A bruxaria dos marqueteiros políticos

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Ciro Gomes e João Santana: o marqueteiro fará a campanha do pedetista em 2022.                      (Twitter/Ciro Gomes/Reprodução)

 

Capazes de transformar água em óleo e de fazer um jumento subir a rampa do palácio com faixa verde amarela, os grandes marqueteiros do país ganharam fama internacional depois da redemocratização do Brasil, tanto por sua expertise nas artes ilusórias das campanhas como por suas capacidades de contornarem quaisquer fronteiras da ética profissional, sendo, por isso, requisitados por nove em cada dez mandatários da América Latina.

Lá, como aqui, o vale tudo e as práticas desonestas são permitidas, quando o que está em jogo é a eleição ou reeleição desses típicos governos. O nosso país passou então a exportar o jeitinho brasileiro de fazer campanha política, ensinando, lá fora, as melhores e mais ardilosas maneiras de esticar a corda e vender gato por lebre. Com isso, não tardaram também, o aparecimento de grandes escândalos políticos, tal como ocorria no Brasil, envolvendo esses profissionais da mídia, seguindo os mesmos esquemas montados aqui e que rendiam uma enxurrada de votos a seus clientes.

A receita era simples: grandes empresas, cooptadas pelos governos, em troca de obras públicas superfaturadas, bancavam tudo, até mesmo os gastos mais inusitados, em troca de outros bilhões que viriam, indiretamente, dos próprios eleitores contribuintes ludibriados. Eram tão parecidas as práticas criminosas que até uma grande empresa brasileira, que recentemente tratou de mudar de nome, para não prejudicar seus negócios, e que esteve envolvida, até ao pescoço, com a Operação Lava Jato, era usada para entrar de sócia no estelionato eleitoral.

Dinheiro sujo, por inércia, só pode eleger candidatos também sujos, dispostos a vender a mãe para galgar o poder. Não surpreende que, nesses últimos anos, tanto o Brasil como muitos países vizinhos tiveram a má sorte de eleger presidentes que, para dizer o mínimo, deveriam exercer o cargo diretamente dos presídios.

O mal que esses profissionais da propaganda política fizeram ao país e ao continente, enganando eleitores, enfraquecendo as democracias e levando muitas nações vizinhas ao colapso político, social e econômico, por certo, não poderá ser esquecido, compondo hoje uma das páginas mais sombrias e desonrosas da história dos nossos tristes trópicos.

Ao contrário do que se sucedeu no Brasil, onde nossa jabuticaba, representado pela Justiça Eleitoral, criada para aliviar e vetar quaisquer penalidades aos políticos locais, em parte da América Latina, alguns tribunais cuidaram de processar e punir os candidatos fabricados pelos mágicos da propaganda, bem como seus financiadores, inclusive a grande empresa brasileira onipresente em boa parte dessas tramoias.

Por essas bandas, os mesmos candidatos, useiros e vezeiros dessas práticas bandidas estão aí de volta, leves e soltos. Com a ficha corrida ou, como se diz no jargão policial, com a “capivara” limpa. Surpreende que, com toda essa engenhosidade, esses marqueteiros milagrosos não lograram alcançar o que seria mais simples, que é devolver, aos partidos e a seus candidatos, a tão necessária credibilidade. Pelo contrário, o uso desmedido de propaganda enganosa nas campanhas, difamando e injuriando adversários, obteve como resultado apenas um maior afastamento dos eleitores e um descrédito total com relação aos políticos.

Essa crise de identidade entre os partidos e os eleitores persiste, apesar dos bilhões de reais gastos em propaganda. O que parece é que quanto mais os partidos gastam em propagandas, mais os eleitores se mostram ressabiados e ariscos. Não se pode iludir por muito tempo toda a opinião pública. Um dia, os fatos podem vir à tona e tudo desmoronar para sempre.

É sabido que políticos assim como todo o homem público, uma vez caído em desgraça perante a população, apanhando em falcatruas e outras travessuras, dificilmente volta a recuperar a antiga credibilidade. Para a maioria das mais de três dezenas de legendas políticas, que hoje orbitam de modo parasita o Poder Legislativo, não houve, até hoje, mandingas e outros feitiços, elaborados por esses bruxos do marketing, capazes de aproximar, de novo, a população dessas agremiações e, principalmente, desses políticos, que fazem, da representação popular junto ao Estado, um negócio polpudo para si e para os seus.

A situação chegou a um tal paroxismo que, quanto mais dinheiro entra nos partidos e nos bolsos dos seus caciques, mais a população toma distância dessa gente. A verdade é que, para muitos desses atuais caciques políticos, pouco importa o que a população e os eleitores pensam e sentem com relação a eles. Desde que consintam que os partidos aumentem, a cada eleição, os recursos para fundos partidários e eleitorais e para as emendas de bancada, individuais e de relatores e outros benefícios, pouco importa o que a justiça eleitoral denomina de eleitores.

Ocorre que esse toque de Midas, capaz de transformar tudo em ouro, inclusive a dignidade, nas mãos dos políticos, vai se transformando numa espécie de maldição, fazendo com que tudo o que eles ponham a mão, transforme-se em ouro de tolo, cheio de ferrugem e veneno, afastando, imediatamente, todos os cidadãos de bem.

A frase que foi pronunciada:

“Pelo andar da carruagem, o isolamento político de Guedes é um excelente sinal.”

Dona Dita

Charge do Kleber

Elas

Sobre os absorventes higiênicos, agora é a hora certa de Bolsonaro ouvir as feministas. Nada de objeto que faz mal ao meio ambiente. Para as feministas, e isso será uma boa economia, as toalhinhas devem voltar.

Foto: Reprodução/Instagram

História de Brasília

Há um ano, aproximadamente, falamos na numeração das quadras da W-3, e houve a promessa de que isto seria feito. Chegou-se a fazer um estudo procurando corrigir anormalidades, que tiveram resultados excelentes. (Publicada em 10/02/1962)

Criando corvos

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Charge do Cícero

 

Não fosse o dinheiro suado dos pagadores de impostos, subtraídos de forma compulsória, por um Estado perdulário e um dos campeões do planeta no quesito alta carga tributária, as mais de 30 legendas partidárias que hoje parasitam o Poder Legislativo, tornando a nossa democracia uma das mais caras e ineficientes do mundo moderno, teriam vida curta ou nem mesmo nos dariam o desprazer de existir. Em outras palavras, os nossos partidos existem, simplesmente, porque lhes são franqueados boa parcela de recursos públicos. Sem essa dinheirama, contabilizada em bilhões de reais, não teríamos essa baciada de agremiações políticas que agem exatamente como clubes de argentários, no mais estrito modelo de empresa privada.

Apenas por esse aspecto sui generis, podemos inferir que a representação política, tão necessária para a manutenção do chamado Estado Democrático de Direito, realizada por meio de partidos sustentados, exclusivamente, com verbas públicas, resultam, na verdade, numa espécie de democracia do tipo estatal, tutelada pelo Estado, graças aos cofres públicos. Em outro sentido, pode-se entender que, por essa fórmula, o que os brasileiros têm em mãos para representá-los no parlamento, em todos os níveis, municipal, estadual e federal, são empresas típicas do Estado, que, ao contrário de muitas, não necessitam adotar regras de compliance ou mesmo prestar contas, aos contribuintes, dos recursos que arrecadam e dos gastos que empreendem.

A questão, nesse caso, é como alcançar uma verdadeira democracia, com igualdade de oportunidade, sabendo-se que a ponte que liga o cidadão ao Estado é inteiramente construída e alicerçada com os recursos retirados à fórceps do cidadão. Pior ainda do que ter partidos que muito se assemelham a típicas estatais, sempre bancadas pela viúva, é verificar que toda essa fortuna, carreada para as legendas, é administrada por grupos instalados dentro da máquina partidária, cuja a única função é praticar a matemática engenhosa da prestação de contas. Esse, inclusive é um outro capítulo vergonhoso do nosso sistema partidário, que por omissão e pouco zelo dos tribunais eleitorais, tornam as contas partidárias uma ficção que é submetida a infinitas manobras contábeis para fazer o dinheiro desaparecer no sumidouro da burocracia. Com isso, vale a expressão espanhola: %u201Ccriamos corvos para que eles nos arranquem os olhos.

Quando surgiu como uma força nova dentro do cenário político do final dos anos 1970, o Partido dos Trabalhadores empolgava a oposição ao regime pelo fato de obter seus recursos diretamente da população, por meio de vaquinhas, venda de camisetas e churrascos e outros meios originais e absolutamente transparentes. Essa era a força que mantinha esse partido bem ao gosto popular. Esse tempo amador, mas autêntico, vai longe, bem longe. Hoje o PT, como de resto todas as demais legendas, vive à sombra do Estado, devidamente azeitado com verbas bilionárias, fechados em si mesmos, distantes da população, hoje, chamada apenas pelo nome genérico de %u201Cbase%u201D. Fenômeno semelhante parece ter ocorrido também com os clubes de futebol.

