocacia Geral da União (AGU) recomendaram ao governo não comprar a vacina da Pfizer, por causa das cláusulas contratuais, quando Pazuello citou ainda o Tribunal de Contas da União, que negou, levou Renan Calheiros a pedir uma agência de checagem. A ideia é buscar em tempo real a checagem de dados para a CPI poder confrontar o depoente na hora. Se não for possível essa contratação, assessores e consultores do Sido serão convocados para essa tarefa.
Além das vacinas, a falta de oxigênio em Manaus e o descaso em não providenciar um avião para buscar o produto da Venezuela (isso só foi feito pra levar de outras regiões do Brasil) também são pontos que vão merecer uma nova rodada de perguntas ao ministro, por causa das versões diferentes que o ex-ministro apresentou agora e outra.Agora, ele diz que soube da crise em 10 de janeiro à noite e o próprio ministro já disse em oportunidades anteriores que tinha sido informado, por exemplo, em 8 de janeiro e, quando vidas estão em jogo, dois dias fazem diferença.
Todos esses temas serão esmiuçados amanh, bem como as compras do Ministério da Saúde e as contratações da pasta. E certamente não será a última vez do ministro ali. Espera-se, inclusive, mais à frente uma acareação entre ele e o governador do Amazonas, Wilson Lima, certamente virá. Essa temporada da CPI ainda promete muita tensão nos próximos dias e meses.
Grupo de Omar Aziz e Renan Calheiros está recomposto na CPI da Covid
A defesa que o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), fez do senador Renan Calheiros (MDB-AL) como relator deixou os governistas com a certeza de que o grupo se recompôs. O senador alagoano, por sua vez, foi muito mais cordato em suas colocações, o que indicou para os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro um acerto para manter o grupo unido. Assim, resta aos governistas preparar um relatório alternativo e, de quebra, lutar ao final desta semana para mudar o rumo da comissão.
Flávia, a equilibrista
A ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, tem se equilibrado entre as disputas internas do Progressistas de Arthur Lira (AL) e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PR). Depois das especulações de que seria afastada do cargo, Bolsonaro determinou a todos que se entendessem. Barros, inclusive, fez uma longa reunião com a ministra para tratar da votação da MP da Eletrobras.
Ele quer paz
Muitos podem não acreditar, mas o sonho do presidente é uma base tranquila para poder centrar o foco em organizar o seu jogo para 2022. Ele não quer saber de confusão do PL com o Progressistas e nem dentro do próprio Progressistas. Nesse caso, basta Barros e Lira acertarem os ponteiros. Com o PL, reza o ditado popular, “são outros 500”.
Valdemar também
Para resolver o PL, falta o Planalto, leia-se a Casa Civil, de Luiz Eduardo Ramos, promover as nomeações pretendidas por Valdemar Costa Neto. Até aqui, a maioria dos cargos não saiu do papel. E sabe como é: quanto mais perto do ano eleitoral, mais pressão virá.
Mandetta, o carioca
Com a saída de Rodrigo Maia e Eduardo Paes do DEM, os estrategistas de ACM Neto planejam uma vingança: mudar o título eleitoral do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta para o Rio de Janeiro, de forma que ele saia candidato a governador.
Falta Bruno Covas no cenário tucano
Aliados do governador de São Paulo, João Doria, consideram que a morte de Bruno Covas fez romper a ponte entre o grupo do governador e aqueles que desejam apoiar Geraldo Alckmin ao governo, seja no PSD ou DEM. Alckmin está entre um e outro.
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Vai encarar?/ O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que já foi aconselhado a ficar longe da CPI, fez questão de se sentar na primeira fila, de frente para o relator da comissão, Renan Calheiros. A escolha do local é de caso pensado. Tudo o que os bolsonaristas querem agora é tirar Renan do sério, para reforçar apoios futuros a um relatório a ser produzido pelos aliados do Planalto, a fim de confrontar o do alagoano.
#fiqueemcasa/ O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou os expoentes do PT do Ceará, inclusive o governador Camilo Santana, para uma reunião a fim de deixar claro que são petistas e devem defender o partido, e não o PDT. A ideia é fechar desde já o grupo para não dar espaço a Ciro Gomes, de quem Camilo é aliado.
Ciumeira na economia/ O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, surge lá fora como um oásis de defesa da economia sustentável e verde no Brasil. Ganhou o prêmio de “banqueiro central 2020” pela revista britânica The Banker e, agora, acaba de sair muito bem no Financial Times. Tem gente com ciúmes do presidente do BC, inclusive Paulo Guedes.
Por falar em Guedes…/ No grupo de WhatsApp, Guedes se comparou a lorde Horatio Nelson, o almirante inglês que se preparava para a batalha contra Napoleão. A história ficou famosa, porque Nelson pediu uma túnica vermelha para que, quando fosse atingido, ninguém percebesse. Porém, quando soube do número de navios, ordenou: “então, me tragam a calça marrom”. Para alguns ministros, o colega passou recibo.
O Partido Progressista, de Arthur Lira, já viveu um clima mais ameno. Hoje, Arthur Lira e o líder do governo, Ricardo Barros, se desentendem sobre quem tem a primazia do relacionamento com o Planalto. Barros estava acostumado a negociar as demandas dos congressistas diretamente no Poder Executivo, sem combinar nada com a Presidência da Câmara, fórmula que funcionava nos tempos em que o deputado Rodrigo Maia presidia a Casa. Agora, esse período acabou.
Com a troca de comando no Parlamento, Arthur Lira quer ser informado das demandas, enfim, deixar claro que muito do que os deputados conseguem levar hoje para seus estados se dá graças ao fato de ele estar trabalhando para que isso ocorra. Ou seja, é ele (Lira) o condutor dos acordos. Daí, o curto-circuito divulgado esta semana no site O Antagonista, dando conta que a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, estaria de “aviso prévio” por causa da tentativa de troca de Ricardo Barros (PP-PR).
Esta manhã, o presidente Jair Bolsonaro tentou dar um fim nessa disputa e avisou que “ninguém sai”. A ordem do presidente foi para que todos se entendessem. Bolsonaro não quer problemas na base aliada. Afinal, Flávia é do PL, de Valdemar Costa Neto, e, embora seja aliada de Arthur Lira, a filiação partidária fala mais alto. Se deixar o cargo, Bolsonaro pode ter problemas com o PL e com Valdemar. No momento, em meio à CPI e com votações importantes pela frente na Câmara, o presidente não deseja correr riscos por causa de desentendimentos entre aliados.
Se vai funcionar, o tempo dirá.





