Aliados tentam convencer Bolsonaro a prorrogar estado de calamidade pública

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Brasília-DF, por Denise Rothenburg
Aliados apelam para o espírito natalino do presidente Jair Bolsonaro tentando convencê-lo a assinar decreto que prorroga o estado de calamidade pública. Assim, dará tempo de usar os R$ 10 bilhões do Pronampe, programa de socorro financeiro aos pequenos negócios a juros camaradas. É que interlocutores do Ministério da Economia apontam que não haverá tempo hábil para os bancos liberarem essa fortuna até 31 de dezembro, prazo fatal do decreto presidencial da emergência provocada pela pandemia. No caso, para sancionar a matéria, o presidente Jair Bolsonaro ainda teria de editar uma medida provisória abrindo crédito extraordinário nesse valor.
Só tem um probleminha: o presidente já declarou que a pandemia está “no finalzinho”, e prorrogar o estado de calamidade seria admitir o fracasso do governo no controle do coronavírus no país. “Vitória de Pirro” é como as fontes do governo se referem à aprovação do texto, uma vez que o tempo é curto para liberar tanto dinheiro.

A esperança permanece

O presidente da Frente Parlamentar da Pequena e Micro Empresa, senador Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, onde Bolsonaro passou esses dias em que tirou umas férias, continua otimista, depois de ter falado com o presidente. “Vai à sanção, mas como o presidente Jair Bolsonaro é um dos maiores defensores do programa, será rápido. Já falei com ele! Fechando o ano com chave de ouro!”. Mello não contava, porém, com a necessidade de prorrogação do estado de calamidade pública para garantir a liberação do valor global aprovado.

Números positivos

Segundo dados do governo, o Pronampe já disponibilizou R$ 32,9 bilhões de crédito para micros e pequenas empresas, por meio de mais de 450 mil contratos. A taxa de juros é a Selic, hoje em 2%, acrescida de 1,25% ao ano. Os recursos podem servir para pagar funcionários, contas de luz e água, aluguel, compra de matérias-primas e mercadorias, entre outras. Também podem ser direcionados a investimentos, como compra de máquinas e equipamentos, ou reformas.

MDB vai reforçar bancada no Senado

Os emedebistas esperam a filiação de mais dois senadores em janeiro para chegar aos 15 e, assim, conseguir fazer frente aos blocos que se formam na Casa. PSDB e Podemos somam 17 senadores e devem caminhar juntos por lá. Assim como um bloco DEM e PSD, que tem o mesmo número dessa parceria PSDB-Podemos.

Vai vendo

Cotado para virar ministro de Jair Bolsonaro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pode receber um cargo para compensar as derrotas que sofreu. Só tem um probleminha: está difícil o governo fechar todo com Rodrigo Pacheco (DEM-MG), porque os “três mosqueteiros” — os Eduardos (Gomes e Braga) e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, continuam no páreo. Dos três, só Coelho acena com a possibilidade de abrir mão para ajudar Gomes.
Padrinhos mágicos/ Na Câmara, Baleia Rossi contará com a ajuda de dois ex-presidentes tarimbados na política: José Sarney e Michel Temer. Sarney, se preciso for, falará com Lula para tentar ajudar a garantir o apoio do PT.
Não tão cedo que pareça afoito/ O MDB vai esperar 2021 chegar para escolher seu candidato ao Senado. Assim, todos passam o Natal e o ano-novo em paz.
Minervino Junior/CB/D.A Press – 12/2/20
Espírito natalino partidário/ Desta vez, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) já avisou que não trocará seu partido por um nome do DEM. É que os aliados dela já comunicaram que ela não gostou nada de ver Alcolumbre definir um candidato do DEM antes de consultá-la. Afinal, em 2019, ela abriu mão de concorrer no plenário para ajudar o candidato do Democratas.
Na França, está assim/ Vencida a segunda etapa de lockdown, os moradores de Paris vão passar as festas de fim de ano com toque de recolher. A partir das 20h, ninguém pode ficar nas ruas da cidade-luz.

