Autor: Denise Rothenburg
Há alguns dias, quando o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, fazia campanha, na feira central de Ceilândia, ao lado do governador-candidato, Rodrigo Rollemberg, a segurança retirou um sujeito, em atitude considerada suspeita, que portava um facão e recolheu a arma. Em janeiro, o ônibus em que a comitiva do ex-presidente Lula viajava no Sul do país foi apedrejado. Agora, esse atentado a Jair Bolsonaro completa o círculo e acende o sinal de alerta na Polícia Federal. A avaliação da PF é de que nenhum candidato está totalmente seguro.
Aqueles que conversaram ontem com policiais garantem que algumas possíveis situações de perigo para os candidatos, como a do sujeito com facão no dia de Ciro e Rollemberg na feira, já foram evitados. Nunca se sabe onde um sujeito tomado pelo desequilíbrio — por enquanto, é assim que eles tratam esses casos — atacará. A ordem é reforçar especialmente os serviços de inteligência.
O representante
Enquanto Bolsonaro estiver fora de combate, quem o representará é o candidato a vice, general Hamilton Mourão, que, ontem, num primeiro momento, acusou o PT pelo atentado. Pelo visto, os ânimos vão continuar acirrados.
Vai sem ele
Apoiadores de Jair Bolsonaro convocaram manifestações em várias cidades para manter a campanha do candidato viva nas ruas. Será a prova dos nove da mobilização sem a presença do deputado que lidera as pesquisas de intenção de voto.
Próximos capítulos 1
Analistas ontem eram unânimes em afirmar que, depois do atentado, Jair Bolsonaro se manterá na liderança e conquistará apoios. Mas, daqui a alguns dias, o fato de o candidato defender a liberação de armas de fogo e, em alguns casos, incitar a violência contra adversários, deve voltar à baila.
Próximos capítulos 2
Ninguém arrisca dizer quando Jair Bolsonaro voltará à campanha. Mas seus apoiadores desejam algo bastante voltado à religiosidade do povo brasileiro.
E o PT, hein?
A decisão do ministro Celso de Mello de negar a liminar liberando a candidatura de Lula não deixa outra opção ao partido, se não organizar a passagem do bastão para Fernando Haddad. Apesar das resistências, deverá ser mesmo em 11 de setembro.
Ficou para depois/ O atentado a Jair Bolsonaro parou o Brasil. Pelo menos, no Palácio do Planalto. A reunião que tratava das medidas provisórias para a criação de fundos patrimoniais e a definição do modelo de gestão dos museus teve que ser suspensa. A ordem é retomar ainda hoje, depois do desfile.
É para ontem 1/ O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que presidia a reunião, foi chamado para o encontro em que o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, fez um relato ao presidente a respeito da segurança dos candidatos e, juntos, decidiram reforçar a atuação.
Por falar em Temer…./O presidente pretende continuar a defesa do governo e os ataques a Geraldo Alckmin via vídeos no Twitter, como aqueles em que citou a participação do PSDB no seu Ministério. Agora, entretanto, diante do atentado a Bolsonaro, vai baixar a bola.
… está tudo meio nebuloso/ O atentado também jogou em segundo plano as denúncias de que o presidente teria recebido propina. As apostas da classe política são as de que esse tema só volta à baila com força em janeiro.
Os hinos de cada um/ O ministro da Justiça, Torquato Jardim (foto), abriu as comemorações de 7 de setembro com uma exibição da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional (que continua fechado), no saguão do Ministério. Ao final, Torquato brincou: “Ficou faltando um quarto hino!” O maestro Claudio Cohen fez aquela cara de quem não estava entendendo, e o ministro cantarolou a melodia que todo flamenguista canta com a mão sobre o peito.
“Eu sou Fluminense!!!, retruca o maestro.
