O que as manifestações europeias têm a dizer aos candidatos no Brasil?

Publicado em Política

As manifestações que tomaram conta de várias cidades em países europeus e também na Argentina, na Colômbia e no Peru, têm um denominador comum: a cobrança de direitos sociais. Independentemente de quem sair vitorioso no próximo domingo, a avaliação geral de congressistas dos dois lados da política brasileira é a de que o eleito precisará ter uma capacidade de diálogo para conversar com jovens a fim de garantir o colchão de proteção social que vem sendo cobrado na Europa e nos países da América do Sul. Na Argentina, por exemplo, a megamanifestação da semana passada foi consequência dos cortes de gastos públicos e da política de austeridade do presidente Javier Milei.

No Brasil, por enquanto, a palavra de ordem de grande parte dos bolsonaristas aliados de Flávio é o “fora Lula”, e de muitos que votam em Lula é impedir o retorno do clã Bolsonaro ao centro do poder. Ocorre que, conhecido o resultado, seja Flávio, seja Lula, não haverá o mesmo lastro para governar. As apostas são as de que, no dia seguinte, Flávio perderá o apoio de muitos que o elegeram apenas para tirar o PT do poder. Em especial, aquela classe C, que se afastou do petista. Num cenário com Lula, onde muitos já foram às ruas pregando a manutenção de direitos sociais, a expectativa é a de que terá ainda um tempo para respirar e conversar com o público jovem. Porém, nenhum dos dois estará livre de manifestações em prol desses direitos sociais.

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Enquanto isso, no mundo virtual…/ A avaliação dos políticos que estão atentos a essas manifestações mundo afora é a de que a sociedade civil voltou às ruas, deixando um pouco de lado o barulho das redes sociais dominado pelos algoritmos. É com esse público real que o eleito terá que conversar e demonstrar talento para o diálogo.

E, dada as necessidades da população, esses movimentos não vão demorar.

Larga ele rapidinho

Entre os congressistas, causa preocupação a denúncia de que o advogado Willer Tomaz tinha uma conta com o senador Flávio Bolsonaro no papel de “usuário master”. O senador negou, disse que tudo não passa de fake news às vésperas da eleição. Porém, as investigações continuam, e deputados consideram este mais um problema para a campanha do senador a cinco dias do pleito. Se Flávio for eleito, a avaliação geral é a de que Flávio terá que largar a mão de Willer Tomaz, com quem o candidato do PL já viajou aos Estados Unidos num jatinho do qual Daniel Vorcaro é sócio. O advogado é, ainda, suspeito de ter acesso antecipado a decisões a serem tomadas no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

E o servidor público, como fica?

Formado por várias instituições de servidores, o movimento Pacto pelo Serviço Público foi medir o compromisso dos finalistas da eleição presidencial com as reivindicações dos funcionários em 16 temas. Embora Flávio Bolsonaro tenha vencido a eleição no Distrito Federal, onde o funcionalismo público de alta gestão e qualificação predomina, a avaliação do Pacto é a de que Lula está mais alinhado com os anseios das diversas categorias. Ela ganha de Flávio em todos os quesitos analisados.

Marçal, o treinador

Pablo Marçal entrou de cabeça na campanha de Flávio Bolsonaro e inspirou o Ministério da Prosperidade que Flávio incluiu em seu programa de governo. E não parou aí. Foi, ainda, fundamental na preparação do candidato para o debate com Lula. Se tem algo que Marçal aprendeu na campanha para a prefeitura de São Paulo foi tirar os adversários do sério, a ponto de levar uma cadeirada de Luiz Datena.