Autor: Denise Rothenburg
Em suas conversas mais reservadas, os aliados de Michel Temer consideram uma jogada de mestre a estratégia de atribuir à oposição a obrigatoriedade de garantir o quórum para a votação de 2 de agosto sobre a denúncia envolvendo o presidente em investigação de corrupção passiva. Isso significa que todos aqueles interessados em votar a favor do pedido do Ministério Público terão que registrar presença logo, para não deixar dúvidas da posição de que não jogam para postergar a decisão da Câmara, ainda que o placar final não lhes seja favorável.
Prata da casa
Cacá Diegues, um ícone do cinema brasileiro, foi para lá de festejado na posse do novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. Ao lado dele, estava sentado um produtor de Brasília Christian de Castro, irmão do cineasta Erik de Castro. Christian está para lá de cotado para comandar a Ancine.
Vem mais
O outro evento no Planalto foi a transformação do Departamento Nacional de Produção Mineral em agência. O mesmo será feito com a Embratur, de forma a permitir que a instituição possa captar recursos para promoção do Brasil no exterior. Antes, porém, virá a abertura de capital das empresas aéreas.
Por falar em Embratur…
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco, aproveitou um rápido encontro com o presidente da Embratur, Vinícius Lummertz, no corredor do Planalto, e foi direto: “Vamos montar um projeto conjunto para o Rio de Janeiro”. Explica-se: o Rio é considerado o cartão-postal do Brasil. Esse problema da violência por lá prejudica não só a cidade, como a imagem do país no exterior. O projeto, dizem as autoridades, “é para ontem!”.
É matar ou morrer
Dentro da base governista, todos os movimentos para postergar a votação da denúncia foram abandonados. “Foi tudo marcado com 20 dias de antecedência, o país está esperando. Não há justificativa para não votar”, diz o líder do PMDB, Baleia Rossi.
Fica esperto, Rodrigo!
Ok, que o DEM do Rio, capitaneado por Rodrigo Maia, espera contar com o apoio do PMDB para concorrer ao governo estadual. Só tem um probleminha. Até aqui, os peemedebistas não admitem abrir mão da disputa. O nome hoje é Eduardo Paes mesmo se “não der praia”. É que o partido precisa se reinventar por lá e tirar a imagem de presidiário e corrupto criada pelo ex-governador Sérgio Cabral.
Habeas Corpus preventivo/ Na conversa com Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi logo dizendo: “Prometo que, se eu assumir a presidência da República interinamente, não serei candidato à reeleição”. Eis que Alckmin respondeu: “Claro, claro…”
Ahã…/ Essa parte do diálogo entre Alckmin e Rodrigo Maia foi traduzida assim: “Ok, Maia, você finge que me engana e eu finjo que acredito”.
Na alegria e na tristeza/ Se tem algo que o ex-presidente José Sarney (foto) não faz é abandonar os amigos. Ele fez questão de ligar para Lula a fim de lhe prestar solidariedade pelos problemas com a Justiça.
Namoro ou amizade?/ O ministro da Educação, Mendonça Filho, resumiu assim a conversa do seu partido com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin: “O momento atual não é de fazer casamento com ninguém. É só para ficar flertando”.
Diante das dificuldades no caixa da União, o presidente Michel Temer é pressionado pelos técnicos a fazer uma opção: ou mantém os serviços funcionando ou realiza as obras de infraestrutura que fazem vista na hora da eleição. Nas reuniões mais reservadas, seus conselheiros defendem a manutenção dos serviços. É mais desgastante deixar de atender os cidadãos nas mais diversas áreas do que postergar a inauguração de ponte. O presidente tem até o envio do Orçamento do ano que vem, ou seja, 31 de agosto, para fazer essa escolha. Falta combinar com os parlamentares que, ao votar em Temer no início do mês, esperam as famosas obras da União nos municípios.
No embalo do PDV
O plano de demissão voluntária no Poder Executivo, anunciado pelo governo, fez soarem as trombetas nos movimentos sociais para colocar uma lupa na quantidade de assessores comissionados que circulam pelo Poder Legislativo. E o verbo que usam é esse mesmo: circulam. Vem por aí um novo pente-fino nos cargos do Legislativo.
