Diferentes lados…

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (18/7) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

… Mesmo problema. Tal e qual o PL, o PT começa a ser criticado por querer monopolizar indicações para o Senado e governos locais, especialmente, no Distrito Federal. Muitos partidos de esquerda têm reclamado que os petistas defendem “frente ampla”, mas querem ter candidato ao governo e ao Senado — no caso do DF, Leandro Grass e Érika Kokay. O PSB, por exemplo, que o PT ainda sonha em atrair oferecendo uma vaga ao Senado ao pré-candidato a governador Ricardo Cappelli, já avisou que não tem recuo na candidatura ao GDF. Do alto de quem conhece de perto a área de segurança, na qual foi interventor logo após a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, Cappelli está terminando a elaboração do programa de governo, e o partido não abre mão da candidatura.

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Enquanto isso, no PL…/ Os filiados do período anterior à chegada de Jair Bolsonaro ao partido têm encontrado dificuldades em emplacar nomes mais distantes do bolsonarismo, seja para o Senado, seja para deputado federal. Mesmo em prisão domiciliar, logo, proibido de fazer campanha para seus candidatos, o ex-presidente mantém a força das indicações.

Hugo Motta no jogo

A resposta do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao tarifaço foi no sentido de se realinhar à esquerda. Num tom acima do que foi defendido pelo Palácio do Planalto, ele pregou a utilização da lei da reciprocidade. Até aqui, o governo vai apenas estudar o uso dessa legislação.

Onde mora o perigo

Quem acompanha de perto a questão do tarifaço considera que essas taxas impostas pelo governo dos Estados Unidos representam uma “verdadeira armadilha” para o presidente Lula. “De um lado, oferece ao presidente a oportunidade de bradar o discurso da soberania e de direcionar o debate para um adversário externo. De outro, se os efeitos econômicos da medida, especialmente sobre a inflação, chegarem ao bolso da população, o desgaste recairá sobre o próprio governo”, alerta o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Medeiros.

Por falar em tarifaço…

A ordem no governo brasileiro é continuar negociando o que for possível e buscando alternativas não só de mercados, mas organizar também respostas.

Feche a torneira

O presidente da Frente Parlamentar Contra a Pirataria (FPI), deputado Júlio Lopes (PP-RJ), trabalha para fortalecer a fiscalização de compras internacionais que chegam ao Brasil. Em ofício enviado à Receita Federal, o parlamentar sugere que o modelo de compra internacional, a Remessa Conforme, seja integrado à plataforma gov.br. O objetivo é cruzar as informações do cadastro do comprador e identificar possíveis fraudes no ato da aquisição. É uma estratégia para combater a pirataria via comprinhas em lojas estrangeiras.

CURTIDAS

Que comecem as eleições/ Com o fim da Copa do Mundo, os políticos elevaram a presença nas redes sociais. Os petistas, por exemplo, intensificaram o trabalho de falar mal do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Se ‘Flávio Rachadinha’ ganhasse as eleições, quem mandaria no Brasil seria Donald Trump. Está muito claro, Flávio só defende os interesses norte-americanos”, disse nas redes o ex-deputado Geraldo Magela (PT-DF).

Jogada de risco/ Políticos que acompanham a distância os movimentos do PT veem um problema logo ali na frente: se o eleitorado largar Flávio Bolsonaro e abraçar Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, que têm experiência administrativa, acreditam que Lula terá mais dificuldades de vencer.

O cálculo do centro/ Se Jair Bolsonaro perdeu estando no cargo, com a máquina federal em mãos, o desafio de Flávio será muito maior.

Muito além dos soluços/ As últimas notícias a respeito de Jair Bolsonaro indicam que a crise de soluços não é o único problema do ex-presidente por esses dias. O pior de todos é a depressão.