Antigamente, era comum falar-se em amor à camisa. Eram tempos de inocência no futebol. Os times viviam praticamente dos recursos obtidos das bilheterias dos jogos. Por esse critério, o desempenho no campeonato e a boa performance contavam muito para atrair o público. Só os bons times, bem armados e treinados sobreviviam aos torneios. Esse também são tempos que já vão bem longe. Seguidas pesquisas mostram que dentre as instituições do país, aquelas que menos gozam da simpatia e da confiança dos brasileiros são justamente os partidos e seus respectivos políticos. Por aí, pode-se ver que não é o dinheiro que torna pessoas, empresas e instituições em algo respeitável e aceita pela população. Entre as coisas que o dinheiro não é capaz de franquear, uma das mais importantes, é a respeitabilidade e sua consequência direta representada pela credibilidade. Se o financiamento público, como afirmam muitos, é necessário para afastar a influência interesseira das empresas privadas, por outro lado a abundância de recursos e a sede como os políticos se atiram ao pote dos financiamentos públicos tem trazido mais prejuízos do que benefícios para o aprimoramento da democracia brasileira.

A perda paulatina e ininterrupta da confiança popular, como bem demonstram pesquisas recentes de opinião pública, jamais poderão ser contornadas com a entrada de bilhões nos cofres das legendas. Nem todo o dinheiro do mundo em propaganda seria capaz de reverter a perda de credibilidade que parece ter tomado conta dos partidos e de seus respectivos membros. Um sinal de que o dinheiro não pode tudo, é que a cada eleição aumenta o número de eleitores que simplesmente deixam de comparecer ao pleito, desencantados com nosso modelo artificial de fazer política representativa. Há inclusive estudos que mostram que, não fosse a obrigatoriedade do voto, inscrito na lei, muitos eleitores só saberiam que é eleição por se tratar de um feriado. Ao deixar de sobreviver com as contribuições diretas dos filiados e simpatizantes, os partidos políticos começaram a cortar o cordão umbilical com a sociedade que afirmavam representar.

Ao adquirirem a independência econômica, muito acima das necessidades, essas mesmas legendas se apartaram de vez da população, de quem só dependem efetivamente a cada quatro anos. Apoio efetivo só mesmo daqueles que trabalham diretamente nas campanhas e esperam recompensas. Há uma crise dos partidos que parece só ser vista por aqueles que estão do lado de fora e que é formada pelo grosso da população. Nem mesmo os mais caros e criativos marqueteiros de campanhas políticas de todo o país chamaram a atenção para esse importante fato, dando novo rumo às campanhas.

Em se cavando crimes, minhocas surgem

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Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado.

 

Não se engane: qualquer Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que venha a ser instalada no Legislativo, e que tenha como objetivo investigar, com seriedade, qualquer questão relativa ao governo, à política, às finanças, ou o que quer que seja que diga respeito ao Brasil, tanto no presente como no passado, tem potencial imenso para desvendar novas e engenhosas ilicitudes.

Onde quer que se cave nesse país, haverá de ser encontrado vestígios e cadáveres a revelar um gigantesco submundo que parece se estender pelos subterrâneos do Estado. Basta escolher o tema ou o assunto, que as revelações hão de vir à luz. No momento, a Comissão em andamento no Legislativo, denominada CPI da Pandemia, e que visa revelar os desvãos por onde bilhões de reais do dinheiro público se esvaíram com a compra superfaturada de vacinas ou apenas com a promessa de aquisição desses medicamentos, vai produzindo seus resultados ao revelar um esquema poderoso envolvendo empresas de fachada, inclusive bancos, todas elas de olho no mercado farto da compra emergencial e tardia de vacina em plena pandemia.

É o poder do dinheiro e da esperteza no mercado da vida e da morte. Entra nesse comércio sem lastro ético, apenas como número e estatística, a quantia de 600 mil mortes, a grande maioria, vítima de um sistema que envolve figuras do governo e empresários gananciosos e desumanos.

No final dos trabalhos dessa CPI, que já foi prorrogada uma vez e que poderia, por seu potencial revelador, ser mais uma vez esticada para o infinito, é esperada a elaboração de um calhamaço em forma de relatório, que contará mais uma pequena porção dessa nossa história feita de infâmias e onde a população é sempre a vítima. Há, nesse terreno fértil, formando por 8,5 milhões de quilômetros quadrados, espaço suficiente para ser escavado, donde se pode encontrar veios a desvendar nossos descaminhos históricos. E não é só no âmbito do governo e do Estado que qualquer investigação séria pode nos levar a revelações do cometimento de crimes diversos.

Veja o caso do nosso empresariado, principalmente os de maiores portes, que no governo petista se juntaram para saquear as estatais, sob orientação do próprio governo, que escancarou as portas de empresas como a Petrobras para que fosse completamente depauperada.

Para onde quer que se volte o olhar, há chances reais de vermos como continuamos, depois de cinco séculos, sendo constantemente pilhados. Invente-se um tema, por exemplo, o índio ou a grilhagem de terras e teremos outro calhamaço de denúncias a serem apuradas. Relativamente ao meio ambiente e aos crimes que acontecem num ritmo acelerado, as denúncias renderiam CPIs diversas e prolongadas.

O mesmo com relação à saúde. Com relação ao desvio de recursos pelos governadores durante a pandemia e que a atual CPI do Senado resolveu não apurar. Outro exemplo de assunto que renderia uma boa Comissão Parlamentar de Inquérito é com relação ao pagamento de precatórios, que são recursos que o Estado deve a parcelas de sua população e simplesmente deixa de pagar e fica por isso mesmo. Todo e qualquer tema poderia render uma CPI.

O problema é que, depois de encerrados os trabalhos dessas Comissões e elaborado o relatório final, que é enviado à Procuradoria Geral da República e ao Ministério Público para que adotem as devidas providências, o caso passa a ser submetido a uma espécie de peneira, onde os figurões da República, dotados ou não de foro de prerrogativa, são deixados de fora dos inquéritos, restando o indiciamento dos peixes pequenos. Para aqueles integrantes da elite do Estado ou do empresariado que não conseguiram escapar de um primeiro cerco da justiça, resta a opção de recorrer ao Supremo, onde a prescrição ou a absolvição é o final mais comumente ajeitado.

A frase que foi pronunciada:

A sopa é para a infância assim como o comunismo é para a democracia.”

Mafalada

clubedamafalda.blogspot.com

Mobilidade

Alguns prédios residenciais das 400 e as construções das entrequadras, onde salas comerciais funcionam como moradia, precisam de elevador. O direito dos idosos de ir e vir, subindo lances de escada, é proibitivo.

Reprodução Google Maps (2020)

Escuro

BR 080, na altura da divisa com Padre Bernardo, está sem iluminação. Há um intenso trânsito de caminhões à noite, um perigo para os motoristas.

Reprodução Google Maps (2019)

Perigo

Falta de manutenção no metrô deixa passageiros a pé. Nessa segunda-feira, o Metrô do DF deixou seus passageiros à deriva. O veículo descarrilou e os passageiros tiveram que andar pelas beiradas até a próxima estação.

Foto: material cedido ao Correio

História de Brasília

Estes episódios tiveram como cenário o Rio de Janeiro, o governador é o sr. Carlos Lacerda, o Ministro é o sr. Alfredo Nasser. E os nomes dos terroristas leia, por favor, na seção de polícia. (Publicada em 08/02/1962)

Patriotismo sem ética

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 

Caberá à História, no seu tempo próprio, repor, em seus devidos lugares, os muitos erros perpetrados por políticos, ministros e magistrados contra o ex-juiz Sérgio Moro. A única questão aqui é saber se isso ocorrerá ou não a tempo de corrigir os danos causados ao magistrado de Curitiba, por ter ousado enfrentar os mais poderosos grupos instalados nas mais altas esferas do Estado.

Num país em que tradicionalmente as punições da Justiça são aplicadas em doses inversamente proporcionais ao status do acusado, não surpreende que aqueles que deveriam estar sob a camisa de força apertada de réus enverguem, agora, a fantasia de promotores e de impolutos republicanos. De fato, mesmo depois de “cancelado” e moído pela máquina perversa de um Estado dominado, de alto a baixo, a sombra do ex-juiz ainda amedronta e causa calafrios aos corruptos e malfeitores de todos os calibres, perturbando-lhes o sono noturno.

