O ponta do time russo interessa ao Flamengo nesta janela de transferência. Foto: Zenit/Divulgação
A possível contratação de Luiz Henrique pelo Flamengo não é apenas um movimento de mercado. Trata-se de mais uma tentativa de resolver um problema. Desde que Everton Ribeiro saiu, no fim de 2023, o Flamengo procura um novo protagonista para o lado direito do ataque. Quase três temporadas depois, o time conquistou títulos, mudou de treinador, reformulou o elenco, mas a posição nunca teve um dono incontestável.
O setor não ficou desocupado, mas nenhum jogador conseguiu desempenhar, de forma permanente, a função exercida por Everton Ribeiro durante quase sete anos.
Luiz Araújo ofereceu velocidade, profundidade e capacidade de romper linhas no um contra um. Gonzalo Plata acrescentou mobilidade, drible e explosão. Gerson foi utilizado pelo corredor direito para dar mais força física e qualidade à circulação da bola.
De la Cruz concentrou parte da criação pelo centro. Filipe Luís também experimentou Lucas Paquetá aberto pela direita, apostando na inteligência tática e na capacidade de associação do meia-atacante. Carrascal apareceu no setor para explorar a condução de bola e a criatividade entre as linhas. Crias do Ninho do Urubu, Matheus Gonçalves e Lorran também receberam oportunidades.
Cada um apresentou uma solução diferente.
Nenhum se firmou como o dono da posição.
Everton Ribeiro nunca foi apenas um ponta. Era um organizador disfarçado de atacante. Recebia aberto, aproximava-se de Arrascaeta, dialogava com o lateral direito — como na jogada do gol do título da Libertadores de 2022, ao tabelar com Rodinei antes do cruzamento para Gabriel Barbosa —, acelerava ou desacelerava o ritmo da partida e transformava o corredor direito em um dos principais centros de criação do Flamengo.
A saída dele modificou o desenho ofensivo da equipe. O lado direito deixou de ser, predominantemente, um espaço de construção para se tornar um corredor de velocidade e profundidade. O Flamengo passou a atacar mais pela aceleração do que pela associação. Funcionou em muitos momentos. Mas nunca reproduziu a fluidez que marcou o período mais vencedor da história recente do clube.
Daí o interesse por Luiz Henrique. Mais do que contratar um atacante, o Flamengo busca recuperar protagonismo pelo lado direito. Um jogador capaz de equilibrar o ataque, criar vantagens no duelo individual e oferecer ao time uma alternativa ofensiva consistente. O Palmeiras, por exemplo, tem isso com Allan na direita e Arias na esquerda.
Luiz Henrique não é um novo Everton Ribeiro. Tem características distintas. É mais explosivo, mais vertical e mais agressivo na busca pelo gol. Ainda assim, representa a tentativa mais contundente da diretoria de solucionar um arrastado problema.
Quando um clube está disposto a fazer um dos maiores investimentos de sua história por um atleta que atua exatamente na posição ocupada por tantas soluções provisórias desde 2024, a mensagem é clara.
O Flamengo nunca deixou de procurar um sucessor para Everton Ribeiro no corredor direito do ataque.
Luiz Henrique pode ser o primeiro candidato a encerrar essa busca.
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