Autor: Denise Rothenburg
Pronto. Era o que faltava. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acaba de jogar no colo do governo as dificuldades de votar a MP 784, que trata do acordo de leniência dos bancos, considerada prioridade pelo Banco Central. “Foi o governo que obstruiu e não atendeu o presidente do Banco Central”, disse Rodrigo.
A obstrução, anunciada pelo blog no twitter no início da tarde, foi para garantir a leitura do relatório da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O regimento impede que as comissões se reúnam no momento da Ordem do Dia. Entre a votação da MP e a leitura, o Planalto ficou com a leitura do relatório, sacrificando a MP defendida pelo Banco Central. Agora, Maia diz que não haverá prazo para votar a MP, que vence em 19 de outubro.
A decisão e a fala do presidente da Câmara expõem mais um afastamento entre Maia e o Planalto. Desta vez, com um agravante: Maia coloca o presidente e seus escudeiros no Parlamento como quem evita a aprovação de medidas defendidas pela equipe econômica, no caso, o Banco Central. É a primeira vez que alguém relaciona a denúncia contra o presidente como algo que atrapalha a economia. O que Maia quer com isso? Dizem alguns, viabilizar seu nome para substituir Michel, caso o presidente derreta.
O que levou muitos a acreditarem que Maia age nesse sentido foi o fato de as declarações surgirem justamente depois da apresentação do relatório favorável ao presidente Michel Temer na CCJ. Esse mal-estar entre Maia e Temer, tendo como pano de fundo algo relacionado à economia, era tudo o que Temer não precisava nesse momento. Mas, como diz um deputado, “todas as vezes em que há dinheiro na roda, a base se estranha”. Fiquemos atentos aos próximos lances dessa rodada.
Ao centrar seu parecer na acusação de formação de organização criminosa, o relator da denúncia contra o presidente Michel Temer, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), tenta tirar de cena qualquer movimento da oposição para tentar separar os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco da votação que envolve Michel Temer. Essa, aliás, será a preliminar a ser apresentada por deputados que defendem o afastamento de Temer.
Além disso, nos bastidores, há quem diga que, se houvesse a separação, seria muito trabalhoso preservar Moreira Franco. Ele, que já escapou por pouco há duas semanas, quando da votação da Medida Provisória que lhe garantiu status de ministro, estaria de novo sob fogo cruzado.
Lula e os militares
Ciente da insatisfação de setores da caserna, o ex-presidente citou ontem no discurso em seminário pela educação em Brasília que seu governo foi o primeiro a pagar um salário aos recrutas. Mencionou ainda os investimentos nas Forças Armadas. Para bons entendedores, o recado dado foi o seguinte: “Se eu voltar, vocês não serão esquecidos”,
Mercado futuro
Lula fez questão também de citar várias vezes o ex-ministro Fernando Haddad como aquele que levou campus universitários a várias cidades. Muitos petistas que estavam por lá saíram certos de que Haddad é mesmo o plano B, na hipótese de o ex-presidente não concorrer. Ainda que o ex-ministro da educação não ganhe, será o PT lançando um nome para o pós-2018. Se for chapa pura, com Lula na cabeça de chapa, Haddad será o vice.
Arrume outro
Se tem algo que o prefeito de São Paulo, João Doria, não poderá fazer é culpar o governador Geraldo Alckmin se houver fracasso em sua gestão. Isso porque, se tem uma coisa que Alckmin tem feito é liberar recursos para a cidade. Só ontem o governador autorizou R$ 14 milhões para a Fundo de Assistência Social, R$ 32,8 milhões para o programa Recomeço, ambos para atendimento de moradores de rua e dependentes químicos. Os valores não chegam a um Geddel, mas já é alguma coisa.
Por falar em valores…
Desde que a Polícia Federal desbaratou a caixa-forte do ex-ministro e ex-deputado em Salvador, os R$ 51 milhões viraram unidade de referência para os prefeitos que passaram por Brasília atrás de emendas ao orçamento do ano eleitoral. Todos querem agora de 1 Geddel para cima.
