Autor: Denise Rothenburg
De seu gabinete no Planalto e com poucos ministros na sala, o presidente Michel Temer acompanhou a leitura do relatório do deputado Sérgio Zveiter na Comissão de Constituição e Justiça. Ele esperava esse desfecho, ou seja, o voto pela autorização ao STF para processar o presidente por corrupção passiva. Porém, dizem seus aliados na Câmara, não imaginava que o relator praticamente repetiria a denúncia de Rodrigo Janot em seu parecer. Até por ser do PMDB, Zveiter, na avaliação dos amigos do presidente, deveria ter, ao menos, buscado uma neutralidade, dando respaldo a algum argumento da defesa. O relator, porém não teve essa “sensibilidade” e, na visão de aliados de Temer, ainda ultrapassou os limites da Comissão, ao sugerir que o plenário da Câmara acolha o seu voto, antes mesmo de a CCJ decidir. Por essa, o presidente Michel Temer não esperava.
O presidente tem consciência de que a gora a sua batalha ficou mais difícil, uma vez que muitos podem aproveitar o voto de Zveiter para se afastar do Planalto e ainda tem a reunião do PSDB agora em São Paulo. O encontro promete ser mais um “jab” no queixo de Michel Temer, apesar da carta do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. A carta aliás, foi o único alento que o presidente da República obteve nesta segunda-feira.
Arthur chama o partido a uma reflexão. Insiste que o tema agora não é a Lava Jato “que deve existir” e sim a “decisão tucana de manter _ ou não _ o compromisso de prosseguir dando suporte ao governo que interrompeu o mais longo processo recessivo da história econômica, domou a inflação, colocando-a abaixo do centro da meta; aprovou a tão necessária reforma do ensino médio e está a um passo de consolidar a inevitável reforma das leis trabalhistas (…)”. E prossegue: “A força do PSDB sempre residiu no compromisso com o país, a preço de quaisquer sacrifícios”. “O PSDB nunca foi o partido de mocinhos forjados artificialmente em horas de crise”, diz Virgílio, que termina afirmando que desembarcar do governo não soaria como um ato de coragem. Abaixo, a íntegra da carta:
“MENSAGEM AO PSDB
Fiquei sem entender os critérios de convocação para a reunião de hoje, segunda feira, em São Paulo. Tempo de militância e lealdade ao PSDB? Número de mandatos parlamentares e executivos? Passagem por estratégico ministério, por liderança de governo e por oito anos consecutivos de liderança de oposição encarniçada ao presidente mais popular de nossa história republicana? Direção do partido por três anos inteiros? Solidariedade a tantos companheiros, alguns certamente presentes à sessão desta noite, em momentos delicados de suas vidas políticas, cercados pelo barulho ensurdecedor da omissão, sempre cômoda, de tantos?
Mas que meus companheiros sejam sábios e corajosos em hora de desafio tão exigente. E é nesse sentido que lhes dirijo estas linhas.
O PSDB precisa entender que a política, tal qual se a praticou, da redemocratização até aqui, simplesmente morreu… sem deixar saudades. O Congresso se apequenou, instituições como, por exemplo, o Ministério Público, se agigantaram a partir da desmoralização da instituição parlamentar. O Judiciário, igualmente, assumiu certos protagonismos que, em condições normais de temperatura e pressão, não lhe caberia empalmar. Tudo porque a política morreu, levando com ela os partidos, as velhas práticas e muitas biografias.
Hoje, não existe mais a disputa PSDB X PT. Temo que nem um e nem outro tenham percebido isso. O PSDB foi a estrela da derrubada da presidente Dilma Rousseff e o PT, em lamentável amnésia cívica, supõe purificar-se investindo contra o governo Michel Temer, que tem a missão essencial de recompor a economia e entregar um país reorganizado a quem se eleger no pleito de 2018.
O presidente Fernando Collor caiu em 1992, sendo depois absolvido, por unanimidade, pelo STF. A presidente Rousseff foi apeada do poder, em 2016, menos pelas “pedaladas “, tão fortemente usadas como argumento definitivo e saneador, e mais, muito mais, porque perdeu as condições, parlamentares inclusive, de prosseguir governando o país. Pretendem agora interromper o mandato de Temer, sem provas concretas de crime, numa campanha obsessiva de certos setores da imprensa livre e, muitas vezes, positivamente instigante que, modestamente ajudei a erigir, nas pelejas de 21 anos contra o regime de exceção constituído, pela força, em 1964.
