Os impactos das Eleições de 4 de Outubro

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O futuro político do Brasil passará por transformações profundas logo após a contagem final dos votos deste pleito. Portanto, independentemente do resultado verificado nas urnas, nem a esquerda nem a direita sairão deste processo eleitoral do mesmo modo que entraram.

VISTO, LIDO E OUVIDO
Coluna criada em 1960 por Ari Cunha (In memoriam) no Correio Braziliense

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Nesse cenário de intensas transformações, observaremos o crescimento expressivo de um lado e a diminuição gradual do outro. Alternativamente, nenhum dos dois grupos exercerá um protagonismo tranquilo no poder. Afinal, a forte polarização política no país impede que qualquer governante eleito trabalhe sem enfrentar intensos entraves cotidianos da oposição.

O País que Sairá das Urnas e o Futuro Político do Brasil

Certamente, o país chega a este pleito sob uma visível sensação de esgotamento institucional e social. A disputa atual entre esquerda e direita vai muito além de debates puramente acadêmicos. Atualmente, esse confronto se manifesta nas ruas, nas conversas cotidianas e nas redes sociais de forma visceral.

Consequentemente, o eleitorado manifesta ressentimentos acumulados ao longo dos últimos anos. A população percebe que o destino imediato da nação depende diretamente do combate ideológico travado no ambiente político. Todavia, a realidade socioeconômica impõe desafios muito mais complexos do que a simples retórica partidária.

Por conseguinte, a população exige soluções imediatas para garantir a estabilidade do poder de compra, do trabalho, da segurança e da educação. Além disso, o cidadão busca segurança jurídica e eficiência administrativa por parte do Estado.

O Desgaste da Esquerda e a Redefinição de Forças

Historicamente, a hegemonia das esquerdas se estendeu por mais de duas décadas no cenário nacional. Contudo, essa força política enfrenta agora um desgaste contínuo e acelerado diante dos eleitores. Essa perda de espaço não decorre unicamente da atuação direta da oposição.

Pelo contrário, esse desgaste resulta diretamente de escolhas econômicas equivocadas adotadas pela má gestão pública. Ademais, episódios sucessivos de corrupção abalaram a confiança popular nas instituições governamentais. De fato, o cidadão comum reage às condições diárias do seu orçamento doméstico.

A Ascensão da Direita no Futuro Político do Brasil

Paralelamente, a ascensão da direita ocorreu de forma marcante e estruturada no ambiente político nacional. Esse grupo conquistou uma desenvoltura própria e conta com um expressivo apoio de diversos setores populares. Por essa razão, a antiga hegemonia de esquerda encontra-se verdadeiramente em xeque nestas eleições.

Nesse contexto, a sociedade civil demonstra um amadurecimento significativo em relação aos discursos partidários. De forma geral, os cidadãos rejeitam narrativas puramente ideológicas ou simplistas. Ao mesmo tempo, os eleitores cobram transparência na gestão dos recursos públicos de maneira incisiva.

Dessa maneira, a nova direita ganha espaço ao defender propostas de liberdade econômica e rigor fiscal. Consequentemente, o eleitor exige que a máquina pública funcione com eficiência máxima para atender aos anseios dos contribuintes que pagam os impostos mais altos do universo.

O Combate à Corrupção e a Transparência Pública

Além da questão fiscal, a corrupção continua figurando entre os temas centrais de indignação nacional. Historicamente, os escândalos recorrentes corroeram a credibilidade dos órgãos públicos de forma profunda. Portanto, a sociedade exige mecanismos rigorosos de controle e punição aos desvios de recursos.

Afinal, a população não tolera mais a seletividade no combate aos crimes contra o patrimônio público. Consequentemente, as instituições de fiscalização precisarão atuar de maneira independente e transparente. Apenas assim o governo conseguirá resgatar a confiança indispensável dos cidadãos e dos investidores internacionais.

Assim, o cumprimento estrito das leis torna-se o único caminho viável para assegurar a estabilidade institucional no futuro político do Brasil.

Pragmatismo, Ética e os Desafios do Novo Governo

A princípio, o eleitorado demonstrou um amadurecimento inequívoco ao longo deste pleito de 4 de outubro. Os cidadãos exigem responsabilidade fiscal, conduta ética e resultados concretos em prazos curtos. Dessa maneira, qualquer projeto de poder desconectado das reais necessidades populares ruirá com rapidez.

Em suma, o governante escolhido enfrentará um cenário com pouquíssima margem para erros na gestão econômica. O tempo das promessas demagógicas e dos subterfúgios discursivos esgotou-se definitivamente no país. Em conclusão, a legitimidade da próxima gestão dependerá exclusivamente da entrega de emprego, renda, estabilidade e segurança jurídica.

Por fim, o futuro político do Brasil dependerá da coragem do novo governante para implementar as reformas necessárias e construir uma nação próspera e justa.

A Frase Pronunciada

“Ditadores não têm interesse em permitir eleições que possam destituí-los do poder.”

— Gene Sharp

História de Brasília

A pena de tudo isto é, ainda, porque Claudionor Machado é ex-pracinha, tem medalha de campanha, e o presidente do IAPB não hesitou em jogá-lo na rua. É uma injustiça que o Ministro da Guerra bem poderia corrigir em despacho com o presidente da República. Há decreto amparando os ex-combatentes. (Publicada em 26.05.1962)

Hipertrofismo do Judiciário compromete a futura governabilidade e o equilíbrio da República

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Você não precisa ser nenhum vidente em predições do futuro. Além disso, não precisa ser um embasado especialista em ciências políticas para antever o cenário. Caso o futuro presidente não esteja devidamente alinhado ideologicamente com a maioria dos ministros do Supremo, governar será um exercício demasiadamente estressante. De fato, haverá impossibilidades reais de mando no Poder Executivo. O visível hipertrofismo do Judiciário molda hoje os rumos do país.

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O hipertrofismo do Judiciário nas eleições

Tais são as seguidas interferências dessa corte desde o início da campanha. Por conseguinte, a situação toda tem levado a maioria da população a entender algo grave. O Supremo tornou-se o principal personagem dessas eleições. Dessa forma, a corte possui mais protagonismo do que os próprios candidatos.

Por conseguinte, as evidências mostram um nítido hipertrofismo do Judiciário entre os poderes da República. Isso, mesmo na visão mais otimista dos constitucionalistas, não deverá acabar bem. Pesquisas do Instituto AtlasIntel apontam que mais de 51% dos eleitores percebem uma interferência excessiva do STF na política nacional.

“A Suprema Corte não pode agir como um poder político alternativo, sob pena de esvaziar a vontade das urnas.” — Prof. Ives Gandra Martins, jurista e constitucionalista

Com isso, fica mais uma vez constatado o antigo dizer popular. Um homem ou grupo só mostra seu caráter por completo quando recebe poder sobre outros indivíduos. Não há garantias para quem quer que seja diante de uma situação como essa. Ou seja, indivíduos ou um pequeno grupo se arvoram em ditar os rumos nacionais. A grande maioria das pessoas sequer lhes concedeu poder para tal tarefa.

O avanço do STF e a incerteza do futuro

Portanto, não chega a ser exagero afirmar que toda uma nação segue tateando no escuro. O país espera uma saída para essa situação surreal. O cenário atingiu os píncaros da excentricidade institucional.

Em contrapartida, o que há hoje é um medo profundo diante do futuro. Não há dúvidas de que caminhamos para um processo de ruptura. Isto ocorrerá se nada for feito para libertar a nação deste verdadeiro labirinto do Minotauro.

Dados do Anuário da Justiça indicam que o STF julga mais de 80 mil processos por ano. Esse volume contrasta drasticamente com a Suprema Corte dos Estados Unidos, que analisa cerca de 80 casos anualmente. Consequentemente, essa hiperatividade gera um volume colossal de intervenções nas decisões do Congresso e da Presidência.

A quebra do sistema de freios e contrapesos

A origem dessa encruzilhada reside no paulatino desmanche do arranjo tripartite concebido para equilibrar a República. O sistema originalmente deveria funcionar como uma engrenagem de freios e contrapesos. No entanto, transformou-se em uma balança viciada.

Nessa nova estrutura, um único prato acumula o peso da caneta, da interpretação final e da execução sumária de decisões. O cidadão comum, ao se dirigir às urnas, nutre a ilusão de estar escolhendo os diretores do país. Contudo, ele assiste à anulação sistemática de prerrogativas dos outros Poderes por expedientes canetados em gabinetes fechados. Assim, ele descobre que o sufrágio universal virou uma formalidade decorativa.

“O Judiciário é o guardião da Carta Magna, mas não pode se tornar seu único autor e intérprete absoluto.” — Ministro Marco Aurélio Mello, ex-vice-presidente do STF

A ascensão da oligarquia togada no Brasil

Esse agigantamento não ocorre por acaso. Ao contrário, resulta de uma ocupação progressiva de espaços que a própria classe política deixou abertos. A classe política, fragilizada e acuada por inquéritos, recuou sucessivamente.

O resultado direto é a consolidação de uma oligarquia togada. Essa casta não presta contas a ninguém e tampouco submete seus integrantes ao crivo das urnas. Da mesma forma, esse grupo não padece dos riscos da rejeição popular.

Quando o julgamento técnico cede lugar à militância política travestida de direito, a lei deixa de ser um porto seguro. Em vez disso, transforma-se em uma teia tecida para enredar adversários e blindar aliados. Criou-se um estado de exceção permanente sob o pretexto de defesa das instituições. Nesse ambiente, a própria Constituição é rasgada em nome de sua suposta proteção.

