Cosette Castro
Brasília – Domingo foi dia de assistir o jogo final da Copa do Mundo de Futebol. Uma partida repleta de lances emocionantes.
Neste ano, diferente dos anteriores, não torci pela América Latina nem pela vizinha Argentina. Apesar do pai da minha filha ser portenho (quem nasceu na Capital, Buenos Aires) e de ter amigos queridos no vizinho país.
E esse foi um dos motivos pelos quais não torci pela Argentina, onde o presidente Milei cortou direitos sociais, proíbe manifestações e tenta calar o povo argentino.
Uma vitória da Argentina iria além do campo de futebol. Seria também a vitória simbólica de Milei e de Donald Trump, presidente do país sede da Copa. Eles são autoridades que não respeitam os direitos humanos da população, entre eles os imigrantes. Logo os EUA, um país que foi construído e ainda hoje é sustentado por imigrantes.
A Argentina, eterna rival do Brasil no futebol, mostrou em campo seu estilo guerreiro, catimbeiro e também violento. Mas não conseguiu barrar a Espanha. O país europeu, que tem se destacado pela defesa dos direitos humanos, atacou o tempo todo, fez um jogo limpo, sem cometer faltas graves. E, principalmente, mostrou que um outro futebol é possível, com jogo e trabalho em equipe e com leis contra o racismo no futebol que funcionam.
Não foi possível torcer pela Argentina quando os torcedores nos estádios fizeram gestos de macaco para jogadores negros de equipes de outros países.
Não é possível quando a torcida argentina repete cenas racistas nos jogos da Copa Libertadores na Argentina e no Brasil sem que os jogadores do país vizinho se manifestem publicamente. Eles, que são adorados por suas torcidas, deveriam ser os primeiros a dar o exemplo, a defender os colegas de outras equipes e se manifestar publicamente contra o racismo e a xenofobia, o preconceito contra imigrantes.
Ou quando a música racista e xenófoba de 2024 cantada pela torcida e pelos jogadores da Argentina é cantada de novo por torcedores argentinos em 2026 nos EUA. E, pior, quando o capitão da equipe, Leonel Messi, segue calado.
O episódio da música cantada no ônibus da equipe Argentina em 2024 correu o mundo pela internet. A ofensa ao jogador francês Mbappé foi gravada em vídeo pelo jogador Enzo Fernández.
Ele pediu desculpas depois de participar da música racista contra Mbappé e os atletas da seleção francesa. Mas também é verdade que o Subsecretário de Esportes da Argentina, Júlio Garro, solicitou piblicamente ao capitão do time, Messi, que pedisse desculpas em nome da equipe, algo que Messi nunca fez. Já o subsecretário foi demitido em menos de uma semana pelo presidente Milei.
Ontem também foi o dia de se despedir de Leonel Messi, 39 anos. Foi sua última Copa do Mundo. Apesar de ser um jogador excelente, é um homem que restringe o mundo dentro do campo. Ele era o capitão com poder de chamar a atenção da torcida e se manifestar contra o racismo e a xenofobia, mas que nunca o fez.
Apesar de ser um astro, ele é diferente de Maradona que, além de ter sido um grande jogador, tinha clareza e posicionamento sobre sua origem. Ele sabia que futebol não se restringe ao jogo e ao campo. Messi também sabe.
Julho das Pretas
No Brasil, a 14ª edição do Julho das Pretas 2026 tem como tema “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”. A agenda nacional conta com mais de 600 atividades distribuídas no país. Há participação de centenas de movimentos sociais contra o racismo e a igualdade de direitos.
O Julho das Pretas foi criado em 2013 em referência ao 25 de Julho quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Afro-Latino-Americana, Afro-Caribenha e da Diáspora. Saiba mais no Instagram @julhodaspretas.
No Distrito Federal as ações estão relacionada ao tema “Escrevivências do Bem Viver”, homenageando a escritora Conceição Evaristo.
No Coletivo Filhas da Mãe a edição de julho do programa de entrevistas TERCEIRAS INTENÇÕES terá como convidada Lenny Blue de Oliveira. Ela é advogada e uma das criadoras Movimento Negro Unificado (MNU). O programa vai tratar sobre envelhecimento e racismo.
O Programa TERCEIRAS INTENÇÕES é apresentado pela jornalista Mônica Carvalho e vai ao ar ao vivo, na terça-feira, dia 21/07, das 19 às 20h, no canal do YouTube Coletivo Filhas da Mãe. Link aqui
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