Apoiadores sugerem que Bolsonaro demita Weintraub

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, assina  protocolo de intenções que institui a formulação de políticas públicas e a realização de ações para a garantia da proteção integral de crianças e adolescentes.
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Os últimos lances políticos colocaram o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, numa situação de ser obrigado mais uma vez a reagir em defesa da instituição. Até aqui, o comandante do STF tentava amenizar a relação entre os Poderes, em busca do equilíbrio e da boa convivência. Porém, diante do video da reunião de 22 de abril e da nota do general Augusto Heleno, cuja leitura foi de ameaça à estabilidade, a visão é a de que o Supremo está sendo desmoralizado de forma injusta.

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Na reunião, Bolsonaro repreende os ministros que não o defendem, mas não faz o mesmo quando Abraham Weintraub, da Educação, xinga o Supremo e prega a prisão de seus ministros. Se Bolsonaro quiser retomar a política da boa vizinhança com outro Poder, terá que promover gestos nessa direção. Ou seja, Weintraub balançará mais no cargo e sua saída foi levada ao presidente por apoiadores políticos como um gesto de pacificação com o STF.

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Em tempo: a defesa institucional nada tem a ver com os inquéritos em curso no STF. Ali, a letra da lei será seguida à risca, da mesma forma que foi o envio do pedido da oposição, de apreensão do celular presidencial, à Procuradoria-Geral da República, para que dê seu parecer a respeito do mérito do pedido feito pelos oposicionistas, sem juízo de valor do STF. É o que determina a lei. E, assim será.

Centrão esfrega as mãos

Juridicamente, até aqueles especialistas em direito ligados a partidos de esquerda têm dificuldades em caracterizar, em conversas reservadas, um crime cabal do presidente da República com base apenas no vídeo que desnudou o modus operandi do governo em 22 de abril.

Porém, do ponto de vista político, o cenário está posto. Não para a aprovação de um processo de impeachment, mas para que o Centrão reforce ao presidente Jair Bolsonaro a necessidade de atender melhor aos seus deputados e senadores, leia-se participação no governo.

Governo na encruzilhada

Se tem algo que a reunião ministerial deixou patente aos políticos e ao mercado é que o governo, logo ali na frente, quando passar a pandemia, terá que optar por um caminho: sair da crise com investimentos do capital privado ou dobrar a aposta nos recursos públicos.

Marinho versus Guedes

Por enquanto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, ganhou a parada, quando o presidente disse que é ele quem determina a política econômica. Porém, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, demarca território ao dizer que é preciso “deixar os dogmas de lado” e que a pandemia requer investimentos públicos.

Guedes versus Marinho

Lá pelas tantas, Guedes rebate Marinho, dizendo que “não tem música, não tem dogma, não tem blá blá blá”. O ministro da Economia reforça que o Brasil saiu na frente dos emergentes e da Europa em termos de programas sociais de auxílio e completa: “Se não existe algo, aqui é dogma.”

“Caravana patriota”/ Na sexta-feira, circulou por vários grupos de WhatsApp um apelo em busca de pessoas para completar um ônibus que sairia de São Paulo para Brasília neste fim de semana, para participar de uma manifestação em favor do presidente Jair Bolsonaro. Preço da passagem ida e volta: R$ 150. Em Brasília, cada um teria que arcar com suas próprias despesas de hospedagem e alimentação. A volta está marcada para hoje. Em plena pandemia, tem muita gente com medo de viajar.

O corpo fala/ O ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, se remexe na cadeira. Justamente, quando o do Meio Ambiente, Ricardo Salles, diz na reunião que era preciso aproveitar o momento de atenção à pandemia de covid-19 para, “de baciada”, desregulamentar setores, esquecendo o Congresso. Tarcísio está ministro, mas é consultor da Câmara dos Deputados.