Resumindo: exatamente 25 anos entre Collor e a investida sobre Temer. Se exitosa essa intenção, teremos a média de pouco mais de 8 anos entre o impeachment de um mandatário e outro. Recibo de imaturidade política. Imagem de república de bananas. Teatro bufo, que abre espaço para os heróis de uma “resistência” inglória, mesmo se os antecedentes desses heróis de ocasião não forem claros e límpidos como a água de puras nascentes.
O PT se porta como se 2016 não tivesse existido. E, neste estranho Brasil, não se critica quem se traveste de “honrado” da hora. A ordem é delenda Temer… a qualquer custo. Delatores “premiados” são efetiva e muito discutivelmente premiados. A instituição saudável da prisão preventiva é usada abusivamente, em moldes psicologicamente semelhantes às torturas físicas empregadas pela ditadura de 1964. O senador Aecio Neves é retirado do exercício do seu mandato pela decisão de um ministro da Suprema Corte…para ser devolvido às suas funções não pela soberania da Casa a que pertence, mas pela decisão, pura e simples, de outro membro dessa mesma elevada corte de justiça.
A operação Lava Jato, com sua destinação saneadora e alguns exageros, será bem reconhecida pela história. Se existe e subsiste é porque há razões sobejas para tal. Logo, deve prosseguir sim, limitada pela Constituição e pelo conjunto de leis que sustentam a democracia neste país.
Condenações derivam e derivarão do papel que a Lava Jato necessariamente cumpre. E as instâncias da Justiça estão aí mesmo para sanear eventuais e inevitáveis equívocos.
Mas o tema agora é a decisão tucana de manter – ou não – o compromisso de prosseguir dando suporte ao governo que interrompeu o mais longo processo recessivo da história econômica; domou a inflação, colocando-a abaixo do centro da meta; aprovou a tão necessária reforma do ensino médio e está a um passo de consolidar a inevitável reforma das leis trabalhistas; insiste em votar a reforma previdenciária, em meio, em meio a uma tempestade de acusações e demagogia; aponta para crescimento positivo ainda neste ano e crescimento bem mais vigoroso em 2018, abrindo um ciclo de expansão, que poderá ser virtuoso, nos anos imediatamente seguintes.
Comecei dirigindo-me aos companheiros, opinando que a luta não é mais PSDB X PT e sim a luta para evitar a morte inglória da própria política e, por consequência, da democracia. A força do PSDB sempre residiu no compromisso com o país, a preço de quaisquer sacrifícios. O PSDB nunca foi o partido de “mocinhos” forjados artificialmente em horas de crise. E nem sobreviveria ou cresceria encarnando esse papel.
Mais ainda: não existe essa dicotomia entre “cabeças brancas” e “cabeças pretas”. E nem é possível que o PSDB se “purifique”, migrando do governo Temer, ao qual servem quatro ministros tucanos competentes e valorosos, para alguma “solução” simplória em torno de alguma outra “bola da vez”, contra a qual nossos “brios” terminariam por se voltar em algum outro momento dessa tragicômica história que estamos presenciando ser descrita.
Minha definição pessoal é clara: “desembarcar” do governo, a pretexto de continuar apoiando as reformas – na verdade abrindo espaço real para o impedimento do presidente – não soaria como ato de coragem. Sinceramente, não! Definitivamente não!
A história não nos privilegiaria por isso. Nem o Brasil tampouco, no máximo a médio prazo.
ARTHUR VIRGÍLIO NETO”
Nos bastidores da Polícia Federal, circula a suspeita de que o desmanche da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba foi uma troca do diretor-geral, Leandro Daiello, com seus superiores. Assim, ele assumiria o desgaste de desfazer a equipe que promoveu a maior operação policial contra a corrupção no país e, em contrapartida, recebe a senha para influenciar à escolha de seu sucessor no comando da corporação.
