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Para cúpula militar, Bolsonaro tem que encerrar logo a crise criada por Alvim

Publicado em Economia

A cúpula militar do Palácio do Planalto pediu ao presidente Jair Bolsonaro que demita sumariamente o secretário Nacional de Cultura, Roberto Alvim, para evitar uma crise ainda maior para o governo. Os generais Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, e Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, alertaram Bolsonaro que Alvim passou de todos os limites. Não há mais como mantê-lo no governo.

 

O secretário usou trechos de um discurso do ministro nazista Joseph Goebbels para falar do novo prêmio de arte do Brasil. A reação foi imediata. O governo passou a receber críticas de todos os lados, inclusive de apoiadores de primeira hora do presidente. As falas inaceitáveis de Alvim vieram logo depois do escândalo protagonizado pelo secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, cuja empresa, a FW Comunicação, recebeu dinheiro de tevês e agências de publicidade agraciadas com verbas públicas.

 

Sangramento

 

Para os militares, o governo precisa encerrar logo a crise com uma atitude enérgica, ou seja, a demissão urgente de Alvim. Monitoramentos feito pelo Planalto na redes sociais mostram que há tempos não se via tantos ataques ao governo, inclusive de aliados. “O presidente precisa estancar o sangramento de forma urgente”, diz um assessor do Planalto. Ele ressalta que as crises criadas tanto pelo secretário de Comunicação quanto pelo secretário de Cultura minaram ainda mais a imagem do governo.

 

De um lado, Fábio Wajngarten derrubou um mito de que não há indícios de corrupção no governo. Pegou muito mal uma pessoa tão próxima do presidente estar sendo acusada de receber dinheiro público para favorecer clientes de sua empresa. No caso de Roberto Alvim, consolidou-se a visão autoritária que marca o governo. Um secretário defende o nazismo e o filho do presidente, deputado Bolsonaro, já pregou a volta do AI-5. “Enfim, está tudo ruim neste momento para o governo”, acrescenta o mesmo assessor.

 

Brasília, 11h29min