Com um jogador a menos (de novo), Fluminense conquista um título a mais

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A torcida do Fluminense não grita “time de guerreiros” por acaso. O campeão da Libertadores e agora também da Recopa Sul-Americana depois da vitória por 2 x 0 contra a LDU, no Maracanã, é mais uma amostra de como a trupe de Fernando Diniz se agiganta com um jogador a menos. John Kennedy foi expulso, porém o time não sentiu. Na verdade, parecia ter um jogador a mais do que o adversário depois do cartão vermelho.

Isso acontece porque o Fluminense tem força mental e é treinado para lidar com esse tipo de situação de jogo. Diniz simula expulsão nos treinos. Há três meses, o time ficou com 10 jogadores na prorrogação da final única da Libertadores contra o Boca Juniors e soube lidar com a inferioridade. Curiosamente, o jogador expulso também havia sido John Kennedy. O tricolor se aguentou até Fabra receber vermelho e reequilibrar a partida no 10 contra 10.

O Fluminense é guerreiro com 11, que dirá com 10. Foi assim naquele empate por 2 x 2 com o Internacional pelas semifinais da Libertadores do ano passado. Samuel Xavier foi mais cedo para o chuveiro na etapa inicial e o tricolor jogou o segundo tempo inteiro com 10. Tomou a virada, mas teve força para buscar o empate por 2 x 2, no Maracanã.

A equipe se comportou muito bem contra o Flamengo nas oitavas de final da Copa do Brasil a partir do momento em que Felipe Melo foi expulso. Desdobrou-se para segurar a igualdade por 0 x 0. Na Libertadores, sustentou empate por 1 x 1 com o Argentinos Juniors, em Buenos Aires. O lateral-esquerdo Marcelo havia cometido falta duríssima no adversário.

O tempo e o nível do trabalho de Fernando Diniz são elevados. O Fluminense não desanda com um jogador a menos. Todos sabem como se comportar no momento de se desdobrar por um guerreiro punido com cartão vermelho. Resultado da estabilidade no cargo e de um meia-atacante colombiano muito acima da média. Raridade em solo verde-amarelo.

Jhon Arias empatou a partida depois do cruzamento de Samuel Xavier. Confiante, pediu a bola quando Renato Augusto sofreu pênalti. Pediu a bola e chutou forte, convicto de que estava fazendo o gol do título. Eu poderia escrever sobre Fernando Diniz, Filipe Melo ou Cano, todos heróis na vitória contra a LDU, mas meu personagem é Arias. Que frieza na cobrança para vingar os guerreiros dos vices na Libertadores (2008) e na Sul-Americana (2009), ambos contra a temida equipe da capital equatoriana. Fascina pela sua disciplina.

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Marcos Paulo Lima

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