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Ninguém mais fala na lista tríplice da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, que, nos moldes da Associação Nacional dos Procuradores da República, elencou os preferidos para o cargo de diretor-geral quando se cogitou a substituição de Daiello no ano passado. No topo, estava Érika Marena, a delegada madrinha da Lava-Jato, que integrou o primeiro time de investigação.
Nesse ritmo…
Começaram a sair liminares judiciais suspendendo o pagamento de tributos fixados na Medida Provisória 774, que reonera setores da economia em plena crise. Rodrigo Maia tem defendido que a MP perca a validade, enquanto o Ministério da Fazenda pede empenho em prol do texto.
É a primeira rusga entre o atual presidente da Câmara e a equipe econômica do presidente Michel Temer.
… Ficará difícil
Se as diferenças ficarem só aí, ok, será entendido como algo pontual. Se as divergências começarem a se ampliar, Maia terá dificuldades em convencer o mercado de que não mudará a equipe econômica.
E aí, vai encarar?
A pergunta acima tem sido feita a aliados de Rodrigo Maia por aqueles que jogam todas as fichas na sobrevivência de Michel Temer. É que, se Rodrigo assume em litígio com o PMDB ao centro, e com a oposição (PT) à esquerda, um hoje hipotético governo do democrata não sai do lugar.
Tucanos versus tucanos
A bancada do PSDB aliada a Michel Temer se reúne nesta segunda-feira a fim de preparar um manifesto de apoio, desautorizando os senadores Tasso Jereissati e Cássio Cunha Lima a falarem em nome dos deputados. Não dá para empurrar o governo no abismo nesse momento em que ainda nem se sabe o que virá da Comissão de Constituição e Justiça. Há quem diga inclusive que Ricardo Tripoli deixou de ser líder de todos.
Ministros convocados
Responsável por grande parte da estratégia de comunicação do presidente Michel Temer, o publicitário Elsinho Mouco pediu a cada ministro do governo que envie ao Planalto vídeos com um resumo das realizações da respectiva pasta. A peça deve terminar com uma mensagem de apoio e solidariedade ao presidente da República. A ideia é inundar as redes sociais com o material.
A leveza do ser// O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) é só sorriso por esses dias no interior de Alagoas, entregando tratores adquiridos com recursos de emendas ao orçamento da União. Sem a responsabilidade de liderar a bancada, está cuidando da vida e dos votos, ao lado do filho governador do estado.
O peso do ser// Renan e Jader Barbalho passaram os últimos quatro anos brigando dentro do PMDB para reduzir a influência de Eduardo Cunha no partido. Perderam essa briga lá atrás. Agora, com os filhos candidatos a governador — Renan Filho, à reeleição; e Hélder, a um mandato no Pará — fazem parte do grupo dos que dormem tranquilos à espera dos detalhes da delação do ex-presidente da Câmara.
Em partido dividido// “O João votou a favor do Aécio!”, comentou um político na reunião do PSB. “Como é que o Capi faz isso?!!”, pergunta outro. “Foi o João Alberto que votou!”, explica o primeiro. “Ah, mas o Capi também é João Alberto”. Eis que um terceiro arruma a casa: “Então, para que ninguém mas confunda: O João Alberto, aliado de Sarney, fica João Alberto. E o João Alberto Capiberibe, do PSB, vira Capi. E o Capi votou contra o Aécio no Conselho de Ética, ok?”. Foi o único consenso da última reunião do PSB.
A galera pede// Se dependesse apenas dos eleitores paranaenses, Deltan Dallagnol (foto) seria senador. Ele lidera um levantamento da Paraná Pesquisas com 29%. Só tem um probleminha: Deltan tem dito que não é candidato. Os colegas dele no Ministério Público pressionam. Dizem que é preciso alguém de dentro e com moral na opinião pública para defender os procuradores no Parlamento. Seria um Demóstenes com final feliz, apostam os colegas de Deltan.
Integrantes do PMDB do Rio de Janeiro apostam que o parecer de Sergio Zveiter será no sentido de deixar a conclusão para juízo de cada deputado, sem mencionar claramente se deve haver arquivamento ou autorização para que prossiga a investigação contra o presidente. E, sabe como é, se com a letra da lei a interpretação dos juízes, invariavelmente, é divergente, imagine num parecer sem direcionar a decisão a tomar. Essa era uma das brechas desenhadas ontem e que dava a Michel Temer mais esperanças de se salvar, apesar de todos os movimentos de setores do PSDB e do DEM em sentido contrário.