Por falar em Tarcísio…/ Na semana passada, representantes do Centrão tentaram espalhar que Bolsonaro pretendia demitir o ministro. Era mentira e, no Planalto, ficou a desconfiança de que um dos sonhos do Centrão é voltar a comandar a área de transportes, como fazia nos tempos do governo Dilma e Lula.

Damares, a exorcista/ A reunião ministerial já passava da metade quando o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, defendeu a implantação dos resorts integrados, com uma parte dedicada aos cassinos, como parte importante para auxiliar na recuperação econômica do setor. Logo, a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, reagiu: “Pacto com o Diabo!”

Enquanto isso, nas redes sociais…/ O volume de 625 mil interações com hashtags positivas ao presidente Jair Bolsonaro detectado pela consultoria Bytes na última sexta-feira chamou a atenção da turma da CPI das Fake News. A ordem é verificar se houve impulsionamento por robôs, uma vez que as hashtags negativas chegaram a 112 mil interações. Investigações à parte, a avaliação dos bolsonaristas, entretanto, é a de que o presidente sempre cresce politicamente quando há um conflito direto com qualquer setor. Ele ganhou espaço na política com esse confronto e tensão. E não largará as batalhas até o fim do governo.

Políticos desconfiam de que Carlos Bolsonaro montou sistema de informações para o pai

carlos bolsonaro
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A citação do presidente Jair Bolsonaro, durante reunião ministerial, de que tem um sistema de informações particular que funciona deixou o mundo político desconfiado de que o filho 02, o vereador Carlos Bolsonaro, montou o tal sistema para o pai.

Na reunião do dia 22 de abril, Bolsonaro se queixa de não receber informações suficientes dos órgãos oficiais, como Polícia Federal e Abin, até que em determinado momento, afirma: “Sistemas de informações: o meu funciona. O meu particular funciona.”

Ao ver a declaração no vídeo da reunião divulgado ontem, políticos imediatamente lembraram de entrevista que o ex-presidente do PSL Gustavo Bebianno deu ao programa Roda Viva, em 2 de março. Na ocasião, Bebianno, que morreria de infarto dias depois, se referiu a uma operação de informações coordenada por Carlos Bolsonaro.

Embora Bolsonaro tenha dito, em entrevista à Jovem Pan, que recebe as informações de policiais amigos, como um “sargento do Bope”, não está descartado um chamamento de Carlos ao Congresso para, depois da fala do presidente, explicar a acusação de Bebianno.

Nota do general Heleno provoca mais tensão do que o vídeo

general heleno
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Coluna Brasília-DF / Por Denise Rothenburg

A oposição pediu a apreensão do celular de Jair Bolsonaro na linha do “se colar, colou”, apostando que a resposta da Justiça será um “não”. A jogada, porém, rendeu mais do que o previsto, na visão de parlamentares de esquerda.

É que, ao soltar uma nota referindo-se ao pedido como uma atitude de “consequências imprevisíveis” para a estabilidade nacional, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, jogou, sem necessidade, a política na zona da desconfiança em relação a atos extremos por parte dos apoiadores do presidente.

A remessa do pedido, à Procuradoria-Geral da República, para que emita seu parecer, faz parte do processo normal. A tendência é de que o parecer seja contrário e o caso termine mesmo com um “não” da Justiça.

A desconfiança gerada a partir da nota de Augusto Heleno, porém, continuará no ar. “Ele usou um canhão para atirar num mosquito e criou mais problema num pedido que não terá sucesso”, aposta o senador Major Olímpio (PSL-SP).

CURTIDAS

Mourão, a esfínge/ O vice-presidente Hamilton Mourão passa a reunião impassível diante dos comentários de Bolsonaro.

Ranking I/ Os ministros que saíram arranhados politicamente da reunião foram Ricardo Salles, Damares Alves e Abraham Weintraub, os dois últimos da ala considerada “ideológica”. Weintraub, aliás, pode se preparar para mais um processo: “Constatei, casualmente, a ocorrência de aparente prática criminosa, que teria sido cometida pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub”, diz a decisão de Celso de Mello, referindo-se a um possível crime de injúria contra os ministros do STF.

