Autor: Circe Cunha
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aricunha@dabr.com.br
com Circe Cunha e MAMFIL
Um aspecto comum presente tanto nos discursos do presidente Michel Temer, quanto nos do seu colega americano, Barack Obama, foi o sentimento de que as principais nações com assento na ONU busquem, o mais rápido possível, medidas e mecanismos eficazes que, de alguma forma, atenda às múltiplas necessidades de um planeta convulsionado e em acelerada transformação sob vários aspectos. “A realidade andou mais depressa do que nossa capacidade coletiva de lidar com ela.” reconheceu Temer, para quem o mundo atual é marcado sob o signo das incertezas e da instabilidade.
É preciso, no entanto, reconhecer que naquela tribuna planetária, especificamente, qualquer assunto de natureza doméstica que não envolva diretamente a coletividade humana corre o risco de passar despercebido e de não ser levado a sério por ninguém. Diante da magnitude dos problemas globais, assuntos internos são para serem resolvidos intramuros. Tanto Michel Temer quanto Barack Obama se referiram à escalada do terrorismo como ponto central a ser resolvido, de imediato.
Temer discursou sobre as ameaças incontidas do fundamentalismo violento, sobre os refugiados e o recrudescimento do terrorismo que nos deixa um sentimento de perplexidade. Obama foi na mesma direção, discursando sobre os conflitos mundiais e a pobreza. “Embora proclamemos nosso amor pela paz e o ódio da guerra, existem convulsões em nosso mundo que nos colocam em perigo,” disse o presidente do país, tachado de arrogante pelos fundamentalistas.
Na avaliação do presidente Temer, há pessimismo quanto aos focos de tensão que parecem crescer sem cessar: “Uma quase paralisia política leva a guerras que se prolongam sem solução. Paralisia essa que acumula interesses velados em petróleo, em venda de armas, e por aí vai o lado obscuro da humanidade.” A incapacidade de o sistema reagir com autenticidade ante os conflitos agrava os ciclos de destruição. A vulnerabilidade social de muitos, em vários países, é explorada pelo discurso do medo e do entrincheiramento. Há um retorno da xenofobia.
Os nacionalismos exacerbados ganham espaço. Em todos os continentes, diferentes manifestações de demagogia trazem sérios riscos. Obama foi mais otimista ao declarar que “foi uma década difícil. Mas hoje chegamos a uma encruzilhada da história com a chance de caminharmos decisivamente na direção da paz. Para isso, precisamos reincorporar a sabedoria daqueles que criaram esta instituição. A Carta das Nações nos exorta a unir nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais” . Temer cobrou uma atuação mais afirmativa da ONU e que vá além dos discursos da alta cúpula. Resta saber se a ONU conquistou o respeito mundial para se fazer ouvida.
O presidente Obama cobrou uma Organização das Nações Unidas capaz de assumir o seu papel, enfrentando os desafios de um mundo manchado por chagas e feridas abertas por interesses econômicos. Nos escritórios atapetados, são resolvidas as vidas de milhões de pessoas. Crianças que não conseguem entender a razão de tantas diferenças na sociedade. O presidente do país mais poderoso do mundo, inclusive um dos que sustenta a própria ONU, sugere que a organização seja projetada nos mercados de Cabul, mostre sua presença nas ruas parisienses, marque presença nas ruínas de Aleppo.
Apesar de o mundo querer a Paz, os governantes não conseguem estimulá-la. Vale lembrar aqui, o caráter brasileiro que marcou Porretta Terme, vilarejo ao norte da Itália, quando soldados levados para matar foram recebidos por pessoas famintas. Não tiveram dúvida. Dividiram água e mantimentos. Não foi necessário um organismo internacional dar essa ordem. A intenção que se sobrepõe às regras nem sempre é nociva, como foi esse caso e tantos outros. Durante quase sete décadas, mesmo que as Nações Unidas tenham contribuído para impedir uma terceira Guerra Mundial, ainda vivemos num mundo marcado por conflitos e assolados pela pobreza. O que nos põe em perigo é a falta de solidariedade e de inteligência dos líderes mundiais para perceber que a humanidade é de uma só raça: A raça humana. Se quisermos continuar sobrevivendo, vamos ter que tratar as riquezas naturais com mais respeito, porque dependemos delas para viver. Não é complicado de entender.
A frase que foi pronunciada
“De uma coisa sabemos. A terra não pertence ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.”
Chefe Seatle
Leitor
» Sérgio Pedro pergunta o que foi feito das armas devolvidas com boa fé durante a campanha do desarmamento. Não seriam essas armas que estariam chegando, a preços baixos, às mãos dos assaltantes dotados de pequeníssimo poder aquisitivo? Durante a campanha, a promessa era a de destruição total das armas entregues em delegacias, quartéis da polícia e, ainda, em igrejas. Foram mesmo destruídas? Existem termos de destruição destas armas?
Questiona o leitor.
História de Brasília
Voltaram a queimar, com abundância, as lâmpadas nos apartamentos em Brasília. Enquanto isso, o transformador da estação da Celg não entra em funcionamento. (Publicado em 14/9/1961)
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Não surpreende o fato de o Brasil ocupar hoje a vexaminosa 11ª posição, entre 90 nações pesquisadas, no ranking dos países mais violentos do planeta. Dezesseis milhões de armas, a maioria circulando ilegalmente por todo o território, pode ser a razão disso.
Somente em 2012, 42.500 pessoas foram vítimas de disparo de arma de fogo em nosso país. Isso equivale a dizer que cinco brasileiros morrem, a cada 5 minutos, vítimas de disparos de arma. Nessa estatística, a maioria é formada por jovens entre 15 e 29 anos, negros, de baixa renda e baixa escolaridade. Trata-se de verdadeira tragédia nacional.
A situação poderia ser ainda pior, caso não fosse aprovada, em 2003, a Lei 10.826/2003, mais conhecida por Estatuto do Desarmamento. Entre 2004 e 2012, o Mapa da Violência apontou que, graças a esse Estatuto, houve um freio no crescimento anual de 7,2% dos homicídios, o que possibilitou que 160 mil vidas fossem poupadas.
