Autor: Denise Rothenburg
A falta de acordo entre os partidos políticos para a eleição indireta é o que hoje sustenta Michel Temer no cargo. O PSDB infla o senador Tasso Jereissati, mostrando que ele é capaz de tocar as reformas. O PMDB, por sua vez, aposta mais no presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, e no ex-ministro Nelson Jobim. O DEM quer é o DEM, leia-se, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
A oposição não quer nenhum dos três grandes partidos. Renan Calheiros cita vários candidatos, dizendo que “Cármen Lúcia cresce nas crises”. Aliados do PT trabalham Ayres Britto, que Renan descarta da mesma forma que afasta Fernando Henrique Cardoso. Se continuar nesse pé, ninguém se surpreenda se vier por aí um “fica, Temer”.
Precificado & não-contabilizado
Diante do preço do estádio Mané Garrincha e a falta de fiscalização federal sobre a obra, muitos no mercado da política davam como favas contadas a prisão de José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz. O que o Planalto não esperava era a prisão do ex-vice-governador Tadeu Filippelli, assessor especial da Presidência da República até ontem.
A tese do PMDB
Em avaliações para lá de reservadas, os peemedebistas calculavam que Tadeu Fiippelli foi preso ontem apenas como uma forma de chacoalhar ainda mais Michel Temer no cargo. O presidente, que já não está bem das pernas, tratou logo de exonerar o amigo, o terceiro a cair em menos de um ano e o segundo em sete dias. Os outros foram Rodrigo Rocha Loures, pela delação da JBS, e José Yunes, depois da delação da Odebrecht.
A tese do PT
Os petistas começaram a discutir a eleição indireta, porém, têm em mente que, se houver unidade nos partidos aliados ao presidente Michel Temer, essas legendas elegem quem quiser. O PT só terá importância se a base do governo estiver dividida. Por isso, o partido de Lula considera que o principal papel da esquerda agora é paralisar as reformas para não dar sobrevida a Temer nem tampouco mostrar que o presidente é capaz de estabilizar a economia.
A Ford mandou
Com a obstrução do PT em relação às medidas provisórias em pauta, representantes da Ford interessados em manter a prorrogação dos incentivos ligaram direto para os governadores do Ceará, Camilo Santana, e da Bahia, Rui Costa. O recado foi claro: ou põe o PT para votar ou adeus, fábricas.
Me erra!/ A cena mais corriqueira ontem no parlamento era de deputados se esquivando de comentar as prisões de ontem, todas baseadas em delações da Andrade Gutierrez. Sabe como é… Quem recebeu algum dinheiro de doação de caixa dois não quer provocar os delatores nem tampouco ser lembrado por eles.
Ficou mal no ninho/ As declarações de Domingos Sávio (PSDB-MG) jogando Aécio Neves aos leões antes mesmo que o senador tucano afastado do mandato tentasse explicar o diálogo com Joesley Batista foram muito mal recebidas pelo PSDB mineiro. Afinal, se tem uma coisa que se aprecia na política partidária (e é cada vez mais difícil) é a lealdade em momentos difíceis.
Diretas já…/… Na Une. Com a cúpula da União Nacional dos Estudantes na Câmara em campanha por eleição direta já para presidente da República, os governistas partiram para cima do PCdoB: “Que tal eleição direta para presidente da UNE, em vez dessa história de voto de delegados?” Os comunistas fizeram cara de paisagem.
Renan é fofo/ Pelo menos, para a oposição ao governo de Michel Temer. O líder do PMDB, Renan Calheiros (foto), virou realmente o rei da oposição ao dizer ontem que, se votasse na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), se posicionaria pelo adiamento da leitura do relatório da reforma trabalhista. Na hora em que Renan defendeu o desejo da oposição, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) virou-se para ele e saiu-se com esta: “Meu presidente, estou lhe amando!”
Primeiro grupamento político a apoiar o presidente Michel Temer, a Frente Parlamentar de Agricultura (FPA) está coletando assinaturas a fim de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os negócios da JBS. Especialmente, os ganhos no mercado financeiro antes do vazamento do teor da gravação da conversa com o presidente Michel Temer. A FPA quer apurar também detalhes da negociação em torno do acordo de delação premiada, que garantiu liberdade total aos delatores, mediante o pagamento de R$ 250 milhões em multa.
