Armadilhas e fofocas

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Ari Cunha com Circe Cunha e MAMFIL

Devem-se aos contínuos avanços da tecnologia, a facilidade com que tudo que se move pode ser gravado em filme e áudio e disponibilizado, em segundos, para milhões de pessoas simultaneamente. O lado bom dessas novas possibilidades é que o que deveria, por motivos escusos, ser mantido longe do conhecimento da sociedade, vem a tona, para o bem da transparência na gestão da coisa pública. O lado ruim dessa bisbilhotice eletrônica desenfreada é que o mundo da fofoca e da semeadura de intrigas e discórdias ganha um aliado sem igual na desestabilização de amizades ou de governos.

Por enquanto, o desenrolar das conversas, gravadas sorrateiramente pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, com o vice-governador Renato Santana ainda não ultrapassaram a tênue fronteira que separa o que é mexerico do que é fato. Ainda assim o caso vem ganhando repercussão graças a entrada oportunista da Câmara Legislativa no assunto.

Para quem acompanha do alto o caso, soa estranho que um vice-governador que se diz conhecedor de fatos graves, envolvendo um órgão tão sensível e com tantos problemas como a Pasta da Saúde, não tenha, imediatamente, comunicado o fato ao governador, ao Ministério Público , a Polícia Federal e Civil ou mesmo a imprensa, para colocar a questão a limpo.

Parece estranho ainda o modo como a sindicalista preparou e arquitetou toda uma investigação por conta própria, fazendo seguidas gravações, montando dossiês e até um intrincado organograma do caso. Há ainda algumas dúvidas sobre o conhecimento ou não do vice-governador de que estava sendo gravado. Tudo neste caso caminha ainda no limbo das presunções.

Parece ainda mais estranho que tenha vindo justamente um outro sindicato, no caso o dos Delegados do DF a pronta disposição para a criação de uma força-tarefa voluntária para ajudar na apuração das supostas irregularidades na área de Saúde.

O governador erra em se deixar levar pela correnteza incerta dos acontecimentos. De concreto e positivo fica a determinação do chefe do Executivo local de encaminhar a Corregedoria do GDF e à polícia a abertura de investigações.

O entrelaçamento do mundo da política com o mundo do crime é fato e os brasileiros vem tomando conhecimento dessa união através da Operação Lava Jato e congêneres. Agora, acreditar que o atual governo tenha tido a ousadia de participar da rapinagem do dinheiro público, depois de tudo o que Brasília assistiu com os últimos ex governadores, é crer que , de fato, não vale a pena continuar com o atual sistema que deu autonomia política a capital.

A frase que foi pronunciada:

“ Não há diferença entre humanos, há estratégia.”

Bruce Killer

Release

Na última sexta-feira o TJDFT o desembargador Mario Machado Vieira Netto empossou seis novos membros da Corte local. Os futuros desembargadores do TJDFT são os juízes de Direito substitutos de 2º Grau James Eduardo da Cruz de Moraes Oliveira, Cesar Laboissiere Loyola, Sandoval Gomes de Oliveira, Esdras Neves Almeida, Gislene Pinheiro de Oliveira e Ana Maria Cantarino.

Novidade

São necessários 43 anos para que um brasileiro, solteiro, com um salário mímimo de renda seja capaz de obter o mesmo rendimento de alguém da classe média. Ou um milionário gastaria menos de 1h30 para receber R$880, os mesmos reais que o assalariado recebe por um mês de salario. Trata-se da calculadora da desigualdade , uma ferramenta criada pela Oxfam para aferir a desigualdade na Améria Latina e Caribe

Ferro e fogo

A ira de moradores com o descaso de donos de cachorros chegou ao limite. Uma campanha que está ganhando adeptos por toda a cidade é chocante. Se o dono do cachorro nao recolhe as fezes caninas deixadas pelo animal, o pessoal da campanha o faz. E faz mais ainda. Acondiciona em uma caixinha, segue o dono, espera que ele entre em casa. Daí toca a campainha e entrega o material expelido pelo pet.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Hoje é domingo. Presidente novo, de muda para o Alvorada. O Lago não terá vento forte. Dia bom para pescaria. Até já, tilápias.