Mesmo diante desses números incontestáveis, há, na Câmara dos Deputados, um grupo, apropriadamente denominado bancada da bala cuja a maioria dos integrantes foi eleita pelo generoso financiamento da indústria bélica, que tem buscado, não só por meio do Projeto de Lei 3.722/2012, mas de todas as maneiras possíveis, acabar com o Estatuto do Desarmamento.
Essa verdadeira bancada da morte, justifica suas teses com base em informações e argumentos que já se provaram incorretos e propositadamente distorcidos. Para essa turma, houve crescimento no número de crimes de toda a ordem, após a decisão do Estatuto de restringir o uso de armas de fogo. Estudos contrariando esses números mostram que, antes do ED, os homicídios cresciam a uma taxa de 8% ao ano e, atualmente, está próximo de 1%.
Para esta bancada, os marginais ficaram ainda mais ousados, depois que se certificaram que suas vítimas não possuem mais armas de fogo para a defesa pessoal. É preciso que a sociedade tome noção de que o Estatuto do Desarmamento, que representou verdadeira vitória civilizatória de todos os brasileiros, se encontra hoje nas mãos justamente de seus piores opositores.
Pesquisadores são unânimes em estabelecer relação direta entre o acesso facilitado às armas e o número dos homicídios, não só no Brasil, mas em todo o Continente Americano. Na outra ponta do problema, situa-se o poderoso lobby das indústrias de armamentos que colocam o Brasil na discutida posição como o quarto maior exportador de armas pequenas do mundo. Pior: nosso país, segundo a organização Small Arms Survey, está entre as nações menos transparentes quando o assunto é compra e venda de armamentos.
Não é por outra razão que nossa maior fabricante a Forjas Taurus está sob severa investigação das polícias brasileiras e americanas, acusada da venda de armamentos para traficantes internacionais de armas , que as revendem para países onde o genocídio de populações inteiras é fato corriqueiro e pouco divulgado.
A frase que não foi pronunciada
“O armamento destrói o que ele pretende defender: a paz.”
Pensamento de Esther Machado, professora de música que sempre pregou a paz e harmonia.
Primeiros passos
» Reunião importante aconteceu ontem no início da noite no Palácio do Planalto. Bruno Araújo, ministro das Cidades, senador Agripino Maia e Ronaldo Caiado e os deputados Pauderney Avelino e Carlos Sampaio estiveram reunidos com o presidente em exercício Rodrigo Maia.
Tempo importante
» Enquanto isso, os caminhos do presidente Temer podem se cruzar com os passos de Obama. A abertura da Assembleia-Geral da ONU que tradicionalmente é feita pelo presidente brasileiro será a oportunidade para alguns minutos de conversa.
Brilho
» Jonathan brilhou na festa de encerramento das Paralimpíadas tocando guitarra com os pés. O Coral do Senado é fã número um de Jonathan, que acompanhou o grupo durante a Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência. Mostrou, com atitude, a todos os presentes que o fato de não ter os braços nunca o impediu de sonhar e realizar os sonhos.
Propositadamente
» Por falar em Paralimpíadas, é revoltante ter que adaptar os manuais de redação por ordem de um comitê desportivo que vai contra todas as regras de filologia e gramática.
História de Brasília
O catálogo telefônico de Brasília, ao tempo da inauguração da cidade, trazia o nome do atual presidente da República, como sendo Jango Goulart. (Publicado em 14/9/1961)
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Desde que por estas bandas aportaram as primeiras caravelas portuguesas no início do século 16, os povos autóctones, que há milhares de anos habitavam este lado do paraíso, perderam a paz e nunca mais souberam o que é felicidade. Expulsos do paraíso por alienígenas brancos que desembarcaram de grandes naus, trajando roupas e falando uma língua estranha, os indígenas que perambulavam pelo litoral foram os primeiros a experimentar na pele e na alma os efeitos do contato direto com a civilização europeia cristã.
Cabral foi apenas o primeiro invasor oficial. Atrás dele vieram a escravidão, os assassinatos, estupros, as doenças dos brancos, o roubo e os saques das riquezas naturais. Com os navegantes, chegou, enfim, o dia do juízo final. Estimam-se em mais de 5 milhões o número de indígenas espalhados por todo o continente daquilo que viria a ser o território brasileiro. Os antropólogos que buscam entender a causa indígena são unânimes em reconhecer que, mesmo depois de cinco séculos, a sociedade brasileira segue repetidamente negando as próprias origens americanas, sem ao menos conhecê-las com clareza. Ainda hoje, os índios seguem sendo o povo que mais comete o ato derradeiro do suicídio. A maioria das mortes ocorre por enforcamento ou envenenamento pela ingestão do timbó.
As causas dessa tragédia seguem sendo as mesmas de sempre: a eterna prorrogação em demarcar seus territórios. Agora, pela PEC 215, os índios temem que, ao transferir essa tarefa do Executivo para o Legislativo, o processo que já era lento ganhará ainda uma coloração política, o que acarretará mais problemas do que soluções.
Ao empurrar a questão das terras indígenas para a apreciação dos políticos, os índios acreditam que a tendência será para que as negociações passem a obedecer a lógica dos políticos, principalmente no tocante à satisfação dos grupos de eleitores, na sua esmagadora maioria formada pelos homens brancos. Segundo Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), entidade que conta com o respeito da maioria dos povos indígenas, os dados disponíveis indicam que a situação constante de invasão e devastação das terras demarcadas ainda permanece sem solução. Também permanecem na mesma situação as agressões, os assassinatos e espancamentos às pessoas que lutam pela causa dos índios.
Chama a atenção, diz o documento, o agravamento do número de perversos ataques milicianos contra os frágeis acampamentos das comunidades Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul. Até mesmo, inaceitáveis práticas de tortura com requintes de crueldade, como a quebra de tornozelos de anciãos, foram realizadas . Em outro trecho, aponta o documento, “dos 87 casos de suicídio em todo o país registrados pela Sesai e pelo Dsei-MS, 45 ocorreram em Mato Grosso do Sul, especialmente entre os Guarani-Kaiowá.
