Categoria: ÍNTEGRA
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Circe Cunha e MAMFIL
No fim do ano passado, quando o diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), Paulo Salles, declarou que a população precisava rezar para chover, estavam aparentemente lançadas, segundo seu entendimento técnico, todas as condições necessárias para que os reservatórios que abastecem a capital com água tratada voltassem aos níveis normais, evitando, assim, que o racionamento rigoroso fosse decretado pelas autoridades.
Fosse simples assim, bastaria entregar a pasta a algum padre ou pastor, que a situação estava resolvida. Bastaria a população sair em procissão pelas ruas, com velas, entoando cantos religiosos ou quem sabe por meio da convocação de povos indígenas para a realização de antigos rituais invocando as águas do céu.
Não querendo entrar no mérito da eficácia desses métodos, que têm explicação no plano da metafísica, o problema diz respeito à confluência de um complexo conjunto de causas, muito humanas, que remontam à história recente de Brasília e do Entorno. Anteriormente, as desculpas se resumiam a atribuir aos imponderáveis caprichos da natureza pela falta de água. Rezar é bom e alivia a alma, que não necessita desse tipo de água para viver. A fonte da vida é outra.
Obviamente, não cabem à Adasa, da qual a população desconhece a existência, todas as responsabilidades pela escassez de água. A parte que lhe diz respeito diretamente vem exatamente do aparelhamento político imposto pelos governos passados, das agências reguladoras, com a substituição de técnicos especializados e renomados, por apadrinhados políticos, sem qualificação específica para a função. Numa escala de responsabilidades, cabe, primeiramente, à classe política os infortúnios vividos pela população. A transformação das terras do DF em moeda de troca política permitiu que imensas áreas, muitas, comprovadamente de proteção ambiental, com importantes nascentes, está em uma das raízes do problema.
Com a farra dos loteamentos irregulares, construídos da noite para o dia, veio o inchaço populacional desordenado. Uma vez estabelecidas, as invasões eram imediatamente equipadas com redes de água e luz, mesmo antes de qualquer planejamento urbano técnico , consolidando o problema e empurrando a solução para um futuro que, agora vemos, chegou com a conta nas mãos.
A falta de planejamento de longo prazo e de uma política permanente de educação sobre o uso correto desses recursos finitos vem em seguida. A transformação do cerrado em extensas áreas de monocultura para a exportação, com a destruição da vegetação nativa, ao destruir o ecossistema da região, considerado o berço das águas, fez o resto.
É importante observar que, ao longo da história da humanidade, nenhuma civilização foi capaz de prosperar e mesmo sobreviver sem os recursos hídricos necessários e essenciais. Muitas cidades importantes na antiguidade simplesmente foram deixadas para trás, quando a água secou. O exemplo permanece. Portanto, debitar nas contas, já volumosas de Deus e da administração celeste, as causas pelo esgotamento hídrico, não convence, mesmo aos mais crédulos.
A frase que foi pronunciada:
“Esse estádio monstrengo é a prova de que nunca faltou dinheiro para atender pacientes com dignidade nos hospitais públicos. Faltou mesmo foi sensibilidade e humanismo.”
Paciente na emergência do Hran
Notas
» Sob o argumento de superlotação, o Hospital do Paranoá suspendeu, temporariamente, o atendimento a todos os pacientes que procuram a unidade. Essa situação inusitada revela e expõe a falência da estrutura de saúde no DF. Já o Hran, na madrugada de ontem, tinha enfermeiras e médicos de plantão. Só que o atendimento na emergência só começou na troca de turno.
SOS nojo
» Por falar em Hran, no orelhão do PS perto da chefia de enfermagem, havia uma cadeira onde alguém com diarreia sentou. Com a espuma alta, cada um que sentava ali, para amenizar a exaustão da espera, levantava com a surpresa desagradável.
Vermelho
» Não é de hoje que pacientes que necessitam de atendimento de urgência, em todo o DF, só têm acesso ao interior dos hospitais e, portanto, aos cuidados médicos, se derem entrada nos estabelecimentos, deitados em macas e transportados pelas unidades dos Bombeiros e das ambulâncias, de preferência prontos para morrer.
Ver para crer
» E mesmo quem dá entrada é atendido de forma precária. Sem limpeza, sem lençóis, sem a menor dignidade. E justiça seja feita: falta dignidade para os pacientes e para os que optam por trabalhar sem o mínimo básico necessário para exercer a profissão. Os médicos enfermeiras, técnicos, que batem ponto e trabalham, merecem todo o respeito da população. O governador Rollemberg poderia ir a qualquer hospital público de madrugada disfarçado, sem estafe. Alguma coisa mudaria.
Realidade
» Devido a carências no setor, as brigadas do Corpo de Bombeiros foram transformadas em serviço de atendimento de emergência de saúde, transportando pacientes de todo o DF para os hospitais depois de um atendimento preliminar. São heróis que também lutam com condições que poderiam ser melhores.
História de Brasília
Como não há exceção, caiu o decreto das corridas de cavalo, e as determinações sobre o uso de carros oficiais foram desrespeitadas, mas nessa mesma edição há uma carta do chefe da Casa Militar da Presidência, general Amaury Kruel, a respeito. (Publicado em 21/9/1961)
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MAMFIL e Circe Cunha
Se algum dia a Justiça conseguir colocar um ponto final no escândalo do petrolão, encerrando todos os capítulos que formam o maior caso de corrupção que já se teve notícia, ainda assim, restarão pontas desse thriller a serem amarradas para que toda a história tenha uma coerência conclusiva.
Um capítulo à parte e que merece ser aprofundado nessa trama ciclópica é justamente o que envolve a construtora Odebrecht e seus parceiros diretos de peraltices, o Partido dos Trabalhadores, via governo, e os poderosos bancos estatais, tendo à frente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), à época vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, comandado, na ocasião, pelo já notório Fernando Pimentel.
