Maturidade e eleição

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Charge do Cazo

Com a maturidade, forçada pela ação inexorável do tempo, vem a necessidade natural de reflexão sobre os fatos da vida, passado, presente e futuro. Chega então o momento em que é necessário pensar em tudo, até para dar qualquer passo adiante. Deveria, para nosso próprio proveito, ser assim também com relação às eleições e, principalmente, com os eleitores. A reflexão do eleitor, sobre aqueles que se apresentam para disputar cargos, é fator de bem-aventurança para o país e sua sociedade.

A qualidade do eleitor, sob os mais variados aspectos da formação humana, tem peso direto na qualidade daqueles que irão sagrar-se vencedores nas eleições. Do mesmo modo, mas em sentido contrário, a baixa qualificação dos eleitores produz reflexos, também, nos resultados das eleições, ajudando candidatos que, por sua atuação pretérita, nem deveriam estar listados entre os postulantes.

Com isso, fica patente, entre nós, que a perpetuação de candidatos, reconhecidamente indiferentes às leis e à ética, e que desses requisitos fazem troça, tem sua origem na pouca qualificação do eleitor brasileiro. Dessa forma, não é de se estranhar quando, terminada as eleições, o resultado acaba mostrando que, assim como são os eleitores, são os novos titulares de cargos eletivos.

Um é a cara do outro. O fenômeno da corrupção, tão arraigado entre nós, aproveita desses desvãos encontrados em nossa legislação eleitoral para assegurar sua sobrevida, além, é claro, das ações que serão perpetradas por esses mesmos novos eleitos, modificando as leis vigentes, tornando-as ainda mais frouxas e lenientes, reduzindo e restringindo as penalidades e criando uma série de novas exigências para a Justiça cumprir seu papel.

A confecção de leis para desarmar as penalidades contra a corrupção é também obra do eleitor pouco qualificado. Em suma, é o eleitor o responsável por eleger aqueles que, lá na frente, irão fazer de tudo para tornar os Poderes da República em valhacouto de maus cidadãos. Trata-se aqui de um tema que, embora delicado e constantemente acusado de elitista, precisa ser debatido a fundo, sob pena de termos que repetir, ad infinitum, erros que custam o futuro de toda uma nação.

A questão de como fazer, de cada cidadão, um eleitor consciente de sua importância para toda a sociedade, é básica e vital. É na brecha, também facilitada por eleitores sem compromisso com a cidadania, que o crime organizado tem empurrado, cada vez mais, seus candidatos para dentro da máquina do Estado, numa infiltração daninha e que custará muito a todos os brasileiros.

É justamente por não poder exigir princípios minimamente éticos dos eleitores na hora de votar que estamos onde estamos. É também por saber que as leis vigentes nada podem fazer contra poderosos, imantados com foro de prerrogativa e outras defesas supremas, que vamos, a cada eleição, recolocando em seus devidos postos aqueles que, num país ideal, deveriam estar por detrás das grades, pagando, um a um, por seus ilícitos.

Os poucos eleitores que ainda se submetem a uma reflexão sincera, sobre a atual conjuntura, sabem que as possibilidades reais de virem a passar o país a limpo em 22 são escassas, se não dificílimas.

Refletir, portanto, sobre as próximas eleições, é um exercício e uma tarefa que somente os muito otimistas estão dispostos a se submeterem. Nada irá mudar no plano político e institucional, enquanto o cidadão e eleitor não mudar, adquirindo maturidade para saber que é ele o responsável por tudo o que está aí e que nos infelicita, a todos, faz tempo.

A frase que foi pronunciada:

Antes de dizer que Brasília é cheia de corruptos, vote direito. Você dá poder a eles com o seu voto. Brasília não tem nada com isso.”

Dona Dita, discutindo com a irmã que mora noutro estado.

Foto: Ana Volpe/Agência Senado

Uma pena

Senador Izalci é daqueles que chegaram em Brasília nos primeiros anos da cidade. Não dá para compreender essa proposta legislativa de ocupar 4 mil hectares com moradias em área de proteção ambiental, uma floresta nacional. De certo, é porque as árvores tortas do cerrado não são belas para algumas pessoas. Mas o subsolo é o berço das águas. O estrago vai ser grande.

Senador Izalci. Foto: senado.leg

Decifras

Notícia da Câmara dos Deputados. Para 2022, emendas individuais somam R$ 10,478 bilhões; as de bancada, R$ 17,850 bilhões; e as de comissões, R$ 84,1 bilhões. No entanto, das emendas coletivas, apenas R$ 5,7 bilhões de emendas de bancada têm execução obrigatória. Bom mesmo seria a população ter um canal interativo e amigável para acompanhar a aplicação dessa verba fabulosa.

História de Brasília

Outro dia os telefones da Estação Rodoviária estavam com cadeado para que ninguém os usasse. (Publicada em 14/02/1962).

A máquina de moer esperança

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Charge do Duke

 