A vassalagem institucional do Poder Executivo

Sob essa ótica, o exercício do cargo do próximo governante não passará de uma vassalagem institucional. O hipertrofismo do Judiciário inviabilizará a governabilidade diária.

Qualquer plano de governo e qualquer diretriz aprovada pelo voto popular sofrerão bloqueios. Da mesma maneira, qualquer medida provisória desenhada na esplanada dos ministérios correrá o risco diário de engavetamento. Bastará uma decisão individual de um único magistrado para paralisar o país.

       CONGRESSO NACIONAL           PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
      (Propostas e Leis)               (Atos Executivos)
               │                               │
               └───────────────┬───────────────┘
                               │
                               ▼
                   SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
             (Decisões Monocráticas & Veto Final)
                               │
                               ▼
                  PARALISIA ADMINISTRATIVA

Instala-se, assim, a paralisia administrativa plena. Governar deixa de ser a busca pela concretização de promessas de campanha. Torna-se, em vez disso, uma maratona humilhante de pedidos de vênia. O chefe do Executivo operará sob a constante espada de Dâmocles de um processo ou de uma cassação iminente.

“Governar tornou-se um ato de permanente negociação cautelar com o STF, onde o mandato popular perdeu sua força originária.” — Declaração recorrente em debates da campanha presidencial de 2022

O esgotamento do contrato social brasileiro

É preciso encarar sem rodeios a extrema gravidade do momento. Nenhuma sociedade prospera ou se mantém coesa quando a imprevisibilidade jurídica vira norma. Ademais, uma nação degrada-se quando a vontade soberana do povo é substituída pelo arbítrio de um punhado de iluminados.

O sentimento de desamparo que hoje ecoa das ruas não nasce de histeria coletiva. Pelo contrário, surge da constatação direta de que o contrato social foi quebrado unilateralmente. A nação foi empurrada para um beco sem saída.

O país tornou-se refém de um ecossistema punitivo e sufocante. Esse modelo restringe a liberdade de expressão, atropela o devido processo legal e trata qualquer discordância como ameaça à ordem constitucional.

Os caminhos para restaurar os limites constitucionais

O desfecho dessa crise não virá do conformismo ou da passividade. As ilegalidades não podem continuar sendo naturalizadas pela sociedade civil.

Se as lideranças políticas continuarem anestesiadas, a ruína das liberdades individuais será inevitável. Aceitar o papel de meras espectadoras dessa usurpação de poder custará caro ao país.

     1. Fim das decisões monocráticas sobre leis federais
2. Fixação de mandatos por tempo determinado no STF
3. Respeito estrito ao devido processo legal





A frase que foi pronunciada:
“Ditadores não têm interesse em permitir eleições que possam destituí-los do poder.”
Gene Sharp


História de Brasília
A pena de tudo isto é, ainda, porque Claudionor Machado é ex-pracinha, tem medalha de campanha, e o presidente do IAPB não hesitou em jogá-lo na rua. É uma injustiça que o Ministro da Guerra bem poderia corrigir em despacho com o presidente da República. Há decreto amparando os ex-combatentes. ( Publicada em 26.05.1962)

Crise nos Poderes da República Altera Cenário Político do País

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Você não precisa ser nenhum vidente em predições do futuro. Do mesmo modo, não precisa ser especialista em ciências políticas. Portanto, é possível antever uma situação de governabilidade estressante. De fato, a crise nos poderes da República se intensifica quando o futuro presidente não possui alinhamento ideológico com os ministros do Supremo Tribunal Federal. Consequentemente, governar torna-se um exercício cheio de impossibilidades reais no Executivo. Além disso, as seguidas interferências desta Corte ocorrem desde o início da campanha. Por isso, a maioria da população entende hoje que o Supremo atua como o principal personagem destas eleições. Assim, possui mais protagonismo do que os próprios candidatos.

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O Hipertrofismo do Judiciário e a Ausência de Garantias

Há, de fato, como as evidências mostram, um nítido hipertrofismo do Judiciário entre os poderes da República. Por conseguinte, mesmo na visão mais otimista dos constitucionalistas, a situação não deverá acabar bem.

Com isso, fica mais uma vez constatado o antigo dizer popular. Um homem ou grupo só mostra seu caráter por completo quando recebe poder sobre outros indivíduos. Portanto, não há garantias para quem quer que seja diante de uma situação como essa. Afinal, um pequeno grupo se arvora em ditar os rumos para uma grande maioria de pessoas. Além disso, essa população sequer concedeu tal poder a esses magistrados.

O Surrealismo Político e o Sentimento de Insegurança

Com isso, não chega a ser exagero afirmar um fato grave. Toda uma nação segue tateando no escuro à espera de saída. Todavia, enfrentamos uma situação surreal que chegou aos píncaros da excentricidade. Atualmente, segundo dados da Associação dos Magistrados Brasileiros, o número de processos pendentes no país ultrapassa a marca de 80 milhões de ações. Por causa desse cenário, existe hoje um medo latente diante do futuro.

O Desmanche dos Freios e Contrapesos na Crise nos Poderes da República

A origem dessa encruzilhada reside no paulatino desmanche do arranjo tripartite. Esse modelo foi originalmente concebido para equilibrar a República. Entretanto, o sistema original de freios e contrapesos transformou-se em uma balança viciada. Nesse arranjo, um único prato acumula o peso da caneta, da interpretação final e da execução sumária de decisões.

O cidadão comum, ao se dirigir às urnas, nutre uma ilusão. Ele acredita que está escolhendo os diretores dos destinos do país. Contudo, assiste à anulação sistemática de prerrogativas do Executivo e do Legislativo. Essas medidas ocorrem por expedientes canetados em gabinetes fechados. Dessa forma, descobre que o sufrágio universal virou uma mera formalidade decorativa.

A Fantasia Jurídica e o Estado de Exceção

O julgamento técnico cede lugar à militância política travestida de direito. Desse modo, a lei passa a ser uma teia tecida para enredar adversários e blindar aliados. Além do mais, criou-se um estado de exceção permanente. Este estado foi codificado sob o pretexto de defesa das instituições. Em razão disso, a própria Constituição é rasgada em nome de sua suposta proteção.

A Paralisia Administrativa Decorrente da Vassalagem Institucional

Qualquer plano de governo correrá o risco diário de ser trancado na gaveta. Do mesmo modo, diretrizes aprovadas pelo voto popular e medidas provisórias sofrem o mesmo impacto. Isso ocorre por decisão individual de um único magistrado.

Por consequência, instala-se a paralisia administrativa no país. Governa-se não mais pela busca da concretização de promessas de campanha. Pelo contrário, o ato de governar torna-se uma maratona humilhante de pedidos de vênia. Tais concessões operam sob a espada de Dâmocles de um processo ou de uma cassação iminente.

Cidadãos Perdidos no Tempo e o Futuro das Liberdades

O sentimento de desamparo que hoje ecoa das ruas não é fruto de histeria coletiva. Trata-se, de fato, da constatação direta de que o contrato social foi quebrado unilateralmente. A nação foi empurrada para um beco sem saída. Ademais, tornou-se refém de um ecossistema punitivo e sufocante. Esse sistema sufoca a liberdade de expressão, atropela o devido processo legal e trata qualquer discordância como ameaça à ordem.

O desfecho dessa crise nos poderes da República não virá do conformismo. Tampouco surgirá da passividade com que as ilegalidades foram naturalizadas. As lideranças políticas e a própria sociedade civil não podem continuar anestesiadas. Se aceitarem o papel de meras espectadoras dessa usurpação de poder, a ruína total das liberdades individuais será apenas uma questão de tempo.

Portanto, romper o cerco desse labirinto exige a restauração imediata dos limites constitucionais. Igualmente, exige a coragem de reenquadrar cada poder dentro de suas devidas atribuições. Devemos agir antes que a sombra do autoritarismo judicial se feche definitivamente sobre o país, sepultando o que resta de nossa soberania popular.

A frase que foi pronunciada:

“Os maiores detratores dos governos são aqueles que pretendem governar.”

Marquês de Maricá

História de Brasília

Uma particularidade da campanha do Agasalho foi visivelmente comentada na sede das Pioneiras. No bolso de um paletó ofertado foi encontrada uma dentadura. O objeto está à disposição do dono. (Publicada em 26.05.1962).

População idosa no Brasil: Os desafios demográficos e a força do voto da geração de ouro

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Eleições e a borracha do esquecimento

A estrutura demográfica brasileira passa por uma transformação profunda e acelerada. Essa mudança estrutural redefine totalmente os rumos das políticas públicas e da economia nacional. Portanto, o crescimento acelerado da população idosa no Brasil exige respostas urgentes e bem planejadas por parte do Estado.

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O Crescimento da População Idosa no Brasil Segundo o Censo do IBGE

De acordo com dados oficiais do Censo do IBGE de 16 anos atrás o país registrava pouco mais de 20,5 milhões de idosos. Em contrapartida, os resultados definitivos do Censo de 2022 revelam que esse número saltou para 32.113.490 pessoas. Consequentemente, o contingente de cidadãos com 60 anos ou mais cresceu mais de 56% nesse período. Assim, esse grupo alcançou a marca de 15,6% da população total do país.

Além disso, levantamentos estatísticos mais recentes do IBGE demonstram que essa parcela continuou a avançar rapidamente. Atualmente, os idosos já atingiram a expressiva marca de 16,6% da população nacional. Por conseguinte, esse novo perfil social impõe desafios complexos e imediatos para todas as esferas de governo.