O que não é de César
Nesse período de análise da denúncia contra Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça, os aliados de Rodrigo Maia aproveitam para tentar acalmar o mercado sobre uma possível influência do ex-prefeito do Rio César Maia na economia. “O pai de Rodrigo não vai apitar”, dizem, em alto e bom som, lembrando que a equipe econômica não muda. Até porque, se aprovada a investigação, Michel Temer será “presidente afastado”, por seis meses, para responder o processo. Portanto, a equipe não sofrerá alteração.
Marido da sogra é parente
A coluna publicou ontem, com exclusividade, que aliados de Rodrigo Maia carregam cópia da Súmula Vinculante 13, do STF, como argumento para provar que o deputado trocará a turma palaciana se assumir a Presidência da República. Pois bem. Ontem, Rodrigo afirmava que Wellington Moreira Franco não era seu “sogro” e sim casado com a sogra. Ocorre que a “súmula do nepotismo”, como é conhecida a 13, veda também a nomeação de parente por “afinidade”. Dizem os parlamentares especialistas em direito constitucional que é justamente esse o caso em questão.
Ponto de corte, visão tucana
A votação da reforma trabalhista no Senado é considerada a data-limite da parceria do PSDB com o governo do presidente Michel Temer. Se ele não tiver condições de mostrar capacidade para tocar as outras reformas — e uma parcela dos tucanos considera que não tem —, o partido deixará o governo.
Ponto de corte, visão governo
A seus mais fiéis escudeiros, o presidente Michel Temer tem dito que mantém o PSDB no governo porque os ministros têm ajudado nas reformas e, com a trabalhista prestes a ser votada, não há meios de criar mais agitação na base. Porém, a pressão para que o presidente troque logo os tucanos cresce por hora.
A bronca da presidente
A nova presidente do PT, Gleisi Hoffmann, mandou o seguinte recado aos integrantes do partido: não tem nada que negociar a troca de Michel Temer por Rodrigo Maia. “Isso é seis por meia dúzia”, tem dito a petista em todas as conversas. Ela está disposta a manter o partido no viés de esquerda, sem concessões.
CURTIDAS
No cravo…/ Os aliados do presidente Michel Temer viram como um gesto de lealdade a declaração de Rodrigo Maia sobre não ter recesso antes de a Casa decidir o futuro de Temer.
… Na ferradura/ Chamou, porém, a atenção o fato de o deputado Marcos Rogério (DEM-RO) ter sido o único numa reunião da base aliada a defender que a Comissão de Constituição e Justiça deveria ouvir Rodrigo Janot antes de decidir se autoriza ou não o prosseguimento da investigação contra o presidente Michel Temer.
Por falar em Maia…/ Como já foi dito aqui, Rodrigo Maia tem que acender uma vela para Eduardo Cunha: não fosse a insistência do então presidente da Câmara em fazer de André Moura líder do governo no início da gestão Temer, Rodrigo não seria hoje presidente da Casa, com viés de alta para presidente da República. E agora tudo acontece, de novo, por causa da possível delação de Eduardo Cunha.
… E o Imbassahy, hein?/ Nos idos de novembro de 2016, o plano era fazer de Antonio Imbassahy (PSDB-BA) presidente da Câmara. Maia se articulou para ficar no cargo e venceu. Resta a Imbassahy (foto), hoje ministro da Secretaria de Governo, lembrar aos netos, conforme dizia ontem um senador: “Vocês estão com o vovô que quase foi presidente da República”.
Aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já avisaram aos partidos da coalizão de Michel Temer que, em caso de uma derrota do peemedebista na Casa, os ministros palacianos serão os primeiros a serem substituídos. Em relação ao titular da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco, sogro de Rodrigo, esses aliados do deputado do DEM trazem em seus celulares uma cópia da Súmula Vinculante 13, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determina a substituição. Diz o texto: “A nomeação de (…) parente em linha reta, colateral ou por afinidade até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante (…) para o exercício de cargo em comissão ou de confiança em função gratificada na administração pública (…) viola a Constituição Federal”.
