Autor: Denise Rothenburg
O cancelamento da viagem da presidente Dilma ao Japão, anunciado há pouco pelo governo, indica que o Planalto está mesmo com insônia, de olho nos desdobramentos da prisão do senador Delcídio do Amaral e nas perspectivas de não conseguir votar o PLN05 (revisão da meta fiscal) na semana que vem. Afinal, se tem algo que sempre prevaleceu no Palácio do Planalto foi a máxima “jamais perder a pose”, ou seja, o mundo pode cair, mas a presidente mantém sua agenda como se tudo não passasse de intriga da oposição. Agora, entretanto, chegou num ponto que não dá mais para disfarçar. O clima de incertezas voltou com força antes da chegada de 2016 e não vai se resolver quando 2015 for embora.
Aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foram informados de que ele aproveitará a prisão do líder do governo, Delcidio Amaral (PT-MS), para fazer caminhar já na próxima semana o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Assim, Cunha, que também está enroscado na Lava Jato e no Conselho de Ética da Câmara, espera obter algum alento junto aos oposicionistas e, ao mesmo tempo, tirar do governo o discurso de que o pedido de impeachment não passa de vingança por não ter todos os votos do PT no Conselho.
E tem mais: Embora Cunha saiba que o envolvimento de Delcídio no episódio nada tem a ver com os pedidos de impeachment presidente Dilma, o cidadão comum pode achar que os dois casos estão ligados. Assim, enquanto o governo e a imprensa se distraem com o pedido de impeachment em curso, Cunha acredita que terá mais espaço para tentar salvar a própria pele no Parlamento.
Apartados
O fato de a maioria dos senadores do PT e do PMDB seguirem caminhos opostos na votação que referendou a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi visto como um prenúncio do que vem por aí no futuro: as duas legendas cada vez mais distantes. Além da vontade de tirar o assunto do colo do Senado, houve a clara sensação entre alguns petistas de que o PMDB aproveitou o episódio para ensaiar a sua carreira solo. Vale conferir ao longo dos próximos meses.
Diferenças I
Senadores do Democratas se preparam para tripudiar em cima do PT, caso alguém faça alguma cobrança em plenário. Vão dizer que, no caso do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, flagrado num vídeo recebendo dinheiro, o DEM logo o expulsou do partido. Delcídio, preso, obteve a solidariedade de seus colegas de bancada numa votação em plenário.
Diferenças II
Senadores e deputados lembravam ontem que o presidente do Senado, Renan Calheiros, soube ganhar pontos ao acolher o recurso da oposição e submeter ao plenário a decisâo final sobre o voto aberto ou fechado sobre o caso Delcídio. Já o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tem perdido terreno justamente por tentar a todo custo fazer prevalecer a sua vontade.
Missão espinhosa I
O governo terá dificuldades em escolher um novo líder na bancada petista. A maioria teme ficar sob holofotes e virar alvo de desgaste. Os ministros palacianos já foram informados que a melhor saída é buscar um comandante para o governo em outro partido governista.
Missão espinhosa II
Outro fator que desanima os petistas é o tempo fechado previsto para 2016. Ninguém quer ser líder de um governo enfraquecido e se ver obrigado a defender aumento de impostos, como a CPMF, e medidas impopulares, que certamente virão. Com Joaquim Levy ou sem ele.
CURTIDAS
Mui amigo…/ Assim os senadores petistas têm se referido ao presidente do PT, Rui Falcão. Ele em nenhum momento consultou a bancada antes dispensar qualquer solidariedade ao senador Delcídio Amaral. Muitos só souberam quando o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) leu a nota do Partido dos Trabalhadores em plenário.
Pensando bem…/ O PT está virando uma casa onde falta pão: Aquela em que todo mundo briga e ninguém tem razão.
Quanto mais passa, pior fica/ Quanto mais tempo a presidente Dilma Rousseff leva para se pronunciar sobre a prisão do seu governo, mais a oposição cobra a impressão de que quem cala consente.
O verdadeiro front/ O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) sai temporariamente de cena da Frente Parlamentar pelo Controle de Armas e da PEC das reformas das polícias para conhecer de perto outras batalhas. Ele desembarca hoje em Tel-Aviv, para participar de um seminário para líderes políticos brasileiros, a convite do primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu. A agenda inclui visita ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Agrário de Israel e até um corajoso sobrevôo de helicóptero na fronteira com a Síria.
A Lava Jato, que a cada dia nos traz uma surpresa, agora fez cruzar destinos. Com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) todos se entrelaçaram. Vejamos Eduardo Cunha. O presidente da Câmara, como você lerá daqui a pouco na coluna Brasília-DF publicada na edição impressa do Correio Braziliense, vai aproveitar a prisão de Delcídio para jogar o impeachment de Dilma na roda e dar ao cidadão comum a impressão de que a prisão do líder do governo tem ligação com o pedido. Não tem. O pedido de impeachment está relacionado a peladadas fiscais, ou seja, uso de recursos de banco público para pagamento das contas do governo. Eduardo Cunha fará isso para ver se, no meio de tanta confusão, consegue sair de fininho.