Para tanto, é preciso não apenas atalhar-lhe o caminho, mas conceber, de imediato, leis ilegítimas e extrajurídicas, de modo a vetar quaisquer possibilidades de que ele venha a reaparecer, como uma espécie de vingador instalado, no mesmo Palácio do Planalto de onde se retirou, depois de sentir o mal cheiro exalado naquele lugar.

O temor daqueles que têm a ética pública como antípoda é que a população, num rasgo de racionalidade, sagre Moro nas urnas do ano que vem. De que outro modo, então, explicar o afinco com que os próceres da nova direita e da esquerda de sempre tecem, como centopeias, o que chamam, cinicamente, de novo projeto de reforma eleitoral?

Na verdade, de novo esse projeto só possui a astúcia e os mesmos maneirismos espertos, como é tecida à surdina. O novo Código Eleitoral, em tramitação agora na Câmara dos Deputados, ao incluir, na undécima hora, dispositivo que cria uma quarentena de cinco anos para que juízes, militares e promotores possam concorrer às eleições, atende, justamente, aqueles que, por vingança e despeito, querem tirar o ex-juiz do páreo de 22.

Para fugirem das interrogações que viriam, foi proposto até o instrumento maroto de regime de urgência, fugindo do escrutínio das comissões. Ficaria mais adequado, e direto a tal projeto, eliminar, logo de saída, toda a possibilidade de candidatura de uma possível terceira via, que venha a ameaçar as pretensões de Bolsonaro e de Lula para o próximo ano.

Experienciamos tempos estranhos e adversos, contrários ao bom senso e aos mais comezinhos conceitos de ética e de República. Fala-se muito em patriotismo, mas esquecem que essa é uma premissa que vem somente depois de respeitados todas as exigências impostas pela ética. Patriotismo sem ética refere-se apenas a um lugar onde podem amaciar-se, com segurança, os de sempre. Do mesmo modo que falar em retorno do lulopetismo, para salvar o país e suas estatais da sanha privatista, soa como escárnio e pesadelo.

O que acontece ao ex-juiz Sérgio Moro já aconteceu na Itália com o ex-juiz Antonio Di Pietro e também com o ex-juiz espanhol Baltasar Garzón. Todos vítimas daqueles que deveriam estar condenados e presos, mas que, por um estranho fenômeno que parece pairar sobre todos nós de ascendência Latina, dá, aos poderosos e aos seus grupos, o cetro da lei e, aos operadores legítimos da Justiça, o opróbrio e a desfeita.

A frase que foi pronunciada:

A Suprema Corte decidiu que eles não podem ter um presépio em Washington, DC Isso não foi por motivos religiosos. Eles não conseguiram encontrar três homens sábios e uma virgem.”

Jay Leno

Jay Leno. Foto: Getty Images

Erramos

Na coluna de ontem, ENE foi escrito ENEM. Só o título estava certo. Nossas escusas aos leitores.

Curiosidade

Pergunta de uma leitora provoca curiosidade. Todos os parlamentares que compõem a CPI do Covid já foram vacinados?

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado.

Insistência

Amigo nos alerta sobre manifestação em frente à embaixada brasileira em Praga contra incêndios na Amazônia. Deve ter sido um fiasco porque não ganhou uma linha nos jornais internacionais.

Conectas

Por falar nisso, a Revista Internacional de Direitos Humanos publicou um edital para escritoras negras ou indígenas e paga 5 mil reais para textos sobre questões atuais como pandemia, direitos humanos, povos originários. Veja no link Bolsa de Escrita – 31ª edição da Sur.

Cartaz: conectas.org

Desvio de função

Tem muita hipocrisia sobre a segregação de alunos com deficiência em salas de aula. É impossível uma professora, em uma turma com mais de 30 crianças, dar atenção necessária à criança especial. Nesse caso, a contratação de monitores é indispensável.

Foto: centraldeinteligenciaacademica.blogspot.com

História de Brasília

Isto, porque, se não fôr inaugurada logo, a Novacap construirá a definitiva, na área verde, entre a 108 e 508, e a primeira creche da cidade que entusiasmou o aluno passará para a história como sendo a única creche que não funcionou. (Publicada em 07/02/1962)

Sobre sal e pimenta; política e cidadania

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Charge do Jota. A.

 

Engenhosidades, mesmo as mais básicas, podem, em algumas circunstâncias, constituir elemento de grande valia, sobretudo quando servem para diluir projetos, que, em última análise, iriam prejudicar e complicar a vida da população no longo prazo. O Brasil, por sua formação cultural sui generis e inzoneira, conferiu à nossa gente uma capacidade também única para transformar as influências tanto externas, como aquelas introduzidas pelas elites, em algo inofensivo, de modo a diluir regras e modismos, transformando-as em algo verdadeiramente útil e consumido pela população em geral.
É o nosso jeitinho de encarar o dia a dia adverso e a indiferença secular do Estado em relação a sua gente. Assim é que o jazz, uma modalidade genuinamente norte-americana, foi transmutada aqui em bossa nova, ganhando logo o apoio interno e, posteriormente, o mundo. Por aqui, também, o requintado whisky virou cachaça.
O mesmo ocorre com as grandes marcas e grifes, que podem ser encontradas, fielmente copiadas e a preços camaradas, nas feiras populares de muambas e de contrabando. Regras e leis, por essas bandas, existem para serem desprezadas ou adaptadas aos distorcidos costumes locais. Fôssemos elencar a quantidade de produtos e de outros modismos importados e posteriormente modificados internamente, iríamos verificar que essa é praticamente uma lista sem fim.
Esse é um fenômeno que ocorre no cotidiano das pessoas comuns e espraia-se também por todo o Estado. Se há filas, há aqueles que guardam lugar na fila. Se há burocracia, há os despachantes que conhecem as pessoas certas em cada repartição pública e, assim, a coisa anda. Exemplo maior desse nosso modo de desvirtuar e degenerar tudo pode ser conferido no caso de investigações e condenação de políticos e outros personagens de altos escalões da República.
Para essa gente especial, as leis e punições geralmente não funcionam; e, quando funcionam, não resultam em penalidades. Assim é que, possivelmente, teremos, nas próximas eleições, um candidato recém saído da prisão, condenado nas três instâncias por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e toda uma lista de delitos, disputando, nada menos que a Presidência da República ou o comando da nação. E com chances de vencer, segundo pesquisas.
Em outras paragens, essa seria uma situação impossível de acontecer. Esse nosso jeito de distorcer o mundo e seus costumes a nosso favor faz de nós um modelo a não ser copiado pelo mundo civilizado. Essa tem sido uma receita que cabe somente a nós mesmos, ainda que isso custe o nosso próprio futuro. Somos o que somos porque degeneramos o mundo ao nosso redor.
Os partidos políticos, que em outros países representam o esteio da democracia, por aqui foram transformados em empresas, com proprietários, negócios e lucros, tudo amparado pela União, também transformada em uma espécie de viúva endinheirada e perdulária. Propósitos e orientação ideológica? Nenhuma dessas dezenas de legendas sequer conhecem a existência. Nossa democracia é assegurada justamente por essas agremiações políticas, povoadas de indivíduos cujo único objetivo é extrair o máximo de vantagens econômicas para si e para os seus, numa engrenagem perversa que conta com o apoio de larga parcela do eleitorado, que enxerga, nesse modelo, um reflexo de si mesmo no espelho.
Por certo, a anunciação de uma terceira via política, que poderá vir para resgatar os brasileiros do atraso, tão logo os prognósticos lhe proporcionem alguma vantagem, começará a ser assediada pelos mesmos parasitas, que encontrarão, nesse novo abrigo, um espaço e um modo de desvirtuá-la, transformando-a, também, na mesma farofa insossa e apimentada que temos.

A frase que foi pronunciada:

“Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer.”
Graciliano Ramos
Graciliano Ramos. Foto: Arquivo público do estado de São Paulo
Lembrete
Se houvesse o voto eletrônico e o impresso concomitantemente, tudo funcionaria a contento. Quem esqueceu que durante uma votação na Casa dos representantes do povo apareceu um voto a mais? Sobram argumentos para a segurança do voto impresso ao lado do eletrônico. O que falta é boa vontade.
Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Ajufe
Tímida, mas comovente, a iniciativa da Associação dos Juízes Federais do Brasil que, pela Comissão Ajufe Mulheres, expressou, solidariedade, às juízas que trabalham no Afeganistão. Com várias cenas chocantes no país, onde uma multidão tenta fugir dos talibãs, mães jogaram os filhos pelo muro para os soldados norte-americanos os levarem dali. Momentos como esses nos fazem relembrar que a democracia, com ordem e liberdade, ainda é a melhor opção.
Foto: Instagram/ reprodução

–> Ajufe Mulheres manifesta solidariedade a juízas afegãs

A Associação dos Juízes Federais do Brasil, por meio da Comissão Ajufe Mulheres, emitiu nota pública, nesta quinta-feira (19/08), expressando solidariedade e preocupação com juízas que exercem a função no Afeganistão.

