Autor: Denise Rothenburg
Abalroada pela queda no preço do petróleo e pela Lava-Jato, a fornecedora de sondas Sete Brasil é considerada no meio empresarial como uma companhia com os dias contados. A conta corre o risco de parar no bolso dos fundos de pensão. A empresa foi concebida em 2010, num cenário com o preço de petróleo a mais de US$ 100 por barril, para construir sete sondas que seriam usadas pela Petrobras. O negócio prometia tanto que se aumentou para 29 navios. Aí, vieram a Lava-Jato e a queda no preço do petróleo. Os 29 caíram para 15.
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Ocorre que os técnicos da Petrobras comentam em conversas reservadas que o projeto Sete Brasil está obsoleto. Só o Petros, fundo de pensão da Petrobras, investiu R$ 1 bilhão e não viu o retorno, tampouco tem perspectivas de reaver o dinheiro. Em fevereiro, os credores da Sete começam a bater à porta para receber US$ 3,6 bilhões. Os acionistas vão se reunir antes disso para tentar ver o que fazer. Fala-se em recuperação judicial, vista por alguns como a única saída para esse produto, que ruiu depois da junção da crise com a ladroagem descoberta depois pela Lava-Jato.
Aposta nos candidatos
Parlamentares que desejam concorrer às eleições municipais fazem parte da esperança do Planalto em conseguir parte dos votos para aprovar a CPMF, vulgo imposto de cheque. O cálculo do governo é o de que ninguém vai querer assumir uma prefeitura sem ter recursos para pagar as contas e cumprir as promessas a serem feitas na campanha. Geralmente, são em torno de 100 congressistas que partem para a disputa municipal.
Todo cuidado
é pouco
Muitos partidos planejam esperar até março para definirem seus candidatos a prefeito nas capitais e cidades grandes. É que, com a Lava-Jato na ativa, uma certa cautela não fará mal a ninguém.
“Vou trabalhar pela unidade, mas se Renan Calheiros tiver um candidato a presidente do PMDB, eu fico com Renan”
Do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ),
referindo-se à hipótese de disputa pela presidência do partido entre o grupo de Renan e o vice-presidente Michel Temer
Melhor agora
Aliados de Dilma que acompanharam atentamente a manifestação contra o aumento das passagens de
ônibus na sexta-feira em São Paulo comentavam em conversas reservadas que o governo aprendeu: aumentar a
gora os valores faz os movimentos agirem em janeiro, com menor repercussão. Em 2013, o que deu fôlego à onda
de protestos foi justamente a elevação das tarifas em meados do ano.
PCdoB emplaca mais uma/ A ex-deputada Perpétua Almeida, do PCdoB do Acre (foto), acaba de assumir a Secretaria de Produtos da Defesa, voltada para a indústria ligada ao Ministério da Defesa. A familiaridade de Perpétua com a área vem dos tempos em que a parlamentar presidiu a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
Gerdau ficou/ O megaempresário Jorge Gerdau Johanpeter permanece na lista de integrantes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que se reunirá no fim do mês em Brasília para discutir a conjuntura econômica.
Creuza entrou/ A novidade na lista de integrantes é a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Oliveira. Ela está no rol que ainda precisa passar pelo crivo da presidente Dilma Rousseff.
Ator & personagem/ Os políticos noveleiros notaram. No capítulo de A regra do jogo que foi ao ar na quarta-feira, o personagem de José de Abreu, que interpreta o chefe da organização criminosa na novela das 9, se referiu aos valores recebidos para um dos capangas como “pixuleco”. Um fiel aliado da presidente Dilma comentava: “Pô, até o Zé de Abreu falando ‘pixuleco’?!!!”
Nesta primeira semana útil do ano, ninguém no mundo político tem dúvidas de que a Lava-Jato vai dar o tom desse universo em 2016 num salve-se quem puder pior do que o de 2015, porque o cerco começa a se fechar. Até a retomada do Congresso, a série de troca de mensagens entre Leo Pinheiro, o executivo da OAS preso, e autoridades estará no decanter, bem como as demais citações que envolvem os ministros palacianos.
