Minha bancada, meu escudo

Publicado em coluna Brasília-DF

Depois das farpas atiradas contra o governo em relação à reforma da Previdência, o líder do PMDB, Renan Calheiros, reabre sua artilharia contra o Planalto e, para isso, busca o apoio da bancada, o que terminou por causar desconforto em parte dos senadores do partido. Alguns parlamentares, como Simone Tebet, Waldemir Moka, Raimundo Lira, preferiam uma conversa direta com o presidente Michel Temer, em vez de uma nota, expondo as divergências em relação ao projeto da terceirização. Venceu, obviamente, a posição defendida por Renan e parte da bancada se sentiu usada pelo líder que procura se firmar numa posição de maior independência em relação ao governo.

Em tempo: o líder do governo, Romero Jucá, um dos maiores aliados de Renan, não compareceu à reunião dos peemedebistas convocados pelo comandante da bancada. Preferiu um tête-à-tête com Renan no início da noite. Sabe como é… Líder do governo, num movimento contra uma proposta que tem o apoio do Planalto, prefere ficar na encolha e resolver tudo nos bastidores.

Questão de prioridade

O Ministério das Cidades está reservando R$ 5 bilhões para asfaltamento de ruas pelo Brasil afora. Com R$ 1 bilhão, é possível deixar o Brasil com 3,3 mil quilômetros de faixa seletiva para ônibus, beneficiando 86 milhões de pessoas em cidades com mais de 10 mil habitantes. Não resolve o problema do transporte público, mas que ajuda, isso ajuda.

Ainda não acabou I

A dor de cabeça das grandes empreiteiras não acabará depois da delação de seus executivos. A exemplo do que foi feito com as empresas de Angra 3 (Technit, UTC, Queiroz Galvão e Empresa Brasileira de Engenharia), a Odebrecht, a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez são as próximas que correm o risco de serem consideradas inidôneas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mesmo depois de todos os acordos que já assinaram.

Ainda não acabou II

“As empresas não são vítimas, são corruptoras. Há aí uma inversão de valores. Queremos prestigiar os acordos de leniência, mas é preciso ter mais uma cláusula dizendo que vão colaborar com o TCU e devolver o que roubaram”, diz o ministro Bruno Dantas à coluna.

Negócios diversificados

O mesmo Miguel Júlio Lopes, sócio da Advalor DTVM, tem ainda uma factoring com o mesmo nome e, em 2005, abriu uma empresa de serviços patrimoniais para compra e venda de imóveis próprios. A Advalor DTVM foi a empresa que, segundo a força-tarefa da Lava-Jato, movimentou R$ 6 milhões de alvos da operação. Miguel tem dito que está tudo dentro das normas legais.

CURTIDAS

Conselhos do mago/ Detentor de uma vasta experiência em pesquisas eleitorais, Carlos Montenegro (foto), do Ibope, almoçou ontem com um grupo de deputados na casa do líder do PTB, Jovair Arantes. “Vocês têm que reunir os políticos e reagir aos ataques, explicar que não são todos iguais e que o país precisa de políticos para sua boa condução.”

Apostas do mago I/ Ele fez ainda cenários sobre 2018. Disse que Lula é figura certa num segundo turno da eleição presidencial do ano que vem, se estiver em condições jurídicas de concorrer. “Agora, ganhar a eleição é outra história.”

Apostas do mago II/ Em relação aos senadores José Serra e Aécio Neves, “não vejo na disputa”. Quanto ao prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin, é preciso clarear mais o ambiente para se ter uma ideia.

Apostas do mago III/ Alguém quis saber das chances de Jair Bolsonaro. Montenegro limitou-se a dizer: “Tem hoje entre 10% e 12%”. E o PMDB? “Não terá um representante”. Os deputados ficaram meio boquiabertos com as afirmações de Montenegro. Sabe como é… Com a Lava-Jato por aí, todos consideram muito difícil fechar hoje uma aposta para 2018.