Michel Temer mantinha três principais assessores políticos filiados ao PMDB no terceiro andar do Planalto: Rodrigo Rocha Loures, Tadeu Filippelli e Sandro Mabel. Loures carregava mala com dinheiro por aí. Filippelli preso hoje na Operação Panatenaico. Resta agora Mabel, ex-deputado por Goiás, que, em 6 de março, disse que havia pedido para sair do governo. Coincidentemente, véspera da conversa de Temer com Joesley. Temer, entretanto, pediu que Mabel ficasse mais seis meses. É o que resta agora de assessor político peemedebista no Planalto. Obviamente, Temer conta os ministros, Eliseu Padilha e Moreira Franco, também do PMDB. Mas a assessoria política foi reduzida em dois terços em sete dias. Vale lembrar que Rocha Loures só não está preso porque é deputado federal. E segue o baile.
Depois de mais de 7 horas de discussões, a Ordem dos Advogados do Brasil decidiu apresentar um pedido de impeachment contra o presidente Michel Temer. A defesa do presidente Michel Temer ainda tentou apelar para que a Ordem esperasse o parecer da gravação feita por Joesley Batista na residência oficial de Temer em 17 de março, mas o pedido foi rejeitando por 19 votos a 7.
Em conversas reservadas, advogados criminalistas, que durante todo o dia apelavam à Ordem que não pedisse o impeachment com base numa gravação clandestina, consideram que a OAB adotou essa posição mais para se recuperar de período de Dilma Rousseff, quando a instituição não teve um protagonismo maior.
A OAB, entretanto, rejeita essa posição de tentativa de recuperar prestígio. O que pesou na discussão foi o fato de o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, ter pedido a investigação do presidente com base na gravação. Com isso, são, até gora, 12 pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer, uma investigação no STF e outra no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não há registro de um presidente que chegasse a 12 meses de mandato com tantos processos em curso. Até entre os aliados do Planalto, ja há quem diga que, se Temer sobreviver a tudo isso, terá sido um milagre.
O governador Rodrigo Rollemberg acaba de divulgar nota sobre a reunião da Executiva Nacional do PSB, que hoje pediu a renúncia de Michel Temer, eleições diretas e respeito à Constituição. Prmeiramente, a nota do próprio PSB fala em respeito à Constituição, que prevê eleições indiretas em caso de vacância da presidência da Republica no último biênio, e, ao mesmo tempo, pede eleições diretas. Das duas uma: Ou o partido quer mudar a Constituição, para promover eleições diretas, ou quer seguir o que está escrito no texto constitucional, logo eleições indiretas.
Quanto ao governador, ele diz que acompanha o partido (que pediu eleições diretas) e menciona o respeito à Constituição, logo, eleição indireta.
Eis a nota do governador:
“Sou militante histórico do PSB e acompanhei as decisões emanadas de sua direção nacional. O país vive uma crise institucional sem precedentes e as forças políticas sociais e econômicas devem trabalhar no sentido de resolvê-la no menor prazo possível, sempre respeitando a Constituição.”
Temer: “Há quem queria me tirar do governo para voltar aos velhos tempos”
O pronunciamento do presidente Michel Temer hoje vem em dois sentidos: Dar discurso aos partidos da base que se mantêm firmes no apoio e aglutinar ao seu lado aquela parcela dos brasileiros que se mostram revoltadas com o fato de um delator gravar clandestinamente o presidente da República, deixar o país depois de corromper politicos e se aproveitar da delação para ganhar dinheiro e curtir a vida em nova York.
Temer. logo no início de sua fala, falou que a JBS “lucrou milhões e milhões de dólares”. E foi incisivo ao dizer que seu governo não atendeu os pedidos de Joesley, mandando antes um recado aos que pedem seu impeachment e/ou renúncia: “Estamos acabando com os velhos tempos das facilidades aos oportunistas. Há quem queira me tirar do governo para voltar aos tempos em que faziam tudo o que queriam com o dinheiro publico e não prestavam contas a ninguém”.
“Quebraram o Brasil e ficaram ricos. O autor do grampo relata suas dificuldades. Simplesmente, as ouvi. Nada fiz para que ele obtivesse benesses”, diz Temer, ao comentar que o Cade não concedeu facilidades ao empresário e hoje tanto o BNDES quanto a Petrobras têm presidentes que botaram “ordem na casa”.
Paralelamente à desqualificação do delator que ele recebeu no Jaburu e ao anúncio do pedido de perícia na gravação de Joesley, __ que Temer disse ter 50 edições, o presidente se colocou ainda como o fiador das reformas e da recuperação econômica. E não fez isso por acaso. Essa recuperação é algo que, diante da lama que engole toda a classe política, uma parcela expressiva da população coloca como a principal característica que deve balizar um governo. “O Brasil exige que se se continue no camknho da recuperação econômica. Estamos completando as reformas para
Para concluir os 12 minutos em que falou no Salão Leste do Palácio do Planalto, o presidente enfatizou: “O país não saírá dos trilhos: Continuarei à frente do governo”. Falta combinar com os demais atores do cenário politico.
