Após pedido de Maia, Huck irá em reunião do Centrão

Luciano Huck, apresentador.
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Dia desses, na tradicional reunião que os partidos do Centrão fazem às quartas-feiras, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu para que levassem o apresentador Luciano Huck. Recebeu sinal verde de todos os partidos presentes — Republicanos, PL, PP, MDB, Avante e Solidariedade. A conversa ainda será marcada, mas a intenção de Maia em chamar o também empresário para uma conversa com tantos partidos, e o aceite geral, mostra que essas agremiações procuram desde já uma alternativa para fugir da polarização PT versus Jair Bolsonaro.

Esses movimentos são considerados para lá de precipitados, uma vez que as premissas para a próxima eleição presidencial ainda não estão postas. Porém, vão virar motivo de preocupação para o governo, porque demonstram um certo desdém com a perspectiva de apoiar a reeleição do presidente da República. Essa atitude de Maia, de colocar Huck na roda dos potenciais aliados de Bolsonaro, associada às declarações de que a agenda de Bolsonaro geraria conflito com o DEM, indica que, se o presidente quiser a reeleição, terá que segurar o PSL. O partido hoje presidido por Luciano Bivar (PE) ganhou musculatura no ano passado graças a Bolsonaro, ao ponto de conquistar a maior fatia do fundo eleitoral e partidário.

Jogos eleitorais I

Parte das legendas de centro estão empenhadas no que consideram sua primeira missão rumo a 2022: tirar Joice Hasselmann do PSL e fazer dela prefeita de São Paulo, num projeto alternativo ao bolsonarismo. Nesse sentido, as portas do DEM, por exemplo, estão escancaradas para recebê-la.

Jogos eleitorais II

As apostas de parcela dessas legendas de centro são de que a eleição paulistana ficará entre Joice e o ex-governador Márcio França (PSB). Quanto ao PT, a sensação dos políticos é de que levará uma geração para que a população volte a recuperar a confiança no partido de Lula.

Após vetos de Bolsonaro, Guedes precisa de um plano B

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
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Com a reforma da Previdência nos últimos capítulos no Congresso, o Ministério da Economia tem se especializado em testar até onde pode ir em relação a propostas mais heterodoxas. A primeira foi a volta da CPMF, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Em seguida, a ideia de privatizar tudo. Depois, vieram as notícias de fim da estabilidade para os futuros servidores públicos — e alguns insistindo, inclusive, que deveria testar isso para quem está entrando agora. E, para completar, surgiu a ideia de quebrar o monopólio da Caixa Econômica em relação ao FGTS. Em todos os casos, a reação do presidente Jair Bolsonaro foi cabecear as bolas para fora do campo e não permitir o retorno.

Embora Paulo Guedes ainda tenha todo o respaldo do presidente, conforme Bolsonaro disse em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, nos bastidores há quem diga que o ministro precisa preparar logo o seu plano B para evitar que o presidente estoure mais balões lançados pela equipe da Economia. Afinal, cabe ao ministro equilibrar o que pode ser feito do ponto de vista técnico com o que é passível de aprovação politicamente — algo que o presidente, um ex-parlamentar, sabe de cor e salteado.

Peso dois na tributária

O projeto de reforma tributária em tramitação na Câmara dos Deputados vem sendo tratado intramuros no MDB como a chance de o partido tirar uma casquinha dessa proposta. Afinal, quem assina o projeto é o deputado Baleia Rossi (SP), que acaba de virar presidente do partido. A ordem agora é dar um jeito de fechar todos os votos da legenda em favor da proposta e trabalhar ainda o apoio dos senadores, onde o MDB ainda é a maior bancada.

Arruma outra “carona”

O Republicanos não quer saber de ser o trampolim para candidatos do PSL ou de outros partidos nas eleições municipais. Seguindo à risca a máxima de que “quem não joga não tem torcida”, ele recomendou aos filiados que se dediquem a lançar candidatos próprios nos municípios com mais de 200 mil habitantes.