Ranking II/ O ministro da Economia, Paulo Guedes, perde terreno entre os funcionários do Banco do Brasil,
mas ganha no mercado financeiro, que não enlouqueceu com a divulgação do vídeo.

Ranking III/ Os ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Tereza Cristina (Agricultura, foto) saíram com o troféu sobriedade e focados no serviço para o qual foram nomeados.

Fiquem comigo/ O presidente falou por quase uma hora na porta do Alvorada, ontem à noite. A fala em tom de desabafo foi vista pelos opositores como sob encomenda para tentar tirar público do Jornal Nacional.

Pacificação de Bolsonaro com parlamentares não inclui vida fácil para Flávio

Flávio Bolsonaro
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A forma como o presidente Jair Bolsonaro tratou os governadores e parlamentares é vista como a senha de acesso para distensionar o ambiente político, a fim de levar o governo a aprovar os projetos de seu interesse no plenário da Câmara –– inclusive a manutenção do veto a reajustes salariais. Chega ao ponto de não ser nem colocado no rol de testes da nova base.

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Só tem um probleminha: a distensão não inclui no pacote vida fácil para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), caso as investigações apontem para alguma irregularidade ou influência na Polícia Federal, conforme denúncia do empresário Paulo Marinho –– que ao longo da campanha conviveu diariamente com a família Bolsonaro. Nos dois depoimentos que prestou, ele disse ter entregado provas de que houve essa interferência. O caso agora está nas mãos da PF e do Ministério Público.

Déjà-vu

As declarações de Marinho, de suspeita de devassa nas suas contas, lembrou a muitos políticos o movimento de Antonio Palocci no governo Lula. O então ministro da Fazenda foi demitido porque um caseiro teve a conta bancária invadida para verificar se havia sido pago para prestar informações sobre a presença de Palocci numa casa suspeita no Lago Sul.

Difícil I

Bolsonaro evita a imprensa, mas não deixa de dar o recado aos apoiadores. Ontem, informou que o comércio do Rio de Janeiro reabrirá em breve. Só tem um probleminha: o número de casos no estado continua em alta. No país, o recorde de mortes nesta semana indica um momento difícil para a sonhada reabertura geral.

Difícil II

A depender dos pais de alunos, aulas mesmo só em agosto. É que, quanto mais pessoas doentes, mais cresce o número daqueles que temem ter um quadro grave da doença, apesar dos números apontarem 40% de recuperação para os casos de infecção. O índice coloca a população numa loteria às avessas. Ninguém quer levar os filhos de volta sob risco de infecção, mesmo aqueles que não têm qualquer comorbidade. Afinal, há episódios de pessoas que não tinham histórico de risco e terminaram internadas.

Vai insistir/ A reunião de hoje de Bolsonaro com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, é para saber do resultado das pressões para volta à normalidade. Ninguém sabe ao certo quando será.

Denúncias aumentam fatura do Centrão dentro do governo

Centrão Bolsonaro
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Se até aqui as denúncias de tentativa de influência na Polícia Federal se referiam apenas ao embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, o depoimento de mais de cinco horas do empresário Paulo Marinho põe o senador Flávio Bolsonaro e seus auxiliares diretos também no olho do furacão.

A tendência é de que as informações sobre o vazamento da operação Furna da Onça sejam incorporadas ao inquérito que investiga as denúncias de Moro, aumentando o potencial de estrago à imagem do clã Bolsonaro.

Dentro do Congresso, o Centrão esfrega com as mãos com muito álcool em gel, com alguns já pensando no que essa mistura pode render em termos de necessidade de apoio ao presidente no Senado. Ali, o mais experiente é o MDB, que já arrematou os cargos de líder do governo no Congresso, com Eduardo Gomes (TO), e de líder do governo no Senado, com Fernando Bezerra Coelho (PE).