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No Planalto, tudo é visto como um ataque especulativo e seletivo sobre os principais ministros de Dilma Rousseff, em especial Jaques Wagner, da Casa Civil, que começou a refazer as pontes com o Congresso. No PMDB, entretanto, há quem veja nos trechos dos vazamentos uma tentativa de deixar Michel Temer em baixa. Com ambos no desgaste, preserva-se Dilma enfraquecida, sem condições de aprovar a CPMF para salvar a economia. Aí estão a largada de 2016 e a ótica de parte de seus atores políticos.
Relações perigosas
Quem coordenou o processo de transferência da área financeira da Petrobras do Rio de Janeiro para Salvador foi João Carlos Ferraz. Lembrou-se do nome? Ferraz foi o primeiro presidente da Sete Brasil, indicado por Sérgio Gabrielli. Fez delação premiada no ano passado, se comprometeu a devolver R$ 3 milhões e repatriar
US$ 1,9 milhão.
Nova forma I
Os generais do deputado Leonardo Quintão na batalha pela liderança do PMDB decidiram tirar de cena o governo Dilma. Na maioria das conversas, dizem que não se trata de uma briga pró-Dilma nem do Anti-Dilma e, sim, um movimento contra o atual líder, Leonardo Picciani. Há quem diga que Picciani não trata dos interesses da bancada e sim do Rio de Janeiro em sua relação com o governo.
Nova forma II
A mudança de discurso dos adversários de Picciani é vista como um teste para o próprio governo Dilma. É que, se ganhar corpo, é sinal de que o impeachment realmente perde fôlego entre os peemedebistas. A ver.
Por falar em Quintão…
As dificuldades para conseguir um candidato único dentro do PMDB mineiro são consideradas insanáveis.
Isso porque, ali, há uma aliança entre PT e PMDB, e os peemedebistas ligados ao governo Pimentel — leia-se: Dilma Rousseff — não querem dar asas a qualquer movimento contra Dilma no Congresso.
E o Cid, hein?/ Ao fim de entrevista, enquanto tirava selfies com jornalistas, alguém quis saber da presidente Dilma o que ela achava da proposta de Cid Gomes (foto), de voltar ao PDT. Dilma fez uma expressão de que a proposta era uma bobagem e riu: “Não vou brigar com o Cid Gomes, ele pode falar o que quiser que eu não vou brigar com ele. No tempo que convivemos aqui, percebi que é uma pessoa bem-intencionada”.
TQQ/ É assim que técnicos da Petrobras chamam o presidente da empresa, Aldemir Bendine. Há quem diga que ele, muitas vezes, faz a semana parlamentar: terça, quarta e quinta.
Riquinho/ Ah, é assim que advogados da Petrobras chamam o diretor financeiro, Ivan Monteiro. Os advogados da companhia deram o apelido porque consideram que Ivan tem aversão a contenciosos com governos estaduais ou a União. Prefere pagar o que a União pede, sem discutir as dívidas.
O imponderável/ Leo Pinheiro está fora da cadeia, respondendo em liberdade, mas, se voltar para a prisão, é bem possível que termine contando o que sabe.
O café da manhã da presidente Dilma Rousseff com os jornalistas deixou uma série de recados a vários setores. À Força-tarefa da Lava Jato, críticas sobre o vazamento seletivo, com frases do tipo, não dá para ter dois pesos e duas medidas. Ao Tribunal de Contas da União, que avalia os acordos de leniência de empresas que tiveram seus executivos enroscados na investigação, ficou o “pune-se pessoas, não se destrói empresas”. À oposição, uma observação: “É preciso ter responsabilidade” e mencionou ainda que não dá para apostar no quanto pior, melhor. À base aliada, está posta a agenda do governo de curto prazo: Desvinculação de Receitas da União (DRU), CPMF, e as medidas provisórias em tramitação no Congresso. Quanto perguntada se é possível investir politicamente nessa pauta com um processo de impeachmment tramitando no Congresso, Dilma é clara ao dizer que a CPMF é um aprioridade e “não dá para o país ficar parado esperando se vai ou se não vai” (votar o impeachment).
