Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 23 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduardo Esposito
Ao pedir que o plenário do Supremo Tribunal Federal analise o processo sobre indenizações a usinas sucroalcooleiras que beneficiariam Daniel Vorcaro, o ministro Gilmar Mendes praticamente coloca o ministro Kássio Nunes Marques em xeque. É que mensagens do celular do ex-controlador do Master indicam que a advogada Camilla Ramos havia comemorado o voto de Nunes Marques na Segunda Turma do STF sobre um processo semelhante. Agora, há quem diga que se o caso for para o plenário, e Marques votar, pode ser taxado como alguém que defendeu um voto que beneficiaria os negócios do Banco Master. Mas, se votar contra, tenta tirar seu nome do escândalo. Também tem a perspectiva de se julgar impedido por ter sido citado, embora negue todas as acusações de votos favoráveis a temas de interesses do ex-banqueiro.
Ainda tem muita tensão pela frente/ O pedido é considerado, nos bastidores, o início de um período de tentar constranger Nunes Marques a votar contra tudo o que disser respeito a Vorcaro ou se julgar impedido de participar de qualquer julgamento sobre ocaso, como fez na tentativa de abertura de investigação conta Alexandre de Moraes, na semana passada. É mais um ministro que entra no rol dessa briga interna que consome a harmonia na Suprema Corte.
Recados ocultos
Políticos de centro e de direita ainda não se esqueceram da fala do ministro Flávio Dino, do STF, sobre ter assinado despachos e autorizações de operações no intervalo da sessão da semana passada. Para alguns, soou como uma ameaça, principalmente porque muitos defendem que o caso das emendas é uma ferramenta de perseguição a políticos opositores do governo Lula pelo magistrado.
Toda semana/ Nos bastidores do STF, fontes ligadas ao caso Master dizem que a defesa de Vorcaro (foto)pede a anulação do inquérito e a liberdade do ex-banqueiro quase todos os dias. Alguns dizem que os pedidos se acumulam na gaveta.