TSE & Holofotes

Publicado em coluna Brasília-DF

O pedido do ministro Herman Benjamin para que o processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer seja colocado na pauta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) jogará luz sobre os movimentos dos personagens citados nos bastidores para assumir a Presidência da República, caso a Corte decida cassar a chapa. Nesse rol, entrou na lista o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que vem fazer companhia ao presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, citado em primeira mão aqui nesta coluna há praticamente um mês, e ao ex-ministro Nelson Jobim. Os três têm algo em comum: consideram a necessidade de separar quem aplicou dinheiro de caixa dois em campanha daqueles que enriqueceram às custas de doações ou cobraram propina.

Renan na lida
O líder do PMDB, Renan Calheiros, tem trabalhado diuturnamente nos bastidores no sentido de mostrar aos parlamentares a necessidade de aprovar o projeto que trata do abuso de autoridade. Aliás, o discurso dele semana passada, à noite, criticando o trabalho dos investigadores, foi feito àquela hora justamente para servir de alerta ao
público interno.

Janela
A demora do ministro Edson Fachin em levantar o sigilo da delação da Odebrecht é outro ponto que aumenta o ânimo dos políticos em aprovar as leis de interesse deles o mais rápido possível. É que, quando tudo vier a público em detalhes, muitos perderão a força para fazer valer sua vontade no parlamento.

Herman Moro
Observadores do processo no TSE têm comparado o ministro Herman Benjamin ao juiz Sérgio Moro. Porém, lembram que o papel do TSE é auxiliar, secundário, e não pode se sobrepor ao principal, ou seja, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em suma, há quem diga que Benjamin não tinha nada que ouvir delatores, apenas analisar as contas de campanha. Os crimes de corrupção, se passiva ou ativa, são julgados em outras instâncias.

Se cochilar…
Os parlamentares querem aproveitar o fraco movimento nas manifestações de apoio à Lava-Jato para votar, o mais rápido possível, os projetos que tratam do abuso de autoridade. A ideia é tramitar paralelamente ao fim do foro privilegiado, no qual há quem planeje embutir a proposta de diferenciar o caixa dois de campanha ao uso do dinheiro para outros fins. A avaliação dos parlamentares é a de que o estrago político já foi feito e, portanto, a ordem agora é tentar reduzir os efeitos.

Previdência & tempo
O que o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) fala, em público, sobre não estar disposto a se suicidar politicamente para aprovar a reforma previdenciária, a maioria dos parlamentares
do PP fala nos bastidores. E quanto mais perto da eleição, pior será.

CURTIDAS

Amigos, amigos…/ O líder do PMDB, Renan Calheiros (foto), não perde uma oportunidade de lembrar ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, que não dá para se afastar dele. Dia desses, Renan começou assim uma conversa telefônica com Eunício: “Meu presidente, não abandone seus aliados!”

Nem vem/ As críticas de deputados, senadores e empresários à presidente do BNDES, Maria Sílvia, não tiraram o sono do governo.

Campanha do bem/ A Frente Parlamentar de Combate ao Contrabando e o Movimento em Defesa do Mercado Legal Brasileiro, coalizão formada por mais de 70 entidades representativas de setores afetados pela ilegalidade, lançam amanhã a campanha nacional O Brasil que nós queremos.Tudo para ver se conseguem unir forças entre sociedade civil e legislativo para contribuir no combate que envolve o comércio de produtos ilegais.

Ministro do bem/ O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, será o anfitrião do lançamento da campanha. Vai aproveitar o evento para ver se gera alguma notícia positiva capaz de tirá-lo do enrosco da Carne Fraca.

Troféu saia justa

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O governo passou a última semana buscando saídas para afastar o delegado Maurício Moscardi da coordenação da Carne Fraca e da Lava-Jato. O problema, entretanto, é que as duas investigações atingem a classe política, em especial, autoridades do próprio governo. Portanto, qualquer movimento pode parecer provocação. Sorte de Moscardi, o delegado que já falou que a “PF havia perdido o timing para prender Lula” e desmobilizou toda a equipe inicial da força-tarefa da Lava-Jato. Há quem diga que, enquanto Osmar Serraglio estiver no governo e as autoridades não souberem exatamente o que Moscardi tem na manga, o delegado também vai ficando.

Alien versus predador
Assim os políticos classificam a disputa entre os delegados da Polícia Federal e os procuradores em torno da prerrogativa de investigação de crimes de corrupção. Há, inclusive, quem cogite aproveitar essa disputa para tentar jogar um contra o outro e promover uma divisão na Lava-Jato, de forma a colocar a operação em banho-maria.