O foco do governo é tentar estabilizar a economia, de forma que o país consiga voltar a crescer. Ela não antecipa que medidas adotará para isso, mas cita a necessidade de reforma da Previdência para melhorar as perspectivas para as próximas décadas. Embora seja ano eleitoral, ela considera que o país precisa enfrentar essa reforma, em especial, a revisão da idade mínima. Ela faz questão de frisar que não se mexe em quem já está no sistema é sim para o futuro. Ela descartou também qualquer atitude no sentido de usar as reservas cambiais para financiar o crédito. “Nunca tratamos disso”, afirmou. A impressão que ficou é a de que este ano Dilma pretende falar mais, se apresentar mais para pontuar as propostas de governo, até para deixar clara a visão do governo sobre os fatos.
Dilma não avança o sinal na defesa de ninguém em relação à Lava Jato ou qualquer investigação. Quando perguntada sobre denuncias envolvendo seus ministros, respondeu assim: “Poucos governos tiveram uma relação tão clara e tão explícita na garantia de investigação para todas as questões. Devo ter sido virada do avesso. Podem continuar me virando. Sobre a minha conduta não paira nenhum embassamento, nenhuma questão pouco clara”, disse Dilma.
O senso comum entre os atores da política é o de que não há, nesse momento, votos para aprovação de um processo de impeachment. Por isso, todos estão em fase de refazer o próprio jogo. Esta é a base para todos os movimentos em curso, inclusive a reaproximação deflagrada ontem pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, com o vice-presidente, Michel Temer. O gesto interessa a ambos. O vice-presidente tentou se desvencilhar do governo e seguir carreira-solo rumo ao impeachment da titular do cargo. O governo Dilma Rousseff, por sua vez, agiu para isolar Temer. Ambos perderam alguma coisa com esses movimentos. Agora, Dilma deseja barrar qualquer processo de impeachment com uma maioria confortável na Câmara e cuidar da economia. Ele planeja manter a presidência do PMDB. É em cima dessas duas premissas que voltaram a conversar.
Resta saber como reagirá o presidente do Senado, Renan Calheiros, que tem no senador Romero Jucá um candidato a presidente do partido.
Volte a ser mãe!!
Um dos principais conselhos que o ex-presidente Lula deu à presidente Dilma na conversa essa semana foi agir de forma a despertar novamente o sentimento de “mãe do Brasil”, no sentido de proteção dos mais pobres.
Sem berço de ouro
Afinal, lembram alguns ministros, Dilma começou a construir sua candidatura presidencial para o primeiro mandato com a imagem de mãe do Programa de Aceleração do Crescimento. Agora, embora sem recursos para tanto, pode pelo menos mostrar que cortou despesas extras para manter o básico na casa chamada Brasil.
Mas com remédio e comida
A ordem é direcionar os recursos disponíveis para ações de nutrição, saúde e educação. O problema é conseguir fazer isso sem deixar um mar de obras inacabadas pelo Brasil, aliás, parte delas do próprio governo Lula.
Sem acrobacias
O governo desistiu de um grande pacote de medidas mirabolantes para tratar de cuidar da crise econômica. Tomará apenas medidas pontuais. A ordem é não assustar ainda mais o mercado e nem dar motivo para que se interprete que o governo abriu mão do ajuste fiscal. Tudo será feito para deixar cada vez mais claro que o governo não pode prescindir do ajuste.
CURTIDAS
O aniversário do PT I/ A data de nascimento do PT, 10 de fevereiro, cai este ano justamente na quarta-feira… De cinzas. Para evitar chacotas e mostrar comedimento diante das dificuldades econômicas, a grande festa está dispensada.
O aniversário do PT II/ O partido vai comemorar sua data querida com eventos regionais. O da Bahia será 13 de fevereiro, sábado. Lula vai.
Eu hein…/ Sabe aquele meme da internet “só eu que…”? Pois é. O PMDB entrou na roda e tascou no twitter “só eu que sou o maior partido do Brasil”. Alguém notou e o post foi retirado meia hora depois. Mas, aí, caro leitor, já havia caído na rede.