 

Uma aposta perdida

Publicado em Bolsonaro na mira, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Crise com os EUA, Economia, EUA, Michel Temer

Ao anunciar nas redes sociais que têm o poder de baixar as tarifas, se os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautarem a proposta de “anistia ampla, geral e irrestrita” aos acusados de tentativa de golpe, a turma liderada pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos deu a entender que não tem esperanças de obter qualquer inflexão por parte do Executivo ou do Judiciário. A ordem, agora, é conquistar alguma vitória, nem que seja somente a pauta do plenário. Em tempo: da parte do Congresso, a informação é de que a chantagem não vai colar. Ainda que Motta e Alcolumbre estudem um projeto de anistia, a proposta não será para um benefício amplo geral e irrestrito, conforme desejam os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, a avaliação é de que, se antes não havia clima para pautar algo nesse sentido, agora é que não tem mesmo.

E tem mais/ O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deixou para segunda-feira, último dia de prazo, a entrega do seu parecer pela condenação de Bolsonaro por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de estado. No meio jurídico, diz-se que o Judiciário continuará na mesma toada. Afinal, as acusações vêm de generais e do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. Não será surpresa para muitos se houver, no mesmo dia, uma denúncia contra Eduardo Bolsonaro.

Mensagem foi para Tarcísio

Menos de meia hora depois de o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, postar em suas redes sociais que esteve reunido com o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro colocou em suas redes que “qualquer tentativa de acordo sem um primeiro passo do regime em direção a uma democracia será interpretado como mais um ‘acordo caracu'” — referindo-se a uma expressão chula para referir-se a acordos desvantajosos para
uma das partes.

Aliás…

Os filhos do ex-presidente consideram que, todas as vezes em que o governador de São Paulo toma uma atitude que certamente vai desagradar a família, Tarcísio faz uma visita ou um gesto de apreço a Bolsonaro, antes ou depois. O clima entre eles está péssimo.

Polarização a mil

Com a ofensiva dos bolsonaristas sobre o Brasil no episódio das tarifas, os petistas acreditam que encontraram o tom. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, lançou o discurso de que, quando foi acusado e preso, fez questão de se defender por aqui, sem prejudicar o país. O clã Bolsonaro não tem a mesma preocupação com o país. Aliás, nas redes sociais, sobe como foguete a tarja “Lula quer taxar os mais ricos e Bolsonaro quer
taxar o Brasil”.

CURTIDAS

Foto: Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press

Campanha por cassação/ Nos próximos dias, aumentará a pressão da esquerda pela cassação de Eduardo Bolsonaro. Porém, tem muita gente dizendo que, antes do recesso, nada acontece. Os congressistas vão entrar em breve no modo “deixar como está para ver como é que fica”.

Caça às bruxas?/ A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, acusou nas redes sociais o presidente dos EUA, Donald Trump, de prejudicar os norte-americanos para salvar o ex-presidente do Brasil. “Você está prestes a pagar mais caro pela carne bovina não apenas porque Trump quer proteger seu amigo corrupto, mas, também, porque os republicanos no Congresso decidiram ceder a ele seu poder sobre a política comercial”, afirmou a ex-senadora democrata na rede social Threads. (Leia mais no Blog da Denise)

O olhar mais amplo…/ Em Marrakesh, onde o grupo Líderes Empresariais promoveu o Fórum Brasil-Marrocos, o presidente Michel Temer (foto) se posicionou contra o que chamou de “ideologização do meio ambiente”, ao afirmar que “é preciso superar o reducionismo que limita o debate ambiental à Floresta Amazônica”. Ele enfatizou que o Brasil tem uma diversidade ambiental muito mais ampla — como áreas de Cerrado e reservas marinhas —, que precisam ser consideradas nas discussões globais sobre sustentabilidade. A fala dele ressoa com setores do agronegócio, que vêm defendendo uma abordagem mais pragmática e menos polarizada sobre o tema.

… Agradou a audiência/ A palestra de Temer levou o ministro da Economia do Marrocos, Karin Zidane, a pedir que ele fosse aplaudido de pé, no que foi prontamente atendido por empresários, políticos e autoridades dos dois países. O ex-presidente brasileiro continua como uma referência nos fóruns nacionais e internacionais, por seu equilíbrio e experiência.