Especialistas em demografia e saúde pública destacam o aumento expressivo da longevidade no país. Com efeito, a expectativa de vida ao nascer já supera os 76 anos de idade. No entanto, essa maior longevidade traz consigo uma prevalência elevada de doenças crônicas. Dessa forma, o país exige um sistema de saúde pública estruturado para o atendimento especializado e contínuo.

A Força Eleitoral dos Idosos nas Eleições e a Geração Prateada

Paralelamente às transformações demográficas, a participação política da terceira idade atingiu um nível histórico inusitado. Dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o eleitorado com 60 anos ou mais superou 37,4 milhões de votantes. Consequentemente, esse grupo representa cerca de 23,2% de todo o eleitorado apto no país.

Dessa maneira, a chamada Geração Prateada ultrapassou com folga o contingente de jovens eleitores de 16 a 24 anos. Atualmente, os idosos representam quase o dobro dos votantes jovens nas urnas. Portanto, a importância das eleições passa inevitavelmente pelo peso decisivo do voto idoso nas urnas brasileiras.

Mesmo nos casos onde o voto torna-se opcional para pessoas acima de 70 anos, a adesão continua muito elevada. Por isso, candidatos e partidos políticos precisam obrigatoriamente incluir pautas sobre longevidade em suas plataformas governamentais. Afinal, a população idosa no Brasil possui o poder real de definir os rumos das eleições municipais e estaduais.

Eleições de 2026 em mar revolto

Pressão sobre a Previdência Social e Sustentabilidade Fiscal

Um dos pontos mais críticos do envelhecimento populacional recai sobre o sistema de previdência social. Nas últimas décadas, a proporção de pessoas em idade ativa por idoso caiu de forma expressiva. Por essa razão, a expansão da população idosa no Brasil pressiona fortemente as contas públicas. Portanto, os gestores precisam buscar novas fórmulas econômicas para garantir a sustentabilidade de aposentadorias e pensões sem comprometer o orçamento fiscal.

Da mesma forma, economistas e gestores afirmam que a resolução do problema exigirá aportes massivos de recursos. Além disso, o cenário atual requer inovações institucionais urgentes no Poder Executivo e no Legislativo. Entre as alternativas debatidas, destaca-se a criação de um ministério exclusivo para a gestão de políticas públicas da terceira idade.

“A Frente Parlamentar pretendida visa evidenciar à sociedade brasileira que ela envelhece e precisa agir de acordo. Costumamos nos orgulhar da juventude de nossa população, no que estamos certos. Porém, é certo não se enganar tomando a parte pelo todo e não caracterizar toda a sociedade por apenas um segmento.” Proponentes da Frente Parlamentar da Terceira Idade

Com essa declaração, os parlamentares ressaltam a urgência de criar marcos regulatórios adequados para a nova pirâmide etária nacional.

Infraestrutura Urbana, Acessibilidade e Cuidados de Longa Duração

Do mesmo modo, o planejamento das cidades precisa passar por uma reformulação total. O objetivo principal é acolher os idosos com segurança, dignidade e autonomia nos espaços urbanos. Assim, a adaptação da mobilidade urbana e dos transportes públicos torna-se uma premissa fundamental. Essa reestruturação garante a manutenção de bons Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) nos municípios.

Além do transporte, a demanda por serviços de cuidados de longa duração cresce de forma exponencial. Por conseguinte, o país precisa expandir as redes de apoio domiciliar e as instituições de longa permanência. Da mesma maneira, as cidades devem oferecer suporte emocional e físico adequado para combater o isolamento social. Nesse sentido, os governos devem promover a inclusão ativa por meio de programas de educação continuada.

Ao mesmo tempo, os setores empresariais encontram nesse cenário um nicho estratégico de grande relevância. Desta forma, empresas investem na adaptação de produtos, serviços e espaços comerciais voltados ao atendimento desse público.

A frase que foi pronunciada:

Antes das eleições os candidatos tem muitos predicados, mas é depois que se conhece o sujeito.

Rutra Larama

História de Brasília

“O Ministro Sampaio Costa entregou, ontem, a sala dos Advogados no Bloco 6 da Esplanada dos Ministérios. Foi homenagear os advogados e recebeu consagradora manifestação, transferindo a homenagem para a pessoa do presidente do Tribunal Federal de Recursos.”

Publicada em 25.05.1962 no Correio Braziliense

A Areia Movediça da República: A Polarização Política no Brasil e o Esgotamento Institucional

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A imagem ilustra a metáfora da "Areia Movediça da República", mostrando as instituições e a sociedade civil afundando em meio ao caos gerado pela polarização política e pela desinformação.

Se você ainda não rompeu com amigos ou familiares por motivos eleitorais, aproveite este momento. Portanto, o tempo para a sanidade prevalecer parece escasso. Antigamente, tal afirmação soaria como um exagero retórico. Hoje, no entanto, ela retrata um cenário surreal de antagonismo na sociedade contemporânea. A polarização política no Brasil tensiona o tecido social ao limite. Dessa forma, uma lógica binária elimina qualquer chance de diálogo ou consenso. Segundo pesquisas recentes do Datafolha, cerca de 82% dos brasileiros relatam desgaste nas relações pessoais devido a divergências ideológicas.

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A Origem da Polarização Política no Brasil: Dividir para Dominar

Quem observa a história reconhece a raiz desse fenômeno social. Trata-se da antiga estratégia de poder: dividir para dominar. Infelizmente, essa tática funciona com precisão matemática para impedir a pacificação nacional.

Ao longo da última década, os atores políticos cultivaram a discórdia no país. Assim, transformaram o mote “nós contra eles” em uma verdadeira ferramenta ideológica de controle.

Consequentemente, espalhou-se a ideia de que o adversário político é um inimigo. Não o tratam mais como um concidadão com ideias divergentes sobre o Estado. A meta virou extirpar o opositor da praça pública.

Desde então, a situação desandou completamente no cenário nacional. A retórica inflamada de palanque ganhou corpo de gigante. Por conseguinte, algoritmos e câmaras de eco alimentam esse monstro diariamente. Hoje, a polarização política no Brasil ameaça desabar sobre as instituições a cada novo ciclo eleitoral.

Redes Sociais, Fake News e a Guerra de Narrativas

Atualmente, habitamos um mundo dominado pela ameaça das notícias falsas (fake news). Além disso, enfrentamos uma constante guerra de narrativas no espaço público.

As bolhas ideológicas relativizam o conceito de verdade. Por isso, os fatos objetivos perdem relevância diante de crenças pré-estabelecidas. Dados do Digital News Report do Reuters Institute revelam que 63% dos brasileiros declaram preocupação constante com a desinformação online.

Portanto, a desinformação não representa um mero acidente de percurso. Ela funciona como um modelo de negócios rentável e uma arma de engenharia social.

Neste ecossistema incerto, até os termômetros da nossa democracia falham. Os institutos de pesquisa de opinião encontram sérias dificuldades metodológicas. Por exemplo, eles não capturam com precisão o eleitor escondido. De forma idêntica, sofrem bombardeios sistemáticos contra sua credibilidade.

Assim, a sociedade sente uma vertigem constante. Caminhamos diariamente sobre areia movediça. Em suma, nenhum dado parece sólido para sustentar um debate racional na política brasileira.

A Crise Institucional e a Fadiga Anticorrupção

Nos salões do poder, os líderes travam batalhas retóricas de curto prazo. Contudo, eles esquecem que a base da pirâmide social atingiu seu limite.

A sociedade civil sente exaustão após sucessivas décadas de escândalos de corrupção. A impunidade sempre marcou a formação estatal brasileira. No entanto, o combate à corrupção trouxe reveses históricos em um passado recente. Com efeito, o cidadão alimentou a esperança de ver a lei aplicada a todos.

Todavia, as reviravoltas dramáticas levaram a população ao desespero. Diante da desilusão com o Executivo e o Legislativo, o cidadão busca o Poder Judiciário. A população esperava encontrar no Judiciário um bastião de moralidade e ordem.

Infelizmente, a crise de credibilidade também tragou a última fronteira de segurança institucional. Esse cenário aprofunda ainda mais a polarização política no Brasil.

Os Três Pilares da Vertigem Social

  • Efeito da Desinformação: O Brasil lidera índices globais de uso de redes sociais. Desse modo, o país virou terreno fértil para campanhas de desconstrução de reputações e criação de realidades paralelas.
  • Fadiga Anticorrupção: O país assistiu a um retrocesso sistemático após prisões de figuras poderosas. Como resultado, gerou-se um profundo cinismo na população quanto à eficácia da lei.
  • Insegurança Jurídica: Mudanças repentinas de jurisprudência nos tribunais superiores criam um ambiente imprevisível. Consequentemente, afastam o capital social e a confiança mútua na sociedade.

O Desmonte Institucional e a Erosão da Confiança

Juristas independentes e editoriais jornalísticos alertaram sobre essa crise. Afinal, o que começa mal não pode terminar bem.

Atualmente, assistimos a um desmonte institucional promovido pelos próprios guardiões da estabilidade. Ocorreram descondenações surpreendentes e anulações de processos por questionamentos territoriais tardios. Da mesma forma, chicanas jurídicas afrontaram o senso comum de justiça. Por conseguinte, a espinha dorsal da confiança nas instituições sofreu uma fratura exposta.

Os cidadãos comuns pagam impostos altos e cumprem a lei rigorosamente. Todavia, eles não contam com bancas milionárias de advogados. Por isso, essas manobras jurídicas transmitem uma mensagem letal à sociedade. Fica a impressão de que os donos do poder moldam as regras do jogo conforme sua conveniência.