Em 2016, auditoria prévia realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) apurou que, entre 2006 e 2014, o BNDES investiu, até onde se sabe, mais de R$ 50 bilhões para a realização de cerca de 140 obras no exterior. O mais incrível é que os empréstimos foram feitos para ditaduras do continente africano e para países da América Latina identificados como amigos dos governos petistas.
O grosso desses financiamentos camaradas foi bancado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) — ou melhor, amparo ao trabalhador estrangeiro. Mais sintomático ainda é quando se constata que todos esses gastos foram realizados sem a análise adequada sobre os riscos dessas operações portentosas. É de surpreender, se isso ainda é possível, que 82% dos recursos foram destinados à onipresente Odebrecht. Para que todas essas façanhas fossem possíveis, o BNDES se transmutou de banco de fomento interno, que consta de seu próprio nome, para banco sem fronteiras.
Para poupar a sociedade do enfado relativo às minúcias desses contratos intrincados, o caridoso governo daquela ocasião decretou sigilo total, por 30 anos, daquelas operações. Daqui a três décadas, a maioria dos personagens dessa epopeia certamente já estará em outro mundo, longe do alcance da lei terrena. Durante quase uma década à frente do BNDES, Luciano Coutinho levou o banco a desembolsar, em oferta de créditos variados, cerca de R$ 1,2 trilhão. Trata-se de um valor superior ao PIB de muitos países do planeta.
O caso da construção do Porto de Mariel e do aeroporto de Cuba é o mais emblemático, não pelos valores envolvidos, pequeno diante de todo o esquema, mas pelo envolvimento direto de Lula, Marcelo Odebrecht e governo cubano. Reunidos em Havana, ao som das rumbas e dos mambos, e sob os efeitos do rum, o trio de magnânimos decidiu, entre uma baforada e outra de charutos, de que forma o dinheiro dos brasileiros, via BNDES, seria derramado na ilha dos Castro.
Pesquisa sobre os negócios da construtora Odebrecht atesta: nos países sérios, a empresa aparece em todos os jornais com o esquema de corrupção descrito em detalhes; nas nações em que a corrupção tem se ajustado entre os políticos, a companhia prospera. O Brasil está na linha, pronto para estabelecer de que lado vai ficar.
A frase que foi pronunciada:
“Quer fazer algo para promover a paz mundial? Vá para casa e AME a sua família.”
Madre Teresa de Calcutá
Peso e medida
» Professores deliram com a notícia de que novas penitenciárias não resolverão a questão da violência nas cadeias enquanto não houver um funcionário para cinco presos. Hoje, são 12 presos por funcionário. Com as devidas proporções, nas escolas públicas, é comum um professor para 40 ou até 50 alunos por hora. O que precisamos: mais professores ensinando e menos monitores nas cadeias.
Sem atitude preventiva
» Invadido por quase uma centena de chacareiros, o Parque Ezechias Heringer, no Guará, uma área de reserva ecológica importantíssima para o ecossistema de Brasília, continua sofrendo os efeitos da ocupação irresponsável e é mais um elemento que vem a se somar aos muitos desastres ambientais sofridos pela capital do país.
Das penalidades
» As equipes de fiscalização, como Agefis, Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a polícia, não têm descanso diante das invasões repetidas e incentivadas, que sempre aumentam no fim de ano. Vão continuar com muito trabalho enquanto a lei não punir devidamente os invasores.
Constitucional
» Para assegurar que os filhos tenham as vagas efetivadas nas escolas públicas, muitos pais são obrigados a acampar nas portas dos estabelecimentos de ensino. O mesmo se repete nas portas dos hospitais, onde a espera é longa. Com isso, o Distrito Federal repete os mesmos problemas já conhecidos de muitas localidades Brasil afora. Isso, apesar de uma Constituição que garante o direito à saúde e à educação.
História de Brasília
Apenas d. Eloá não teve a mesma sorte. O Alvorada vai ser redecorado, os animais do Palácio foram transferidos para o zôo e a cerca de frente da residência presidencial está sendo retirada. (Publicado em 21/9/1961)
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MAMFIL e Circe Cunha
Somados os servidores efetivos, os inativos, os pensionistas e os cargos em comissão, a Câmara Legislativa tem hoje um quadro de pessoal de 2.060 servidores, apenas para servir de suporte ao trabalho de 24 deputados distritais. Trata-se de um exército que consumirá, neste ano, se forem computadas as emendas parlamentares, R$ 525 milhões, ou muito mais do que o orçamento anual da maioria dos municípios brasileiros.
Em meio à crise econômica sem precedentes que aflige milhões de brasilienses, a Câmara Legislativa é um oásis na aridez do cerrado. Toda a montanha de dinheiro, literalmente mal utilizada e desperdiçada, foi torrada em 2016, como já é corrente, desde sua criação em 1990, para a realização de 131 sessões solenes contra 97 reuniões em plenário, nas quais, ao lado da feitura de leis inconstitucionais e debates áridos, foram cometidos todos os tipos de bate-bocas, com troca de acusações e ameaças veladas, além da habitual lavagem de roupa sujíssima, que não acrescentaram um grão de areia para aliviar o sofrimento dos brasilienses.
Ao longo do ano, foram realizadas ainda importantes comemorações pelo Dia do Blogueiro, do Pastor, do Tai chi Chuan, do aniversário das dezenas de administrações regionais, homenagens aos quiosqueiros, corretores de seguro, síndicos e entrega do título de Cidadão Honorário, como o conferido à ex-presidente Dilma Rousseff, sem dúvida, uma militante de primeira hora em defesa das causas de Brasília, de onde tomou distância segura, depois do processo de impeachment.