O Centrão está de olho na posição de líder do governo na Câmara, hoje ocupada pelo major Vitor Hugo (PSL-GO). A aposta é a de que nem só de FNDE e Dnocs viverão os partidos.

Promessas e serviços

A declaração do presidente Jair Bolsonaro de que Eduardo Pazuello permanecerá um bom tempo como ministro da Saúde vai muito além da vontade de ter ali alguém que faça tudo o que o Planalto prega. A ideia de Bolsonaro, conhecedor profundo de como funciona o Centrão, é deixar os partidos potenciais aliados com expectativa de poder.

Ele viu de perto

Ex-integrante do PP, Bolsonaro sabe há muito tempo que, nos partidos, a expectativa de poder deixa, pelo menos por um bom tempo, a turma muito mais feliz do que o nome de um aliado no Diário Oficial da União. Invariavelmente, uma nomeação deixa um feliz e outros dois insatisfeitos. Portanto, em tempos de pandemia, o presidente tem uma boa desculpa para não escolher logo um novo ministro.

Aí, não, talkei?

Os rumores de que o governo estaria estudando um Estado de Sítio ou de Defesa voltaram a agitar os bastidores da política e aumentar o receio de que o presidente Jair Bolsonaro planeja um golpe para fazer valer a sua vontade em relação à pandemia e tirar os holofotes de cima do senador Flávio Bolsonaro. O presidente tem negado diuturnamente qualquer ação nesse sentido e, ao seu lado, quem tem juízo já avisou que não é por aí.

Nem vem

Afinal, um Estado de Sítio, por exemplo, teria que passar pelo Congresso Nacional, onde não há hipótese de aumentar os poderes presidenciais. Até aqui, o Congresso ganhou algumas, inclusive a batalha do adiamento do Enem, algo que o governo resistia em fazer.

PF, o último bastião/ Considerada uma das instituições mais confiáveis do país em todas as pesquisas de opinião, a Polícia Federal torce a distância para que as denúncias sobre o vazamento na corporação sejam rapidamente esclarecidas. “Trabalhamos muito para ter credibilidade perante o Brasil. Esperamos que tenha elementos e tudo seja apurado e quem errou, seja punido”, diz o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, Edvandir Paiva.

Joio & trigo/ As operações da Polícia Federal sobre os importadores de equipamentos hospitalares começam a tirar o pessoal sério e técnico desse mercado. Há muita gente com receio de tentar ajudar e, depois, terminar na carceragem.

Preventivo/ O governo terá mais problemas do que imagina se decidir abrir empresas chaves do setor elétrico para indicações políticas. A Associação dos Empregados de Furnas, por exemplo, divulgou nota de repúdio às nomeações desse tipo, reforçando que a companhia é “sexagenária, lucrativa, do povo”, com resultados financeiros e operacionais que geram “lucros decorrentes do baixo endividamento”. O texto reforça que a empresa precisa “retomar seu perfil de geração de empregos para o Brasil. “É fundamental que tenhamos líderes com autoridade técnica e sem compromissos com agendas políticas de qualquer natureza”, finaliza a nota.

À la Alvim/ Jair Bolsonaro caminha para o quinto secretário de Cultura em seu governo. Mário Frias, o ator que fez sucesso em Malhação, terá que ser quase como Roberto Alvim, o antecessor de Regina Duarte. Alvim foi classificado como o melhor até agora, mas caiu porque tornou pública sua admiração pelo nazismo.

E a Regina, hein?/ As redes sociais não perdoam. As rodas políticas no mundo virtual faziam o seguinte comentário: Na “separação” quase que consensual, a atriz Regina Duarte levou a cinemateca de São Paulo como “pensão”.

