Autor: Denise Rothenburg
Integrantes do PMDB do Rio de Janeiro apostam que o parecer de Sergio Zveiter será no sentido de deixar a conclusão para juízo de cada deputado, sem mencionar claramente se deve haver arquivamento ou autorização para que prossiga a investigação contra o presidente. E, sabe como é, se com a letra da lei a interpretação dos juízes, invariavelmente, é divergente, imagine num parecer sem direcionar a decisão a tomar. Essa era uma das brechas desenhadas ontem e que dava a Michel Temer mais esperanças de se salvar, apesar de todos os movimentos de setores do PSDB e do DEM em sentido contrário.
O que não é de César
Nesse período de análise da denúncia contra Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça, os aliados de Rodrigo Maia aproveitam para tentar acalmar o mercado sobre uma possível influência do ex-prefeito do Rio César Maia na economia. “O pai de Rodrigo não vai apitar”, dizem, em alto e bom som, lembrando que a equipe econômica não muda. Até porque, se aprovada a investigação, Michel Temer será “presidente afastado”, por seis meses, para responder o processo. Portanto, a equipe não sofrerá alteração.
Marido da sogra é parente
A coluna publicou ontem, com exclusividade, que aliados de Rodrigo Maia carregam cópia da Súmula Vinculante 13, do STF, como argumento para provar que o deputado trocará a turma palaciana se assumir a Presidência da República. Pois bem. Ontem, Rodrigo afirmava que Wellington Moreira Franco não era seu “sogro” e sim casado com a sogra. Ocorre que a “súmula do nepotismo”, como é conhecida a 13, veda também a nomeação de parente por “afinidade”. Dizem os parlamentares especialistas em direito constitucional que é justamente esse o caso em questão.
Ponto de corte, visão tucana
A votação da reforma trabalhista no Senado é considerada a data-limite da parceria do PSDB com o governo do presidente Michel Temer. Se ele não tiver condições de mostrar capacidade para tocar as outras reformas — e uma parcela dos tucanos considera que não tem —, o partido deixará o governo.
Ponto de corte, visão governo
A seus mais fiéis escudeiros, o presidente Michel Temer tem dito que mantém o PSDB no governo porque os ministros têm ajudado nas reformas e, com a trabalhista prestes a ser votada, não há meios de criar mais agitação na base. Porém, a pressão para que o presidente troque logo os tucanos cresce por hora.
A bronca da presidente
A nova presidente do PT, Gleisi Hoffmann, mandou o seguinte recado aos integrantes do partido: não tem nada que negociar a troca de Michel Temer por Rodrigo Maia. “Isso é seis por meia dúzia”, tem dito a petista em todas as conversas. Ela está disposta a manter o partido no viés de esquerda, sem concessões.
CURTIDAS
No cravo…/ Os aliados do presidente Michel Temer viram como um gesto de lealdade a declaração de Rodrigo Maia sobre não ter recesso antes de a Casa decidir o futuro de Temer.
… Na ferradura/ Chamou, porém, a atenção o fato de o deputado Marcos Rogério (DEM-RO) ter sido o único numa reunião da base aliada a defender que a Comissão de Constituição e Justiça deveria ouvir Rodrigo Janot antes de decidir se autoriza ou não o prosseguimento da investigação contra o presidente Michel Temer.
Por falar em Maia…/ Como já foi dito aqui, Rodrigo Maia tem que acender uma vela para Eduardo Cunha: não fosse a insistência do então presidente da Câmara em fazer de André Moura líder do governo no início da gestão Temer, Rodrigo não seria hoje presidente da Casa, com viés de alta para presidente da República. E agora tudo acontece, de novo, por causa da possível delação de Eduardo Cunha.
