Nos bastidores do jurídico, já é certo que a eleição para a Presidência do Senado terá voto secreto

Senado
Publicado em coluna Brasília-DF

A depender do que se comenta nos bastidores do mundo jurídico, os senadores podem se preparar para a eleição do novo presidente da Casa por voto secreto. É que, depois do recurso do Solidariedade e do MDB ao Supremo Tribunal Federal (STF), a tendência do presidente da Suprema Corte, ministro Dias Toffoli, é analisar o pedido dos partidos dentro daquilo que vale até no regimento do STF para escolha do seu próprio presidente e também para a Presidência da República: votação secreta.

A barganha da Previdência

Nas conversas com ministros ontem, o governo concluiu que é melhor investir numa mudança mais profunda da Previdência, como o regime de capitalização. Assim, deixará que o Congresso faça os ajustes a fim de aprovar o que for possível. Se, no texto a ser enviado ao Legislativo, o governo for tímido, a reforma a ser aprovada terá o tamanho de um amendoim, e não resolverá sequer metade do problema.

Ritual eleitoral I

Ex-líder da bancada emedebista e ex-presidente do Senado, Renan Calheiros avisa aos interessados que “o mais importante é a unidade do MDB”. Por isso, não se colocará como candidato antes de o partido decidir quem terá os seus 13 ou 14 votos (os emedebistas têm expectativa da filiação do senador Elmano Ferrer, do Piauí). “Não posso ser candidato em movimento anterior ao do MDB. O partido é quem escolherá o seu candidato”, disse Renan à coluna.

Ritual eleitoral II

Para bons entendedores, o recado está dado: Renan, se for escolhido pela bancada (e até aqui nada indica uma posição diferente), terá o apoio fechado de seu partido. Numa casa pulverizada, como está o Senado

Ritual eleitoral III

A reunião do MDB está marcada para 31 de janeiro. A do PSD, a terceira maior bancada, está prevista para o dia seguinte, ou seja, já com a posição do MDB definida. Quem ainda não se posicionou foi o PSDB do senador Tasso Jereissati (CE). Entre os tucanos, há quem diga que ele está com dificuldades de fechar o próprio partido em torno do seu nome. O PSDB não conseguiu
vencer as disputas internas.

Onde pega

Quem estuda atentamente as redes sociais aconselha o governo a retomar urgentemente o “governar pelo exemplo”, defendido diariamente pelo presidente Jair Bolsonaro. A nomeação do filho do vice-presidente, Hamilton Mourão, no Banco do Brasil, ainda que ele seja servidor de carreira e não tenha pedido para ser nomeado, desgasta o governo nessa largada, assim como o desconhecimento dos convites para que o senador eleito Flávio Bolsonaro preste esclarecimentos a respeito da movimentação do ex-assessor Fabrício Queiroz. Ainda que seja para dizer “não sei de nada”, é de bom tom comparecer.

Conversa republicana I/ O novo ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, telefonou para o ex-senador Francisco Escórcio nesta semana. Conforme relato do próprio Chiquinho, como todos o chamam, o ministro foi direto: “Estou aqui desde o dia 2, e o senhor não apareceu. Liguei para lhe comunicar que o senhor será exonerado.”

Conversa republicana II/ Chiquinho contou à coluna que também foi no ponto: “Muito obrigado. Não fui, porque havia mandado uma carta para o senhor pelo general Etchegoyen, com o meu telefone e me colocando à sua disposição. Pena que não tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Fui senador, duas vezes colega de Bolsonaro na Câmara”. Despediram-se e a conversa terminou aí. Chiquinho, ontem, ainda não havia falado nem com Bolsonaro, nem com José Sarney, de quem é fiel escudeiro.

Por falar em Bolsonaro…/ Se tem algo que o presidente preza são os gestos de solidariedade. Enquanto estava no hospital, recuperando-se das cirurgias a que foi submetido depois do atentado em Juiz de Fora, ele recebeu a visita do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho, o Fabinho Liderança, hoje candidato a presidente da Casa. O deputado mineiro colocou-se à disposição para ajudar a família no que fosse preciso. Do presidente da Casa, Rodrigo Maia, não houve esse movimento.