Sobrou para ele
Ex-ministro de Dilma Rousseff, o senador Eduardo Braga esperava ao menos a neutralidade do ex-presidente Lula na campanha para o governo do estado. A ida de Lula a Manaus será mais um sinal de que o ex-presidente não quer mais conversa com o PMDB. Nem com aquele que era aliado.
Temer e os votos
A maior incógnita para o governo hoje é o PSDB. Os tucanos ainda não deixaram claro quantos votos darão em defesa do presidente Michel Temer em 2 de agosto, na votação da denúncia oferecida pelo procurador-geral, Rodrigo Janot.
Enquanto isso, no PMDB…
“Quem votar a favor dessa ofensa ao presidente não terá ambiente para permanecer no partido”, diz o deputado Carlos Marun.
… As favas estão contadas
A expulsão, entretanto, só se aplicará, inicialmente, a Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), primeiro relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
CURTIDAS
Primeiro aviso/ As redes sociais convocaram para hoje o primeiro protesto contra o aumento no preço dos combustíveis. A ideia é não abastecer o carro hoje. Outros protestos virão.
Exemplo/ Sérgio Zveiter (foto) perderá todos os postos nas comissões técnicas da Casa. Será um gesto do
partido em defesa de Michel Temer, com gostinho de vingança do Planalto.
Sem volta/ Quem apostou na fusão entre PSD e DEM pode se preparar para pagar a aposta. Gilberto Kassab não vai perder sua igrejinha, assim como Rodrigo Maia e o prefeito de Salvador, ACM Neto, não planejam conversas a esse respeito.
Só uma escala/ A frente parlamentar por mudanças na política, aquela que contará com a participação de setores do PSD, PSB e PPS, é com vistas à formação de um novo partido em 2019.
Os estrategistas do governo e aqueles nem tão governo assim consideram que o presidente Michel Temer está trabalhando com uma “zona de segurança e conforto” ainda irreal em relação ao desfecho da crise política. O aumento de imposto, por exemplo, foi visto como um sinal de que Temer age como se a fatura estivesse liquidada, e não está. Enquanto o procurador-geral, Rodrigo Janot, estiver na busca de novas informações para fortalecer uma segunda denúncia contra o presidente, todo o cuidado é pouco.
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A percepção dos parlamentares é de que Temer não tem tantos problemas em relação ao Congresso porque as pessoas não foram às ruas pedir a saída dele, como fizeram no ano passado, quando do impeachment da presidente Dilma. Aumento de imposto, entretanto, pode levar a população de volta às ruas contra o governo. E, nesse caso, a ampla maioria governista na Câmara tende a encolher.
O que ele diz
Todas as vezes em que se refere a delações do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, o presidente Michel Temer responde “risco zero” de o envolverem em algo escuso. Pode sim, surgir uma reunião aqui, outra acolá. Porém, nada de dinheiro para lá e para cá.
O que muitos apostam
Eduardo Cunha não deve ter muito para falar porque, no papel de líder do PMDB e, depois, de presidente da Câmara, não era operador. Para completar, a mulher e a filha estão praticamente livres. Funaro é diferente. Ele mexia com dinheiro e é considerado franco-atirador. É dele que Janot quer tirar suas flechas.
Onde pega I
A ideia de usar as Forças Armadas em operações de surpresa no Rio de Janeiro está diretamente relacionada à reclamação das tropas. Uma das principais é a falta de segurança jurídica para os militares que, por exemplo, ferirem algum civil.
Onde pega II
No Haiti, onde os soldados integram força de paz, há o guarda-chuva da ONU, que protege as Forças de qualquer processo. No Brasil, não há proteção jurídica aos militares em ações de garantia da lei e da ordem. Nos tempos de ocupação da favela do Alemão, um traficante morreu numa troca de tiros, e soldados do Exército responderam criminalmente.
Próximos capítulos/ O presidente Michel Temer considera encerrado o episódio DEM e vai se dedicar, na próxima semana, a cuidar dos outros partidos com problemas, em especial o PSDB, das declarações ácidas, como a de Cássio Cunha Lima. Há 15 dias, Cunha Lima afirmou que, em 15 dias, o país teria um novo presidente. Amigos de Temer brincavam: “Estava certo, afinal, o presidente viajou à Argentina”.