Paz e democracia a todos neste 7 de Setembro
Como o leitor da coluna Brasília-DF sabe há tempos, o presidente Michel Temer e Geraldo Alckmin têm diferenças antigas. Temer não parece, mas guarda mágoas. E se tem alguém que o magoou profundamente nos últimos tempos foi Geraldo Alckmin. Quando da votação das duas denúncias contra Temer, Geraldo Alckmin simplesmente cruzou os braços. Todo o PSDB de São Paulo, à exceção da deputada Bruna Furlan, votou pelo acolhimento da denúncia contra o presidente, o que significaria o afastamento de Temer do cargo. Para completar, Bruna Furlan ainda foi ao Planalto e disse com todas as letras que votaria com Temer, porque não precisava de Geraldo Alckmin para se reeleger. Pronto. Foi o suficiente para que o presidente ficasse irritadíssimo. Para completar, quando da segunda denúncia, Alckmin passou por Brasília às vésperas da votação e foi embora sem mover uma palha um prol de Temer.
Agora, com a campanha e os ataques de Alckmin ao governo, Michel Temer, que, em público, sempre mantém a fleuma, decidiu sair da toca. Lá atrás, quando do lançamento da campanha de Henrique Meirelles, alguns mais apressados disseram que o MDB estava lançando um candidato para que ele absorvesse a impopularidade de Michel e deixasse Alckmin mais livre para voar rumo ao segundo turno. A coluna Brasília-DF publicou a história das diferenças entre Temer e Alckmin no período das denuncias, inclusive a história da deputada Bruna Furlan. Agora, com os vídeos divulgados nos dois últimos dois dias, Temer põe a público essas diferenças. Os dois não se bicam. Aliás, na solidão da urna, se estiver Alckmin num segundo turno contra qualquer outro…Temer votará no outro. Façam suas apostas.
Receosos de que os recursos sobre a candidatura de Lula sejam enviados diretamente ao plenário da Suprema Corte, os petistas vão montar todo um discurso para que, em caso de derrota, fique claro que quem tirou Lula da disputa foi o Poder Judiciário. O partido vai insistir em jogar seus militantes contra a Justiça.
Detalhe: As críticas, que até aqui se concentravam no TRF-4, que condenou Lula a 12 anos e um mês de prisão, vão se espalhar para o colegiado do Superior Tribunal Eleitoral, que barrou a candidatura, e ao próprio STF, se confirmar a decisão do TSE. E tudo isso ao vivo e a cores no horário eleitoral. É a forma que o PT encontrou de tentar manter o nome de Lula vivo na campanha. Até aqui, segundo as pesquisas de intenção de voto, a estratégia deu certo.
A nova onda
No embalo da pesquisa Ibope divulgada ontem, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, que subiram alguns pontinhos, vão passar a jogar a ideia de que são os melhores nomes para derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno. Marina Silva, embora não tenha subido e também derrote Bolsonaro na final, ainda não pretende entrar nessa seara.
Ciro versus Haddad
Antes que Fernando “Andrade”, como ficou conhecido no Nordeste, vire o candidato oficial do PT, Ciro Gomes joga toda a sua campanha na região, em busca de tentar arrancar votos do petista. É ali que considera mais viável ganhar terreno para chegar ao segundo turno.
Alckmin versus
Dias e Meirelles
Embora centre sua campanha em polemizar com o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, cresce a pressão no PSDB para que o tucano corra atrás dos votos de Alvaro Dias (Podemos), de Henrique Meirelles (MDB) e de João Amoêdo (Novo). Se for por aí, já terá o suficiente para passar ao segundo turno.
Por falar em Meirelles…
Diante das dificuldades de conquistar votos dos lulistas, Henrique Meirelles vem sendo aconselhado a dar mais destaque ao trabalho dele no governo de Michel Temer, pondo fim à curva de recessão econômica e domando a inflação. Embora o país esteja desacelerando agora, a ordem é lastrear o discurso no período em que ele estava à frente da economia.
Bolsonaro outdoor/ O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, considera que o candidato Jair Bolsonaro deve participar de apenas mais um debate nesse primeiro turno, o da TV Aparecida, em parceria com a Rede Vida de Televisão e a CNBB. No mais, é corpo a corpo pelo país para gerar imagens e jogar nas redes sociais.