No documento, a Ajufe Mulheres afirma que os incidentes ocorridos recentemente no país “trazem à tona a importância de uma atenta vigilância sobre os limites impostos ao Estado Democrático de direito, para que, assim como no Afeganistão, o futuro para as mulheres não retorne ao passado.”

Leia abaixo a íntegra da Nota:

“A Associação dos Juízes Federais do Brasil, por sua Comissão Ajufe Mulheres, diante dos recentes acontecimentos no Afeganistão, vem a público prestar solidariedade e externar preocupação com as juízas mulheres que exercem a sua função no país.

As agências internacionais informam que há cerca de 270 magistradas que estão em risco por desempenharem uma função proibida para as mulheres pelo regime talibã e, adicionalmente, por terem julgado e condenado membros do regime, que retomou o controle do país.

Tornaram-se vulneráveis, portanto, porque são mulheres e porque exerceram a atividade jurisdicional.

O episódio expõe a fragilidade dos direitos fundamentais sob o comando de forças totalitárias, especialmente para os grupos mais vulneráveis, como as mulheres e meninas, colocando em xeque avanços civilizatórios recentemente conquistados por elas. Do mesmo modo, impõe lembrar que não há Poder Judiciário livre sob as forças de regimes autocráticos.

Os incidentes trazem à tona a importância de uma atenta vigilância sobre os limites impostos ao Estado Democrático de direito, para que, assim como no Afeganistão, o futuro para as mulheres não retorne ao passado.

A Ajufe se une a outras associações de mulheres juízas organizadas internacionalmente para apelar que a ajuda humanitária inclua também a retirada de juízas e juízes, porque “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” (Martin Luther King).”

Brasília, 19 de agosto de 2021.

História de Brasília
Efetivamente, não é função da Caixa Econômica a venda de selos. Mas, em virtude das dificuldades de Brasília, vinha sendo uma tradição interrompida antes do tempo, porque as nossas tabacarias não adotaram a praxe. (Publicada em 7/2/1962)

Ciro: o abre alas para 2022

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Foto: Isac Nóbrega/PR

 

Com a posse concorrida e que lotou o grande salão do Palácio do Planalto, o atual ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, um dos próceres do Centrão, pretendeu, com a solenidade pomposa e desnecessária em tempos de pandemia, mandar um recado ao seu entorno próximo e, quiçá, ao próprio presidente de que doravante haverá, no coração do Poder Executivo, alguém com a caneta e verbas nas mãos, capaz de transformar o que era apenas um tênue projeto político de apoio parlamentar em algo concreto e questuoso.
Em troca, o presidente espera, ou pelo menos alimenta a esperança, que Ciro, além das articulações que promete fazer, aplaine o caminho que poderá levar Bolsonaro à nova vitória em 2022. É nisso que se resume todo esse esforço para trazer o Centrão para dentro do governo. Chega a ser curioso observar toda essa pantomima da política nacional, prevendo, inclusive, seus possíveis desfechos, apenas para constatar o quão nefasto tem sido para o país o modelo de reeleição para cargos majoritários, ainda mais quando se vê no poder alguém que não abdica, um dia sequer, de descer do palanque para governar de fato.
É com essa agenda permanente que o atual presidente mantém, em estado de suspensão, todo o seu governo, vivendo o presente em função do que poderá ser, no futuro, seu próximo mandato. Trata-se de algo surreal e que copia, letra por letra, outros governos que o precederam, como é o caso de Lula, que fazia do seu governo também um vir a ser permanente. Com Ciro, o Executivo, comandado por Jair, não se aproxima do Congresso propriamente dito, como querem fazer acreditar, apenas o torna devedor de uma ala do parlamento, famosa por seu apetite pela estrutura do Estado.
Essa história de que o Executivo e o Legislativo serão, daqui para frente, um só poder, como afirmou o presidente durante a solenidade, não só distorce toda a teoria tripartite dos Poderes como lhe confere um novo propósito de fazer cumprir os desejos de um amplo grupo, formado por indivíduos avessos à moral e à ética pública.
Uma espécie de parlamentarismo de compadrio, em que as responsabilidades e os papéis de cada um com a coisa pública são diluídos e inexistentes. Um arremedo de república. Resta saber em que consistirá a tal articulação que será feita pelo chefe da Casa Civil. Se for parecida com a que era realizada nos tempos dos governos petistas, estaremos vendo a repetição de equívocos que deu no que deu.
Também não é possível saber o que quer dizer a expressão “a democracia é líquida e certa”, dita pelo empossado, ao garantir que está nessa nova posição apenas para zelar por sua manutenção. Para aqueles que ainda tinham dúvidas sobre o exato papel que caberá ao ministro no governo, o próprio Ciro não escondeu que sua missão será a de conduzir o país às eleições do ano que vem. “Temos agora, até o final do atual governo, um período que conduzirá às eleições de 2022. E é nosso dever preparar o país para chegar às eleições da forma certa, com a economia no rumo certo, com a política ajustada da maneira certa, com a vacinação garantida e certa para todos os brasileiros”, disse.
De posse dessa informação, fica um tanto evidente que caberá ao ministro Ciro as providências necessárias para que a máquina pública seja disposta, com todo o seu peso, para ajudar na reeleição de Bolsonaro. Nada diferente do que vem sendo feito há décadas e que tantos prejuízos tem causado a nossa democracia, ao permitir a perpetuação de governos populistas pouco sintonizados com a realidade nacional. É disso que se trata.
 
A frase que foi pronunciada
“Nossas pesquisas apontam que uma das características do bolsonarismo — e tão importante quanto entender seu início é buscar definir esse fenômeno — não é ser ‘antidireitos’ e, sim, apresentar uma noção seletiva de direitos.”
Isabela Kalil
Isabela Kalil. Foto: exame.com
Corrupção
Para o senador Alessandro Vieira, o melhor caminho contra a impunidade é uma Justiça rápida, eficiente e igual para todos. O sistema recursal passaria por uma reforma, em que especialmente as Cortes superiores não sofreriam influência do poder político e econômico. Numa entrevista à revista Época, o senador afirmou, dois anos atrás, que há mais de 40 pedidos de impeachment de ministros do STF que nunca foram apreciados, e todos eles com denúncias gravíssimas. “Num país verdadeiramente democrático, ninguém deve estar acima da lei”, sentenciou o parlamentar.
Foto: Divulgação/Senado Federal
Segurança
Novidade no Aeroporto de Brasília. Depois do consentimento e cadastro do passageiro, o embarque adotará o reconhecimento facial como forma mais segura de identificação. Florianópolis, Rio, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte já adotaram o protocolo.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
História de Brasília
As invasões continuam, a impunidade também. Qualquer um pode construir um barraco em terreno alheio. A próxima e simpática campanha do prefeito bem que poderia ser a extinção dos barracos no Plano Piloto. (Publicada em 6/2/1962)

O preço a ser pago

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Charge do Myrria (acritica.com)

 

Num país onde o cobertor das finanças públicas é sempre curto em razão da má gestão desses recursos e pelo pendor perdulário da maioria dos governos, quando falta dinheiro de um lado, o único jeito é retirar de outra rubrica, mesmo que essa seja prioritária e urgente para o atendimento da população.

Assim é que todos os dias o cidadão assiste ao noticiário informando uma sequência ininterrupta de transferências de bilhões de reais que são alocados de setores como a pesquisa, educação, cultura, saúde e outras de interesse direto da população para cobrir rombos ou para complementar projetos como fundo eleitoral, emendas de bancadas, emendas individuais, emendas de relatoria, emendas de comissão, fundo partidário e uma infinidade de outros projetos de agrado dos políticos.

Dezenas de bilhões de reais são retirados de onde realmente são precisos, para serem deslocados para onde não fazem a menor falta, sobretudo quando se constata a situação de penúria experimentada nesse momento pelo grosso da população, com o aumento do desemprego, da fome, da pobreza, submetidas ainda aos rigores de uma pandemia má gerida, desde o início.

Não há justificativa possível, capaz de fazer com que o brasileiro médio compreenda e aceite esses remanejamentos como sendo naturais e próprios da gestão administrativa do Estado.

O que salta aos olhos, logo de saída, é a insensibilidade para o que realmente importa e reclama medidas imediatas. A situação chega num crescendo tão absurdo, que leva o cidadão esfolado a acreditar que, diante dos altíssimos custos cobrados para que tenhamos um país pretensamente democrático, melhor mesmo seria regressarmos a um modelo de estado centralizado e enxuto. O fato é que para mantermos o atual status quo de nosso modelo de república, avaliado como o mais caro de todo o planeta, temos que repensar vantagens e prejuízos, sob pena de inviabilizarmos ou uma coisa, ou outra.