A galera pede/ Pesquisas internas do DEM indicam que 65% dos soteropolitanos apoiam a renúncia de ACM Neto (foto) ao mandato de prefeito de Salvador. Calma, pessoal! É apoio para concorrer ao governo da Bahia em 2018.
Vamos ver/ A todos que perguntam se ACM Neto será mesmo candidato ao governo estadual, ele responde que ainda tem tempo para decidir, leia-se, clarear o cenário. “Não darei um salto numa piscina sem água”, disse o prefeito a um amigo.
Fim das quadrilhas/ No Ministério Público há quem diga que as quadrilhas de São João ficaram para trás, assim como a denúncia que o procurador- geral, Rodrigo Janot, planejava fazer contra Michel Temer. Isso porque, só com Funaro, sem Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures e outros, não há como acusar Temer por formação de quadrilha.
Maíza Santos
A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), foi hostilizada durante o voo 6077, da Avianca, de Brasília para São Paulo. Enquanto os passageiros se preparavam para descer da aeronave, um homem que se disse advogado dirigiu impropérios à senadora. Exaltado, acusou o PT de acabar com o país e xingou Gleisi. A senadora respondeu pedindo respeito.
Incomodados, outros passageiros intercederam, dando início a uma discussão acalorada. “Que o PT acabou com o país é verdade, mas não é o momento para isso, o brasileiro não tem educação”, comentou um passageiro. “Eu sou cidadão, advogado, pago meus impostos”, continuou o homem que acusava a senadora.
Na saída do avião, Gleisi pediu para falar com o comandante e apontou o responsável pelos insultos. “Eu acho que esse tipo de coisa não pode acontecer”, disse. Os funcionários acalmaram pedindo que
Gleisi é o advogado desembarcassem separadamente, em ônibus diferentes.
Gleisi foi a São Paulo cuidar de assuntos partidários e participar do velório de Marco Aurélio Garcia, ex-assessor internacional de Lula e de Dilma Rousseff no Planalto. Marco Aurélio morreu hoje, vítima de infarto.
O encontro entre o presidente Michel Temer e a deputada Cristiane Brasil foi para dizer que, na hipótese de o PSDB decidir deixar o governo, ela será chamada oara o primeiro escalão. É que, para o Ministério da Cultura, o presidente optou por Sérgio Sá Leitão, jornalista, escritor, chefe de gabinete de Gilberto Gil e secretário de políticas culturais do Minc.
Sérgio Sá estava cotado para a Ancine, em maio, quando da saída de Roberto Freire do cargo. Na época, conforme divulgado com exclusividade pelo blog, o então ministro interino da Cultura, João Batista de Andrade, bateu o oé e diss que não nomearia Sá Leitão para o comando da Ancine.
A escolha de Sá Leitao contou com as bênçãos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O deputado do DEM e Temer nunca foram tão cheios de amor um com o outro. O novo ministro nao pode ser considerado, entretanto, uma indicação do DEM. Mas é apontado como um nome que conta com o apoio de Rodrigo.
O relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), tido como um gesto de coragem, firmeza e lealdade em defesa do presidente Michel Temer, fortaleceu a posição dos ministros tucanos e, ainda, do governador de Goiás, Marconi Perillo, para presidir o PSDB. Governistas do partido não estão dispostos a entregar a presidência da legenda ao senador Tasso Jereissati, que tentou levar o PSDB a um afastamento definitivo do governo Temer. Preferem alguém mais ao centro, caso de Perillo, que não chega a ser o maior aliado do Planalto, porém não é tão oposicionista quanto Tasso. É por aí que os tucanos vão afinar o discurso para troca de comando da sigla.
Então, ficamos assim
Dentro da base do governo no Congresso prevalece o seguinte raciocínio: A Câmara rejeitou a autorização para processar Michel Temer. Os insatisfeitos que se mobilizem para votação em plenário.
