Tai chi na escola

Compartilhe

Severino Francisco

Sempre que um mestre parte, eu fico me perguntando se ele sobreviverá à morte, se continuará vivo, se permanecerá inspirando as novas gerações. E isso ocorreu com a partida do Mestre Woo, que criou o tai chi da Entrequadra 104/105 Norte e a Praça da Harmonia Universal. Ele começou a fazer os movimentos na área dos gramados como se fosse um Quixote lutando contra moinhos de vento e adversários invisíveis.

Mas, na verdade, apenas exercitava uma prática milenar, que começou como arte marcial, mas se tornou uma terapia para promover a saúde, o bem-estar, o equilíbrio, a paz, a harmonia e a alegria. É impressionante, na primeira vez que você faz tai chi sente os benefícios, a ativação da energia, a intensificação do metabolismo, a expansão da respiração, a sensação de leveza e a melhora no nível de concentração. Essa é uma das razões pelas quais faço os exercícios do tai chi, religiosamente ou marcialmente, há exatos 39 anos.

Pois bem, o tai chi da Praça da Harmonia Universal continua muito vivo. A cada dia, surgem novos projetos. Com prazer, recebo a notícia de que o tai chi do Mestre Woo acaba de chegar ao Centro de Ensino Fundamental da 104 Norte. Não há a intenção de formar “discípulos-mirins” ou qualquer coisa desse tipo, como explica Aristein Woo, médico e filho do mestre Woo.

A prática dos exercícios visa colaborar com a formação familiar e escolar, desenvolvendo pessoas conscientes da relevância do autocuidado físico e mental. E que saibam respeitar a diversidade de visões e maneiras de viver com harmonia e paz.

Para o mestre Woo, o tai chi era um meio de promover a transformação social. Ver as novas gerações ocuparem a praça com respeito e disciplina é a realização máxima de sua visão: a de que o equilíbrio e a saúde são direitos fundamentais que devem ser cultivados desde a infância. Em um mundo cada vez mais acelerado, oferecer às crianças técnicas de concentração e equilíbrio emocional é um ato de vanguarda pedagógica, na visão de Priscila Andreghetto, uma das voluntárias e discípula do mestre Woo.

O depoimento das crianças é interessante. Heitor Costa, 11 anos, estudante da 6 ano C, e Emanuel Nunes, 12 anos, do 7.o ano A, ressaltaram que o projeto permite às crianças aprenderem sobre a história de Brasília, sobre a escola e o tai chi. É uma prática que estimula a socialização. As crianças ficam mais felizes quando fazem amigos e colegas de aprendizado. Ajuda no bem-estar da mente e do corpo. Contribui para reduzir o estresse do dia a dia. Promove a boa convivência, a humildade e a integração com os outros.

Essa é uma pequena experiência alentadora. O tai chi deveria ser introduzido em todas as escolas. Se isso ocorresse, as crianças seriam muito mais equilibradas, concentradas e harmônicas. Não é uma solução mágica, mas ajuda a enfrentar as batalhas cotidianas da vida. O tai chi é um caminho para a paz, o trabalho, a determinação, a fraternidade, a disciplina, a harmonia e a felicidade.

Severino

Publicado por
Severino

Posts recentes

Paulo Andrade

  Severino Francisco     O artista plástico Paulo de Andrade, que nos deixou neste…

4 dias atrás

Bola pro mato

  Severino Francisco A maneira como a gente torce por um clube é uma das…

3 semanas atrás

Brinde ao Beiras

  Severino Francisco     Na quinta-feira, à noite, dei uma passada na 109 Sul…

1 mês atrás

Néio Lúcio

Severino Francisco Desde o fim da noite de terça-feira, fiquei muito triste com a notícia…

2 meses atrás

O legado do mestre Woo

  Severino Francisco O mestre Woo nos deixou em novembro do ano passado, aos 93…

2 meses atrás

Disparidades de tratamento

Severino Francisco   Tomei um táxi e, para a minha estupefação, o motorista me perguntou…

2 meses atrás