*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (18/10) por Denise Rothenburg

Flávio Bolsonaro foi aconselhado a usar o debate de hoje, na Band, para tentar subir a hashtag “Lula condenado”. Para desestabilizar o petista, Flávio pretende sair-se com esta: “Quem já foi condenado aqui, Lula, eu ou você?” Pelo menos é isso que está planejado. E qualquer resposta que tenha a frase “eu fui condenado”, ainda que completada com a palavra “injustamente” ou “sem provas”, permitirá cortes para as redes. Lula sempre poderá, entretanto, responder que é inocente e que Flávio é investigado, por causa da relação com Daniel Vorcaro.
Da parte de Lula, a ordem é tentar levar o candidato do PL a perder a pose de bom moço e expor um programa de governo voltado a pontos que o brasileiro não deseja, caso da liberação das armas.
Alta tensão/ As estratégias em construção para esta noite, em que as campanhas querem os candidatos capazes de tentar desestabilizar o adversário ou obrigar a dar respostas que possam gerar cortes para as redes sociais, indicam que será muito difícil que o confronto se restrinja a propostas de governo para cada área.
Armamento entra na reta final
O fim da marcação dos cartuchos de balas, projeto de lei defendido por Flávio, será um dos pontos tratados nesta última semana de campanha. Isso porque não passou em branco o fato de o candidato não ter respondido à jornalista Renata Lo Prete, na entrevista da TV Globo, por que defendeu uma matéria que pretendia tirar esse rastreamento de munição das forças de segurança. A defesa da retirada das marcações será explorada pelos adversários do candidato como indício de tentativa de favorecimento ao crime organizado. Afinal, é consenso que balas sem marcação dificultam a fiscalização e o rastreio.
Anote para cobrar
Ao pedir mais tempo para investigar o financiamento do filme Dark Horse, a Polícia Federal adia a conclusão das apurações para os primeiros dias do próximo governo. Seja quem for, será o momento de conhecer a verdade.
Aliás…
A questão das armas e ideia de alguns do entorno de Flávio de retomar as bets representam um problema junto ao eleitorado evangélico. É por aí que petistas ligados a esse segmento irão atuar nesta semana.
Fique por lá…
… mas não como “exilado”. Os deputados do PL começam a brigar pelos ministérios. Embora o candidato tenha dito que Eduardo Bolsonaro não será chanceler, nada foi dito nesse sentido sobre embaixador nos Estados Unidos. Aliás, se Flávio for eleito dia 25, é este o cargo que amigos do filho 03 pretendem que ele ocupe.
“Fora do ar”/ O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto (foto), avisou a amigos que não acompanhará Flávio ao debate da Band, hoje à noite. A ordem é ficar mergulhado. Valdemar tem deixado o bolsonarismo solto na condução da campanha, e a montagem de estratégia a cargo daqueles mais próximos do candidato.
Cada um ao que interessa/ A oposição a Lula está usando cortes da entrevista à Globo para dizer que ele não liga muito para o Bolsa Família, porque disse não saber da falta de reajuste dos valores. Da parte dos aliados do presidente, viralizou nas redes a parte em que Flávio diz que, com o fim da escala 6 x 1, o trabalhador terá mais um dia de folga para andar de ônibus e ser assaltado. Flávio tropeçou feio aí, uma vez que o policiamento é responsabilidade pelos governos estaduais e guardas municipais. Ou seja, não dá para culpar Lula.
Continua nas redes/ Quem procura “Flávio Bolsonaro 2026” nas redes sociais ainda verá um video produzido por inteligência artificial de Xuxa Meneguel, em que a rainha dos baixinhos, ainda do primeiro turno, onde aparece “dizendo” para não votar em Lula. Xuxa já desmentiu, mas a postagem ainda está por lá.
Favorito/ Flávio segue hoje para o debate na condição de líder de quase todas as pesquisas e com a vantagem nas urnas em primeiro turno. O que torna esse confronto da Band o mais importante é que tudo o que for dito hoje poderá reverberar nas redes nesta última semana de campanha. O último debate, na Globo, na sexta-feira, não tem o mesma chance de impactar grande quantidade de eleitores.