Entre 2000 e 2015, foram registrados 752 casos de suicídio apenas naquele estado. Um recente estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Grupo Internacional de Trabalho sobre Assuntos Indígenas (IWGIA) sobre os Guarani-Kaiowá afirma: “…esses jovens indígenas carregam um trauma humanitário cheio de histórias contadas por seus parentes, histórias de exploração, violências, mortes, perda da dignidade, enfim, a história recente de muitos povos indígenas. Histórias carregadas de traumas, presas a um presente de frustrações e impotência. Nessas circunstâncias, esses jovens são o produto do que se costuma chamar uma geração que sofre do que se chama Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)”.
A frase que foi pronunciada
Quando o português chegou/ Debaixo duma bruta chuva/Vestiu o índio/Que pena!
Fosse uma manhã de sol/O índio tinha despido/O português.
Oswald de Andrade
Trapaça
» Óculos, dentaduras, tijolos, telhas. O TRE do Rio de Janeiro encontrou o fio da meada com uma fundação que faz doações para beneficiar candidatos. É bom que Brasília se prepare para combater a corrupção tanto de políticos quanto de eleitores.
Cuidado extremo
» A Sociedade Rural Brasileira provocou o Supremo Tribunal Federal com Agravo Regimental contra decisão liminar proferida pelo Ministro Marco Aurélio de Mello. A liminar suspende o Parecer nº 461/12-E da Corregedoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, que liberava a aquisição de imóveis rurais por empresas brasileiras de capital estrangeiro no Estado de São Paulo. Questão de soberania nacional. Basta ver se haveria reciprocidade dessa prática com os países provedores de recursos.
Classificação indicativa
» Estamos banalizando a violência, divulgando cenas e abrindo espaço para o que não é educativo. Correr o risco do fim da limitação da classificação indicativa na tevê é inaceitável. A presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciana Rodrigues Silva, disse em entrevista que, caso a classificação indicativa relaxe, seremos responsáveis pela exposição de crianças e adolescentes a conteúdos contraindicados.
História de Brasília
São argumentos infantis, sem consistência, e que demonstram apenas o interesse de permanência no Rio, apesar de não haver razão.(Publicado em 14/09/1961)
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Palanque é tudo que um político finório precisa para exercitar a arte da ilusão. Encoberta sob três tampinhas idênticas, diante do espectador, estão a verdade, a mentira e a versão. Embaralhada com a habilidade de um prestidigitador da lógica, por mais que o ouvinte tente acompanhar o deslocamento rápido das peças, buscando a verdade ali escondida, o que acaba sempre surgindo quando a tampinha escolhida é retirada é a versão. Livre do peso da verdade e das armadilhas da mentira, a versão transita leve entre ambas, sendo impossível distinguir a fronteira entre uma e outra.
É dessa forma que Lula sempre se apresenta diante de plateias cativas. Não é por outro motivo também que ele não se faz de rogado, quando busca se comparar às grandes personalidades do mundo, inclusive a Jesus Cristo. Convenhamos: de jararaca, que afirmou ser, depois de levado coercitivamente para depor na polícia, ao Jesus, no último pronunciamento, houve uma evolução e tanto. É preciso reconhecer o fato de que quem presta atenção e divulga esses múltiplos personagens do figurino de Lula para as massas é a imprensa. Foi ela quem deu vida e fôlego a esse Macunaíma moderno.
Mesmo ajudado pelo poder das mídias eletrônicas, sem a imprensa, Lula nada seria. Sem os bilhões de reais gastos pela Secretaria de Comunicação do Planalto em propaganda, o governo petista seria ignorado. Autêntico produto do marketing moderno, Lula possui o exato fôlego que lhe dispensa o noticiário diário. É justamente pelos meios de comunicação que Lula consegue propagar a fantasia que mais lhe cai bem: de coitadinho, vítima de uma sociedade cruel e desigual. Entre fazer orelhas moucas a essa velha raposa de nossa história recente e dar-lhe visibilidade momentânea por conta de suas estripulias, melhor é deixá-lo exercitar sua retórica vazia.
Dessa forma, ficam registrados os arroubos finais de um político que, durante um certo tempo, chegou a merecer a atenção e mesmo a adesão de muitos brasileiros sérios. Da metamorfose ambulante que dizia ser, o que chega agora até nós é um personagem envelhecido e encurralado pelos fatos e que, por vaidade, insiste ainda em interpretar, de modo desafinado, suas antigas milongas.
Também uma observação atenta em cada indivíduo que formava a plateia presente ao pronunciamento pode ajudar a entender um pouco sobre a qualidade do público que restou como ouvinte desse canastrão embevecido. São todos oriundos da mesma fornada, feitos com a mesma farinha e com o mesmo fermento, e que o grosso da população já recusou como alimento muito fora do prazo de validade para ser consumido.
A frase que não foi pronunciada
“Me mandaram caçar emprego. Que arma eu uso?”
Bilhetinho no chão do Sine perto da rodoviária
Nota da Caesb
» “Não estamos fazendo racionamento de água. Essa possibilidade está prevista em resolução da Adasa, caso um dos reservatórios de abastecimento chegue ao nível de 20% — hoje, o Descoberto chegou a 40,9%. Várias medidas estão sendo tomadas para que não cheguemos a essa situação. A Caesb só coloca redes de águas em áreas que estejam contempladas nos Termos de Ajustamentos de Condutas (TACs) e atendam às exigências do Decreto 34.211/2013, que determina que essas estejam em processo de regularização junto ao IBRAM e à SEGETH. Assina o Assessor de Comunicação José Carlos Barroso.
Hoje
» Quem não gosta de sair à noite para shows tem uma grande oportunidade aos sábados. Hoje, por exemplo, às 11h30, o Clube da Bossa mais uma vez apresenta o Palco Aberto no teatro Silvio Barbato, Sesc do Setor Comercial Sul, Quadra 2, Edifício Presidente Dutra. A entrada é franca. Se quiser levar doações para pessoas carentes, a Mylene Sivieri organizará a entrega em Taguatinga.