(Publicado em 10/09/1961)

Roubam o futuro do país diante do silêncio dos honestos

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Se forem observadas através da lupa dos órgãos da justiça e da polícia, é certo que em praticamente todos os setores da administração pública do país serão identificadas irregularidades das mais variadas, desde as mais simples e corriqueiras até casos mais complexos e de grande monta.

É conhecido, nas repartições públicas, o desvio diário, pelos próprios funcionários, de pequenas quantidades de material básico como papel, lápis, clipes, levados para uso particular. É o chamado roubo formiguinha. Somados, estes desvios continuados causam prejuízos de milhões de reais aos contribuintes.

Usar os serviços e o material das repartições públicas para fins particulares é tão comum que já não causa mais espanto. Os antigos costumavam dizer que quem desvia um centavo desvia um milhão. “Non adimittitur peccatum nisi restituatur ablatum” ou “não se perdoa o pecado sem se restituir o que foi roubado”, dizia padre Antônio Vieira no século 17.

Nos hospitais desaparecem desde medicamentos básicos até estetoscópios, termômetros e outros materiais. Nas delegacias, somem armas e munições. Nos quartéis, só não levam o canhão. Nas escolas e universidades públicas, tudo é alvo dos amigos do alheio. Nada escapa à sanha dos fajardos. Até os materiais mais inusitados são surrupiados, como tampa de bueiro, placas de sinalização, fiação elétrica, roupas no varal. Nem os locais de descanso eterno escapam da ação dos ladravazes. Túmulos são saqueados; imagens, crucifixos e quaisquer objetos de valor são levados sem medo de assombração. Aliás, um crucifixo bem importante foi noticiado pela imprensa como desaparecido de algum palácio em Brasília. Nas igrejas, sob o olhar dos santos, roubam-se os dízimos. Em outras, pastores tungam os fiéis sob promessas de futuras farturas no além e punição do fogo do inferno.

O que a Operação Lava-Jato e congêneres têm mostrado para todo o país é que, nem aqueles aos quais foi confiado à guarda das coisas do Estado (res pública) são dignos dessa missão. Fossem todos, dos maiores aos menores, obrigados a devolver 100% do subtraído e condenados a prisão por gatunagem, obviamente não haveria espaço suficiente para trancafiar tal multidão.

A delinquência é democrática e está presente em todos os escalões sociais. A diferença é que para as elites existem aqueles advogados, de altos honorários, que, mais do que conhecer os meandros da lei, conhecem os juízes certos para cada caso. Nas camadas de poder aquisitivo menor a história se repete. Mesmo os programas sociais são tungados de cima a baixo e de baixo para cima. O caso recente do conjunto Paranoá Parque é um exemplo. O Governo do Distrito Federal vem investigando casos de venda e de aluguel dos apartamentos recebidos no programa Morar Bem Habita Brasília. Ocorre o mesmo com parte das propriedades entregues por meio de programas de reforma agrária e assentamentos de famílias na área rural.

Entre os elementos que compõem o chamado Custo Brasil, a corrupção tem um peso considerável. Estudo apresentado em 2015 pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) dão conta que até 2,3% de nosso Produto Interno Bruto (PIB) escoam a cada ano pelo ralo largo da corrupção, ou algo como R$ 100 bilhões.

A situação é tão séria que mesmo a Anistia Internacional tem denunciado que os casos de corrupção no Brasil têm tido reflexos negativos e diretos tanto sobre a questão dos direitos humanos, como no aumento da criminalidade.

A frase que foi pronunciada

“A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.”

Jô Soares, antes das operações da Polícia Federal

Vale ver

Hoje é dia de acompanhar Cantorias, um excelente documentário da TV Senado, às 21h30. Entrevistas de pessoas que sabiam da vida ou espírito do lendário Zé Limeira, chamado por Orlando Tejo de “o poeta do absurdo.” Depoimentos de Ariano Suassuna, Chico César, Siba, João Furiba, Geraldo Amâncio, Ivanildo Vila Nova, Moacir Laurentino, Oliveiras de Panelas, Jomaci Dantas, Beto Brito, Marcus Accioly, Bráulio Tavares e Gonzaga Rodrigues. O programa será reprisado.

