Grêmio, Luís Castro e os métodos de contratação dos times brasileiros

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“Descoberto” pelo Botafogo, Luís Castro volta ao Brasil para assumir o tricolor. Arte: Grêmio

Na gestão do futebol brasileiro, pouco se cria, quase tudo se copia. Para mim, o Grêmio acerta na contratação de Luis Castro, mas o clube teve o processo seletivo encurtado pelo Botafogo. Afinal, John Textor e companhia foram os primeiros a trazê-lo para o Brasil.

Poucas diretorias dedicam-se com profundidade à descoberta do novo, como fez, por exemplo, o Palmeiras, ao acertar por acaso na contratação de Abel Ferreira. Vale lembrar: o sonho de consumo era Miguel Ángel Ramírez. Jorge Sampaoli também figurou entre os alvos até que o português trocou a vida na Grécia com o PAOK pela experiência inédita no Palestra Itália.

Semifinalista da Copa do Brasil, o Fluminense evitou gastar tempo com uma escolha autoral e contratou Luis Zubeldía devido aos serviços prestados pelo argentino no São Paulo.

Vasculhar o mercado dá trabalho. Os executivos do Inter não quiseram saber disso. Focaram no técnico Ramón Díaz com base no que ele e o filho fizeram no Botafogo, no Vasco e no Corinthians. Resultado: o time gaúcho quase desabou para a segunda divisão.

Originalidade demanda sacrifício. O Fortaleza inovou ao lançar Martín Palermo no mercado brasileiro. Antes, Marcelo Paz pinçou Juan Pablo Vojvoda. O Santos copiou-colou e contratou o hermano muito mais pelo currículo dele no Tricolor do Pici do que por convicção do presidente Marcelo Teixeira ou do braço direito dele, o executivo Alexandre Mattos.

Há escolhas recentes autorais como as do Atlético-MG ao experimentar o venezuelano Rafael Dudamel. Gabriel Milito também foi uma baita sacada do Galo. O Cruzeiro inovou na contratação do português Leonardo Jardim. Antes, achou Paulo Pezzolano, Pepa e Nicolás Larcamon. O Internacional aplicou um rico dinheirinho nos acerto com Jorge Fossati, Diego Aguirre, Eduardo Coudet, Alexander “Cacique” Medina e Miguel Ángel Ramírez, por exemplo. O Grêmio investiu em Gustavo Quinteros nesta temporada e se arrependeu.

O Botafogo é original nas escolhas. Contratou Luís Castro, Bruno Lage, Artur Jorge e deu oportunidade a Davide Ancelotti, filho de Carlo Ancelotti. O Vasco elegeu Ricardo Sá Pinto e Álvaro Pacheco. Os dois portugueses não vingaram em São Januário.

O Flamengo atravessou o Atlético-MG ao fechar com Jorge Jesus em 2019. Foi feliz na escolha, mas infeliz em tantas outras. Domenec Torrent e Paulo Sousa não funcionaram. Invejou Vitor Pereira do Corinthians e o lusitano durou pouco tempo no Ninho do Urubu.

O São Paulo coleciona erros e acertos. Foi criativo ao delegar a prancheta a Edgardo Bauza e a Hernán Crespo. Fechou com Diego Aguirre com base no que o uruguaio havia feito no Internacional e no Atlético-MG.

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Marcos Paulo Lima

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