Tal como fazem os ursos, depois de uma longa hibernação no inverno, os proprietários das legendas políticas, aqui no país, vão despertando lentamente, um a um, depois de quase quatro anos em estado de cataplexia profunda, que geralmente ocorre entre uma eleição e outra. Agora partem famintos em busca da manutenção do mecanismo que, mais uma vez, possibilitará a interlocução entre os eleitores e o Estado, de modo a dar continuidade a nossa peculiar engrenagem democrática.
Somente os partidos são autorizados a estabelecer essa ponte entre o cidadão e o Estado, de modo que a eles é conferido todo o protagonismo político que resulta nas eleições. É esse o poder que dá às siglas e aos seus dirigentes um aspecto questionável que extrapola todo e qualquer sentido de cidadania. Os mais de trinta partidos que hoje parasitam o Estado, num autêntico papel de despachantes, utilizam dessa faculdade legal, para, em nome da democracia, auferirem lucros fáceis que depois são rateados entre a cúpula tal como fazem outras empresas privadas.
Eis aqui, em linhas gerais, como funciona a nossa máquina de fazer democracia. O eleitor entra no sistema como matéria-prima bruta a ser processada e refinada pela engrenagem partidária, resultando, adiante, num produto que é a imagem e semelhança da legenda. Muito distante daquilo que desejava o eleitor.
Terminado o pleito, os eleitores, pela falta de um recall, que poderia corrigir falhas desse produto, e que é tão comum hoje nas montadoras de automóveis, é descartado como resíduo ou sucata. Diante de uma situação tão surreal como essa que experienciamos calados, e em que os donos das legendas, mais do que mestres de cerimônia da festa da democracia, se tornam os verdadeiros senhores de todo esse processo, pouco ou nada se pode esperar em termos de evolução e amadurecimento do nosso distorcido modelo de representação.
A questão é saber até quando esse processo enviesado, que coloca a nossa jovem democracia no colo desses velhos magnatas políticos, prosseguirá. O pior é que a nossa jabuticaba, representada pela disléxica Justiça Eleitoral, nada vê de anormal em todo esse processo. E pensar que todo esse degenerado processo eleitoral poderia ser dissipado movendo-se apenas algumas pequenas peças nessa engrenagem perversa. A começar pela possibilidade de eleição com candidatura avulsa, sem vínculos e amarras partidárias. Ou, quem sabe, pela extração de um pequeno parafuso que hoje impede a máquina de cumprir a cláusula de barreira.
Pequenos ajustes nessa máquina de moer esperanças poderiam fazer toda a diferença, como é o caso da introdução da ficha limpa. Melhor ainda seria obrigar todo esse robô gigante a caminhar com seus próprios pés, retirando-lhe as muletas representadas pelo fundo eleitoral e partidário públicos. Talvez, quem sabe, por meio de uma profunda reforma eleitoral, fossem criados apenas quatro partidos com assento no Congresso, distribuídos entre esquerda, direita, centro-esquerda e centro-direita.
São ajustes que o eleitor consciente gostaria de ver implementados, dando um basta definitivo nessa pantomima, que faz das nossas eleições uma festa apenas para os dirigentes partidários e seus grupos.
A frase que foi pronunciada:
“É preciso exigir a democratização dos partidos políticos, porque eles são oligarquizados, constituem propriedade de grupos ou pessoas que lá estão há anos, conhecem todos os segredos partidários e não respondem aos militantes de base. Nossos partidos políticos não são democráticos.”
Roberto Romano
Foto: Antoninho Perri / Unicamp
Torto
Daqui a pouco, chegam as chuvas, e a Rua dos Eucaliptos, na Granja do Torto, está sem conservação na jardinagem. Com as copas das árvores baixas, à noite, a visibilidade é péssima para os pedestres e motoristas, que andam sempre com temor.
Foto: cidadestransbordadas.jaca.center
DER
Não há a menor razão para que moradores das primeiras quadras pares do Lago Norte sejam impedidos, por piquetes, de fazer o primeiro retorno, calculado e projetado para isso. Ter de dar a volta, todos os dias, depois do posto de gasolina, é a coisa mais sem nexo que pode acontecer no início das manhãs.
Reprodução: Google Maps
Bom humor
Por falar nisso, o administrador do Lago Norte, sempre em sintonia nas mídias sociais, é chamado pelos moradores de Marcelo Trator Ferreira.
Cuidado
Golpistas atacam clientes do Banco do Brasil. Perguntam se reconhecem ou não a compra. Com a orientação de que liguem novamente para o 0800 do BB, número atrás do cartão para ter segurança de que se tratava de uma ligação idônea. Um protocolo foi dado ao cliente. Ligação feita, a telefonista confirmou todos os dados que tinha, sem pedir nenhuma informação do cliente. Falou da mesma compra não reconhecida e pediu que o cliente digitasse o número do cartão, o que foi feito prontamente. Pediu para digitar a agência e conta. Como o extrato foi consultado pelo cliente no celular que não viu a suposta compra não feita, a desconfiança o impediu de continuar. Escapou.
Charge do Thyagão
História de Brasília
Lamentável, isto sim, é o hospital. Mal construído, sem obedecer a técnica de arquitetura hospitalar (opinião dos técnicos) pouco ou quase nada pode oferecer. (Publicada em 13/2/1962)

A não ser que…

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 

Atualmente, nada nem ninguém está tão firmemente posicionado ao centro do espectro da política nacional como o ex-juiz Sergio Moro. Mesmo que decida não concorrer ao pleito de 2022, a posição central ocupada hoje por Moro, mais do que um fenômeno natural, devido a sua capacidade de caminhar sempre entre os trilhos da sensatez, é dada por um sintomático movimento de ódio, que move e une tanto as esquerdas, capitaneada por Lula da Silva, quanto a direita, simbolizada por Bolsonaro. Todos odeiam Moro. Basta uma simples menção ao seu nome para uma hipotética corrida ao Planalto, colocado sempre por terceiros, para que as redes sociais fiquem inundadas de posts com críticas, ameaças e todo tipo de impropérios. Ao contrário do que muitos podem pensar, esse é um bom sinal, pronto a capacitar o ex-juiz como um nome firmemente habilitado para ocupar o centro político ou, como alguns preferem, uma terceira via.
O problema dele se resume à falta de experiência para se colocar diante do tenebroso jogo político nacional. Essa inexperiência, diante do que temos, em fartura, no cenário nacional, soa quase como inocência e pureza. De fato, caso venha a concorrer contra os atuais falastrões de uma ponta ou outra da política, o ex-juiz poderia ter pouca chance diante desses prestidigitadores, pelo fato de ser um jogo bruto, em que a ética foi chutada para longe, ganhando sempre quem manipula melhor o nosso mal preparado eleitor.
Não há espaço para a ética quando aqueles que disputam estão entre o ruim e o péssimo. Não há espaço para Moro nessa disputa a não ser que… A não ser que haja um saneamento profundo nas campanhas, capaz de animar a parcela da população que vota com a cabeça, e não com o fígado. A tese ou feitiço de que Lula elegeu Jair e Jair vai eleger Lula não pode ser quebrada nesse momento, a não ser que… A não ser que a jabuticaba, representada pela Justiça Eleitoral, venha a público dizer a que veio em interdite candidaturas flagrantemente fichas-sujas.
De fato, não parece haver espaço para todo e qualquer candidato que exiba currículo limpo e proposta de governo séria e exequível. Sergio Moro, ao contrário do Centrão, com quem tanto Lula quanto Bolsonaro gostam de dividir o poder, é odiado por uma boa parcela que habita tanto essa bancada quanto por alas da esquerda e da direita, porque ele, quando juiz, mandou essa gente toda para detrás das grades, julgando, processando e condenando a maior e mais ladina quadrilha de corruptos que por essas bandas surgiu desde a chegada de Cabral, em 1500.
Quem não gosta de Sérgio Moro e quer vê-lo longe de uma possível disputa à Presidência em 2022 teme pelo futuro e pela volta da Justiça ao Estado. Quem dele quer distância treme só de pensar que, a qualquer momento, de preferência pela manhãzinha, a Polícia Federal seja novamente vista pelo olho mágico da porta de casa, fazendo sua visita matinal e ajudando a limpar o país desses criminosos. Tudo isso seria muito difícil de acontecer novamente, a não ser que … você queira.