Por falar em candidaturas…

Os partidos não querem saber de servir de trampolim para ninguém. Essas eleições, garantem os especialistas dos partidos, sem coligações proporcionais, prometem uma profusão de candidatos a prefeito para alavancar os partidos na busca por espaços nas câmaras de vereadores. Explica-se: uma candidatura própria a prefeito sempre dá mais visibilidade a qualquer legenda.

Onde mora o desafio para 03

Bolsonaro deixou nas mãos de Eduardo a decisão final sobre a Embaixada em Washington. Embora aprove a empreitada e considere o filho preparado, o deputado ficará inelegível em 2022, caso seja aprovado embaixador e renuncie ao mandato. Ele é filho do presidente da República e, portanto, não poderá ser candidato a nada. Se cumprir o mandato, poderá concorrer à reeleição.

Não foi por falta de “condução”/ O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, deixou seu avião à disposição do ex-presidente Michel Temer para a viagem a Brasília, palco da convenção do MDB. Temer, entretanto, como adiantou a coluna, preferiu não arriscar. Vai que enfrenta alguma manifestação na entrada do evento.

Perdem o amigo…/ … Mas não a piada. Na plateia da convenção, eis que alguém pergunta a um ex-deputado: “Cadê o Michel?” E o fulano responde: “Deve estar chegando, Cerveró deixou o avião à disposição dele”. Diante da incredulidade do interlocutor, o ex-deputado responde: “Sim! Esqueceu do apelido do governador do DF?”

Abrig em chamas/ A Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig) está com um racha interno sem precedentes. A entidade ganhou visibilidade nos últimos anos, mas rachou com a saída da vice-presidente Ângela Rehem, numa carta em que disse discordar do modus operandi da Associação e, de quebra, faz votos para que “se oriente pelos princípios da transparência, ética, integridade, impessoalidade e neutralidade política”.

Noite de autógrafos/ Rodrigo Janot lança hoje, às 19h, na Leitura do Pier 21, o livro Nada menos que tudo, obra que rendeu muita polêmica, incluída até na ação do ex-presidente Lula em busca da liberdade. O lançamento, depois que o livro vazou nas redes sociais, perdeu um pouco o impacto, mas a expectativa é grande.

Após DEM se aproximar de Huck e Doria, Bolsonaro conversará com o partido

Maia Bolsonaro e Alcolumbre
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Diante da antecipação de movimentos do governador de São Paulo, João Doria, e do apresentador Luciano Huck, que percorre o país como potencial candidato ao Planalto, o presidente Jair Bolsonaro começa a ensaiar aquela conversa olho no olho com o Democratas. O Planalto já sentiu que o partido está se movimentando na linha de aproximação com Huck, sem deixar de lado o governador de São Paulo. O prefeito de Salvador, ACM Neto, que comanda a legenda, não tem demonstrado qualquer intenção de ficar ao lado do presidente para o que der e vier.

Para completar, Rodrigo Maia se aproximou nos últimos dias, mas não tem compromisso com o governo. Davi Alcolumbre também caminha em carreira solo, embora se sinta devedor do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni — o braço do DEM que está no projeto do governo e não deseja sair dele. Mesmo caso é o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

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Nessa disputa, o presidente pretende mostrar ao DEM que é melhor não se assanhar tanto para os potenciais adversários. Afinal, Bolsonaro continua bem vivo para a disputa em 2022, mais até do que Huck e Dória, que terão dificuldades para chegar a um segundo turno. Até aqui, a polarização das esquerdas versus Bolsonaro ainda não foi quebrada. E a aposta do Planalto é a de que não será. Portanto, avaliam os bolsonaristas, é melhor os aliados de hoje não se afastarem demais.

Gangorra ministerial

Agora é definitivo: ninguém mais no Planalto cita o ministro da Economia, Paulo Guedes, ou o da Justiça, Sérgio Moro, como superministros do presidente Jair Bolsonaro. Nenhum dos dois entregou até agora os prometidos resultados. E o prazo está correndo.

Por falar em Guedes…

O “vamos vender tudo” não conta com o aval da turma palaciana, incluindo aí o presidente Jair Bolsonaro. A sua formação militar o leva mais para o que pensam os norte-americanos nesse quesito: áreas estratégicas precisam de mais controle do Estado e das Forças Armadas.