Com dedicação total ao caso, Celso de Mello deve levantar sigilo de vídeo

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O ministro Celso de Mello está completamente dedicado ao inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal. Sua atenção é tanta que ontem ele faltou à sessão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para analisar as citações do senador Humberto Costa (PT-PE), do ex-senador Valdir Raupp (MDB-RO) e do ex-deputado Aníbal Gomes (MDB-CE) na famosa lista do ex-procurador-geral Rodrigo Janot – aquela que elencou os políticos identificados na delação da Odebrecht nos tempos do Petrolão. Como ele não estava, as ações saíram da pauta.

O tempo do ministro foi destinado à elaboração do voto a respeito do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. A aposta geral é a de que o ministro irá levantar o sigilo da gravação, daí a atenção redobrada ao texto em que sustentará a sua decisão a respeito. Raupp, Gomes e Costa ficarão pendurados por mais algum tempo.

Onde vai pegar…

Os políticos vão mirar no advogado Victor Granado Alves, que trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e ainda é próximo ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A ordem é saber se e como o advogado recebeu pelos serviços prestados à franquia de chocolates do parlamentar. Afinal, usar um servidor de gabinete para serviços particulares é considerado desvio de recursos públicos.

…no Conselho de Ética

É por aí que os partidos tentarão levar o senador Flávio Bolsonaro ao Conselho de Ética, o que pode, inclusive, abrir uma porteira. Afinal, qualquer investigação minuciosa vai mostrar que essa história de contratar serviços particulares de um funcionário de gabinete não é tão inusitado no Parlamento.

Já pegou

Em janeiro deste ano, o Ministério Público Federal entrou com ação contra o deputado Newton Cardoso Júnior (MDB-MG) e seu pai, o ex-governador e ex-deputado Newton Cardoso. Ambos foram acusados de nomear servidores para o gabinete na Câmara que, na prática, prestavam serviços particulares, inclusive empregada doméstica em Belo Horizonte.

A corrida de Pazuello

Em meio ao aumento do número de casos da covid-19 e recorde de 1.179 mortes confirmadas em 24 horas, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, continua na estratégia de ocupar os cargos do ministério com os militares, antes que o Centrão desembarque por ali, como já está fazendo na Educação. As nomeações para a área de finanças do Fundo Nacional de Saúde são tratadas nos bastidores como um “preventivo”.

Isolamento total/ Recém-curado de um câncer, o ex-deputado Darcísio Perondi (MDB-RS) aproveita o período em casa para aprender a cozinhar e estudar inglês. “Tem dia que deixo queimar, outro deixo a comida salgada, mas vamos aprendendo”, diz ele, que conta com a assessoria da esposa, Regina Perondi. Médico, ele só sai de casa a cada dois dias para uma “caminhada na quadra”.

Atenção/ Na porta do Alvorada, representantes da associação de microempresas do Gama culparam a mídia pela falta de clientes em seus negócios ainda que parte do comércio esteja aberto. “A mídia diz para as pessoas ficarem em casa”, reclamou um dos representantes. “Não escute a mídia” respondeu o presidente, com aval da torcida. Em tempo: não é a mídia que diz “fique em casa”. São os médicos.

Exemplo/ A turma do futebol carioca almoçou com o presidente lado a lado, como se não houvesse um cenário de pandemia.

Vale refletir/ O Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) realiza amanhã, 17h, seu 41º encontro sobre o Direito em tempos de covid-19, com o tema “Combate às Fake news em Tempo de Pandemia”. A coluna terá a honra de participar dos debates ao lado do desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro André Andrade; da diretora de Digital & Inovação da FSB, Risoletta Miranda; do conselheiro do CNJ Marcos Vinícius Rodrigues; e do advogado Aluízio Napoleão, sócio do Domingos Cintra Napoleão Lins e Silva Advogados. A mediação do debate estará a cargo da professora Taís Gasparian, mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP, e do professor André Silveira, mestre em Direito Constitucional pelo IDP e sócio do Sérgio Bermudes Advogados Associados.