A frase que foi pronunciada:

“Não importa quão alto você esteja. A lei, ainda está acima de você.”

Ditado cotado pelo ex-juiz Sérgio Moro ao condenar Lula a nove anos e meio de cadeia.
Imagem: oantagonista.com
Mudanças
É preciso ter certeza de que o consumidor terá garantias em relação à energia livre. Certo é que o mercado livre de energia é tema de projetos parlamentares e de manifestação popular. O que se quer é a negociação do preço, quantidade, prazo e até qual seria a fonte de energia fornecida. Tudo em contrato prévio.
Charge do Cazo
Doenças raras
Hoje começa o Congresso de Doenças Raras, com especialistas brasileiros, de Argentina, Portugal, Estados Unidos, Inglaterra e Paquistão. Veja os detalhes no link 1º Congresso Nacional de Doenças Raras.
Frenético
Matéria de capa da edição dessa terça-feira, do CB, exibe o que parece ser o comportamento padrão de muitos motoristas no trânsito infernal que tomou conta das ruas da capital. O perigo anda de carro e é preciso toda a atenção e calma diante das barbeiragens que ocorrem a cada momento. A recomendação dos especialistas é para as pessoas cederem a vez nos engarrafamentos e fugirem dos bate-bocas inúteis e imprevisíveis.
 
Fim de uma era
Alerta dado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a mudança, com redução no consumo de derivados de petróleo, prevista para as próximas décadas, fará empresas, como a Petrobras, perderem muito de seu valor, por causa de um avanço nas tecnologias, tudo dentro de um processo irreversível de descarbonização do mundo.
Charge do Kleber
História de Brasília
É um vasto prédio, próximo ao Alvoradinha. O equipamento de ar-condicionado está jogado sob os pilotis. Todo o equipamento para funcionamento está abandonado, entulhado nos apartamentos. (Publicada em 13/2/1962)

Novos registros da história do Brasil

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Foto: jovempan.com

 

Sejam quais forem os desdobramentos, na esfera judicial e penal, que o Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, CPI da Covid, venha a ter num futuro próximo, um fato é indiscutível: todas as acusações apontadas ali merecem desdobramento e atenção. Destarte, ficará esse documento, a despeito ou não de ter sido elaborado por políticos em desacordo com a condução do atual governo, como uma página triste de nossa história recente.

Para aqueles que possam duvidar do surrealismo dessa peça da nossa realidade, tamanhos seus relatos, ficam aí os mais variados registros de imagens e sons que comprovam um comportamento discutível diante de uma situação de calamidade que vinha num crescendo e que acabou por engolir mais de seis centenas de milhares de mortos. Em países sérios, onde a lei está acima de todos indistintamente, bastariam os depoimentos finais de familiares na CPI, para que providências institucionais fossem adotadas de imediato.

Há que ser confessado nesse episódio lamentável: falharam todos os órgãos do Estado ao permitirem que a mortandade chegasse aos níveis que agora temos e, com eles, todos os Poderes da República, ao fecharem os olhos para a ceifadeira de Caronte. Encastelada em suas fortificações no Olimpo da Praça dos Três Poderes, toda a augusta elite do Estado assistiu, de camarote, a açougagem dos sans-culottes, segundo relatórios médicos. Por certo, as mais de mil páginas reunidas no volumoso relatório final da CPI da Covid, mais do que serem jogadas na cara do futuro candidato à reeleição, serviram, interna e externamente, para reforçar negativamente o perfil do atual governo que, aceitem ou não, continua aclamado pela população.

Infelizmente, esse documento servirá também como munição para personagens como o ex-presidente e ex-presidiário Lula da Silva, na sua cruzada insana para voltar ao governo e mergulhar, de vez, todo país no inferno que vive desde a redemocratização. Nesse sentido, tem culpa também, nessa mortandade, os eleitores desses governos, ao colocarem seus interesses pessoais e inconfessáveis como argumento para o voto em candidatos que, inegavelmente, deixaram, atrás de si, a terra arrasada, famílias enlutadas, cofres vazios, empobrecimento da população e outras catástrofes e flagelos humanos.

Ao documento final dessa última CPI de 2021, vêm se juntar outros relatórios, também enciclopédicos dos crimes contra o país, como a CPI do PC de 1992; CPI dos Anões de 1993; CPI dos Bancos de 1999; CPI do Judiciário de 1999, CPI do Narcotráfico de 1999; CPI do Futebol de 2000; CPI dos Bingos de 2005; CPI dos Correios de 2005; CPI do Mensalão de 2005; CPI do Cachoeira de 2012. Páginas e páginas infelizes da nossa história.

A frase que foi pronunciada:

Neste momento, estou comovido com a sensação de não poder fugir a uma assunção de responsabilidades para com a nação, acreditando que lhe corresponde uma assunção de responsabilidade coletiva semelhante.”

Giorgio Napolitano

Giorgio Napolitano. Foto: Massimo Percossi/Agência Lusa/direitos reservados Internacional

Consome dor

Um reajuste de 11% nas contas de energia não corresponde com o serviço prestado. Numa das áreas de IPTU mais caro da cidade, a queda de energia é constante. Para a Associação dos Moradores do Trecho 9, os chamados só são atendidos quando todos se unem e registram um protocolo. A situação está ficando insustentável.

Esperança

Vamos ver se, com a recente inauguração do novo Centro de Operações Integradas, a Neoenergia melhora o atendimento. Agora, há equipamentos de primeira linha para auxiliar, numa central, o monitoramento, para antecipar o serviço em caso de interrupção de energia.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Mão na massa

Não são os mendigos que incomodam. São os impostos que pagamos e não vemos aplicados em serviços como contrapartida. A falta de política pública para quem tem saúde para trabalhar, para os deficientes sem amparo, para as crianças em situação de vulnerabilidade é o que faz com que pessoas com potencial precisem implorar por comida. Não nos acomodaremos vendo essa situação voltar à capital.

Para pensar

Recebido um protesto pelo WhatsApp. Quem grava se diz neto de um circense. Muito contrariado com o uso da palavra palhaço e circo, tanto pelos políticos quanto por nós, jornalistas na CPI do Covid. Vale ver. Assista o vídeo a seguir.

História de Brasília

Já chegou a Taguatinga a patrulha de pavimentação, para concluir a ligação daquela cidade satélite com a estrada Anápolis – Brasília. (Publicada em 10/02/1962)

A bruxaria dos marqueteiros políticos

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Ciro Gomes e João Santana: o marqueteiro fará a campanha do pedetista em 2022.                      (Twitter/Ciro Gomes/Reprodução)

 

Capazes de transformar água em óleo e de fazer um jumento subir a rampa do palácio com faixa verde amarela, os grandes marqueteiros do país ganharam fama internacional depois da redemocratização do Brasil, tanto por sua expertise nas artes ilusórias das campanhas como por suas capacidades de contornarem quaisquer fronteiras da ética profissional, sendo, por isso, requisitados por nove em cada dez mandatários da América Latina.