Uma juíza nas alturas I/ Denise Frossard, a juíza que enfrentou o crime organizado no Rio de Janeiro no início dos anos 1990, passou seu aniversário de 67 anos, em 6 de outubro, se preparando para escalar o… Everest!
Uma juíza nas alturas II/ Ela está em Katmandu, Bagmati Zone, Nepal. Cada um pode levar 15kg. “Na Duffel Bag vai o que os Iaques e Sherpas carregam, indo à frente. Nós carregamos as nossas mochilas de montanhistas com o material estritamente necessário para o dia de trilha (inclusive ração). O montanhista tem que ser minimalista, superorganizado, saber dobrar roupas no estilo montanhista (depois eu ensino) e tudo tem que ser do melhor material e impermeável! Não há nada para repor lá em cima! A bota 3 camadas, cada pé com o peso de 2 kg”, contou ela aos amigos de Facebook.
Quem perdeu foi a política/ Em 2006, ela disputou o segundo turno das eleições contra Sérgio Cabral Filho e perdeu. Tem carioca dizendo, ah, se arrependimento matasse… É pois, é.
Enquanto isso, no foyer do TSE… / O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, abre hoje, 18h, exposição Hans Kelsen, que apresenta ao público brasileiro um apanhado da vida e obra do jurista e filósofo austríaco. A mais famosa é a Teoria Pura do Direito, um marco da ciência jurídica. Com o apoio da Embaixada da Áustria, o assessor da escola Judiciária Eleitoral do TSE, Adisson Leal, traduziu todos os textos. Ali, os visitantes poderão entender um pouco mais sobre a influência de Kelsen no contexto jurídico brasileiro.
Com a experiência de quem conheceu a ribalta e as coxias de uma carreira política, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, mete a colher na cumbuca do PSDB e manda um recado ao prefeito de São Paulo, João Dória: “Se sair do PSDB e abandonar Geraldo Alckmin, ficará com fama de desleal e ingrato. Ficará difícil até mesmo conseguir estrutura para replicar a campanha nos estados e municípios. Afinal, se traiu até o próprio padrinho, o que não fará comigo, que nem afilhado sou? Vade retro!”, diz Jefferson, que, desde já se mostra disposto a ajudar o governador paulista a chegar ao Planalto no ano que vem.
A preços de hoje, com o Brasil ainda saindo da crise econômica,Jefferson considera que o país não pode sair da eleição de 2018 com a vitória de um candidato dos extremos do espectro político, seja à direita, seja à esquerda. Porém, se o centro se dividir muito, com uma candidatura de Geraldo Alckmin, outra de João Dória e de quem mais chegar, há o sério risco de sobrarem as extremidades num segundo turno. O trabalho a que os tucanos deveriam se dedicar é evitar esse perigo, em vez de ficar brigando por coisas menores. Os próximos meses dirão se essa construção é possível.
Trabalho prévio
O grupo de aliados ao senador Aécio Neves começou a contar os votos para a hipótese de o Supremo Tribunal Federal jogar no colo do Senado a decisão
sobre o recolhimento noturno e afastamento do mandato no colo dos senadores. Por enquanto, há número suficiente para devolver as prerrogativas ao senador.
Outra aflição
O receio dos tucanos, entretanto, é o Conselho de Ética. Há uma sensação geral de que não será possível um novo arquivamento. Afinal, se o Senado quiser a prerrogativa de decidir sobre a vida das excelências, terá que julgar o senador no Conselho. Passado o estresse com o STF, é que o PSDB pensará em como lidar com isso.
Lula em Brasília
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa amanhã do encerramento do ato em defesa das universidades públicas, no Centro Internacional de Convenções, no setor de clubes próximo à ponte JK. Estará acompanhado de dois dos ex-ministros da Educação Fernando Haddad e Aloizio Mercadante. A ordem no PT é conquistar os jovens para replicar a campanha de 2018.