Release
» Setembro é marcado pela luta das pessoas com deficiência (segundo o IBGE, 24% da população) por garantia de direitos, oportunidades, respeito e reconhecimento de seus talentos e possibilidades. O Coletivo cria Brasília abriu oportunidades para crianças, jovens e adultos com diagnóstoco de deficiência participarem de um ensaio fotográfico realizado pelo fotógrafo Marcello Lunière, brasiliense, residente em Paris, de passagem por Brasília.
Agenda
» A mostra fotográfica será no Shopping Liberty Mall — Coletivo Cria Brasília, de19 a 30 de setembro.
História de Brasília
Agora, que o sr. João Goulart está no governo, é preciso que faça se transferir para o Distrito Federal a Previdência Social. As alegações são as mais descabidas possíveis, e estão em nossas mãos os argumentos apresentados pelo Iapi ao então ministro Castro Neve. (Publicado em 14/9/1961)
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Foi somente a partir da mudança da capital para o interior do Brasil, nos anos 1960, que o imenso bioma de campo cerrado, com mais de 2 milhões de km2 passou a ser explorado e pesquisado com mais atenção. Especialistas já sabem hoje que essa ecoregião, com idade média de 45 milhões de anos, reúne e concentra a maior biodiversidade de todo o planeta.
Recentemente, com o aprofundamento das pesquisas, ficou patente, para os estudiosos do assunto, que a preservação dessa área é de vital importância para o presente e o futuro do Brasil, principalmente por conta da questão hídrica. Hoje já se sabe que o Cerrado é, por suas características ímpares, o berço das águas, concentrando nascentes que vão alimentar oito das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras. É nesta região que estão concentrados os aquíferos Guarani, Urucuia e Bambuí que alimentam alguns dos grandes rios do país. Além disso, nos subterrâneo do cerrado pulsa um oceano.
Com a expansão das fronteiras agrícolas, o Cerrado ganhou um protagonismo econômico inédito que, num primeiro momento, pareceu, e ainda parece para alguns, ser a redenção para toda a região. A introdução de monoculturas, na maioria transgênicas, plantadas em vastíssimos latifúndios nas planícies, totalmente mecanizados, se por um lado vem fazendo a riqueza e a prosperidade de uma minoria de grandes produtores, de outro lado, vem arruinando irreversivelmente todo o ecossistema, comprometendo de forma até criminosa a produção natural de águas. Interessante que os próprios produtores fecham os olhos ao matar o futuro dos netos e bisnetos.
Em tempos de aquecimento global generalizado, a cada ano que passa a situação de crise hídrica nas cidades localizadas dentro da região do cerrado se agrava um pouco mais. O desaparecimento de pequenos e médios cursos de água já se tornou fato comum. A vegetação sofre com as queimadas criminosas e com a derrubada, feita pelos agricultores, com uso de correntes. Com a degradação da flora, somem os animais da região e tem início o lento e irreversível processo de desertificação, já em curso, segundo os especialistas.
Na esteira da devastação, acentuada nos últimos anos, pela invasão de terras e áreas de proteção, não é de se estranhar que o GDF, à semelhança de outras unidades Federação, tenha decretado agora o estado de “atenção”, ameaçando pôr em prática um rigoroso racionamento de água.
A rigor, a suspensão no fornecimento de água para algumas regiões da capital já vem acontecendo há algum tempo e tem se agravado nas últimas semanas. A conta com a irresponsabilidade política de distribuição farta e de ocupação irregular de terras em troca de votos começa a chegar, e os valores serão altíssimos, inclusive, com a ameaça de inviabilizar a própria capital dos brasileiros.
A frase que não foi pronunciada
“Agora meu pensamento se tornou público.”
Luiz Inácio Lula da Silva, pensando preocupado
Caos
»Racionamento de água e luz no DF acontece porque a Caesb e a CEB sempre chegam em terras invadidas prontas para oferecer o serviço e cobrar. Se o governo proíbe a invasão, seria coerente que não fornecesse água e luz. Sem plenejamento, o que acontece é o que vamos ver nos próximos dez anos nessa cidade.
Abraçaço UnB
» Hoje é o último dia do Abraçaço UnB em prevenção ao suicídio. O evento foi criado por um grupo de alunos para quebrar o tabu sobre esse assunto. “É importante lembrar que nem sempre o suicídio está ligado à não valorização das coisas boas da vida; os problemas psicológicos causam dor real e, ao abordarmos as pessoas, precisamos ser sensíveis a isso”, diz Amanda Régis, a idealizadora do projeto
Aqui entre nós
» Estão voltando as lentes de aumento para a gestão do Sistema S.
Empate
»É preciso estabelecer com o sr. Lula a hipótese definitória de corrupção. Vale lembrar que, quando Francisco Bazílio Cavalcante devolveu os dólares encontrados no aeroporto, o presidente do Brasil estranhou como uma criança. “Ué, mas achado não é roubado!” Francisco Bazílio teve o salário diminuído antes de se aposentar e foi obrigado a voltar para Sobral, no Ceará. No Brasil, gente honesta sofre, mas dorme em paz. Tempos passaram e o sr. Lula e família começam a perder o sono.
» História de Brasília
Os carros chapa branca voltaram com tal voracidade que agora senhoras aprendem a dirigir em carros do governo, em pleno horário de trabalho. Esta nota vai a propósito do que presenciamos com uma Rural nova, de fita vermelha, na qual uma senhora aprendia a dirigir no Eixo Rodoviário. (Publicado em 14/9/1961)
DESDE 1960
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Nenhuma construção ficcional, por mais inspirada que seja, consegue ao menos se igualar em riqueza de trama à realidade fantástica do mundo político brasileiro. O primeiro presidente da República, eleito logo após o fim do ciclo de governos militares, não chegou a assumir. Com a morte súbita de Tancredo Neves, o país vive um clima fúnebre inesperado e um temor de que possa haver um retrocesso no processo de redemocratização.