Lá, como aqui, o vale tudo e as práticas desonestas são permitidas, quando o que está em jogo é a eleição ou reeleição desses típicos governos. O nosso país passou então a exportar o jeitinho brasileiro de fazer campanha política, ensinando, lá fora, as melhores e mais ardilosas maneiras de esticar a corda e vender gato por lebre. Com isso, não tardaram também, o aparecimento de grandes escândalos políticos, tal como ocorria no Brasil, envolvendo esses profissionais da mídia, seguindo os mesmos esquemas montados aqui e que rendiam uma enxurrada de votos a seus clientes.

A receita era simples: grandes empresas, cooptadas pelos governos, em troca de obras públicas superfaturadas, bancavam tudo, até mesmo os gastos mais inusitados, em troca de outros bilhões que viriam, indiretamente, dos próprios eleitores contribuintes ludibriados. Eram tão parecidas as práticas criminosas que até uma grande empresa brasileira, que recentemente tratou de mudar de nome, para não prejudicar seus negócios, e que esteve envolvida, até ao pescoço, com a Operação Lava Jato, era usada para entrar de sócia no estelionato eleitoral.

Dinheiro sujo, por inércia, só pode eleger candidatos também sujos, dispostos a vender a mãe para galgar o poder. Não surpreende que, nesses últimos anos, tanto o Brasil como muitos países vizinhos tiveram a má sorte de eleger presidentes que, para dizer o mínimo, deveriam exercer o cargo diretamente dos presídios.

O mal que esses profissionais da propaganda política fizeram ao país e ao continente, enganando eleitores, enfraquecendo as democracias e levando muitas nações vizinhas ao colapso político, social e econômico, por certo, não poderá ser esquecido, compondo hoje uma das páginas mais sombrias e desonrosas da história dos nossos tristes trópicos.

Ao contrário do que se sucedeu no Brasil, onde nossa jabuticaba, representado pela Justiça Eleitoral, criada para aliviar e vetar quaisquer penalidades aos políticos locais, em parte da América Latina, alguns tribunais cuidaram de processar e punir os candidatos fabricados pelos mágicos da propaganda, bem como seus financiadores, inclusive a grande empresa brasileira onipresente em boa parte dessas tramoias.

Por essas bandas, os mesmos candidatos, useiros e vezeiros dessas práticas bandidas estão aí de volta, leves e soltos. Com a ficha corrida ou, como se diz no jargão policial, com a “capivara” limpa. Surpreende que, com toda essa engenhosidade, esses marqueteiros milagrosos não lograram alcançar o que seria mais simples, que é devolver, aos partidos e a seus candidatos, a tão necessária credibilidade. Pelo contrário, o uso desmedido de propaganda enganosa nas campanhas, difamando e injuriando adversários, obteve como resultado apenas um maior afastamento dos eleitores e um descrédito total com relação aos políticos.

Essa crise de identidade entre os partidos e os eleitores persiste, apesar dos bilhões de reais gastos em propaganda. O que parece é que quanto mais os partidos gastam em propagandas, mais os eleitores se mostram ressabiados e ariscos. Não se pode iludir por muito tempo toda a opinião pública. Um dia, os fatos podem vir à tona e tudo desmoronar para sempre.

É sabido que políticos assim como todo o homem público, uma vez caído em desgraça perante a população, apanhando em falcatruas e outras travessuras, dificilmente volta a recuperar a antiga credibilidade. Para a maioria das mais de três dezenas de legendas políticas, que hoje orbitam de modo parasita o Poder Legislativo, não houve, até hoje, mandingas e outros feitiços, elaborados por esses bruxos do marketing, capazes de aproximar, de novo, a população dessas agremiações e, principalmente, desses políticos, que fazem, da representação popular junto ao Estado, um negócio polpudo para si e para os seus.

A situação chegou a um tal paroxismo que, quanto mais dinheiro entra nos partidos e nos bolsos dos seus caciques, mais a população toma distância dessa gente. A verdade é que, para muitos desses atuais caciques políticos, pouco importa o que a população e os eleitores pensam e sentem com relação a eles. Desde que consintam que os partidos aumentem, a cada eleição, os recursos para fundos partidários e eleitorais e para as emendas de bancada, individuais e de relatores e outros benefícios, pouco importa o que a justiça eleitoral denomina de eleitores.

Ocorre que esse toque de Midas, capaz de transformar tudo em ouro, inclusive a dignidade, nas mãos dos políticos, vai se transformando numa espécie de maldição, fazendo com que tudo o que eles ponham a mão, transforme-se em ouro de tolo, cheio de ferrugem e veneno, afastando, imediatamente, todos os cidadãos de bem.

A frase que foi pronunciada:

“Pelo andar da carruagem, o isolamento político de Guedes é um excelente sinal.”

Dona Dita

Charge do Kleber

Elas

Sobre os absorventes higiênicos, agora é a hora certa de Bolsonaro ouvir as feministas. Nada de objeto que faz mal ao meio ambiente. Para as feministas, e isso será uma boa economia, as toalhinhas devem voltar.

Foto: Reprodução/Instagram

História de Brasília

Há um ano, aproximadamente, falamos na numeração das quadras da W-3, e houve a promessa de que isto seria feito. Chegou-se a fazer um estudo procurando corrigir anormalidades, que tiveram resultados excelentes. (Publicada em 10/02/1962)

Criando corvos

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Charge do Cícero

 

Não fosse o dinheiro suado dos pagadores de impostos, subtraídos de forma compulsória, por um Estado perdulário e um dos campeões do planeta no quesito alta carga tributária, as mais de 30 legendas partidárias que hoje parasitam o Poder Legislativo, tornando a nossa democracia uma das mais caras e ineficientes do mundo moderno, teriam vida curta ou nem mesmo nos dariam o desprazer de existir. Em outras palavras, os nossos partidos existem, simplesmente, porque lhes são franqueados boa parcela de recursos públicos. Sem essa dinheirama, contabilizada em bilhões de reais, não teríamos essa baciada de agremiações políticas que agem exatamente como clubes de argentários, no mais estrito modelo de empresa privada.