Quando o povo desacredita da imparcialidade do árbitro, o jogo democrático perde o sentido. Em consequência, abre-se espaço para a barbárie, para o radicalismo e para o desgaste do sistema republicano.

Portanto, a sensação de irrealidade não surge do nada. Ela reflete decisões judiciais e discursos desconectados da realidade nacional. Colhemos agora a tempestade de ventos semeados por décadas de permissividade, agravados pela pós-verdade digital.

A frase que foi pronunciada:

“Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, com risco às instituições da República”

Carta em Defesa da Democracia e pelo sistema eleitoral, divulgada pela Faculdade de Direito da USP, em 11 de agosto de 2022

História de Brasília

A mais bela superquadra de Brasília, ninguém pode negar, é a do IAPB. E principalmente por causa dos jardins. Pois bem. Um dos homens que fez aqueles jardins, depois de nos deliciar com seu trabalho, acaba de ser demitido.

(Publicada em 26.05.1962)

A Ascensão da IA como Psicoterapeuta no Mundo Digital

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Com efeito, a ascensão desta ferramenta ocorreu devido à sua imensa capacidade analítica. Ademais, processamos séculos de produções humanas em segundos. Somos nós que alimentamos esse oceano informacional com perguntas, textos e desabafos cotidianos. Nesse sentido, o fenômeno possui uma natureza profundamente circular. A tecnologia compreende nossa essência porque nós mesmos a ensinamos. Portanto, ela não surgiu do nada; moldou-se através do espelho de bilhões de interações. Consequentemente, ela devolve uma imagem nítida da nossa própria humanidade.

A troca da inteligência artificial

Além disso, a tecnologia passou a ocupar espaços tradicionais da medicina e da psicologia. Atualmente, usuários descrevem sintomas físicos para obter hipóteses diagnósticas preliminares. Da mesma forma, interpretam exames laboratoriais detalhadamente. A ferramenta transformou-se numa segunda opinião permanente, gratuita e paciente. Sobretudo, a ausência total de julgamento moral explica o deslocamento silencioso da função terapêutica.

A Crise da Ansiedade e a Escuta Tecnológica

Vivemos atualmente na era da ansiedade generalizada crônica. Organizações globais de saúde alertam sobre o aumento alarmante de transtornos mentais. Fatores como isolamento social e hiperconectividade agravam esse quadro complexo. Contudo, o acesso à psicoterapia continua escasso e financeiramente caro. Existem poucos especialistas disponíveis nas redes públicas, além do estigma social existente. Diante disso, a tecnologia preencheu este enorme vácuo assistencial com rapidez. Afinal, a demanda humana por escuta ativa supera qualquer capacidade convencional de atendimento.

Existem aspectos genuinamente novos nessa dinâmica digital. Historicamente, Sigmund Freud estruturou sua teoria psicanalítica observando poucos pacientes vienenses. Jacques Lacan reinterpretou o inconsciente humano limitado pelo tempo de uma vida. Carl Jung investigou arquétipos com uma base empírica igualmente finita. Em contrapartida, a tecnologia interage simultaneamente com milhões de pessoas em múltiplos idiomas. Em termos de volume de dados sobre o sofrimento psíquico, nenhuma mente humana isolada alcançou tal patamar.

Inteligência Artificial e o futuro

Os Limites Entre Dados e a Subjetividade Humana

Todavia, exige-se uma pausa analítica rigorosa para evitar ilusões perigosas. Identificar padrões estatísticos na fala difere radicalmente de compreender a dor real. O sistema computacional carece de experiência subjetiva ou biografia infantil. Ele não reproduz a transferência psicanalítica genuína defendida por especialistas clássicos. Grandes teóricos colocavam o próprio corpo e escuta no processo de cura. Por conseguinte, o vínculo terapêutico real construído no silêncio compartilhado permanece insubstituível.

Além disso, existe um risco concreto decorrente de respostas simplificadas demais. A psique humana exige tempo de elaboração, contradições e ambivalências profundas. Um software focado em tranquilizar pode eliminar o desconforto terapêutico essencial da dúvida. Utilizar ferramentas como um psicanalista de bolso pode consolidar vieses perigosos. Sobretudo, casos graves podem ter diagnósticos retardados por falta de atendimento especializado. O alívio imediato, quando adotado como substituto total, torna-se mecanismo de evitação.

Apesar dos riscos, ignorar os benefícios reais seria intelectualmente desonesto. Frequentemente, a tecnologia atua como porta de entrada para o autoconhecimento. Usuários encontram vocabulário adequado para expressar dores antigas reprimidas. Posteriormente, muitos buscam o apoio de profissionais humanos qualificados. Desse modo, o recurso funciona como uma sala de espera ampliada e interativa.

O Deus ex-machina da Inteligência Artificial

Uma Nova Configuração para o Cuidado Emocional

Portanto, o cenário atual não representa a substituição simples de teóricos históricos. Reduzir a psicanálise à estatística computacional seria um erro grosseiro. O que surge é uma reconfiguração inédita entre sofrimento e suporte tecnológico. Embora a ferramenta domine frequências estatísticas de vocabulário doloroso, ela carece de vivência subjetiva autêntica. Compreender padrões de frequência difere de experimentar a dor real.

Para finalizar, debater a ocupação desse espaço digital tornou-se redundante. O ecossistema tecnológico já assumiu essa função de escuta cotidiana. Consequentemente, o verdadeiro desafio envolve estabelecer limites éticos rigorosos. A ferramenta precisa funcionar como ponte, jamais como isolamento definitivo. Como bem aponta a reflexão contemporânea, criar barreiras humanizadas é fundamental. A tecnologia tornou-se o maior repositório psíquico existente, gerando simultaneamente fascínio e alerta profundo.

A frase que foi pronunciada:

“A atuação do Poder Judiciário deve pautar-se pelo estrito respeito às garantias constitucionais, exigindo-se fundamentação idônea, concreta e contemporânea para a imposição de qualquer medida restritiva de direitos.”

Ministro André Mendonça e o óbvio esquecido por alguns colegas

História de Brasília

A Câmara dos Deputados perdeu 75 minutos discutindo o projeto revogando a proibição contra lutas de galos. Pois bem. Depois disso, em 45 minutos aprovou 17 outros projetos, muitos dos quais de grande importância. ( Publicada em 26.05.1962)

O “Macallão” e o transatlântico Brasil

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CIArce

A cada novo documento tornado público, a crise cresce visivelmente. A Polícia Federal recupera conversas importantes de forma contínua. Além disso, o caso Banco Master parece adquirir dimensões cada vez maiores. O problema deixou de ser apenas a história de uma instituição financeira. Anteriormente, o Banco Central liquidou essa estrutura no mercado. Hoje, o que está vindo à superfície envolve operações bilionárias complexas. Relações entre instituições públicas e privadas estão sob investigação rigorosa. Dirigentes de bancos, empresários e agentes políticos também participam da trama. Ainda não podemos antecipar o desfecho judicial de cada episódio. Porém, já existe material probatório suficiente para compreender a gravidade. Afinal, o caso Banco Master se transformou em uma grave crise financeira e institucional.

VISTO, LIDO E OUVIDO
Coluna criada em 1960 por Ari Cunha (In memoriam) no Correio Braziliense

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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O Apelido de “Maccallão” e a Dimensão do Caso Banco Master

O apelido de “Macallão” funciona como uma imagem jornalística incisiva. Ele faz alusão direta aos conhecidos escândalos do Mensalão e Petrolão. Consequentemente, serve para designar a enorme dimensão política do episódio. Não pretendemos afirmar antecipadamente que todos os envolvidos cometeram crimes. Primeiramente, as investigações federais ainda estão em pleno andamento. Acusações graves devem ser devidamente comprovadas nos autos. Além disso, cabe exclusivamente à Justiça estabelecer as responsabilidades individuais. Contudo, o tamanho dos valores financeiros não pode ser ignorado. A quantidade de instituições e personagens atingidos pelo caso Banco Master impressiona a sociedade.

Os Bilhões Envolvidos nas Operações do BRB

Para ilustrar o cenário, analisemos o relatório da Polícia Federal. Este documento investigativo, tornado público em setembro, trouxe um dado particularmente grave. Segundo a investigação, o BRB transferiu aproximadamente R$ 17 bilhões ao Banco Master. Essa transferência vultosa ocorreu no âmbito da aquisição de carteiras de crédito. Por conseguinte, desse total expressivo, a PF afirma que cerca de R$ 12,2 bilhões corresponderiam a títulos sem lastro. O BRB, por sua vez, contesta a interpretação sobre a sua responsabilidade institucional. A atual administração garante que tomou providências imediatas para proteger o patrimônio. O banco busca, portanto, garantir um eventual ressarcimento dos cofres. Entretanto, os balanços financeiros independentes mostram uma realidade divergente.

Suspeitas

O episódio também alcançou o próprio mercado de capitais. Reportagens baseadas em mensagens obtidas pela PF apontam que Daniel Vorcaro teria afirmado que buscaria apoio para a permanência de Otto Lobo na presidência da Comissão de Valores Mobiliários. Lobo, por sua vez, negou ter buscado apoio de Vorcaro ou possuir vínculo com ele. Trata-se novamente de informação investigativa que exige apuração, e não de responsabilidade criminal estabelecida.

Triagem

É nesse ambiente que aparece o verdadeiro perigo para a República. Paralelamente não é a investigação que ameaça o país. A investigação é justamente o instrumento que pode impedir que irregularidades permaneçam ocultas. O perigo está na eventual utilização seletiva das investigações, na transformação de escândalos em armas eleitorais e, principalmente, na possibilidade de que a passagem do tempo produza aquilo que os brasileiros já conhecem: a fadiga pública, a perda de interesse e, finalmente, o esquecimento.