Nevrálgico/ Minas Gerais virou hoje o maior foco de tensão do PMDB, por causa da intenção de Newton Cardozo Júnior em concorrer à liderança do partido, a primeira batalha política do ano. Enquanto não houver um desfecho entre os mineiros, nada se ajeita.
As duas horas de conversa entre o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, e o vice-presidente Michel Temer podem ser resumidas assim: Sem salvar a economia, os dois se afundam, PT e PMDB. Dilma e Temer. Portanto, em vez de ficar brigando, o mais sensato é tentar baixar a poeira pós-eleitoral de 2015 e colocar os pingos nos iis, antes que as eleições municipais atropelem tudo. O governo precisa do PMDB para tentar salvar o que ainda resta da economia nacional. E o PMDB, leia-se Temer, precisa do governo para continuar sendo… o PMDB. É por aí que a banda vai tocar. Foi um primeiro contato depois dos movimentos de confronto do ano passado. As chances de acordo existem e interessam aos dois lados. Vejamos os próximos passos.
Nessas primeiras reuniões políticas de 2016, o governo definiu entre 270 e 300 o número de parlamentares que deseja ter ao lado da presidente Dilma Rousseff na hora em que o processo de impeachment for ao plenário da Câmara. É que só assim ela terá uma margem grande o suficiente para manter sólidos 171 votos e, assim, evitar a abertura de processo. Afinal, em ano eleitoral, não dá para brincar.
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Em tempo: o governo apostará ainda em entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil, que não engrossaram o movimento pró-impeachment. Só isso, acreditam muitos aliados de Dilma, já é meio caminho percorrido.
A ordem é ganhar tempo
Eduardo Cunha usará todo o prazo possível para responder a notificação do Supremo Tribunal Federal. Quanto mais demorar, mais estará no comando da tramitação do pedido de abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. A muitos, é isso o que interessa.
Avisos não faltaram
Há quatro meses, numa conversa com líderes do PSDB, o megaempresário Carlos Alberto Sicupira, um dos controladores da Anheuser-Busch Inbev e sócio de Heinz, 3G Capital e Lojas Americanas, avisou que a grande ameaça à economia mundial este ano era a China.
O problema era ação
Ao governo também não faltaram alertas de que era preciso se preparar para possíveis solavancos chineses. Porém, diante das dificuldades internas, essa preparação ficou difícil.
Pesadelo paraibano
No sertão da Paraíba, há quem esteja pagando R$ 10 pelo litro da gasolina. É que a Petrobras ameaça fechar o fornecimento direto ao porto de Cabedelo, centralizando tudo em Suape, no sul de Pernambuco. A ordem na empresa é reduzir custos. Mas a conta vai para o consumidor, que pagará mais pelo combustível por causa do transporte. A bancada federal estará amanhã em Brasília para pedir que o governo obrigue a empresa a rever esse plano.
Todo cuidado é pouco/ A turma da Lava-Jato acendeu a luz amarela do receio de algumas citações serem apenas vinganças políticas. Até aqui, dizem alguns, foram três casos: o do senador Randolfe Rodrigues (foto); o do senador mineiro Antonio Anastasia; e o da ex-senadora e ex-governadora Roseana Sarney.
Seis na largada/ O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, do PDT, terá pelo menos cinco adversários. Do DEM ao PT, todos querem a vaga. Caberá aos irmãos Cid e Ciro Gomes tentar reduzir os adversários da base do governo Dilma.
Enquanto isso, em Minas Gerais…/ A primeira grande reunião do PMDB mineiro vai tratar da disputa pela liderança do partido na Câmara. Na semana que vem, os peemedebistas se reúnem em Belo Horizonte para tentar fechar o que fazer com a pré-candidatura de Newton Cardozo Jr., que entrou depois e não deseja sair de mãos abanando.