Lançado candidato, Baleia Rossi começa o jogo com o desafio de unir as esquerdas

Publicado em Câmara dos Deputados

A candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) tem tudo para preocupar o deputado Arthur Lira (PP-AL). No papel de presidente do MDB e líder da bancada, Baleia terá o desafio de tentar unir as oposições e, ao mesmo tempo, evitar que o PT se disperse em outros nomes.Daí, a necessidade de muito jogo de cintura. O PT resistia ao nome de Baleia, por causa do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Porém, diante da “necessidade” de impor uma derrota ao presidente Jair Bolsonaro, o PT não terá muita opção. Até porque não siará dessa construção de mãos abanando. Caberá aos petistas comandar a primeira Vice-Presidência ou a primeira secretaria, uma vez que é a maior bancada do bloco.

Apesar da resistência do PT, Baleia tem ainda um outro trunfo: o ex-presidente Michel Temer. Temer, que se reuniu com Rodrigo Maia há alguns dias, governou a Câmara por três vezes.Conhece a Casa e sabe como a banda toca nos partidos, em especial, no Centrão. Daí, a perspectiva de que o grupo do ex-presidente trabalhe dia e noite nos bastidores a fim de tirar votos de Arthur Lira (PP-AL).

Enquanto isso, Lira atuará para buscar votos nas esquerdas e tentar se colocar como mais independente do que Baleia Rossi. Difícil, uma vez que o presidente Jair Bolsonaro anunciou seu apoio ao líder do PP com várias gestos. O jogo para presidente da Câmara só termina no dia 1 de fevereiro. Até lá, o estica-e-puxa nos bastidores e as incertezas prometem imperar. A pausa prevista é apenas para a noite de Natal. E olhe lá.

Bolsonaro avisa que governo federal não vai impor qualquer restrição para quem decidir não tomar vacina

Bolsonaro covid
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Coluna Brasília-DF

Disposto a manter a sua decisão da vacina opcional, Jair Bolsonaro avisou a seus ministros que o governo federal não vai impor qualquer restrição para quem decidir não tomar imunizante. O aviso do presidente é um sinal claro de que o governo não vai cumprir a deliberação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele, inclusive, tem o respaldo da área jurídica do governo para fazer valer a sua posição. Agora, isso não impedirá que estados queiram adotar restrições, ou que quem for viajar ao exterior não seja obrigado a se vacinar, se não for uma exigência do país de destino. Mas, onde estiver ao alcance do governo federal, não haverá qualquer sanção a quem não se imunizar.

Em tempo: o presidente está tão convicto da sua posição que, se o Congresso aprovar uma lei que imponha restrições a quem não tomar vacina, Bolsonaro vetará.

Para bons entendedores…

O encontro em São Paulo entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ex-presidente Michel Temer, deixou nos deputados a sensação de que o candidato a presidente da Casa será o líder e presidente do MDB, Baleia Rossi (SP).

A esperança dos condenados

A turma condenada na primeira leva da Lava-Jato pode ser a primeira beneficiada pela decisão liminar do ministro Nunes Marques, que reduziu o período de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa. A alegria dessa turma vai durar pouco. O STF, como bem lembrou o ministro Marco Aurélio Mello, já havia decidido sobre a Ficha Limpa. Não pode uma liminar mudar o entendimento do plenário.

Nem vem

Não tem nada que tire mais Arthur Lira (PP-AL) do sério do que o zunzunzum de que o governo pode trocar de candidato a presidente da Câmara. Aos aliados, ele tem dito que já caminhou muito para desistir em nome de A ou B, como, aliás, já publicou a coluna.

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Nada pessoal, ok?/ O deputado Luís Miranda (DEM-DF) foi à tribuna cobrar que o “baixo clero” tenha voz na escolha do presidente da Câmara. Ele falava da necessidade de romper a polarização entre o que ele classifica como o candidato do governo e o da oposição. Bem na hora em que ele discursava, chegou Rodrigo Maia para começar a ordem do dia. Rapidamente, Miranda encerrou seu discurso.