História de Brasília

A informação extraoficial que se tem é a de que a Prefeitura será “dada ao PSD de Goiás”. Prefeitura não se dá, Brasília não se concede. Escolha-se um técnico da equipe que a construiu, e seja este, o Prefeito. (Publicado em 12/9/1961)

Volta o dragão da inflação. Herança maldita

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Volta o dragão da inflação.

Herança maldita

De todos os dados que demonstram de modo cartesiano a crise que se instalou na economia do país, nenhum é mais importante e preocupante do que aquele que assinala o fechamento de postos de trabalho.

Primeiro, porque a questão do desemprego afeta direta e individualmente cada um dos brasileiros e, por tabela, suas famílias. A propagação e os efeitos do fechamento de postos de trabalho geram malefícios que ultrapassam os próprios indicadores numéricos, incidindo em cheio na questão social.

Quando os efeitos da crise econômica começam a ser inscritos na Carteira do Trabalho nas folhas destinadas às anotações de rescisão de contrato, o estrago está consumado. Nesse ponto, a questão dos indicadores e da matemática deixa de ser preocupação apenas de economistas e ascende a um outro patamar de importância que diz respeito ao maior bem de todos: a cidadania.

A divulgação agora apresentada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), feita pelo Ministério do Trabalho, demonstra que em junho foram fechados mais de 91 mil vagas de emprego formais. Mesmo a sensível melhora registrada, se for comparada com os dados de junho de 2015, quando foram fechados 111.119 postos, demonstra que o flagelo do desemprego ronda os lares em todo o país. Se forem contabilizados os últimos 12 meses, esse número ascende para 1,765 milhão de postos com carteira assinada a menos.

Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego atual se situa em 11,2%, o que equivale a dizer que 11 milhões de brasileiros, em idade ativa, estão desempregados. É a maior taxa registrada desde 2012. Basta percorrer os centros das metrópoles brasileiras para constatar o grande número de estabelecimento comerciais fechados.

Sumiram os empregos e os consumidores. Shoppings e supermercados estão vazios. Só se compra o essencial e básico. Sem consumidores, crescem os riscos de desabastecimento por falta de demanda. Sem demanda, cai o ritmo industrial. Sem as compras pelo setor de transformação, acabam os pedidos para o setor primário.

A contaminação sistêmica se instala de modo crônico. O ciclo de crise econômica se fecha e é perpetuado. Nos últimos três meses, a indústria fechou 3,9% dos postos de trabalho, o comércio 1,7% e construção civil , mais afetada, fechou 5,1% dos empregos. Também o rendimento médio real, recuou 3,3% em relação a 2015. Os salários dos trabalhadores da agricultura, pecuária, pesca e produção florestal, tiveram também um recuo da ordem de -6,4%.

A crise bate à porta das famílias brasileiras, adentra pelas dispensas vazias e se instala na sala de visitas em frente à televisão, aguardando boas notícias, que, pelo visto, tão cedo não chegarão.

A frase que não foi pronunciada

“Dilson Funaro disse que teríamos um crescimento japonês com uma inflação suíça. Ainda tem desse sonho para vender?”

Senhorinha que gosta de discursos

Institutos

Sem órgãos de defesa do consumidor que façam alguma coisa efetivamente, o brasileiro continua a pagar R$ 12 pelo quilo de feijão. O advento da internet é uma arma potente contra esse tipo de abuso. Em apenas alguns minutos, é possível organizar um boicote de dimensões continentais. Mas somos um povo resignado. Do feijão ao STF.

LIA

A Lei de Improbidade Administrativa já existe. Não falta legislação no país. O Ministério Público do Pará tem um estudo interessante sobre o assunto no portal http://bancodeprojetos.cnmp.mp.br/consulta.seam

Apareça

Pena que os atletas do Rio estejam perdendo o XVI Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros. O evento vai até domingo, em São Jorge. Mas você pode se programar para passar o fim de semana mais perto da cultura brasileira. Roças, quilombolas, pequenos produtores, rezadeiras, parteiras, batuqueiros, artistas do povo e também indígenas. Eles iniciaram a programação do encontro com a Aldeia Multiétnica, que chegou à 10ª edição.