Seis por meia-dúzia

Um dos nomes cotados para a equipe o presidente Jair Bolsonaro é o do ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF). Só tem um probleminha: se ele entrar, tem que sair outro do DEM.

Muita calma nessa hora

A equipe do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Heleno, fará mais um apelo para que Bolsonaro pare de dar pequenas entrevistas na porta do Alvorada. Até aqui, o presidente recusou todos.

O novo pedido virá, por causa do caso do ciclista que perguntou “cadê o Queiroz?” e recebeu uma resposta grosseira. Queiroz é o ex-assessor de Flávio Bolsonaro que teve movimentação atípica e deu, inclusive, um cheque para a primeira-dama. O cheque, diz o presidente, foi parte do pagamento de um empréstimo que ele havia feito a Queiroz.

CURTIDAS

Fio desencapado/ A relação entre os senadores Flávio Bolsonaro e Major Olímpio se deteriorou de vez. Dia desses, Major Olímpio criticava 01 dentro do plenário da Casa. Há quem diga que a turma do “deixa disso” tem redobrado a atenção quando um passa por perto do outro.

Sílvio Santos vem aí/ O ex-senador e ex-deputado Marcondes Gadelha está na fase final do livro que escancara os bastidores da candidatura de Sílvio Santos a presidente da República em 1989.
À época, o apresentador terminou fora da disputa por decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

Sempre ele/ À coluna, Gadelha, que era o candidato a vice na chapa, contou que quem fulminou a candidatura para verificar se o PMB havia cumprido todos os requisitos para poder funcionar foi…. Eduardo Cunha.

Quem ri por último/… É o ex-ministro Carlos Marun, que chegou a pedir o indiciamento de Rodrigo Janot por abuso de autoridade na época da CPI da JBS. Depois, recuou. “Sou premonitório. Foi triste saber que a PGR era comandada por um psicopata e, por causa dele, não conseguimos votar a reforma da Previdência em 2017. Estaríamos com outros temas hoje. Esse, da Previdência, estaria resolvido”, diz ele.

Parlamentares vão tirar semana de folga por canonização de irmã Dulce

canonização de irmã Dulce
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Santa pausa, Batman!! Os parlamentares planejam aproveitar a canonização de irmã Dulce, a primeira santa brasileira, para praticamente tirar a próxima semana de folga, uma vez que há comitivas para a Itália capitaneadas por Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre.

A canonização é em 13 de outubro, mas a turma já começa a se mobilizar para viajar na quarta-feira à noite. Daí o risco para votação da reforma da Previdência, em segundo turno, na semana que vem.

Bolsonaro já age visando a eleição de 2022

Bolsonaro
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O presidente Jair Bolsonaro aproveitou a semana para dois movimentos importantes: o primeiro foi incluir, no pé do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, uma proposta que havia sido encaminhada ao Congresso antes mesmo da reforma da Previdência e sem direito a “Cabo Canaveral” — apelido que os políticos dão às solenidades de lançamento de projetos e programas no Planalto.

Agora, com a campanha do governo, o presidente espera retomar essa bandeira de combate à corrupção e ao crime organizado e, por tabela, deixar Sérgio Moro mais coladinho no Planalto, e não solto, de forma, a (quem sabe?) se lançar numa carreira política distante do chefe. O segundo movimento, além de Moro, diz respeito a tentar firmar mais um pé em outro terreno adversário, o de João Dória. Aí está relacionada a recepção ao PSD, partido do ex-ministro Gilberto Kassab, hoje ligado ao governador João Dória, que tem se aproximado do governo. A intenção é segurar a bancada ao lado do presidente para que não escape lá na frente.

Contraponto ao STF

A corrida do presidente rumo ao pacote anticrime aproxima Moro, põe Bolsonaro novamente na rota que o levou à vitória e, por tabela, ainda o põe em confronto com o Supremo Tribunal Federal, diante das discussões que virão, como a modulação dos processos passados relativos a delatores e a delatados e a prisão em segunda instância. Essas discussões vão ferver na segunda quinzena de outubro, depois da pausa para canonização de irmã Dulce.