Tese para unir
Integrantes do PSB, do PPS, do DEM e até do PSD começaram a elaborar um documento a ser apresentado em agosto como espécie de manifesto de um novo partido. Vão entrar no documento o fim do presidencialismo de coalizão e a necessidade de reformas para dar estabilidade econômica ao país.
Nome para animar
O grupo de deputados que trabalha a tese do novo partido pretende aproveitar o período de recesso para ir a Salvador, fazer uma visita ao prefeito ACM Neto, que hoje está muito bem avaliado e apontado como pré-candidato ao governo da Bahia em 2018.
Por falar em ACM Neto…
O prefeito tem chamado a atenção dos caciques do sistema financeiro. Roberto Setúbal, do Itaú, por exemplo, tem perguntado a seus amigos da política quais as perspectivas de ACM Neto voltar ao papel de player nacional. O prefeito soteropolitano é, sem dúvida, um nome a ser observado.
#Ficaadica
O pronunciamento do presidente Michel Temer nas redes sociais reforçou a ideia de que, se brincar, o governo vai investir a partir de agora na reforma tributária, deixando a previdenciária mais para frente. Afinal, no início do ano era voz corrente na equipe de Michel Temer que a tributária só chegaria ao Congresso depois de votada a previdenciária. Tudo para não embolar todos os assuntos.
CURTIDAS
Tempo de descansar/ A maioria dos deputados aproveita o recesso para sair de circulação. A ordem por esses dias é passear com a família e ficar, de preferência, longe das bases. Ano que vem tem eleição e essas férias são as únicas que eles podem tirar com calma. Janeiro de 2018 já será a hora de preparar a campanha.
São todos Brasil/ No Planalto, repete-se o mantra “não temos aliados fisiológicos, só temos deputados que pensam no Brasil”. Aliás, inclui-se aí o PTB, que tem uma bancada indicando para a Cultura a deputada Cristiane…. Brasil.
Jardim & Janot/ O ministro da Justiça, Torquato Jardim passa uns dias nos Estados Unidos. Em Washington, assina acordo de cooperação na área de tecnologia para integração das comunicações entre as forças de segurança pública. De lá, segue para Nova Iorque, onde participa de reunião sobre refugiados e imigrantes. Periga cruzar com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que está na cidade essa semana.
Bom para todos/ A decisão de Alessandro Molón (Rede-RJ), de representar contra o governo por compra de deputados na Comissão de Constituição e Justiça, levou os governistas a juntarem os documentos capazes de mostrar que hoje não cabe ao Poder Executivo segurar emendas do deputado A ou B. Essa parte está dentro do orçamento impositivo.
Governo e oposição entraram no embalo da música de Tom Jobim, “mesmo com toda a fama (…) com toda lama, a gente levando essa chama”. A base não pretende fazer um movimento sequer para encher o plenário e votar a primeira denúncia contra Michel Temer. E, em princípio, nem o PT. Os petistas nunca foram tão felizes nesse período, desde a divulgação do encontro entre Michel Temer e Joesley Batista. Obviamente, a condenação de Lula quebrou o encantamento, mas o “fora Temer” é o que mantém o partido unido aos movimentos sociais.
A ordem, num primeiro momento, é deixar a denúncia pairando no ar. Para a base, Temer continua presidente. Para a oposição, mais seguro ficar com Temer desgastado do que encontrar um novo nome que poderá se viabilizar para 2018.
Problemas à frente
O governo faz chegar a quem interessar possa que não houve acordo para o fim gradual do imposto sindical. A extinção pura e simples, se mantida conforme previsto na reforma trabalhista, entretanto, promete ser mais uma pedra no caminho do presidente Michel Temer na hora de enfrentar o processo no plenário da Câmara. Afinal, embora o presidente ainda tenha gordura para queimar, todo o cuidado é pouco.
Segurança na liderança
O Instituto Paraná Pesquisa foi saber quem eram os políticos preferidos do eleitorado do Rio de Janeiro para concorrer ao Senado. O entrevistado poderia escolher dois nomes, uma vez que a eleição do ano que vem é para dois terços da Casa. O quadro hoje beneficia a turma que capricha no discurso em prol de mais segurança pública, delegada Martha Rocha (PDT), 26,7%, e o vereador Carlos Bolsonaro, 23,3%, filho do deputado Jair Bolsonaro, que lidera a disputa presidencial por lá com 22,8%, Lula em segundo 17,7% e Joaquim Barbosa em terceiro, 10,3%.