… ele vai coordenar/ Embora esteja distante da disputa da Presidência da Câmara, será dele a coordenação com os congressistas para aprovação das reformas, em especial, a da Previdência.

Onyx e Guedes selam termo de ajuste de conduta nos temas econômicos

Onyx Guedes
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A rapidez com que o presidente Jair Bolsonaro buscou reatar laços de confiança com a equipe econômica depois do bate-cabeça da semana passada deixou uma certeza a observadores políticos do próprio governo: o presidente é hoje refém dos acertos na economia. Por isso, não pode (nem quer) ruídos ou demissões no grupo que elabora as propostas nessa área. Aliás, foi para desfazer qualquer mal-entendido e disse me disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, almoçaram juntos, a portas fechadas, sem testemunhas, no gabinete de Onyx. Selaram uma espécie de termo de ajuste de conduta para condução dos temas, para que o desencontro da sexta-feira não se repita. Hoje, técnicos das duas pastas têm hora marcada para discutir a reforma da Previdência, que está praticamente pronta.

Por falar em Previdência, antes de mandar o texto, o governo apresentará a proposta de combate a fraudes. A ordem é chegar a fevereiro com o discurso de que, apesar de todos os esforços, a reforma é necessária.

Sentiu o tranco

A visita do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho, ao presidente Jair Bolsonaro, no mesmo dia em que anunciou oficialmente a candidatura à Presidência da Casa, foi vista por aliados de Rodrigo Maia como um perigo. Conforme essa coluna já escreveu em novembro, Fabinho Liderança é o único nome da roda de candidatos que preocupa a turma de Rodrigo.

Repetição do movimento

Aliás, foi a segunda visita de Fabinho ao presidente. A primeira foi ainda no gabinete da transição. E lá, conforme a coluna registrou, Fabinho foi recebido por Bolsonaro e tratado como “meu presidente”.

Pagou?

Os bolsonaristas com assento na Câmara estão ávidos por saber tudo que o governo do PT emprestou de dinheiro dos bancos públicos e o que já foi pago. Afinal, foram 13 anos de governo petista e dois anos de governo Temer. Dava para os beneficiados no início terem quitado seus débitos.

Se não pagou, vai pagar

Os deputados querem os dados para poder cobrar o pagamento diariamente da tribuna da Casa, quando da abertura dos trabalhos. E ter mais argumentos para colocar no PT a culpa pela falta de recursos para investimentos.

Por falar em investimentos…

O governo tem pressa. Na reunião de hoje, a equipe espera ter uma ideia do que será possível fazer em termos de obras ainda no primeiro ano de gestão.

Bolsonaro e Lula/ O presidente Jair Bolsonaro repete parte do que fazia o ex-presidente Lula nos discursos. Ontem, por exemplo, ao comentar sua conversa com Joaquim Levy, usou uma imagem do futebol para se referir à resposta de Levy a uma pergunta sobre se o Brasil tinha jeito: “Fez um gol de pênalti sem goleiro. Disse que, se não tivesse jeito, não estaríamos ali”.

Por falar em Levy…/ A turma com quem o novo presidente do BNDES está agora é a dele. No governo Dilma, diz um amigo de Levy, ele vivia deslocado. Só se sentia bem mesmo com alguns do Ministério da Fazenda.

Ivaldo Cavalcante/CB/D.A Press – 28/4/94

Guedes e Malan/ Houve quem dissesse que, se essa primeira fase do governo der certo, Paulo Guedes tem tudo para repetir Pedro Malan (foto), que ficou oito anos no cargo de ministro da Fazenda. O único que ficou mais tempo do que Malan foi Guido Mantega, que serviu a dois governos.

Bolsonaro e o real/ Muita gente está comparando a atual equipe econômica àquela que conduziu o Plano Real, na década de 90: tem sintonia, mas vivia provocando confusão entre os políticos.