…O jogo é duplo/ Há quem diga que o objetivo ali é fazer Leonardo Quintão escolher: ou concorre ao cargo de líder ou ao de prefeito. Ocorre que uma grande maioria dos peemedebistas de outros estados já fechou com Quintão e não pretende trocar de candidato. Quintão, portanto, não pretende desistir nem da pré-candidatura de líder nem da de prefeito.
A oposição passa esses dias de janeiro juntando as falas do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, a uma rádio de Salvador e comparando com aquelas feitas em meados de dezembro, quando da saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Lá atrás, Wagner disse que quem comandava a política econômica é a presidente Dilma Rousseff. Agora, menciona que erros foram cometidos em 2013 e 2014, os dois últimos anos do primeiro mandato da presidente. Para a oposição, está claro que os erros foram de Dilma e até seu ministro reconhece.
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É por aí que a banda vai tocar daqui para frente entre os oposicionistas interessados no impeachment. O enredo será no sentido de tentar provar que Dilma deixou de adotar as medidas corretas lá atrás para garantir a reeleição.
A nova arma…
Os peemedebistas que apoiam Leonardo Quintão para líder vão tirar da gaveta um documento aprovado por aclamação na reunião da bancada de fevereiro do ano passado, quando Leonardo Picciani venceu a disputa por um voto. Dizem os aliados de Quintão que o tal documento prevê que a recondução de um líder do PMDB deve ser feita apenas se houver o apoio de dois terços da bancada.
…Contra Picciani
Hoje, ninguém no PMDB reúne dois terços dos votos. Nessa abertura da temporada de 2016, continua a diferença entre um e dois votos. Tal e qual em fevereiro de 2015. Logo, muitos consideram que, se o documento valer, Picciani estará impedido de buscar a recondução. Ainda que seja por meio de uma votação secreta da bancada.
Avançou o sinal
Aliados da presidente Dilma Rousseff ficaram preocupados com a declaração do ministro Jaques Wagner sobre um placar amplamente favorável ao governo no processo de impeachment que tramita na Câmara. Sabe como é, não se pode contar com o ovo dentro da galinha. Ainda mais nesse período em que as coisas estão no aquecimento.
Barbosa, a incógnita
A classe política está oficialmente em férias, mas não tira o foco das notícias sobre o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e as medidas econômicas que o governo pretende adotar. Ninguém consegue entender como o ministro deixará de cortar despesas sem pedalar, uma vez que, em termos de votos, a disposição política para novos impostos, leia-se a CPMF, continua abaixo do que o governo precisa.
Divisão em casa/ O deputado Newton Cardoso Júnior esteve ontem na sede do PMDB de Minas Gerais. Foi conversar com Antônio Andrade sobre a disputa para líder do partido na Câmara e também sobre o fato de Leonardo Quintão querer ser líder e, ao mesmo tempo, candidato a prefeito.
“Lava-Jato on vacarion”/ É assim que um dos principais personagens da operação de combate à corrupção descansa em merecidas férias. Na manhã de ontem, fazia troça com ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso por corrupção, trocando o “T” da palavra férias em inglês, vacation, pelo “R” de Vaccari.
Nem tudo está parado/ Quem está a pleno vapor é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (foto), estudando tudo sobre recursos cabíveis para apresentar ao Supremo Tribunal Federal em breve contra o fim das candidaturas avulsas para formação da comissão especial do impeachment.
Nem tudo está perdido/ A presidente Dilma comemorou o anúncio da Nissan, de produzir o SUV Kicks no Brasil, um investimento de R$ 750 milhões e 600 novos empregos. Foi uma das melhores notícias que ela recebeu ontem.
Por falar em comemorar…/ Quem é só alegria nesse início de ano é o ex-governador do Espírito Santo Renato Casagrande. A unidade da Federação ocupou o primeiro lugar no quesito sustentabilidade fiscal, dentro do ranking da competitividade dos estados brasileiros, produzido pelo Centro de Lideranças Públicas em parceria com a consultoria Tendências e a Economist Intelligence Unit. Casagrande tem dito que essa é a prova de que deixou uma excelente herança para o sucessor, Paulo Hartung.