As classes empresarial e política passaram as últimas 48 horas com um olho nos detalhes das delações de Joesley Batista e executivos da JBS e o outro no espectro político, em busca de um nome para assumir o país, caso o presidente Michel Temer venha a deixar o cargo. Não encontraram. Todos os nomes pensados até agora trazem alguns senões e ninguém quer apostar num presidente que, eleito indiretamente, apresente problemas logo ali na frente.
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Enquanto esse cenário não estiver claro na cabeça dos políticos e dos empresários, Temer resistirá. Isso porque, somadas as delações da Odebrecht, da JBS e de quem mais recorreu a esse recurso até agora, não resta muita gente fora do cesto do caixa dois que imperou em todas as campanhas. Diante disso, não são poucos os que consideram que o presidente ainda tem condições de reaglutinar a base aliada, apesar dos protestos de rua, das delações e das pressões pelo afastamento. O fim de semana, aliás, será dedicado a esse trabalho. Falta, entretanto, combinar com as ruas, que, se continuarem num crescente, podem inviabilizar a estratégia do governo.
Pegou mal
A perícia da Polícia Federal até hoje não recebeu nenhum pedido de análise das gravações. Para os policiais, a situação é constrangedora, pois é um indício forte de que o presidente não confia no trabalho dos técnicos da Polícia Federal.
Pegou muito mal
Joesley Batista foi, até agora, o único delator que recebeu salvo-conduto para viver fora do país com os bolsos recheados de dinheiro captado na bolsa e no câmbio depois das denúncias que fez. Há quem atribua tantas benesses ao ex-procurador Marcelo Miller, próximo ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Miller largou a força-tarefa da Lava-Jato para se juntar ao escritório Trench, Rossi, Watanabe Advogados, que cuida da vida dos delatores da JBS.
Apoio à República I
A intervenção militar como solução para a crise política pode até povoar o imaginário de alguns brasileiros. Porém, não é o que os comandantes militares desejam. Em reunião ontem com o presidente Michel Temer, os comandantes da Força Naval, almirante Eduardo Bacellar; da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato; e do Exército, general Eduardo Villas Bôas, deixaram clara a intenção de que os desafios no país sejam superados seguindo a Constituição e a ordem institucional vigente. Aliás, a decisão do ministro da Defesa, Raul Jungmann, em permanecer no cargo, foi, inclusive, um pedido dos militares.
Apoio à República II
Os comandantes, no entanto, fizeram questão de expôr a Temer as preocupações com a crise e procuraram tirar a limpo a avaliação do presidente sobre a real situação do quadro político. Ouviram que o governo resistirá.
CURTIDAS
Vale tudo I/ “Joesley Safadão”, como o empresário Joesley Batista vem sendo chamado nas redes sociais, era comparado nas rodas de políticos ao personagem de Reginaldo Faria na novela Vale Tudo, que fez sucesso no final dos 1980.
Vale tudo II // Marco Aurélio, vice-presidente do grupo Almeida Roitman, fazia de tudo para se dar bem. Ele ficou famoso no último capítulo da novela, fugindo do país com uma mala cheia de dinheiro e dando uma banana para os brasileiros. Mais ou menos como Joesley fez com aval do Poder Judiciário e do Ministério Público.
Enquanto isso, em Minas Gerais…/ Quem conhece a política mineira recomenda anotar esse nome: Rodrigo Pacheco (foto), do PMDB, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. É novo no pedaço e bom de voto. Diante do vácuo político que toma conta do estado e da derrocada do PSDB do senador afastado, Aécio Neves, há quem coloque Pacheco como um potencial candidato a governador em 2018.
Por falar em novos…/ Nunca antes na história desse país a turma nova na política chegará a um ano eleitoral com tantas chances de galgar postos mais altos.
Procuradores e executivos da J&F não conseguiram chegar a um consenso sobre o valor da multa a ser paga dentro do acordo de leniência da J&F, à qual pertence a JBS. O maximo que o grupo queria pagar era R$ 1,4 bilhão e o MPF pretendia cobrar R$ 11 bilhões. O prazo se encerrou as 23h59 dessa sexta-feira. Advogados que trabalham no processo estudavam ontem pedir a reabertura do prazo e retomar as negociações.
A OABDF acaba de deliberar que o Conselho Federal deve pedir o impeachment do presidente Michel Temer.
20 SIM 13 NÃO
Assim votará na reunião do Conselho Federal da OAB no sábado.