Cunha, Cleto e os Batistas
A aposta do mercado é a de que a JBS, abalroada pela Operação Carne Fraca, vai colocar novamente Fábio Cleto e Eduardo Cunha frente a frente com os investigadores. Isso porque a CEF foi uma das principais financiadoras do grupo JBS quando da compra da Alpargatas e do pagamento de debêntures para o BNDESpar, de forma a não deixar o banco de fomento com a maior parte do capital da empresa.

Ministros de resultados
Quem teve a curiosidade de perguntar a amigos de Michel Temer como estava a situação dos ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e de Wellington Moreira Franco, da Secretaria de Governo, ouviu o seguinte: “Eles só não podem aparecer muito, mas funcionam muito bem”. Os bons resultados do governo nas votações tiveram todo o empenho de Padilha. E o sucesso das concessões foram obra de Moreira Franco.

Para bons entendedores…
Com Lula em alta no Nordeste, a fala do presidente Fernando Henrique Cardoso que menciona Geraldo Alckmin como o mais posicionado para concorrer à Presidência da República em 2018 ganhou visibilidade. A leitura de alguns tucanos é a de que FHC está dando recado direto ao presidente do partido, Aécio Neves, para que o senador por Minas Gerais comece a cogitar a hipótese de não concorrer ao Planalto no ano que vem.

Onde mora o perigo
Em suas rodas de conversa na sala de café, os senadores são quase unânimes em debitar na conta dos deputados todas as tentativas fracassadas de votar uma proposta de reforma política. Um deles dizia: “Mandamos uma proposta inteira para a Câmara e voltou só a janela (para troca de partido)”.

Reformas/ Reservadíssima, a primeira-dama do Senado, Mônica Paes de Andrade Oliveira, resolveu colocar tapumes em toda a área verde e ainda mandou reformar a piscina. Os fotógrafos estão irados. Não com a troca dos azulejos da piscina, mas com o fim das fotos de quem sai e entra na casa.

Memórias do cárcere/ Só agora, aqueles que passaram uma temporada em Curitiba começam a falar sobre o assunto. O lobista Fernando Baiano, metódico e obcecado por limpeza, não esquece o dia em que Nestor Cerveró passou mal e a sujeira terminou respingando em seus objetos pessoais, livros e roupas. Foi, na visão dos amigos dele, o pior dia na cadeia.

Governo de resultado/ Quanto ao volume de votos registrado para aprovar a reforma da Previdência, os governistas não consideram tão grave. O que interessa é o resultado. “Agora, lá se foram as classificatórias. Falta o mata-mata, a reforma da Previdência”, afirma um amigo de Temer.

Enquanto isso, nas redes sociais…/ A mensagem que o presidente do PT, Rui Falcão (foto), colocou no Facebook, em janeiro, convidando as pessoas a se filiarem ao partido viralizou nas redes, por causa dos comentários. Olha só: “Com a carteirinha, tenho direito a cela especial?”, “Não sei se meus crimes estão à altura do PT. Já colei em prova, peguei brigadeiro antes dos parabéns e apertei todos os botões do elevador. Serve ou é preciso algo mais relevante?” ou “Se filiando ao PT, quanto tempo leva para a PF me acordar aqui em casa? É que eu gosto de dormir até mais tarde (…)”.

O outro lado da terceirização

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Servidores públicos estão pra lá de desconfiados da proposta de terceirização aprovada pela Câmara. A avaliação de diversas categorias foi a de que o governo deu um chega pra lá nos concursos públicos (que custam dinheiro), abriu a porta da esperança à contratação de apadrinhados e, de quebra, um portal para essas admissões, sem desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso porque os gastos com os terceirizados muitas vezes não entram nas despesas com pessoal e sim, na prestação de serviços. Atos de protesto virão.

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Em tempo: o governo tem um discurso afinado entre seus mais fiéis escudeiros para responder àqueles que consideraram a terceirização um alerta de que a reforma da Previdência não passa. Não houve tanta mobilização do Planalto para a votação esta semana. Para a Previdência, estão todos trabalhando dia e noite.