Por Que o Caso Banco Master Exige Rigor Público?

A dimensão financeira do episódio é suficientemente vasta e preocupante. Portanto, impede que tratemos o assunto como uma ocorrência empresarial comum. Afinal, um banco público definitivamente não atua como uma empresa qualquer. Seu patrimônio bilionário pertence, em última instância, a toda a sociedade brasileira. Quando uma instituição controlada pelo governo assume riscos extraordinários, o perigo aumenta. A conta potencial desse desastre não desaparece simplesmente do mapa. Consequentemente, pode transformar-se em necessidade urgente de capitalização estatal. Também pode gerar redução de investimentos sociais ou restrição severa de crédito. Em outras palavras, resulta na necessidade de apoio financeiro suportado pelos contribuintes.

Crise do Banco Master e STF na Imprensa Internacional

TCDF

O Tribunal de Contas do Distrito Federal deu um passo crucial. O órgão determinou, em 23 de setembro, um bloqueio patrimonial significativo. Os conselheiros bloquearam até R$ 2,761 bilhões em bens e contas bancárias. A medida atingiu diretamente cinco ex-dirigentes do BRB. Certamente, essa quantia ainda parece pequena diante do rombo total. Nesse sentido, a decisão tem caráter cautelar e provisório no momento. Dessa forma, os envolvidos terão a oportunidade legal de apresentar defesa. O próprio valor da medida demonstra a imensa gravidade do assunto investigado. O órgão de controle trata os negócios entre o BRB e o Master com extremo rigor. Ademais, fosse deixado ao critério da população lesada, o bloqueio seria muito maior. A Justiça deveria alcançar cada nome citado nas investigações preventivamente.

Aceleramento de Operações e Indícios de Irregularidades

Mais preocupante ainda é a sequência temporal apresentada pelos investigadores. Segundo documentos analisados criteriosamente pela PF, o BRB continuou comprando ativos suspeitos. Isso ocorreu mesmo depois de o Banco Central apontar problemas sistêmicos claros. Uma dessas operações alcançou impressionantes R$ 4,05 bilhões. Esse montante circulou entre abril e maio de 2025 (data constante no relatório). A Polícia Federal afirma encontrar fortes indícios de fraudes procedimentais. As cédulas de crédito bancário utilizadas nessas operações possivelmente não existiam na prática.

Prevaricação

É justamente nesse ponto que a situação institucional muda completamente de figura. O episódio deixa de estampar apenas como uma questão de corrupção bancária tradicional. Passa a representar uma violação gravíssima de segurança e governança pública estatal. Os fatos descritos pela investigação encontrando confirmação, exigirão respostas imediatas. Os gestores certamente explicarão o avanço de operações desse tamanho colossal. Como isso ocorreu dentro de uma instituição estatal, superando tantos alertas formais? Também é necessário descobrir quem sabia de tudo nos bastidores do poder. Quando essas autoridades souberam dos fatos e quais providências tomaram efetivamente?

Conexões Políticas e o Impacto no Mercado Financeiro

Outro elemento contundente que amplia o escândalo é a rede de relações interpessoais. A quantidade de conexões revelada nas investigações recentes é assustadora. Documentos tornados públicos pelo STF escancararam diversos contatos de alto nível. Empresários, advogados criminalistas, políticos, ministros e autoridades figuram na longa lista. O próprio ministro responsável por este processo no STF retirou o sigilo judicial. Ele abriu o conteúdo de diversos procedimentos relacionados ao caso Banco Master. Dessa maneira, ampliou radicalmente o acesso e o escrutínio do público interessado.

Master chefe político

O imposto que você paga, paga os escândalos que você vê

A divulgação minuciosa desses materiais possui um significado jurídico importante. Todos os nomes mencionados estão implicados nesse amplo rol de irregularidades. Uma investigação criminal frequentemente reúne dezenas de pessoas do mesmo ecossistema. Elas aparecem como testemunhas, interlocutores, contratantes ou integrantes do círculo íntimo. Até prova cabal em contrário, a maioria desses nomes mantém algum envolvimento factual. Estão ligados a esse processo nebuloso tem urgência em ser elucidado. É necessário separar os fatos para salvar aqueles que não cometeram crimes. Ocupar uma posição pública relevante não blinda ninguém contra investigações legítimas. Relações perigosas devem sofrer apuração rigorosa diante de elementos objetivos. O que mais indigna a população pagadora de impostos é o desvio moral crasso. Muitas autoridades desfrutavam de orgias bancadas pelo dinheiro fácil desviado dos brasileiros.

Lições do Passado e a Busca Urgente por Transparência

A história recente da República brasileira oferece uma advertência dolorosa. O Mensalão, o Petrolão e outros grandes escândalos demonstraram padrões estruturais idênticos. Esquemas envolvendo desvios, empresas de fachada, partidos e agentes públicos transcendem núcleos iniciais. À medida que os investigadores aprofundam as operações táticas, novidades chocantes surgem. Aparecem novos contratos fraudados, intermediários ocultos, relações escusas e perguntas sem resposta. É exatamente por isso que o caso Master exige investigação até as últimas consequências. A Justiça deve agir independentemente da identidade política ou econômica dos investigados. Vivêssemos numa democracia madura, afastaríamos todas essas autoridades cautelarmente. O afastamento duraria até o término completo das apurações policiais.

Eleições

O calendário político do nosso país não poderia ser mais delicado atualmente. O Brasil encontra-se às vésperas de uma importante eleição geral mobilizadora. Em circunstâncias ideais, este seria o momento perfeito para discutir programas administrativos. Debateríamos soluções para a economia, segurança pública, saúde e educação de qualidade. Em vez disso, o país chega à disputa eleitoral visivelmente sobrecarregado. Carregamos uma sucessão interminável de investigações de imensa repercussão nacional. Algumas delas continuam inconclusas, sorvendo o precioso dinheiro público diariamente.

Banco Master e STF: O Templo Profanado pela Crise Institucional

Agir agora

Às vésperas de uma eleição, essa investigação não pode ser usada como combustível de campanha nem enterrada sob a avalanche de propaganda eleitoral. Deve permanecer onde sempre deveria ter estado: sob a luz dos documentos, dos órgãos de controle, da Polícia Federal, do Ministério Público, do Banco Central e da Justiça. Sem absolvições antecipadas, condenações não fundamentadas e proteção e blindagens política.

O Transatlântico Brasil Não Pode Navegar às Cegas

O Brasil definitivamente não pode esquecer mais um escândalo bilionário. Fraudes comprovadas pelos peritos daí para a frente a Justiça deve identificar e punir os responsáveis. Encontrando falhas de governança, os auditores e gestores administrativos responderão por isso. Caso determinados episódios não configurem crime, a Justiça estabelecerá essa inocência claramente. O que prejudica o interesse público é a manutenção do estado de suspeita perene. Uma nuvem gigantesca de dúvidas sobre instituições financeiras fundamentais destrói a economia nacional.

Muita calma nessa hora

O BRB, inserido nesse contexto altamente desafiador, exige proteção institucional absoluta. O banco representa um patrimônio histórico e valioso de todos os brasilienses. Não podemos confundir a instituição com os atos de seus antigos dirigentes investigados. A própria administração atual garante a tomada de medidas preventivas rigorosas. Os gestores buscam separar a instituição das práticas atribuídas à diretoria afastada. Essa distinção jurídica e administrativa revela-se absolutamente fundamental neste momento crítico. Punir responsáveis criminais não significa, de forma alguma, punir o banco público. Uma República verdadeiramente séria jamais opera sob o conceito de culpa coletiva.

Pela credibilidade

A economia brasileira já sofre com dívida alta e juros asfixiantes diariamente. Enfrentamos problemas fiscais complexos e enorme desconfiança crônica em relação ao Estado. Uma crise envolvendo instituições financeiras estratégicas acrescenta um ingrediente extremamente perigoso. Ela provoca a imediata e nociva perda de confiança sistêmica no mercado. Confiança é, sem dúvida, um ativo institucional invisível e inestimável. Um banco possui prédios imponentes, sistemas modernos e bilhões em capitalização. Porém, se o mercado perde a crença na qualidade dos ativos, tudo desmorona velozmente. O edifício financeiro estremece até as fundações.

Manto da invisibilidade

O país recusa a invenção de mais um grande escândalo passageiro. Não aceitaremos um caso que estampa manchetes e depois desaparece nos arquivos poeirentos. A sociedade civil começa brilhantemente a desvendar os bastidores dessa trama financeira. É fundamental descobrir os ganhadores, os perdedores, os autorizadores e os omissos. A população exige rastrear minuciosamente todo o caminho percorrido pelo dinheiro suado.

Agora é enfrentar

O transatlântico nacional ainda navega bravamente em águas turbulentas e imprevisíveis. Mas, diante das cifras bilionárias e das conexões reveladas, o alerta soa forte. Ignorar a realidade agora seria uma atitude criminosamente irresponsável. Fica impossível fingir que não há água entrando no casco da nossa economia.

A frase que foi pronunciada:

“A atuação do Poder Judiciário deve pautar-se pelo estrito respeito às garantias constitucionais, exigindo-se fundamentação idônea, concreta e contemporânea para a imposição de qualquer medida restritiva de direitos.”