O adversário

Pelo menos por enquanto, o Planalto não vê o empresário e apresentador Luciano Huck como o maior adversário do presidente no campo da centro-direita. Há quem diga que é fácil atribuir a Huck o slogan de “candidato da Globo”. O mesmo não é dito em relação ao governador de São Paulo, João Dória.

Em nome das crianças

Para não precisar esperar as complicadas negociações da PEC Paralela da reforma da Previdência — aquela que reúne tudo o que não foi consenso no texto original —, o senador Alessandro Vieira apresentou uma proposta para garantir a segurança de crianças brasileiras em situação de pobreza. A ideia é fornecer um benefício mensal às que estão nesta condição, com um complemento para aquelas em idade de frequentar a creche.

Bem na fita

Já está homologada a candidatura única do Brasil para sediar o congresso mundial da Intosai de 2022. A Intosai é a organização internacional que congrega as instituições superiores de auditoria de 195 países-membros. O Brasil também é candidato único a presidir a entidade de 2022 a 2025.

Rápido no gatilho…/ O deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) recebeu só agora a comunicação oficial da Mesa Diretora da Câmara a respeito da punição imposta pelo partido para que ele deixasse duas das três comissões permanentes em que atua. O deputado, suspenso das atividades partidárias na Câmara porque votou a favor da reforma da Previdência, deu um jeito de pular essa fogueira.

… da articulação política/ Rigoni continuará na Comissão de Finanças e Tributação pelo PSB e não sairá das outras. O PSC lhe cedeu uma vaga para permanecer na Comissão de Educação e o Cidadania lhe garantiu um espaço na Comissão de Ciência e Tecnologia.

Outras frentes/ O Democratas cedeu ainda a Felipe Rigoni um lugar na comissão da reforma tributária e a Rede o acomodou na comissão da proposta de emenda constitucional que tira as instituições federais de ensino da base de cálculo e dos limites individualizados para
despesas primárias.

Toque da Alvorada/ O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, não teve sossego em seu aniversário ontem. O telefone começou a tocar às 6 da matina, com chamadas dos mais apressados em lhe dar os parabéns.

Angélica é contra candidatura de Huck à Presidência

Apresentadora Angélica com o marido e também apresentador de televisão Luciano Huck
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A trava de Huck/ Quem conhece o casal Luciano Huck e Angélica, cita a empresária e apresentadora como principal adversária da candidatura dele à Presidência da República. Angélica gosta da sua vida, da privacidade (ainda que hoje essa privacidade seja relativa, por causa do sucesso da dupla na tevê). De quebra, tem luz própria. Por enquanto, não se convenceu a mudar tudo radicalmente para entrar num projeto presidencial.

O antídoto do PT para as eleições de 2020

PT Lula
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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar que os delatados sejam ouvidos depois dos delatores, de forma a conhecer toda a peça acusatória, era o que faltava para dar ao PT o discurso de que o ex-presidente Lula não teve direito à ampla defesa.

O partido, obviamente, se apega à narrativa da inocência, mas esse argumento da ampla defesa, sem entrar no mérito se Lula é culpado ou inocente, será usado para colocar sobre os palanques eleitorais de 2020 a ideia de um julgamento político e não técnico, para tentar fisgar aqueles eleitores que, no passado, elegeram o ex-presidente, mas hoje têm dúvidas sobre a culpa ou inocência.

A ideia do PT, entretanto, é tratar do caso Lula só se for provocado. Os pré-candidatos do partido a prefeito serão orientados a manter o foco nos assuntos municipais, como saúde, educação e segurança pública, temas que calam mais fundo na alma dos eleitores na hora de escolher o prefeito da cidade.

Bolsonaro no comando

O presidente Jair Bolsonaro assumiu pessoalmente as negociações políticas de seu governo. O café com o PSD ontem faz parte dessa estratégia. Em suas conversas, o presidente tem dito que deseja uma base ampla e, à sua maneira, começou a trabalhar por isso.

