O erro do Independiente, o direito do Flamengo e a boa memória de Medellín

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O comportamento do Independiente Medellín antes do jogo contra o Flamengo é no mínimo lamentável ao se recusar a jogar com portões fechados no Estádio Atanasio Girardot. O clube sabia do risco anunciado de protestos graves ensaiados por barras bravas inflamados. Insistiu em vender ingressos. Pagou para ver um minuto de jogo até a paralisação. Houve mais de um alerta acerca da periculosidade envolvendo a partida.

Não havia mais clima para o jogo. Era questão de tempo para a Conmebol transformar a suspensão temporária em cancelamento. O Independiente Medellín será punido pela entidade máxima do futebol sul-americano como foi o Colo Colo na temporada passada devido ao cenário de guerra na partida contra o Fortaleza no Monumental pela Libertadores.

José Boto reivindicou os três pontos para o Flamengo. É o que deve acontecer. O regulamento da Conmebol deixa claro: a responsabilidade pelas atitudes da torcida e por dar segurança a todos é dos times mandantes. O Independiente Medellín desafiou o risco. O crédito dos pontos é lento e passará pelo crivo da Comissão Disciplinar da Conmebol.

» O Regulamento: O Código Disciplinar da Conmebol é implacável nos Artigos 7 e 12. O mandante é responsável pela ordem no estádio e em suas mediações.

» O “W.O. Administrativo”: Se ficar provado que o clube não garantiu as condições mínimas após avisos das autoridades, a perda de pontos (placar de 3 a 0 para o Flamengo) é a tendência jurídica natural.

» Decisão: No ano passado, o tempo entre o cancelamento do jogo entre Colo Colo e Fortaleza, em Santiago, e a decisão da Fifa sobre a vitória do time cearense por 3 x 0 foi de 20 dias. Jogo em 10/4 e punição em 30/4.

O comportamento de parte da torcida do Independiente Medellín é inaceitável, mas os vândalos não representam uma cidade com o coração do tamanho do carinho demonstrado há 10 anos na tragédia com o o avião da Chapecoense antes da final da Sul-Americana.

O adversário do time catarinense era outro, o Atlético Nacional, mas Medellín se mobilizou em homenagem às vítimas de uma maneira inesquecível no mesmíssimo Estádio Atanasio Girardot para se manifestar em solidariedade às famílias envolvidas no acidente. Foi um espetáculo lindo e inesquecível de um clube que abriu mão da taça e cedeu o título inédito a Chapecoense em uma decisão tomada pelos jogadores, comissão técnica e a diretoria.

Recomenda-se separar episódios e usar a memória antes de lacrar a cidade colombiana. O Independiente Medellín errou. Os vândalos devem ser punidos. Generalizar o episódio com críticas irresponsáveis e até preconceituosas ao povo colombiano, não. Reforço: lembremos do que fizeram em 2016.

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Atanasio Girardot Chapecoense Conmebol Flamengo Futebol Sul-Americano Independiente Medellín José Boto Justiça Desportiva Libertadores Segurança no Esporte

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