Depois de resolver o jogo em campo, Neymar perdeu a cabeça fora dele. Foto: Raul Baretta/ Santos FC
Um dia antes de enfrentar o Remo no duelo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil, Neymar fez críticas ao tratamento dado aos jogadores de futebol durante o leilão beneficente, em São Paulo, para o Instituto Neymar Jr., que atende a três mil crianças.
“O psicológico do jogador é forte. O meu, acho que é bem forte, por sinal, mas nem todos são assim. Uns sofrem mais, outros sofrem menos”, declarou o camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira em entrevista ao jornalista Thiago Asmar no evento particular.
Neymar fez questão de ressaltar: “O meu, acho que é bem forte”. No entanto, os acontecimentos registrados em vídeo pelo colega jornalista Breno Rayol no Mangueirão colocam essa afirmação em xeque. Minutos depois de comandar a classificação do Santos com uma assistência para Rony na vitória por 1 a 0, o craque teve uma noite de destempero a caminho do vestiário e perdeu a razão.
Em meio a uma troca de gritos e palavrões, Neymar reagiu aos berros de “eliminado” vindos de torcedores do Remo, fez gestos em direção aos azulinos e respondeu com ofensas. A tensão aumentou quando torcedores em membros da cúpula do clube paraense pressionaram as grades de segurança, enquanto profissionais do Santos tentavam evitar uma confusão generalizada nos bastidores do Mangueirão.
O episódio se soma a outros momentos de perda de controle atribuídos ao jogador nesta temporada. Antes da Copa do Mundo, veio à tona um desentendimento com Robinho Júnior no Santos. O caso acabou sendo tratado internamente e ganhou pouca repercussão às vésperas da convocação de Carlo Ancelotti.
Na derrota por 2 x 1 para a Noruega, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, Neymar também se envolveu em discussões com o goleiro Nyland antes e depois da cobrança de um pênalti. Posteriormente, criou caso com o meia Odegaard e recebeu cartão amarelo na eliminação brasileira.
Mais recentemente, segundo apuração do ge, outro momento de tensão teria ocorrido no vestiário após o empate com a Chapecoense pelo Campeonato Brasileiro. Os jovens Gabriel Bontempo e João Ananias teriam sido alvo de cobranças duras do camisa 10. No ano passado, a vítima foi o atacante Deivid Washington, que chorou.
Isoladamente, qualquer um desses episódios poderia ser tratado como consequência da pressão inerente ao futebol de alto rendimento. O conjunto deles, porém, revela um padrão de reações impulsivas que contrasta com a imagem de equilíbrio emocional apresentada pelo próprio jogador.
Esse histórico não autoriza qualquer conclusão sobre a saúde mental de Neymar, tampouco permite fazer um diagnóstico. Evidencia, porém, que os comportamentos recentes destoam do discurso de quem afirma ter um psicológico especialmente forte. Se o próprio Neymar defende que os jogadores precisam cuidar da saúde mental e falar mais sobre o tema, talvez essa reflexão também seja válida para ele.
Leia também
César Menotti e Fabiano explicam os dois leilões vencidos por Neymar
X: @marcospaulolima
Instagram: @marcospaulolima.jor
De São Petersburgo, na Rússia, o colega jornalista Dmitry Zimin, setorista do Zenit pelo principal…
A Copa do Brasil pode ter até seis técnicos estrangeiros nas quartas de final entre…
A possível contratação de Luiz Henrique pelo Flamengo não é apenas um movimento de mercado.…
A canção Leilão, da dupla César Menotti & Fabiano, parece ter sido escrita para explicar…
Em tempos de críticas fortes — e necessárias — aos técnicos nacionais, é preciso…
Nova York — Aos 38 anos, o zagueiro Timothy Michael, o Tim Ream, teve uma…