Serraglio à deriva

Até os aliados de Osmar Serraglio comentam que o delegado Maurício Moscardi, da operação Carne Fraca, deixou o ministro da Justiça, chefe da PF, no pior dos mundos: se criticar o trabalho da polícia, será acusado de tentar interferir nas investigações. Se defender, dirão que tenta agradar para ver se consegue abrigo. Da parte do governo Michel Temer, a ordem é deixa estar para ver como é que fica.

Menos, Meirelles, menos!

Depois do discurso contra a reforma da Previdência, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, solta a voz contra o aumento de impostos admitido pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. “Meirelles não pode fazer esse tipo de declaração porque desmerece a credibilidade dele. Ele tem que ser fator de estabilização e não de desestabilização. A maior virtude do Meirelles é a confiança. O Brasil é a 7ª economia do mundo, ele não pode se expor falando: “Se vender uma hidrelétrica, se isso, se aquilo”, disse Renan à coluna.

Menos, Meirelles, menos II

O senador lembra ainda que o Congresso tem ajudado de todas as formas e que, só na repatriação e na devolução dos recursos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram R$ 150 bilhões. Esse dinheiro seria suficiente para cobrir o deficit. “Há muita improvisação”, completa.

Por falar em Renan…

O ministro Edson Fachin negou aos advogados do senador acesso à delação da Odebrecht. Eles recorreram à 2ª Turma. “A gente tem que se informar pelo Youtube”, ironizou em conversa presenciada pela coluna.

CURTIDAS

Aliança tática/ Crítico da reforma da Previdência, o senador Paulo Paim (foto) (PT-RS) foi chamado para expor sua visão na reunião do PTB que discutiu o tema. Sinal de que não tem alinhamento direto ao projeto do governo.

Apartheid legislativo/ O senador Eumano Ferrer (PMDB-PI) resolveu separar aqueles que têm mais seis anos de mandato daqueles que terminam o trabalho em janeiro de 2019. Na última terça-feira, por exemplo, fez um jantar só para a turma que não será forçada a disputar eleição em 2018. Os “patos mancos”, como dizem os americanos, não foram chamados nem para o café.

Carne Forte I/ Desde que o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) assumiu a primeira vice-presidência da Câmara, os almoços de quarta-feira na casa dele foram transferidos para lá. Dia desses, o presidente da sessão mencionou: “Quem estiver nas comissões e no almoço do deputado Fabinho, compareça ao plenário para votar”.

Carne Forte II/ A crise da carne fez com que o restaurante ganhasse visibilidade, mensagens em defesa dos produtos brasileiros e mais adeptos. Ficou combinado que, a cada quarta-feira, um deputado financiará a comida. Semana que vem, o deputado Sérgio Reis ficou de levar um porco pantaneiro.

O Youssef da JBS

Publicado em coluna Brasília-DF

A Operação Carne Fraca fez com que a Polícia Federal do Paraná colocasse novamente os holofotes sobre o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, preso em Brasília desde o ano passado. Para muitos procuradores, policiais e até integrantes do setor agropecuário, Lúcio Funaro está para a JBS como Alberto Youssef esteve para as empresas enroscadas no Petrolão. Era Funaro quem fazia as intermediações de muitos negócios dos irmãos Wesley e Joesley Batista, donos do grupo, que também custeou a campanha de muitos parlamentares.

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A teia de negócios faz de Funaro o elo entre a Lava-Jato e a Carne Fraca. Porém, há uma diferença entre Youssef e Funaro: o primeiro optou pela colaboração premiada. Funaro tem dito repetidamente que não falará.

Odebrecht II, a missão
Quando o Petrolão fisgou a Odebrecht, a empresa reduziu as atividades. Agora, a FriBoi, do grupo JBS, chamou representantes de toda a cadeia produtiva — criadores de gado, produtores de ração, etc — e avisou que vem aí uma redução de 50% no abate. Ou seja, vai sobrar boi gordo no pasto, uma vez que o grupo é responsável hoje por metade do abate brasileiro.

A estratégia mudou
O governo decidiu inverter o roteiro montado para votar a reforma previdenciária. Em vez de deixar a negociação para o plenário da Câmara, vai tratar das mudanças no texto ainda na Comissão Especial. Assim, dá discurso para a base chegar ao plenário e passar o rolo compressor.