… E o Imbassahy, hein?/ Nos idos de novembro de 2016, o plano era fazer de Antonio Imbassahy (PSDB-BA) presidente da Câmara. Maia se articulou para ficar no cargo e venceu. Resta a Imbassahy (foto), hoje ministro da Secretaria de Governo, lembrar aos netos, conforme dizia ontem um senador: “Vocês estão com o vovô que quase foi presidente da República”.
Aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já avisaram aos partidos da coalizão de Michel Temer que, em caso de uma derrota do peemedebista na Casa, os ministros palacianos serão os primeiros a serem substituídos. Em relação ao titular da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco, sogro de Rodrigo, esses aliados do deputado do DEM trazem em seus celulares uma cópia da Súmula Vinculante 13, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determina a substituição. Diz o texto: “A nomeação de (…) parente em linha reta, colateral ou por afinidade até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante (…) para o exercício de cargo em comissão ou de confiança em função gratificada na administração pública (…) viola a Constituição Federal”.
Cá entre nós: se a turma de Rodrigo Maia já anda com a cópia da súmula vinculante do STF, é sinal de que, embora o presidente da Câmara jure fidelidade a Temer, tem gente correndo léguas em nome de um novo ciclo de poder com a mesma base aliada que levou o PMDB ao comando do Planalto. E sem Moreira no primeiro escalão.
O que interessa
O fim da força-tarefa da Lava-Jato deixou os investigadores da Polícia Federal em alerta. Até agora, ninguém disse, por exemplo, o que será feito com toda a papelada e arquivos digitais que ainda estavam em análise. Há muito material que precisa ser objeto de cruzamento com fases antigas da operação. Se esses documentos ficarem dispersos ou inacessíveis, aí sim, será real o risco de desmonte das investigações de parte das apurações ainda em curso, especialmente as que envolvem políticos.
Fiéis protegidos
A perspectiva de delação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha deixou os deputados em alerta. Há quem aposte que o peemedebista protegerá aqueles que ele ajudou financeiramente e que não o abandonaram quando da derrocada.
Se correr, o bicho pega…
Aliados do antigo Centrão (PP-PR-PTB) comentam nos bastidores que Michel Temer está demorando demais para reorganizar o governo sem o PSDB. Ocorre que, no Planalto, há quem diga que, se Temer tirar os tucanos, aí sim, a ala que apoia o presidente não terá mais compromisso com o governo.
… Se ficar o bicho come
O caso é que, se a ala tucana que emposta a voz em nome do afastamento do governo continuar falando sem que nada aconteça, os demais partidos da base vão achar que podem encorpar esse movimento sem consequências.
Sintoma
Ministros que há duas semanas não tinham se mexido para tentar ajudar o presidente Michel Temer passaram os últimos três dias dedicados a parlamentares. Sinal de que a coisa não está tão tranquila.
Coincidências/ A primeira viagem de Michel Temer como presidente efetivo, em setembro de 2016, foi para o encontro da cúpula do G-20, na China. Ele embarcou horas depois de ser empossado. Agora, com o pedido de afastamento prestes a ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça, ele volta ao G-20.
Chegou mal/ Recém-criado, com um discurso de renovação da prática política, o Podemos começa a deixar suas estrelas sujeitas a explicações sobre atos de filiados. Ontem mesmo, o senador Álvaro Dias (foto), uma aposta para a Presidência da República, almoçava tranquilamente no restaurante do Senado, quando um servidor se aproximou e disse: “E aí, senador, seu partido mal começou e já tem um preso?”
Saiu-se bem/ O preso foi o prefeito de Bayeux (PB), Berger Lima, do Podemos, afastado do cargo depois de ser flagrado recebendo R$ 4 mil de um empresário. “Vamos resolver isso, o partido não tolera esse comportamento”, disse o senador. A ideia dos integrantes da legenda é expulsar o prefeito.
Se não correr…/ O Podemos brasileiro tem como base o PTN, que se aproveitou da popularidade do partido de esquerda espanhol e mudou de nome. Se demorar a afastar os enroscados da legenda, vai virar “prendemos”, isso para usar uma expressão que pode ser lida pelas crianças. Em conversas reservadas, os políticos têm usado expressões mais chulas… Por exemplo, citar o nome da legenda com “ph”, para se referir ao partido.
