Luiz Henrique: fim das negociações com o Fla. Foto: Mike Kireev/NurPhoto / Shutterstock Editorial / Profimedia
De São Petersburgo, na Rússia, o colega jornalista Dmitry Zimin, setorista do Zenit pelo principal portal esportivo do país, o championat.com, conta ao Blog bastidores de um acordo entre Luiz Henrique e o Zenit antes da Copa do Mundo.
Nome certo na convocação de Carlo Ancelotti, o atacante e o clube combinaram em comum acordo que o ponta seria vendido depois da campanha do Brasil no Canadá, nos Estados Unidos e no México. De um lado, a decepção do clube com o investimento. Do outro, a vontade do atleta de sair.
A jogada ensaiada era a seguinte: Luiz Henrique disputaria a Copa do Mundo pela Seleção, se destacaria na América do Norte, automaticamente se valorizaria, o Zenit receberia ofertas por ele e o liberaria na janela de transferências europeia deste meio da temporada por um bom preço estipulado pelo clube russo: 35 milhões de euros.
Diante disso, Luiz Henrique começou a preparar a mudança. Deixou a residência na qual mora em São Petersburgo rumo ao Rio para se apresentar à Seleção Brasileira, distribuiu a maioria dos pertences em várias bagagens e voou de volta ao Brasil.
Segundo Dmitry Zimin, o maior indicativo da certeza de que ele não retornaria à Rússia foi a venda do carro usado nos deslocamentos no país do Leste Europeu.
Detalhe: àquela altura, Luiz Henrique era cotado para iniciar a Copa do Mundo entre os titulares. Lesionados, Estêvão e Rodrygo ficaram fora da lista de Carlo Ancelotti. O jogador do Zenit iniciou o amistoso contra o Panamá, no Maracanã, entre os 11. A história começou a mudar quando o Brasil desembarcou em Nova Jersey para o início dos treinamentos.
Carlo Ancelotti escalou Casemiro, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá, Raphinha, Igor Thiago e Vinicius Junior do meio para a frente contra o Egito, em Cleveland. A formação se repetiu na estreia da Seleção contra Marrocos no empate por 1 x 1 no MetLife Stadium.
Luiz Henrique entrou no segundo tempo, ficou 38 minutos em campo, incluindo os acréscimos, e caiu no esquecimento do italiano. Rayan cresceu depois da lesão de Raphinha, se firmou na função e deixou os concorrentes Endrick e Luiz Henrique para trás.
A expectativa do Zenit e de Luiz Henrique de recebê-lo de volta em alta não se confirmou. O clube reiterou ao atacante e aos representantes dele o desejo de recuperar o valor total aplicado na contratação. Foram pagos ao Botafogo 35 milhões de euros em 2025.
Eis a questão. Em princípio, o Zenit queria o pagamento à vista. Motivo: a onda de calotes dos times brasileiros. O time russo escolheu se blindar de problemas recentes como a cobrança ao Botafogo pela venda de Artur. O caso precisou de intermediação da Fifa.
O relacionamento institucional e financeiro do Zenit com o Flamengo é bom, mas os russos não quiseram “vender para ver”. Alguns clubes brasileiros têm parcelado compras com times europeus. Na hora de quitá-las, apresentam justificativas para protelá-las e assumem o risco do transfer ban.
O Zenit cansou da artimanha. Bateu o pé até mesmo com o Flamengo exigindo a maioria do pagamento à vista. O Flamengo prefere pagar parcelado.
A corda esticou na última quarta-feira até os agentes do jogador admitirem na noite desta sexta o encerramento das negociações.
O Flamengo acenou com uma oferta de 30 milhões de euros fixos mais 5 milhões de euros previstos em bônus. O Zenit reagiu com a flexibilização do parcelamento.
O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, freou José Boto estabelecendo o teto de 25 milhões para compras nesta janela. Considera que Luiz Henrique está em baixa. O Zenit resiste por 35 milhões de euros, o valor mais alto da carreira do jogador. A conversa havia chegado ao fim.
Depois de perder Thiago Almada para o River Plate, o Flamengo fica também sem Luiz Henrique nesta janela de transferências. Assunto temporariamente encerrado.
Luiz Henrique pode até sair nessa janela, como ficou acordado entre o ponta e o Zenit, mas não para o time rubro-negro. Um destino comum de quem sai da Rússia tem sido a Arábia Saudita. Esse foi o destino, por exemplo, de Malcom e de Claudinho. Os xeques topam pagar sem parcelamento.
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