Para todas as comemorações sem fim, o rega-bofe variado fica por conta do contribuinte. Envolvida até o último botão da gola em escândalos cabeludos, a Câmara Legislativa não conta com a simpatia da população e, para tentar driblar a realidade, não poupa dinheiro dos pagadores de impostos para dar um verniz na imagem. Somente com propaganda institucional, distribuída em outdoors, ônibus, totens, táxis, jornais, pontos de ônibus, rádio, televisão e outras mídias, a Câmara local queimou aproximadamente R$ 26 milhões do dinheiro suado da população.
Somados aos R$ 25,5 mil de salários, cada deputado tem a sua disposição mais R$ 25 mil de verba indenizatória, que são gastos, na sua maioria, para a divulgação do próprio mandato, numa espécie de campanha antecipada para novas legislaturas, bancada, obviamente, com os recursos dos próprios eleitores.
Wasny (PT), com essa rubrica, incinerou R$ 248 mil, seguido de Delmasso (PTN), R$ 245,7 e Vigilante (PT), R$ 230 mil. São despesas contabilizadas como gastos a ser indenizados, contra a apresentação de nota fiscal de despesa. Fossem auditadas sob a lupa das autoridades policiais isentas, a maioria dessas despesas ressarcidas, dificilmente poderiam ser justificadas à luz da lei, da moral administrativa e mesmo perante a realidade de penúria da sociedade da Capital.
A frase que não foi pronunciada
“Infelizmente, a lei nem sempre se mantém dentro de seus limites próprios.”
Claude Frédéric Bastiat, economista e jornalista francês. (1801-1850)
Silêncio já!
» Lá está, na curva da floresta. Vila Giardini, Ecoparque. Trata-se do maior embuste em razão social. De ecológico não tem nada. O barulho ensurdecedor de festas é um verdadeiro atentado à urbanidade. A altura do som do lugar é contínua, apesar de todas as reclamações já registradas. Moradores ao redor do local são obrigados a ter a saúde atacada sem o menor amparo do Ibram, PM ou mesmo Agefiz.
Povo brincalhão
» Para desespero dos fãs de Honestino e Costa e Silva, a ponte para o Lago Sul está sendo chamada de ponte Honestino da Costa e Silva Guimarães.
Multas
» É nessa ponte que o Detran inaugura a volta das barreiras eletrônicas, depois de renovado o contrato que estava há meses parado.
Poluidor
» Ninguém mais comenta o que houve com a mancha verde aparecida misteriosamente no Lago Paranoá. A população precisa saber o que houve. Se as autoridades já sabem qual foi a fonte de contaminação, precisam divulgar.
Melhor
» Da 405 Sul para a 408 Sul. Em pouco tempo a Rua dos Restaurantes mudará de endereço. A baixa no comércio da 405 está afastando os clientes, ao contrário da 408, que está mais vitalizada do que nunca.
Sintonia
» Julio Menegoto, admirado, por quem o conhece pela competência, deixou a Presidência da Novacap para assumir a Administração de Vicente Pires, no lugar de Renato Santana. Um nome que o governador Rodrigo Rollemberg pode ter certeza da lealdade.
História de Brasília
A política externa será mantida, os embaixadores estão sendo confirmados, as sindicâncias estão prosseguindo, as demissões estão mantidas e as nomeações prevalecem. (Publicado em 21/9/1961)
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MAMFIL e Circe Cunha
No ciclo perverso da corrupção, a cada nova crise, lá estão os mesmos nomes, as mesmas siglas partidárias, as mesmas empresas, os mesmos modos de atuação e os mesmos resultados. Na aritmética cruel, para cada ganhador esperto, legiões de brasileiros são empurrados à força para a indigência.
As consequências nefastas desse modo de agir, invariável e obrigatoriamente, recaem sobre a imensa base da pirâmide. Dessa forma, não chega a ser estranho que sejam as mesmas classes de dirigentes e empresários aqueles que menos sentem os efeitos das crises. Pelo contrário, não bastassem estar por trás da desconstrução do pais, ainda lucram com a crise na forma de especulação e outras tramoias contábeis engenhosas.
Como os números não aceitam prestidigitações e outras manobras, a depressão econômica chega e se instala. A partir desse ponto mais baixo, recomeçam os ciclos de ajuste das contas públicas, nos quais aqueles que menos têm são forçados a contribuir e dar sua parcela de suor para as tarefas de reconstrução do Estado.
Imediatamente depois de recompostas pelo esforço nacional, as riquezas voltam a ser geridas pelos mesmos personagens de sempre, até que o ciclo volte a se encerrar e tudo se reinicie numa roda sem fim.
A frase que não foi pronunciada
“Para mudar, existir já é um grande passo!”
Ulisses Guimarães, de onde estiver
Pauta
»Anísio Jobim foi um senador atuante na década de 1950. Há algumas descrições da atuação legislativa desse parlamentar na página do Senado. Fica a sugestão de pauta para informar à população alguma coisa boa dessa penitenciária, que leva o nome do senador e que espantou o mundo com tanta barbárie
Interatividade
»Na frente, o Exército. Depois, o Ministério da Educação, a Polícia Federal e o Senado. Essa é a ordem dos cliques na internet. Na página do Facebook do Senado, no último dia do ano, 2.398.430 perfis curtiram a página. O levantamento é do site Socialbakers.
Escola Parque
»Professor Julio Gregório, valorize as professoras que trabalham na Escola Parque, convide um conselho de notáveis docentes que participaram da construção da cidade, ouça as opiniões, valorize as experiências aproveite o melhor do velho e do novo. Esse é o segredo para a educação na capital do pais voltar a ser modelo.