Ministro André Mendonça e o óbvio esquecido por alguns colegas

História de Brasília

A Câmara dos Deputados perdeu 75 minutos discutindo o projeto revogando a proibição contra lutas de galos. Pois bem. Depois disso, em 45 minutos aprovou 17 outros projetos, muitos dos quais de grande importância. ( Publicada em 26.05.1962)

O calote silencioso de 2027

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A inadimplência das empresas atingiu o maior nível da série histórica no Brasil. O levantamento divulgado nesta semana pela FecomercioSP, com base em dados do Banco Central, mostra que há nuvens negras se aproximando além do horizonte das eleições de outubro. Apenas no segundo trimestre de 2026, as empresas brasileiras acumulavam R$ 86,1 bilhões em operações de crédito com atraso superior a três meses. Em apenas um ano, o montante cresceu 24% — o equivalente a quase R$ 17 bilhões a mais, já descontada a inflação do período. Este recorde não é sazonal, pois vale quando comparado a qualquer outro trimestre do calendário.

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O raio-x do endividamento

O detalhe mais incômodo do estudo não está no valor absoluto, mas sim na sua origem. O volume total de crédito concedido às empresas avançou apenas 2,3% no período. Portanto, o país não se endividou mais; o setor produtivo simplesmente parou de conseguir pagar as contas. A parcela da carteira em atraso subiu de 2,7% para 3,3%. A FecomercioSP atribui o movimento, sobretudo, ao efeito defasado do ciclo de juros elevados entre 2022 e 2025. Consequentemente, esse impacto só agora se reflete com força no caixa das corporações. Isso equivale a dizer que a conta de hoje foi contratada há cerca de um ano ou mais.

Asfixia

A distribuição desse peso transforma um dado técnico em um grave problema social. As pequenas e médias empresas respondem por aproximadamente 43% da carteira de crédito, mas concentram três de cada quatro reais em atraso. As pequenas devem R$ 33,4 bilhões (39% do total) e as médias, R$ 31,7 bilhões (37%), apresentando uma alta de 34% em doze meses. Além disso, entre as microempresas, o salto foi de 45%, subindo de R$ 6,9 bilhões para R$ 9,9 bilhões.

Orçamento secreto bem escondido nas algibeiras

Setor produtivo

Por outro lado, as grandes companhias, que detêm quase metade de todo o crédito, mantêm o atraso bem abaixo da média. Elas possuem caixa, tesouraria e maior poder de negociação. Assim, não estamos diante de uma crise geral do setor produtivo, mas sim de uma asfixia seletiva das empresas mais frágeis.

Dispersão geográfica

Tampouco se trata de um fenômeno regional. A inadimplência das empresas bateu o maior nível da história em 18 das 27 unidades da Federação simultaneamente. As maiores altas em doze meses vieram de economias muito distintas entre si:

  • Paraíba: alta de 123%
  • Amapá: alta de 73%
  • Rio Grande do Sul: alta de 67%
  • Amazonas: alta de 66%

São Paulo, como seria de esperar, concentra o maior valor absoluto: R$ 23 bilhões, o equivalente a 27% de todo o atraso empresarial do país. Contudo, é longe dos grandes centros urbanos que a deterioração corre mais rápido.

Serasa

Os dados da Serasa Experian completam esse retrato preocupante. Em junho de 2026, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados, somando R$ 232,9 bilhões em dívidas. Trata-se de uma alta de 16,67% em um ano e um recorde na série iniciada em 2016. São Paulo lidera o ranking nacional, registrando 3,12 milhões de empresas negativadas.Além disso, no ano passado, 2.466 empresas ingressaram com pedidos de recuperação judicial, o maior número já registrado. A proporção de companhias que acabam falindo depois da recuperação subiu para cerca de 30%, ante uma média histórica próxima de 20%. Em suma, o instrumento jurídico é mais acionado, porém funciona menos.

Desaceleração econômica

A moldura macroeconômica explica por que o quadro não deve se resolver sozinho. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, após registrar 1,1% no primeiro. Simultaneamente, o consumo das famílias recuou 0,4%. O mercado projeta uma expansão de cerca de 1,9% em 2026, sendo o primeiro ano abaixo de 2% desde a pandemia.

Teto

O Copom cortou a taxa Selic para 13,75% em 16 de setembro, realizando o quinto corte consecutivo. No entanto, manteve o tom cauteloso. A inflação cheia desacelerou para 4,22% em doze meses até agosto, mas as projeções para o ano rondam 4,9%, permanecendo acima do teto da meta.

Pressão sobre o varejo

Em São Paulo, o faturamento real do varejo da capital caiu 8,8% no primeiro semestre. Houve recuo até mesmo em setores essenciais como supermercados (-6,9%) e farmácias (-2,1%) — segmentos que, por definição, não deveriam ser adiáveis.

Dívidas

O que há de verdadeiramente novo nesse conjunto é a combinação dos fatores. Nas outras ocasiões em que o atraso empresarial atingiu patamares semelhantes — como no início dos anos 2000 e em 2016-2017 —, o país vivia uma recessão aberta ou tinha um mercado de crédito muito mais estreito. Desta vez, a inadimplência das empresas se aproxima do maior nível histórico com a economia ainda crescendo perto de 2% e com o emprego formal resistente. Este é um sinal grave: significa que a atividade existe, mas a receita não chega ao caixa das empresas na velocidade necessária para quitar as obrigações.

Maldita herança

Quem vencer as urnas em outubro não tomará posse em um cenário de crise espetacular, com corridas bancárias ou disparada cambial. O eleito tomará posse, em 1º de janeiro de 2027, sobre uma corrosão lenta, difusa e já contratada.

Cenário

A política monetária opera com defasagem temporal. Mesmo que os cortes da Selic continuem, leva cerca de um ano para que a queda dos juros alcance as contas em atraso. Da mesma forma, levará mais tempo para que as corporações recomponham o caixa e voltem a investir. Em outras palavras, boa parte do ajuste que será cobrado do próximo governo já decorre de decisões tomadas entre 2022 e 2026.

Restrição fiscal

A restrição fiscal agrava consideravelmente o quadro. A dívida bruta do governo geral chegou a 81,9% do PIB em junho, o maior nível desde 2021. O déficit primário acumulado atingiu R$ 157,2 bilhões em doze meses, com despesas de juros próximas de 9% do PIB. Projeções de mercado e da Instituição Fiscal Independente colocam a dívida acima de 86% do PIB em 2027.

Balança

Portanto, não há espaço para que o novo mandatário compre a paz social com aumento de gastos públicos. Tampouco será possível financiar a sobrevivência de empresas por meio de crédito público barato e indiscriminado. Esse seria o caminho mais rápido para transformar um problema de fluxo de caixa privado em um passivo fiscal permanente.

Espaço para subsídios

Também não haverá lua de mel com a inflação. As expectativas para 2027 já rondam 4,3%, ficando acima do centro da meta, enquanto o Copom mantém a avaliação de riscos assimétricos para cima. Um governo que estreie prometendo estímulo à demanda encontrará o Banco Central obrigado a interromper — ou reverter — o ciclo de cortes. Isso jogaria de volta sobre as pequenas e médias empresas exatamente o custo financeiro que hoje as sufoca.

A agenda econômica realista para o próximo governo

A agenda realista é menos vistosa e mais árida do que qualquer palanque admitirá até outubro. Ela exige obrigatoriamente:

  • Credibilidade fiscal: adoção de regras sustentáveis que sobrevivam ao próprio mandato.
  • Transição tributária: implementação disciplinada da reforma, que começará a afetar o caixa das empresas nos primeiros anos do próximo governo.
  • Redução do custo do crédito: avanço por vias microeconômicas (garantias, informação e execução previsível de contratos), e não por subsídios artificiais.
  • Reestruturação de dívidas: tratamento sério para micro e pequenas empresas, que hoje chegam à recuperação judicial tarde demais para viabilizar a recuperação.

75%

Há ainda um risco estrutural que os indicadores atuais escondem: o mercado de trabalho. O emprego aquecido tem sido o principal amortecedor social desta desaceleração. Por essa razão, a inadimplência das famílias, medida mensalmente pela PEIC da FecomercioSP na capital paulista, oscila em torno de 20% sem explodir. Isso ocorre embora o endividamento dos lares ronde 75% e o comprometimento da renda esteja no maior patamar já medido pelo Banco Central.

Sem trabalho

Entretanto, o emprego é a última variável a ceder em momentos de crise. Empresas com caixa apertado cortam investimentos, reduzem estoques, suspendem fornecedores e só então demitem pessoal. Se o atraso recorde de hoje ainda não virou desemprego em massa, é porque a fila está andando. O próximo governo pode receber justamente a etapa final dessa sequência.

Inadimplência

Há ainda um risco estrutural que os indicadores atuais escondem: o mercado de trabalho. O emprego aquecido tem sido o principal O silêncio do debate eleitoral e a urgência do tema

Indiferença

Portanto, nada disso aparecerá no debate eleitoral com a devida franqueza por uma razão simples: não há solução de curto prazo compatível com o horário eleitoral. Além disso, a solução não dependerá apenas do Palácio do Planalto. A agenda de crédito, tributação e reestruturação de dívidas depende do Congresso Nacional que será eleito em outubro. Como resultado, a experiência recente sugere que a fragmentação parlamentar costuma cobrar seu preço em emendas e renúncias fiscais, exatamente o oposto do que a trajetória da dívida pública comporta.

Sem ideias?

Mas o eleitor tem o direito de exigir dos candidatos, ainda durante a campanha, que expliquem como pretendem tratar os R$ 86 bilhões que as empresas brasileiras já não conseguem pagar. Neste contexto, o silêncio é uma resposta clara.