Apenas por esse aspecto sui generis, podemos inferir que a representação política, tão necessária para a manutenção do chamado Estado Democrático de Direito, realizada por meio de partidos sustentados, exclusivamente, com verbas públicas, resultam, na verdade, numa espécie de democracia do tipo estatal, tutelada pelo Estado, graças aos cofres públicos. Em outro sentido, pode-se entender que, por essa fórmula, o que os brasileiros têm em mãos para representá-los no parlamento, em todos os níveis, municipal, estadual e federal, são empresas típicas do Estado, que, ao contrário de muitas, não necessitam adotar regras de compliance ou mesmo prestar contas, aos contribuintes, dos recursos que arrecadam e dos gastos que empreendem.

A questão, nesse caso, é como alcançar uma verdadeira democracia, com igualdade de oportunidade, sabendo-se que a ponte que liga o cidadão ao Estado é inteiramente construída e alicerçada com os recursos retirados à fórceps do cidadão. Pior ainda do que ter partidos que muito se assemelham a típicas estatais, sempre bancadas pela viúva, é verificar que toda essa fortuna, carreada para as legendas, é administrada por grupos instalados dentro da máquina partidária, cuja a única função é praticar a matemática engenhosa da prestação de contas. Esse, inclusive é um outro capítulo vergonhoso do nosso sistema partidário, que por omissão e pouco zelo dos tribunais eleitorais, tornam as contas partidárias uma ficção que é submetida a infinitas manobras contábeis para fazer o dinheiro desaparecer no sumidouro da burocracia. Com isso, vale a expressão espanhola: %u201Ccriamos corvos para que eles nos arranquem os olhos.

Quando surgiu como uma força nova dentro do cenário político do final dos anos 1970, o Partido dos Trabalhadores empolgava a oposição ao regime pelo fato de obter seus recursos diretamente da população, por meio de vaquinhas, venda de camisetas e churrascos e outros meios originais e absolutamente transparentes. Essa era a força que mantinha esse partido bem ao gosto popular. Esse tempo amador, mas autêntico, vai longe, bem longe. Hoje o PT, como de resto todas as demais legendas, vive à sombra do Estado, devidamente azeitado com verbas bilionárias, fechados em si mesmos, distantes da população, hoje, chamada apenas pelo nome genérico de %u201Cbase%u201D. Fenômeno semelhante parece ter ocorrido também com os clubes de futebol.

Antigamente, era comum falar-se em amor à camisa. Eram tempos de inocência no futebol. Os times viviam praticamente dos recursos obtidos das bilheterias dos jogos. Por esse critério, o desempenho no campeonato e a boa performance contavam muito para atrair o público. Só os bons times, bem armados e treinados sobreviviam aos torneios. Esse também são tempos que já vão bem longe. Seguidas pesquisas mostram que dentre as instituições do país, aquelas que menos gozam da simpatia e da confiança dos brasileiros são justamente os partidos e seus respectivos políticos. Por aí, pode-se ver que não é o dinheiro que torna pessoas, empresas e instituições em algo respeitável e aceita pela população. Entre as coisas que o dinheiro não é capaz de franquear, uma das mais importantes, é a respeitabilidade e sua consequência direta representada pela credibilidade. Se o financiamento público, como afirmam muitos, é necessário para afastar a influência interesseira das empresas privadas, por outro lado a abundância de recursos e a sede como os políticos se atiram ao pote dos financiamentos públicos tem trazido mais prejuízos do que benefícios para o aprimoramento da democracia brasileira.

A perda paulatina e ininterrupta da confiança popular, como bem demonstram pesquisas recentes de opinião pública, jamais poderão ser contornadas com a entrada de bilhões nos cofres das legendas. Nem todo o dinheiro do mundo em propaganda seria capaz de reverter a perda de credibilidade que parece ter tomado conta dos partidos e de seus respectivos membros. Um sinal de que o dinheiro não pode tudo, é que a cada eleição aumenta o número de eleitores que simplesmente deixam de comparecer ao pleito, desencantados com nosso modelo artificial de fazer política representativa. Há inclusive estudos que mostram que, não fosse a obrigatoriedade do voto, inscrito na lei, muitos eleitores só saberiam que é eleição por se tratar de um feriado. Ao deixar de sobreviver com as contribuições diretas dos filiados e simpatizantes, os partidos políticos começaram a cortar o cordão umbilical com a sociedade que afirmavam representar.

Ao adquirirem a independência econômica, muito acima das necessidades, essas mesmas legendas se apartaram de vez da população, de quem só dependem efetivamente a cada quatro anos. Apoio efetivo só mesmo daqueles que trabalham diretamente nas campanhas e esperam recompensas. Há uma crise dos partidos que parece só ser vista por aqueles que estão do lado de fora e que é formada pelo grosso da população. Nem mesmo os mais caros e criativos marqueteiros de campanhas políticas de todo o país chamaram a atenção para esse importante fato, dando novo rumo às campanhas.

Em se cavando crimes, minhocas surgem

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Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado.

 

Não se engane: qualquer Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que venha a ser instalada no Legislativo, e que tenha como objetivo investigar, com seriedade, qualquer questão relativa ao governo, à política, às finanças, ou o que quer que seja que diga respeito ao Brasil, tanto no presente como no passado, tem potencial imenso para desvendar novas e engenhosas ilicitudes.

Onde quer que se cave nesse país, haverá de ser encontrado vestígios e cadáveres a revelar um gigantesco submundo que parece se estender pelos subterrâneos do Estado. Basta escolher o tema ou o assunto, que as revelações hão de vir à luz. No momento, a Comissão em andamento no Legislativo, denominada CPI da Pandemia, e que visa revelar os desvãos por onde bilhões de reais do dinheiro público se esvaíram com a compra superfaturada de vacinas ou apenas com a promessa de aquisição desses medicamentos, vai produzindo seus resultados ao revelar um esquema poderoso envolvendo empresas de fachada, inclusive bancos, todas elas de olho no mercado farto da compra emergencial e tardia de vacina em plena pandemia.

É o poder do dinheiro e da esperteza no mercado da vida e da morte. Entra nesse comércio sem lastro ético, apenas como número e estatística, a quantia de 600 mil mortes, a grande maioria, vítima de um sistema que envolve figuras do governo e empresários gananciosos e desumanos.

No final dos trabalhos dessa CPI, que já foi prorrogada uma vez e que poderia, por seu potencial revelador, ser mais uma vez esticada para o infinito, é esperada a elaboração de um calhamaço em forma de relatório, que contará mais uma pequena porção dessa nossa história feita de infâmias e onde a população é sempre a vítima. Há, nesse terreno fértil, formando por 8,5 milhões de quilômetros quadrados, espaço suficiente para ser escavado, donde se pode encontrar veios a desvendar nossos descaminhos históricos. E não é só no âmbito do governo e do Estado que qualquer investigação séria pode nos levar a revelações do cometimento de crimes diversos.