Material
»Com as redes sociais, mães se unem para trocar informações sobre material escolar mais barato. Seria um aplicativo e tanto se a interatividade dos participantes fosse suficiente para driblar a inflação. Por enquanto, só por grupos no WhatsApp e Facebook.
Árvores
»Um passeio pelo Eixão e as frutas se multiplicam. Mangueiras, goiabeiras, amoreiras e por aí vai. Osanam Coelho deve ser lembrado por isso. Por falar nisso, onde estão sendo plantadas as 112 mil mudas de árvores prometidas pelo GDF? O orçamento passou R$1,5 milhão para se harmonizar com o progresso.
Estupidez
»Ainda sobre o verde, alguém despreparado fez uma poda em três árvores perto do ponto de ônibus nas quadras 500 Norte. Conseguiu o feito de tirar o conforto dos passageiros que se abrigavam do sol. As árvores de mais de 20 anos morreram.
Vândalos
»Pena simples aos pichadores. Em caso de flagrante, bastaria lavar a sujeira feita. A Biblioteca Nacional está de cortar o coração.
Requinte
»Em uma parada da Asa Sul, duas manifestações interessantes. O Fora, Temer estava escrito com spray, e no Fora, Dilma o spray aspergia uma placa pré-moldada com a frase.
Detran
»Voltam as barreiras eletrônicas do Detran. Na ponte do Lago Sul, alguns motoristas já foram surpreendidos. Os moradores do trecho 9 no SMLN aguardam ansiosamente por uma barreira antes da entrada do trecho. Vários carros já capotaram ali. Se a redução de velocidade é obrigatória para a segurança dos motoristas, esse é o caso.
»História de Brasília
O sr. Jânio Quadros foi o único presidente que saiu e não teve seus a los desfeitos pelo sucessor. Ele mesmo destruiu muita coisa do governo anterior, mas ninguém desfez nenhum dos seus atos. (Publicado em 21/9/1961)
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MAMFIL e Circe Cunha
Nos diversos ciclos de crise econômica e fiscal que o Brasil experimentou ao longo da história, alguns elementos característicos e comuns a todos eles se repetem numa constância quase monótona. Ao analisar cada novo ciclo negativo na economia do país, lá reaparece sempre, como causas principais ou secundárias, a questão da má gestão administrativa do Estado e, sobretudo, a malversação criminosa dos recursos públicos.
Desde sempre, tem sido possível apontar o dedo indicador em direção aos gestores públicos, sobretudo para a classe política que, ao fim e ao cabo, é quem manda e interfere nos negócios do Estado. É, portanto, pela baixa qualidade na aplicação do dinheiro dos pagadores de impostos que as múltiplas crises periódicas insistem em ressurgir em intervalos regulares.
Além da má qualidade dos investimentos, outro elemento também comum a todas as crises, independentemente de sua época, é a corrupção. Não uma corrupção simples, mas uma endêmica, que, desde sempre, tem sido uma constante na esfera pública, desde que Cabral por estas bandas aportou. Somadas a má gestão contínua e a corrupção frequente dos recursos dos brasileiros, não é de se surpreender que mais uma vez nos vemos nadando nus na baixa da maré.
Desta vez, diante da maior de todas as crises já detectadas até agora, foi preciso a constituição de uma força-tarefa numerosa e supra-administrativa, envolvendo os mais diferenciados órgãos da Justiça, para que fosse possível fazer uma radiografia, mesmo que tênue, do problema de desvios de recursos da população, praticados justamente por pessoas indicadas pela sociedade para protegê-la.
Pelo que se sabe até agora, em estudos preliminares, R$ 200 bilhões têm sido escoados a cada ano pelos ralos da corrupção. Também tem sido apresentado em capítulo a toda a população que os principais responsáveis pelos desvios são as classes dirigentes, que, além desse crime comum, colaboram também para que a montanha de dinheiro restante seja aplicada de forma errada e totalmente irresponsável, gerando prejuízos para toda uma geração.
A frase que foi pronunciada
“Se o governo brasileiro não consegue conter nem quem está preso, imagine quem está solto!”
Disse um bloqueador de celular
Panteão da Pátria
» Em agosto de 1961, comentávamos, nesta coluna, que na praça dos Três Poderes o pombal da d. Eloá, esposa de Jânio Quadros, poderia ser substituído por um monumento escultural em forma de pombo. Vinte cinco anos depois, Oscar Niemeyer acatou a sugestão.
Rogério vs. Rodrigo
» Por falar em Praça dos Três Poderes, a busca de apoio para a eleição da Presidência da Câmara dos Deputados está acirrada. Rosso resolveu mostrar a que veio e Maia argumenta para convencer. Mais do que o Planalto apoiar, quem é da Casa é que tem nas mãos a escolha.
Promessas
» Rosso promete que não haverá mais sessões até a madrugada. O plenário da Câmara será fechado às 21h30 no máximo. Maia ainda não fez promessas. Aguarda as formalidades para ter certeza se vai ou não se candidatar. Se for possível concorrer à Presidência da Câmara, anunciou que as promessas serão feitas pela sua conta nas redes sociais.
Aqui entre nós
» Rosso viaja para Fortaleza. Por coincidência ou não, Eunício Oliveira, do Ceará, é o candidato preferido para a Presidência do Senado. Sintonia?
Americanas
» Um senhor saía furioso das lojas Americanas da W3 Norte. Recebeu a fatura de um cartão que nunca pediu nem nunca usou. Ao reclamar para o vendedor, ouviu o seguinte: “Mas são só R$ 10 por mês!” Deu três passos e encontrou um advogado que se ofereceu para fazer a petição.