O ministro Luiz Eduardo Ramos é hoje “o radar” que conversa com todos, identifica problemas e as soluções. A aposta do governo é a de que agora a coordenação política engrenou.

Davi no comando

Há quem diga que a aprovação da emenda que manteve o abono salarial para quem recebe até dois salários mínimos foi feita sob encomenda pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, para que o Senado pudesse colocar uma bondade da sua lavra no texto. E, no Planalto, apesar dos ruídos, o tema foi recebido “sem estresse”. O importante foi o resultado final de aprovação da reforma.

Nem vem

A ideia do ministro da Economia, Paulo Guedes, de redefinir o modelo orçamentário, não tem lá muito apelo na Câmara. É que os deputados estão muito felizes com a perspectiva de liberação obrigatória de suas emendas individuais e de bancada. Ali prevalece o “tem que manter isso, viu?”

Reclamem ao papa

Os líderes da Câmara avisaram aos senadores que não adianta pressionar. A proposta de emenda constitucional que trata da cessão onerosa da exploração de petróleo do pré-sal seguirá os trâmites normais da Casa, ou seja, Comissão de Constituição e Justiça, comissão especial, primeiro e segundo turnos.

Pecado capital

Inconformados com as dificuldades da cessão onerosa e de outras medidas do pacto federativo na Câmara, os senadores combinavam fazer corpo mole na hora de votar o projeto de lei do Congresso Nacional que trata de créditos orçamentários para atender as emendas dos deputados.

Sem adversários/ A convenção do MDB no domingo é tratada com uma certa preguiça até pelos filiados ao partido. O líder Baleia Rossi não deve ter adversário e, para completar, não tem aquele clima de briga que dominou a agremiação nas últimas décadas.

O outro lado da moeda/ Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) planeja “voar” no Senado, uma vez que houve a suspensão do caso de Fabrício Queiroz, seu ex-assessor nos tempos de deputado estadual e que movimentou valores acima dos seus vencimentos declarados. 01 quer ser mais atuante para identificar aqueles que têm resistências ao governo, mas são potenciais aliados.

Por falar em PSL…/ Os governistas fazem piadas sobre eles mesmos. Ontem, na sala de café do Senado, um brincava, dizendo que teria que negociar com oposicionistas, Major Olímpio e Juíza Selma. É, pois é. Nem tudo são flores no partido do presidente.

Grupo de senadores quer manter vetos à lei que flexibiliza regras partidárias

Senado versus Câmara
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A demora dos deputados em votar os temas de interesse dos estados, como a securitização das dívidas, levou um grupo de senadores a apostar na manutenção dos vetos à lei que flexibiliza as regras partidárias, especialmente, a brecha para o aumento do fundo eleitoral. Também pretendem fazer “corpo mole” para a votação das mudanças no Orçamento para atender as emendas dos deputados na Câmara.

Enquanto uns reclamam, nos bastidores, do descaso da Câmara para com as medidas do pacto federativo, o senador Chico Rodrigues diz no viva-voz: “Centrão é hoje um comando paralelo na Câmara. Com toda a liderança de Rodrigo (Maia), ela (a Câmara) vive submetida permanentemente aos humores do Centrão”, afirma o senador, vice-líder do governo.

Nesse quesito, aliás, governo e oposição estão praticamente juntos no Senado: “A securitização das dívidas dos estados não sai porque os líderes, capitaneados por Arthur Lyra, que é oposição ao governador do seu estado, não quer votar. O projeto está refém dessa figura abominável”, dispara Cid. Nesse clima, apesar da tentativa de entendimento, hoje ou Rodrigo Maia dá um sinal mais claro do que uma reunião para tentar votar, ou surpresas virão na sessão de hoje do Congresso para análise dos vetos.

Hora da reza/ A canonização de irmã Dulce, em 13 de outubro, promete atrapalhar o segundo turno da reforma da Previdência. É que tem um grupo de senadores indo em comitiva para a Itália, acompanhar in loco a cerimônia no Vaticano.