Veja o caso do nosso empresariado, principalmente os de maiores portes, que no governo petista se juntaram para saquear as estatais, sob orientação do próprio governo, que escancarou as portas de empresas como a Petrobras para que fosse completamente depauperada.

Para onde quer que se volte o olhar, há chances reais de vermos como continuamos, depois de cinco séculos, sendo constantemente pilhados. Invente-se um tema, por exemplo, o índio ou a grilhagem de terras e teremos outro calhamaço de denúncias a serem apuradas. Relativamente ao meio ambiente e aos crimes que acontecem num ritmo acelerado, as denúncias renderiam CPIs diversas e prolongadas.

O mesmo com relação à saúde. Com relação ao desvio de recursos pelos governadores durante a pandemia e que a atual CPI do Senado resolveu não apurar. Outro exemplo de assunto que renderia uma boa Comissão Parlamentar de Inquérito é com relação ao pagamento de precatórios, que são recursos que o Estado deve a parcelas de sua população e simplesmente deixa de pagar e fica por isso mesmo. Todo e qualquer tema poderia render uma CPI.

O problema é que, depois de encerrados os trabalhos dessas Comissões e elaborado o relatório final, que é enviado à Procuradoria Geral da República e ao Ministério Público para que adotem as devidas providências, o caso passa a ser submetido a uma espécie de peneira, onde os figurões da República, dotados ou não de foro de prerrogativa, são deixados de fora dos inquéritos, restando o indiciamento dos peixes pequenos. Para aqueles integrantes da elite do Estado ou do empresariado que não conseguiram escapar de um primeiro cerco da justiça, resta a opção de recorrer ao Supremo, onde a prescrição ou a absolvição é o final mais comumente ajeitado.

A frase que foi pronunciada:

A sopa é para a infância assim como o comunismo é para a democracia.”

Mafalada

clubedamafalda.blogspot.com

Mobilidade

Alguns prédios residenciais das 400 e as construções das entrequadras, onde salas comerciais funcionam como moradia, precisam de elevador. O direito dos idosos de ir e vir, subindo lances de escada, é proibitivo.

Reprodução Google Maps (2020)

Escuro

BR 080, na altura da divisa com Padre Bernardo, está sem iluminação. Há um intenso trânsito de caminhões à noite, um perigo para os motoristas.

Reprodução Google Maps (2019)

Perigo

Falta de manutenção no metrô deixa passageiros a pé. Nessa segunda-feira, o Metrô do DF deixou seus passageiros à deriva. O veículo descarrilou e os passageiros tiveram que andar pelas beiradas até a próxima estação.

Foto: material cedido ao Correio

História de Brasília

Estes episódios tiveram como cenário o Rio de Janeiro, o governador é o sr. Carlos Lacerda, o Ministro é o sr. Alfredo Nasser. E os nomes dos terroristas leia, por favor, na seção de polícia. (Publicada em 08/02/1962)

Patriotismo sem ética

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 

Caberá à História, no seu tempo próprio, repor, em seus devidos lugares, os muitos erros perpetrados por políticos, ministros e magistrados contra o ex-juiz Sérgio Moro. A única questão aqui é saber se isso ocorrerá ou não a tempo de corrigir os danos causados ao magistrado de Curitiba, por ter ousado enfrentar os mais poderosos grupos instalados nas mais altas esferas do Estado.

Num país em que tradicionalmente as punições da Justiça são aplicadas em doses inversamente proporcionais ao status do acusado, não surpreende que aqueles que deveriam estar sob a camisa de força apertada de réus enverguem, agora, a fantasia de promotores e de impolutos republicanos. De fato, mesmo depois de “cancelado” e moído pela máquina perversa de um Estado dominado, de alto a baixo, a sombra do ex-juiz ainda amedronta e causa calafrios aos corruptos e malfeitores de todos os calibres, perturbando-lhes o sono noturno.

Para tanto, é preciso não apenas atalhar-lhe o caminho, mas conceber, de imediato, leis ilegítimas e extrajurídicas, de modo a vetar quaisquer possibilidades de que ele venha a reaparecer, como uma espécie de vingador instalado, no mesmo Palácio do Planalto de onde se retirou, depois de sentir o mal cheiro exalado naquele lugar.

O temor daqueles que têm a ética pública como antípoda é que a população, num rasgo de racionalidade, sagre Moro nas urnas do ano que vem. De que outro modo, então, explicar o afinco com que os próceres da nova direita e da esquerda de sempre tecem, como centopeias, o que chamam, cinicamente, de novo projeto de reforma eleitoral?

Na verdade, de novo esse projeto só possui a astúcia e os mesmos maneirismos espertos, como é tecida à surdina. O novo Código Eleitoral, em tramitação agora na Câmara dos Deputados, ao incluir, na undécima hora, dispositivo que cria uma quarentena de cinco anos para que juízes, militares e promotores possam concorrer às eleições, atende, justamente, aqueles que, por vingança e despeito, querem tirar o ex-juiz do páreo de 22.

Para fugirem das interrogações que viriam, foi proposto até o instrumento maroto de regime de urgência, fugindo do escrutínio das comissões. Ficaria mais adequado, e direto a tal projeto, eliminar, logo de saída, toda a possibilidade de candidatura de uma possível terceira via, que venha a ameaçar as pretensões de Bolsonaro e de Lula para o próximo ano.

Experienciamos tempos estranhos e adversos, contrários ao bom senso e aos mais comezinhos conceitos de ética e de República. Fala-se muito em patriotismo, mas esquecem que essa é uma premissa que vem somente depois de respeitados todas as exigências impostas pela ética. Patriotismo sem ética refere-se apenas a um lugar onde podem amaciar-se, com segurança, os de sempre. Do mesmo modo que falar em retorno do lulopetismo, para salvar o país e suas estatais da sanha privatista, soa como escárnio e pesadelo.

O que acontece ao ex-juiz Sérgio Moro já aconteceu na Itália com o ex-juiz Antonio Di Pietro e também com o ex-juiz espanhol Baltasar Garzón. Todos vítimas daqueles que deveriam estar condenados e presos, mas que, por um estranho fenômeno que parece pairar sobre todos nós de ascendência Latina, dá, aos poderosos e aos seus grupos, o cetro da lei e, aos operadores legítimos da Justiça, o opróbrio e a desfeita.

A frase que foi pronunciada:

A Suprema Corte decidiu que eles não podem ter um presépio em Washington, DC Isso não foi por motivos religiosos. Eles não conseguiram encontrar três homens sábios e uma virgem.”