Paulo Guedes indoor/ Quem cuidará das atividades de campanha em que é preciso detalhar programas de governo e responder perguntas mais difíceis será o economista Paulo Guedes (foto).
A visão dele 1/ Se o STF ouvir o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio Noronha, sobre a prisão em segunda instância, vai saber que ele não defende a retomada desse tema. Em café com jornalistas ontem, ele foi direto: “A questão já foi analisada. (…) Não podemos pensar que a Suprema Corte pode a todo mês mudar seu entendimento”, disse ele.
A visão dele 2/ Sobre a prisão preventiva, o novo presidente do STJ também é direto: “É preciso prudência na sua decretação”, disse ele, jogando a responsabilidade sobre os magistrados, e não ao Ministério Público: “O Ministério Público está no papel dele de requerer. A responsabilidade de decisão final é da Justiça”, disse ele.
… ajude Bolsonaro. Que ninguém se surpreenda se o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, apelar para que quem não vota nele prefira o branco ou o nulo. É que, de acordo com a legislação, brancos e nulos não são considerados votos válidos. Logo, dizem alguns apoiadores do partido, podem funcionar como um bom redutor do número de votos que um candidato precisa ter para se eleger.
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É esse cálculo que tem levado muitos bolsonaristas a apostar que o candidato pode vencer no primeiro turno. Presidente do PSL, Gustavo Bebiano considera, entretanto, que a vitória no primeiro turno está dada pelo movimento que ele vê nas ruas. “Quem paga pesquisa colhe o resultado que quer. Não temos pesquisas. Temos o sentimento da rua. Pode escrever: ele vai ganhar no primeiro turno”, diz.
O alerta do STF I
A contar pelo que disseram tanto o futuro presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, quanto o ministro Gilmar Mendes, na sessão da Segunda Turma, a partir de 13 de setembro, muita coisa vai mudar para o Ministério Público. O que eles chamam de “abuso de prisão preventiva para fins de delação” é um dos pontos que estão sob o signo da mudança.
O alerta do STF II
Gilmar chegou a dizer, para quem quisesse ouvir, que a “era do Janot, de triste memória, já passou”. E Toffoli comentou que “vai ter muita coisa boa para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça)”.
Entendeu
Num dado momento da audiência de ontem, o representante do Ministério Público, Juliano Baiocchi, comentou, brincando: “Estou com
medo de sair daqui preso!”. E riu. Ninguém riu com ele.
Ajuda aí
O presidente do DEM, ACM Neto, está ficando rouco de tanto pedir ao seu pessoal que faça campanha para Geraldo Alckmin. Até agora, esse é considerado o maior desafio do candidato tucano a presidente da República.
Manu na cobrança
O PCdoB já está para lá de incomodado com a situação de regra três na chapa triplex do PT. Até o fim da semana, a cobrança vai aumentar, e os comunistas vão transferir a campanha de Manuela D’Avila de “Manu no Jaburu” por “Manu na campanha”…
É assim/O presidente do PSL, Gustavo Bebiano, comentava ontem no corredor da Câmara que não esperava ver o candidato do seu partido numa posição tão boa: “É, besouro é pesado, mas voa!”
Gostinho/ Bebiano também aproveitou para dizer que, “se Bolsonaro não vencer no primeiro turno, eu teria um gosto enorme de vencer o PT nas urnas”, disse, como quem quer escolher o adversário.
História/ O sonho do presidente do PSL é que o candidato do partido repita a performance de Fernando Collor, que chegou ao segundo turno contra Lula e venceu. Collor era do minúsculo PRN e venceu com o discurso de combate aos marajás e aos políticos de uma forma geral. Deu no que deu.
