Livano Comenencia celebra o gol da cacjprra. Foto: Paul ELLIS / AFP)
Meu personagem do dia 4 de 39 na Copa do Mundo é um holandês. Não, não estou falando de Ronald Koeman, protagonista de um baita jogo no empate por 2 x 2 com o Japão. Meus aplausos são para o senhor Dick Advocaat. O técnico de 78 anos do debutante Curaçao conseguiu tornar um gol mais importante do que os sete marcados pela Alemanha no 7 x 1 da partida realizada em Dallas nesse domingo pela primeira rodada do Grupo E.
Dick Advocaat é um técnico histórico do PSV Eindhoven. Marcou época no Rangers da Escócia e no Zenit São Petersburgo da Rússia. Um europeu na contramão do presidente da Uefa respondendo na bola aos ataques baratos do esloveno Aleksander Ceferin ao aumento do torneio de 32 para 48 países no Canadá, nos Estados Unidos e no México. “A expansão da Copa do Mundo para 48 seleções pode levar a partidas sem interesse”, criticou.
O eurocentrismo de quem colaborou com o aumento da Eurocopa de 16 para 24 países em troca de votos não pode ignorar a presença de 68.274 torcedores no NRG Stadium, em Houston. Muito menos a comoção pelo gol de Livano Shyron Liomar Comenencia. O lateral nascido em Breda, na Holanda, adicionou ao almanaque dos Mundiais o feito do país com a menor população a balançar a rede em uma edição da Copa.
Curaçao tem 156 mil habitantes. O recorde era da Islândia com 300 mil moradores. Na sequência aparecem Trinidad e Tobago e a Irlanda do Norte. O feito liderado pelo competente técnico Dick Advocaat ao liderar Curaçao desencadeou uma resposta no mínimo constrangedora ao mandatário da Uefa.
“As federações de futebol de Cabo Verde, Curaçao, Uzbequistão, Congo, Haiti, Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul expressam profunda decepção após as recentes declarações do presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, a respeito da expansão da Copa do Mundo da Fifa e da classificação de diversas partidas como desinteressantes”, inicia a nota oficial de 13 seleções.
“Para os nossos países, nenhuma partida da Copa é insignificante. Para os nossos países, a classificação representa uma conquista histórica e a realização de um sonho compartilhado por gerações”, desabafam os signatários do documento.
“Sugerir que algumas de nossas partidas serão de alguma forma menos importantes é profundamente decepcionante e equivale a ignorar os esforços, sacrifícios e aspirações de jogadores, treinadores, clubes, dirigentes de futebol e torcedores de todo o mundo”, rebate.
Na conclusão houve mais uma estocada em Ceferin. “Por trás de cada qualificação, existem anos de trabalho e investimento. Por trás de cada seleção nacional, comunidades inteiras e milhões de pessoas que valorizam o futebol como fonte de orgulho, esperança e união”.
Dick Advocaat estava nos Estados Unidos na Copa de 1994. Caiu nas quartas de final contra o Brasil. À época, o torneio era disputado por 24 seleções. Ele resistiu ao tempo. Trinta e dois anos depois, entra para a história de Curaçao ao construir o gol na estreia. Valeu pelos sete da Alemanha porque teve o poder de transformar e mobilizar o mundo contra Ceferin.
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