Agora é só abrir as janelas

Publicado em Íntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

 

Tanto o Estado quanto a moral poderiam ser apontados como entidades ou princípios abstratos. Ou seja, não possuem existência material, embora seus efeitos, na vida prática de cada indivíduo, são mais do que visíveis ou concretos. O Estado  é  uma organização política e jurídica e que exerce autoridade e força, na forma de um governo, sobre a população num determinado território. Na teoria o Estado é permanente e o governo temporário. O Estado e a moral estão em toda a parte como que dissolvidos no ar, seus efeitos são profundos e duradouros. A relação entre moral e Estado tem sido desde muito tempo um dos temas centrais da filosofia política.

Na antiguidade, Aristóteles dizia que o Estado deveria formar cidadãos virtuosos e promover o bem comum. Kant dizia que tanto os indivíduos como o Estado deveriam agir segundo princípios morais universais. Hegel via o Estado como a expressão mais elevada da vida ética de um povo. Instintivamente o povo reconhece o Estado como promotor do bem comum e da dignidade humana. Assim na teoria o povo espera que o Estado cumpra seu papel de assegurar a justiça, a igualdade e a liberdade dando, neste ponto, a moral da sociedade que serviria para avaliar e criticar o Estado. Dessa forma quando o Estado, no caso aqui o governo, viola direitos fundamentais, discrimina grupos ou age de forma corrupta, a sociedade passa a julgá-lo por critérios morais. Na realidade, o Estado só poderia existir se assentado em valores morais aceitos pela sociedade.

Dito isso, trazendo esses conceitos para a realidade brasileira atual, o que estamos assistindo é uma progressiva queda de confiança nas instituições republicanas e no próprio Estado, devido a erosão progressiva da autoridade moral do Estado, obviamente resultado de inúmeros escândalos de corrupção que vão erodindo sua credibilidade.  Esse caso ocorre justamente quando o governo acredita ser a encarnação do próprio Estado, transmitindo diretamente a ele suas falhas e vícios. Nesse ponto vai ficando cada vez mais visível o desânimo da sociedade no poder do Estado de conduzir a melhora nos índices de desenvolvimento humano, sem recorrer aos falidos programas populistas e assistencialistas de bolsas. Para o cidadão comum o Estado serve sobretudo para beneficiar as elites instaladas no poder. A imagem que a opinião pública tem hoje do governo e por tabela de todo o aparato do Estado, é a pior em décadas. O povo simplesmente não confia e nem acredita no Estado, no governo, nos partidos políticos, nas instituições em geral e sobretudo na justiça que parece agir em conluio como governo.

Não só a população a população interna  mantém e aumenta seu descrédito no Estado, como muitos países mundo afora que se mostram cada vez mais hostis ao Brasil. Nunca em tempo algum a máxima antiga de que não somos um país sério vai fazendo tanto sentido. Qualquer pesquisa idônea de opinião pública, mostra esse retrato atual de descrédito e de desânimo em relação ao Estado e suas instituições. O pior é que as autoridades responsáveis por essa condição de decadência, se mostram insensíveis ao que está acontecendo e parecem apostar cada vez mais no caos. Em nosso país se tornou lugar comum verificar que onde há dinheiro e vantagens ali estão também membros do Estado. Os seguidos casos de malversação dos recursos públicos mostram que os maus exemplos vêm de cima e como tal acabam contaminando toda o restante da pirâmide social. Quanto maior a indiferença dos dirigentes e responsáveis diretos do Estado em relação a crescente erosão moral na condução da coisa pública, maior a falência do que os especialistas chamam de falência do tecido moral. A infiltração do crime organizado nas instituições do Estado, até na própria polícia, como tem demonstrado notícias recentes em São Paulo envolvendo a cúpula da Polícia Militar com o PCC, demonstra que a má conduta de muitos dirigentes serve como porta aberta para entrada do crime na máquina do Estado. Nem mesmo na política, como legítima representante das aspirações públicas a coisa é diferente.

Não são poucos os casos de políticos e partidos envolvidos com todo o tipo de bandalheira.

O que dói no cidadão é saber que mesmo nas instituições representativas, que em tese poderia servir para sanar esse e outros problemas estruturais do país, os desmandos e corrupção parecem grassar, o que transforma esperança de saneamento do Estado numa ilusão. Para onde quer que o cidadão vire a cabeça,  há problemas de toda a espécie  que vão se acumulando. Duro também é saber que nesse grau de deterioração das instituições, não há absolutamente a quem recorrer. Um olhar atento nas nossas metrópoles mostra que o país vive numa espécie de UTI. Aumento da mendicância, da violência, o fechamento surpreendente de inúmeros estabelecimentos comerciais, o abandono e decadência visível dos centros urbanos, a tomada das periferias por gangues e grupos criminosos, a falência das escolas, dos hospitais, reafirma a certeza do cidadão de que o Brasil, por conta de suas elites vai mal das pernas. Talvez hoje faça mais sentido a sentença de Claude Lévi-Strauss em Tristes Trópicos passaria da barbárie diretamente a decadência sem ao menos conhecer a civilização.

 

A frase que foi pronunciada:

“Como indivíduos, temos o direito de doar quanto do nosso próprio dinheiro quisermos para a caridade; mas, como membros do Congresso, não temos o direito de nos apropriarmos de um único dólar do dinheiro público.”

Davy Crockett

História de Brasília

De acôrdo com as normas que regem o Campeonato Mundial de Futebol somente podem integrar a equipe de cada país disputante os naturais do país, sejam natos ou naturalizados. (Publicada em 25.05.1962)

 

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