Te cuida, Jarbas!/ A vida dos candidatos em Pernambuco não está nada fácil. Virou um bolo. E Jarbas Vasconcelos (foto), que começou a corrida quase na casa dos 40%, hoje já baixou para menos de 30%. O fato de cada eleitor votar duas vezes complicou ainda mais: além de Jarbas Vasconcelos, estão no páreo Humberto Costa (PT), Mendonça Filho (DEM) e, mais atrás, Bruno Araújo (PSDB) e Sílvio Costa (Avante).
A ordem interna no PT, definida ontem durante reunião em Curitiba, é só trocar o candidato se houver certeza da transferência dos votos do ex-presidente Lula para Fernando Haddad. Como os eleitores de Lula ainda não seguiram em direção ao ex-prefeito, fica tudo como está, mesmo depois da decisão do TSE, que rejeitou a candidatura. No momento, só quem perde com isso é Haddad. O ex-presidente e os políticos do PT, de um modo geral, só têm a ganhar. Lula continuará com o partido a serviço da sua defesa. Os candidatos a deputado, senador, governador, em especial os que buscam a reeleição, aproveitam para embalar suas campanhas na tese de Lula perseguido.
Em tempo: Ao que tudo indica, Lula não conseguirá transferir os votos para Haddad de forma automática, sem que se engajar dia e noite na campanha do ex-prefeito. E, preso em Curitiba, fica difícil. Se a dificuldade de transferência persistir, não está descartada a hipótese de deixar anular os votos de Lula, em caso de derrota no recurso do STF. Essa é a tese dos lulistas de raiz. Assim, o partido ganha o discurso de que a eleição foi fraudada. Enquanto não chega a esse extremo, o PT recorre à biologia: o organismo partidário se alimenta de Lula e Lula se coloca como preso político com essa tese sustentada na tevê pelo PT ao longo do horário eleitoral. E Fernando Haddad? Que se contente no papel daquele que é sem ser. Falta, obviamente, combinar com o grupo que está querendo fazer de Haddad candidato para valer.
Alô, servidores!
Apesar da negativa do governo em conceder reajustes salariais aos funcionários públicos, pelo menos, uma categoria está perto de ter uma correção nos vencimentos aprovado pelo Congresso. A proposta que contempla os agentes de saúde está para ser votada na Câmara dos Deputados. E, sabe como é: Se o projeto for à votação nesta semana de esforço concentrado, ninguém vai ficar contra.
Disfarça e sai
Os governistas estão de olho. Se não for para votar os projetos de interesse de governo e sim aqueles que aumentam despesas, os líderes governistas estarão a postos para esvaziar o plenário.
Centrão ameaça MDB
Pela primeira vez na história recente do país, o MDB corre o risco de perder a primazia no Senado. Se as urnas confirmarem as pesquisas e os partidos do chamado centrão se unirem no ano que vem, esse grupo tem tudo para superar o número de senadores do MDB e ficar com o comando da Casa. A consultoria Arko Advice, que analisou o quadro da eleição para o Senado, considera que o Centrão pode somar, no melhor cenário para eles, 30 senadores, enquanto o MDB, no máximo 17. No mínimo, o centrão chega a 15, um a mais que mínimo previsto para o MDB.
CURTIDAS
Contra Dilma, Meirelles defende Temer/ A ex-presidente Dilma Rousseff tentou jogar a culpa do trágico incêndio que consumiu o Museu Nacional nas costas do governo do presidente Michel Temer, de Henrique Meirelles e até do PSDB. A resposta foi direta “Tão lamentável quanto o incêndio é ver gente oportunista tentando tirar proveito da situação para esconder nas cinzas do que sobrou a sua incapacidade de governar”.
De grão em grão…/ O candidato a presidente da República João Amoêdo, do partido Novo, pode até não chegar ao segundo turno, mas no Planalto, há quem diga assim: “O dia que o Meirelles tiver o percentual do João Amoêdo, a gente passa a acreditar na campanha dele”.
Haja esforço/ Os parlamentares estão combinando de só fazer o “esforço concentrado” hoje para, na quarta-feira, voltarem correndo para as bases.