Discurso de Bolsonaro tranquiliza mercado

Publicado em Governo Bolsonaro

 

 

 

A posse dos presidentes dos bancos públicos há pouco no Palácio do Planalto foi programada inicialmente para mostrar que, a partir de agora, essa instituições não serão destinadas a financiar “os amigos do rei”, conforme pontuou em seu discurso o ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas essa posse ganhou peso dois, após o bate-cabeça da semana passada, em que o presidente Jair Bolsonaro falou em aumento de imposto e foi corrigido pelo secretário da Receita Federal, Marcos Cintra. Foi fundamental para tranquilizar o mercado e restabelecer a confiança dos investidores e aprumar o discurso do governo.

Com a humildade que ao longo da campanha caracterizou suas falas a respeito de temas econômicos, o presidente foi muito claro ao dizer que quem entende de economia é Paulo Guedes e ele (Bolsonaro) entende de politica. Reforçou que os presidentes dos bancos públicos tiveram liberdade de escolher seus diretores. Destacou ainda a presença na equipe de Joaquim Levy, novo presidente do BNDES, a quem Bolsonaro disse ter apertado a mão pela primeira vez minutos antes da posse, numa conversa informal em seu gabinete.

Levy foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, o que gerava algum desconforto. Mas esse momento passou. Bolsonaro contou ainda que, na conversa informal, perguntou a Levy se o Brasil tinha jeito. Disse Bolsonaro, “Levy bateu um pênalti sem goleiro, ao dizer que, se não fosse dar certo, não estaríamos aqui”.  A referências ao futebol levou parte da plateia a pensar no ex-presdente Lula. Os dois têm em comum a informalidade nos discursos. Um servidor de carreira de um banco comentou: “Espero que as semelhanças fiquem só aí”.

As lições de Sarney

Publicado em coluna Brasília-DF
Chamado pelo presidente Jair Bolsonaro de “meu marechal” no dia da posse, o ex-presidente José Sarney desembarca em Brasília na semana que vem para mergulhar nos bastidores da política. Um dos ensinamentos a Bolsonaro será escolher as batalhas. Nesses primeiros dias, o presidente Bolsonaro e seu governo se lançaram em várias frentes ao  mesmo tempo. Previdência, vai e vem de aumento e redução de impostos, fusão da Embraer, extinção da Justiça do Trabalho, revisão de áreas indígenas, demissões gerais e irrestritas, constrangimentos com o mundo árabe por causa da mudança da embaixada em Israel para Jerusalém e por aí vai.
Para completar, Bolsonaro ainda foi responder a um post de Fernando Haddad no Twitter. Um presidente da República tem muito mais o que fazer do que se deixar levar por provocações da oposição. Quem entende das coisas e tem anos de estrada sabe que o foco de um presidente neste momento deve ser a principal batalha. No caso de Bolsonaro, economia e, nela, a geração de empregos. Afinal, um governo se perde quando a economia derrapa. E essa batalha, Bolsonaro, se quiser ter sucesso, não pode perder.
O IR será chamariz
Na entrevista em que mencionou a redução do Imposto de Renda, o presidente Jair Bolsonaro terminou por colocar, mais cedo na roda, a correção da tabela do IR, algo que a equipe econômica guardava para dar como uma compensação à reforma tributária.
Acabou a surpresa.
Investigação segue
Engana-se quem pensa que está esquecido o caso de Adélio Bispo, que tentou matar o presidente Jair Bolsonaro durante a campanha. A Polícia Federal agora está dedicada a saber quem contratou o advogado que defendeu o criminoso.
O troco será no Senado
Partidos que se sentem desprestigiados pelo governo caminham para apoiar Renan Calheiros na briga pela Presidência do Senado. Tudo para evitar que a Casa termine nas mãos de Davi Alcolumbre (DEM-AP). Quanto a Major Olímpio (PSL-SP), a sensação de parte dos senadores é de que a candidatura tem por objetivo servir de moeda de troca mais à frente.
Rodrigo, em cima do lance…
Assim que o PRB o apoiou na corrida para presidente da Câmara, Rodrigo Maia convidou o deputado João Campos (PRB-GO) para uma conversa na qual agradeceu a postura na primeira fase da disputa e pediu voto. Afinal, Campos retirou o nome, mas não perdeu a força. É considerado peça fundamental entre os eleitores da bancada evangélica.
 