“O PT não pode pensar em concorrer à Presidência da Câmara. O mar não está para peixe”. Essa avaliação tem sido recorrente em todas as conversas de ministros do governo Dilma Rousseff, que vão começar um trabalho de desencorajamento em relação ao enfrentamento com o PMDB no Congresso. Na hipótese de queda do presidente Eduardo Cunha, caberá aos petistas calçar as sandálias da humildade. A ordem é fechar um acordo como PMDB e pedir aos peemedebistas que escolham um nome que não seja radicalmente contra o Planalto. E, assim, apoiando um nome do PMDB, trabalhar para indicar o primeiro vice-presidente, cargo hoje ocupado por Waldir Maranhão, do PP, aliado de Eduardo Cunha.
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Em tempo: Os aliados do presidente da Câmara são diretos ao afirmar que a única maneira de tirar o deputado do comando da Casa é via Supremo Tribunal Federal. Se depender do Congresso, não tem como. A enxurrada de recursos e manobras é suficiente para estender essa briga por um longo período do ano que vem.
PF em fúria I
Se alguém tinha dúvidas sobre a disposição da Polícia Federal em investigar os deputados e senadores citados nas falcatruas em apuração pelas últimas operações, pode ficar tranquilo. Os policiais vão agir. Os delegados, que presidem as operações, estão para lá de irritados com o corte de R$ 133 milhões no Orçamento.
PF em fúria II
Os delegados presidentes de inquéritos já fizeram as contas e têm certeza de que as grandes operações sofrerão com os cortes. Eles não usam a palavra vingança, mas prometem atenção redobrada quando os fatos estiverem relacionados com as excelências.
Responsabilidade social
O ministro da Saúde, Marcelo Castro, é do PMDB. O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, é do PMDB. O prefeito da cidade, Eduardo Paes, é do PMDB. Logo, a crise da saúde do Rio, que culmina com hospitais fechados, vai cair no colo do partido.
Responsabilidade compartilhada
De todos os peemedebistas desse cenário carioca, apenas o ministro da Saúde é novo nessa área. Tanto Paes quanto o governador e até a presidente Dilma Rousseff não podem alegar herança maldita. Todos foram reeleitos.
Fui eu!/ O prefeito do Rio, Eduardo Paes (foto), apressava-se, na quarta-feira, a explicar aos convidados que tinha partido dele a sugestão para que a presidente Dilma Rousseff não fosse ao Rio de Janeiro participar da inauguração do parque aquático olímpico.
Ministro analógico/ O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, é um dos poucos que não tem nem WhatsApp, nem Instagram ou coisa que o valha. E não tem quem faça ele se render a esses instrumentos.
Ministro high tech/ Já o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, não consegue ficar desconectado. Mal o WhatsApp saiu do ar na última quinta-feira e ele já entrou no Telegram. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi outro que imediatamente entrou no Telegram.
Voto de casa/ D. Augusta, esposa do presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo, conversou com Eduardo Cunha na época da campanha para presidente da Câmara e garantiu que o marido votaria a favor do peemedebista. Ela e as esposas de muitos deputados adoraram o fato de Eduardo dizer que manteria as passagens aéreas para os cônjuges custeadas pela Câmara. Depois, entretanto, Eduardo voltou atrás. Hoje, há quem aposte que d. Augusta não quer o marido defendendo Cunha.
A visita ontem ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, fez surgir entre os aliados de Cunha a sensação de que nada caminhará em fevereiro no Congresso em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, ou talvez em março, por causa da necessidade de se esperar a publicação do acórdão sobre o rito do processo. Isso significa que o caso envolvendo Eduardo Cunha reinará sozinho, com todas as manobras novamente expostas, sem que a comissão especial do impeachment funcione para dividir as atenções. O primeiro movimento será a apreciação dos dois recursos apresentados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para zerar o processo por quebra de decoro no Conselho de Ética. Mais desgaste para o presidente da Casa.