Spa Câmara/ Alguns poucos parlamentares que chegaram a Brasília ontem pareciam aliviados com o sossego da capital. Houve quem dissesse que aproveitará esses dias para descansar da campanha.
O reajuste dos servidores públicos, que a equipe econômica convenceu o presidente Michel Temer a deixar para 2020, tem tudo para ser retomado no Supremo Tribunal Federal (STF). O tema será incluído na pauta do plenário ainda neste ano e, a depender da jurisprudência, a vitória será dos funcionários. É que, no Tocantins, o governador Marcelo Miranda havia concedido um reajuste que terminou suspenso quando ele perdeu o governo. O assunto foi parar no STF e, quase 10 anos depois, a maioria dos ministros optou por validar a correção salarial dos servidores do estado.
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É por aí que a Suprema Corte se inclina, apesar das restrições orçamentárias do Poder Executivo. Portanto, é grande a chance de sobrar mais uma despesa para o próximo presidente logo no primeiro ano de governo. Aliás, Michel Temer foi avisado de que, se insistisse em barrar o reajuste, a perspectiva de nova decisão do STF em favor dos servidores seria de 99%.
A precaução do PT
Desconfiado de que o TSE ia liquidar a candidatura de Lula ainda ontem, o PT preparou um programa em que não pede votos para o ex-presidente e sim para o número 13. O próprio discurso do vice, Fernando Haddad, vai nessa linha. É a forma de tentar garantir o programa eleitoral do partido até que a executiva da legenda e dos partidos coligados se reúnam para homologar a chapa Haddad-Manuela D’Ávila.
Comitê versus OEA
Já chegou aos ouvidos de autoridades brasileiras que os observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) firmaram o entendimento de que as instituições estão funcionando normalmente no Brasil. Logo, dirão em seus relatórios que não houve golpe e que o país não fere os preceitos democráticos, um contraponto ao documento do Comitê de Direitos Humanos da ONU.
Repetiram o erro
Mais uma vez, os advogados de Lula focaram a defesa, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Comitê de Direitos Humanos da ONU. Entre os ministros, eram favas contadas que, se os advogados fossem por aí, as chances de vitória do ex-presidente seriam mais remotas.
Cuidado aí!
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre Moraes só deve levar seu parecer sobre o caso de Jair Bolsonaro para votação na Primeira Turma da Corte depois das eleições. “Lula preso subiu de 20% para quase 40%. Se você levar o caso do Jair Bolsonaro agora, ele vai a 30%”, alertou um ministro.
CURTIDAS
Janot versus Gilmar/ O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot (foto) não perde a chance de beliscar o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Ontem, no Twitter, ele comentou a segunda prisão do ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro Sérgio Côrtes: “Será que alguém (todo mundo sabe quem) vai soltar também?” E Deltan Dallagnol retuitou.
Temer versus Meirelles/ A insatisfação da turma do Planalto com o fato de o candidato do MDB, Henrique Meirelles, desprezar o governo e ressaltar apenas a própria biografia no programa eleitoral já dá margens a comentários do tipo, “Meirelles ainda não atingiu o nível de aprovação do governo. Quando atingir, vamos passar a levá-lo a sério”.
Por falar em Meirelles…/ Ele vai mesmo desprezar o governo no seu programa de tevê. Não deixará de lado, entretanto, os bons índices de Paulo Skaf em São Paulo. Na terça-feira, estará por lá, pronto a gravar imagens dos dois para exibir no horário eleitoral.
O motivo do mistério/ Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deixaram para anunciar apenas ontem que o julgamento de Lula estava na pauta. Queriam, assim, evitar que o PT repetisse a mobilização de 15 dias atrás, quando o partido protocolou a candidatura do ex-presidente. Os advogados estavam mobilizados sim, mas esperavam que haveria tempo para análise.