O Instituto Paraná Pesquisas quis saber como está o humor dos paraenses para definir o candidato a governador e ao Senado. Descobriu que o senador Jader Barbalho praticamente lidera a corrida para mais oito anos defendendo-nos interesses do Pará no Senado. Em todos os cenários, Jader tem 30%. O unico com mais intenções de vote do que ele é o deputado Éder Mauro (PSD), com 36%.
De quebra, ainda tem o filho, o ministro da Integração, Hélder Barbalho, liderando a corrida para o governo do estado. Na pesquisa estimulada, Hélder tem 34,4% das intenções de voto seguido pela ex-governadora Ana Júlia Carepa, do PT, que aparece com 15,3%, o que representa o renascimento do PT no Pará. Por enquanto, a renovação passa longe.
A prisão do ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) foi vista como um aviso aos aliados do presidente Michel Temer. Se os governistas não tiverem muito equilíbrio na hora de cabalar votos favoráveis a Temer na Câmara, ninguém está livre de ter o mesmo destino de Geddel. Para aliados do governo, Geddel ir para a cadeia por obstrução da Justiça foi um primeiro sinal de alerta para lembrar que o fato de o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures estar em casa, ainda que seja com um acessório no tornozelo, não significa que estão todos bem. Embora o presidente tente passar a ideia de que está tudo muito bom, o momento é para lá de delicado, dizem alguns.
A futura procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tem dito a alguns que o antecessor Rodrigo Janot pode ficar tranquilo, porque ela não pretende fazer uma devassa no trabalho dele. Ela pretende, sim, marcar diferenças entre os resultados de um e de outro. Na Lava Jato, por exemplo, Sérgio Moro já procedeu 76 condenações. No Supremo Tribunal Federal, até agora ninguém foi condenado. Ela vai partir para a cobrança de investigações e julgamentos com mais celeridade.
Em tempo: Dodge trabalha também com a perspectiva de ter que mostrar muito serviço em dois anos. É que muitos avaliam que o fato de ter sido escolhida por um presidente investigado torna difícil a perspectiva de recondução ao cargo. Se agradar demais o PMDB, ficará exposta como uma “engavetadora-geral”. Se for com muita gana de condenar os políticos, pode assustar alguns tal e qual Janot assusta hoje o partido comandante do Planalto. Nos dois casos, adeus recondução. Por isso, ela não irá nem tanto à terra, nem tanto ao mar. Apostará no equilíbrio.
Sem ato de ofício
A defesa de Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça do Senado terá como espinha dorsal o fato de não haver decisão administrativa do presidente que configure benefício direto ao grupo de Joesley Batista. Esse foi um dos temas que Temer tratou ontem com seus advogados. A outra frente, a política, será discutida hoje.
Furnas e CCJ, tudo a ver
Apesar de adiada, a substituição do presidente de Furnas, Ricardo Medeiros, virá, dizem aliados do presidente Michel Temer. Vai-se, entretanto, esperar mais alguns dias, para ver o que acontece na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. E o que uma coisa tem a ver com a outra? Furnas é ponto nevrálgico para o PMDB de Minas, do qual faz parte o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, encarregado de indicar o relator da denúncia contra Michel Temer.
A volta do sigilo I
Os adversários do procurador-geral, Rodrigo Janot, vão insistir para que Raquel Dodge passe a adotar é o sigilo das delações premiadas, conforme prevê a lei. Alguns têm dito que Janot levantou o sigilo da delação de Delcídio do Amaral, por exemplo, apenas para que ele não tivesse como voltar atrás no acordo. A lei prevê que o sigilo de uma delação só pode ser suspenso com a concordância do delator.