História de Brasília
Apresentando as despedidas que não pôde fazer no dia da renúncia, cordial, o general Pedro Geraldo estava no Palácio Planalto. Explicou para a imprensa por que tantas vezes não foi o mesmo amigo daquela hora. Homem bom.(Publicado em 29/8/1961)
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Foi preciso que 60 presos, sob a custódia frouxa do estado do Amazonas, fossem brutalmente assassinados para que as autoridades e parte da imprensa acordassem para um outro problema, maior e mais preocupante do que tudo o que já ocorreu anteriormente. Trata-se das evidências claras de que o crime organizado, nas suas variadas modalidades, já escalou os principais degraus que levam ao poder do Estado.
Há muito tempo, os sinais do flagelo vêm sendo emitidos, sem que nenhuma resistência séria tenha sido providenciada. A própria coluna já registrou que cinegrafistas da TV Câmara precisaram de tempo para esquecer os horrores que gravaram nas penitenciárias do país durante rico documentário produzido pela própria emissora.
Todos os elementos que têm levado a política a se transformar em caso de polícia estão postos sobre a mesa para quem quiser ver. O que já é evidente para toda a sociedade é que o avanço contínuo do submundo do crime sobre a atividade política se vale, em grande parte, da inapetência e, em alguns casos, do comprometimento das autoridades, com a anomalia silenciosa.
Não é por outro motivo que, alarmados, a população e o próprio Ministério Público apresentaram suas propostas para impedir e dificultar a instalação do crime nas instâncias de poder, principalmente no Poder Legislativo. A Lei da Ficha Limpa e as 10 medidas contra a corrupção são parte desse esforço desesperado de pôr freio no avanço, mas infelizmente, ou melhor, sintomaticamente, ainda não foram entendidos como tal e postos em prática.
No vácuo que se criou entre o que vale e o que ainda necessita de entendimento para barrar o caminho dos fora da lei é que o crime medra. Nas últimas eleições para prefeito e vereadores, exemplos da proximidade perigosa foram registrados em todo o país.
Vídeo que circula nas redes sociais, por exemplo, mostra a posse do vereador eleito pela cidade de Caratinga (MG), Ronilson Marcílio (PTB), trajando o uniforme vermelho do presídio onde se encontra em regime fechado. O político sai do camburão, adentra a Câmara Municipal algemado e, sob escolta policial, faz o juramento de posse, assina a papelada e, impávido, é recolocado na gaiola da viatura policial e retorna para a cadeia sob vaias e protestos da população. O vídeo é espelho do Brasil atual.
Em algumas cidades, outros vereadores e prefeitos eleitos nem sequer compareceram para tomar posse. Foragidos e com mandado de prisão expedidos, muitos nem foram para a cerimônia de posse, com medo, obviamente, de serem presos. É preciso reconhecer que os escândalos do mensalão e do petrolão deram exemplos “edificadores” de como a política pode descambar facilmente para o crime e como é difícil ser detido pelas forças da ordem, uma vez eleito e empossado.
Também é preciso assinalar que os projetos de liberação dos jogos de azar e dos cassinos no país, em fase conclusiva no Congresso, servirão como patamar sólido para a escalada do crime organizado rumo ao controle definitivo do Estado.
A frase que foi pronunciada
“Para cobrar dos cidadãos pelas obrigações não cumpridas, o Poder Executivo é implacável. E quando o próprio Poder Executivo afronta a lei? A quem recorrer? Onde está a OAB? A Defensoria Pública? Nossos dirigentes são uma vergonha para o mundo!!!”
Grito de uma mãe solidária com as mães do lado de fora do Complexo Penitenciário Anísio Jobim
Solução
» Danilo Porfírio de Castro Vieira, advogado, levanta a bandeira do recall eleitoral. Se o candidato sair da linha, não cumprir o que prometeu ou causar danos ao erário, a população teria o poder de lhe cassar e revogar o mandato. A chamada para a reavaliação seria feita por iniciativa popular. No caso, ou assumiria o vice ou haveria nova eleição.
Ombusdman
» A cada dia, as ações do site de Rinaldo de Oliveira, SóNotíciaBoa, devem subir. O site é um refúgio para descansar os olhos e ouvidos das tragédias diariamente publicadas na imprensa. É bom lembrar que não faz muito tempo as notícias que detalham movimentos sórdidos da violência, no passado, eram publicadas apenas na imprensa especializada em desgraça humana.
Registro
» Assistindo à matéria de Fabiano Andrade, da Globo, sobre a mansão de Valmir Amaral, lembrei-me do abandono da Academia de Tênis. O glamour deu lugar ao abandono.
História de Brasília
Sem solução o caso da Prefeitura de Brasília. O presidente da República não está mais disposto a uma partilha política. Isso significa que está compreendendo a situação do Distrito Federal.
(Publicado em 20/9/1961)
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Com as imagens do massacre na penitenciária Anísio Jobim, em Manaus, correndo o mundo, mais uma vez, o Brasil é mostrado ao vivo e em cores como um país primitivo e extremamente violento. A Anistia Internacional elaborou e divulgou um relatório sobre o episódio, em que mostra o que os governos há muito querem esconder: a falência das políticas de segurança do país e principalmente do sistema carcerário. No documento, é dito que, por causa da superlotação, a violência, um problema comum em todas as cadeias brasileiras, é generalizada. Amontoada e abandonada à própria sorte em celas minúsculas e insalubres, a maioria dos prisioneiros já percebeu que a única assistência com que pode contar e que está à mão é fornecida diretamente pelas facções do crime que agem, com desenvoltura, dentro e fora dos presídios.
São os grupos de foras da lei que assumiram, de fato, muitos presídios, fornecendo desde a escova de dente até o acesso aos advogados de defesa. O preço, obviamente, por esses serviços assistenciais é alto e é cobrado na forma de adesão obrigatória ao bando. O crime (bem) organizado conhece o vácuo de poder do Estado dentro do sistema carcerário e preenche o espaço vazio e nele se fortalece ainda mais.
