Brasil ativa o modo Branco para ter Neymar curado na Copa do Mundo

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Há 32 anos, Carlos Alberto Parreira tomou uma das decisões mais seguras na campanha do tetra nos Estados Unidos. Claudio Ibrahim Vaz Leal, o Branco, não era o astro da companhia, mas ocupava um pedestal importante no elenco convocado para a Copa de 1994: o lateral havia disputado o torneio em 1986 e em 1990. Exalava experiência. Qualquer semelhança com o drama de Neymar, em tratamento intensivo de uma lesão de grau 2 na panturrilha…

Antes do Mundial, Branco sofreu uma grave lesão no nervo ciático. A enfermidade causava forte dor na bacia. O médico Lídio Toledo também revelou à época um outro diagnóstico: a perna esquerda do jogador é um centímetro mais curta do que a direita. Portanto, uma das causas da insuportável lesão nas costas. Ele passou a usar uma palmilha no pé esquerdo.

Aos 30 anos, Branco vivia um drama. Havia argumentos para que fosse cortado. Chateado com as notícias de que ele havia sido reprovado nos testes físicos, iniciou uma greve de silêncio. O lateral treinava à base de Voltaren, um anti-inflamatório forte. O preparador físico Moracy Sant’Anna fez uma sessão de pique curto. Branco não aguentou. Caiu na metade.

Branco foi chamado para a uma reunião. Tinha certeza do corte, mas ouviu do médico Lídio Toledo a promessa de que iria recuperá-lo em uma semana. Carlos Alberto Parreira bancou a permanência com as seguintes palavras: Tu foi, tu é e tu vai ser importante”.

A contrapartida foi Branco cumprir as sessões de fisioterapia. Eram até três sessões diárias. Lutava contra a dor. Tomava injeções, não treinava no gramado, usava gelo no local da contusão e fazia banheira de hidromassagem. Um calvário antes e durante a Copa.

Branco não ficou nem no banco contra Rússia, Camarões e Suécia. Foi relacionado para as oitavas de final contra os Estados Unidos. Tinha certeza de que entraria quando Leonardo foi expulso por dar uma cotovelada em Tab Ramos. O técnico preferiu o lateral-direito Cafu. Ficou aborrecido. Discutiu com Parreira e Zagallo, mas ouviu que seria titular nas quartas.

Dito e feito. Branco estreou na Copa do Mundo nas quartas de final. Assumiu a posição de Leonardo. Havia uma preocupação: o duelo à parte com o ponta holandês Overmars. Branco não somente deu conta como fez o gol da vitória do Brasil. A Seleção abriu 2 x 0, mas a Laranja Mecânica cresceu e empatou. Coube a Branco, em um golaço de falta do meio da rua, acertar o canto esquerdo depois de um contorcionismo de Romário para evitar a bola, o gol da classificação para as semifinais depois de 24 anos. A última havia sido em 1970.

Como prometeu Lídio Toledo, Branco estava recuperado. Fez o terceiro gol do Brasil com a perna vítima de cinco injeções. Carlos Alberto Parreira havia bancado a permanência e o lateral-esquerdo foi realmente importante, como havia profetizado ao bancá-lo.

Qualquer semelhança com a luta de Neymar para jogar a Copa e a decisão da comissão técnica de Carlo Ancelotti de mantê-lo no grupo com uma lesão de grau 2 na panturrilha é mera coincidência. O italiano vislumbra a possibilidade de o jogador eleito duas vezes número 3 do mundo desequilibrar em algum momento na Copa. Virou questão de fé, mística — e Branco é uma inspiração!

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
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