A volta do sigilo II
Há quem diga que a retomada dos sigilos pode terminar por deixar que a população vá no escuro na eleição de 2018, especialmente, a respeito das novas delações que estão na fila. Nesse rol, está a de Antônio Palocci, do PT de Lula.
Ele tem a força
Raimundo Lira passou os últimos dias ao telefone, consultando os colegas sobre sua vontade de assumir o cargo de líder do PMDB. Apontado como o nome mais forte hoje para liderar a bancada, Lira será mais um aliado do ex-presidente José Sarney com posição de destaque dentro do partido.
CURTIDAS
A la Gilmar Mendes/ Ao se referir à futura procuradora–geral da República, Raquel Dogde, um colega dela de procuradoria saiu-se com esta: “É um Gilmar de saias”, no sentido de expor suas opiniões sem constrangimentos.
Ainda incomoda/ Quem acompanhou com uma lupa na disputa na PGR semana passada apontou como uma “burrice” do procurador Rodrigo Janot ter investido seu prestígio em Nicolao Dino. Dino já estava queimado desde a rejeição para o Conselho Nacional do Ministério Público.
Sem saída/ A avaliação de muitos, entretanto, é a de que, se Janot não tivesse colocado seu peso para sustentar Nicolao Dino, Raquel Dodge teria sido a primeira da lista. E tudo o que o procurador-geral não queria era dar a Michel Temer o gostinho de ter a preferida do PMDB na pole position.
Aécio, o retorno/ O senador Aécio Neves (PSDB-MG) fará um discurso na terça-feira para marcar a volta e apresentar sua defesa aos colegas. Voltará ainda às reuniões da bancada. Quanto à presidência do partido, foi aconselhado a não fazer nenhum gesto imediato e trabalhar para que a retomada do comando tucano seja algo natural.
Mal o senador Aécio Neves reassumiu seu mandato, os peemedebistas colocaram na roda a atitude do presidente do Conselho de Ética, João Alberto, que arquivou o pedido de abertura de processo contra o tucano. Citavam esse movimento como um gesto amistoso do PMDB para com o PSDB. Agora, com Aécio de volta e o presidente Michel Temer ainda no trabalho de pular fogueira, os peemedebistas fazem chegar aos tucanos que é hora de o PSDB ter um gesto semelhante para com o presidente Michel Temer na Câmara.
Mercado futuro
Entre advogados e integrantes do Ministério Público, a concessão de liberdade a Rodrigo Rocha Loures foi vista como uma questão de estratégia. Agora, em casa, há quem diga que a descompressão levará o ex-deputado a cometer algum erro que termine por criar o tal “fato novo” capaz de levar a uma mudança dos ventos no plenário da Câmara.
Mercado atual
Estratégias à parte, há quem diga que o ministro Edson Fachin decidiu soltar o ex-deputado porque se viu isolado, depois que o ministro Marco Aurélio soltou todos os demais citados nas delações de Joesley Batista. Rocha Loures inclusive devolveu o dinheiro, entregou o passaporte e não tem antecedentes criminais.
Até aqui, tudo bem
Ninguém ligado a Rocha Loures menciona que ele partirá para a delação premiada. Porém, alguns procuradores esperam que a convivência com a família, especialmente, a mulher, no final da gravidez, podem levar o ex-deputado a rever essa decisão.
Trabalhista passa
Depois da vitória na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a aposta dos líderes aliados ao presidente Michel Temer é a de que a reforma trabalhista será aprovada por um placar bem acima dos 50 votos. Os mais otimistas sugerem algo entre 58 e 61 votos.
Já a Previdência…
Embora o placar previsto pelos mais otimistas seja suficiente para aprovar a reforma previdenciária, não dá para fazer qualquer aposta. Hoje, o assunto está na Câmara como paciente terminal, desenganado pelos médicos.