Veja bem/ Muitos entenderam que Miranda estava se lançando candidato. O deputado, então, resolveu se explicar: “Não é oposição às chapas, até porque só tem um candidato apresentado. Apenas uma expressão de nós, que não somos escutados. Precisamos ser escutados, porque é uma eleição muito importante. Não sou candidato e nem me referi à outra chapa como da oposição”, disse.

Este fecha muito bem um ano difícil/ Com mais de 35 anos de experiência na área de telecomunicações, Eduardo Levy Moreira, que já integrou o conselho da Anatel no passado, assume o comando da área de Relações Institucionais da OI.

Férias sem barulho/ O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) tinha motivo para renunciar ao cargo de terceiro-secretário: vai viajar de férias para o Nordeste e não quer ser incomodado para assinar papelada no recesso. De quebra, ainda abre a vaga para o senador Marcos do Val (Podemos-ES), primeiro suplente da Mesa Diretora.

Por ser indicação dos filhos, Bolsonaro não deve afastar Ramagem

Alexandre Ramagem
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Coluna Brasília-DF

O diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, é visto, no meio político, como uma indicação dos filhos do presidente e, diante dessa premissa, muitos estão com receio do que virá por aí. Em abril, quando foi escolhido, Jair Bolsonaro, perguntado sobre a amizade em suas redes sociais, soltou um “e daí?”. Disse que conhecera Ramagem antes dos seus filhos.

Nesse sentido, deputados fiéis ao governo acreditam que o presidente fará de tudo, menos afastar o diretor da Abin, alvo da investigação aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar se houve produção de relatórios para ajudar a defesa do senador Flávio Bolsonaro no processo das rachadinhas como mostrou a reportagem da revista Época.

Onde mora o perigo

O fato de Alexandre Ramagem ser ligado aos filhos do presidente da República deixa muitos deputados preocupados e desconfiados há tempos. Agora, essa questão voltou a incomodar. Afinal, se houve a produção de relatórios para ajudar Flávio Bolsonaro, nada impede, dizem alguns, que haja algo para constranger parlamentares, conforme começa, inclusive, a circular como um alerta nos grupos de WhatsApp das excelências. Por enquanto, é apenas uma preocupação.

Distanciamento, por favor

Quem primeiro defendeu o governo no episódio do 13º do Bolsa Família foi Arthur Lira (PP-AL). O líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), só apareceu depois. Amigos do alagoano ficaram irados, porque, como candidato a presidente da Câmara, Lira precisa ficar distante do governo para atrair votos da oposição. Só tem um probleminha: a oposição já colocou na testa de Lira a tarja de candidato do governo e, agora, não dá mais para recuar, avisam alguns.

Nem vem

Se depender de Bolsonaro, a resposta do ofício dos governadores que pedem a prorrogação do estado de calamidade será “não”. É que essa extensão vai contra o discurso do presidente de que está tudo voltando ao normal. A realidade, entretanto, é outra, com número de casos e de mortes por covid-19 ainda muito altos.

Sarney e as vacinas

Do alto de quem já viu quase tudo na política, o ex-presidente José Sarney, em artigo em que elenca as guerras das vacinas do passado e vê, agora, contra a covid-19, diz: “Por trás, ontem e hoje, o egoísmo do homem, que tem algo, ou material ou intelectual, a defender em proveito pessoal. A guerra atual é entre laboratórios ingleses, americanos, chineses, alemães, e de todo lado, cada qual querendo chegar na frente e tirar proveitos comerciais. Já os governos e políticos desejam obter dividendos eleitorais”.

Chinelo voador??!!/ Bolsonaro ficou irado ao ver a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), ao lado do PSL, presidido pelo deputado Luciano Bivar (PE), partido que ele ajudou a alavancar nas urnas em 2018. O presidente chegou a jogar um chinelo longe, segundo relatos.

Fica esperto/ Aliados de Arthur Lira têm dito que, quando dois partidos tão antagônicos aparecem na mesma foto, está na hora de o alagoano rever sua estratégia.