Com a facilidade das comunicações e dos chamados pombos-correios, que podem se, desde familiares até servidores públicos e mesmo advogados, os grupos, antes dispersos, resolveram se unir de norte a sul, multiplicando as atuações, os lucros e o poderio estratégico. Para piorar a situação, a corrupção endêmica em todos os escalões contribui para facilitar o trabalho e o crescimento dos grupos criminosos. Trata-se de fenômeno que vem ganhando corpo e que, se não for contido, facilmente poderá evoluir para a formação de grupos paramilitares, à semelhança de muitos cartéis das drogas que agem em toda a América Latina há décadas, principalmente nas extensas áreas de fronteira da Amazônia.
A situação beira o surreal. O próprio juiz, chamado pelos rebelados do Compaj para negociar o fim da rebelião, Valois Coelho, é suspeito de possuir ligação com a facção criminosa Família do Norte e é investigado na Operação La Muralla, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A corrupção generalizada nos altos escalões do governo local e federal estão por trás dos acontecimentos de Manaus. Entre 2010 e 2016, as empresas Umanizzare e a Conap, que cuidam da gestão dos presídios na região, receberam mais de R$ 1 bilhão em repasses do governo. Somam-se às irregularidades as suspeitas de que a própria facção Família do Norte deu apoio formal à campanha de reeleição do atual governados José Melo. Pesa ainda sobre a gestão do atual governo do Amazonas a acusação de que as mesmas empresas que cuidam do sistema prisional no estado doaram R$ 300 mil para a campanha eleitoral ao governo.
A chacina, inclusive, foi um massacre anunciado, já que as autoridades daquele estado, há mais de um ano, tinham informações seguras sobre a possibilidade da ocorrência dessas ações bárbaras. A corrupção política e administrativa, praticada desde sempre nos estamentos superiores, foi reproduzida com muito sangue, na base da pirâmide. Tem sido assim desde a chegada de Cabral, em 1500.
A frase que foi pronunciada
“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.”
Friedrich Nietzsche
Emprego
» Boa notícia para os desempregados. A rede de cafés Starbucks anuncia expansão no país e diz que vai começar por Brasília. Peet’s Coffe também seria interessante.
À espera
» É justamente agora, no início do ano, que a política fervilha longe dos olhos da população. Antes de localizar os compradores de votos e os empresários que bancarão as campanhas, a articulação, que está no auge, a busca é pelo candidato que convencerá o brasileiro a dar o voto. Depois fortunas são gastas em publicidade, quem tinha mais dinheiro para bancar as promessas aparentemente convincentes vence (na maioria), depois é a vez da troca de favores e do balcão de negócios às custas dos contribuintes e finalmente o choque de realidade. Até as próximas eleições.
1º passo
» Marcelo Crivella, eleito prefeito do Rio de Janeiro, já entrou desagradando muita gente. Uma das primeiras iniciativas prometidas pelo ex-senador é rastrear os supersalários. Por enquanto, só rastrear.
2º passo
» Como sempre, depois de ocupar o cargo, todas as lentes se voltam para o passado do político. Uma força-tarefa desencravou da radiola uma música na qual Crivella rejeitava a idolatria e rimava com heresia, ao referir-se ao chute dado na imagem de Nossa Senhora. Bem acessorado, ontem pediu desculpas.
História de Brasília
O sr. Adauto Lúcio Cardoso, em quem tanto confiávamos, desistiu da representação apresentada contra o então presidente da República e os três ministros Militares. Para recuar depois, deputado, é melhor pensar antes e não fazer. (Publicado em 20/9/1961)
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com Circe Cunha e MAMFIL
Nenhuma das muitas propostas em discussão ou mesmo aquelas já aprovadas e sancionadas pelo Executivo terão eficácia e um futuro longevo se não forem precedidas da maior e mais importante reforma de todas: a política. Sem uma reforma política séria, as demais mudanças necessárias e urgentes para um Brasil em crise permanecerão numa espécie de limbo, se equilibrando ao sabor e sob pressão das formações de ocasionais blocos partidários. A qualquer mudança no ambiente parlamentar, a qualquer vacilo do Executivo, as coligações e apoios políticos esvanecem e tudo volta à estaca zero.
A reforma da Previdência, dos tetos dos gastos, das leis trabalhistas e tributárias permanecerão letra viva somente enquanto forem atendidas as exigências dos parlamentares. A qualquer momento, o vento da desconfiança volta a soprar e aquela nuvem que parecia um cordeirinho rapidamente se transforma num lobo faminto.
Emendas com poder de desfigurar projetos brotam e desaparecem a toda hora e são alimentados com as proteínas das contrapartidas. Nesse instável ambiente de mão dupla (em que é dando que se recebe), é que estão postas todas as reformas.
Neste jogo, o Brasil dos brasileiros fica em segundo plano. Portanto, sem a reforma política, o país continuará dançando conforme a música tocada pelo parlamento. De todas as reformas prementes, quis o destino que justamente a principal, da qual todas as demais derivam, permanecesse como está.
O motivo é conhecido de todos e resulta do simples fato de que não se reformam privilégios, principalmente aqueles obtidos por meio de um corporativismo encastelado no alto do poder. Não se faz a reforma política porque uma mudança pra valer compreende, obviamente, o fim do secular status quo político .
O mensalão e agora o petrolão, seu filho direto, já deixaram rastros mais do que suficientes de que o mecanismo de governo de coalizão, nos moldes como ele é praticado, é nefasto para a sociedade brasileira e compromete seu futuro. Nem o afastamento dos cargos nem a prisão de todos os comprovadamente envolvidos nesse mega escândalo terão o condão de reconduzir o país para os trilhos onde se encontram as Nações do primeiro mundo.