O “cara”
O PMDB do Rio não desistiu de ter Eduardo Paes como candidato a governador no ano que vem. Ele é visto como o único que sobrevirá ao vendaval que arrasou o partido no estado.
Agora, vai?
O presidente da Associação Nacional dos Fiscais da Previdência, Floriano Sá Neto, vai dedicar esses próximos seis meses à montagem de uma proposta completa de reforma tributária. A ideia é ter um projeto pronto em março, para apresentar aos pré-candidatos a presidente da República. O texto será feito em conjunto por especialistas convidados pela Anfip e ainda representantes dos estados. “Reforma sem diálogo entre União e estados não é possível, porque um sempre vai fazer uma reforma em benefício próprio. Por isso, vamos fazer uma em conjunto”, diz ele. Oxalá, os ilumine!
CURTIDAS
Notícias do cárcere/ Uma das dificuldades para Geddel Vieira Lima e outros presos acostumados a mandar e desmandar na seara política é andar de mãos para trás e cabeça baixa fora das celas. Aquela turma ali nunca foi de abaixar a cabeça para ninguém.
Custo & benefício/ O video da Anfip contra a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo, aquele de três minutos que viralizou nas redes, custou R$ 5 mil.
Economia em debate/ Os ministros Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e Paulo de Tarso Sanseverino, do Superior Tribunal de Justiça, vão a Nova York na semana que vem. São palestrantes
convidados para falar sobre economia e Direito num evento de 11 a 13 de outubro na Universidade de Colúmbia, ao lado de outros brasileiros, como o advogado Marcus Vinicius Coêlho, ex-presidente da OAB, e o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni.
Prioridade/ O ministro Toffoli só viaja depois do julgamento da quarta-feira, quando o STF decidirá se as medidas cautelares adotadas contra parlamentares precisam do aval do Senado Federal.
Com os prazos para a reforma política esgotados no Congresso, restará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) fechar as lacunas do texto. A principal delas se refere à regulamentação da distribuição do “fundão”, aprovado a toque de caixa na Câmara, ao autofinanciamento e às regras para as redes sociais. A ideia dos partidos que tentaram distribuir melhor o fundo e impor limites ao autofinanciamento é recorrer à Justiça, depois de conhecidos os vetos presidenciais ao projeto. Muita coisa ali pode terminar barrada pela Justiça, especialmente a liberdade de gastos pelos mais ricos, que tira a igualdade de condições entre os candidatos.
O império contra-ataca
A ala governista do PSDB está se mobilizando para abrir uma dissidência em relação ao comando de Ricardo Trípoli na bancada da Câmara. Há quem diga que o líder não disse a verdade ao presidente do partido, Tasso Jereissati, ao se referir como “ampla maioria” ao grupo que desejava tirar Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) da relatoria contra o presidente Michel Temer.
A maior aliança
A parceria entre PT e PMDB na madrugada de votação da reforma eleitoral fez estremecer ainda mais a relação entre o DEM e os peemedebistas. O partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o do presidente da República, Michel Temer, estão tomando caminhos diferentes rumo a 2018. A irritação dos democratas é que petistas e peemedebistas se juntaram para evitar o crescimento dos partidos médios.
Por falar em DEM
A semana do feriadão de Nossa. Senhora Aparecida será dedicada a movimentos no sentido de instigar Rodrigo Maia a conspirar contra o presidente Michel Temer. Maia, entretanto, continua “jogando parado” na maior felicidade.
Aldo em campo
Nos bastidores das conversas entre os partidos que instigam Maia, é dada como certa inclusive a apresentação do ex-deputado Aldo Rebelo, hoje no PSB, como candidato a vice numa chapa encabeçada por Maia. Isso em caso de eleição indireta.
Só tem um probleminha
Até o momento, ninguém calcula que Michel Temer terá menos de 200 votos no plenário.
Decidiu, mas não resolveu/ O fato de Bonifácio de Andrada relatar a denúncia na vaga do PSC, conforme antecipou o Blog da Denise, no www.correiobraziliense.com.br, não vai tirar a referência PSDB-MG depois do nome do parlamentar. Já tem cabeça-preta incomodado com isso.