Temos as mais caras eleições do planeta, os mais caros parlamentares, o mais caro sistema de justiça, a mais numerosa quantidade de indivíduos ostentando o odioso foro privilegiado e por aí vai… Ou melhor, por aí é que não se deve ir.

O que causa espanto é que, diante de uma situação adversa dessa magnitude, ainda é possível incluir nesse baile tardio do Império os valores que serão cobrados pelo pseudoapoio do Centrão ao governo. Trata-se de uma conta que, para o bem da moralidade pública fugidia, não é divulgada e, por certo, será selada como segredo de Estado pelos próximos cem anos. A notícia ruim agora, sob forma de um calote oficial, diz que o governo parcelará por tempo indefinido o pagamento de precatório, medida essa que vai pegar principalmente aqueles que não possuem meios de pressão e lobby.

Para as elites do Estado, esses pagamentos já foram acertados há anos. Para professores e outros servidores, muitos dos quais já falecidos, há décadas, esses pagamentos não serão feitos antes da virada do século. E saber que o governo retira da população recursos vitais que, mais tarde, recusa a devolvê-los, mesmo em caso de vida e morte. É a brutalidade do sistema e o preço a ser pago para que tudo permaneça como está.

A frase que não foi pronunciada:

Quantos parlamentares teriam coragem de propor um referendo para a população brasileira escolher com uma pergunta clara: Você é à favor do voto impresso dentro da urna eletrônica?”

Dona Dita, com um sorriso de canto.

Foto: Sérgio Lima/Poder360

Memória

Muito bem lembrada, por João Vicente Costa, a história de Brasília sobre o Sr. Jerônimo e D.ª Victória Abbadia Bezerra e Silva (viveu até os 102 anos), que vieram para Brasília em 1956 e ajudaram, com muito trabalho, a construir Brasília. Eram um dos primeiros moradores de onde seria a capital do país. Donos legítimos de muitos hectares. Que fique o registro desse casal que abraçou a nova capital com entusiasmo.

Páginas viradas?

Como a venda de livros caiu amargamente, vendedores estão apelando para a criatividade para chamar atenção das pessoas. Em uma estante de uma cor só, o cartaz diz: “Não me lembro do título, mas a capa era vermelha.” Na outra, os livros com os títulos voltados para trás e a placa indica: “Mistérios”.

Bomba

Publicada no jornal da universidade de Berkeley, na Califórnia, entrevista com Joel Moskowitz, que é pesquisador da Escola de Saúde Pública e diretor do Centro de Saúde Familiar e Comunitária da UC Berkeley. O professor aponta os perigos da radiação dos aparelhos de celular e o efeito que o uso prolongado pode causar às células humanas. Veja o texto em português a seguir.

–> Moskowitz: A radiação do celular é prejudicial, mas poucos querem acreditar

Por Anne Brice , Berkeley News | 1 ° DE JULHO DE 2021

mulher andando e falando ao telefone em uma estação de metrô à noite
A grande maioria dos adultos americanos – 97% – possui algum tipo de celular, de acordo com o Pew Research Center . (Foto de Susanne Nilsson via Flickr)

Por mais de uma década, Joel Moskowitz , pesquisador da Escola de Saúde Pública da UC Berkeley e diretor do Centro de Saúde Familiar e Comunitária de Berkeley, tem procurado provar que a radiação de telefones celulares não é segura. Mas, disse ele, a maioria das pessoas não quer ouvir.

“As pessoas são viciadas em smartphones”, disse Moskowitz. “Nós os usamos para tudo agora e, de muitas maneiras, precisamos que funcionem em nosso dia a dia. Acho que a ideia de que eles estão potencialmente prejudicando nossa saúde é demais para algumas pessoas. ”

Desde que os telefones celulares chegaram ao mercado em 1983, eles passaram de dispositivos desajeitados com má recepção para smartphones multifuncionais elegantes de hoje. E embora os telefones celulares sejam usados por quase todos os adultos americanos , pesquisas consideráveis sugerem que o uso a longo prazo apresenta riscos à saúde por causa da radiação que emitem, disse Moskowitz.

Joel Moskowitz
Joel Moskowitz é pesquisador da Escola de Saúde Pública e diretor do Centro de Saúde Familiar e Comunitária da UC Berkeley. (Foto da Escola de Saúde Pública)

“Celulares, torres de celular e outros dispositivos sem fio são regulamentados pela maioria dos governos”, disse Moskowitz. “Nosso governo, no entanto, parou de financiar pesquisas sobre os efeitos da radiação de radiofrequência na saúde na década de 1990”.

Desde então, ele disse, a pesquisa mostrou efeitos biológicos e de saúde adversos significativos – incluindo câncer no cérebro – associados ao uso de telefones celulares e outros dispositivos sem fio. E agora, disse ele, com a quinta geração da tecnologia celular, conhecida como 5G, há um motivo ainda maior para preocupação .

O Berkeley News conversou com Moskowitz sobre os riscos à saúde da radiação de celulares, por que o assunto é tão polêmico e o que podemos esperar com o lançamento do 5G.

Berkeley News: Acho que devemos abordar o quanto essa pesquisa é controversa. Alguns cientistas afirmam que essas descobertas são infundadas e que não há evidências suficientes de que a radiação do celular seja prejudicial à saúde. Como você responde a isso?

Joel Moskowitz: Bem, em primeiro lugar, poucos cientistas neste país podem falar com conhecimento de causa sobre os efeitos da tecnologia sem fio na saúde. Portanto, não estou surpreso que as pessoas sejam céticas, mas isso não significa que as descobertas não sejam válidas.

Um grande motivo pelo qual não há mais pesquisas sobre os riscos à saúde da exposição à radiação de radiofrequência é porque o governo dos EUA parou de financiar essa pesquisa na década de 1990, com exceção de um estudo de roedores de $ 30 milhões publicado em 2018 pelo National Institute of Environmental Health Sciences ‘Programa Nacional de Toxicologia, que encontrou “evidências claras” de carcinogenicidade da radiação do celular.

Em 1996, a Federal Communications Commission, ou FCC, adotou diretrizes de exposição que limitavam a intensidade da exposição à radiação de radiofrequência. Essas diretrizes foram elaboradas para evitar o aquecimento significativo do tecido devido à exposição de curto prazo à radiação de radiofrequência, não para nos proteger dos efeitos da exposição de longo prazo a baixos níveis de radiação de radiofrequência modulada ou pulsada, que é produzida por telefones celulares, sem fio telefones e outros dispositivos sem fio, incluindo Wi-Fi. No entanto, a preponderância de pesquisas publicadas desde 1990 encontra efeitos adversos biológicos e para a saúde da exposição de longo prazo à radiação de radiofrequência, incluindo danos ao DNA.

Mais de 250 cientistas, que publicaram mais de 2.000 artigos e cartas em periódicos profissionais sobre os efeitos biológicos e à saúde de campos eletromagnéticos não ionizantes produzidos por dispositivos sem fio, incluindo telefones celulares, assinaram o International EMF Scientist Appeal , que pede advertências e limites de exposição mais fortes. Portanto, há muitos cientistas que concordam que essa radiação é prejudicial à nossa saúde.

Ouvi você falar pela primeira vez sobre os riscos à saúde da radiação de telefones celulares em Berkeley em 2019, mas você tem feito essa pesquisa desde 2009. O que o levou a fazer essa pesquisa?

Eu entrei neste campo por acidente, na verdade. Durante os últimos 40 anos, a maior parte da minha pesquisa se concentrou na prevenção de doenças relacionadas ao tabaco. Eu comecei a me interessar pela radiação de telefones celulares em 2008, quando o Dr. Seung-Kwon Myung, um médico cientista do National Cancer Center da Coreia do Sul, veio passar um ano no Center for Family and Community Health. Ele estava envolvido em nossos projetos de cessação do tabagismo e trabalhamos com ele e seus colegas em duas revisões da literatura, uma das quais abordou o risco de tumor pelo uso de telefones celulares.

Naquela época, eu não acreditava que a radiação do celular pudesse ser prejudicial. Porém, por ter dúvidas de que a radiação do celular pudesse causar câncer, mergulhei na literatura a respeito dos efeitos biológicos da radiação de micro-ondas de baixa intensidade, emitida por celulares e outros dispositivos sem fio.

Depois de ler muitos estudos de toxicologia animal que descobriram que essa radiação poderia aumentar o estresse oxidativo – radicais livres, proteínas do estresse e danos ao DNA – fiquei cada vez mais convencido de que o que estávamos observando em nossa revisão de estudos em humanos era de fato um risco real.

