VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
hoje
Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade
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Durante décadas, Brasília construiu a imagem de possuir uma das melhores redes públicas de ensino do país. Capital da República, sede dos principais órgãos federais e uma das unidades da Federação com maior renda per capita, o Distrito Federal sempre foi visto como um lugar naturalmente vocacionado para oferecer educação pública de excelência. Contudo os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Educação, sugerem que essa realidade mudou para pior ao longo dos anos e hoje se apresenta bem diferente daqueles discursos oficiais que insistem mostrar que tudo vai bem. O resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente a 2025 revelou que o ensino médio público do Distrito Federal alcançou nota 4,1, inferior à média nacional de 4,5. Mais preocupante ainda é constatar que a rede pública do DF recuou em relação ao levantamento anterior, quando havia registrado 4,2 em 2023. Enquanto o país, ainda que lentamente, procura recuperar as perdas educacionais provocadas pela pandemia, Brasília caminha na direção oposta.
]O desempenho também ficou muito distante da meta de 5,2 estabelecida pelo próprio MEC para essa etapa de ensino. O Ideb combina dois fatores fundamentais para medir a qualidade da educação: o desempenho dos estudantes nas avaliações nacionais do Saeb, especialmente em língua portuguesa e matemática, e as taxas de aprovação escolar. O índice procura medir, simultaneamente, aprendizagem e eficiência do sistema educacional. Parece que há um descaso progressivo a envolver não só os alunos, seus familiares, o corpo docente e todos os diretores de ensino dentro e fora das escolas, própria sociedade tem parte nessa cadência na qualidade das escolas públicas. E notem que no Distrito Federal, a participação dos estudantes foi suficientemente ampla para conferir credibilidade estatística ao levantamento. Participaram da avaliação 91,3% dos alunos do 5º ano, 87,2% do 9º ano e 80,3% dos estudantes da 3ª série do ensino médio. Ou seja, não há espaço para atribuir os resultados a uma eventual baixa adesão das escolas ao exame. O aspecto mais preocupante talvez seja o contraste entre os recursos disponíveis e os resultados alcançados.
Entre as unidades da Federação, o Distrito Federal figura historicamente om maior arrecadação tributária por habitante, maior remuneração média dos professores da rede pública e maior capacidade de investimento em infraestrutura escolar. A própria União banca o ensino. Em tese, esses fatores deveriam produzir indicadores superiores aos da média brasileira. O que se observa, porém, é exatamente o contrário. A queda de apenas um décimo pode parecer pequena para quem observa apenas a tabela de resultados. Na educação, entretanto, oscilações dessa natureza costumam representar milhares de estudantes deixando a escola sem domínio adequado da leitura, da interpretação de texto e da matemática básica. Trata-se de uma geração inteira que chega ao mercado de trabalho ou ao ensino superior carregando deficiências acumuladas ao longo de toda a formação escolar.
O planejamento educacional do governo federal previa uma trajetória gradual de crescimento do Ideb do ensino médio, chegando ao patamar de 5,2. Permanecer estacionado em torno de 4 pontos significa que o sistema deixou de avançar no ritmo esperado, ampliando a distância entre o desempenho desejado e o efetivamente alcançado. Há dificuldades relacionadas à aprendizagem em português e matemática, elevadas taxas de evasão no ensino médio, deficiência na formação continuada dos professores, problemas de gestão escolar e uma crescente dificuldade em manter os alunos motivados dentro das salas de aula. Além disso a disciplina, elemento fundamental para o processo ensino-aprendizagem vai de mal a pior. Outro aspecto é a excessiva instabilidade das políticas educacionais, que mudam a cada governo, quando surgem novos programas, novas metodologias e novas prioridades administrativas, todas desligadas entre si. Projetos são interrompidos antes de amadurecerem, enquanto reformas curriculares sucedem-se sem que seus resultados possam ser devidamente avaliados. A educação exige continuidade e planejamento de longo prazo mas acaba submetida ao calendário político. Enquanto isso, países que lideram os principais indicadores internacionais de educação seguem caminho oposto. Sistemas como os da Finlândia, Estônia, Coreia do Sul, Singapura e Canadá mantêm políticas estáveis durante décadas, investem fortemente na formação de professores, valorizam o ensino das disciplinas fundamentais e utilizam avaliações permanentes para corrigir deficiências antes que elas se consolidem.
Quando uma rede pública começa a perder desempenho justamente na capital da República, onde recursos financeiros e capital humano são relativamente mais abundantes, torna-se inevitável perguntar o que está acontecendo com o modelo educacional adotado aqui no DF. Seria o ideal que o resultado divulgado nesta semana não alimentasse disputas partidárias nem servisse de munição para governos ou opositores. O que os pagadores de impostos esperam é um chamado geral para recolocar a qualidade da aprendizagem no centro das prioridades da educação pública do Distrito Federal.
A frase que foi pronunciada:
“Os governos nunca aprendem. Só as pessoas aprendem.”
Milton Friedman
História de Brasília
Mazzola e Sormani somente poderão jogar pela Itália se forem italianos e é nessa qualidade, de acôrdo com as leis italianas, que vão participar da Copa do Mundo (mesmo porque, se se declararem brasileiros não poderão integrar a seleção de nenhum outro país, a não ser a do Brasil). (Publicada em 25.05.1962)





