VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
Circe Cunha
“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”, inscrito no Livro Eclesiastes, mostra que apesar de todo o esforço humano, tudo é passageiro e caba resultando em frustração. É o que estamos assistindo agora, ao vivo e a cores, acontecer nos Estados Unidos, contra a maior autoridade daquele país nas ações de combate ao Covid-19, o médico Anthony Fauci. A maior autoridade sobre essa questão não nos Estados Unidos, como no restante do mundo caiu literalmente em desgraça pelo excesso daquilo que a Bíblia já condenava há milênios. Aos poucos, ao que parece, vão se desmoronando, peça por peça, os mitos e o tabus que envolviam a pandemia mundial e que levou muita gente inocente para a cadeia, arruinou a economia mundial, prejudicando centenas de milhões de vida e a própria economia em escala global.
Impressionante, no nosso caso é o silêncio no Brasil nessa que foi uma espécie de inquisição moderna, com fogueira e tudo contra aqueles que criticavam todo aquele protocolo esquizofrênico em torno da vacinação e do lockdown. Cinco anos depois do auge da pandemia de Covid-19, o mundo começa a revisitar decisões que, durante muito tempo, pareciam imunes a qualquer questionamento. O debate em torno da atuação de Anthony Fauci, ex-principal assessor médico do governo americano durante a emergência sanitária, tornou-se parte desse processo. Embora Fauci continue sendo reconhecido por muitos como figura central no enfrentamento da pandemia, passou agora a enfrentar críticas políticas e científicas sobre aspectos da condução da crise, da comunicação pública e da supervisão de pesquisas financiadas pelo governo dos Estados Unidos.
Em democracias maduras, esse tipo de revisão não deveria ser encarado como ameaça à ciência, mas como parte natural do escrutínio público. O problema nunca foi discutir evidências mas transformar determinadas interpretações em dogmas. Tentem lembrar dos momentos mais dramáticos da pandemia, quando opiniões divergentes frequentemente deixaram de ser tratadas como hipóteses científicas passíveis de debate e passaram a ser vistas, em muitos ambientes, como posições moralmente inaceitáveis. Essa postura produziu forte polarização, alimentou desconfiança e dificultou uma avaliação mais equilibrada das políticas públicas adotadas. Também se tornou inevitável revisitar os efeitos econômicos das medidas de contenção.
Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional, a economia mundial sofreu sua maior retração desde a Segunda Guerra Mundial em 2020. Milhões de empresas encerraram atividades, cadeias produtivas foram interrompidas e governos recorreram a programas extraordinários de endividamento para sustentar renda e emprego. O Banco Mundial estimou que a pandemia empurrou dezenas de milhões de pessoas de volta à pobreza extrema, revertendo parte dos avanços sociais acumulados nas décadas anteriores.
No Brasil, os impactos também foram profundos. Pequenas e médias empresas figuraram entre as mais atingidas. Diversos setores, especialmente comércio, turismo, eventos, alimentação e serviços presenciais, sofreram perdas severas. Muitas empresas não voltaram a abrir as portas. O desemprego aumentou significativamente durante o período mais crítico, enquanto milhares de trabalhadores migraram para atividades informais como forma de sobrevivência. Parte desses efeitos decorreu da própria circulação do vírus e das medidas draconianas impostas a população diante de uma crise sanitária, supervalorizada. É legítimo discutir se todas as restrições impostas foram proporcionais, se algumas poderiam ter sido calibradas de maneira diferente e quais lições podem ser extraídas para futuras emergências. O tempo vai abrindo as cortinas da encenação paulatinamente. Outro aspecto que merece reflexão diz respeito ao papel da imprensa. Em momentos de elevada incerteza, nós jornalistas, nos veículos de comunicação enfrentamos enorme responsabilidade ao traduzir informações técnicas para a população. Em diversas ocasiões, porém, críticas sustentadas por especialistas qualificados e contrários receberam pouca ou nenhuma atenção, enquanto posições oficiais ocuparam espaço quase exclusivo. A perseguição aos opositores foi imensa. A imprensa tem o direito de fazer escolhas editoriais, mas também tem o dever de revisar criticamente sua atuação quando os fatos evoluem ou novas evidências surgem. Autocrítica não representa desmoralização. Pelo contrário. Instituições que reconhecem erros tendem a fortalecer sua credibilidade. Isso vale para governos, universidades, organismos internacionais, sociedades científicas e meios de comunicação.
A pandemia produziu uma das maiores tragédias humanas do século XXI. Também expôs as dificuldades inerentes à tomada de decisões sob incerteza. O desafio agora não é substituir uma certeza absoluta por outra, mas construir mecanismos institucionais mais transparentes, capazes de preservar simultaneamente a saúde pública, as liberdades individuais e a confiança da sociedade. É preciso reconhecer despojando de todas as certezas de que a politização da ciência foi nesse caso um instrumento que ajudou a destruir vidas e economias. Talvez a maior lição daquele período seja justamente a advertência contida no Eclesiastes. Nenhuma autoridade, por mais prestigiada que seja, está acima do exame crítico. Nenhuma instituição fortalece sua legitimidade recusando perguntas. E nenhuma sociedade democrática se beneficia quando o debate público é reduzido a uma única narrativa.
A frase que foi pronunciada:
Assim, enquanto se alardeava, inclusive na Casa Blanca, que a origem em laboratório estava descartada, os autores continuavam, em particular, a atribuir uma probabilidade significativa a essa hipótese. Uma coisa em público, outra em privado.
História de Brasília
A nossa Constituição (art. 130) estabelece que perde a nacionalidade brasileira o brasileiro (n. I) “que, por naturalização voluntária, adquirir outra nacionalidade”. (Publicada em 25.05.1962)