Seu vice, José Sarney, assume a presidência e cumpre todo um mandato, numa fase em que a inflação fazia dobrar os preços dos alimentos a cada 30 dias. Por mais que a equipe econômica tentasse frear os preços, não havia técnica que acalmasse o dragão da inflação. Nas eleições seguintes, o até então desconhecido do grande público Fernando Collor vence a disputa e passa a governar sem apoio político significativo no Congresso.
Em menos de dois anos, Collor se viu forçado a renunciar ao cargo. Mais uma vez, o vice, no caso Itamar Franco, é convocado a assumir o posto principal. Ciente de suas responsabilidades diante da grave crise política e econômica, Itamar abre caminho para as reformas necessárias e dá os primeiros passos em direção ao que viria a ser o Plano Real. Com Fernando Henrique, o país viveu, talvez, seu período de maior normalidade institucional, o que, de certa forma, favoreceu a adoção de profundas reformas na estrutura do Estado.
No início do século 21, os eleitores, acham por bem eleger um candidato de esquerda. Lula assume num cenário em que todas as bases de retomada para crescimento haviam sido lançadas com êxito. Governa sob o signo da bonança trazida pelo Plano Real, que ele e seu partido fizeram tudo para sabotar. Evocavam a todo momento a %u201Cherança maldita que usufruíam%u201D. Contudo, logo no terceiro ano do governo Lula, eclode o escândalo da compra de apoio parlamentar por meio de pagamentos mensais aos aderentes. É o início dos episódios marcantes do mensalão.
Os bons ventos da economia internos e uma certa tranquilidade nos mercados internacionais, com os altos valores nos preços das commodities, ajudam a economia brasileira e jogam para um segundo plano os acontecimentos criminosos que corriam soltos nos bastidores do governo. Graças às manipulações do brilhante advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, e, por isso, chamado de %u201Cdeus%u201D, Lula e toda a cúpula de seu governo consegue escapar do indiciamento com a tese fabricada sob medida do caixa dois.
Graças a amplo e maciço processo de propaganda oficial e de generosa distribuição ilegal de dinheiro público aos partidos, Lula chega ao fim do seu governo com aprovação recorde. De posse desse salvo conduto, empurra para a Presidência, como seu sucessor pessoal, a desconhecida e ciclotímica Dilma Rousseff, cuja a eficiência como administradora eficaz foi fabricada pela enorme máquina de propaganda armada no Planalto.
Com a arrogância que passou a ser sua marca registrada, Dilma cuidou em pouco mais de um mandato de enterrar de vez a megalomania de seu antecessor e, de quebra, fez o papel de coveira do Partido dos Trabalhadores. Impedida de continuar no cargo pelo conjunto desastroso de suas obras, Dilma foi afastada pela grande maioria dos parlamentares das duas Casas do Legislativo.
Mais uma vez, o destino fez passar o cavalo selado na porta do vice. Com o impeachment de Dilma, assume um Michel Temer articulador de bastidores e pouco conhecido dos brasileiros. Herdou, talvez a maior e mais profunda crise de toda a história do Brasil.
Com um curto tempo pela frente para consertar os estragos na economia e nas estruturas do Estado, Temer poderá se dar por satisfeito se conseguir chegar incólume ao fim de seu período à frente da Presidência. O fantasma da Operação Lava-Jato, prolongada por mais dois anos, paira sobre o mundo político e empresarial brasileiro. A prosseguir no aprofundamento dessas investigações, ninguém estará seguro no cargo ou livre da prisão. O futuro do atual governo não lhe pertence, muito menos o passado de glória dos governos imediatamente anteriores. Todos estão no foco da primeira instância lá de Curitiba.
A frase que foi pronunciada
“Herdei para administrar a maior crise política da história brasileira, a maior dívida externa do mundo, a maior dívida interna, a maior inflação que já tivemos, a maior dívida social e a maior dívida moral. ”
José Sarney e a história se repete…
Grupo Alegria
Sensível, o FAC da Secretaria de Cultura do DF aprovou um projeto sensacional. A meninada de orfanatos e casas de acolhimentos que não tem a oportunidade de ir ao teatro, receberá, no local onde mora, a peça Muito prazer com João Sem Sorte. O projeto conta com o apoio da Rede Solidária Anjos do Amanhã e da Associação Candanga de Teatro de Bonecos. As histórias são o trilho da vida de Josias Wanzeller.
Sangue
Pessoal da Polícia Civil do DF que concluiu o curso da academia vai celebrar a conquista compartilhando o próprio sangue. Eles, que de tão perto acompanham a realidade sangrenta do dia a dia, resolveram doar sangue no Hemocentro de Brasília. Marcus Pereira, um dos aprovados, disse que resolveu comemorar doando o que é essencial à vida.
História de Brasília
Moradores estão dificultando a administração da SQ 108. No bloco 7, há um apartamento com infiltração, e a Administração ainda não pode tomar nenhuma providência porque o inquilino do apartamento da firma não deixa o bombeiro entrar para verificação. (Publicado em 14/9/1961)
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Com o mover da grande roda do destino, as forças políticas que, até ontem, estavam muito bem instaladas no poder, foram expelidas, de modo ligeiro, de volta ao mundo real. O socialismo do tipo tropical, ao esgotar as possibilidades de se manter vivo às custas do dinheiro do trabalhador contribuinte, simplesmente, desidratou, perdeu a validade e, hoje, é visto, pelo grosso da população, como uma amarga e ilusória experiência.
Os números que vão surgindo no processo de balanço, confirmam que foram justamente os trabalhadores aqueles que mais foram atingidos por mais de uma década de incúria. Aos quase R$ 200 bilhões de deficit deixados nas contas públicas, somam-se outros R$ 50 bilhões (apurações preliminares) de desvios nos principais fundos de pensão.
