A Finalíssima tinha até cartaz e seria em 27 de março no Catar: a guerra de Trump contra o Irã não deixou
Dallas — A Copa do Mundo terá pela primeira vez uma final entre os campeões vigentes da Eurocopa e da Copa América: Espanha x Argentina. Isso jamais havia acontecido em quase 100 anos na história do torneio inaugurado em 1930. Frustrado pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, o duelo entre Argentina e Espanha deveria ter sido disputado no primeiro semestre em Doha, no Catar. O conflito impediu o tira-teima entre as seleções de Lionel Messi e de Lamine Yamal, mas os deuses da bola corrigiram o que Trump quase impediu.
Quase, porque a Inglaterra saiu na frente na bela semifinal lá em Atlanta. Em um post anterior, eu havia destacado que os 13 gols dos campeões de 1966 nesta Copa eram de jogadores em atividade fora da Premier League na temporada de 2025/2026: seis de Harry Kane do Bayern de Munique, seis de Jude Bellingham do Real Madrid e um de Marcus Rashford, ex-Barcelona, de volta ao Manchester United. Thomas Gordon joga no time catalão e abriu o placar na pulsante Mercedes Arena, no estado da Geórgia.
Aí, entrou em cena Thomas Tuchel. Na linha tênue entre levar a Inglaterra à segunda final e ampliar o jejum para 64 anos em 2030, ele preferiu recuar na tentativa de administrar o placar mínimo. Erro grave. Parece não ter assistido aos jogos da Argentina contra Cabo Verde, Egito e Suíça. Os atuais campeões têm uma energia e uma resiliência incomum nesta edição. São movidos pela dor. Quanto maior, mais prazer pela vitória.
Recuada como se fosse a seleção de “Andorra”, a Inglaterra viu a Argentina fazer uma blitz na frente da área. O goleiro Pickford operava milagres até que não deu mais. Enzo Fernández empatou a partida com um chute lindíssimo de fora da área, igualou o placar e transformou Atlanta em um puxadinho de Buenos Aires com um ambiente de Libertadores.
Faltava o tempero de Messi no jogo e ele partiu da direita. Em vez de flecha, agiu como arco. Partiu dele o cruzamento milimétrico na cabeça de Lautaro Martínez para decretar a virada. Décima assistência do maior artilheiro na história das Copas. E coleciona 21 gols no torneio. Uma performance incrível. Messi está na final pela terceira vez: 2014, 2022 e 2026.
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