Caso Queiroz não é o único de vazamento para político investigado

Dep. Delegado Pablo (PSL - AM)
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A denúncia de que um delegado da Polícia Federal avisou Flávio Bolsonaro da operação Furna da Onça será investigada, porém, não é o único caso desse tipo. O deputado federal Delegado Pablo (PSL-AM) que o diga.

Na sexta-feira, ele, a mãe e empresários foram alvo de busca e apreensão dentro da Operação Serenato, em que ele foi acusado de uso do cargo para se beneficiar de informações.

Pablo divulgou um vídeo para dizer que as acusações contra ele são mentirosas, infundadas e descabidas.

PT agora quer CPI, porque acha que atingirá Bolsonaro e Moro

moro e bolsonaro
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O fim de semana levou o PT a dar uma guinada em sua posição de não dar palanque ao ex-ministro Sergio Moro, visto pelos partidários de Lula como um adversário perigoso para 2022. A ordem entre os petistas agora é trabalhar por uma CPI para investigar as denúncias do empresário Paulo Marinho, de que Flávio Bolsonaro teria sabido antecipadamente da operação da Polícia Federal a respeito de desvio de salários de servidores nos gabinetes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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Os petistas estão convictos de que as investigações sobre influência na PF vão desgastar também o ex-ministro Sergio Moro, porque pode ter se curvado a orientações de Bolsonaro sobre quem deveria ser ouvido em investigações. Embora o ex-juiz tenha saído do governo atirando, os petistas consideram que ele pode ser acusado de omissão ao longo de 2019, ano em que Bolsonaro o pressionou pela troca na PF.

CPI nem tão cedo

A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de só tratar da volta das sessões presidenciais em junho, vai dar ao presidente Jair Bolsonaro tempo para tentar blindar os seus em relação aos pedidos de CPIs que se acumulam no Congresso. É que Alcolumbre já decidiu não instalar CPIs enquanto houver esse estado de calamidade causado pela covid-19. Tem dito em conversas reservadas que seria transformar o cenário grave da pandemia num pandemônio.

O melhor dos mundos

Essa situação, de risco político, é vista no Centrão como o cenário ideal para que os partidos obtenham o que vêm pedindo ao presidente Jair Bolsonaro, leia-se espaço no governo. Depois do cargo de diretor de Ações Educacionais que gerencia Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, um dos alvos do
grupo é Furnas.

Quando chama muita gente…

Reza a lenda da política que reunião de muitos só serve mesmo para tirar fotografia. Porém, o presidente Jair Bolsonaro quer discutir o congelamento de salários dos servidores com governadores na presença dos comandantes do Legislativo e do Judiciário. A ordem é mostrar que está trabalhando em conjunto com todos e aberto ao diálogo.

… Alguém vira um rosto na multidão

De quebra, diluirá a participação dos governadores adversários, João Doria, de São Paulo, e de Wilson Witzel, do Rio de Janeiro.

Onde mora o perigo/ Médicos do Distrito Federal consideram que há o risco de a doença se transferir do Plano Piloto, que lidera as notificações, para as regiões mais pobres, onde as pessoas têm mais dificuldades de respeitar as medidas de isolamento e saem de casa para trabalhar. Ceilândia já ultrapassou Águas Claras em número de casos.

O corpo fala/ Se a bandeirada na cabeça da jornalista Clarissa Oliveira, da Band, durante a manifestação de domingo foi um acidente, a servidora deveria ter demonstrado preocupação, e não pedir desculpas rindo.

DEM quer Mandetta como pré-candidato a presidente

Mandetta
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O DEM vai dar mais espaço para que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta desfile como pré-candidato a presidente da República. Porém, vai esperar o momento certo, ou seja, nada em tempos de pandemia e com as pessoas morrendo por Covid-19. Agora, é tratar das pessoas e da doença, não de eleição.

