Cosette Castro & Daniele Cupertino
Brasília – Hoje não é um dia qualquer. 15/06 é o dia mundial contra a violência sobre as pessoas idosas e o país precisa falar e escrever muito sobre o tema.
No Brasil, haverá diferentes manifestações espalhadas pelo país. Entre elas, caminhada em São Paulo, lives, entrevistas, Pré-Conferência Livre dos Direitos das Pessoas Idosas na Associação de Idosos de Taguatinga/DF. E a noite o Congresso Nacional será iluminado chamando atenção contra a violência e o preconceito.
Todas essas manifestações não ocorrem por acaso. Junto com o rápido processo de envelhecimento da população – somos 36 milhões segundo o IBGE (2026) – crescem as denúncias de violência contra as pessoas 60+.
Segundo o Atlas da Violência (IPEA/FBSP, 2026) houve um aumento de 226,3% na última década. E essa violência ocorre na maior parte dos casos dentro de casa, no núcleo familiar atingindo com mais força as mulheres. Ou seja, as mulheres brasileiras seguem sofrendo violências e ameaças, mesmo aos 60, 70 e 80 anos ou mais.
Hoje o Blog abre espaço para mais uma convidada especial no Junho Violeta: a médica Daniele Cupertino. Ela é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) no Distrito Federal.
Daniele Cupertino – “Envelhecer precisa ser sinônimo de respeito e segurança, mas, infelizmente, a realidade no Brasil ainda mostra milhares de pessoas idosas que sofrem caladas, quase sempre dentro da própria casa.
Embora o tema tenha ganhado maior visibilidade nos últimos anos, a violência sempre foi motivo de preocupação devido às diversas formas pelas quais ela se manifesta e ao seu impacto na saúde, na dignidade e na qualidade de vida.
A violência nem sempre deixa marcas visíveis. Ela pode se manifestar no silêncio, na negligência, no abandono, na exclusão social, no controle financeiro, na infantilização e também na desvalorização da autonomia e das decisões da pessoa idosa. Muitas vezes, esses comportamentos são naturalizados no cotidiano, tornando a violência ainda mais difícil de ser identificada e enfrentada.
Envelhecer é uma conquista. Garantir a dignidade de quem envelhece é obrigação de todos nós. Precisamos mudar isso juntos e é possível começar com atitudes bem simples:
1.Ouça de verdade e respeite as opiniões das pessoas idosas
2.Incentive a autonomia. Deixe que a pessoa idosa faça o que ainda consegue fazer
3.Preste atenção em sinais de isolamento ou tristeza
4.Acolha em vez de julgar
A proteção familiar, social e do Estado precisam que caminhar juntas. Caso você tenha visto ou suspeite de alguma coisa que possa caracterizar violência contra uma pessoa idosa, não feche os olhos e não se cale.
Ligue para o Disque 100. É um serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) dedicado a receber, analisar e encaminhar denúncias de violações de Direitos Humanos. O Disque 100 tem funcionamento gratuito e anônimo, 24 horas por dia.
Conviver com respeito, sem discriminação, e cuidar das pessoas idosas é fundamental para construir uma sociedade que estimule a dignidade, que acolha, proteja e valorize as pessoas idosas em todos espaços de convivência.
Uma sociedade que respeita suas pessoas idosas é uma sociedade que valoriza sua própria história, fortalece seus vínculos e constrói um futuro mais humano para todas as idades.”
Para Marcar na Agenda
Esta semana em Brasília acontecerá a 6a. Conferência Livre dos Direitos das Pessoas Idosas no dia 19/06, pela manhã, na sede do Cofen, localizado na Entrequadra 208 Sul. Lá serão aprovadas as propostas oriundas de quatro regiões administrativas do Distrito Federal. A organização é do Fórum Distrital em Defesa dos Direitos das Pessoas Idosas e parceiros, entre eles o Coletivo Filhas da Mãe.
E no domingo, 21/06, acontecerá a 4a. Caminhada em Defesa das Pessoas Idosas. A 4a. Caminhada vai acontecer no Eixão Norte, a partir das 8h30, saindo da 205 Norte em frente da Delegacia da Criança e do Adolescente. A 4a. Caminhada é organizada pelo Coletivo Filhas da Mãe e parceiros. Esperamos você!
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