História de Brasília

Está de pé o caso da Prefeitura de Brasília. O regime parlamentarista está sendo desvirtuado, porque estão fazendo leilão de cargos. O que ocorre com Brasília é simplesmente lamentável. (Publicado em 12/09/1961)

Prejuízos olímpicos

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Governos populistas, sem exceções, em todo tempo e lugar, buscam nos eventos esportivos, principalmente aqueles de intensas repercussões interna e externa, meios de difundir e propagandear seus feitos e imagem. A história está repleta de exemplos desse tipo e mostram como o personalismo, o apelo ufanista e a exploração marqueteira da gestão do Estado caminham, lado a lado, com esses grandes torneios. Não foi diferente durante o governo Médici, e não foi diferente no governo Lula.

Arquitetadas dentro do esquema cartesiano e frio de propaganda do governo, a Copa do Mundo de Futebol e agora as Olimpíadas serviram para incensar e pôr em primeiro plano a figura do chefe do Executivo. Pai dos pobres, pai da pátria, pai dos esportes. Não importa o epíteto, interessa, isso sim, destacar que graças à intervenção pessoal do “nosso guia”, o Brasil se tornará também uma potência nos esportes. Todo o resto, incluindo os gastos astronômicos para viabilizar os eventos, é secundário e vem em decorrência da premissa original.

Deixado o legado da Copa do Mundo, os grandes estádios são agora verdadeiros elefantes brancos, cuja manutenção diária exige cada vez mais recursos do contribuinte. O caso do Mané Garrincha, o mais caro de todas as arenas do planeta, é um exemplo concreto.

A Noruega abriu mão de realizar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 sob a alegação dos altos custos financeiros para o cidadão. Somente com a realização da Copa em 2014, a Fifa embolsou R$ 16 bilhões. Um recorde absoluto em toda a história da entidade. A maioria de seus dirigentes encontra-se hoje banida do mundo da bola e não se atreve sequer a sair das fronteiras do país, sob pena de serem presos e deportados para os EUA onde a Justiça quer trancafiá-los por longos períodos.

Quem lucrou também com aqueles jogos foram as grandes empreiteiras, a maioria investigada pela Operação Lava-Jato. Para o restante dos brasileiros, ficaram as dívidas com a festança. No caso das Olimpíadas, especialistas no assunto garantem que a realização desses eventos é um mau negócio e deixa dívidas de longo prazo para as sedes desses eventos de até 30 anos.

Estimativas como a do economista Andrew Zimbalist dão conta de que o Rio de Janeiro gastará cerca de R$ 20 bilhões para realizar os Jogos Olímpicos. Urbanistas de renome internacional, como a brasileira Raquel Rolnick, relatora das Nações Unidas para o Direito à Moradia e hoje uma das principais especialistas mundiais na questão, concordam que para a preparação desses eventos são comuns os casos de expulsões de grandes levas de moradores das áreas vizinhas aos jogos, encarecimento nos preços de moradia, falta de alternativas e pressão sobre as famílias mais pobres para deixarem os locais próximos dos eventos.

Esses contingentes desfavorecidos, diz Raquel, acabam empurrados para periferias cada vez mais distantes e sem recursos. Para Raquel, essas têm sido as características tanto das Copas do Mundo como dos Jogos Olímpicos pelo mundo. No caso da Olimpíada do Rio de Janeiro, a expulsão dos moradores da Vila do Autódromo serve como ilustração desse modelo de exclusão.

A frase que não foi pronunciada

“Mostre o que você bebe e eu digo o que você pensa.”

Frequentador assíduo do Bar Bante

Sem líderes

Enquanto os brasileiros penam para cumprir as regras trabalhistas, a Vila Olímpica no Rio de Janeiro foi surpreendida pelo Ministério Público que atestou mais de 600 trabalhadores sem carteira assinada ou contrato de trabalho. O mais difícil de ser brasileiro é não ter nos mandatários um exemplo a ser seguido.

Jovem escritor

Depois do sucesso do concurso de redação do Senado Federal, o Sindigraf-DF teve a mesma iniciativa ano passado e de tão rico o material apresentado resolveu repetir a iniciativa.

