Emerson Royal, Pedro, Bruno Henrique e Paquetá celebram vitória no Maracanã. Foto: Gilvan de Souza/CRF
A diretoria do Flamengo não admite publicamente, mas a derrota nos pênaltis para o Paris Saint-Germain na final da Copa Intercontinental, em 17 de dezembro, deixou a sensação de que o clube pode conquistar o mundo de novo, como a canta a torcida em verso e prosa.
Depois do empate por 1 x 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, o Rubro-Negro caiu nos pênaltis por 2 x 1, em Al Rayyan, no Catar. É o que falta na era dourada da reconstrução econômica iniciada em 2013.
Diante disso, se o Campeonato Brasileiro foi a prioridade no ano passado e a conquista do tetra da Libertadores apareceu quase como bônus, nesta temporada o foco da gestão de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, parece novamente direcionado ao torneio continental — e, consequentemente, ao retorno à Copa Intercontinental. Eduardo Bandeira de Mello e Rodolfo Landim não conseguiram na fase rica do clube carioca.
Uma nova oportunidade poderia ser numa revanche contra o PSG. Atual campeão da Champions League, o clube francês defenderá o título neste sábado diante do Arsenal, na Arena Ferenc Puskás, em Budapeste, na Hungria.
O Flamengo deve encerrar a fase de grupos da Libertadores com a melhor campanha entre os 32 participantes. A vantagem será decidir em casa os confrontos do mata-mata até as semifinais. A decisão está marcada para 29 de novembro, em jogo único no Estádio Centenário, em Montevidéu. Apenas Rosario Central e Independiente Rivadavia ainda podem impedir a campanha perfeita rubro-negra.
Mesmo assim, o time quase se sabotou na vitória complicada sobre o lanterna peruano Cusco, no Maracanã. Faltou eficiência até que dois gols de Bruno Henrique e um de Lucas Paquetá aliviassem a tensão. Não vencer teria sido desastroso para o ambiente antes da pausa para a Copa.
Embora terminar com a melhor campanha geral pela primeira vez desde 1984 pareça encurtar o caminho rumo ao pentacampeonato e à volta da Copa Intercontinental, a realidade não é tão simples. O Flamengo escolheu o caminho mais difícil na temporada.
O Campeonato Brasileiro continua sendo, em tese, o torneio mais acessível por dois motivos: a maior capacidade financeira da Série A e o elenco mais qualificado do país. Além disso, há escassez de concorrentes diretos. Hoje, apenas o Palmeiras parece capaz de sustentar o mesmo nível de disputa. O Cruzeiro poderia ocupar esse espaço, mas começou mal sob o comando de Tite, o antecessor de Artur Jorge. O Botafogo da era Textor está com o pires na mão.
Competições eliminatórias são traiçoeiras — e o Flamengo sentiu isso recentemente. Duas noites ruins, uma no Maracanã e outra no Barradão, custaram a eliminação precoce na fase de 16 avos da Copa do Brasil. O impacto esportivo veio acompanhado do prejuízo financeiro. Clubes ricos também têm contas a pagar.
Parece claro: a Libertadores é prioridade desde a frustração de dezembro contra o PSG, marcada pelo festival de pênaltis desperdiçados pelo Flamengo. Retornar à Copa Intercontinental virou obsessão, e a janela de transferências do meio do ano deve fortalecer ainda mais o elenco, com entradas e saídas alinhadas ao projeto de recolocar o clube no topo do mundo.
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