PT versus ex-PT/ Quando petistas e ex-petistas resolvem debater, invariavelmente, pega fogo. Ontem, não foi diferente. Cristovam Buarque compareceu ao plenário, atendendo a um pedido de Paulo Paim (PT-RS), para debater a reforma trabalhista e viveu um embate flagrado apenas pela repórter Natália Lambert, do Correio.
PT versus ex-PT 2/ A rusga começou quando Cristovam tentou defender a intrajornada de trabalho — a redução do intervalo de almoço para meia hora prevista no projeto. “A sua linha de raciocínio me lembra o tempo dos escravocratas”, rebateu Paim. A comparação irritou Cristovam. “Não me confunda com esse tipo de gente. O senhor sabe pelo que eu luto. E eu luto para completar a abolição da escravatura que ainda não foi completada.”
PT versus ex-PT 3/ Cristovam foi além: “Quando falo que tem que ter dinheiro para escola, e não para estádio, o senhor defende o contrário. Como o seu governo fez neste país”. Paim estrilou: “Governo que vossa excelência fez parte”, lembrou.
PT versus ex-PT 4/ A partir daí os ataques foram para o lado pessoal: “Fiz parte sim e saí”, disse Cristovam. “Saiu porque foi posto na rua”, respondeu Paim ao lembrar que Cristovam foi demitido por Lula. “Fui posto para rua com muito orgulho, senador. Agradeço a Deus”, falou Cristovam. “E depois traiu sua presidenta”, acusou Paim. “Vou embora porque não dá para debater com vossa excelência. Achei que o nível seria outro (…) O senhor está muito agressivo”, falou Cristovam. A TV Senado perdeu essa. Como a sessão não foi oficialmente aberta, não houve transmissão. Naquele momento passava na tevê um discurso antigo da senadora Fátima Bezerra (PT-RN).
Desde a semana passada, o governo monitora com uma lupa os movimentos dos partidos aliados, em especial o PSDB e o PSB. Os tucanos adiaram a reunião em que decidiriam como votar na Comissão de Constituição e Justiça. No PSB, o vice-governador de São Paulo, Márcio França, o prefeito de Campinas, Jonas Donizete, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda abandonaram a reunião para evitar que houvesse quórum capaz de fechar questão em favor da abertura de processo contra o presidente Michel Temer.
Nesses dois partidos, governo e oposição vão jogar a batalha dos bastidores na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira parada da denúncia contra Temer na Câmara.
Imposto embaralha jogo de Temer
Antes de votarem pela rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer, integrantes da base aliada ao governo querem o compromisso do Planalto de não aumentar impostos. Afinal, não dá para salvar Temer da guilhotina e, depois se ver obrigado a votar favoravelmente a aumento de impostos. Já chega a reforma da Previdência, que o governo ainda planeja retomar.
Está tudo bem
Os ministros da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB), de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB), e o da Defesa, Raul Jungmann (PPS), vão em bloco hoje ao Ceará anunciar a retomada das obras do canal Norte da transposição do São Francisco. A ideia é mostrar que o governo, sob o comando de Michel Temer, não está paralisado por causa da crise.
Cara de paisagem
Dois dos governadores socialistas, Rodrigo Rollemberg (Distrito Federal) e Paulo Câmara (Pernambuco), faltaram à reunião convocada para decidir, entre outras coisas, a posição do partido em relação à denúncia contra Temer. Os lideres, a deputada Tereza Cristina e o senador Fernando Bezerra Coelho, ambos aliados de Temer, também não compareceram.
Cara de bravo
Tereza Cristina será chamada para uma conversa com o presidente do partido, Carlos Siqueira: ou vota contra Temer, ou ele dará um jeito de a Executiva enquadrar toda a bancada.
Verões passados
Em conversas reservadas, senadores do partido têm dito que, se os petistas não tivessem errado tanto, dava para pegar mais pesado no fato de Michel Temer, no papel de investigado, escolher um procurador da República. Dilma e Lula, em seus respectivos mandatos, nomearam ministros do STF em pleno mensalão.