Novidade

Marcada para 4 de agosto, mas ainda não confirmada, audiência pública na Câmara dos Deputados vai analisar o projeto de lei com artigos contra a corrupção. O primeiro depoimento será do juiz federal Sérgio Moro.

Crise

Ovídio Maia, do Sindicato de Habitação do Distrito Federal (Secovi), informa que a profissão dos corretores de imóveis passa a ser exclusiva aos poucos e explica: “A remuneração do corretor não é fixa, é necessário fazer poupança e pensar em longo e médio prazos, se não, o trabalhador com certeza abandonará o mercado”.

História de Brasília

Está de pé, o caso da Prefeitura de Brasília. O regime parlamentarista está sendo desvirtuado, porque estão fazendo leilão de cargos. O que ocorre com Brasília é simplesmente lamentável. (Publicado em 12/09/1961)

Inoperância contra os cartéis

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com Circe Cunha e MAMFIL

Durante mais de duas décadas, o cartel dos combustíveis lesou os brasilienses. Estimativas subestimadas falam em prejuízos ao consumidor da ordem de R$ 1 bilhão ao ano. Ao longo de todo esste período, a combinação criminosa de preços foi facilitada por um misto de inoperância dos órgãos de fiscalização, do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (CADE) e do próprio Governo do Distrito Federal, auxiliados por uma turma de deputados distritais cujas campanhas eleitorais eram irrigadas com fartas doações de maus empresários.

A própria Petrobras, principal fornecedora dos produtos, se encontrava nesse mesmo período mergulhada no maior caso de corrupção de sua história. Dessa forma, os consumidores eram lesados em várias frentes simultaneamente. Também os combustíveis encontrados nas bombas era de qualidade duvidosa. Não foram poucos os casos de automóveis que tiveram seus motores danificados em razão de combustíveis “batizados”.

Nesses 20 anos, foram identificados e revelados pela imprensa vários casos de bombas de combustíveis com contadores adulterados. Parte volumosa dos lucros ilegais, tanto do fornecedor nacional como dos distribuidores locais, servia, obviamente, para garantir a continuidade dos negócios escusos.

Diante de um esquema tão poderoso e gigantesco que englobava o governo federal, o governo do Distrito Federal, todos os órgãos de fiscalização, além dos poderes Judiciário e Legislativos local e federal, o consumidor era invisível e indefeso, sem ter a quem recorrer.

Seguir o ciclo do combustível no país, desde sua retirada no poço, refino, distribuição e venda nas bombas, é percorrer a trilha de crime bem orquestrado contra o consumidor final. O próprio programa que envolve a produção do etanol e sua mistura a gasolina e ao óleo diesel é uma história que esconde um dos maiores engodos ao brasileiro. O departamento de física da UnB, há anos, elaborou um projeto onde era impossível adulterar ou roubar o consumidor. Óbvio que nenhum executivo se interessou.

As apurações reveladas agora pela Operação Lava-Jato e pela Operação Dubai, deflagrada no Distrito Federal, apontam para um esquema em que o principal insumo do desenvolvimento, no caso os combustíveis, foi usado para beneficiar empresários e políticos corruptos em detrimento de uma população, transformada em uma sociedade de trouxas.

A frase que foi pronunciada

“A escravidão voluntária lubrifica a máquina oligárquica com alienação, suor e sangue. Ao povo, o trabalho. Aos mandatários, o lucro.”

Renée Venâncio, no pensador Uol

Voz do povo

» Comentário na parada de ônibus do Varjão era sobre o aumento da violência depois de instalado o residencial Parque Paranoá.

Coletivos

» Por falar em ônibus, os preços continuam muito além dos serviços prestados. São motoristas que para chegar ao destino mais rápido se negam a parar em alguns pontos. Além da sujeira causada pelos usuários e nunca limpa pelos empresários. É feia a situação.

Release

» 2016 é um ano importante para a Terra Madre – Orgânicos e Saudáveis (www.terramadresaudaveis.com.br), empório especializado em produtos para alimentação. Como parte da primeira fase do processo de expansão da rede, a Terra Madre comemora a estreia da primeira franquia da marca na CLSW, 301, Bloco C, Loja 20. A franquia é comandada por Nuria Arruda.