Diante da rejeição do registro da candidatura do ex-presidente Lula, a cúpula do partido foi para cima do Poder Judiciário. A nota divulgada há pouco, enquanto a presidente da Corte eleitoral, ministro Rosa Weber, ainda lia o seu voto, menciona essa semana como a que “envergonhará o Judiciário para sempre”. O PT, comandado pela senadora Gleisi Hoffmann, se refere não só ao indeferimento do registro da candidatura de Lula. Diz que a “cúpula desse Poder negociou aumento de 16,4% nos salários já indecentes de ministros e juízes, sancionou a criminosa terceirização dos contratos de trabalho e, agora, atacou frontalmente a democracia”.
As críticas do PT à cúpula do Judiciário foram vistas como mais um evento da série de erros que o partido de Lula comete ao longo do processo. Afinal, dizem alguns, que, se Lula pretende obter uma liminar para continuar no páreo, não será atacando o Judiciário que será bem sucedido. Os advogados inclusive pedem calma aos políticos. Afinal, o relator da Lava Jato no STF é o ministro Edson Fachin, único voto em favor de Lula no TSE. Alguns petistas que conseguem manter a cabeça fria nesse momento ressaltam que é preciso tomar muito cuidado para não perder esse voto.
A íntegra da nota:
“Diante da violência cometida hoje (31) pelo Tribunal Superior Eleitoral contra os direitos de Lula e do povo que quer elegê-lo presidente da República, o PARTIDO DOS TRABALHADORES afirma que continuará lutando por todos os meios para garantir sua candidatura nas eleições de 7 de outubro.
Vamos apresentar todos os recursos aos tribunais para que sejam reconhecidos os direitos políticos de Lula, previstos na lei e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Vamos defender Lula nas ruas, junto com o povo, porque ele é o candidato da esperança.
É mentira que a Lei da Ficha Limpa impediria a candidatura de quem foi condenado em segunda instância, como é a situação injusta de Lula. O artigo 26-C desta Lei diz que a inelegibilidade pode ser suspensa quando houver recurso plausível a ser julgado. E Lula tem recursos tramitando no STJ e no STF contra a sentença arbitrária.
É mentira que Lula não poderia participar da eleição porque está preso. O artigo 16-A da Lei Eleitoral prevê que um candidato sub judice (em fase de julgamento) pode “efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica”.
A Justiça Eleitoral reconheceu os direitos previstos nestas duas leis a dezenas de candidatos em eleições recentes. Em 2016, 145 candidatos a prefeito disputaram a eleição sub judice, com registro indeferido, e 98 foram eleitos e governam suas cidades. É só para Lula que a lei não vale?
O Comitê de Direitos Humanos da ONU determinou ao Brasil garantir os direitos políticos de Lula, inclusive o de ser candidato. E o Brasil tem obrigação de cumprir, porque assinou o Protocolo Facultativo do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. E o Congresso Nacional aprovou o Decreto Legislativo 311 que reconhece a autoridade do Comitê. O TSE não tem autoridade para negar o que diz um tratado internacional que o Brasil assinou soberanamente.
É falso o argumento de que o TSE teria de decidir sobre o registro de Lula antes do horário eleitoral, como alegou o ministro Barroso. Os prazos foram atropelados com o objetivo de excluir Lula. São arbitrariedades assim que geram insegurança jurídica. Há um sistema legal para os poderosos e um sistema de exceção para o cidadão Lula.
Em uma semana que envergonhará o Judiciário para sempre, a cúpula desse Poder negociou aumento de 16,4% nos salários já indecentes de ministros e juízes, sancionou a criminosa terceirização dos contratos de trabalho e, agora, atacou frontalmente a democracia, os direitos dos eleitores e os direitos do maior líder político do país. É uma cassação política, baseada na mentira e no arbítrio, como se fazia no tempo da ditadura.
A violência praticada hoje expõe o Brasil diante do mundo como um país que não respeita suas próprias leis, que não cumpre seus compromissos internacionais, que manipula o sistema judicial, em cumplicidade com a mídia, para fazer perseguição política. Este sistema de poder, fortemente sustentado pela Rede Globo, levou o país ao atraso e o povo ao sofrimento e trouxe a fome de volta.