…do adversário
O vice-presidente da Casa, Fábio Ramalho, também candidato, tem cercado os votos dos evangélicos e, nesta semana, apostará no governo. Ele terá um encontro com o presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, a fim de ver se consegue balançar o apoio do PSL a Rodrigo Maia.
CURTIDAS  
O general é pop I / Nunca antes na história do país um ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional foi tão festejado como general Heleno (foto). Ontem, por exemplo, foi flagrado por um leitor da coluna passeando num shopping da cidade.
O general é pop II / O general não conseguiu dar 10 passos sem que alguém o parasse, sempre com palavras de incentivo. Simpático, posou para selfies, pegou crianças no colo, distribuiu sorrisos e agradecimentos a todos que o paravam para parabenizá-lo e desejar boa sorte no governo.
A moda pegou / No dia da diplomação do presidente Jair Bolsonaro, o ministro do TSE Admar Gonzaga foi criticado por ter ficado de frente para a Bandeira Nacional no momento do hino. Muitos disseram que foi um gesto de protesto, porque, como a bandeira fica no canto do auditório, ele ficou de costas para seus colegas e para o então presidente eleito. Nas cerimônias de posse em alguns ministérios, o gesto foi repetido.
A moda é antiga / O ex-ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, por exemplo, gaúcho e acostumado desde os tempos de escola a ouvir o Hino Nacional com os olhos voltados para bandeira do Brasil, fez com que o ministro da Cidadania, Osmar Terra, e o ex-ministro do Esporte, Leandro Cruz, lhe acompanhassem no gesto. Os três ouviram o Hino de costas para a
plateia na posse de Osmar.

Bolsonaro deve rescindir contratos de aluguel e mexerá no bolso de Luiz Estevão

Bolsonaro mexerá no Bolso de Luiz Estevão
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Para desespero dos empresários que alugam prédios para o poder público federal, a intenção do governo Jair Bolsonaro é fazer com que a administração central fique concentrada na Esplanada dos Ministérios. Há quem diga que, se distribuir melhor os espaços, cabe. São 19 prédios na Esplanada, incluindo a Justiça e as Relações Exteriores, que têm seus palácios. Quatro pastas estão dentro do Palácio do Planalto. O Banco Central também tem a própria sede. Todos têm anexos.

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A ideia do governo é entregar praticamente todos os imóveis alugados. Os contratos que podem ser encerrados no curto prazo ainda estão em fase de levantamento. Mas, segundo alguns ministros, já é possível afirmar que um dos que perderá dinheiro nessa história é o empresário Luiz Estevão, que administra seu império a partir da Papuda desde março de 2016. Em dezembro, ele completou mil dias de cadeia. Se o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, decidir seguir pelo mesmo caminho, o faturamento despencará da casa dos milhões.

 

Um pé no Nordeste

O telefonema do governador do Ceará, Camilo Santana, pedindo apoio da Força Nacional de Segurança para ajudar a conter a onda de violência que assola o estado é vista como a porta de entrada do governo Jair Bolsonaro na região onde o PT continua forte em termos eleitorais. Por ironia do destino, o secretário de Segurança Pública, general Theófilo, que vai cuidar do caso, foi o adversário de Camilo Santana na eleição.

 

Não foi por falta de aviso

Há um ano, o deputado Danilo Forte (PSDB-CE) pediu que o presidente Michel Temer decretasse intervenção no Ceará por causa das ações do crime organizado. Na época, Camilo Santana disse que estava tudo sob controle. Agora, passada a posse, os ataques voltaram e uma janela se abre para o governo federal ajudar o petista.

 

Gabinetes invadidos

Não foi apenas o PT que sofreu com a invasão de gabinetes na Câmara. Nas transmissões de cargos, vários servidores de carreira, técnicos, tiveram suas salas arrombadas e maçanetas quebradas. Muitos consideraram a atitude inexplicável, uma vez que a segurança tem chave-mestra que poderia ter sido usada na varredura.