Janot ganhou uma
A decisão do Supremo Tribunal Federal, de permitir que o plenário da Casa reveja futuros acordos de delações no final dos julgamentos, caso o delator não cumpra com o que prometeu entregar, deixou o Planalto com gostinho de “engoli mosca”. É que, se tivesse reclamado de delações anteriores, estaria hoje com a revisão da JBS na boca do forno. Agora, a JBS escapou, avaliam palacianos.
Simbólico/ Justamente no dia em que o PSB não conseguiu fechar uma posição contra o presidente Michel Temer, o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) convidou o presidente Michel Temer de última hora para comer rabada em sua casa. Passaram por lá o líder do PMDB, Baleia Rossi, o senador Eumano Ferrer (PTB-PI) e o deputado Carlos Marun (foto).
Espírito de luta/ O presidente Michel Temer não esconde a insatisfação. A todos menciona que nunca viu “tamanha injustiça”.
Santo remédio I/ Segunda-secretária da Mesa Diretora da Câmara, a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), que se recupera de uma gripe forte, passou a manhã à base de pastilhas e chás para recuperar a voz e ler as 60 páginas da denúncia do procurador-geral, Rodrigo Janot, contra Michel Temer.
Santo remédio II/ Para a leitura na tarde de ontem, a sessão de quarta-feira foi estrategicamente concluída mais cedo. Assim, quando a denúncia chegasse à Câmara, a maioria das excelências já estaria longe. Quanto menos marola, especialmente nesse momento de escolha do relator, melhor.
Recebido na Câmara esta manhã, o pedido de abertura de processo contra Michel Temer passa agora à Comissão de Constituição da Casa, onde o governo, na letra fria dos números, tem expressiva maioria. A ideia é nomear um relator “amigo do Planalto”. A missão de escolher está a cargo do deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) presidente da Comissão de Constituição e Justiça.
A ideia, conforme antecipou hoje a coluna Brasília-DF, é correr com o processo. O presidente quer dar ao mercado uma demonstração de força antes do recesso, para mostrar
O presidente Michel Temer está disposto a enfrentar logo o pedido que o ministro Edson Fachin encaminhou ao Congresso. Todo o movimento no governo será no sentido de fechar o semestre com o pedido de investigação recusado na Câmara dos Deputados, um objetivo hoje com alta probabilidade de ser atingido. Temer quer votar logo para que não incorrer no que considera um erro (seria mais um): deixar o país parado até agosto esperando a votação.
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Quanto a outros processos que fatalmente o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, colocará na roda, a estratégia muda. Aí sim, dizem aliados de Temer, será hora de esperar para votar todos de uma vez. Afinal, Janot tem mais dois meses no cargo. Portanto, se quiser investigar Temer, terá que oferecer as denúncias ao Supremo Tribunal Federal em agosto, quando o Judiciário volta do recesso.
Sem reforço
A Força Sindical não engrossará a greve geral convocada pela CUT para amanhã. “Greve é para negociar e o governo abriu negociação ao mencionar uma medida provisória para corrigir os erros da reforma trabalhista.”
Suspense palaciano
O terceiro andar do Palácio do Planalto, onde fica o gabinete do presidente Michel Temer, parou para assistir ao pronunciamento em que Renan Calheiros anunciou que se afastaria do cargo de líder do PMDB. Quando terminou, muitos ficaram aliviados. Renan se ateve a um discurso semelhante ao que vem fazendo há meses.
Doria e o Bolsa Família
O empresariado do DF saiu do almoço com o prefeito de São Paulo, João Doria, bastante empolgado com a forma destemida e corajosa com o que o prefeito aborda assuntos considerados intocáveis, inclusive o Bolsa Família. “Sou contra programas assistencialistas. Não é com isso que se resolverá os problemas sociais no Brasil, e sim com educação, saúde e emprego”, disse o prefeito, provocando aplausos na plateia e comentários do tipo, “meu presidente!”