Jay Leno

Jay Leno. Foto: Getty Images

Erramos

Na coluna de ontem, ENE foi escrito ENEM. Só o título estava certo. Nossas escusas aos leitores.

Curiosidade

Pergunta de uma leitora provoca curiosidade. Todos os parlamentares que compõem a CPI do Covid já foram vacinados?

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado.

Insistência

Amigo nos alerta sobre manifestação em frente à embaixada brasileira em Praga contra incêndios na Amazônia. Deve ter sido um fiasco porque não ganhou uma linha nos jornais internacionais.

Conectas

Por falar nisso, a Revista Internacional de Direitos Humanos publicou um edital para escritoras negras ou indígenas e paga 5 mil reais para textos sobre questões atuais como pandemia, direitos humanos, povos originários. Veja no link Bolsa de Escrita – 31ª edição da Sur.

Cartaz: conectas.org

Desvio de função

Tem muita hipocrisia sobre a segregação de alunos com deficiência em salas de aula. É impossível uma professora, em uma turma com mais de 30 crianças, dar atenção necessária à criança especial. Nesse caso, a contratação de monitores é indispensável.

Foto: centraldeinteligenciaacademica.blogspot.com

História de Brasília

Isto, porque, se não fôr inaugurada logo, a Novacap construirá a definitiva, na área verde, entre a 108 e 508, e a primeira creche da cidade que entusiasmou o aluno passará para a história como sendo a única creche que não funcionou. (Publicada em 07/02/1962)

Sobre sal e pimenta; política e cidadania

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Charge do Jota. A.

 

Engenhosidades, mesmo as mais básicas, podem, em algumas circunstâncias, constituir elemento de grande valia, sobretudo quando servem para diluir projetos, que, em última análise, iriam prejudicar e complicar a vida da população no longo prazo. O Brasil, por sua formação cultural sui generis e inzoneira, conferiu à nossa gente uma capacidade também única para transformar as influências tanto externas, como aquelas introduzidas pelas elites, em algo inofensivo, de modo a diluir regras e modismos, transformando-as em algo verdadeiramente útil e consumido pela população em geral.
É o nosso jeitinho de encarar o dia a dia adverso e a indiferença secular do Estado em relação a sua gente. Assim é que o jazz, uma modalidade genuinamente norte-americana, foi transmutada aqui em bossa nova, ganhando logo o apoio interno e, posteriormente, o mundo. Por aqui, também, o requintado whisky virou cachaça.
O mesmo ocorre com as grandes marcas e grifes, que podem ser encontradas, fielmente copiadas e a preços camaradas, nas feiras populares de muambas e de contrabando. Regras e leis, por essas bandas, existem para serem desprezadas ou adaptadas aos distorcidos costumes locais. Fôssemos elencar a quantidade de produtos e de outros modismos importados e posteriormente modificados internamente, iríamos verificar que essa é praticamente uma lista sem fim.
Esse é um fenômeno que ocorre no cotidiano das pessoas comuns e espraia-se também por todo o Estado. Se há filas, há aqueles que guardam lugar na fila. Se há burocracia, há os despachantes que conhecem as pessoas certas em cada repartição pública e, assim, a coisa anda. Exemplo maior desse nosso modo de desvirtuar e degenerar tudo pode ser conferido no caso de investigações e condenação de políticos e outros personagens de altos escalões da República.
Para essa gente especial, as leis e punições geralmente não funcionam; e, quando funcionam, não resultam em penalidades. Assim é que, possivelmente, teremos, nas próximas eleições, um candidato recém saído da prisão, condenado nas três instâncias por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e toda uma lista de delitos, disputando, nada menos que a Presidência da República ou o comando da nação. E com chances de vencer, segundo pesquisas.
Em outras paragens, essa seria uma situação impossível de acontecer. Esse nosso jeito de distorcer o mundo e seus costumes a nosso favor faz de nós um modelo a não ser copiado pelo mundo civilizado. Essa tem sido uma receita que cabe somente a nós mesmos, ainda que isso custe o nosso próprio futuro. Somos o que somos porque degeneramos o mundo ao nosso redor.
Os partidos políticos, que em outros países representam o esteio da democracia, por aqui foram transformados em empresas, com proprietários, negócios e lucros, tudo amparado pela União, também transformada em uma espécie de viúva endinheirada e perdulária. Propósitos e orientação ideológica? Nenhuma dessas dezenas de legendas sequer conhecem a existência. Nossa democracia é assegurada justamente por essas agremiações políticas, povoadas de indivíduos cujo único objetivo é extrair o máximo de vantagens econômicas para si e para os seus, numa engrenagem perversa que conta com o apoio de larga parcela do eleitorado, que enxerga, nesse modelo, um reflexo de si mesmo no espelho.
Por certo, a anunciação de uma terceira via política, que poderá vir para resgatar os brasileiros do atraso, tão logo os prognósticos lhe proporcionem alguma vantagem, começará a ser assediada pelos mesmos parasitas, que encontrarão, nesse novo abrigo, um espaço e um modo de desvirtuá-la, transformando-a, também, na mesma farofa insossa e apimentada que temos.

A frase que foi pronunciada:

“Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer.”
Graciliano Ramos
Graciliano Ramos. Foto: Arquivo público do estado de São Paulo
Lembrete
Se houvesse o voto eletrônico e o impresso concomitantemente, tudo funcionaria a contento. Quem esqueceu que durante uma votação na Casa dos representantes do povo apareceu um voto a mais? Sobram argumentos para a segurança do voto impresso ao lado do eletrônico. O que falta é boa vontade.
Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Ajufe
Tímida, mas comovente, a iniciativa da Associação dos Juízes Federais do Brasil que, pela Comissão Ajufe Mulheres, expressou, solidariedade, às juízas que trabalham no Afeganistão. Com várias cenas chocantes no país, onde uma multidão tenta fugir dos talibãs, mães jogaram os filhos pelo muro para os soldados norte-americanos os levarem dali. Momentos como esses nos fazem relembrar que a democracia, com ordem e liberdade, ainda é a melhor opção.
Foto: Instagram/ reprodução

–> Ajufe Mulheres manifesta solidariedade a juízas afegãs

A Associação dos Juízes Federais do Brasil, por meio da Comissão Ajufe Mulheres, emitiu nota pública, nesta quinta-feira (19/08), expressando solidariedade e preocupação com juízas que exercem a função no Afeganistão.

No documento, a Ajufe Mulheres afirma que os incidentes ocorridos recentemente no país “trazem à tona a importância de uma atenta vigilância sobre os limites impostos ao Estado Democrático de direito, para que, assim como no Afeganistão, o futuro para as mulheres não retorne ao passado.”