 

Renan e o PSL

O lançamento da candidatura do senador Major Olímpio à Presidência do Senado é a estratégia do presidente do PSL, Luciano Bivar, para contrabalançar o apoio a Rodrigo Maia (DEM-RJ). O PSL lança apenas para não ter que apoiar Renan. Rápido no gatilho, Renan fez chegar ao governo que pisará no acelerador das reformas constitucionais. O gesto de Renan deixa um problema para Bolsonaro: se o partido do presidente ficar com Major Olímpio e Renan vencer, as dores de cabeça vão sobrar para o governo.

Conselhos a Bolsonaro I/ O presidente está sendo aconselhado por personalidades de Brasília a restaurar a disposição original dos móveis do Palácio da Alvorada. Pela retomada das cadeiras azuis, flagrada ontem pela TV Globo, há quem diga que ele acolherá a sugestão. Resta saber se fará o mesmo em relação às imagens sacras.

Conselhos a Bolsonaro II/ A capela do Alvorada, anexa ao prédio principal, também precisa de algum ajuste. No período em que Dilma se manteve afastada do Planalto, cuidando da defesa no processo de impeachment, a capela foi transformada em escritório para assessores.

Humor e governo I/ Depois de o chanceler Ernesto Araújo (foto) ganhar o apelido de Beato Salu, personagem da novela Roque Santeiro, de 1985, foi a vez da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, ganhar a alcunha de “Dilma do governo Bolsonaro”, dada a capacidade de proferir frases inspiradoras de memes, como a tal “meninas de rosa e meninos de azul”.

Humor e governo II/ Gente do próprio governo Bolsonaro se lembrou na hora da frase de Dilma sobre as crianças, “sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás”.

Revisão de conselhos deve reduzir salários de ministros e outros servidores

conselho
Publicado em Governo Bolsonaro

A decisão do governo, de rever todos os conselhos vinculados a órgãos públicos, atingirá em cheio o “jeitinho” usado para elevar salários de ministros, secretários, chefes de gabinete e outros integrantes da administração pública que, praticamente, dobravam os salários ao acumular a participação em vários conselhos.

O “pente fino” nos conselhos foi anunciado há pouco pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, logo depois da reunião ministerial, que serviu, segundo ele, para “alinhamento” da ação governamental. “Vamos avaliar todos os conselhos. Há inclusive conselhos sobrepostos”, disse, com destaque à extinção do Conselhão, dissolvido logo no primeiro dia.

O governo decidiu ainda manter o mesmo critério para as nomeações de segundo e terceiro escalões. Todas as indicações vão passar pelos ministros da área fim, o que antes não ocorria, especialmente, no caso das nomeações para os cargos regionais. Esses cargos eram invariavelmente loteados a apadrinhados de deputados e senadores. “Indicações ocorriam dentro da Casa Civil sem guardar identidade com politicas públicas. O ministro vai analisar a sintonia entre as ações do governo e só depois do OK é que as questões regionais serão resolvidas”, disse Onyx.

Deputados querem nomear apadrinhados

Comentário do blog: Os deputados não desistiram de nomear seus apadrinhados.  Essa briga começa agora e promete se aprofundar em fevereiro, quando o Congresso retoma suas atividades.

Bolsonaro precisa manter aceso o sentimento popular para pressionar o Congresso

Bolsonaro
Publicado em coluna Brasília-DF

Depois dos primeiros discursos do presidente eleito, muito se falou sobre a necessidade de “descer do palanque”, que a eleição acabou, etc. Porém, quem o conhece garante que não será bem assim. “Ele simplesmente não pode fazer isso”, diz o professor Paulo Kramer. O presidente Jair Bolsonaro optou por queimar a ponte com o presidencialismo de coalizão. Portanto, precisa manter aceso o sentimento popular para pressionar o Congresso a apoiar a agenda do Poder Executivo.