Por falar em Doria…
A conversa dele ontem com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, girou em torno de programas de São Paulo que deram certo — caso do corujão da saúde, por exemplo, para exames, que usa a estrutura ociosa de hospitais privados à noite — e o do licenciamento de empresas no DF, que terminou implementado em São Paulo.
… Ele está de olho no PSB
O PSB é hoje um parceiro dos tucanos em São Paulo, tem o vice-governador, Márcio França. Há quem diga que nada impede a busca dessa parceria no DF, num futuro próximo. Ainda que Doria tenha participado de jantar ontem na casa do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), pré-candidato a governador, 2018 é visto como algo em aberto pelo prefeito paulistano e pelo comando nacional do partido.
CURTIDAS
E o “branco” ficou em segundo/ Por pouco, o voto em branco não empata com Nicolao Dino na eleição para compor a lista tríplice de indicados ao cargo de procurador-geral da República. Foram 605 votos em branco e 621 para Nicolao Dino. Sinal de que muitos não quiseram correr o risco de deixar o seu candidato preferido fora da lista e votaram num único nome.
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Lá e cá/ Michel Temer não foi o primeiro a escolher o segundo nome da lista tríplice da Procuradoria-Geral da República, no caso, Raquel Dodge. O governador do Maranhão, Flávio Dino (foto), irmão do procurador Nicolao Dino, havia escolhido o segundo mais votado da lista da procuradoria do estado. Agora, Temer poderá dizer que apenas seguiu a “jurisprudência” da família Dino.
Só pensa naquilo/ Em reunião sobre reforma política esta semana, cada um dizia o que queria, distritão, voto distrital misto e lá vai. Eis que, de repente, segundo contou um parlamentar, o senador Hélio José (PMDB-DF) saiu-se com esta: “Eu quero é o meu SPU”. Referia-se ao cargo que perdeu na Secretaria de Patrimônio da União.
Sem volta/ Garibaldi Alves (PMDB-RN) avisou de antemão que não comparecerá à reunião de despedida de Renan Calheiros do comando da bancada. Vai apenas na hora de eleger no novo líder. O mais cotado é o senador Raimundo Lira (PMDB-PB). Veja detalhes nos posts abaixo.
O presidente Michel Temer escolheu Raquel Dodge para o cargo de procuradora-geral da República em menos de 24 horas depois de conhecida a lista tríplice. Assim, dá uma clara demonstração de que joga rápido para dividir o poder na Procuradoria Geral da República e “apagar” o brilho do atual procurador-geral, Rodrigo Janot. Agora, muitos procuradores vão começar a gravitar em torno de Raquel, transformando Janot num “pato manco”, expressão que os americanos usam para se referir a presidentes que estão no final de seus mandatos, sem chances de reeleição. Temer foi bem ao estilo do velho ditado português “rei morto, rei posto”, no caso, “rei morto, rainha posta”.
Somado ao discurso de ontem no Planalto, o movimento de hoje mostra que os aliados de Temer não estavam brincando ao dizer que, até setembro, quando haverá a troca de comando na Procuradoria, a política seria marcada por um duelo entre Temer e Janot, conforme anunciou a coluna Brasília-DF no último domingo. No discurso de ontem, Temer fez uma comparação. Disse que atribuir a ele a condição de destinatário dos R$ 500 mil da mala entregue a Rocha Loures seria o mesmo que dizer que Janot seria receptor dos milhões recebidos pelo procurador Marcelo Miller, aquele que deixou a força-tarefa da Lava Jato para se juntar ao grupo de advogados que negociava o acordo de leniência da JBS. “Jamais faria uma ilação dessas”, disse Temer, depois de fazer a comparação. Essa briga ainda terá novos capítulos. Especialmente, agora, com dois pólos de poder nos bastidores da Procuradoria. Um no ocaso, outro em curva ascendente.