Cá entre nós: se a turma de Rodrigo Maia já anda com a cópia da súmula vinculante do STF, é sinal de que, embora o presidente da Câmara jure fidelidade a Temer, tem gente correndo léguas em nome de um novo ciclo de poder com a mesma base aliada que levou o PMDB ao comando do Planalto. E sem Moreira no primeiro escalão.
O que interessa
O fim da força-tarefa da Lava-Jato deixou os investigadores da Polícia Federal em alerta. Até agora, ninguém disse, por exemplo, o que será feito com toda a papelada e arquivos digitais que ainda estavam em análise. Há muito material que precisa ser objeto de cruzamento com fases antigas da operação. Se esses documentos ficarem dispersos ou inacessíveis, aí sim, será real o risco de desmonte das investigações de parte das apurações ainda em curso, especialmente as que envolvem políticos.
Fiéis protegidos
A perspectiva de delação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha deixou os deputados em alerta. Há quem aposte que o peemedebista protegerá aqueles que ele ajudou financeiramente e que não o abandonaram quando da derrocada.
Se correr, o bicho pega…
Aliados do antigo Centrão (PP-PR-PTB) comentam nos bastidores que Michel Temer está demorando demais para reorganizar o governo sem o PSDB. Ocorre que, no Planalto, há quem diga que, se Temer tirar os tucanos, aí sim, a ala que apoia o presidente não terá mais compromisso com o governo.
… Se ficar o bicho come
O caso é que, se a ala tucana que emposta a voz em nome do afastamento do governo continuar falando sem que nada aconteça, os demais partidos da base vão achar que podem encorpar esse movimento sem consequências.
Sintoma
Ministros que há duas semanas não tinham se mexido para tentar ajudar o presidente Michel Temer passaram os últimos três dias dedicados a parlamentares. Sinal de que a coisa não está tão tranquila.
Coincidências/ A primeira viagem de Michel Temer como presidente efetivo, em setembro de 2016, foi para o encontro da cúpula do G-20, na China. Ele embarcou horas depois de ser empossado. Agora, com o pedido de afastamento prestes a ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça, ele volta ao G-20.
Chegou mal/ Recém-criado, com um discurso de renovação da prática política, o Podemos começa a deixar suas estrelas sujeitas a explicações sobre atos de filiados. Ontem mesmo, o senador Álvaro Dias (foto), uma aposta para a Presidência da República, almoçava tranquilamente no restaurante do Senado, quando um servidor se aproximou e disse: “E aí, senador, seu partido mal começou e já tem um preso?”
Saiu-se bem/ O preso foi o prefeito de Bayeux (PB), Berger Lima, do Podemos, afastado do cargo depois de ser flagrado recebendo R$ 4 mil de um empresário. “Vamos resolver isso, o partido não tolera esse comportamento”, disse o senador. A ideia dos integrantes da legenda é expulsar o prefeito.
Se não correr…/ O Podemos brasileiro tem como base o PTN, que se aproveitou da popularidade do partido de esquerda espanhol e mudou de nome. Se demorar a afastar os enroscados da legenda, vai virar “prendemos”, isso para usar uma expressão que pode ser lida pelas crianças. Em conversas reservadas, os políticos têm usado expressões mais chulas… Por exemplo, citar o nome da legenda com “ph”, para se referir ao partido.
O Instituto Paraná Pesquisas quis saber como está o humor dos paraenses para definir o candidato a governador e ao Senado. Descobriu que o senador Jader Barbalho praticamente lidera a corrida para mais oito anos defendendo-nos interesses do Pará no Senado. Em todos os cenários, Jader tem 30%. O unico com mais intenções de vote do que ele é o deputado Éder Mauro (PSD), com 36%.
De quebra, ainda tem o filho, o ministro da Integração, Hélder Barbalho, liderando a corrida para o governo do estado. Na pesquisa estimulada, Hélder tem 34,4% das intenções de voto seguido pela ex-governadora Ana Júlia Carepa, do PT, que aparece com 15,3%, o que representa o renascimento do PT no Pará. Por enquanto, a renovação passa longe.
