Ancelotti perde convicção, escala mal, buga Brasil e é salvo por Vini

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New Jersey — Os 17 dias de treino do Brasil até o empate por 1 x 1 com Marrocos no Grupo C da Copa do Mundo serviram para Carlo Ancelotti perder a convicção. A escalação inicial com Ibañez na lateral direita, Douglas Santos na esquerda, Lucas Paquetá no meio de campo e Igor Thiago na frente bugou a Seleção. Denunciou a falta de entrosamento. O italiano gostou do que viu no primeiro tempo na vitória contra o Egito e decidiu replicar. Errou na escolha e foi salvo pelo talento individual de Vinicius Junior.

Ancelotti confiava no sistema 4-4-2 com Casemiro e Bruno Guimarães. Ao lado deles, os pontas Luiz Henrique e Raphinha, com Vinicius Junior e Matheus Cunha na frente. Na defesa, Danilo e Alex Sandro seriam os caras da consistência ao lado de Marquinhos e de Gabriel Magalhães. Os treinos fechados esconderam o que se viu do Brasil na etapa inicial.

Foi o pior primeiro tempo da Seleção desde a eliminação contra a Bélgica nas quartas de final de 2018. Lukaku, De Bruyne e Hazard fizeram o que quiseram e o Brasil amargou 2 x 0 no primeiro tempo. Diminuiu no segundo tempo, mas não impediu o adeus à Copa. Marrocos desperdiçou a oportunidade de fazer o mesmo. Ganhou um gol de presente do meia Lucas Paquetá, é verdade, mas o time africano construiu lances para ampliar.

Fragilizado sem a bola, o Brasil sentia falta da recomposição de Matheus Cunha no meio de campo e de Danilo Santos. O jogador do Botafogo entregou estabilidade defensiva e força ofensiva nos últimos amistosos, mas Carlo Ancelotti preferiu Lucas Paquetá. Ele, Casemiro e Bruno Guimarães não se completaram. O volante parou adversários na marra e recebeu cartão amarelo. Sobrecarregado, Ibañez também ficou pendurado e não voltou.

Ibañez tentou emular o que Ancelotti queria de Éder Militão. Jogou mal. Saiu do time no intervalo para a entrada de Danilo. Douglas Santos não subia na tentativa de economizar a energia de Vinicius Junior. O camisa 7 correspondeu com protagonismo.

Venceu dois duelos à parte com Hakimi. No primeiro, cruzou para Igor Thiago. O brasiliense não alcançou a bola. Na segunda tentativa, o talento individual amenizou a trágica exibição coletiva do Brasil. Vini fez um golaço. O segundo dele em Copas. O outro havia sido aquele contra a Coreia do Sul nas oitavas de final de 2022, em Doha, no Catar.

No segundo tempo, aos poucos Carlo Ancelotti retomou a convicção. Luiz Henrique deu lampejos à abandonada ponta direita. Matheus Cunha entregou estabilidade tática ao time. Fabinho entrou bem no lugar do pendurado Casemiro. Danilo deu menos sustos do que Ibañez e o time criou oportunidades. O goleiro Bounou entrou em ação em uma finalização de Igor Thiago no início da etapa final e em um chute fraco de Raphinha em passe de Vini.

Pobre de marré deci, o Brasil segue sem perder em estreias desde 1934, mas repetiu a largada de 2018, quando o time de Tite empatou por 1 x 1 com a Suíça. A primeira exibição é o retrato do que foi o ciclo de três anos e meio. O primeiro campeão mundial a entrar em campo na Copa não assusta ninguém — e não dá pinta nenhuma de que brigará pelo hexa.

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Análise tática Carlo Ancelotti Copa do Mundo 2026 Crônica Esportiva Drible de Corpo Estreia da Seleção Grupo C Hakimi Hexa Ibañez Igor Thiago Lucas Paquetá Marrocos New Jersey Seleção Brasileira Vinícius Júnior

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