Por pouco/ Renata Abreu, do Podemos, tentou abrir uma janela de 30 dias para que deputados pudessem mudar de partido levando o tempo de tevê e o pedaço do fundo partidário. A emenda foi derrotada em votação simbólica.
Foi ele!/ Os defensores de limites para o autofinanciamento culparam o presidente do Senado, Eunício Oliveira, pela derrubada dessa parte do texto da Câmara. “Eunício é candidato à reeleição no Ceará, é rico e agora poderá pagar a própria campanha sem problemas”, afirmam uns.
Tasso com Aécio/ Tasso Jereissati planejava visitar Aécio Neves (foto) antes de voar para o Ceará. A ideia, dizem aliados de Tasso, era tirar o mal-estar criado depois que Tasso não discursou no plenário esta semana em defesa do senador mineiro.
Uma das guerras do PSDB teve a primeira batalha encerrada há pouco, numa reunião entre o presidente do partido, Tasso Jereissati, o líder na Câmara, Ricardo Tripoli, e o relator da denúncia do contra o presidente Michel Temer, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG). “Oferecemos várias alternativas a ele. Ele afirmou que não deixaria a relatoria e deixamos claro que, diante da falta de consenso sobre o tema no partido, a relatoria na vaga do PSDB não ficaria adequado”, disse Tasso ao blog. Diante do impasse, chegou-se a uma solução que Tasso considerou pacificadora: Andrada continua na relatoria, porém, na vaga de outro partido. Será o PSC, mesmo partido do líder do governo, André Moura (SE).
Na reunião, Bonifácio de Andrada repetiu o que já havia dito desde o início da semana, que tinha compromisso com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça e que sua escolha para relatar a denúncia estava diretamente relacionada à sua capacidade jurídica. Não mencionou, entretanto, o que já havia dito aos tucanos há alguns dias. Que o presidente Michel Temer tinha telefonado sugerindo que, se ele fosse relator, o processo estaria nas mãos de um jurista. A conversa por telefone e um encontro entre Temer e o relator foram lidos por vários tucanos como um convite de Temer a Bonifácio para relatar o pedido.
O desfecho dessa batalha em torno da relatoria não resolve o problema do PSDB. Os tucanos que pregaram a saída de Bonifácio para não ver a sigla partidária estampada quando o relator fosse abordado. Porém, tecnicamente, o parlamentar continuará citado como o relator da denúncia contra o presidente Michel Temer, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG). Embora, ocupe uma vaga do PSC, Bonifácio não deixou de ser tucano. Caberá agora esperar a nova reação dos cabeças pretas, que não ficaram muito contentes em ver que o relator, embora assuma a vaga de outro partido continuará respondendo como um deputado do PSDB. OU seja, a guerra continua e outras batalhas virão.
Da mesma forma que a primeira denúncia contra o presidente Michel Temer desgastou o PSDB em infindáveis reuniões para discutir o encaminhamento da votação, esta segunda denúncia consome o partido por causa do relator na Comissão de Constituição e Justiça. (CCJ). Esta tarde, estamos assim: Bonifácio de Andrada (PSDB_MG), o deputado escolhido para relatar a denúncia, avisou aos tucanos que não arredará o pé. Ainda que tenha que se licenciar do PSDB.
Bonifácio, entretanto, não é o único a erguer o bico. Os cabeças-pretas, como ficou conhecida a ala jovem tucana, pressionam o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, a expulsar Bonifácio do partido. Enquanto isso, os tucanos aliados de Michel Temer _ hoje, equivalente a metade mais um da bancada _ ameaçam destituir Ricardo Tripoli do posto de líder do partido, caso ele insista em tirar Bonifácio da CCJ. A medida, aliás, seria inócua, uma vez que outros três partidos já se ofereceram para dar ao relator da denúncia uma vaga de titular. Assim, o deputado mineiro permaneceria relator, mas não numa vaga do PSDB.