A prisão do ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) foi vista como um aviso aos aliados do presidente Michel Temer. Se os governistas não tiverem muito equilíbrio na hora de cabalar votos favoráveis a Temer na Câmara, ninguém está livre de ter o mesmo destino de Geddel. Para aliados do governo, Geddel ir para a cadeia por obstrução da Justiça foi um primeiro sinal de alerta para lembrar que o fato de o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures estar em casa, ainda que seja com um acessório no tornozelo, não significa que estão todos bem. Embora o presidente tente passar a ideia de que está tudo muito bom, o momento é para lá de delicado, dizem alguns.
A futura procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tem dito a alguns que o antecessor Rodrigo Janot pode ficar tranquilo, porque ela não pretende fazer uma devassa no trabalho dele. Ela pretende, sim, marcar diferenças entre os resultados de um e de outro. Na Lava Jato, por exemplo, Sérgio Moro já procedeu 76 condenações. No Supremo Tribunal Federal, até agora ninguém foi condenado. Ela vai partir para a cobrança de investigações e julgamentos com mais celeridade.
Em tempo: Dodge trabalha também com a perspectiva de ter que mostrar muito serviço em dois anos. É que muitos avaliam que o fato de ter sido escolhida por um presidente investigado torna difícil a perspectiva de recondução ao cargo. Se agradar demais o PMDB, ficará exposta como uma “engavetadora-geral”. Se for com muita gana de condenar os políticos, pode assustar alguns tal e qual Janot assusta hoje o partido comandante do Planalto. Nos dois casos, adeus recondução. Por isso, ela não irá nem tanto à terra, nem tanto ao mar. Apostará no equilíbrio.
Sem ato de ofício
A defesa de Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça do Senado terá como espinha dorsal o fato de não haver decisão administrativa do presidente que configure benefício direto ao grupo de Joesley Batista. Esse foi um dos temas que Temer tratou ontem com seus advogados. A outra frente, a política, será discutida hoje.
Furnas e CCJ, tudo a ver
Apesar de adiada, a substituição do presidente de Furnas, Ricardo Medeiros, virá, dizem aliados do presidente Michel Temer. Vai-se, entretanto, esperar mais alguns dias, para ver o que acontece na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. E o que uma coisa tem a ver com a outra? Furnas é ponto nevrálgico para o PMDB de Minas, do qual faz parte o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, encarregado de indicar o relator da denúncia contra Michel Temer.
A volta do sigilo I
Os adversários do procurador-geral, Rodrigo Janot, vão insistir para que Raquel Dodge passe a adotar é o sigilo das delações premiadas, conforme prevê a lei. Alguns têm dito que Janot levantou o sigilo da delação de Delcídio do Amaral, por exemplo, apenas para que ele não tivesse como voltar atrás no acordo. A lei prevê que o sigilo de uma delação só pode ser suspenso com a concordância do delator.
A volta do sigilo II
Há quem diga que a retomada dos sigilos pode terminar por deixar que a população vá no escuro na eleição de 2018, especialmente, a respeito das novas delações que estão na fila. Nesse rol, está a de Antônio Palocci, do PT de Lula.
Ele tem a força
Raimundo Lira passou os últimos dias ao telefone, consultando os colegas sobre sua vontade de assumir o cargo de líder do PMDB. Apontado como o nome mais forte hoje para liderar a bancada, Lira será mais um aliado do ex-presidente José Sarney com posição de destaque dentro do partido.
CURTIDAS
A la Gilmar Mendes/ Ao se referir à futura procuradora–geral da República, Raquel Dogde, um colega dela de procuradoria saiu-se com esta: “É um Gilmar de saias”, no sentido de expor suas opiniões sem constrangimentos.
Ainda incomoda/ Quem acompanhou com uma lupa na disputa na PGR semana passada apontou como uma “burrice” do procurador Rodrigo Janot ter investido seu prestígio em Nicolao Dino. Dino já estava queimado desde a rejeição para o Conselho Nacional do Ministério Público.
Sem saída/ A avaliação de muitos, entretanto, é a de que, se Janot não tivesse colocado seu peso para sustentar Nicolao Dino, Raquel Dodge teria sido a primeira da lista. E tudo o que o procurador-geral não queria era dar a Michel Temer o gostinho de ter a preferida do PMDB na pole position.