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É esse sentimento de resgate da bandeira verde e amarela, e da necessidade do ajuste fiscal e das reformas, que ele pretende usar nos próximos meses. Só tem um problema aí, diz o professor: “Como alertava Max Weber, o carisma é inerentemente instável e fugaz, logo, a janela de oportunidade para implementar os pontos prioritários dessa agenda é estreita”. Portanto, o governo vai acelerar nesses primeiros meses e tratar de ganhar tempo onde for possível.

Guedes quer “desjudicializar” a economia

Muitos se perguntaram o que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, comentavam aos cochichos na transmissão de cargo de Guedes ontem à tarde. Era a necessidade de “desjudicialização” das matérias tributárias e a simplificação do tema na Constituição. Vem muita coisa por aí.

 

Guedes por Rodrigo

A presença do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na transmissão de cargo de Paulo Guedes, já estava acertada há tempos e a proximidade entre os dois foi fundamental para ajudar a levar o PSL a fechar com a reeleição do deputado para mais dois anos de comando na Casa. Até aqui, avisam alguns, Rodrigo Maia é quem tem mais trânsito e experiência para garantir a agenda de reformas econômicas.

 

Governo fora

A proximidade entre Paulo Guedes e Rodrigo Maia não garante o apoio fechado do governo ao demista. O presidente Jair Bolsonaro quer ficar distante dessa disputa. Prefere isso a fazer como a presidente Dilma Rousseff, que apoiou Arlindo Chinaglia (PT-SP) contra Eduardo Cunha (MDB-RJ) e perdeu.

 

Enquanto isso, no Clube do Exército…

Ao falar de improviso na transmissão de cargo do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, o presidente Jair Bolsonaro mencionou que o ex-ministro general Joaquim Silva e Luna “não vai colocar o pijama”. Ao fim da cerimônia, o general disse ao jornalista Leonardo Cavalcanti que ficou surpreso com a referência e garantiu não saber qual cargo poderá ocupar.

 

Cada um no seu quadrado

Poucos deputados prestigiaram a posse de Sérgio Moro na Justiça. A maioria preferiu mesmo ir ao Planalto, Agricultura, Desenvolvimento Social, Turismo e Saúde, onde os ministros são políticos. Com Moro, estavam o Judiciário e policiais. Em peso.

 

Guedes, o informal/ O ministro da Economia, Paulo Guedes, não é muito chegado às menções protocolares. Em seu primeiro discurso oficial, dispensou a extensa nominata. Apenas saudou “as autoridades” e agradeceu a todos, “em primeiro lugar, minha família”.

Padrinhos/ Na posse, destaque para Winston Ling e Bia Kicis, que apresentaram Paulo Guedes a Jair Bolsonaro em novembro de 2017. “Jamais imaginamos que hoje estaríamos todos aqui”, disse a deputada. Guedes, à época, ainda sonhava com a candidatura do empresário Luciano Huck.

O Carlos das redes e do Rolls-Royce/ Funcionários que cuidam do Twitter do Planalto não têm feito o expediente completo. Ontem, houve até quem não aparecesse, uma vez que a gestão das redes sociais palacianas ainda não está definida. A culpa, agora, recai sobre Carlos Bolsonaro (foto) — o filho que acompanhou o presidente sentado sobre parte da capota e com os pés sobre o estofado do Rolls Royce presidencial . Há inclusive quem diga, “bem, já que o Carlos tuíta tudo…”

Por falar em servidores…/ Ao exonerar todos os servidores da Casa Civil, não sobraram funcionários nem para atender o telefone. O ministro Onyx Lorenzoni e seus principais assessores tiveram que resolver tudo sozinhos. A intenção da equipe é que, até amanhã, as coisas já estejam normalizadas. Pelo menos, o novo ministro não encontrou computadores apagados e sem HD, como ocorreu na passagem de Dilma para Michel Temer.