A candidatura do companheiro Lula é a resposta do povo brasileiro aos poderosos que usurparam o poder. Lula, e tudo o que ele representa, está acima dos casuísmos, das manobras judiciais, da perseguição dos poderosos.
É com o povo e com Lula que vamos lutar até o fim.
Lula Livre!
Lula Candidato!
Lula Presidente!
COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES”
O recado foi dado pela presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, aos ministros e funcionários da Corte eleitoral. Ela está disposta a cumprir ainda hoje tudo o que se refere à candidatura do ex-presidente Lula à Presidência da República, “nem que vare a madrugada”. Os ministros consideram que, se nada for feito de imediato, o PT abrirá sua participação no horário eleitoral gratuito criticando o Poder Judiciário. E a ordem é reforçar a Justiça enquanto instituição republicana.
Da parte do PT, os advogados já estão de sobreaviso. A ordem é recorrer tão logo o TSE decida sobre a impugnação da candidatura do ex-presidente. Pelo visto, não são apenas os ministros que vão reforçar o lanche no trabalho. Os serviços de delivery, se cumpridas as intenções de todos, vão faturar na noite desta sexta-feira.
“Digital versus analógica”
O cientista político Leonardo Barreto tem dito em palestras que, a partir de agora, começa a campanha “analógica”, a da tevê aberta. Até aqui, na digital, quem surfou foi o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Hoje, ele considera que o capitão reformado está com um pé no segundo turno.
Limonada eleitoral
O fato de Jair Bolsonaro, do PSL, ter pouco tempo de tevê será usado por seus aliados como uma justificativa para não precisar detalhar o programa de governo. Eles só não descobriram ainda como, com esse pouco tempo na tevê, conquistar os votos que faltam, em especial, o feminino. Já concluíram que não será com as caminhadas e os sujeitos ao redor gritando “mito, mito”.
Alckmin analógico
Enquanto o candidato do PSL, que não tem tempo de tevê, apostará tudo nas redes e naqueles que replicam sua campanha — a participação dele no Jornal Nacional, por exemplo, ficou entre os 10 assuntos mais comentados até entre os tuiteiros russos —, Geraldo Alckmin, do PSDB, tem sido discreto nas redes. O tucano direcionou a maior parte dos recursos à campanha de tevê. A propaganda da bala, avaliam os tucanos, fez efeito.
Por falar em bala…
O candidato do PSL sentiu o tranco ao ver o filme da campanha de Geraldo Alckmin, aquele que mostra uma bala atravessando um copo de leite, uma jarra de água, destruindo livros, um melão e parando próxima à cabeça de uma criança. A ordem agora é subir o tom contra o tucano.
Olho nela/ Marina Silva, da Rede, que terá 21 segundos diários na tevê, comemorou o Jornal Nacional como a grande largada de sua campanha e certa de que tem tudo para ganhar mais votos de lulistas do que o futuro candidato do PT, Fernando Haddad. Seus aliados avaliaram que o maior problema abordado se resumiu à saída de deputados da Rede.
[FOTO1]
Por falar em Haddad… / Ele e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, desembarcam no Ceará nesta sexta-feira. Haddad (foto), em busca dos votos de Lula. E Alckmin, tentando arrancar alguns dos que estão com Bolsonaro.
Até aqui…/ O eleitor continua meio desconfiado dos políticos que desfilam pelo país em campanha. Apesar das pesquisas, todos consideram que estão fazendo campanha “no escuro”.
Educação, grande desafio/ O Coordenador Geral de Graduação do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Gabriel Cardoso, lança amanhã, 19h, na Cultura do CasaPark, o livro Empreendedorismo social e políticas públicas na educação: possibilidades e limites, em parceria com o professor Júlio Gomes Almeida, da Universidade Cidade São Paulo (Unicid). Num momento em que os indicadores do Brasil nessa área estão tão baixos, nunca é demais se informar a respeito.