A janela para a imersão definitiva do Brasil no século 21 só poderá ser aberta por meio de uma reforma política que acabe não só com as dezenas de legendas de aluguel, mas com o fundo partidário bilionário, com a prerrogativa de foro, com o aparelhamento da máquina pública e com a possibilidade de enriquecimento pessoal através do Estado. Apesar de todo o esforço que vem sendo feito pela equipe do atual governo, a população já sabe de antemão de nada adianta começar a reforma da casa pelo telhado, principalmente quando se sabe que o terreno é pantanoso.
A frase que foi pronunciada
“A reforma Política é importante, mas nenhuma reforma será maior do que a conscientização popular.”
Victor Bello Accioly, doutor e mestre em ciências da administração
O que
» “O Facebook do Senado nos motivou por fazer exatamente o que desejamos com o nosso chatbot, através de postagens. É uma página que tem foco definido e nós também gostamos da maneira como ela interage e oferece informações de valor para o cidadão.” As palavras são de Ludmila Cruz, que, com Marcelo Araújo criou o robô que traduz o juridiquês de projetos de lei.
O Senado
» Inspirada pela página de mídia social do Senado, a dupla que estuda engenharia de software na UnB criou um robô que interage na conversa com humanos. O resultado foi a vitória no prêmio Hackaton Serpro. Orgulho dos moradores do Gama.
Tem de bom
» Tadeu Sposito do Amaral, Juliana Borges e Silvia Gomide Gurgel não escondem o entusiasmo com o chatbot. É perfeitamente viável para facilitar a comunicação com a população interessada em exercer a cidadania.
Prova de fogo
» Além de varrer as ruas da cidade, Doria, novo prefeito de SP, vai ocupar as agências bancárias vazias para adaptá-las como novas creches. Já prometeu abrir 66 mil vagas.
História de Brasília
As informações desencontradas que têm vindo do Rio dão conta de que a COFAP teria determinado o congelamento geral de preços em todo o Brasil. Eu queria saber que preços? Se os preços do supermercado ou do Serve Bem, se os preços das mercearias ou os dos estabelecimentos de subsistência.
(Publicado em 30/08/1961)
DESDE 1960 »
jornalista_aricunha@outlook.com / com Circe Cunha e MAMFIL
Com a proposta apresentada pelo secretário de Educação, Júlio Gregório, de otimizar os espaços físicos das Escolas Parques, incluindo-os dentro do projeto-piloto de educação integral, está dada a largada para uma grande e desnecessária polêmica.
Grande, porque se trata de usar e substituir uma escola de qualidade, para edificar uma escola de quantidade, de olho apenas nas estatísticas e nos números. A desnecessária polêmica surge do fato de que, por falta de estudos mais aprofundados e balizados e por falta de comunicação, o GDF quer construir um modelo de educação experimental sobre os escombros de outro, revolucionário, eficaz e reconhecido em todo o mundo como exemplo a ser seguido e copiado.
O que mais estarrece é que, com base na ideia de educação integral, querem destruir o modelo de Escola Parque, talvez por ignorarem que ambas foram criadas pela mesma pessoa e visando um único objetivo: educação de qualidade, pública, gratuita, mista, laica, obrigatória, integral e universal. É impossível que o ensino seja integral nas instalações das escolas de hoje. Não há como instalar fisicamente crianças do turno matutino com o turno vespertino em período integral. Era aí que a Escola Parque entrava com aulas de música, teatro, pintura, xilogravura e artes em geral. Era uma escola onde não havia competição. Valia a criatividade, o espírito aventureiro, desbravador, com todo o estímulo dos professores.
Nascida do “Manifesto dos Pioneiros” de 1932, o modelo de Escola Parque foi implementado e testado primeiramente em Salvador, em 1949. Em 1957, Anísio Teixeira, a convite do presidente Juscelino Kubitschek, elaborou o plano de sistema escolar da Nova Capital, incluindo, além do ensino integral, as Escolas Parques, cujo modelo funcionou plenamente até a década de 1990, quando passou a sofrer todo o tipo de ataque, vindo especialmente de políticos, em grande parte formado por gente iletrada, que via erroneamente, naquele sistema um modelo elitista e excludente.
Sob o argumento de que a proposta original de Anísio Teixeira havia sido abandonada havia muito tempo, o secretário de Educação busca justificar a medida tomada às pressas pelos burocratas da Coordenação de Ensino do Plano Piloto, sem estudos, sem planejamento, na expectativa de solucionar problemas imediatistas. Trata-se, obviamente, de uma solução improvisada, mas que trará profundas consequências a longo prazo.
A bem da verdade, o GDF deveria se empenhar por construir todas as Escolas Parques planejadas e, se possível, ir além e construir tantas quanto forem necessárias. Talvez por não compreender o alcance revolucionário dessa modalidade de educação, os atuais gestores, até pela deficiência de formação, acham que podem trocar o certo pelo duvidoso, com olho apenas no horizonte visível das próximas eleições.
Por anos, a população de Brasília e do Brasil tem assistido inerte a entrega de importantes pastas da educação e da saúde, em mãos que desperdiçam tempo e recursos em ideias mirabolantes, que logo são deixadas de lado, quer pela inviabilidade, quer por se tratar de proposta eleitoreira, sem base e sem futuro. Parece ser este o caso atual.
A frase que foi pronunciada
“É preciso substituir o pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e une.”
Edgar Morin
Moda
Tevah é uma loja masculina com seção de roupas sob medida. Já são 43 unidades no Brasil. A marca procura franqueados em Brasília.