Para completar, a turma do Planalto anda tensa com o que Delcídio poderá dizer. Se começar a se sentir abandonado, e ele está se sentindo assim, diante do resultado de ontem no plenário, há quem diga que o senador não hesitará em falar sobre outros senadores enroscados e quem mais chegar. E os personagens em questão não se restringem ao PT. Os peemedebistas também estão bastante preocupados. E quem se preocupa sabe os motivos que tem.
Toda essa novela está apenas começando. Da mesma forma que Eduardo Cunha agora responde pelas contasna Suíça perante o Conselho de Ética, Delcídio será levado ao Conselho do Senado a partir da semana que vem para explicar o que disse nas gravações e os crimes que cometeu naqueles diálogos registrados pelo filho de Nestor Cerveró. Não será fácil ver ali seus amigos do passado interessados na rápida condenação do senador para tirar o caso Delcídio da arena política. Há quem aposte que a vingança de Delcídio virá na forma de uma delação premiada, a única forma de conseguir a liberdade. E aí, muitos terão um só destino.
Não é à toa que Dilma Rousseff está numsilêncio ensurdecedor. Ela sabe do efeito Delcídio sobre seu governo e os desdobramentos que isso pode ter. Os fatos criaram perna e agora andam sozinhos, sem controle. Se servr para limpar um pouco a nossa política, leitor, o contribuinte que rala e paga impostos só tem a agradecer.
As gravações de conversas de Delcídio do Amaral (PT-MS), incluindo uma menção ao vice-presidente da República, Michel Temer, e trechos como aqueles sobre pressões a ministros do Supremo Tribunal Federal para pedir alguma ação em prol dos enroscados na Lava-Jato vão servir de divisor de águas. Até aqui, ainda havia alguma esperança de alívio, apesar do rigor jurídico do ministro Teori Zavascki. Agora, há uma sensação geral entre senadores e deputados de que acabou qualquer clemência com os envolvidos. Afinal, o STF não quer passar a ideia de que aceita pressão. Fim do recreio e, pelo que se comenta nos bastidores, até das conversas. Aos envolvidos, o rigor da lei e um pouco mais.
A onda do Senado
O discurso de Renan Calheiros antes de abrir o processo de votação, com o alerta para o fato de que os senadores não estavam julgando os diálogos de Delcídio, deu a todos a sensação de que o presidente do Senado torcia para o plenário decretar a liberdade do senador. Afinal, ali tem um grupo com temor de seguir o mesmo destino do petista.
Pais & filhos
Da mesma forma que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa optou pela delação premiada para que não houvesse qualquer ação sobre suas filhas, o empresário José Carlos Bumlai terminará recorrendo a esse recurso para salvar os seus. Há quem diga, por exemplo, que a condução coercitiva dos rebentos na última terça-feira foi um aviso: ou o paizão fala, ou os pimpolhos vão lhe fazer companhia em breve.
Sem saída
No meio da tarde, os senadores já haviam decretado o fim político do senador Delcídio do Amaral. Ainda que ele conseguisse escapar da prisão, a aposta era a de que, em breve, Delcídio responderá por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado, que, aliás, sequer foi instalado. Ou renuncia, ou terá um longo calvário. E, se renunciar, estará nas mãos de Sérgio Moro.
Desesperado
Quem acompanhou o dia-a-dia do senador nas últimas semanas percebeu que ele andava à flor da pele. Chegou inclusive a procurar advogados com trânsito no Supremo em busca de ajuda, mas não obteve.
Acordes finais
Enquanto os senadores discutiam o caso Delcídio, o líder do governo na Câmara, José Nobre Guimarães (PT-CE), aproveitava para tentar combinar a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias e o ajuste da meta fiscal (PLN 05) para a próxima terça-feira. Depois dessa confusão de Delcídio, todos querem sair logo de recesso.
A volta das vuvuzelas/ Um pequeno grupo de manifestantes voltou a fazer barulho no Senado. Desta vez, não era por causa do aumento dos salários do Judiciário, uma vez que o veto presidencial foi mantido. A barulheira era para manter Delcídio na cadeia.
Chocado/ No início da noite, um grupo de deputados foi acompanhar in loco a sessão do Senado que decidia sobre a prisão do senador. Na sala de café dos senadores, com a transcrição dos diálogos de Delcídio em mãos, o deputado petista pelo Rio Grande do Sul Paulo Pimenta (foto) virava as páginas e fazia aquela expressão de tsc-tsc a cada parágrafo.
Ávido por notícias/ De seu gabinete, o ministro dos Portos, Helder Barbalho, telefonou para o pai, senador Jader Barbalho, para saber como estavam as coisas no Senado. Lá pelas tantas, pergunta: “Alguma outra novidade?” Eis que o senador responde: “E você ainda quer mais?!!!”
Para relaxar…/ Em meio à perplexidade com os diálogos do líder do governo, assessores do Planalto não perderam o bom humor, nem o sentimento de disputa com o PSDB: “Finalmente, prenderam um tucano!”, afirmavam. Referiam-se à proximidade do senador com o PSDB, que, aliás, no passado fez vários convites para Delcídio trocar de legenda.