Enquanto Myung e seus colegas estavam visitando o Center for Family and Community Health, você revisou estudos de caso-controle que examinaram a associação entre o uso de telefone celular e o risco de tumor. O que você achou?

Nossa revisão de 2009 , publicada no Journal of Clinical Oncology , descobriu que o uso pesado de telefones celulares estava associado ao aumento da incidência de câncer no cérebro, especialmente em estudos que usaram métodos de maior qualidade e estudos que não tiveram financiamento da indústria de telecomunicações.

No ano passado, atualizamos nossa revisão , publicada no Jornal Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública , com base em uma meta-análise de 46 estudos de caso-controle – o dobro de estudos que usamos em nossa revisão de 2009 – e obtivemos resultados semelhantes. Nossa principal conclusão da revisão atual é que aproximadamente 1.000 horas de uso vitalício do celular, ou cerca de 17 minutos por dia em um período de 10 anos, está associado a um aumento estatisticamente significativo de 60% no câncer cerebral.

Por que o governo parou de financiar esse tipo de pesquisa?

O setor de telecomunicações tem o controle quase total da FCC, de acordo com a Captured Agency , uma monografia escrita pelo jornalista Norm Alster durante sua bolsa de 2014-15 no Centro de Ética da Universidade de Harvard. Há uma porta giratória entre a filiação à FCC e pessoas de alto nível na indústria de telecomunicações que já dura algumas décadas.

A indústria gasta cerca de US $ 100 milhões por ano fazendo lobby no Congresso. A CTIA , que é o maior grupo de lobby de telecomunicações, gasta US $ 12,5 milhões por ano com 70 lobistas. De acordo com um de seus porta-vozes, os lobistas se reúnem cerca de 500 vezes por ano com a FCC para fazer lobby em várias questões. A indústria como um todo gasta US $ 132 milhões por ano em lobby e fornece US $ 18 milhões em contribuições políticas para membros do Congresso e outros no nível federal.

A influência da indústria de telecomunicações sobre a FCC, como você descreve, me lembra da indústria do tabaco e do poder da publicidade que ela tinha ao minimizar os riscos de fumar.

Sim, existem fortes paralelos entre o que a indústria de telecomunicações fez e o que a indústria do tabaco fez, em termos de marketing e controle de mensagens para o público. Na década de 1940, as empresas de tabaco contrataram médicos e dentistas para endossar seus produtos a fim de reduzir as preocupações de saúde pública sobre os riscos do fumo. O CTIA atualmente usa um físico nuclear da academia para garantir aos formuladores de políticas que a radiação de microondas é segura. A indústria de telecomunicações não apenas usa o manual da indústria do tabaco, mas é mais econômica e politicamente poderosa do que as Big Tobacco jamais foram. Este ano, a indústria de telecomunicações gastará mais de US $ 18 bilhões em publicidade de tecnologia celular em todo o mundo.

Você mencionou que os telefones celulares e outros dispositivos sem fio usam radiação de radiofrequência modulada ou pulsada. Você pode explicar como os telefones celulares e outros dispositivos sem fio funcionam e como a radiação que eles emitem é diferente da radiação de outros eletrodomésticos, como um microondas?

Basicamente, quando você faz uma chamada, você tem um rádio e um transmissor. Ele transmite um sinal para a torre de celular mais próxima. Cada torre de celular possui uma célula geográfica, por assim dizer, na qual pode se comunicar com telefones celulares dentro daquela região geográfica ou celular.

Em seguida, essa torre de celular se comunica com uma estação de comutação, que então procura para quem você está tentando ligar e se conecta por meio de um cabo de cobre ou fibra óptica ou, em muitos casos, uma conexão sem fio por radiação de microondas com o ponto de acesso sem fio . Então, esse ponto de acesso se comunica diretamente por meio de fios de cobre por meio de um telefone fixo ou, se você estiver ligando para outro celular, enviará um sinal para uma torre de celular dentro da célula do receptor e assim por diante.

A diferença é o tipo de radiação de microondas que cada dispositivo emite. No que diz respeito aos telefones celulares e Wi-Fi e Bluetooth, existe um componente de coleta de informações. As ondas são moduladas e pulsadas de uma maneira muito diferente do seu forno de micro-ondas.

Quais são, especificamente, alguns dos efeitos à saúde associados à exposição de longo prazo à radiação de radiofrequência modulada de baixo nível emitida por dispositivos sem fio?

Muitos biólogos e cientistas do campo eletromagnético acreditam que a modulação de dispositivos sem fio torna a energia mais biologicamente ativa, o que interfere em nossos mecanismos celulares, abrindo canais de cálcio, por exemplo, e permitindo que o cálcio flua para a célula e para as mitocôndrias dentro da célula, interferindo em nossos processos celulares naturais e levando à criação de proteínas de estresse e radicais livres e, possivelmente, danos ao DNA. E, em outros casos, pode levar à morte celular.

Em 2001, com base na pesquisa epidemiológica biológica e humana, os campos de baixa frequência foram classificados como “possivelmente carcinogênicos” pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde. Em 2011, o IARC classificou a radiação de radiofrequência como “possivelmente carcinogênica para humanos”, com base em estudos de radiação de celular e risco de tumor cerebral em humanos. Atualmente, temos consideravelmente mais evidências que justificariam uma classificação mais forte.

Mais recentemente, em 1º de março de 2021, foi divulgado relatório do ex-diretor do Centro Nacional de Saúde Ambiental dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças , que concluiu que há uma “alta probabilidade” de que a radiação de radiofrequência emitida por celulares cause gliomas e neuromas acústicos, dois tipos de tumores cerebrais.

Vamos falar sobre a quinta geração da tecnologia de celular, conhecida como 5G, que já está disponível em áreas limitadas nos Estados Unidos. O que isso significa para os usuários de celular e que mudanças virão com isso?

Pela primeira vez, além do micro-ondas, essa tecnologia vai empregar ondas milimétricas, que têm frequência muito maior do que as micro-ondas usadas pelo 3G e 4G. As ondas milimétricas não podem viajar muito longe e são bloqueadas por neblina ou chuva, árvores e materiais de construção, então a indústria estima que precisará de 800.000 novos locais de antenas de celular.

Cada um desses sites pode ter antenas celulares de vários provedores de telefonia celular, e cada uma dessas antenas pode ter microarrays consistindo em dezenas ou mesmo centenas de pequenas antenas. Nos próximos anos, nos Estados Unidos, veremos a implantação de cerca de 2,5 vezes mais antenas do que o uso atual, a menos que os defensores da segurança sem fio e seus representantes no Congresso ou no sistema judiciário parem com isso.

Como as ondas milimétricas são diferentes das microondas, em termos de como elas afetam nossos corpos e o meio ambiente?

A radiação de ondas milimétricas é amplamente absorvida na pele, nas glândulas sudoríparas, nos nervos periféricos, nos olhos e nos testículos, com base no corpo de pesquisas que tem sido feito em ondas milimétricas . Além disso, essa radiação pode causar hipersensibilidade e alterações bioquímicas nos sistemas imunológico e circulatório – coração, fígado, rins e cérebro.

Ondas milimétricas também podem prejudicar insetos e promover o crescimento de patógenos resistentes a medicamentos, portanto, é provável que tenham alguns efeitos ambientais generalizados para os microambientes ao redor dessas antenas celulares.

Quais são algumas coisas simples que cada um de nós pode fazer para reduzir o risco de danos causados pela radiação de telefones celulares e outros dispositivos sem fio?

Primeiro, minimize o uso de telefones celulares ou sem fio – use um telefone fixo sempre que possível. Se você usa um telefone celular, desligue o Wi-Fi e o Bluetooth se não os estiver usando. No entanto, quando estiver perto de um roteador Wi-Fi, seria melhor usar seu celular no Wi-Fi e desligar o celular, porque isso provavelmente resultará em menos exposição à radiação do que usar a rede celular.

Em segundo lugar, a distância é sua amiga. Manter o celular a 25 centímetros de distância do corpo, em comparação com um décimo de polegada, resulta em uma redução de 10.000 vezes na exposição. Portanto, mantenha o telefone longe da cabeça e do corpo. Guarde seu telefone em uma bolsa ou mochila. Se você tiver que colocá-lo no bolso, coloque-o no modo avião. Envie mensagens de texto, use fones de ouvido com fio ou viva-voz para fazer chamadas. Não durma com ele próximo à sua cabeça – desligue-o ou coloque-o em outro cômodo.

Terceiro, use o telefone apenas quando o sinal for forte. Os telefones celulares são programados para aumentar a radiação quando o sinal é fraco, ou seja, quando uma ou duas barras são exibidas em seu telefone. Por exemplo, não use o telefone no elevador ou no carro, pois as estruturas metálicas interferem no sinal.