O presidente Michel Temer pediu ao senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) que responda “interinamente” pelo comando da bancada do governo no Senado. Significa que Bezerra só será líder no período eleitoral. Temer informou que só escolherá o titular da vaga de líder do governo depois das eleições. Diante da decisão, a aposta de muitos é a de que o senador Romero Jucá (MDB-RR) deu apenas “um tempo” e retoma as funções na segunda quinzena de outubro.
Jucá pediu afastamento da liderança do governo há dois dias, depois que o presidente discordou da proposta de fechamento das fronteiras de Roraima. O fechamento das fronteiras foi um pedido da população de Pacaraima, que vive em tensão por causa da chegada dos venezuelanos. Candidato à reeleição, Jucá não pode ficar nesse momento contrário aos interesses da população do estado onde faz política. Afastado, ele agora pode abraçar o discurso de opositor, bem mais popular do que o de aliado de Temer. Há quem garanta, entretanto, que esse momento oposicionista de Jucá termina em 08 de outubro.
Toffoli se mostra disposto a julgar reajuste de servidores e outros temas polêmicos
A junção das “11 ilhas”

Conforme Toffoli contou a um colega de Tribunal e também a alguns amigos, o objetivo é substituir a ideia das 11 ilhas por um continente ou, no mínimo, um arquipélago todo interligado por pontes. Falta combinar, obviamente, com todos os ministros.
Tá nesse nível
Entre os petistas há quem diga que, se Ciro Gomes (PDT) crescer alguns pontos nas pesquisas, vai ter muito dirigente partidário repleto de desculpas para evitar compromissos de campanha ao lado de Fernando Haddad.
Vão ter que engolir 1
A contar pelas pesquisas, seja quem for o presidente eleito, terá que se sentar à mesa com o MDB. O partido caminha para continuar no comando do Senado, seja com a reeleição de Eunício Oliveira (CE), seja com Renan Calheiros (AL). O comando partidário considera que tem condições de eleger até 19 senadores, embora levantamentos mais rigorosos, como o da Arko Advice, apontem que o partido já tem assegurado, no mínimo nove e, no máximo, 16.
Vão ter que engolir 2
Em seguida, virá o PT, com um mínimo de cinco (Dilma Rousseff incluída) e um máximo de 12 eleitos este ano. Ou seja, quem apostava em renovação, pelo menos no Senado, será difícil. O PSDB está em terceiro no levantamento da Arko, com a perspectiva de eleger entre quatro e nove senadores.
Portos na lida 1
Como todos os setores, o de portos não vai deixar de fazer a sua campanha com os presidenciáveis. Para isso, a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) preparou um documento com previsão de investimentos da ordem de R$ 15 bilhões, desde que o governo retire as amarras burocráticas, leia-se excesso de normas e regulações.
Portos na lida 2
O documento da ABTP alerta que o setor é responsável por 120 mil empregos diretos e indiretos. No ano passado, passaram pelos portos brasileiros 1,087 bilhão de toneladas de produtos, desde grãos até aqueles de última geração tecnológica. Não dá para desprezar.
Jogo combinado/ A saída de Romero Jucá (foto) da liderança do governo não foi bem… uma briga com o presidente Michel Temer. Afinal, se tem algo que todos entendem é a necessidade de sobrevivência. E, no momento, Jucá está nas mãos dos eleitores de Roraima, que defendem fronteiras fechadas com a Venezuela. Jucá, ao deixar a liderança, amorteceu o discurso dos adversários.
É bem assim/ Comandar o PT é uma tarefa que não costuma agradar a muitos. Tanto é que, nos bastidores, já tem gente chamando a presidente Gleisi Hoffmann de “crazy” Hoffmann.
Hoje tem!/ Debate na TV Brasília/Correio Braziliense, 17h, com os candidatos a governador do Distrito Federal. Transmissão ao vivo pelo Facebook, Twitter e YouTube do Correio. O dos presidenciáveis está marcado para 14 de setembro.
Ops!/ A foto publicada na coluna de sábado não era a de Márcio Aith, e sim de Márcio Sanches.