#Ficaadica
A retirada dos servidores estaduais do texto da reforma da Previdência foi um aviso aos governadores que até aqui não haviam se mobilizado para ajudar o governo federal a tratar da proposta no Congresso. A partir de agora, quem quiser “carona” num texto da União, terá de ajudar na busca dos votos para aprová-lo.

Renan sugere um pacto
Resumo do discurso de uma hora do líder Renan Calheiros ontem no plenário da Casa: Ok, podem acabar com o foro privilegiado e endurecer o combate à corrupção. Mas, em troca, que venha também a lei do abuso de autoridade. Não dá para os procuradores vazarem nomes de políticos e ministros sem apresentar, ao menos, o contexto em que os nomes foram citados.

E a lista fechada miou
A avaliação de muitos políticos é a de que, neste momento, será muito difícil aprovar a lista fechada dentro de uma reforma política. Alvaro Dias, por exemplo, disse ao CB.Poder que não apoia. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, também tem dúvidas.

CURTIDAS

Cadê o Ricardinho? // Ricardo Saud, da JBS, que cuidava das relações da empresa com o meio político, sumiu do Congresso. Amigos dele garantem que a ideia é seguir para os Estados Unidos.

Gilmar na área // O baixo clero da Câmara e do Senado está mesmo para lá de entusiasmado com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes: “Ele tem coragem e fibra para dizer tudo o que nós não gostaríamos de falar”.

Meu filhão I // Antes do discurso em que colocou para fora tudo o que estava acumulado em relação aos procuradores, Renan Calheiros (foto) fez questão de defender o filho Renan Filho junto a um grupo de jornalistas. “O governador de Alagoas não recebeu um centavo de ninguém. As doações dele foram via partido. Não há motivos para citá-lo”, comentou.

Meu filhão II // Enquanto Renan defendia o governador de Alagoas, a mãe do ministro Alexandre Moraes chamou a atenção ontem no hotel em que se hospedou em Brasília. Em voz alta, no café da manhã, anunciou que o filho tomaria posse naquela tarde no STF. Sabe como é, mãe é mãe!

A Odebrecht do agronegócio

Publicado em coluna Brasília-DF

Parte dos ataques feitos à equipe de policiais que deflagrou a Operação Carne Fraca está diretamente relacionada ao receio que a classe política tem de que essa operação repita o mesmo processo da Lava-Jato. Na sua origem, a Lava-Jato foi uma investigação envolvendo a ação de doleiros em postos de gasolina. Chegou à Odebrecht e à megadelação que hoje deixou uma leva de políticos sob suspeita. Com a Carne Fraca não deve ser diferente. Começou “nos novilhos” e vai desaguar no “touros”.

A equipe que investigou os frigoríficos por dois anos atingiu a JBS, empresa vista pelos investigadores como uma Odebrecht do agronegócio, beneficiada com empréstimos do BNDES, porteira que volta e meia recebe flashes, mas permanece na penumbra.

#Ficaadica

Se o ex-senador Gim Argello
(PTB-DF) quiser partir para a colaboração premiada sem prejudicar o filho, poderá fazê-lo incluindo o herdeiro no acordo. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa usou essa tática para evitar que sua família terminasse enroscada na trama.

#Sigaatrilha

A operação de ontem da PF deixou o mundo político mais atônito do que já estava porque ficou mais próxima dos reais operadores. Entre deputados e senadores, está cada vez mais claro que os policiais e procuradores não descansarão enquanto os últimos beneficiários do esquema desvendado pela Lava-Jato não estiverem fisgados sem margem para dúvidas ou arquivamento de processos.

A reforma da salvação

O voto em lista ganhou apoio entre os comandantes partidários por ser visto como a tábua para segurar quem está citado nas delações. Assim, os políticos mencionados poderão tentar ser eleitos no bolo, sem precisar fazer campanha mostrando a cara. Basta colocar a sigla do partido e jogar na telinha quem está fora das investigações.

Atira na Carne…

… Para pegar a Lava-Jato. As declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes sobre o desprezo a provas vazadas para a mídia foram lidas por muitos procuradores e policiais federais como uma tentativa de colocar a Lava Jato em xeque.