No vermelho, literalmente

De acordo com a FecomercioSP o aspecto mais preocupante do estudo aponta a ausência de qualquer sinal de melhora. Sem alarmismo, resta a constatação de que, quando 9,1 milhões de empresas estão negativadas e a inadimplência das empresas bate recorde em dois terços dos estados ao mesmo tempo, o problema deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural.

Vencedor de quê

Por outro lado, o vencedor de outubro herdará um país economicamente fragilizado, cujo tecido empresarial já opera sem margem de manobra. Convém que os candidatos ao governo compreendam essa realidade bem antes da posse, evitando surpresas no primeiro balanço trimestral de 2027, quando já será tarde demais.

A frase que foi pronunciada

“O problema deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural. Não há qualquer sinal de melhora no curto prazo.”

FecomercioSP, em relatório sobre a inadimplência empresarial no Brasil.

História de Brasília

A Quadra 48 ainda é a grande sem sorte da W-3. Começaram o serviço de urbanização. Deixaram pelo meio, com esgotos e telefones cortados. Consertaram, e deixaram a poeira. Agora, está sendo preferida pelos ladrões de automóveis. .( Publicada em 26.05.1962)

Crise no Supremo Tribunal Federal: O que nasceu torto não se endireita

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A crise no Supremo Tribunal Federal ganhou novos contornos após o pronunciamento da ministra Cármen Lúcia. Ao declarar consternação, admitir o mal-estar cívico e pedir desculpas ao povo brasileiro, a decana fez um diagnóstico devastador do próprio Poder Judiciário. Afinal, a declaração partiu de quem integrou a construção dessa estrutura ao longo de duas décadas.

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Debate eleitoral é uma obrigação moral e ética

Vergonha

Com uma frase mais grave a ministra não abordou apenas a vergonha individual. Além disso, ela lembrou que o Judiciário existe para tranquilizar a sociedade, mas gerou intranquilidade. Quando a corte responsável por pacificar a República se torna a principal fonte de sobressalto, a crise no Supremo Tribunal Federal deixa de ser conjuntural e revela uma falência institucional.

Perda da previsibilidade

O país precisa perguntar onde esse processo começou. O desgaste não surgiu espontaneamente em setembro de 2026. Ele nasceu quando o tribunal decidiu fazer política por meio da forma processual. Ao anular condenações sem analisar o mérito, utilizando argumentos de incompetência territorial, o tribunal dissolveu processos em tecnicalidades e reinseriu atores políticos na disputa eleitoral.

Desconfiança geral

Argumentou-se, na época, que a decisão refletia zelo garantista. Contudo, o resultado prático foi a restauração de velhos métodos e arranjos de bastidor. Com isso, a própria Corte que se apresentava como fiadora da democracia passou a enfrentar o desgaste de não conseguir investigar a si mesma.

Instituições se esvaindo: A ONU de guardiã da paz a palanque ideológico

Omissão institucional

Ao pedir desculpas por não ter promovido o rigor necessário, a ministra reconheceu uma omissão coletiva e continuada. Consequentemente, um tribunal que precisa se desculpar publicamente pelos próprios atos já proferiu uma sentença contra a sua própria atuação.

O depois

Além disso, a Constituição de 1988 confiou ao Supremo a guarda da Carta, mas não a curadoria do debate público. A ampliação de atribuições ao longo dos anos transformou a excepcionalidade em regra. Regimes de exceção, mesmo motivados por boas intenções declaradas, terminam devorando as instituições que os criaram.

Impactos políticos e econômicos

Impactos Políticos e Econômicos no País

As discussões internas no plenário paralisam o julgamento de pautas essenciais. O uso recorrente de pedidos de vista e disputas regimentais demonstra que o adiar virou método. Por conseguinte, esse cenário afeta diretamente a economia e a estabilidade das instituições.

  • Insegurança Jurídica: Pesa sobre contratos de longo prazo e afasta investimentos.
  • Apatia Legislativa: O Congresso reage à invasão de competências com soluções inadequadas.
  • Desgastes Eleitorais: O debate público acaba sequestrado por disputas de gabinetes.

Reformas estruturais

Esta crise no Supremo Tribunal Federal demonstra que não haverá conserto por meio de simples autocrítica. O tempo apenas acentua as inclinações de um modelo que perdeu a confiança da sociedade. Por conseguinte, para recuperar a legitimidade, o país precisa discutir reformas profundas. Medidas como mandatos com prazo certo, limitação de decisões monocráticas e critérios objetivos de indicação tornaram-se indispensáveis. O povo brasileiro não busca apenas desculpas formais, mas exige prestação de contas e responsabilidade institucional.

A frase que foi pronunciada:

“A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica.”

Blaise Pascal

História de Brasília

De tôdas as árvores plantadas na W-3, as mais bonitas são as magnólias, em frente às casas da ECPL, que começarão a florir dentro em pouco. ( Publicada em 26.05.1962)

O QUE NASCEU TORTO NÃO SE ENDIREITOU

Há discursos que valem menos pelo que dizem e mais pelo que denunciam sem querer. Foi o caso da manifestação da ministra Cármen Lúcia na sessão do dia 15 deste mês. Ao declarar-se em estado de consternação e tristeza, ao dizer-se envergonhada de estar ali, ao admitir que o Supremo Tribunal Federal provocou um mal-estar cívico no país e ao pedir desculpas ao povo brasileiro, a decana dos votos moderados fez muito mais do que um desabafo de ocasião. Fez um diagnóstico. E o diagnóstico é devastador precisamente porque veio de dentro, da boca de quem participou, ao longo de vinte anos, da construção do edifício que agora parece ruir.

A frase mais grave da ministra não foi a da vergonha. Foi outra: o Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade. Está aí, em uma linha, a medida exata do fracasso. Uma corte constitucional não é avaliada pela simpatia que desperta nem pela popularidade de seus ocupantes, mas por uma função única e insubstituível de ser o lugar da previsibilidade, o ponto fixo a que o cidadão recorre quando tudo o mais oscila e fica sem chão. Quando o tribunal encarregado de serenar a República se converte na principal fonte de sobressalto nacional, a menos de vinte dias de uma eleição presidencial, não há crise conjuntural. O que há é a  falência de função e tudo o mais que dela poder decorrer.

O país precisa ir além da comoção do momento e perguntar onde toda essa história começou. Esse é um exercício antigo que recomenda voltar atrás para retomar o caminho certo. Ela não começou em setembro de 2026, com relatórios da Polícia Federal circulando pelo plenário, com ministros acusando ministros de seletividade na divulgação de documentos, com mensagens trocadas entre um integrante da Corte e um banqueiro preso, com contratos milionários e pedidos de vista que empurram para o limbo aquilo que o país quer ver urgentemente julgado e finalizado. Tudo isso é apenas sintoma de uma doença que começou lá atrás.

A doença nasceu quando o Supremo decidiu que podia fazer política com a forma. Ao anular condenações inteiras sem enfrentar o mérito de uma única acusação,  valendo-se de filigranas como o caso da incompetência territorial ou de CEP, além da suspeição do julgador,  o tribunal não absolveu ninguém: simplesmente dissolveu o processo no ácido da tecnicalidade e devolveu à disputa presidencial um ator político que a jurisdição ordinária havia, de forma cristalina, condenado em três instâncias. A distinção entre inocentar e desfazer é jurídica, sofisticada e verdadeira. É também irrelevante para o efeito prático que se produziu, e o Supremo sabia disso quando produziu e fabricou esse veneno deletério . Ressuscitou-se um cadáver político, recolocando o defunto diretamente  no Planalto, com a chancela do carimbo processual e ajuda na balança desonesta de uma justiça contaminada pelo o que de pior tem a política.

Quem argumentou, à época, que se tratava de zelo garantista sustentava que o resultado eleitoral posterior legitimaria a decisão. Não foi o que se viu. O que se viu foi a restauração de métodos condenáveis do passado. O país que fora obrigado a passar a borracha sobre os escândalos do petrolão não aprendeu nada de novo, a não ser repetir o modelo velho e execrável do passado. Com isso, inevitavelmente voltaram os arranjos, as intermediações, o balcão em que interesse privado e decisão pública se encontram em algum ponto discreto da agenda. E, desta vez, o enredo alcançou o próprio tribunal que se apresentara como fiador moral do que chamava defesa da democracia.  A Corte que havia se colocado acima da política agora não consegue sequer decidir se pode ou não investigar a si mesma, e transfere para uma sessão futura, ou para a prescrição do interesse público, aquilo que deveria ter resolvido em uma tarde.

É aqui que a ministra, mesmo sem querer, entrega a chave do problema. Ela pediu desculpas por não ter ajudado a promover o rigor e a serenidade que deveria. Ou seja: reconheceu que houve omissão, e omissão continuada, e omissão coletiva. Ora, um tribunal que precisa se desculpar publicamente pelos próprios atos já proferiu contra si a sentença que se recusa a proferir contra seus membros. Nenhuma instituição sobrevive à admissão de que perdeu a régua com que mede os outros.

A Constituição de 1988 confiou ao Supremo a guarda da Carta  não a tutela da democracia, não a curadoria do debate público, não a arbitragem do que o cidadão pode dizer, não o comando de inquéritos em que o mesmo ministro acumula as funções de vítima, investigador, acusador e juiz. Cada uma dessas atribuições foi sendo assumida por conta própria, ao longo de uma década, sob o argumento sempre disponível da excepcionalidade. A excepcionalidade virou regime. E regimes de exceção, mesmo quando montados com togas em pretensas boas intenções declaradas, terminam invariavelmente do mesmo modo, ou seja,  devorando quem os construiu. O espetáculo do dia 15, com ministros expondo uns aos outros diante das câmeras, é a conta atrasada chegando.