Seguro morreu de velho/ O presidente Jair Bolsonaro não planeja seguir esse comboio. A justificativa oficial é a de que precisa se preservar para a viagem aos países árabes no final do mês. A real é de que ele foi aconselhado a evitar o risco de o papa Francisco fazer alguma referência às mudanças das regras de porte de arma no Brasil.

General em campo/ O ministro da Secretaria de Governo, general Eduardo Ramos, foi pessoalmente ao Senado verificar o clima para votação da reforma da Previdência no plenário. Saiu dizendo que iria “apagar um incêndio”. Quando alguém perguntou que incêndio era, o senador sorriu, fez aquela pausa de segundos, e completou: “Na Amazônia!!!”

Olhar de líder/ Comandante do MDB no Senado, o amazonino Eduardo Braga diz que não quer mais saber de ser líder do governo. Especialmente, no cenário atual. “E olha que já enfrentei até onça”, comentou. Quando alguém perguntou se a indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador era pior do que onça, ele foi direto: “É.. Pior que é”, diz ele. Porém, a avaliação de outros líderes é a de que passa. Apertada, mas passa.

Alvos da Lava-Jato querem usar revelações de Janot

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Os políticos enroscados na Lava-Jato querem aproveitar a onda sobre Rodrigo Janot para ver se conseguem um alívio maior no Supremo Tribunal Federal (STF). A moda agora é dizer que a instabilidade emocional do ex-procurador-geral não ficou apenas na “loucura” de cogitar matar o ministro Gilmar Mendes, mas extrapolou para a redação de seus pedidos ao STF.

Só tem um probleminha: Janot, em muitos casos, apenas encaminhava os pedidos preparados por seus subordinados, uma equipe tão atônita com as revelações do procurador quanto os próprios ministros do Supremo.

O namoro com o Nordeste

O presidente Jair Bolsonaro fez questão de lançar o AgroNordeste hoje no Planalto, como parte de sua estratégia para ganhar algum terreno na região onde o PT tem inserção. O plano de hoje apostará, especialmente, na fruticultura e na cadeia produtiva dos caprinos para exportação, decorrente da abertura de mercados que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, conseguiu em suas viagens. Por exemplo, os lácteos para o Egito.

Yes, nós temos bananas

Uma das esperanças do governo é vender bananas para a Europa. Em Paris, o produto é importado de Israel e custa mais de um euro, a unidade, conforme levantamento do setor. A aposta do governo é vender uma penca por esse preço.

Melhor de três

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está com um problema de longo prazo: quem apoiar para substituí-lo no comando da Casa. Até aqui, os interessados são do Centrão — Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP) e Arthur Lyra (PP-AL). Setores do DEM consideram que ele não pode se render tanto ao Centrão. Rodrigo vai deixar decantar nos próximos 12 meses para ver como é que fica.

A ordem dos fatores

O presidente Jair Bolsonaro já enviou ao Congresso o nome do futuro embaixador do Brasil no Canadá, Pedro Bório. O de Eduardo Bolsonaro para Washington vai esperar a votação da reforma da Previdência.

“Pode até ter júris. Mas prudência está faltando”

Do ex-procurador Aristides Junqueira, referindo-se ao papel do Judiciário e dos demais Poderes.

Nem vem/ O vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), já avisou ao seu partido que, embora tenha participado do almoço com Luciano Huck na semana passada, seu candidato a presidente é o atual governador de São Paulo, João Doria. Logo, só apoiará se houver acordo.

Crédito: Arquivo Pessoal. Rodrigo Janot e Gilmar Mendes em 1988.
Crédito: Arquivo Pessoal. Rodrigo Janot e Gilmar Mendes em 1988.

Ex-amigos/ A foto é de agosto de 1988. De barba, à direita, o hoje ministro Gilmar Mendes. Ao lado dele… Rodrigo Janot e, em frente, Wagner Gonçalves. É, eles já foram do tipo que confraternizavam.

Local errado/ O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, nem viu a manifestação do Greenpeace em Berlim, em frente à sede da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio. Ele estava em outro evento a, pelo menos, 15 quilômetros de distância.