CURTIDAS

CB.Poder/ O senador Álvaro Dias (PV-PR) é o entrevistado de hoje do Programa CB.Poder, ao vivo, às 13h30 na TV Brasília. Ele é autor da proposta de emenda constitucional que acaba com o foro privilegiado.

Sshhhh 1/ O deputado Gilberto Nascimento (PSC-SP) poderia ter dormido sem esta: Ria tão alto numa conversa paralela durante o seminário internacional sobre sistema eleitoral que o mediador Daniel Zovatto, diretor regional do Idea para América Latina e Caribe, passou-lhe uma descompostura em portunhol: “Vamos respeitar los palestrantes!”

Sshhhh 2/ Outros deputados presentes ficaram constrangidos. Um deles comentou, baixinho: “Político brasileiro está tão em baixa que leva bronca até de estrangeiro!” Zovatto, reconhecido internacionalmente por seus estudos na área politico-eleitoral, é argentino.

Sogra baladeira/ D. Norma, a primeira-sogra do país, não perde uma. A mãe de Marcela Temer publicou, ontem à noite, no Instagram, imagens de um show no bar Santa Fé, no bairro Jardim Botânico. A segurança da presidência jamais pensou que a mãe de uma primeira-dama rendesse tanto serviço.

Lava Jato sob risco imediato

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O governo joga pedras na Operação Carne Fraca da Polícia Federal mirando a Lava Jato. O alerta vem de Florianópolis, onde os delegados da Polícia Federal realizam seu VII congresso Nacional. A avaliação dos investigadores é a de que a crise está instalada e o governo aproveitará as falhas de comunicação da apresentação da Carne Fraca para derrubar os delegados que comandaram a operação no Paraná _ os mesmos da Lava Jato. Leandro Daiello, o diretor-geral da PF, também está sob risco. A Policia Federal ferve nos bastidores.

Tem Barbalho na linha

Hoje as 15h30, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) irá à tribuna falar sobre a Lava Jato. Ele inclusive já avisou aos colegas de Senado para irem ao plenário acompanhar seu pronunciamento. Quem conhece Jader sabe que ele não é homem de meias palavras. E tem coragem para dizer tudo o que a cúpula do PMDB pensa, mas não sabe como dizer publicamente.

A POLITICA CORRE CONTRA O TEMPO E A LAVA JATO

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Esse não foi um domingo qualquer. Enquanto o presidente Michel Temer fazia reuniões para tentar evitar maiores estragos na economia, aposta de seu governo, Lula abria sua campanha de 2018. Em Monteiro, na Paraíba, os petistas mobilizaram muita gente para receber o ex-presidente na inauguração da transposição do São Francisco, obra que começou no governo de Lula e foi concluída por Michel Temer. Esses movimentos ilustram bem a pressa de cada um. Vejamos cada movimento.

O governo agiu rápido. Usou o domingo para reunir sua equipe, embaixadores e tentar evitar que a Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira, jogue no chão o esforço de recuperação da economia nacional, no qual a exportação do agronegócio cumpre papel fundamental. Para se segurar no cargo até dezembro de 2018, o presidente precisa convencer a todos que tem sim condições de retomar o crescimento da economia, a estabilidade econômica e política representada pela ampla base que o apoia. Sem uma economia com boas notícias, os solavancos provocados na Lava Jato podem comprometer o governo. (Porém, não será oferecendo produtos importados que todos serão convencidos. O cerimonial podia ter escolhido uma que tivesse, ao menos, o nome nacional).

Agora ,vejamos os movimentos do petista:

Lula não tem outra saída a não ser colocar seu bloco na rua e é o que está fazendo, Assim, se for preso, terá sido porque sua candidatura ameaça as elites do país. A decisão de colocar a campanha no ar e rápido coincide com o inicio da série de depoimentos que o petista fará para conceder as dezenas de explicações que ele e seu parido devem ao país. O primeiro, semana passada na Justiça Federal em Brasília, foi muito ruim, na visão do próprio PT. Lula não soube dizer quanto ganha de aposentadoria e ainda se referiu a R$ 50 mil como se fosse algo pequeno. Ora, num pais onde o salário médio não chega a R$ 2 mil., R$ 50 mil é muito dinheiro para a maioria da população (certamente não seria para Sérgio Cabral ou D. Adriana, que vai para casa em breve)

Contagem regressiva
Para completar essa confusão toda, tanto Lula quanto Temer sabem que muitos terão o que explicar na hora em que vier a público a íntegra da delação da Odebrecht. Obviamente, sempre será pior para quem está no comando do país. Mas o PT, que já pagou caro pela Lava Jato, também não estará longe de ser obrigado a dar explicações. Por isso, todos correm. E , nessa corrida, viveremos outros domingos tão agitados quanto esse que termina daqui a pouco.