É nesse pé de bicadas para todos os lados que o PSDB chega a um ano da eleição de 2018. Com a energia jogada numa disputa que não une a bancada e só aumenta a divisão. Projetos para o país, que é bom, ninguém vê.
Aliados do presidente Michel Temer não conseguiam esconder a frustração por um adiamento da exposição do procurador Ãngelo Goulart Villela à Comissão Parlamentar de Inquérito da JBS. Villela é acusado de receber da JBS para manter a empresa informada sobre os passos da Operação Greenfield, que investigou os fundos de pensão. Seu depoimento estava previsto para esta quarta-feir. Ele alegou problemas de saúde de seu pai para não comparecer essa semana à CPI. O depoimento foi remarcado para 17 de outubro.
A expectativa dos aliados do presidente é a de que o procurador reforce o que disse em entrevista à Folha de São Paulo, ou seja, que o ex-procurador Rodrigo Janot queria tirar Michel Temer da Presidência da República e barrar a nomeação de Raquel Dodge para o cargo de procuradora-geral. Para os governistas, é importante que esse depoimento ocorra antes da votação da segunda denúncia contra Michel Temer no plenário da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). Assim, se Ângelo Villela confirmar as declarações dadas anteriormente, haverá um reforço do discurso do governo.
De acordo com a previsão de integrantes da CCJ, a votação do parecer sobre a segunda denúncia deve ocorrer no dia 18, ou seja, um dia depois do depoimento do procurador à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. A votação no plenário da Câmara está prevista para 24 de outubro.
Depois da Petrobras, os olhos dos procuradores se voltam para o setor elétrico. Especialmente, para a notícia de privatização da Eletrobras. Há quem esteja desconfiado de que um seleto grupo soube antes do anúncio oficial e ganhou muito dinheiro no mercado, uma vez que as ações da empresa deram um salto de quase 50% na semana em que foi anunciada a venda da companhia, cujo modelo ainda será definido. Caberá agora à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esclarecer esse mistério. Tem gente dizendo, à boca pequena no mercado, que virá desse setor mais uma dor de cabeça para o governo federal, em especial, para os responsáveis pelas privatizações. Tem muita gente de olho.
A bola está
com o TCU
O Tribunal de Contas da União (TCU) é quem vai dizer ao governo se o modelo de privatização da Eletrobras terá ou não “golden share”, ação que dá poder de veto à União nas empresas privatizadas. O ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, é a favor desse tipo de ação. O da Fazenda, Henrique Meirelles, discorda.
A estreia de
Marlon Reis
O juiz da Lei da Ficha Limpa, Marlon Reis, vai mesmo concorrer ao governo do Tocantins no ano que vem. A festa de pré-lançamento para os filiados da Rede está marcada para 24 de novembro com a presença de Marina Silva. “Vou colocar em prática o que sempre preguei. Dar o exemplo e fazer o convite para que as pessoas participem e sejam candidatas. Não dá para demonizar a política. É preciso participar”, diz.
Enquanto isso, no PMDB…
Não duvide da vontade dos peemedebistas. A um ano da eleição, os maiores caciques sonham em voltar aos salões azuis vitoriosos. Estão no páreo em busca de mais um mandato, pelo menos, oito senadores: Valdir Raupp (RO), Renan Calheiros (AL), Eduardo Braga (AM), Romero Jucá (RR), Eunício Oliveira (CE), Jader Barbalho (PA), Waldemir Moka (MT) e Marta Suplicy (SP).
…o céu é o limite
Contados os sete que em 2018 ainda terão mais quatro anos de mandato, o PMDB tem chances reais de permanecer como a maior força do Senado. É nisso que o partido jogará a maior parte de sua energia.
Quem tem a força
Qualquer um que for perguntar a Renan Calheiros se ele se aproximou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para facilitar a vida eleitoral, o senador logo responde: “Lá atrás, com o Serra (José Serra, candidato a presidente da República), derrotamos o Lula. Serra só ganhou em Alagoas”.
