Valverde mostra o que o Uruguai tem de sobra e falta ao Brasil

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Há quem coloque lupa apenas nos três gols de Federico Valverde na vitória do Real Madrid por 3 x 0 contra o Manchester City, no Santiago Berbabéu, no duelo de ida pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa. Vou aumentar o zoom e chamar a atenção para o que Marcelo Bielsa tem de sobra no Uruguai; e Carlo Ancelotti sente falta no Brasil.

O Uruguai fabrica meias. Dois são vinculados ao elenco mais caro da América do Sul. Arrascaeta e De la Cruz vestem a camisa do Flamengo. Valverde defende o Real Madrid. Betancourt trabalha no Tottenham. O Manchester United conta com Manuel Ugarte. O Sporting tem Maximiliano Araújo. O Al-Qadsiah emprega Nahitan Nández.

Há opções excelentes, ótimas, boas, razoáveis e controversas. O fato é que o Uruguai parte para a Copa no Canadá, nos Estados Unidos e no México com alternativas no setor em que Argentina e Espanha, por exemplo, são dominantes; e o Brasil passa imensa dificuldade.

Há um ano, em 21 de março do ano passado, Marcelo Bielsa se deu ao luxo de escalar o meio de campo do Uruguai com Valverde, Bentancur e Arrascaeta na derrota por 1 x 0 no Centenário, em Montevidéu pelas Eliminatórias para a Copa de 2026. Pergunta ao Carlo Ancelotti, que se vira com Casemiro e Bruno Guimarães, se ele gostaria de ter pelo menos um desses três. Provavelmente, ele escolheria Valverde por tê-lo comandado no Real.

Aos 27 anos, Valverde é um jogador especialíssimo. Tem capacidade para jogar em todas as funções do meio de campo. Nas horas vagas, quebra um galho em alto nível até mesmo na lateral direita. Coleciona partidas relevantes na posição contra Juventus, Liverpool, Manchester City, Benfica e outros tantos rivais assumindo essa responsabilidade.

Jogadores acima da média são assim. Valverde é um deles. Volante, meia, lateral, ponta e artilheiro. O camisa 8 comeu a bola posicionado do lado direito nas ações ofensivas e defensivas do Real. Acabou com o jogo partida daquele pedaço do campo, auxiliado pelo experiente lateral-direito inglês Trent Alexander-Arnold.

Quem costuma ser garçom foi servido na vitória contra o City. O goleiro Courtois dá o passe para Valverde abrir o placar.  Vinicius Junior inicia a trama da segunda com uma arrancada seguida de uma bela assistência. Brahim Diaz serve Valverde na jogada do terceiro gol.

O Real Madrid venceu o Manchester City porque dispõe de um jogador como Valverde em meio às ausências de astros como Jude Bellingham e Kylian Mbappé; e a displicência de Vinicius Junior na cobrança do pênalti que poderia ter ampliado o placar para 4 x 0. O Uruguai desembarcará forte na Copa por ostentar Valverde e uma coleção de meias. Exatamente o que o Carlo Ancelotti não tem na Seleção Brasileira.

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Marcos Paulo Lima

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