Aécio, o retorno/ O senador Aécio Neves (PSDB-MG) fará um discurso na terça-feira para marcar a volta e apresentar sua defesa aos colegas. Voltará ainda às reuniões da bancada. Quanto à presidência do partido, foi aconselhado a não fazer nenhum gesto imediato e trabalhar para que a retomada do comando tucano seja algo natural.
Mal o senador Aécio Neves reassumiu seu mandato, os peemedebistas colocaram na roda a atitude do presidente do Conselho de Ética, João Alberto, que arquivou o pedido de abertura de processo contra o tucano. Citavam esse movimento como um gesto amistoso do PMDB para com o PSDB. Agora, com Aécio de volta e o presidente Michel Temer ainda no trabalho de pular fogueira, os peemedebistas fazem chegar aos tucanos que é hora de o PSDB ter um gesto semelhante para com o presidente Michel Temer na Câmara.
Mercado futuro
Entre advogados e integrantes do Ministério Público, a concessão de liberdade a Rodrigo Rocha Loures foi vista como uma questão de estratégia. Agora, em casa, há quem diga que a descompressão levará o ex-deputado a cometer algum erro que termine por criar o tal “fato novo” capaz de levar a uma mudança dos ventos no plenário da Câmara.
Mercado atual
Estratégias à parte, há quem diga que o ministro Edson Fachin decidiu soltar o ex-deputado porque se viu isolado, depois que o ministro Marco Aurélio soltou todos os demais citados nas delações de Joesley Batista. Rocha Loures inclusive devolveu o dinheiro, entregou o passaporte e não tem antecedentes criminais.
Até aqui, tudo bem
Ninguém ligado a Rocha Loures menciona que ele partirá para a delação premiada. Porém, alguns procuradores esperam que a convivência com a família, especialmente, a mulher, no final da gravidez, podem levar o ex-deputado a rever essa decisão.
Trabalhista passa
Depois da vitória na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a aposta dos líderes aliados ao presidente Michel Temer é a de que a reforma trabalhista será aprovada por um placar bem acima dos 50 votos. Os mais otimistas sugerem algo entre 58 e 61 votos.
Já a Previdência…
Embora o placar previsto pelos mais otimistas seja suficiente para aprovar a reforma previdenciária, não dá para fazer qualquer aposta. Hoje, o assunto está na Câmara como paciente terminal, desenganado pelos médicos.
PT versus ex-PT/ Quando petistas e ex-petistas resolvem debater, invariavelmente, pega fogo. Ontem, não foi diferente. Cristovam Buarque compareceu ao plenário, atendendo a um pedido de Paulo Paim (PT-RS), para debater a reforma trabalhista e viveu um embate flagrado apenas pela repórter Natália Lambert, do Correio.
PT versus ex-PT 2/ A rusga começou quando Cristovam tentou defender a intrajornada de trabalho — a redução do intervalo de almoço para meia hora prevista no projeto. “A sua linha de raciocínio me lembra o tempo dos escravocratas”, rebateu Paim. A comparação irritou Cristovam. “Não me confunda com esse tipo de gente. O senhor sabe pelo que eu luto. E eu luto para completar a abolição da escravatura que ainda não foi completada.”
PT versus ex-PT 3/ Cristovam foi além: “Quando falo que tem que ter dinheiro para escola, e não para estádio, o senhor defende o contrário. Como o seu governo fez neste país”. Paim estrilou: “Governo que vossa excelência fez parte”, lembrou.
PT versus ex-PT 4/ A partir daí os ataques foram para o lado pessoal: “Fiz parte sim e saí”, disse Cristovam. “Saiu porque foi posto na rua”, respondeu Paim ao lembrar que Cristovam foi demitido por Lula. “Fui posto para rua com muito orgulho, senador. Agradeço a Deus”, falou Cristovam. “E depois traiu sua presidenta”, acusou Paim. “Vou embora porque não dá para debater com vossa excelência. Achei que o nível seria outro (…) O senhor está muito agressivo”, falou Cristovam. A TV Senado perdeu essa. Como a sessão não foi oficialmente aberta, não houve transmissão. Naquele momento passava na tevê um discurso antigo da senadora Fátima Bezerra (PT-RN).