Quem manda I // A escolha do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) para relatar a denúncia contra Michel Temer foi considerada por parlamentares mineiros um “golaço” do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Pacheco, do PMDB-MG. “Bonifácio não é nem Aécio, nem governo. É Andrada e jurista”, dizem, referindo-se à tradicional família do congressista, professor de direito.
Quem manda II // Pacheco, da mesma forma que não atendeu o PMDB, quando da primeira denúncia, e nomeou quem quis, fez o mesmo agora com o PSDB. Na CCJ, dizem os parlamentares, ninguém tem dúvidas de que hoje há comando.
Quem manda III // Se depender de Gabriela, neta do senador José Serra (PSDB-SP), ele vai concorrer ao governo do Estado. Ela tem 10 anos, quer o avô por perto e gostava dos espaços do Palácio dos Bandeirantes.
Só bola de cristal // Um parente de Joesley Batista esteve com o vidente Carlinhos na semana passada em Brasília. Foi saber o que será da família depois da prisão dos donos da JBS. Faz sentido. Como disse Joesley na gravação, “nunca mais vamos ganhar a vida fazendo rolo. Acabou”.
Colaboraram Júlia Campos e Natália Lambert
Um grupo de senadores caminha para tentar adiar a votação prevista para a próxima terça-feira sobre a devolução do mandato do senador Aécio Neves. É que existe uma grande parcela de parlamentares que prefere não ter que apreciar o destino do colega, deixando a bola nos pés do Supremo Tribunal Federal. Parece medo das reações nas redes sociais e opinião pública. E é.
Em conversas reservadas, alguns senadores que votaram a favor da urgência na quinta-feira avaliam que a decisão do STF sobre o afastamento, marcada para 11 de outubro, deu discurso aos que não querem aparecer defendendo o colega. Eles têm plena certeza de que o STF errou ao determinar o afastamento e o recolhimento noturno do senador Aécio com base no Código de Processo Penal (CPP). Porém, torcem para não terem que se posicionar a respeito. Foi esse sentimento que evitou a votação na última quinta-feira e promete se repetir na terça-feira.
Denúncia furacão
Parlamentares avaliam que a primeira denúncia contra o presidente Michel Temer chegou à Câmara numa categoria 5, com alto poder destruição, e virou uma tempestade tropical. Com essa segunda acusação de Rodrigo Janot a Temer, o sentimento da Casa é o inverso: chegou como apenas uma chuva forte, alguns ventos, mas à medida que o tempo passa, o poder de destruição vai aumentando.
Por enquanto, categoria 2
A avaliação geral dos deputados é a de que a denúncia não derrubará Michel Temer. Porém, avisam: “Se vier uma terceira, o presidente pode esvaziar as gavetas”.
E o Renan, hein?
No Planalto, há quem diga que Renan Calheiros (PMDB-AL) resolveu atacar novamente o presidente Michel Temer porque sabia da gravação, divulgada ontem pelo site da revista Veja. Na conversa, o empresário Joesley Batista cita um jantar que teve com o senador alagoano e que chegou a comentar o depoimento ao Ministério Público.
Rede convida Marlon Reis
O juiz da Lei da Ficha Limpa, como Marlon Reis é conhecido, foi convidado pela Rede para concorrer ao governo do Tocantins. Será palco certo para Marina Silva no ano que vem.
CURTIDAS
O especialista/ Num determinado ponto dos áudios das conversas de Joesley Batista, divulgadas ontem pela revista Veja, ele diz à advogada Fernanda Tórtima: “Quer aprender a corromper os outros? É a técnica, sabia?”. Eis que Fernanda pergunta: “Qual a técnica?” A prosa segue para outro rumo e Joesley não revela.
Dois pesos/ Os senadores aliados a Aécio Neves coletam todas as informações a respeito do caso do deputado Celso Jacob (PMDB-RJ) que, condenado à prisão, passa o dia na Câmara, no exercício do mandato, e se recolhe à noite. O senador foi afastado do mandato e levado ao recolhimento sem julgamento.