Candidato dos Bolsonaro/ O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP,) foi às redes pedir votos em favor de Josiel Alcolumbre (DEM) para prefeito de Macapá, na eleição de hoje. Josiel é irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. “Do outro, Dr. Furlan, do Cidadania (dissidência do PCB), apoiado pelo “senador DPVAT” Randolfe Rodrigues, da Rede, mais o PSB, partido que, via STF, suspendeu a isenção de imposto de importação de armas”, disse Eduardo, fechando com um “Quem apoia Bolsonaro já sabe”.

Que não se repita/ A deputada Érika Kokay (PT-DF) cobra a aprovação de uma moção de solidariedade da Câmara à deputada estadual Isa Penna (PSol), vítima de assédio no plenário da Assembleia Legislativa paulista. A bancada feminina vai se revezar em pronunciamentos para deixar bem claro que o assédio é intolerável em todas as suas formas.

A lógica da eleição tirou a oposição de Lira

A lógica da eleição tirou a oposição de Lira
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Coluna Brasília-DF

A disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados e do Senado ganhou, nesta reta final de 2020, um contorno bem diferente daquele que marcou a corrida de fevereiro de 2019 e se tornou uma armadilha para o candidato do PP, Arthur Lira (AL).

Neste momento, está em jogo quem comandará o Legislativo na preparação das eleições de 2022, o que terminou por afastar do candidato do PP todos aqueles partidos que não desejam seguir com o presidente Jair Bolsonaro daqui a dois anos.

Lá atrás, os candidatos que caminhavam numa trilha mais governista e num cenário sem reeleição, caso de Davi Alcolumbre (DEM-AP), tinham mais chances de sucesso, por se tratar de um governo novo e com muita expectativa de poder e o discurso da nova política.

Agora, diante de um pleito sem reeleição e, com cada um querendo armar o próprio jogo para o futuro, pesa o discurso de impor uma derrota a Bolsonaro. Lira já percebeu e, não por acaso, ontem, citou que tanto Baleia Rossi (MDB-SP) quanto Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) integram a base do governo. Se Lira conseguir vencer essa nova lógica, aumenta suas chances de sucesso. Se essa lógica prevalecer daqui a 44 dias, terá problemas.

Ramagem sob pressão

O diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que negou ter produzido relatórios para ajudar Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no caso das rachadinhas, passará momentos de tensão por causa da investigação pedida pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF). Há quem diga que ele terá que “matar essa no peito”, de forma a preservar o presidente da República nesse episódio.

Vai ter briga

O clima vai esquentar no PSB entre o líder, Alessandro Molon (RJ), e o deputado Júlio Delgado (MG). Júlio tem uma carta assinada por 15 deputados do partido pedindo uma reunião da bancada para discutir a posição em relação à eleição à Presidência da Câmara. “Não dei cheque em branco para que ele adotasse a participação no bloco do Rodrigo. Aliás, não dou cheque em branco para ninguém”, diz Delgado à coluna.

Será turno único

A montagem de dois grandes blocos na disputa pela Presidência da Câmara indica que não haverá segundo turno na eleição. Daí, a pressão daqui para frente será junto aos partidos e parlamentares que têm, lá, seus votos e falam em lançar candidaturas avulsas ou partidos que costumam marcar posição –– leia-se PSol.

Nadou de braçada

A imagem de João Doria recebendo as 2 milhões de doses da CoronaVac, no aeroporto, e a imagem de um transporte para as vacinas com a bandeira do Brasil, a marca do governo de São Paulo e a inscrição “vacina dos brasileiros”, deixou muita gente irada dentro do governo. Mal ou bem, Doria até aqui agiu e soube faturar, para irritação de seus adversários.

Curtidas

Um artista na cúpula da PGR/ O sub-procurador-geral da República, Antônio Carlos Bigonha, termina este ano tão difícil com muito a agradecer. Na mesma data em que foi nomeado secretário de Relações Institucionais do Gabinete da Procuradoria-Geral da República, chegou às plataformas musicais seu mais novo álbum, Saudades do Amanhã, com Dori Caymmi, Jorge Helder e Jurim Moreira. Motivos para brindar não faltam.