História de Brasília

Contrariedade geral, ontem, no aeroporto. Todo o mundo que viajava apresentava certa contrariedade por não ter sido contemplado com um ministério. O mais triste de todos era o sr. Paulo Lauro, de S. Paulo, a quem, merecidamente, o sr. Tancredo Neves lhe tomou um ministério. (Publicado em 10/09/1961)

Resposta homeopática aos atentados

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Com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br

Tênue é a linha que separa o remédio do veneno. A diferença nos efeitos, vida e morte, é dada pela dose. Entre os princípios orientadores da homeopatia estão a da semelhança (simillimum), que reza que a mesma substância que provoca a doença é capaz de curar e a da dose mínima e dinamizada, que ensina que uma substância extremamente diluída (potência) possui o poder da cura.

Transpondo essas noções da antiga medicina tradicional ocidental para o conturbado e doente mundo contemporâneo, que diagnósticos e prescrições médicas seriam necessários para debelar as crescentes ondas de atentados terroristas que vêm ocorrendo em diversas partes do mundo? A obviedade, enxergada apenas pelos gênios, recomenda o fim do comércio mundial de armamentos.

É sabido que parte do material bélico empregado no derramamento de sangue inocente pelo mundo é fabricada aqui mesmo no Brasil. É do conhecimento das autoridades investigativas que em muitos centros religiosos (mesquitas) espalhados pelo Ocidente jovens de várias origens e formação são abduzidos e recrutados para se juntar às forças paramilitares que fazem uma interpretação totalmente radical do Islamismo. O mesmo ocorre com as redes de comunicação como a internet. É possível se alistar as forças da morte e aprender a fabricar bombas devastadoras apenas com um apertar de botões.

Para alguns governos, soa estranho o silêncio dos países muçulmanos com relação aos atentados na Europa e nos Estados Unidos. Para os mais exaltados, é um sinal de aceitação passiva.

Exemplos na história mostram que a intensificação dos atentados acirrará a radicalização de grupos xenófobos no Ocidente, com consequências imprevisíveis. O que os terroristas almejam é justamente chamar os ocidentais e seu way of life para o centro do ringue, criando ao mesmo tempo pretexto e confusão geral para a metástase dos conflitos.

O morticínio crescente afugentará e obscurecerá a luz da razão. Nunca houve um bom resultado quando se misturam religião e armas. Se são muitas as causas que originam os atentados, maiores e mais danosas ainda são suas consequências.

Diante da impossibilidade de acordos formais com grupos radicais terroristas e da ineficácia estratégica de uma guerra convencional a esses homicidas, fica a questão: por onde buscar o fim dos atentados?

Para alguns estrategistas, melhor adotar o princípio do simillium da homeopatia, aplicando aos insurgentes o mesmo método cruel, ao mesmo tempo, diluindo as ações onde quer que estejam as fontes terroristas.

Não parece ser um bom remédio. Experiências ensinam que guerras e conflitos nunca foram solução para a humanidade. Se resolvem problemas imediatos e pontuais, criam outros maiores para o futuro.

A frase que foi pronunciada

“Não existe caminho para paz, a paz é o caminho.”

Mahatma Gandhi

Lição

Ônibus para Taguatinga Centro, linha 7801, passa direto para não pegar idosos na parada. Polícia vai atrás, obriga o onibus a voltar e embarca o casal idoso.

Cerratenses

Um mirante no Jardim Botânico de Brasília dá oportunidade ao visitante de vislumbrar quase 500 hectares de cerrado. A reserva ecológica, que abriga o parque, chega a 4,5 mil hectares. Paulo Bertran, historiador, e o fotógrafo Rui Faquini criaram o termo cerratenses para explicar os que admiram o cerrado. Rafael Poubel, do JBB, explica que uma das missões do local é fortalecer a identidade do brasiliense com o bioma. “Falta muito esta questão do pertencimento. Há pessoas que nasceram em Brasília e que não sabem o que é Cerrado”, explica o ambientalista.

Rouanet

Pedro da Costa diz em sua missiva que antes de tentar mudar a Lei Rouanet, como dissemina o discurso oficial, é preciso consolidar o entendimento de que nenhuma lei é capaz de evitar a corrupção. Essa eficácia incumbe as ações prévias de controle, que precisam do apoio de fato dos superiores e de punição rigorosa quando são julgadas. Isso porque um cidadão se aproveitou de forma ilícita para bancar o próprio casamento.