Bauer e Falcão I/ Senadores viram um quê de Rui Falcão no gesto do líder do PSDB, senador Paulo Bauer, de pedir o adiamento da votação sobre o mandato de Aécio Neves para a semana que vem. Assim como Falcão prejudicou o líder do governo Dilma, Delcídio do Amaral, Bauer não ajudou Aécio. Agora, ainda que Bauer tenha dito que não defenderá um novo adiamento, o estrago está feito.
Bauer e Falcão II/ Em novembro de 2015, o ex-senador Delcídio do Amaral (foto) foi preso, acusado de tramar a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Estava tudo pronto para os senadores revogarem a prisão quando veio uma carta de Falcão, com críticas a Delcídio. Aí, criou-se a porta de saída para a base do governo Dilma, incomodada em votar a favor do senador petista.
Os novos áudios da JBS divulgados pela revista Veja foram rebatidos há pouco pelo Planalto. A visão do governo é a de que as gravações acidentais reveladas agora mostram “cabalmente” que o presidente Michel Temer foi vítima de “uma grande armação urdida desde 17 de maio”, data em que veio a tona a conversa entre Temer e Joesley no Jaburu, o estopim de todas as denúncias envolvendo o presidente da República. As gravações, aliás, serão agora usadas para reforçar a defesa do presidente na Câmara dos Deputados, uma vez que tudo indica uma combinação entre os delatores do grupo JBS e o doleiro Lúcio Funaro, cuja delação embasa a segunda denúncia contra Michel Temer.
A seguir, a íntegra da nota do Planalto
Brasília, 29 de setembro de 2017.
Nota à imprensa
A cada nova revelação das gravações acidentais dos delatores da JBS, demonstra-se cabalmente a grande armação urdida desde 17 de maio contra o presidente Michel Temer. De forma sórdida e torpe, um grupo de meliantes aliou-se a autoridades federais para atacar a honradez e dignidade pessoal do presidente, instabilizar o governo e tentar paralisar o processo de recuperação da economia do país.
Agora, descobre-se que integrantes do Ministério Público Federal ficaram decepcionados com a gravação que usaram para embasar a primeira denúncia contra o presidente. “Eu acho, Fernanda, que precisam construir melhor a história do Temer. Não ficou muito claro. Eu acho que quando ouviram o Temer não gostaram muito. Tinham uma expectativa maior”. E isso dito por Ricardo Saud, uma das vozes usada para atacar o presidente por dias, semanas, meses no noticiário nacional.
As acusações caem uma após a outra, revelando a verdade da conspiração que foi construída durante meses. “Eles querem foder o PMDB”, sentencia o advogado Francisco de Assis, sem saber que está sendo grampeado por Joesley Batista. Mostrando todo planejamento da ação controlada que o grupo da JBS tentou fazer contra o país, Assis acrescenta:
“Viu, seguinte, Joesley, no momento certo, temos de dar sinal pro Lúcio pular dentro. Aí ele fecha a tampa do caixão”. Falavam sobre Lúcio Funaro, delator que foi incluído numa segunda denúncia contra o presidente pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, cujas ambições de comandar o país são ressaltadas pelos delatores. “Janot quer ser o presidente da República, ou indicar quem vai ser”, diz Joesley. Funaro, por sua vez, já havia enganado o Ministério Público Federal e a Justiça em delação anterior. Não mudou suas práticas.
O país não pode ficar nas mãos de criminosos e bandidos que manipulam autoridades, mercado, mídia e paralisam o país. É hora de retornar o caminho do crescimento e da geração de emprego. Não se pode mais tolerar que investigadores atuem como integrantes da santa inquisição, acusando sem provas e permitindo a delatores usarem mecanismos da lei para fugir de seus crimes. Cabe agora, diante de tão grave revelação, ampla investigação para apurar esses fatos absurdos e a responsabilização de todos os envolvidos, em todas as esferas.
Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República