E por falar em Domingo, José Serra fez aniversário ontem, Dia de São José.

E a aposta da semana?
Os desdobramentos da Carne Fraca, levantamento do sigilo da delação da Odebrecht, movimentos políticos por anistia ao caixa dois, Para completar, a Associação Nacional dos Delegados da Policia Federal (ADPF) promove em Florianópolis o VII Congresso Nacional dos Delegados de Policia Federal, com o tema “Fortalecimento e Autonomia da PF para o Combate à Corrupção”. Se estiverem todos por lá, os enroscados nas próximas fases das operações em curso podem ficar tranqüilos. Pelo menos, até quarta-feira. O VII Congresso termina 23 de março.

No mais, que os santos nos protejam. Hoje e sempre!

Questão de sobrevivência

Publicado em coluna Brasília-DF

Na conversa com o presidente Michel Temer, depois de deflagrada a Operação Carne Fraca, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, defendeu a despolitização de todas as 27 superintendências regionais da pasta. O presidente concordou. Resta saber se o governo vai conseguir implementar essa medida, uma vez que as indicações são feitas por integrantes da poderosa bancada do agronegócio, que, aliás, é a madrinha do ministro da Justiça, Osmar Serraglio.

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O ministro, que também tem laços com a Frente Parlamentar de Agricultura, tem dito nos bastidores que esse tema é “questão de sobrevivência do país” e não de deputados e senadores. Blairo, aliás, percorreu o mundo em defesa da carne brasileira. Agora, Temer orientará o Itamaraty para defender o país nesse campo.

Debita lá!

Aliados do presidente Michel Temer fizeram questão de lembrar, ao longo de todo o dia, que as investigações começaram no governo do PT. “Faz parte da herança maldita.”

Enquanto isso, no agronegócio…

A ordem entre os agropecuaristas é aproveitar o escândalo da Carne Fraca para pressionar o governo a fazer com os frigoríficos o mesmo que vale para os laboratórios de produtos farmacêuticos. Tirar os fiscais de dentro dos frigoríficos, deixando esse trabalho in loco para as empresas que compram a carne para revenda. Ao governo caberia o papel que tem hoje a Anvisa em relação aos remédios e produtos afins.

R$287 milhões
Valor doado pela JBS a campanhas em 2014 no caixa um. Muito dinheiro. Aos poucos, descobre-se o porquê. Vem por aí mais uma investigação envolvendo as doações legais.

Amigos, amigos…

Nas internas, aliados do ministro do Turismo, Max Beltrão, têm reclamado que os cortes no Orçamento da pasta foram feitos para que ele não tivesse meios de mostrar serviço e, assim, se credenciar para concorrer a uma vaga de senador contra Renan Calheiros, candidato à reeleição pelo PMDB.

Por falar em Renan…

O líder do PMDB mandou dizer que costuma viajar de Brasília a Maceió em aviões de carreira e não de carona com o filho, o governador de Alagoas.

CURTIDAS

Sob encomenda/ O primeiro comercial que apareceu na maior emissora do país depois do Bom Dia Brasil foi da Associação Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) defendendo a importância do trabalho desses técnicos.

Haja serviço!/ Nesses três anos de Lava-Jato, os peritos da Polícia Federal analisaram 4.271 dispositivos eletrônicos, entre computadores, celulares, pen drives, cartões de memória, incluindo aí 93 antigos disquetes. Tudo equivale a 1,21 petabyte, volume de dados que a Associação dos Peritos Criminais comparou a 250 milhões de Bíblias digitalizadas que, empilhadas, teriam 12.500 quilômetros.