… e no comando
Início de ano sempre é hora de troca de comando nas comissões técnicas, com a indicação pelos líderes e escolha por meio de votação secreta com permissão de candidatura avulsa. Em 2016, entretanto, a ideia de Eduardo Cunha é manter os comandantes dessas comissões, sob a alegação de que o STF pode interferir nas escolhas da mesma maneira que, provocado, intercedeu na formação da comissão especial do impeachment. Assim, Arthur Lira, aliado de Cunha, continuará na CCJ.
Eles gostaram
A má vontade do mercado para com o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, não se reflete entre os congressistas. “Finalmente, alguém que nos dará alguma esperança de conciliar ajuste com desenvolvimento”, comentava o deputado Valtenir Pereira (PMDB-MS).
Agenda futura
Antes de entrar na discussão da reforma da Previdência, o governo quer tirar de cena o pedido de impeachment. Mas a DRU (Desvinculação das Receitas da União) precisará ser aprovada logo, de forma a deixar o governo usar recursos vinculados para cobrir as despesas mais urgentes. A aposta do Planalto é a de que a inclusão de governadores e prefeitos nessa seara vai ajudar.
Dilma em romaria
Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff pretende continuar a agenda de inaugurações e visitas pelo país afora. A ordem no governo é mostrar que ela continua trabalhando pelas pessoas enquanto os parlamentares permanecem em férias.
Tudo ou nada
A defesa que o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, faz a respeito das qualidades do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, pode ser resumida assim: o êxito de Barbosa será o êxito do governo.
Climão I/ O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não gostou de ter que se encontrar com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, sob o olhar dos jornalistas. Sentado de costas para a imprensa, quase sussurrava. Lewandowski, entretanto, não deixou por menos. Repetia a pergunta ou o comentário de Cunha em voz alta para que não houvesse dúvidas.
Climão II/ Lewandowski chegou a se referir como um “exercício de futurologia”, o fato de Eduardo Cunha querer apresentar embargos em 1 de fevereiro, antes da publicação do acórdão, conforme o blog antecipou ontem. Cunha agora está mesmo sem saída: ou segue à risca o que o Supremo fixou para prosseguimento do processo de impeachment, ou terá que esperar até, pelo menos, final de março para a publicação do acórdão.
Revival/ Quem acompanhou a entrevista do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, na última terça-feira, ficou surpreso: “Baixou o Mercadante nele!”, comentaram alguns políticos, referindo-se ao atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Ninguém entendeu por que Wagner se referiu a Michel Temer como traidor nesse momento em que o governo tenta colocar panos quentes na relação com o vice-presidente.
Madrugou à toa/ Ao chegar em Brasília e se deparar com a falta de quorum para a reunião da Comissão de Constituição e Justiça da última terça-feira, o deputado Sandro Alex (foto) reclamou: “Acordei às 3h50 da matina para sair de Ponta Grossa e conseguir chegar aqui a tempo de participar da sessão. Vim só para isso!”, comentou. De lá, o jeito foi correr ao aeroporto e fazer todo o caminho de volta para passar o Natal com a família.
E por falar em Natal…/ Que a sua noite seja repleta de amor, orações e alegrias junto a familiares e amigos. O momento que vivemos requer união e temperança. Feliz Natal a todos!
Ao abrir a reunião com Eduardo Cunha ao jornalistas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, deixou o deputado tão constrangido quanto ficou o senador Antonio Carlos Magalhães, em 1993, no governo Itamar Franco. O senador prometeu levar a Itamar documentos, na verdade um dossiê contra o então ministro Jutahy Júnior, adversário do senador baiano. Itamar abriu o encontro com o senador a todos os jornalistas e na hora deu conhecimento do conteúdo dos “documentos”, que não passavam de recortes de jornais. ACM ficou com cara de tacho. Algo parecido com a expressão de Eduardo Cunha, ao ver os repórteres entrando na sala de Lewandowski. Saiu de lá com uma certeza: Se quiser seguir com o impeachment antes da publicação do acórdão, terá que seguir à risca o que diz o voto do ministro Barroso. Mais um dia difícil para o presidente da Câmara nessa reta final de 2015. O deputado agora, vai passar o fim de ano pensando nas estratégias para 2016. Se forem iguais as de 2016, as chances de sucesso são praticamente nulas.