“Despetização” começa pela Casa Civil, diz Onyx

Publicado em Governo Bolsonaro

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou nesta quarta-feira (2/1) a exoneração de 320 servidores em função gratificada e DAS. A medida, segundo ele, é para “governar sem amarras ideológicas” e atinge todos os que trabalhavam no governo do presidente Michel Temer, que ainda não tinham pedido afastamento. Atinge, ainda, outros do tempo do PT que, na troca de governo de 2016, quando houve o afastamento da presidente da Dilma Rousseff, pediram para permanecer e foram atendidos. Na reunião ministerial desta quinta-feira (3/1), Lorenzoni pedirá aos demais ministros que façam o mesmo. As exonerações da Casa Civil já serão publicadas no Diário Oficial da União desta quinta-feira. “Vamos retirar de perto da administração pública federal todos aqueles que têm marca ideológica clara. Todos sabemos do aparelhamento que foi feito nos quase 14 anos que o PT aqui ficou”, afirmou o ministro.

Porém, no caso dos demais ministérios será apenas uma “sugestão”, uma vez que, em alguns, casos, os ministros mudaram as equipes. No Ministério do Desenvolvimento Social, por exemplo, o ministro Osmar Terra tinha lá toda a sua equipe, que permaneceu quando ele se desencompatibilizou em abril para concorrer a um novo mandato de deputado federal e quem assumiu foi seu secretário-executivo. Agora que ele retorna, não haverá muito o que exonerar, porque a “despetização” referida por Onyx Lorenzoni já havia sido feita em 2016, quando Temer assumiu o governo.

A ideia do governo de exonerar todos os que foram nomeados pelo PT vem de outros os tempos. A equipe que montou o organograma do governo fez ainda um mapeamento de todas as nomeações ocorridas ao longo dos últimos anos, conforme anunciou a coluna Brasília-DF em novembro. Além dos nomeados e indicados pelo PT, o governo faz ainda um pente fino nas estatais, para mapear quem está acusado de corrupção. Esse tema também será abordado na reunião de hoje, 9h, no Palácio do Planalto.

Marun

O presidente Jair Bolsonaro, entretanto, não pretende mexer na nomeação de Carlos Marun para conselheiro de Itaipu Binacional. Segundo Onyx Lorenzoni, ele fará esse gesto de apreço ao presidente Michel Temer, uma vez que tudo foi feito dentro da lei vigente e do mandato do ex-presidente. Além disso, conforme o ex-ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, anunciou em seu discurso, houve muito boa vontade e entrosamento entre aqueles que chegam e a equipe que deixa a Casa Civil. O governo analisará caso a caso aqueles que, exonerados hoje, desejem, permanecer.

Em tempo: A funcionária que deu um tapa no hoje senador eleito Major Olímpio numa solenidade ainda no governo Dilma Rousseff, em que ele gritou “fora Dilma” dentro do Planalto, deixou o cargo na época em que Dilma se afastou.

Desencontro de informações no decreto de aumento do salário mínimo

Desencontro informações no salário mínimo
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Na pasta que o novo subchefe de Assuntos Jurídicos do Planalto, Jorge Francisco, levou para o segundo andar do Palácio do Planalto durante a posse, estava o texto do decreto que reajusta o salário mínimo para R$ 998. Estava tudo previsto para que fosse publicado na edição extra do Diário Oficial da União ontem. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, entretanto, dizia que o novo valor não entraria naquela edição do DOU. No fim do dia, o decreto estava assinado e pelo valor dito por Jorge.

O desencontro de informações indica que será preciso organizar a hierarquia palaciana. A subchefia de Assuntos Jurídicos responde à Casa Civil, que estará sob o comando de Onyx. Se o governo começar nesse tom, com o subsecretário dizendo uma coisa e o ministro, outra, daqui a pouco, terá problema.

Vai encarar?

O presidente do PSL, Luciano Bivar, passou parte da solenidade de posse tentando convencer o senador eleito Major Olimpio (SP) a concorrer à Presidência da Casa contra Renan Calheiros (MDB-AL) , Davi Alcolumbre (DEM-AP) e quem mais chegar. Olímpio ficou de pensar.

