A importância dos estrangeiros no título invicto do Flamengo na Taça Guanabara

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O título simbólico do Flamengo na Taça Guanabara ao derrotar o Madureira por 3 x 0 neste sábado, no Maracanã, tem um detalhe no mínimo curioso. O time rubro-negro iniciou a partida com seis jogadores importados e cinco brasileiros. Símbolo dos temos de globalização, mas também da mudança no regulamento do Campeonato Carioca. É possível escalar até sete estrangeiros nesta edição. O limite era cinco em 2023.

A história da conquista invicta com apenas um gol sofrido pode ser contada justamente pela habilidade de Tite para lidar com quatro uruguaios, um argentino e um chileno.

O goleiro Rossi está consolidado como titular. Causa alguns sustos na saída de bola e em alguns rebotes esquisitos, mas é o dono das traves. O reserva Matheus Cunha respeita a hierarquia, como revelou Tite na entrevista coletiva depois da conquista.

“Equipe e solidariedade. Eu ia colocar o Matheus (Cunha) para jogar. Por quê? Ele teve grandeza de não viajar conosco, ter grandeza de fazer dois jogos difíceis aqui, ficar longe do técnico e conhecê-lo e quis trabalhar. Pela grandeza, ele merecia. Tinha grande chance de começar o jogo. Ele disse que não precisava me colocar porque o Rossi estava muito perto de bater o recorde histórico do Flamengo (de mais minutos sem levar gol)”, contou Tite.

Quando Tite chegou, Guillermo Varela era terceira opção na lateral direita. Praticamente carta fora do baralho. Wesley e Matheuzinho estavam na frente dela na lista de preferências. A temporada virou e Varela esvaziou o clamor pela contratação de um jogador para a posição. Wesley virou reserva, Matheuzinho foi para o Corinthians e ele assumiu.

Pulgar encerrou o ano passado em alta. Tinha o status de melhor jogador do time no início da Era Tite. Fez falta em jogos pontuais na chegada do técnico e até em alterações erradas do treinador. Uma delas contra o Grêmio, em Porto Alegre. Com ele em campo, o time vencia por 2 x 0. Sem ele, sofreu a virada na Arena. O volante é versátil. Tem liberdade para jogar, mas também é garantia de estabilidade para De la Cruz brilhar em campo.

O uruguaio ainda não balançou a rede com a camisa do Flamengo, mas como joga bola. Eficiente na interceptação rápido para dar sequência no lance, ele deu lançamentos milimétricos desperdiçados pela comissão de frente rubro-negra. Ele partida lá de trás, de frente para o campo. A elegância e a visão de jogo privilegiada merece aplausos.

Na lateral esquerda, Matías Viña ganhou minutos com Tite. Faltou entrosamento entre ele e Bruno Henrique. Normal. O uruguaio chegou faz tempo e precisa conhecer os estilos dos pontas rubro-negras. Everton Cebolinha é de um jeito. Bruno Henrique de outro. A boa notícia para a torcida é que Matías Viña deixa margem para evolução nos próximos meses.

Ainda precisamos falar do Arrascaeta. Ele é o ritmista tão desejado por Tite nos seis anos e meio de trabalho na Seleção. O ciclo acabou e o tal ritmista não apareceu. Fico imaginando como teria sido a campanha verde-amarela na Rússia e/ou no Catar tendo um jogador como Arrascaeta. Foi dele o golaço depois da assistência de Bruno Henrique. O atacante ajeitou e o uruguaio finalizou com estilo, de perna direita, e abriu o placar.

Encerro com a lembrança de uma dura realidade para os rubro-negros. O Flamengo conquistou a Taça Guanabara com seis estrangeiros, porém dificilmente os terá no meio do ano na encruzilhada de torneios — Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana.  Um absurdo, não é mesmo? A Copa América não vai parar no meio do ano.

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Marcos Paulo Lima

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