E o Cunha, hein?/ Há alguns meses, Eduardo Cunha reclamava que o Ministério Público era menos rigoroso com o senador Delcídio do Amaral. Ontem, ele certamente mudou de ideia.
A manutenção da prisão agora é mera questão de tempo…
E foi. Os senadores, por 59 votos a 13, decidiram deixar Delcídio do Amaral na cadeia. a cadeia, por enquanto, e uma sala de 9 metros quadrados na sede da Polícia Federal em Brasilia. O resultado nos traz alguns pontos interessantes: São 13 os senadores investigados na Lava Jato, mas não foi deles que Delcídio obteve solidariedade e sim da bancada petista. Parte do PT preferiu preservar o colega porque teme uma delação premiada que termine por afetar o governo. Nos bastidores do governo, há quem tenha medo do que Delcídio possa dizer ou “inventar” para se vingar daqueles que o abandonam.
A preliminar sobre se a votação do caso Delcídio deve ser secreta ou aberta dará uma ideia do que os senadores pretendem, mas nem tanto. O voto fechado foi defendido até agora pelo PT, pelo PMDB e pelo PSD. A oposição, PSDB, DEM, Rede e PSB querem o voto aberto. Tem senador que deseja o voto secreto para votar pela manutenção da prisão de Delcídio sem precisar se expor contra um colega. Outros defensores do voto secreto querem mesmo é votar pela liberdade de Delcídio sem se expor perante à opinião pública. Veremos qual é o maior grupo.
Os senadores discutem nesse momento os autos do Supremo sobre a prisão do senador Delcídio Amaral. Estão na preliminar: como deve ser a votação, inédita na história do Senado. O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima, pede voto aberto para que os senadores definam se acolhem a decisão do STF sobre a prisão do senador Delcídio. Cássio lembrou que o constituinte original mencionou o voto secreto, mas a emenda Constitucional de 2001 tirou a palavra “secreto” do parágrafo que trata da situação de senadores presos. Essa sessão vai longe.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, acaba de avisar ao blog que a votação da Casa sobre a prisão do senador Delcídio Amaral será secreta em sessão aberta. “A emenda constitucional que abriu o voto para diversas situações não incluiu essa modalidade. Portanto, o voto será secreto”, disse Renan.
A Constituição determina que cabe ao Senado chançelar ou rejeitar a prisão de um senador. No caso do senador Delcídio, a tendência do Senado é confirmar a prisão do senador. E não se surpreenda, leitor, se a votação superior a 70: A ordem entre os senadores é tirar esse tema do colo da instituição.
O senador Delcídio Amaral e o banqueiro André Esteves foram presos esta manhã pela Policia Federal, numa operação que, comprovada, nos mostrará que, em plena Lava jato, os atores políticos continuam cometendo crimes da maior gravidade. Delcídio consegue hoje ser o primeiro senador da história do país preso no exercício do mandato, por tentar atrapalhar investigações. André Esteves, o banqueiro dono do BTG pactual e maior acionista da empresa Sete Brasil, já estava na mira da força-tarefa da lava Jato. Ele foi mencionado num dos bilhetes do empresário Marcelo Odebrecht no início do ano, quando Odebrecht, que já estava preso, tentava orientar seus funcionários a “destruir e-mails sondas”. André Esteves é suspeito de participação no esquema da Petrobras. Em 2013, o grupo BTG Pactual comprou metade dos ativos da Petrobras na África por US$ 1,5 bilháo. Especialistas disseram que os campos adquiridos pelo grupo de André Esteves valiam muito mais.
A prisão de Delcídio foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal na madrugada de hoje. O ministro Teori Zavascky, responsável pelo inquérito da Lava Jato no STF, chamou o presidente do Tribunal, Ricardo Lewandowski, para uma reunião de emergência ontem, onde informou sobre o pedido de prisão do senador. Não queria que o presidente do STF fosse surpreendido pela notícia na manhã de hoje. Delcídio é acusado de oferecer R$ 50 mil mensais a Nestor Cerveró, ex-diretor Internacional da Petrobras. As conversas onde ele ofereceu inclusive um plano de fuga a Cerveró foram gravadas pelo filho de Cerveró, Bernardo. Diante das evidências, o STF não teve outra saída, senão mandar prender o senador. Teori tem sido rigoroso na análise dos processos e não pretende “aliviar ninguem” que esteja relacionado com o caso. O contribuinte agradece. Mais detalhes no site do Corre
A presidente Dilma Rousseff sancionou há pouco a lei de isenção de vistos por quatro meses, de junho a setembro do ano que vem, período em que país espera ampliar o número de turistas por causa das Olimpíadas. Em tempo de ataques terroristas em Paris e no Mali, houve dentro do governo quem não concordasse com essa liberação. Dilma, entretanto, considera que não são os vistos que tornam um país mais ou menos seguro. O Ministério do Turismo, que lançou a ideia, comemorou a decisão. Agora é trabalhar para que tudo dê certo.