 

Enquanto isso, na Câmara…

A intenção de Eduardo Bolsonaro, de, se possível, pleitear a Comissão de Relações Exteriores, foi lida como uma possibilidade de jogar junto com um bloco de partidos na Casa e apoiar Rodrigo Maia. De concreto, entretanto, nada indica que o filho do presidente eleito seguirá nessa direção.

 

Novos ventos

Presente à posse de Bolsonaro, Luciano Hang, dono das lojas Havan, disse à coluna que pretende investir R$ 500 milhões. A empresária Cristina Boner, radicada em São Paulo, vislumbra novos investimentos decorrentes do novo governo.

 

Um porto problema

O governador de São Paulo, João Doria, disse à coluna que pretende voltar a Brasília em breve para conversar com o presidente Jair Bolsonaro sobre a privatização do Porto de Santos. Depois que o porto foi alvo de denúncias da Lava Jato, há quem considere que só a privatização acaba com a confusão por ali.

Ponto alto/ Nunca antes na história deste país uma primeira-dama arrancou lágrimas dos convidados à cerimônia de posse. Michelle Bolsonaro inovou com sua mensagem em Libras e já na largada marcou a diferença para todas as demais. É uma personalidade a ser observada no futuro governo.

Sem noção/ Enquanto a maioria das pessoas se mantinha em posição de sentido durante o Hino Nacional, um servidor com distintivo de Polícia Legislativa fixado no cinto ficou na área reservada à imprensa junto com um amigo posando para fotos, com o tradicional gesto de imitar uma arma.

Pressão sobre Garcia/ O jornalista Alexandre Garcia foi convidado para assumir a Secretaria de Imprensa do Planalto. No dia 31, já passava das 16h quando ele recusou o convite. O novo governo, entretanto, promete insistir.

Cristovam e Jucá/ Na posse do governador Ibaneis Rocha, os senadores Cristovam Buarque (foto) (PPS-DF) e Romero Jucá (MDB-RR), dois atores do mundo político, ficaram lado a lado, trocando impressões sobre o futuro. Até agora, poucas certezas e uma constatação: a política permanece necessária para promover consensos. E caberá aos novos governantes e congressistas estabelecer os parâmetros.

Relação com jornalistas começa mal

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Além de formar a base política, o governo do presidente Jair Bolsonaro terá que, aos poucos, tentar harmonizar a sua relação com a imprensa. No Congresso, por exemplo, assessores informaram que, por ordem do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), foram retiradas todas as poltronas do Salão Verde. Uma jornalista grávida conseguiu uma cadeira graças a uma assessor da Câmara que enfrentou o segurança do Senado e levou uma cadeira até o Salão Verde para a repórter. Nos bastidores, houve quem dissesse que as cadeiras foram retiradas porque havia o receio que alguém jogasse uma cadeira nas autoridades.

Na chegada ao Congresso, 9h07 da manhã, depois de mais de uma hora de espera no CCBB, nem água estava liberada para os jornalistas. O acesso à sala de café anexa ao plenário foi cortado. Só depois de muita reclamação, houve a liberação do acesso ao Comitê de imprensa do Senado. O da Câmara ainda permanece fechado, mas o presidente Rodrigo Maia prometeu abrir. O vice-presidente, Fábio Ramalho, permitiu o acesso ao seu gabinete para café e água. A liderança do Democratas, idem.

Enquanto isso, no Itamaraty, jornalistas foram confinados numa sala, de onde só poderiam sair depois das 17h. Um grupo de jornalistas estrangeiros pediu inclusive para voltar ao CCBB, a fim de tentar fazer a cobertura por outros meios, que não a simples visualização da chegada das autoridades.

Alguns, entretanto, tiveram acesso privilegiado. Há um grupo seleto, escolhido a dedo pelo governo que assume daqui a pouco, convidado a fazer uma cobertura especial. Se uma boa relação não for estabelecida,  à maioria dos jornalistas restará a frase da juíza Gabriela Hardt, estampada dia desses na camiseta da primeira-dama: “Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”. Aliás, não são poucos os profissionais que agora de manhã repetiam essa frase aqui no Congresso. E segue o baile da espera pela posse do presidente Jair Bolsonaro.