Como a Fiel gosta: incansável, Raniele (E) disputa a bola com Gaston Togni. Foto: Miguel Schincariol/ AFP
Desde que Fernando Diniz assumiu o Corinthians, fiz ponderações importantes sobre os trabalhos recentes do profissional escolhido para o lugar de Dorival Júnior, chamei a atenção para o zelo do treinador por camisas 10, os chamados meias à moda antiga, e para o papel do zagueiro Gustavo Henrique em uma defesa invicta há sete jogos consecutivos.
Para mim, a vitória por 2 x 0 contra o pentacampeão continental Peñarol tem a assinatura de um personagem discreto, mas importantíssimo na engrenagem do Corinthians: o volante Raniele. Fernando Diniz gosta de jogadores com esse perfil. Tinha os carregadores de piano Luan e Diego Costa no São Paulo. André e Matheus Martinelli no Fluminense na conquista inédita da Libertadores. Cauan Barros e Tiago Mendes no vice do Vasco na Copa do Brasil no ano passado. Camacho era o cão de guarda naquele Audax finalista do Paulistão de 2016 contra o Santos.
Há um padrão em todos esses times. O volante não costuma ser um brucutu. Atende a um pré-requisito de Fernando Diniz: sabe destruir — e construir. Raniele funcionou como um trator na batalha do meio de campo contra o Peñarol. Destruiu e construiu.
Dos 18 desarmes do Corinthians, quatro foram de Raniele. Protagonizou nove cortes. Ganhou cinco duelos aéreos. Recuperou três bolas. Não cometeu uma falta sequer. Com um fôlego impressionante, ele ajudou o trio de meias à frente dele formado por Breno Bidon, Rodrigo Garro e Lingard a criar. A combinação com André evolui. Guardadas as devidas proporções, lembra um pouco os tempos de Ralf e Paulinho, por exemplo.
Raniele é o ponto de equilíbrio de um Corinthians em evolução sob o comando de Diniz. Não fez gol contra o Peñarol, como os colegas Gustavo Henrique e Lingard, mas teve influência no jogo ao cumprir as missões dadas pelo técnico.
Para terminar, um último exemplo do comprometimento de Raniele. No domingo passado, o volante topou atuar improvisado na lateral direita para suprir a ausência de Matheuzinho. Quantas vezes você viu André virar zagueiro no Fluminense? Hugo Moura trocar o papel de cabeça de área pelo de beque no Vasco. Eu poderia citar outros casos, mas esses bastam para explicar por que Raniele não é um jogador qualquer sob o comando de Fernando Diniz.
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