Repare-se, ainda, no detalhe que resume o conjunto: a discussão que paralisou o plenário não foi sobre culpa ou inocência de quem quer que seja. Foi apenas sobre o rito  se os casos deveriam ser apreciados juntos ou separados, se cabia a um ministro levantar o sigilo de um procedimento que alcançava um colega, se a questão de ordem prosperava ou não. Terminou como tantas outras vezes, com um placar de quatro a três, pedido de vista, prazo que pode se arrastar por noventa dias e uma sessão futura marcada para depois de algum dia. O país acompanhou horas de embate público para sair sem resposta alguma. Não é lentidão,  é método. Adiar, no Supremo, deixou de ser um acidente do calendário e virou uma forma ou modelo sofisticado de decidir sem assinar embaixo, ou simplesmente sem decidir coisa alguma.

O preço disso não é abstrato. Pesa sobre a economia, que precifica insegurança jurídica em cada contrato de longo prazo. Pesa sobre um Congresso tomado pela apatia e  que reage à invasão de competências com propostas que vão na contramão do que espera o cidadão. A República do rabo preso dita o andamento de regras e tudo, credite ou não, pesa sobre a eleição em curso e sobre o futuro. Dessa forma é preciso deixar claro que  o  debate público foi sequestrado por uma disputa interna de gabinetes, com todo e qualquer  candidato  obrigado a se posicionar sobre o tribunal em vez dos reais problemas do país.  Qualquer que seja o vencedor, ele herdará uma crise que não criou e uma Corte que não confia em si mesma e toda uma herança deixada por um governo que voltou a vida por ação direta do Supremo. Isso não é normalidade republicana ,  é a antessala de um confronto entre Poderes cuja fatura ninguém sabe estimar, nem as eleições.

Não há conserto por dentro. Essa é a conclusão incômoda que a ministra chegou perto de formular e não formulou. Um tribunal cuja crise atual decorre não de  isolados, mas do acúmulo de decisões que subordinaram a norma à conveniência, não se corrige com autocrítica em plenário nem com notas de repúdio à imprensa. O que nasceu torto não se endireita com o tempo. O tempo apenas acentua a inclinação até a queda derradeira. Esse destino triste e incerto está à vista de todos, na jurisprudência que muda conforme o réu, no garantismo que floresce quando o acusado é conveniente e evapora quando não é, na suspeição que se enxerga com nitidez no juiz de Curitiba e que se torna invisível quando o espelho é o próprio plenário.

Dizer que o Supremo perdeu o direito de existir tal como muitos hoje reconhecem e dizem  não é ameaça nem arroubo retórico: é a constatação de que a legitimidade da corte não vem propriamente da Constituição escrita, e sim da confiança que ela difunde diariamente. Essa confiança acabou. O que resta é discutir ou talvez a  refundação com novos modelos e  mandatos com prazo certo, critérios objetivos e sabatina real para a indicação, fim das decisões monocráticas com efeito nacional, vedação absoluta de que o tribunal investigue causas em que seus integrantes sejam parte, prestação de contas de foro e de agenda. Qualquer coisa aquém disso será maquiagem em um edifício que já apresenta rachaduras na fundação.

A ministra pediu desculpas ao povo brasileiro. Não basta. O povo brasileiro, por sua vez, não pede desculpas: pede contas. E há de cobrá-las, nas urnas e fora delas, com a serenidade que a Corte não soube lhe oferecer. Porque o país poderia conviver com juízes que erram quando decidem na forma da lei. O que nenhuma República suporta por muito tempo é um tribunal que erra sempre na direção errada e patentemente contra os interesses da Nação.

O Brasil regula o discurso, mas abandona o consumidor

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A cada hora que passa, quase oito mil brasileiros sofrem tentativas de fraude digital. Em doze meses, o país registrou 34,5 bilhões de investidas golpistas. Cerca de 16,5 milhões de pessoas perderam dinheiro no período. O prejuízo acumulado atingiu R$ 21,2 bilhões no mercado nacional. Quatro em cada dez vítimas só descobrem o golpe após alertas externos. Esses números evidenciam a urgente relação entre fraudes digitais e regulação de redes sociais.

GSS

O cenário mundial reflete essa mesma gravidade. O relatório Global State of Scams revela que 57% dos adultos do planeta foram alvos de golpistas em um único ano. Além disso, 23% das pessoas consultadas chegaram a perder recursos financeiros. O prejuízo global alcança US$ 442 bilhões por ano. O golpe da compra on-line figura como a modalidade mais comum. O consumidor paga pelo produto, mas recebe um item falso ou simplesmente não recebe a encomenda

Vácuo legislativo

Diante de dados alarmantes, a coibição da publicidade enganosa deveria ser prioridade no Congresso. No entanto, o país não possui legislação específica para responsabilizar as redes pelos anúncios falsos. As plataformas vendem, posicionam e lucram com as campanhas patrocinadas. Contudo, a regra geral segue os parâmetros do Marco Civil da Internet de 2014. As empresas só removem o conteúdo fraudulento após ordens judiciais específicas.

Sugestão de leitura – Regular o que é de direito

Proteção às plataformas

As empresas só removem o conteúdo fraudulento após ordens judiciais específicas. Essa arquitetura jurídica transfere a responsabilidade para o cidadão lesado. O consumidor precisa reunir provas e acionar a Justiça individualmente. Enquanto isso, a empresa recolhe o pagamento e distribui o golpe para milhões de usuários. O PL 2630/2020 previa a responsabilização civil por publicidade nociva monetizada. O Senado aprovou o texto em 2020, mas a Câmara paralisou a votação. A pressão de empresas de tecnologia travou o avanço da matéria. As discussões sobre golpes virtuais e responsabilidade das plataformas permanecem paralisadas.

STF

Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal assumiu o protagonismo na moderação de conteúdo. O tribunal passou a atuar no combate à desinformação política e aos discursos de ódio. Contudo, essa atuação foca na perseguição e na prisão de dissidentes políticos. A liberdade de expressão sofreu graves restrições constitucionais. Em contrapartida, a proteção ao patrimônio do trabalhador continuou totalmente desamparada. A publicidade enganosa no marco civil da internet segue impune e sem checagem prévia.

Assimetria do debate

O debate público sobre regulação prioriza disputas ideológicas e políticas. Os episódios de 8 de janeiro de 2023 aceleraram projetos contra a desinformação. Em contraste, os golpes comerciais do dia a dia raramente motivam mudanças legislativas céleres. O Código de Defesa do Consumidor proíbe propaganda enganosa desde 1990. Porém, a lei foi desenhada para outdoors e anúncios de televisão, não para algoritmos voláteis.

Sugestão de leitura Leis em favor do povo só perecem

Captura regulatória

Agências reguladoras e órgãos estatais demonstram lentidão no combate às fraudes. Processos administrativos se arrastam por anos sem aplicar sanções efetivas. As multas irrisórias não desestimulam as gigantes da tecnologia. Entidades de defesa do consumidor apontam um cenário claro de captura regulatória. A régua da fiscalização atende aos interesses dos grandes anunciantes e das plataformas globais. O texto do PL 2630 e anúncios fraudulentos perdeu espaço para o controle ideológico.

Omissões

O setor bancário investe R$ 5 bilhões por ano em prevenção e conscientização contra golpes. Contudo, essa verba privada não substitui obrigações legais permanentes para as redes sociais. A energia política mobiliza ministros e audiências públicas apenas para discutir moderação discursiva. O cidadão comum paga pela omissão do Estado e pelo prejuízo com fraudes financeiras no Brasil.

Soluções possíveis

A estrutura pública de defesa do consumidor opera muito abaixo da demanda digital. Procons locais enfrentam falta de verbas e de pessoal. O Conar atua por adesão voluntária e não possui poder de multa. Além disso, o país não definiu se a Anatel ou outra agência fiscalizará os anúncios pagos. A indefinição institucional travou as discussões do Marco Civil e das redes digitais.

Desafios

Países com sistemas de pagamento instantâneo discutem a responsabilidade solidária entre bancos e plataformas. O Brasil lidera o uso do Pix no mundo, mas também concentra fraudes. O Relatório Scamscope projeta crescimento contínuo de golpes usando o meio de pagamento instantâneo. A falta de fiscalizacao em golpes no pix exige regras imediatas de coresponsabilidade financeira.

Simples assim

Exigir que a plataforma verifique o anunciante antes da venda de espaço é um passo básico. As redes devem suspender campanhas denunciadas em prazo curto e responder pelos lucros obtidos. Essa mudança não exige inovações tecnológicas, mas sim determinação política dos parlamentares.

Liderança

Regular as redes digitais não deve significar o arbitramento do debate político. A prioridade precisa focar na verificação mínima dos produtos e serviços anunciados. Enquanto o Estado priorizar o controle de opiniões e ignorar o roubo ao consumidor, o Brasil continuará liderando os índices mundiais de estelionato digital.

A frase que foi pronunciada

“Para cada login no inferno, existe um logout para a esperança”

Alberto Daniel Hill

História de Brasília

O Ministro Sampaio Costa entregou, ontem, a sala dos Advogados no Bloco 6 da Esplanada dos Ministérios. Foi homenagear os advogados e recebeu consagradora manifestação, transferindo-se a homenagem para a pessoa do presidente do Tribunal Federal de Recursos. ( Publicada em 26.05.1962)