A volta de Moro/ Com as denúncias de ajuda da Abin a Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas, o ex-ministro Sergio Moro aproveita para voltar à ativa em suas redes sociais: “A verdade, e não a propaganda, prevalecerá”, escreveu.

O tempo esquentou/ A deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS) puxou o coro contra o líder do PP, Arthur Lira, na sessão plenária da Câmara: “Começou muito mal, Arthur Lira. Tentar colher a palavra nossa é inaceitável”.

Muita calma nessa hora/ A viagem de lazer de Bolsonaro ajuda a tirar de cena frases polêmicas, por exemplo, a de virar um “jacaré” se tomar a vacina da Pfizer, ou culpar Rodrigo Maia pela não aprovação do 13º do Bolsa Família –– algo que havia sido pedido pelo governo. Quanto ao jacaré, vai para o anedotário, mas o caso de culpar Maia e a negação das vacinas, cruciais para a volta à normalidade, deixaram a área econômica de cabelo em pé. É o presidente distante de sua própria equipe, responsável pelas contas públicas.

A lógica da eleição no Congresso é 2022, por isso, oposição quer impor derrota a Bolsonaro

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A lógica da eleição tirou a oposição de Lira

A disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados e do Senado ganhou nesta reta final de 2020 um contorno bem diferente daquele que marcou a corrida de fevereiro de 2019 e se tornou uma armadilha para o candidato do PP, Arthur Lira. Nesse momento, está em jogo quem comandará o Legislativo na preparação das eleições de 2022, o que terminou por afastar do candidato do PP todos aqueles partidos que não desejam seguir com o presidente Jair Bolsonaro daqui a dois anos. Lá atrás, os candidatos que caminhavam numa trilha mais governista e num cenário sem reeleição, caso de Davi Alcolumbre, tinham mais chances de sucesso, por se tratar de um governo novo e com muita expectativa de poder e o discurso da nova política.

Agora, diante de um pleito sem reeleição e, com cada um querendo armar o próprio jogo para o futuro, pesa o discurso de impor uma derrota ao presidente Jair Bolsonaro. Arthur Lira já percebeu e, não por acaso, ontem citou que tanto Baleia Rossi quanto Aguinaldo Ribeiro integram a base do governo. Se Arthur Lira conseguir vencer essa nova lógica, aumenta suas chances de sucesso. Se essa lógica prevalecer daqui a 44 dias. Arthur terá problemas.

Ramagem sob pressão
O diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, que negou ter produzido relatórios para ajudar Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas, passará momentos de tensão por causa da investigação pedida pela ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia. Há quem diga que ele terá que “matar essa no peito”, de forma a tentar preservar o presidente da República nesse episódio.

Vai ter briga
O clima vai esquentar entre o líder do PSB, Alessandro Molon, e o deputado Júlio Delgado. Júlio tem uma carta assinada por 15 deputados do PSB pedindo uma reunião da bancada para discutir a posição em relação à eleição à Presidência da Câmara. “Não dei cheque em branco para que ele adotasse a participação no bloco do Rodrigo. Aliás, não dou cheque em branco para ninguém”, diz Delgado à coluna.

Será turno único
A montagem de dois grandes blocos na disputa pela presidência da Câmara indica que não haverá segundo turno na eleição. Daí, a pressão daqui para frente será junto aos partidos e parlamentares que têm lá seus votos e falam em lançar candidaturas avulsas ou partidos que costumam marcar posição. Leia-se, o Psol.

Nadou de braçada
A imagem de João Dória recebendo as 2 milhões de doses da coronavac no aeroporto e a imagem de um transporte para as vacinas com a bandeira do Brasil, a marca do governo de São Paulo e e a inscrição “vacina dos brasileiros” deixou muita gente irada dentro do governo. Mal ou bem, Dória até aqui agiu e soube faturar, para irritação de seus adversários.