Somente na Petrobras, outrora o brilhante da coroa, laudos atuais apontam para um rombo de R$ 42 bilhões, no período entre 2004 e 2010. A mesma situação se repete no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sobre o qual fala-se que, entre 2008 e 2014, recebeu de maneira irregular cerca de R$ 500 bilhões. Dinheiro público que acabou indo parar nas contas de muitas empresas que receberam empréstimos no Brasil e no exterior, o que os auditores do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União classificam como grave fraude à administração financeira e orçamentária da União.
No setor elétrico, o caos se repete. As estimativas feitas por especialistas do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) ,ainda de 2014, falam em um rombo de R$105 bilhões, principalmente devido à Medida Provisória 579, de 2012, que reduziu as tarifas de modo artificial e eleitoreira. Diante da magnitude astronômica desses números, os desvios criminosos nos empréstimos consignados dos funcionários públicos, da ordem de R$ 100 milhões, parecem gorjeta pequena. Somente a presidente Dilma deixou de herança um rombo que as primeiras investigações afirmam ser de aproximadamente R$ 150 bilhões.
Dificilmente, a população conhecerá ao certo, até por motivos de segurança, o tamanho do passivo deixado depois de 13 anos de petismo. O certo é que, de volta à oposição, seu lugar de origem, o Partido dos Trabalhadores deu início imediato a amplo programa de protestos e violentas manifestações de rua, como modo de desviar a atenção para a herança deixada para trás e que, obviamente, será paga por quem trabalha de fato e não tem tempo de protestar contra tamanha cara de pau.
A frase que não foi pronunciada
“Tanto o eleitor satisfeito quanto o outro lado são fontes inesgotáveis de aprendizagem ao político.”
Ulisses Guimarães, de onde estiver
Release
Importante evento em Montes Claros (MG), promovido pela Ouvidoria-Geral do Estado e pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais terá a Codevasf como debatedora sobre a Gestão das bacias hidrográficas: perenização, revitalização, proteção de mananciais e uso democrático das águas . O Brasil inteiro tem muito a ver com os resultados dessa discussão.
Tentativa
Por falar nisso, na Câmara dos Deputados, a Comissão do Meio Ambiente acabou de criar um Fundo Nacional para Recuperação de Nascentes de Rios. Agora, a ideia é partir para discussão em outras comissões. A proposta prevê o controle de erosões e a proteção das matas ciliares. Falta muito para virar realidade, mas a preocupação é o ponto de partida para a preservação da agricultura e à vida.
Família
Esteio da sociedade, essa foi a marca registrada no início da solenidade de posse da ministra Cámem Lúcia, no Supremo Tribunal Federal. O ministro Celso de Melo, carinhosamente como quem sabe o que é um orgulho de pai, ao apresentar a nova presidente da Suprema Corte disse que o pai da ministra estava assistindo à TV Justiça e que, com certeza, estava bastante orgulhoso da posse da filha.
Simples assim
Em poucas palavras o senador Lasier Martins foi claro e incisivo em relação ao futuro do Brasil. Qualquer medida apresentada pelo governo antes de se preocupar com a Educação do povo será em vão, disse o senador. Na verdade, qualquer problema social enfrentado no país, se alguém tiver a curiosidade de rastrear, vai cair na Educação, Desde a Operação Lava Jato, até o programa de TV que na hora do almoço, com a casa cheia de crianças, mostra uma notícia onde arrancaram o bebê com uma faca matando a gestante.
História de Brasília
O nosso Departamento de Promoções, por intermédio do dr. Jairo Valadares, está programando a aquisição de pombos em grande escala, para povoar o pombal da Praça dos Três Poderes. Nós, apesar de contra a idéia, não iremos, entretanto, deslocar gaviões do SRE para os Três Poderes… (Publicado em 14/9/1961)
DESDE 1960
aricunha@dabr.com.br
com Circe Cunha e MAMFIL
Nestes tempos bizarros, a multiplicação de gravações secretas, envolvendo personagens do mundo político nacional e local, tem apresentado aos ilustres eleitores de todo o país e de Brasília, em particular, uma sequência ininterrupta das mais indiscretas e explosivas inconfidências. Gravações e delações têm o condão de trazer para o grande público a verdadeira face oculta de nossos representantes. Hoje, é sabido que a busca desesperada por cargos eletivos, obedece, em parte, a um raciocínio simplista. Por um lado, permite ao postulante adentrar para o seleto clube das raposas que vão controlar o galinheiro e os ovos de ouro. De outro, permite ainda que o eleito, caso apanhado em flagrante depenando a penosa, não seja importunado pelos homens da lei, graças à carapaça obtida com a odiosa prerrogativa de foro privilegiado.
A kriptonita para esses super homens do crime tem sido justamente a revelação de seus pecados ou a deduragem pura e simples de seus pares em busca de atenuantes. Aliás, a própria expressão dedo duro, ganhou uma nova vestimenta eufemizada, sendo conhecida, hoje, como delação premiada. Pelas parlapatices de Luiz Estevão, captadas pelo gravador indiscreto da futura ex-deputada distrital Liliane Roriz (PTB), os brasilienses vão tomando ciência de como opera e se distribui a maquinaria política praticada aqui na capital. De acordo com que revelou o ex-senador nas gravações, existem indícios de que dentro da Câmara Legislativa, entre outros ilícitos, há uma bancada da fatura, integrada pelos deputados Cristiano Araújo (PSD), Robério Negreiros (PSDB) e Rafael Prudente (PMDB). Juntos, esses dublês de parlamentares, mas que, na realidade, são donos de empresas de segurança e de conservação, faturaram, desde 2009, quase R$ 2 bilhões dos cofres do GDF.
No rastro do que revelou Estevão, surgem ainda sinais de que a atividade política dessa bancada bilionária, que também poderia ser denominada da fartura, rende lucros para as empresas. Somente no caso do distrital Robério Negreiros, dono da Brasfort, os lucros de sua empresa foram multiplicados 52 vezes depois de ser eleito, passando de R$ 4,1 milhões, em 2010, para R$ 210,6 milhões em 2015. Além desses nomes, Estevão cita a ex-deputada Eliana Pedrosa cuja família, proprietária da empresa Dinâmica, já lucrou com o GDF o equivalente a R$ 332 milhões desde 2009. Ilude-se quem acredita que esses nobres deputados ocupam assentos na Câmara local preocupados com as condições de vida e bem-estar dos brasilienses. Na verdade, e os lucros fabulosos dessas empresas assim revelam, a CL é usada como biombo para a prosperidade dos negócios da família. Que por sinal, vão muito bem, obrigado.
