Rony lustra a chuteira de Neymar depois de receber assistência. Foto: Raul Baretta/ Santos FC
A canção Leilão, da dupla César Menotti & Fabiano, parece ter sido escrita para explicar os últimos dias de Neymar.
Não apenas pelo evento beneficente promovido na noite de segunda-feira, em São Paulo, mas pelo momento da carreira do protagonista — ou melhor, do coadjuvante de Rony na vitória do Santos por 1 x 0 sobre o Remo, no Mangueirão, em Belém. A assistência do camisa 10 recolocou o Peixe nas quartas de final da Copa do Brasil depois de cinco anos. A última presença entre os oito melhores havia sido em 2021.
“Estou à beira da loucura / Ninguém mais me segura / Tô fora da sua vida…”
Os versos dialogam com o momento vivido por Neymar. O camisa 10 dá sinais de que o ciclo na Seleção Brasileira chegou ao fim. Enquanto Neymar Pai ainda fala na Copa do Mundo de 2030, o filho demonstra estar em outra sintonia.
“Quero a minha liberdade…”
Neymar parece cansado da rotina. Depois de duas décadas entre treinos, concentrações, viagens e jogos em um calendário cada vez mais desumano, o craque sonha com algo que o futebol raramente oferece: liberdade para viver.
“Eu quero a felicidade / Saber na verdade quem gosta de mim.”
Quem gosta de Neymar estava no leilão beneficente realizado na noite de segunda-feira, em São Paulo. O evento arrecadou cerca de R$ 21 milhões para o Instituto Neymar Jr. Em vez de viajar com a delegação santista, ele permaneceu na capital paulista e embarcou para Belém apenas na manhã da partida.
Foi aí que a palavra leilão ganhou um segundo significado.
Na segunda-feira, Neymar ajudou a arrecadar R$ 21 milhões para o instituto que leva seu nome. Na terça-feira, ajudou o Santos a conquistar outros R$ 4 milhões com a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil. Uma assistência para Rony valeu um prêmio milionário a um clube que continua devendo perto de R$ 100 milhões ao principal jogador do elenco.
Em pouco mais de 24 horas, Neymar participou de dois leilões. Um beneficente. Outro esportivo.
“Eu vou fazer um leilão / Quem dá mais pelo meu coração…”
No fundo, é exatamente disso que trata a relação entre Neymar e o Santos.
Entre tapas e beijos, cobranças e idolatria, o clube tenta convencer o maior ídolo da geração a permanecer comprometido com o projeto. Neymar, por sua vez, parece tentar reencontrar prazer em jogar futebol.
A noite em Belém só não foi perfeita porque o camisa 10 desperdiçou, cara a cara com Marcelo Rangel, a oportunidade de marcar o gol da classificação. Ainda assim, foi decisivo.
Refém de Neymar, o Santos segue vivo na Copa do Brasil, nas oitavas de final da Copa Sul-Americana e enfrenta o maior desafio do segundo semestre: permanecer na Série A.
Enquanto Neymar procura motivos para voltar a viver o futebol, o Santos tenta apenas sobreviver.
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