F~°#@/ Os palavrões com os quais o ministro tem se referido aos fiscais e aos frigoríficos que roubaram a imagem do país e a qualidade de seus produtos são impublicáveis.

Na porta de Adriana/ É bom a ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo começar a se acostumar. Já tem gente no Rio de Janeiro planejando protestos em frente ao edifício de luxo onde ela vai ficar em prisão domiciliar. E, desta vez, virá dos servidores que não recebem salários. Da outra vez que houve acampamento ali, em 2014, Sérgio Cabral (foto) colocou a culpa em Anthony Garotinho.

As preliminares de 2018

Publicado em Política

Com a lista de delatados pela Odebrecht em fase de análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os senadores pré-candidatos a algum mandato eletivo aproveitaram o encontro com Michel Temer para fazer suas apostas eleitorais e cenários futuros. Romero Jucá mencionou que está desde já em campanha. Porém, a maior dúvida entre os senadores hoje é: réu pode ou não ser candidato a presidente da República? Até aqui, só condenado em segunda instância está fora. Lula é réu. O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, também. Valdir Raupp, idem. Já se sabe que quem é réu não pode fazer parte da linha sucessória da Presidência da República. Ainda no jantar, alguém citou o projeto do deputado Miro Teixeira para impedir que os réus possam concorrer aos cargos de presidente da República e de vice. Até aqui, com tantos indicados a esse aposto junto ao nome, a perspectiva de aprovação é zero. Mas, nos bastidores, a discussão está posta.

Em nome do pai
O governador de Alagoas, Renan Filho, tem concentrado as agendas às quintas e sextas-feiras em Brasília. Tudo para evitar que o pai, o senador Renan Calheiros, tenha que pegar um voo comercial e correr o risco de ser vaiado no aeroporto. Em algumas ocasiões, quando o filho não vem, Renan tem optado por passar o fim de semana na capital da República

Meu foro, minha vida I
O líder do DEM, deputado Efraim Morais, apresentou, há um ano, um parecer favorável ao projeto que acaba com o foro privilegiado. O relatório aguarda votação na Comissão de Constituição da Câmara dos Deputados. “Tem muita gente sem pressa nisso”, diz ele.

Meu foro, minha vida II
No Senado, a situação parece mais difícil para quem deseja manter o privilégio. O presidente da Casa, Eunício Oliveira, avisou a alguns senadores que, no plenário, o projeto do fim do foro privilegiado passa. Ninguém vai querer colocar a cara para defender a própria pele. O projeto, entretanto, terá que seguir para… a Câmara dos Deputados.

Gilmar e o futuro
Procurado por vários amigos para saber o que ele achava da preferência que começa a angariar nas enquetes que envolvem o baixo clero da Câmara (revelada ontem pela coluna), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Gilmar Mendes, disse que jamais passou pela sua cabeça pular para o Poder Executivo, mesmo numa eleição indireta. Gilmar é feliz no Judiciário e hoje está muito próximo do presidente Michel Temer.

Depois do Caged, outros virão
A exemplo da melhora no emprego, anunciada ontem, a equipe do presidente Michel Temer vasculha as agendas dos ministros para deixar todas as boas notícias para serem alardeadas pelo presidente da República.

O retorno delas I/ Presente ao jantar do presidente Michel Temer com a bancada peemedebista, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) indica que as mágoas ficaram para trás. Quando a ex-governadora Roseana Sarney comentou que está viajando por todo o estado e recentemente esteve na divisa com Tocantins, a ex-ministra da Agricultura de Dilma Rousseff fez questão de dizer que, da próxima vez, Roseana avise a ela. “Faço questão de receber você no Tocantins e lhe prestar uma homenagem”, disse Kátia.

O retorno delas II/ Quem conversou com Roseana saiu com a impressão de que ela será candidata ao governo do Maranhão no ano que vem. Sabe como é… A política está no sangue.

Enquanto isso, no mundo dos homens…/ O resumo da ópera dos políticos está assim: “Se até homicídio prescreve, por que caixa dois, não?”

Troféu simpatia/ Além da anistia ao caixa dois, algo difícil, os deputados falam em separar doações oficiais por simpatia ao candidato e daquelas que tiveram algum motivo não republicano. A ordem é lembrar que Valdir Raupp (foto) foi acusado porque houve indícios.