Privacidade zero: Abel Ferreira e o perigo do “grampo” na Libertadores

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Abel Ferreira vai reclamar em breve — com razão — da falta de privacidade à beira do campo na pausa para hidratação. Dá para ouvir quase tudo, como acontece em esportes como vôlei ou basquete. A diferença é: não estamos mais na época analógica.

Vivemos a era digital. A informação corre na “velocidade da luz”. Um assistente antenado fora das quatro linhas pode interceptar instruções pelo smartphone, passar aquela mensagem instantânea por aplicativo para a comissão técnica e minar os planos do adversário.

Houve vazamento da instrução de Abel Ferreira à beira do campo. O português diz assim enquanto os comandados tomam água: “Tem que ser o Arias e o Allan a romper. Está bem?”, indica o lusitano. Allan era o ponta pela direita. Arias, o extremo esquerdo. Ele queria o avanço de ambos em cima dos laterais do Cerro Porteño para chegar às redes.

Assim foi. Allan bagunça a defesa do time paraguaio pela direita e cruza rasteiro para dentro da área. Quem surge do outro lado fechando como se fosse um centroavante? O colombiano Arias desvia a bola para dentro da rede do goleiro Martín Arias. Para sorte do Abel Ferreira, os auxiliares analógicos e digitais de Ariel Holan engoliram mosca.

Por falar em sorte, que azar do goleiro Carlo Miguel. A vitória do Palmeiras estava nas mãos até o camisa 1 alviverde tomar literalmente uma bola nas costas da trave direita no chute venenoso de Iturbe de fora da área. Ele estava na bola, mas o poste decidiu castigá-lo em um lance de infelicidade. O Palmeiras perdeu mais dois pontos fora de casa.

Abel Ferreira não reclamou do “grampo” à beira do campo porque a trama deu certo, mas achou ruim a dimensão do gramado. Com razão. Trata-se da Libertadores e não de uma pelada entre amigos em um fim de semana de churrasco.

O campo precisa ter as mesmas dimensões em todos os jogos — e a Conmebol é responsável por essa checagem. Há brecha no regulamento e o Cerro Porteño espertamente aproveitou. É exigir demais a padronização. A Copa América de 2024 teve menos espaço para os jogadores nos EUA e ficou por isso mesmo. Houve reclamação geral das seleções nenhuma atitude foi tomada.

Isso não justifica o resultado ruim do Palmeiras. A fórmula das vitórias pelo placar mínimo não vai funcionar sempre. Variáveis como a reação do Cerro Porteño em um lance de sorte acontecem e mudam a dinâmica de uma partida. O Palmeiras quase fez o segundo, porém Martín Arias evitou com o pé em uma defesa extraordinária e frustrou a torcida alviverde.

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Abel Ferreira Bastidores do futebol Cerro Porteño Conmebol Drible de Corpo Era Digital Futebol Sul-Americano Libertadores Palmeiras privacidade-abel-ferreira-grampo-libertadores Tática

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