Cosette Castro
Brasília – O Brasil vive tempos de rápido crescimento da população com 60 anos ou mais (60+). Ao mesmo tempo, convive com constantes tentativas de apagamento social das pessoas idosas.
Somos 36 milhões de pessoas 60+ (IBGE, 2026). Destes, cerca de 500 mil vivem no Distrito Federal (DF) e representam 14% da população local. Apesar disso, até hoje não existe no DF uma Secretaria da Pessoa Idosa nem recursos para essa população.
Não, não é fácil ser envelhecer no Brasil. Para além da negação da velhice e do preconceito diário contra pessoas idosas, faltam políticas públicas, orçamento em nível nacional e formação de profissionais preparados para acolher a rápida mudança demográfica que está ocorrendo.
Ainda assim, os movimentos sociais seguem mostrando a sua força e estimulando a participação das pessoas 60+. Ontem por exemplo, tive a oportunidade de coordenar o Eixo Desafios do Cuidado na Pré-conferência Livre dos Direitos das Pessoas Idosas do Distrito Federal.
A Pré-Conferência aconteceu na Associação Maria Conceição (ASMAC) do Gama e foi a terceira de quatro Pré-conferências nos territórios. As duas primeiras aconteceram na Ceilândia e no Paranoá e a quarta Pré-Conferência vai ocorrer na Associação dos Idosos de Taguatinga, no dia 15/06, a partir das 14h.
O ponto alto das atividades será a realização da 6a. Conferência Livre dos Direitos das Pessoas Idosas do Distrito Federal na sexta-feira, 19/06. Ela vai ocorrer na sede do Conselho Federal de Enfermagem (Coren) onde serão votadas as propostas aprovadas nos quatro encontros.
A organização das Pré-conferências e da 6a. Conferência Livre está a cargo do Fórum Distrital dos Direitos das Pessoas Idosas do qual o Coletivo Filhas da Mãe é parceiro desde 2020. Além do Eixo Desafios do Cuidado também estão sendo debatidas propostas no Eixo Idadismo e no Eixo sobre Precarização dos Serviços no Distrito Federal.
É estimulante participar, ao lado de outros parceiros, de um espaço vibrante de discussão sobre políticas públicas para o envelhecimento no território e sobre cuidado coletivo com pessoas que vivenciam a velhice sem ter medo ou vergonha da idade.
Trata-se de um espaço importante para que as pessoas idosas definam o futuro que desejam para o seu território e para o Distrito Federal.
Nos relatos da Roda de Conversa de quinta-feira, 11/06, as pessoas idosas, com idades entre 65 e 92 anos, falaram sobre a urgência de transformar o Gama e as demais 34 Regiões Administrativas do DF em cidades acessíveis e inclusivas para as pessoas idosas. A maioria delas, assim como 42% dos brasileiros maiores de 60 anos, têm medo de cair na rua por causa da falta de manutenção das calçadas ou mesmo pela inexistência delas.
A solidão e o sofrimento mental também foram temas relatados durante a Pré-Conferência no Gama. E para combate-los, os participantes sugeriram o aumento de Centros de Convivência públicos para evitar adoecimento. Também propuseram o aumento dos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS) e o aumento dos profissionais da área da saúde e da saúde mental para o atendimento da população 60+.
A Política Nacional de Cuidados foi discutida entre as pessoas idosas do Gama. Elas reconhecem a sua urgência e apoiam a criação da Secretaria de Cuidados do Distrito Federal, assim como a adesão do DF ao Plano Nacional de Cuidados (PNC) . O Plano começou a ser implementado no país no começo de 2026.
No mês de conscientização sobre a violência contra as pessoas idosas, é gratificante acompanhar as reflexões e a experiência das pessoas 60+, em sua maioria mulheres. Para elas e eles, cuidado é participação, é encontro e convivência.
É vida.
PS: Este domingo, 14/06, vamos participar do lançamento do Dia das Trilhas Ecológicas/DF no Parque Águas Claras em apoio ao parceiro Grupo Caminhadas Brasília (GCB). Depois haverá CAMINHADA e haverá lanche compartilhado. Sairemos às 8h de Brasilia. Ponto de encontro: entrada principal do Parque, em frente ao Colégio Objetivo em Águas Claras.
Atenção: A Caminhada em Defesa das Pessoas Idosas 2026 vai acontecer no próximo domingo, dia 21/06, depois da 6a. Conferência Livre.
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