Categoria: Sem categoria
O artista plástico Paulinho de Andrade morava na 312 Norte e havia um antropólogo da Funai no quinto andar. Certa noite, abriu o elevador e encontrou dois índios, com pinturas no corpo, armados de borduna, arco e flecha. Não falavam nada, provavelmente não dominavam a língua portuguesa.
Sou um repórter distraído, mas, mesmo assim, em minhas andanças, percebo que aumentou muito a população de aves na cidade. Pássaros visitam, diariamente, as janelas dos prédios. Alguns trinam com tanta delicadeza que poderiam se apresentar no Clube do Choro. Outros grasnam com tal contundência que fariam sucesso no Porão do Rock.
Quando José Salles Neto, o presidente da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, convidou o artista plástico Élder Rocha Lima para ilustrar a edição do livro Bernardo Élis Centenário – Contos selecionados, não tinha a menor ideia de que o artista era grande amigo do escritor goiano
O que se odeia no índio
não é apenas o ocupado espaço.
O que se odeia no índio
é o puro animal que nele habita,
é a sua cor em bronze arquitetada.
No início de abril de 1977, Glauber Rocha desembarcou em Brasília. Ele vinha a convite de dois amigos, os jornalistas Oliveira Bastos (editor-chefe) e Fernando Lemos (editor-executivo) do Correio Braziliense. Chegou mais dilacerado do que nunca
Estava ao lado de minha cama
atormentado pelas imagens
do planalto ardendo em chamas
quando tive uma alucinação
senti os pés perderem o chão
e vi os deputados federais
que venderam a alma a satanaz
para anistiar o crime do Caixa dois
se dirigindo à sala de um juiz
presos por algemas no inferno
com listras zebradas de presidiários
nos tailleurs importados e nos ternos.
Um céu que não era esperado
assim como ele foi
naquela tarde
Invasão de todos os céus
congraçamento
longitudinal espanto
formas e cores
rasgando pensamentos
Era tal, foi tal
a plenitude
que tudo quase parou
– pedestres elevaram as cabeças
motoristas desaceleraram
O Museu da República exibe a mostra Ruídos: a coreografia da violência, de Wagner Hermusche, e o Museu dos Correios exibe Lugares e ficções, de Pedro de Andrade Alvim. Duas mostras consistentes, frutos de trajetórias sólidas, que nos impactam de modo totalmente distinto.
O artista plástico Wagner Hermusche está apresentando, no Museu da República, uma mostra de dramática atualidade: Coreografia da violência. Escrevi o texto de apresentação. Republico, neste espaço, com algumas imagens, como um convite a uma visita ao Museu da República. No mundo regido pela velocidade virtual, os acontecimentos se precipitam e se acumulam vertiginosamente. E, não raras vezes, as coisas […]
Caetano Veloso assinou prefácio de edição recente da ficção A máquina de fazer espanhóis (Ed. Biblioteca Azul), do escritor português Valter Hugo Mãe. Ao fim do texto, Caetano manifesta alegria pela menção do autor a uma referência brasileira e, mais do que isso, brasiliense: “Bastar-me-ia registrar quão comovente é para mim – e suponho que o será para muitos brasileiros – saber que a audição de canções da Legião Urbana contribuiu para a formação da sensibilidade de quem realizou com tanta delicadeza trabalho tão potente”.