Além disso, incentivo as pessoas a aprenderem mais sobre os mais de 150 grupos locais afiliados ao Americans for Responsible Technology , que estão trabalhando para educar os formuladores de políticas, incitando-os a adotar regulamentos de torres de celular e limites de exposição que protegem totalmente a nós e ao meio ambiente dos danos causados por radiação sem fio.

Para dicas de segurança sobre como reduzir a exposição à radiação sem fio do Departamento de Saúde Pública da Califórnia e outras organizações, Moskowitz recomenda que os leitores visitem seu site, saferemr.com , Physicians for Safe Technology e Environmental Health Trust.

Historinha de Brasília

Ainda sobre o caso Ney Braga, recebo nôvo telegrama que faço questão de substituir ao primeiro: “Tomando conhecimento retificação feita em sua coluna no “Correio Braziliense” louvo sua atitude, própria dos verdadeiros profissionais de imprensa. Grato. Ney Braga, governador do Paraná”. (Publicado em 06.02.1962)

Questões básicas do curupira

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Foto: CEDI/Câmara dos Deputados

 

Um dos muitos problemas para todos aqueles que se posicionam nos extremos é que, nessa situação, os indivíduos correm um sério risco de ficarem à beira do precipício. Em caso de escolha, tendo como motivo os matizes políticos e ideológicos radicais, as chances dos indivíduos se verem lançados num abismo de irracionalidade e violência é ainda maior. Dentro de um relativo livre arbítrio, essa é a escolha que a cada um cabe.

As consequências dessa escolha, no entanto, restarão também a cada um, conforme a sua posição. É da vida. Assim é que todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, aliaram-se politicamente quer ao atual governo, ou aos governos petistas do passado, possuem sua parcela de responsabilidade por tudo de bom ou de ruim produzido nesses períodos.

Estão fora dessa lista apenas aqueles que, por interesses pragmáticos e pessoais, juntaram-se a esses governos para deles colherem benefícios de toda a ordem. Para esses, não existem governos ideologicamente radicais que mereçam ser desprezados. Todos, indistintamente, rendem bons dividendos, independente para que lado do precipício estão em marcha.

Trata-se, aqui, exatamente do grupo aglutinado no que ficou conhecido como Centrão, uma ninhada degenerada da espécie Curupira Brasiliense, que, com os pés virados para trás, finge seguir ora à direita, ora à esquerda, marchando, na realidade, na única direção em que sabem ir: os cofres públicos. A questão é compreender a razão de, no entra e sai de mandatários eleitos, como esse grupo permanece intocável e acolhido no seio desses governos e sempre em cargos estratégicos, que lidam diretamente com grandes somas de recursos públicos?

Seria esse grupo formado por especialistas nas intrincadas ciências contábeis da gestão pública e financeira? Obviamente que não. Muitos deles, quando muito, se limitam a desenhar o nome sobre uma folha de papel. Essa verdadeira vanguarda do atraso vem aproveitando, ao máximo e há anos, as brechas escancaradas do nosso esdrúxulo modelo de presidencialismo de coalizão, que faz com que todo e qualquer presidente só possa governar, de fato, com o apoio desse grupo no parlamento.

Surge outra incógnita: por que esse grupo, que constantemente age na contramão dos princípios mais básicos da ética pública e sobre o qual pesam sérias denúncias de crimes de corrupção, está sempre com cadeiras cativas no Congresso? Algumas explicações estão em suas bases eleitorais, sempre bem irrigadas com os recursos públicos que conseguem extrair desses apoios pragmáticos. Outras explicações vêm do fato de que, nesses redutos, o aliciamento e a compra de votos correm soltos, bem como as maquinações políticas, feitas à meia luz, e que permitem a perpetuação desses grupos, num ciclo vicioso e, obviamente, prejudicial à nossa democracia.

Nesse ponto, mais uma questão se abre: por que os diversos governos de diversas orientações ideológicas, e que sempre prometem correção e combate aos atos de corrupção, acabam sempre se aliando com grupos dessa natureza? A resposta poderia vir resumidamente quando se verifica que todos os governos, de uma maneira ou de outra, possuem uma identificação ética com esse grupo, não se observando quaisquer dissemelhanças.

Outra razão pode ser encontrada na certeza da impunidade e no fato notório da justiça jamais ter alcançado esse grupo, que segue impávido e influente.

A frase que foi pronunciada:

A justiça tardia se parece muito com a injustiça.”

Sêneca

Imagem: reprodução da internet

Pela beirada

Continuam conquistando audiência, documentários, filmetes e verdadeiras aulas. Brasil Paralelo trata da história do país sem ocupar lados. Entra na estrada e segue adiante. Veja algumas dicas para assistir a seguir.

Nos últimos emails, contamos detalhes dos primeiros anos de nossa trajetória. Da primeira entrevista à primeira viagem internacional.

Depois do ‘Congresso Brasil Paralelo’ e da ‘Série Brasil – A Última Cruzada’, lançamos outro sucesso, em 2018, ano de eleições.

O ‘Teatro das Tesouras’ foi assistido por mais de 5 milhões de espectadores e expôs uma das estratégias políticas mais utilizadas no país.

Já 2019 foi o ano em que lançamos nosso maior sucesso e também foi o ano em que quase quebramos.

O documentário ‘1964: O Brasil entre armas e livros’ gerou grande repercussão em todo o país.

Saiu na mídia, foi censurado no cinema e alcançou durante dois dias seguidos os principais tópicos do twitter.

Mesmo alcançando 9 milhões de pessoas e se tornando o documentário mais assistido do país, esse foi o ano que quase marcou o fim da Brasil Paralelo.

Entramos em 2020 com a corda no pescoço e abrimos o jogo para o público. Foi no lançamento da trilogia ‘Pátria Educadora’ que anunciamos nosso plano de sobrevivência.

Ou ele dava certo, ou aquela seria nossa última produção.

Apostamos todas as nossas fichas e mais uma vez, a confiança que o público depositou em nossa empresa fez muito mais do que salvar o negócio.

Foi em 2020 que saímos da marca de 13 mil assinantes e saltamos para o número de 200 mil Membros.

Um crescimento que mudou o patamar da Brasil Paralelo.

Em contrapartida, a nossa promessa de abordar os temas mais relevantes foi realizada.

Aceleramos o ritmo de produção, reduzindo para menos de 2 meses o tempo que levamos para entregar um filme novo.

Daquele momento até o dia de hoje, lançamos e distribuímos de graça mais de 20 produções, alcançando 10 milhões de brasileiros.

E agora chegou a hora de dar um novo passo. De começar um novo ciclo na história da Brasil Paralelo.

Fique atento aos seus e-mails. Acompanhe nosso trabalho em redes sociais.

Uma nova BP irá nascer maior, mais forte e mais tecnológica.

Atenciosamente,
Equipe Brasil Paralelo

IoT

Análise do TCU em relação à Internet das Coisas é desanimadora. Baixa cobertura, parcos investimentos, dificuldade para divulgação e implementação pelo país, impostos altos. Além disso, políticas públicas nesse setor ainda são muito tímidas. Há também problemas na coordenação. A nota do TCU termina com a seguinte informação: “No mundo, o impacto da tecnologia é estimado em entre U$ 3,9 trilhões e U$ 11,1 trilhões por ano até 2025. No mesmo período, o Brasil deve alcançar cerca de U$ 200 bilhões no mesmo período, o que representa 10% do PIB anual.”

Foto: reprodução/ Gazeta Online

Educação

Universidade gratuita para a população do DF e entorno. Autorizada a construção da Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury (UnDF) com um investimento de R$ 200 milhões e um prazo de quatro anos para estar pronta. Jorge Amaury era advogado na cidade que faleceu depois de ter contraído Covid.

História de Brasília

O Cine Brasília está infestado de pulgas. Mas a gerência deve ter razão para não ligar tanto para a sala de espetáculos. A frequência é lamentável. Poltronas estão desaparafusadas, assentos rasgados e as costas de tôdas as cadeiras, menos da última fila, estão vermelhas de lama dos sapatos dos seus frequentadores.” (Publicado em 06.02.1962)

O canto da sereia

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Charge do Duke para otempo.com

 

Nessas próximas eleições, quanto mais se intensificar a polarização das forças políticas ao redor da esquerda e da direita, mais restarão espaços e terrenos vazios, por onde poderão crescer, livremente, as alternativas para a consolidação de uma terceira e vitoriosa via. Essa possibilidade viria com mais naturalidade e vigor se pudesse contar com um amplo apoio popular, o que, por hora, dadas as complicações da pandemia, parece incerto. O fato é que a polarização em torno de Bolsonaro e Lula é favorável ao caminho do meio, por forças livres, do que se convencionou chamar velha política.