Esquerda em segundo plano
Os outros nomes sugeridos pelos pesquisadores tiveram desempenho mais modesto na consulta. Em terceiro surgiram Alessandro Molon (Rede) e Bernardinho (Novo), com 15,5%, César Maia (DEM), 13% Chico Alencar (PSol), 10%. O Instituto Paraná ouviu 2.020 eleitores entre 6 e 10 de julho.
Se continuar assim…
Aliados do presidente Michel Temer consideraram o silêncio do ex-deputado ontem, durante depoimento sobre desvio de recursos na Caixa Econômica, um sinal de que a delação pode demorar. Aliás, desde que Temer entrou nessa rota de desgaste, em maio, muitas expectativas negativas para o governo não se confirmaram até o momento, incluindo a renúncia do presidente e a a cassação da chapa Dilma-Temer.
A regra/ Quem está acostumado a acompanhar a capacidade de mobilização do PT avisa que os movimentos de rua terão mais força nos estados onde o partido é governo, caso da Bahia, ou onde o governador é aliado, caso do Maranhão governado por Flávio Dino, do PCdoB. Nos demais, será mais difícil.
A exceção/ No Ceará, essa amizade do governador Camilo Santana com Lula enfrenta problemas na família de Ciro Gomes (foto). Enquanto Ciro quer ser candidato a presidente da República com apoio do PT, seu irmão mais novo não poupa Lula nas redes sociais.
O incômodo/ Ivo Gomes, o irmão de Ciro, é direto quando menciona o PT: “ (…)Quem colocou Temer no lugar em que está foi Lula. Quem prestigiou a alta bandidagem brasileira foi Lula. A volta de Lula ao poder representa a revanche, o ódio, a intolerância, o flaflu despolitizado e medíocre, além de continuidade da guerra política. Tudo o que o Brasil não precisa”, diz Ivo.
Esse cara sou eu/ Terminada a votação da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) aborda a deputada Maria do Rosário (PT-RS) e comenta: “Viu? Vocês precisam de um cara valente como eu para defender vocês!”. Foi uma risada geral.
Deputados da base do governo têm encontro marcado para amanhã à noite em Curitiba. Calma, pessoal! Não é na carceragem da Polícia Federal. É o casamento de Maria Victoria, filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que acabou coincidindo com a data prevista para votar, no plenário da Câmara, a autorização para que Michel Temer responda a processo por suspeita de corrupção passiva. A cerimônia serviu como uma luva àqueles deputados que estão com o presidente, mas não querem mostrar a cara na hora de registrar o voto no painel, ou seja, vão registrar presença, mas não votarão. Ontem, uns 20 disseram à coluna que “faltar ao casamento seria uma desfeita muito grande com o ministro”.
O quórum, aliás, é hoje o maior obstáculo para o governo resolver de vez essa primeira denúncia. Chegou ao gabinete do presidente Michel Temer um parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, de 1992, que considera terminada a votação de uma emenda constitucional apenas se houver, pelo menos, 302 votos registrados no painel (na época, três quintos eram 302, hoje são 308). No caso da denúncia, a votação só será considerada concluída depois que pelo menos 342 (dois terços da Casa) parlamentares registrarem o voto. Logo, para votar agora é preciso que 342 se manifestem. Se a oposição resolver obstruir, caberá ao governo colocar número no plenário da Casa para assegurar o pleito. Se depender da turma que vai ao casamento, adeus votação nesta semana.
Enquanto uns querem separar…
Depois das juras de fidelidade do PMDB e do PSD a Michel Temer, deputados e senadores contavam ontem à tarde com a sobrevivência do governo e começavam a trabalhar o pós-votação e não o pós-Temer. É preciso aproveitar julho para encontrar mecanismos capazes de proteger a recuperação econômica das turbulências políticas. Essa é, por exemplo, a conclusão do PPS.