A frase que não foi pronunciada
“ Nunca mais o Estado brasileiro vai entrar no vermelho”
Presidente Michel Temer, sonhando com um jardim verde e amarelo no Alvorada
Fim de linha
É preciso ser muito sórdido para se aproveitar da angústia de um desempregado para plantar um golpe que rendia R$70 mil por mês. Depois de aliciar o trabalhador, os criminosos cobravam R$180 de um curso e preparo da documentação. A Polícia Civil do DF acabou com a farra pela Operação Fake Job e o juiz Luís Eduardo Yatsuda Arima, da 2ª Vara Criminal de Brasília, aceitou denúncia do Ministério Público do Distrito Federal. Doze mandados de prisão e 2 de busca e apreensão foram só o começo do fim da gangue.
Solução
Como é parte do jeitão de Brescianini, depois de esperar a resposta que não veio, ele mesmo deu a solução. Uma parceria com o metrô para a emissão das passagens e de cartões de integração ônibus-metrô seria o fim do problema fiscal.
Pelo DF
“Mandando foto já ajuda”. Trata-se de um aplicativo para celular e tablet que funciona para denúncias de invasões em área pública. O aplicativo foi desenvolvido pela Agefis em parceria com a Casa Civil. O protetor das terras públicas da cidade pode enviar uma foto ou localização com a imagem de satélite.
CDH
Durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, na quinta-feira, Carlos Penna Brescianini, representante do Blog Ambiente e Transporte e ex-coordenador do Metrô/DF, fez uma pergunta que ninguém conseguiu responder, ou não teve coragem. Ele quis saber a razão de não se receber uma nota fiscal pelas passagens de ônibus compradas.
Realidade
Renata Cunha Santarém, estudante, quando indagada sobre a falta de nota fiscal para a compra das passagens no transporte público do DF rebateu com outro questionamento: “Nota fiscal? Nem o troco eles dão! Imagine o recibo.”
História de Brasília
Nós, entretanto, recomendamos aos inimigos do cerrado: o fósforo dado pela Campanha não serve para queimar matas. É para acender cigarros. (Publicado em 14/9/1961)
DESDE 1960
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com Circe Cunha e MAMFIL
“Precisamos atualizar a legislação trabalhista para que a leitura fiel do contrato seja a mesma por parte do empregador, do trabalhador e do juiz. O investidor não pode conviver com o fantasma de uma ação trabalhista e de uma decisão injusta que onere seu patrimônio. Pretendemos prestigiar a negociação coletiva”. A afirmação do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, que atiçou os sindicalistas, acendendo a luz amarela dos movimentos grevistas, vem num momento em que mais de 12 milhões de trabalhadores em idade produtiva estão sem emprego e sem perspectiva alguma de virem a ter a curto e médio prazos em todo o país.
A esse imenso contingente somam-se ainda 14 milhões de trabalhadores que sobrevivem na informalidade e no subemprego. Apenas com a situação irregular desses trabalhadores informais, a Previdência e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço deixam de arrecadar mais de R$ 80 bilhões por ano (dados do MTE de 2015), gerando um processo cíclico negativo, cujos reflexos são irradiados em cadeia, contaminando e tornando quase impossível a solvência do sistema como um todo.
O aumento na formalização da mão de obra é hoje um requisito fundamental nesses novos tempos de novas tecnologias. É preciso acertar com os trabalhadores, obviamente, pela via negocial da representação sindical, que a oneração das empresas, provocada pelo engessamento da legislação atual, contribui diretamente para aumentar o desemprego.
Estudos demonstram que, nos países onde imperam as flexibilizações nos contratos, como nos Estados Unidos, o percentual de desempregados é bem menor do que em outros (caso da França) em que a blindagem e a inflexibilidade nos contratos é norma corrente. É sabido que os contratos por horas trabalhadas ou por produtividade aumentam as chances de atrair para a formalidade milhões de trabalhadores que estão à margem do sistema. Especialista tem apontado para a necessidade de os acordos serem feitos com base no que está escrito no contrato.
O ministro Ronaldo Nogueira considera que, para o trabalhador, “o contrato por hora trabalhada vai ser formalizado e poderá ter mais de um tomador de serviço. Ele pode ter diversos contratos por hora trabalhada. Vai receber pagamento do FGTS proporcional, férias proporcionais e 13º proporcional, sendo que a jornada nunca vai ultrapassar 48 horas semanais, para não dar carga exaustiva”. A intenção do governo é apresentar um conjunto de reformas que dê, ao mesmo tempo, segurança jurídica para o trabalhador, fazendo com que a leitura do contrato seja fielmente interpretada, criando ainda oportunidades de ocupação com renda, além de consolidar e aprimorar direitos já alcançados.
A tarefa não é pequena. Por parte dos trabalhadores já sondados, há esperanças de que as mudanças resultem em algo positivo. Para os sindicatos e centrais, parece haver certa diminuição no poder e na capacidade de interferir na celebração dos contratos, já que esses documentos ficam mais objetivos e sem margem para interpretações variadas. Tal perspectiva, obviamente, não agrada os dirigentes sindicais, muito menos os partidos de esquerda, dos quais os sindicatos são apêndices ou franjas. Reclamam para ser do contra, sem pensar na classe trabalhadora.
Contratos modernos, confeccionados com base em horas trabalhadas ou por produtividade, são apenas algumas das inovações que virão em decorrência do mundo informatizado. Outras, como a universalização dos home offices chegarão a seu tempo, quer queiram, ou não. A resistência a mudanças, embora seja traço comum aos humanos, não pode e não deve prevalecer sobre o inexorável processo de evolução da civilização.