Por certo que, a essa altura dos acontecimentos, dado o intenso grau de movimentações de bastidores desses dois candidatos ditos “naturais”, já perceberam essa possibilidade e começam a agir para não perderem tempo e ganharem, também, nacos desse espaço central que vai se abrindo. Inclusive, os próprios candidatos desses extremos já deram a partida para um processo de captação dessas forças que poderão surgir entre as fronteiras da esquerda e da direita.

A apatia com a pandemia, e os quase 550 mil mortos, pelo lado da direita, e a experiência traumática de treze anos de governo petista, com a formação do maior esquema de corrupção já visto em todo o mundo, servem, cada um com sua intensidade específica, para a formação de um mínimo de juízo, por parte do eleitorado, principalmente aquele formado por pessoas que enxergam, na ética humana e na ética com a coisa pública, as principais virtudes de todo e quaisquer governantes.

Os contratempos para a consolidação dessas novas forças centrais ficam aqui por conta da possibilidade real da utilização da máquina pública em favor do candidato da situação e do forte aparato organizativo que ainda existe das esquerdas, espalhados por todo o país. Em entrevista ao Correio, o presidente e dono do PSD, Gilberto Kassab, uma dessas notórias raposas da política nacional, demonstra que está à espreita e com o faro fino e bem afiado para a possibilidade da terceira via, e já não esconde de ninguém que aposta no nome do atual presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco. Se conselho pode servir de alguma ajuda para o atual presidente do senado, mire-se no exemplo trágico do ex-juiz Sérgio Moro e faça ouvidos moucos à cantilena encantadora dessas sereias. Leia a Odisseia de Homero! No poema épico do século VIII a.C, pode estar a fórmula para livrar-se de apelos dessa natureza.

Ladinos como são, outros também têm feito acenos aos potenciais candidatos da terceira via, com as promessas de sempre e os distratos que lhes seguem.

O que se assiste, até com certa curiosidade, é o pânico, indisfarçável, que, a cada dia, vai tomando conta dos principais postulantes, muito antes da existência real dessa terceira via e da possibilidade dela vir a retirar-lhes o chão sob seus pés. Não será surpresa se, nessa marcha da insensatez, os movimentos que vão se alternando nas ruas, apoiando esses nomes da esquerda e da direita, vierem a se encontrar numa esquina que dá para uma rua sem saída e, por ação da razão, enxerguem que estão sós e sem alternativas, e com isso baixem as bandeiras.

A frase que foi pronunciada:

Cuba foi sustentada pela URSS, saqueou Angola, sugou o que pôde da Venezuela e passou 14 anos parasitando o Brasil. A crise cubana tem uma explicação simples: Com a falência da Venezuela e a queda de Lula, acabaram os hospedeiros.”

Dárcio Bracarense (@darciobraca), no Instagram

Para alma

Assinado pelo Comandante Geral dos Bombeiros, Cel William Augusto Ferreira Bomfim, o convite eletrônico para a live da Banda de Música do Corpo de Bombeiros Militar do DF, dia 28 às 20 h. O concerto será transmitido da Academia de Bombeiro Militar no Setor Policial Sul. Veja a seguir.

* Cartazes publicados nos histories do perfil oficial do CBMDF no Instagram

Transparência

Veja como o QRCode e o código de certificação digital, além do voto impresso, podem garantir uma eleição limpa. Pessoas com fé pública na conferência dos votos e a apuração imediata, sem transporte dos dados antes de aferidos. Isso sim é democracia. Ideia publicada no tik tok. Veja a seguir. Dia 1º de agosto, às 9h, presença pelo voto impresso no Museu da República.

 

Novo script

Saiu, no Diário do Poder, uma matéria de forma diferente das mesmas notícias, onde só apareciam com o lado negativo. “O Brasil superou nesta quinta-feira a marca de 7 milhões de pessoas curadas da Covid, o que representa 97,24% do total de casos encerrados”.

Foto: divulgação

História de Brasília

Ninguém pode dizer que o governo do sr. Jânio Quadros tenha sido proveitoso para o Brasil, mas autoridade, êle tinha, e ninguém se atrevia a insistir quando êle dizia não. (Publicado em 04.02.1962)

A nudez da verdade

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Charge do Duke

 

Só resta agora o presidente Jair Bolsonaro deixar-se imbuir pela luz do juízo e da razão e vetar, radicalmente, a indecente, para dizer o mínimo, proposta dos partidos com assento no Congresso de triplicar o valor do fundo eleitoral, elevando esse montante para o escandaloso patamar de aproximadamente R$ 6 bilhões. A insensibilidade e o distanciamento dos partidos e dos políticos com os problemas da nação já é um fato mais do que reconhecido pelos eleitores, e não é raro que esses personagens da nossa trágica e farsesca República surpreendam a população brasileira com medidas desse naipe, frontalmente em desacordo com as expectativas dos cidadãos.
Em atendimento ao que parece ser um desvirtuado e recorrente comportamento moral, onde a ganância e a esperteza são as características maiores, nossos representantes, mais uma vez, sem qualquer sentimento minimamente vexatório, sacam do bolso do colete, e na última hora, o valor exorbitante de uma conta que acreditam merecer pelo labor de entregar à nação, um arremedo de democracia.
De fato, não há limites possíveis àqueles que não se deixam permanecer pelas balizas da ética. É o vale tudo. Para aqui dizer pouco. Conhecendo muitos daqueles que, hoje, ocupam as cadeiras do nosso Parlamento, não causa espanto, para ninguém, que tenham eles, embutido, mais uma vez, em meio à fictícia Lei Orçamentária Anual, os custos do Fundo Eleitoral turbinado, bem como os valores a serem despejados no ralo das três dezenas de legendas, pelo fundo partidário, tudo isso, obviamente, somados aos valores pagos obrigatoriamente, pelo Tesouro, às emendas parlamentares.
Não é por outra razão que multiplicaram o número de partidos, num verdadeiro festival de legendas, sem programas objetivos ou estatutos decentes, a grande maioria transformada em empresas privadas lucrativas a viverem à sombra e à tripa-forra dos cofres públicos. Não há negócio nesse mundo mais rendoso e seguro do que dominar uma sigla partidária no Brasil de hoje. Que o digam os presidentes dessas agremiações, e seus principais caciques, todos absolutamente ricos ou milionários à custa da viúva dadivosa.
O que chega a causar um certo misto de espanto e indignação é que uma proposta como essa, sem lastro algum dentre as prioridades nacionais, seja espetada nas costas dos contribuintes, em plena temporada de pandemia, quando mais de meio milhão de brasileiros perderam a vida justamente pela falta de recursos e ação no combate à virose e quando ainda se assiste a penúria e a falta de dinheiro público destinado aos hospitais e ao atendimento desses doentes. O que não chega a ser segredo também para nenhum brasileiro é que essa é apenas uma parte da conta que o pessoal do Centrão e outros querem receber para livrar o chefe do Executivo do cerco, que vai se fechando, da CPI. Ao menos é essa a verdade dos fatos que aí estão postos. Uma verdade nua e exposta à luz do Sol para quem quiser ver e enxergar sem tampar os olhos de tanto asco e repulsa.
A frase que foi pronunciada
“Ser honesto, neste país, parece ser imperdoável!”
Repetida por Janaína Pascoal
Foto: odia.ig.com
Foto
Ivan Mattos, voluntariamente, capta imagens dos animais no Zoológico chamando a atenção do público brasiliense para a beleza que está a nossa disposição. Veja no link Zoo Brasília: por trás das lentes.
Foto: reprodução
Antes tarde
Senado do Arizona, nos Estados Unidos, passou um pente fino nas eleições. A auditoria veio tarde. Mas veio.
Presidente Joe Biden. Foto: tercalivre.com
ABCDT
Bom cobrador, péssimo pagador. Assinado pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante, documento informa que quem precisar fazer diálise vai ter que voltar para casa. Motivo: o GDF deve R$ 900 mil para clínicas. Sem o repasse, fica impossível atender as centenas de pacientes do SUS. A situação é crítica!
Foto: jornaldebrasilia.com
Muda já
Questão de segurança é a resposta mais absurda dos bancos que não querem entregar, aos correntistas, a quantia pedida. Se um ladrão quiser R$ 10 mil, pode se preparar para o caixão. A resposta do banco é que, para sacar mais de R$ 5 mil, só avisando antes. Se não tiver cartão e tentar retirar o dinheiro em agência diferente da titular, o total é R$ 2.900. A informação é dada com a face tão limpa que o correntista chega a pensar que está pedindo dinheiro emprestado. Isso precisa mudar.
Charge do Duke
História de Brasília
Moralizadora a portaria do desembargador José Colombo de Souza determinando a gratuidade dos casamentos civis em Brasília. (Publicado em 04.02.1962)