… Outros querem unir
Falta combinar com Michel Temer e com os peemedebistas. Hoje, na solenidade de sanção da reforma trabalhista, o presidente planeja lembrar, mais uma vez, que a economia só se recuperou um pouco graças ao seu governo. E, para usar uma expressão que ficou famosa, é preciso manter isso, viu?
Ruim para todos
A condenação de Lula vai dividir o esforço do PT, que estava todo concentrado em atacar Michel Temer. Porém, avaliam os governistas, no médio prazo, isso não beneficia ninguém, porque só acirra o clima de ódio entre os atores políticos.
Menos pressão sobre o governo
Com Geddel Vieira Lima solto, avaliam alguns petistas, o procurador Rodrigo Janot perde mais um candidato à delação. E com Raquel Dodge já confirmada pelo plenário do Senado, a procuradoria vai se dividir.
Enquanto isso, nas ruas…
Parte da turma que apoiou o impeachment ocupou as calçadas para comemorar a condenação de Lula. O PT promete sair para apoiar seu maior líder. Talvez esteja aí o embrião de novas manifestações. Enquanto isso, Michel Temer vai levando o governo de fininho.
Janot “de boa”/ O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não tem muito do que reclamar da vida. Ontem, já passava das 15h e ele continuava no almoço, tomando um bom vinho tinto num restaurante português.
(Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press – 8/3/17)
Feira livre I/ Os deputados precisam tomar cada vez mais cuidado quando fazem perguntas em seus discursos. A deputada Érika Kokay (foto), do PT-DF, ao mencionar as mazelas do país, indagou, “quem é o culpado?” Na hora, o plenário respondeu: “É o PT!”, “é o Lula!”, “é a Dilma!”.
Feira livre II/ O PT deu o troco quando o deputado Darcísio Perondi foi à tribuna defender o presidente Michel Temer. “Temos um novo produto para a cara de pau: óleo de Perondi!”, gritou um petista.
Cristovam & Rollemberg/
Em conversa em seu gabinete com o governador Rodrigo Rollemberg,
o senador Cristovam Buarque foi direto quando comentou sobre 2018: “Fique tranquilo, que eu não serei candidato no ano que vem”. Eis que Rollemberg, com um sorriso, respondeu: “Se você fosse, teria o meu apoio”
A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu como uma bomba no partido, que, nesse primeiro momento, parte para o ataque ao juiz Sérgio Moro, com argumentos muito parecidos com aqueles que o PMDB usa hoje para defender Michel Temer. O líder do PT, Carlos Zarattini, foi enfático ao dizer que não há provas de que o triplex é de Lula, a não ser a delação de um empresário que está preso e diria qualquer coisa para se livrar da cadeia. Da mesma forma, os peemedebistas afirmam dia e noite que não há nada que ligue o presidente Michel Temer aos R$ 500 mil recebidos pelo ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, a não ser a delação de um empresário que recebeu o direito de viver nos Estados Unidos e ficar livre da cadeia, depois de gravar o presidente.
É nesse pé que a política chega a esta tarde de quarta-feira, o primeiro dia de debates da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A cada dia, a cena politica fica mais conturbada, sem sinais de clima ameno para ninguém. Da parte do governo, continua a busca de votos. Certamente, o fato de o PMDB e o PSD fecharem o apoio a Michel Temer dá fôlego para o presidente enfrentar essa primeira denúncia, uma vez que o PP e o PR devem seguir pelo mesmo caminho.
Nesse momento, o principal obstáculo é o tempo. O governo vai forçar a votação esta semana, mas há um grupo interessado em deixar para agosto, quando outras denúncias virão. Na verdade, os deputados não querem ter que colocar a cara agora no microfone para votar a favor do presidente e ter que repetir o gesto em agosto. Preferem esperar as próximas denúncias e fazer tudo de uma vez só, no mês que vem. Temer, entretanto, prefere votar logo e joga para isso. A ordem é, com o fôlego dessa primeira denúncia, aproveitar o recesso para se organizar a fim de enfrentar as novas turbulências. Quer viver a cada dia, ou melhor, a cada hora a sua aflição. Aliás, o país não tem feito outra coisa nos últimos anos. Vejamos as próximas horas, o que nos reservam. De tédio, como disse certa vez o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, não morreremos.