Olho neles/ A avaliação geral é a de que a hora de testar os pré-candidatos será 2021. Quem agir de olho lá na frente vai queimar a largada. Para alguns, Jair Bolsonaro, por exemplo, está errando no timing.

Bolsonaro dobra a aposta para acabar com o isolamento

Bolsonaro
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A demissão de Nelson Teich e a insistência do presidente Jair Bolsonaro no fim do isolamento deixaram toda a classe política com a sensação de que o capitão não baixará a guarda em relação à reabertura geral de todos os setores econômicos e manterá elevada a pressão sobre os governadores.

Mesmo que o país tenha aumento do número de casos e de mortes por causa da covid-19, ele seguirá nessa direção. O presidente mira no cansaço das pessoas com o isolamento social e nos movimentos que começam a ocorrer na Europa e nos Estados Unidos pela volta à normalidade em locais onde a reabertura segue a passos lentos para evitar sobrecarga no sistema de saúde.

A escolha de Bolsonaro é um caminho sem volta. Ele está convicto de que, quanto mais tempo houver desse distanciamento, mais as pessoas terão problemas econômicos e vão lhe dar razão. Daí, acredita ele, será possível recuperar até aqueles eleitores que se afastaram.

O cálculo de Bolsonaro, porém, não leva em conta que o novo coronavírus ainda está se espalhando sem que a população de muitos estados tenha a segurança, seja de um medicamento eficaz para todos os casos, seja de um sistema de saúde capaz de garantir o atendimento.

Vídeo, versão light

Com os aliados do presidente Jair Bolsonaro certos de que o ministro Celso de Mello tende a levantar o sigilo da reunião de 22 de abril para nivelar todas as pontas da investigação sobre tentativa de interferência na Polícia Federal, a ordem é agora agir para “contenção de danos”. A narrativa será no sentido de que falar palavrão não pode ser configurado crime e nem cobrar que a família esteja segura — no sentido de que todas as declarações seriam relacionadas à segurança pessoal e não à Polícia Federal.

Estrada esburacada e sem sinalização

Esse é o cenário para a política até as eleições presidenciais de 2022. E, nesse cardápio, a maioria dos partidos não inclui o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Apesar das incertezas, muitos colocam a vontade de não tratar de impeachment.

Mandetta compara Bolsonaro a Dilma e Lula

Na entrevista ao CB.Poder, o ex-ministro da Saúde e ex-deputado Luiz Henrique Mandetta aproveitou para demarcar o terreno na arena do futuro: “Veremos agora uma tratativa do executivo que era como assisti ao PT fazer no final do (governo) Lula 2, Dima 1 e Dilma 2. A gente volta com aquela metodologia. Alguns vão manter a independência, como é o caso do Democratas”.

Te cuida, capitão/ Em conversas políticas recentes, o presidente Jair Bolsonaro foi alertado de que será a próxima vítima do Centrão, que hoje recebe no Planalto e no governo. Ele sabe. Porém, não dá para dispensar base política nesse cenário de crise.

Ele, não, outros atores/ Da mesma forma que houve a campanha “ele, não” da esquerda contra o então candidato Jair Bolsonaro, há setores dos partidos de centro entoando o mesmo bordão em relação ao governador de São Paulo, João Doria.

Incubadora de pré-candidatos/ Hoje, os partidos que poderiam apoiar o governador paulista olham mais para aqueles que Bolsonaro tirou do seu rol de apoios, os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o da Justiça SErgio Moro.

A velha e boa W3/ Diante da dificuldade em reabrir os shoppings, empresários locais planejam sugerir ao governador Ibaneis Rocha que apresse e incentive a revitalização da Avenida W3 (Sul e Norte). A avenida foi o primeiro local de comércio da capital da República e é vista por muitos como um local simbólico para o recomeço pós-pandemia.