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Um artista na cúpula da PGR/ O sub-procurador geral da República Antônio Carlos Bigonha termina este ano tão difícil com muito a agradecer. Na mesma data em que foi nomeado secretário de Relações Institucionais do Gabinete da Procuradoria Geral da República, chegou às plataformas musicais seu mais novo álbum, “Saudades do Amanhã”, com Dori Caymmi, Jorge Helder e Jurim Moreira. Motivos para brindar não faltam.

A volta de Moro/ Com as denúncias de ajuda da Abin a Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas, o ex-ministro Sérgio Moro aproveita para voltar à ativa em suas redes sociais: “A verdade, e não a propaganda, prevalecerá”, escreveu.

O tempo esquentou/ A deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS) puxou o coro contra o líder do PP, Arthur Lira, na sessão plenária da Câmara: “Começou muito mal, Arthur Lira. Tentar colher a palavra nossa é inaceitável”.

Muita calma nessa hora/ A viagem de lazer do presidente Jair Bolsonaro ajuda a tirar de cena frases polêmicas, por exemplo, a de virar um “jacaré”se tomar vacina da Pfizer, ou culpar Rodrigo Maia pela não aprovação do 13º do Bolsa Família __ algo que havia sido pedido pelo governo. Quanto ao jacaré, vai para o anedotário, mas o caso de culpar Maia e a negação das vacinas, cruciais para a volta à normalidade, deixaram a área econômica de cabelo em pé. É o presidente distante de sua própria equipe, responsável pelas contas públicas.

PSol sob pressão

Publicado em Política

A decisão da maioria dos partidos de esquerda, de apoiar o bloco formatado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) para disputar a Presidência da Câmara, em oposição ao Centrão de Arthur Lira, não inclui o PSol. O partido, que teve Marcelo Freixo como candidato na última eleição __ e obteve 50 votos __ seguiu o seu grupo até a decisão de não apoiar o candidato de Jair Bolsonaro, no caso Arthur Lira. Mas prefere lançar um nome próprio. A esquerda, porém, não deixará isso solto.

A formação de dois grandes blocos indica que a sucessão para presidência da Casa promete ser decidida em turno único. E os votos do PSol podem ser cruciais para assegurar uma vitória contra o governo. É esse o discurso que os partidos de esquerda vão usar junto ao Partido Socialismo e Liberdade para agregá-lo ao grupo. É que, se lá na frente, faltarem poucos votos para eleger o candidato do bloco “Câmara Independente” e o PSOL ficar fora do grupo, o partido será acusado de ter jogado de forma ajudar o candidato de Bolsonaro. Algo que, obviamente, o PSol não quer.

Bolsonaro cria teste para o Centrão ao acusar Maia

Publicado em Bolsa Família

O presidente Jair Bolsonaro corre o risco de ter colocado o deputado Arthur Lira (PP-AL) na maior dificuldade a que esteve exposto, desde que se lançou candidato a presidente da Câmara com o aval do governo. Tudo começou quando o presidente Jair Bolsonaro, em sua live semanal, nessa quinta-feira, acusou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de deixar cair a medida provisória do 13º do Bolsa Família. “Esse problema acaba amanhã”, reagiu Rodrigo há pouco em pronunciamento na Câmara, reforçando o que havia dito hoje mais cedo, ao pautar para esta sexta-feira a prorrogação do auxílio emergencial, incluindo no texto uma emenda para garantir o 13 do Bolsa Família.

O que o presidente omitiu em sua live foi o fato de a Medida Provisória do 13º do Bolsa Família permanente perdeu a validade a pedido do próprio governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a dar declarações hoje com apelos para que esse 13 não seja aprovado. Agora, caberá ao governo colocar a sua base, leia-se o Centrão, para derrotar essas propostas. Se não houver um acordo, que retire a proposta de pauta, este será o primeiro grande teste de Arthur Lira no comando da base governista, confusa enter o que disse Bolsonaro e o que pediu o ministro da Economia.