Balela
Governadores de estados litorâneos resolveram cercar acessos livres às praias para não deixar que escapem os carros com problemas de licenciamento. O que parece correto é ilegal. O acesso às praias é constitucionalmente livre.
Próximos
Ciro Gomes, Marina Silva, Lula, Aécio, Alckmin, Jair Bolsonaro, Roberto Justus, Joaquim Barbosa, Sérgio Moro. Façam suas apostas (em casa).
Novidade velha
Aumentar imposto para garantir o cumprimento da meta fiscal é a única alternativa aos olhos dos que, de tanta gordura orçamentária, não conseguem vislumbrar nada no espelho. Não se vê um governador substituindo camarão por kani.
Na internet
Por todo o país podemos ver a imagem nababesca de um helicóptero pousado no gramado de um condomínio no lago de Furnas para que um rapaz cercado de amigos pudesse voltar para casa. Tudo seria normal se o deputado sargento Rodrigues não declarasse ao blog O Antagonista que denunciará Fernando Pimentel na Procuradoria-Geral de Justiça de Minas Gerais pelo crime de improbidade administrativa. Depois do réveillon, o filho de Pimentel teve à sua disposição a aeronave do governo para uso particular. Parece que a Lava-Jato não vai servir de lição para ninguém. Então, que paguem!
DESDE 1960 »
jornalista_aricunha@outlook.com /
Circe Cunha e MAMFIL
“Digno de espanto, se bem que vulgaríssimo, e tão doloroso quanto impressionante é ver milhões de homens a servir, miseravelmente curvados ao peso do jugo, esmagados não por uma força muito grande, mas aparentemente dominados e encantados apenas pelo nome de um só homem cujo poder não deveria assustá-los, visto que é um só, e cujas qualidades não deveriam prezar porque os trata desumana e cruelmente .”
Etienne de La Boétie em Discurso Sobre a Servidão Voluntária
2017 ainda não será um ano totalmente novo. Restarão pendências do passado a serem resolvidas. A intensidade do ano que termina estende seus múltiplos efeitos para frente. Dependendo da capacidade de mobilização da população e da disposição de parte das autoridades comprometidas com as transformações que são necessárias e prementes, o novo ano será um tempo de preparação para o grande salto, rumo a um Estado moderno, enxuto e eficiente, administrado por pessoas capacitadas técnica e moralmente, livre da interferência predadora de partidos.Se a população ainda não sabe com exatidão o que quer e esperar para 2017, pelo menos já sabe e aprendeu através de árdua experiência o que não quer mais. Nunca mais. Os brasileiros aprenderam a identificar e dar os nomes a cada um dos elementos que formam o “custo Brasil”. Sabe onde estão, o que fingem fazer e o que querem de fato. 2016 ensinou a todos onde eles estão, como se agrupam, como se protegem, a quem recorrem para se livrar das penas da lei. Que ameaças fazem a todos que ousam questioná-los? Trata-se de uma lista extensa, com males copiosos.A sociedade tem em mãos a lista de todos aqueles que têm contribuído para o aumento da pobreza, do desemprego e do desespero. Sabe que, não fatores, mas, pessoas e grupos específicos que cuidam de manter o status quo e de perpetuar a condição de subdesenvolvimento. De Norte a Sul, todos conhecem, de cor, a relação daqueles que enriqueceram com negócios escusos às custas do Estado.A esta altura dos acontecimentos, todos conseguiram identificar o que são fatos e o que são narrativas tecidas com as linhas invisíveis da fantasia. De todas as poucas oportunidades que se apresentaram à nação, desde o ano de 1500, nenhuma é mais oportuna e imperdível do que esta que agora se apresenta. É dado o início do tempo de purgação.Da defenestração sumária de todos os sujeitos do atraso secular. Não haverá um ano novo enquanto tudo o que é apodrecido não for abolido. Da falsa dicotomia do “nós contra eles”, restou agora a certeza de estarmos sós. O subdesenvolvimento brasileiro debitado, por décadas, as parasitoses e anemias ou mesmo as saúvas vorazes, tem agora um diagnóstico preciso, formulado, não por médicos ou agrônomos, mas pela polícia.Que venha 2017, trazendo mais vigor e disposição para que todos os brasileiros possam prosseguir na tarefa de limpar a casa, roçar o mato, eliminar as pragas e as ervas daninhas, caiar o muro e preparar a terra para o plantio.
A frase que não foi pronunciada
“Em qualquer país em que o talento e a virtude não produzam progresso, o dinheiro será a divindade nacional.”
Denis Diderot
Estranho
Surpreendidos pela nova regra interna dos Correios, consumidores questionam a decisão. Todo e qualquer objeto enviado terá que ter na parte externa a nota fiscal ou termo de declaração de conteúdo com o valor. Isso porque a empresa está sofrendo fiscalização e autuação por parte de órgãos de receitas estaduais. Apesar de ser compreensível, não há a publicidade obrigatória para os usuários nem mesmo uma lei sobre o assunto. Apenas memorandos e portarias.
Férias
Planetário abre inscrições para a meninada participar da colônia de Férias. Uma ótima pedida.
Segredo
Nesse ano, Ari Cunha comemora 90 anos de idade. Um presente que Silvestre Gorgulho está quase embrulhando é um registro no livro dos Records como a coluna mais longeva do mundo.
História de Brasília
Aspectos da reunião de ontem cedo no Planalto: Lino de Matos, com raiva porque não foi recebido; Auro Moura de Andrade, sério e sisudo, com os acontecimentos; Anísio Rocha, procurando uma fórmula em torno do nome do marechal Dutra; Herbert Levy, reservado; Almino Afonso, entusiasmado, anuncia a vinda do presidente Goulart e os ministros militares, descendo pela saída direta para a garagem, evitando repórteres. (Publicado em 29/08/1961)