A frase que foi pronunciada
“Deixe-me dizer em que acredito: no direito do homem de trabalhar como quiser, de gastar o que ganha, de ser dono de suas propriedades e de ter o Estado para lhe servir e não como seu dono. Essa é a essência de um país livre, e dessas liberdades dependem todas as outras.”
Margaret Thatcher
Que falta faz
Na sessão da votação do impedimento da ex-presidente, depois de ouvir as ladainhas do senador Lindberg Farias sobre o uso da palavra, o ministro Lewandowsky deixou escapar em meio à gritaria: “ Cê tá doido seu”. Depois da palavra garantida ao senador Magno Malta, ao fazer uso da palavra, ele perguntou ao ministro que presidia a sessão. “Quem é que manda aqui? O senhor ou esse menino?” Dessa vez Lindberg riu e uma senadora sussurrou: “Parece a Escolinha do Professor Raimundo”.
A educação
Nesse mesmo dia, a bancada do PT em polvorosa, perdeu a grande chance de parar a conversa paralela e as ladainhas quando o senador Reguffe ocupou o microfone. Enquanto riam e conversavam de costas para o parlamentar do DF deixaram de aprender como se é eleito sem ter dinheiro. Nunca vão saber!
História de Brasília
Por capricho do destino, a Campanha de Educação Florestal está fazendo a sua divulgação em todo o país, para que não se ateie fogo às matas nessa época do ano, através de propaganda em caixas de fósforos. (Publicado em 14/9/1961)
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com Circe Cunha e MAMFIL
Desfile de personagens
Para um observador atento, que teve oportunidade ou disposição de assistir de perto o desfile de Sete de Setembro no Eixo Monumental, ficou patente que, no palanque principal, onde estavam as autoridades convidadas, apareciam, logo na primeira fila, uma sequência de novos personagens que, nos próximos dois anos, terão a missão, quase impossível, de operar uma plástica, ao menos cosmética, no rosto envelhecido precocemente de nossa democracia.
Ali estavam perfilados uma pequena mostra dos condutores momentâneos da nossa República, tantas vezes enxovalhada. Cada um com sua história particular. Ao lado de sua jovem esposa, espécie de Marianne à brasileira, o atual presidente, como herdeiro natural e legal, alçado à condição de titular não apenas por obra do destino, mas pelo conjunto da obra cometido pela antecessora, esboçava o ar misto de vaidade e preocupação com o peso da situação que terá pela frente.
Curioso observar que os três principais atores políticos desse novo enredo chegaram ao poder pela força da inércia dos acontecimentos. Temer, pelo esgotamento e a imposibilidade de Dilma em prosseguir adiante. Rodrigo Rollemberg, pela imposição da Justiça, que retirou do páreo ao GDF, o candidato favorito nas pesquisas, Roberto Arruda. Rodrigo Maia, terceiro na hierarquia da República, chegou à Presidência da Câmara dos Deputados no rastro do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha, que, depois de empurrar Dilma para fora do poder e de uma sequência de histórias mal explicadas, perdeu o apoio e a utilidade para seus pares.
Três personagens quase postiços, mas de absoluta necessidade para dar prosseguimento à normalidade institucional. Como coadjuvantes que são, erguidos pela imponderabilidade dos desígnios de nossa história, têm papéis principais a desempenhar. Três personagens em busca de um autor, que neste caso será formado pelo conjunto de eleitores no pleito de 2018.
Brindados ou abalroados pela casualidade, somente o tempo e a sociedade dirão. Em todo caso, é sintomático que o pelotão em desfile que mais foi aplaudido e saudado pela população presente, mais até que as forças armadas, dona da festa de Independência, era formado por um pequeno contingente de policiais federais, todos vestidos de preto, bem em sintonia com o momento grave que atravessamos.
Já o ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski, também na linha de frente das autoridades, é, talvez, o único exemplar, entre todos, que, no futuro, não será julgado pelas urnas. Para ele, poderá sobrar um outro veredito, o de ter incorrido diretamente na Teoria da Cegueira Deliberada, quando fechou os olhos para o golpe desferido contra a letra da Constituição, permitindo uma novíssima e sui generis interpretação da Carta de 1988.
A frase que não foi pronunciada
“Quando o mundo vai cansar de morrer com a guerra?”
Fernanda Cavalcante, 5 anos, pensando enquanto vê o sofrimento das crianças refugiadas
Guerra pela paz?
De um lado: “A nossa bandeira jamais será vermelha!”. De outro: “Fora Temer”. Manifestações completamente pacíficas em Brasília. É hora de buscar a paz. O perigo é o desânimo. Vale ver como vão as eleições Brasil afora. Sem ânimo, poucos querem se candidatar. Há prefeitos que serão eleitos com um voto. Começa o perigo com o silêncio dos honestos.
Crime disfarçado
Engana-se quem julga ser a máfia das próteses a mais nefasta da saúde no DF. O número de cesarianas nos hospitais da cidade é um escândalo maior ainda porque, nesse caso, há a autonomia de vontade das parturientes com a anuência e conivência médica.
Importante
Foi um protesto geral a falta de visão humana dos canais abertos. Lucro em primeiro lugar. Totalmente fora das políticas públicas do governo sobre inclusão parece que não tem valido a pena as concessões públicas às tevês. Não é todo o público alvo que gosta de violência. É preciso apresentar contrapartida social e educativa.
Amigo de verdade
Como uma das últimas medidas na crença de que nada vá acontecer, Lula está sim, embaralhando o processo de investigação da Lava-Jato, enquanto aguarda as cartas na mesa. Esse jogo não vai terminar bem, e quem está pronto para cumprir a lei é o ministro Teori Zavascki.
História de Brasília
A indicação do cel. Dagoberto Rodrigues para o DCT é um merecimento. Desgarrado da grande equipe de Brasília, por forças das circunstâncias políticas, poderá se reencontrar com a oportunidade de prestar outro grande serviço ao país. (Publicado em 14/9/1961)