Afinal, se o presidente da Republica, disse que, por ele, esse décimo-terceiro seria pago, mas não o foi por culpa de Rodrigo Maia, o presidente da Câmara agora põe em pauta e o governo que se organize para resolver esse imbroglio. Os bastidores estão fervendo. E essa temperatura não vai baixar tão cedo.

Para enfraquecer Doria, governo vai recorrer de decisão sobre vacinas

vacina covid-19 Bolsonaro
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

Os esforços do governo em mostrar uma união nacional e ter o controle sobre a aquisição de vacinas não durou 48 horas, haja vista a decisão liminar do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que libera os estados para comprarem os imunizantes.

O governo se prepara para recorrer. Na seara política, é não deixar o governador de São Paulo, João Doria, disponibilizar as vacinas antes do Plano Nacional de Imunização contra covid-19, idealizado pelo governo Bolsonaro.

Em tempo: embora o presidente tenha reiterado que não tomará qualquer vacina, não quer perder essa batalha para aquele que considera, hoje, seu futuro adversário. Doria, por exemplo, já avisou que pretende começar a vacinação em São Paulo na última semana de janeiro. Essa será a guerra de abertura de 2021. E de maior interesse para a população do que a do comando do Congresso.

PSol, a próxima fronteira

Acostumado a sempre marcar posição, o PSol foi chamado pelas esquerdas a se juntar a um movimento pragmático a fim de evitar a eleição de um candidato totalmente alinhado ao presidente Jair Bolsonaro, no caso, Arthur Lira.

O partido tem sido alertado pelas demais legendas de esquerda, que, diante da perspectiva de decisão em um turno único, não dá para brincar. PDT, PT, PCdoB e PSB e PSol já fecharam que não apoiarão Lira, mas não disseram ainda se vão se juntar ao bloco dos seis partidos já em construção para enfrentar o cacique do Centrão.

Tarde demais

Bolsonaro bem que tentou ajudar Lira, ao declarar que não interferirá na eleição para presidente da Câmara. Ninguém acreditou, especialmente, depois de o ex-ministro do Turismo Marcelo Álvaro ter reclamado que seu cargo estava em negociação, e Marcos Pereira ter ido comemorar o apoio a Lira dentro do Planalto.

O que está ruim…

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), e o da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), ambos do DEM, estão de mal. O pano de fundo é que Alcolumbre coloca no deputado a culpa da derrocada da possibilidade de reeleição. E essa “convicção” do senador está tão difícil de tirar que já chegou a ponto de sequer comunicar o horário da sessão do Congresso.

… tende a ficar pior

Alcolumbre está construindo a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e está difícil de contornar o MDB, que tem quatro pré-candidatos e chances reais de, desta vez, conquistar a Presidência da Casa.

“Só no Brasil liberal se defende a destinação de dinheiro da escola pública para instituição privada”

do deputado João Carlos Bacelar (Podemos-BA) sobre a votação do Fundeb, que tentou levar recursos a escolas religiosas numa emenda defendida pelo partido Novo

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Chance na mão/ Os emedebistas têm a possibilidade de fazer a primeira mulher presidente do Senado, caso o partido lance a candidatura de Simone Tebet (MS). Só tem um probleminha: os “três mosqueteiros” definidos por Bolsonaro, ontem, no Planalto, almejam o cargo: os líderes do governo no Congresso, Eduardo Gomes (TO), do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (PE), e o do partido, Eduardo Braga (AM).

Atrapalhou geral/ A expressão usada por Bolsonaro arrisca colocar, na testa dos três, a pecha de aliados incondicionais do Planalto, tirando a aura de independência que pode atrair mais votos no plenário da Casa. Aliás, foi essa mão do presidente em defesa de Maia que tirou a esquerda de Lira.

Começaram as despedidas/ O deputado Raul Henry (MDB-PE) abriu a leva de discursos de despedidas do atual presidente, Rodrigo Maia, antes mesmo de encerrada a sessão legislativa de 2020. Henry fez uma homenagem ao colega, definindo sua administração como corajosa, de defesa das instituições e da democracia.