Desde a semana passada, o governo monitora com uma lupa os movimentos dos partidos aliados, em especial o PSDB e o PSB. Os tucanos adiaram a reunião em que decidiriam como votar na Comissão de Constituição e Justiça. No PSB, o vice-governador de São Paulo, Márcio França, o prefeito de Campinas, Jonas Donizete, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda abandonaram a reunião para evitar que houvesse quórum capaz de fechar questão em favor da abertura de processo contra o presidente Michel Temer.
Nesses dois partidos, governo e oposição vão jogar a batalha dos bastidores na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira parada da denúncia contra Temer na Câmara.
Imposto embaralha jogo de Temer
Antes de votarem pela rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer, integrantes da base aliada ao governo querem o compromisso do Planalto de não aumentar impostos. Afinal, não dá para salvar Temer da guilhotina e, depois se ver obrigado a votar favoravelmente a aumento de impostos. Já chega a reforma da Previdência, que o governo ainda planeja retomar.
Está tudo bem
Os ministros da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB), de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB), e o da Defesa, Raul Jungmann (PPS), vão em bloco hoje ao Ceará anunciar a retomada das obras do canal Norte da transposição do São Francisco. A ideia é mostrar que o governo, sob o comando de Michel Temer, não está paralisado por causa da crise.
Cara de paisagem
Dois dos governadores socialistas, Rodrigo Rollemberg (Distrito Federal) e Paulo Câmara (Pernambuco), faltaram à reunião convocada para decidir, entre outras coisas, a posição do partido em relação à denúncia contra Temer. Os lideres, a deputada Tereza Cristina e o senador Fernando Bezerra Coelho, ambos aliados de Temer, também não compareceram.
Cara de bravo
Tereza Cristina será chamada para uma conversa com o presidente do partido, Carlos Siqueira: ou vota contra Temer, ou ele dará um jeito de a Executiva enquadrar toda a bancada.
Verões passados
Em conversas reservadas, senadores do partido têm dito que, se os petistas não tivessem errado tanto, dava para pegar mais pesado no fato de Michel Temer, no papel de investigado, escolher um procurador da República. Dilma e Lula, em seus respectivos mandatos, nomearam ministros do STF em pleno mensalão.
Janot ganhou uma
A decisão do Supremo Tribunal Federal, de permitir que o plenário da Casa reveja futuros acordos de delações no final dos julgamentos, caso o delator não cumpra com o que prometeu entregar, deixou o Planalto com gostinho de “engoli mosca”. É que, se tivesse reclamado de delações anteriores, estaria hoje com a revisão da JBS na boca do forno. Agora, a JBS escapou, avaliam palacianos.
Simbólico/ Justamente no dia em que o PSB não conseguiu fechar uma posição contra o presidente Michel Temer, o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) convidou o presidente Michel Temer de última hora para comer rabada em sua casa. Passaram por lá o líder do PMDB, Baleia Rossi, o senador Eumano Ferrer (PTB-PI) e o deputado Carlos Marun (foto).
Espírito de luta/ O presidente Michel Temer não esconde a insatisfação. A todos menciona que nunca viu “tamanha injustiça”.
Santo remédio I/ Segunda-secretária da Mesa Diretora da Câmara, a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), que se recupera de uma gripe forte, passou a manhã à base de pastilhas e chás para recuperar a voz e ler as 60 páginas da denúncia do procurador-geral, Rodrigo Janot, contra Michel Temer.
Santo remédio II/ Para a leitura na tarde de ontem, a sessão de quarta-feira foi estrategicamente concluída mais cedo. Assim, quando a denúncia chegasse à Câmara, a maioria das excelências já estaria longe. Quanto menos marola, especialmente nesse momento de escolha do relator, melhor.
Recebido na Câmara esta manhã, o pedido de abertura de processo contra Michel Temer passa agora à Comissão de Constituição da Casa, onde o governo, na letra fria dos números, tem expressiva maioria. A ideia é nomear um relator “amigo do Planalto”. A missão de escolher está a cargo do deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) presidente da Comissão de Constituição e Justiça.
A ideia, conforme antecipou hoje a coluna Brasília-DF, é correr com o processo. O presidente quer dar ao mercado uma demonstração de força antes do recesso, para mostrar