Leia abaixo a íntegra da Nota:

“A Associação dos Juízes Federais do Brasil, por sua Comissão Ajufe Mulheres, diante dos recentes acontecimentos no Afeganistão, vem a público prestar solidariedade e externar preocupação com as juízas mulheres que exercem a sua função no país.

As agências internacionais informam que há cerca de 270 magistradas que estão em risco por desempenharem uma função proibida para as mulheres pelo regime talibã e, adicionalmente, por terem julgado e condenado membros do regime, que retomou o controle do país.

Tornaram-se vulneráveis, portanto, porque são mulheres e porque exerceram a atividade jurisdicional.

O episódio expõe a fragilidade dos direitos fundamentais sob o comando de forças totalitárias, especialmente para os grupos mais vulneráveis, como as mulheres e meninas, colocando em xeque avanços civilizatórios recentemente conquistados por elas. Do mesmo modo, impõe lembrar que não há Poder Judiciário livre sob as forças de regimes autocráticos.

Os incidentes trazem à tona a importância de uma atenta vigilância sobre os limites impostos ao Estado Democrático de direito, para que, assim como no Afeganistão, o futuro para as mulheres não retorne ao passado.

A Ajufe se une a outras associações de mulheres juízas organizadas internacionalmente para apelar que a ajuda humanitária inclua também a retirada de juízas e juízes, porque “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” (Martin Luther King).”

Brasília, 19 de agosto de 2021.

História de Brasília
Efetivamente, não é função da Caixa Econômica a venda de selos. Mas, em virtude das dificuldades de Brasília, vinha sendo uma tradição interrompida antes do tempo, porque as nossas tabacarias não adotaram a praxe. (Publicada em 7/2/1962)

Ciro: o abre alas para 2022

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Foto: Isac Nóbrega/PR

 

Com a posse concorrida e que lotou o grande salão do Palácio do Planalto, o atual ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, um dos próceres do Centrão, pretendeu, com a solenidade pomposa e desnecessária em tempos de pandemia, mandar um recado ao seu entorno próximo e, quiçá, ao próprio presidente de que doravante haverá, no coração do Poder Executivo, alguém com a caneta e verbas nas mãos, capaz de transformar o que era apenas um tênue projeto político de apoio parlamentar em algo concreto e questuoso.
Em troca, o presidente espera, ou pelo menos alimenta a esperança, que Ciro, além das articulações que promete fazer, aplaine o caminho que poderá levar Bolsonaro à nova vitória em 2022. É nisso que se resume todo esse esforço para trazer o Centrão para dentro do governo. Chega a ser curioso observar toda essa pantomima da política nacional, prevendo, inclusive, seus possíveis desfechos, apenas para constatar o quão nefasto tem sido para o país o modelo de reeleição para cargos majoritários, ainda mais quando se vê no poder alguém que não abdica, um dia sequer, de descer do palanque para governar de fato.
É com essa agenda permanente que o atual presidente mantém, em estado de suspensão, todo o seu governo, vivendo o presente em função do que poderá ser, no futuro, seu próximo mandato. Trata-se de algo surreal e que copia, letra por letra, outros governos que o precederam, como é o caso de Lula, que fazia do seu governo também um vir a ser permanente. Com Ciro, o Executivo, comandado por Jair, não se aproxima do Congresso propriamente dito, como querem fazer acreditar, apenas o torna devedor de uma ala do parlamento, famosa por seu apetite pela estrutura do Estado.
Essa história de que o Executivo e o Legislativo serão, daqui para frente, um só poder, como afirmou o presidente durante a solenidade, não só distorce toda a teoria tripartite dos Poderes como lhe confere um novo propósito de fazer cumprir os desejos de um amplo grupo, formado por indivíduos avessos à moral e à ética pública.
Uma espécie de parlamentarismo de compadrio, em que as responsabilidades e os papéis de cada um com a coisa pública são diluídos e inexistentes. Um arremedo de república. Resta saber em que consistirá a tal articulação que será feita pelo chefe da Casa Civil. Se for parecida com a que era realizada nos tempos dos governos petistas, estaremos vendo a repetição de equívocos que deu no que deu.
Também não é possível saber o que quer dizer a expressão “a democracia é líquida e certa”, dita pelo empossado, ao garantir que está nessa nova posição apenas para zelar por sua manutenção. Para aqueles que ainda tinham dúvidas sobre o exato papel que caberá ao ministro no governo, o próprio Ciro não escondeu que sua missão será a de conduzir o país às eleições do ano que vem. “Temos agora, até o final do atual governo, um período que conduzirá às eleições de 2022. E é nosso dever preparar o país para chegar às eleições da forma certa, com a economia no rumo certo, com a política ajustada da maneira certa, com a vacinação garantida e certa para todos os brasileiros”, disse.
De posse dessa informação, fica um tanto evidente que caberá ao ministro Ciro as providências necessárias para que a máquina pública seja disposta, com todo o seu peso, para ajudar na reeleição de Bolsonaro. Nada diferente do que vem sendo feito há décadas e que tantos prejuízos tem causado a nossa democracia, ao permitir a perpetuação de governos populistas pouco sintonizados com a realidade nacional. É disso que se trata.
 
A frase que foi pronunciada
“Nossas pesquisas apontam que uma das características do bolsonarismo — e tão importante quanto entender seu início é buscar definir esse fenômeno — não é ser ‘antidireitos’ e, sim, apresentar uma noção seletiva de direitos.”
Isabela Kalil
Isabela Kalil. Foto: exame.com
Corrupção
Para o senador Alessandro Vieira, o melhor caminho contra a impunidade é uma Justiça rápida, eficiente e igual para todos. O sistema recursal passaria por uma reforma, em que especialmente as Cortes superiores não sofreriam influência do poder político e econômico. Numa entrevista à revista Época, o senador afirmou, dois anos atrás, que há mais de 40 pedidos de impeachment de ministros do STF que nunca foram apreciados, e todos eles com denúncias gravíssimas. “Num país verdadeiramente democrático, ninguém deve estar acima da lei”, sentenciou o parlamentar.
Foto: Divulgação/Senado Federal
Segurança
Novidade no Aeroporto de Brasília. Depois do consentimento e cadastro do passageiro, o embarque adotará o reconhecimento facial como forma mais segura de identificação. Florianópolis, Rio, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte já adotaram o protocolo.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
História de Brasília
As invasões continuam, a impunidade também. Qualquer um pode construir um barraco em terreno alheio. A próxima e simpática campanha do prefeito bem que poderia ser a extinção dos barracos no Plano Piloto. (Publicada em 6/2/1962)