Sig e Grossi/ A Câmara dos Deputados realiza hoje sessão solene, às 9h, em homenagem póstuma ao ex-deputado Sigmaringa Seixas e ao advogado José Gerardo Grossi.

Planalto avalia fidelidade nas redes sociais para liberar recursos

General Ramos no Planalto
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Coluna Brasília-DF/Por Leonardo Cavalcanti

Que a relação do Planalto com o Congresso melhorou com a chegada do general Luiz Eduardo Ramos à Secretaria de Governo, quem acompanha o dia a dia na Esplanada já sabia. Esta coluna mostrou, na semana passada, que o aumento da governabilidade verificado pela consultoria Prospectiva, que mede a fidelidade dos parlamentares ao Palácio, aumentou nos últimos dois meses. O que está fora do radar de parte dos políticos e técnicos é um método próprio para acompanhar as demandas de congressistas, governadores e prefeitos que batem à porta do governo em busca de recursos para as bases eleitorais.

Há três meses no cargo, Ramos elaborou com a equipe uma espécie de planejamento estratégico para acompanhar todos os passos das demandas dos políticos em Brasília. A primeira tarefa foi fazer com que as áreas de secretaria, como assessoria parlamentar, assuntos federativos e articulação social, atuem de modo integrado. A partir de planilhas, a equipe do general tenta fechar o cerco sobre a dificuldade na liberação do dinheiro para o político e, antes da verba liberada, avançar sobre as necessidades dos moradores (eleitores) da localidade.

Por fim, o governo federal divide com o parlamentar o bônus pela entrega dos recursos. Ao longo do processo de liberação, é feito um levamento nas redes sociais dos políticos para avaliar a fidelidade do aliado com o Planalto. A estratégia é não apenas ter o acompanhamento sobre as votações, mas sobre o próprio discurso dos políticos nas bases eleitorais. Assim, eventuais traições, tanto nos plenários do Congresso quanto nas ruas, são registradas. Um detalhe: a eleição de 2020 está logo ali.

Osmose // Se não bastasse o vazamento das conversas entre os integrantes da força-tarefa da Lava-Jato, a revelação do ex-procurador-geral Rodrigo Janot de que mataria Gilmar Mendes enfraqueceu ainda mais a imagem do Ministério Público. Há um detalhe ainda não avaliado pelo pessoal do governo: até que ponto o desgaste é ruim para o novo procurador-geral Augusto Aras? Tem gente boa que acredita que ele, por ter isolado a lista tríplice da categoria, se fortaleceu.

Escolha do PGR // Se Bolsonaro um dia se arrepender de ter escolhido Augusto Aras para chefiar o Ministério Público, não vai poder reclamar nem com o papa. A decisão do presidente partiu da cabeça do próprio presidente, contrariando inclusive os fundamentalistas de direita das redes sociais, que eram contrários a Aras.

Monitoramento // Levantamento da consultoria Levels nas redes mostra que a escolha de Aras não agradou nem à oposição nem aos apoiadores de Bolsonaro. No flanco governista, as mensagens contra o procurador representaram 68% da rede. Na oposição, o suposto conservadorismo de Aras sobre homossexualidade e família foi a maior crítica. A coleta de dados ocorreu na última quarta-feira, dia da aprovação de Aras.

Cautela I // Os principais interlocutores do Planalto estão aliviados com a disposição de Bolsonaro em diminuir a exposição logo no início do dia, quando escorava na grade e desandava a falar. As declarações ocorriam quase sempre depois de receber mensagens no WhatsApp de gente no Planalto ligada ao vereador fluminense Carlos Bolsonaro, que pesca todo tipo de insanidade nas redes e repassa para o presidente, sugestionando as declarações agressivas.

Cautela II // Um período de tranquilidade total ocorreu durante o período que Bolsonaro passou hospitalizado por causa da cirurgia para correção de hérnia. Por recomendação médica, conseguiram tirar o celular das mãos de Bolsonaro por alguns dias. A fofoquinha de banco de praça não deveria interessar ao prefeito da quadra, não deveria interessar ao presidente. A piada era que o Ministério da Saúde adverte: ler mensagens de ódio logo cedo atrapalham o governo.