Frieza

Que decepção! Animada por entrar pela primeira vez na Livraria da Travessa, no Leblon, o atendimento foi terrível. Queria saber sobre as palestras, os lançamentos e as atividades da livraria. Cara a cara com o atendente, a resposta foi fria e seca. Tem tudo na internet, disse roboticamente.

História de Brasília

No final, um ato sério terminou em bagunça. Dizem, que propositadamente, foi evitada a transmissão da faixa em público, no parlatório do Planalto, porque a sua inauguração, com a transferência de governo, do sr. Juscelino Kubitschek para o sr. Jânio Quadros, foi danosa para a República. (Publicado em 10/09/1961)

Janelas para o crime

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Fatos aparentemente distintos, quando por algum motivo desencadeados, revelam possuir conexões tão íntimas que apontam para uma origem comum. Neste sentido, o que teria em comum a operação desencadeada pela polícia civil, que prendeu gangues rivais em São Sebastião, com o 29º posto comunitário de segurança incendiado pelos vândalos na Estrutural?

Numa primeira análise, são fatos distintos. Mas, de acordo com a Teoria das Janelas Quebradas, muito aceita em grandes metrópoles do mundo desenvolvido, esses fatos possuem correlação, influenciando acontecimentos, à primeira vista díspares. Um exemplo típico foi evidenciado recentemente com o antigo hotel Palace Torre, no Setor Hoteleiro Norte. Depois de falida a empresa, o edifício ficou abandonado por um longo período. Aos poucos, o hotel foi depredado por passantes.

Primeiro, foram quebradas algumas vidraças da portaria. Em pouco tempo foi se transformando em moradia para desocupados e viciados em crack. Em menos de um ano, se transformou em um enorme problema para toda a região, afetando os negócios de outros hotéis, afastando clientes, assustados com o aumento da criminalidade. De abandonado, passou a depredado e virou centro de problemas de toda ordem, sendo preciso a intervenção de uma força policial de desocupação a um alto custo para os cofres públicos.

Curioso observar que é justamente naquelas localidades onde os postos comunitários foram depredados e incendiados que ocorre o maior número de casos de violência e crimes de toda a ordem. Simbolicamente, a destruição dos postos representa uma tomada do território pelo crime.

A decadência da avenida W3 e do Setor Comercial Sul é exemplo claro de como a deterioração de certas localidades favorece a ocorrência de crimes e serve como chamariz para desordeiros, prejudicando empresários e colocando em risco moradores das proximidades e transeuntes.

Nova York é outro exemplo dessa teoria, quando adotou “a tolerância zero”, reprimindo toda espécie de crime, dos mais insignificantes aos de maior nocividade.

Hoje, é fato, essa metrópole mundial é um oásis de tranquilidade reconhecida por todos. O incêndio criminoso desses postos deve ser investigado a fundo e seus autores exemplarmente punidos, para o bem da comunidade e o futuro da cidade.

A frase que foi pronunciada

“O poder é a escola do crime.”

William Shakespeare – Macbeth

Promessas

Lendo notícias da Samarco à época do acidente com o Rio Doce, Andrew Mackenzie, chefe executivo da BHP Billiton, dona da Samarco, havia prometido criar um fundo de assistência para reconstruir a área afetada e rapidamente assistir as comunidades atingidas. “As pessoas do Brasil e em particular de Mariana, têm a minha determinação absoluta de que faremos a nossa parte ajudando na reconstrução das casas, da comunidade e do seu espírito. Faremos isso trabalhando lado a lado com Murilo Ferreira, diretor-presidente da Vale, e Ricardo Vescovi, diretor-presidente da Samarco.

Dívidas

Sem espaço na mídia, o acidente em Mariana continua com o mesmo rastro de destruição. Prefeitura e governo estadual precisam informar à população brasileira sobre todas as medidas efetivamente tomadas. Mais que isso, é fundamental a transparência nas verbas em trânsito para que se acompanhe onde vão parar. Outras tragédias no país já mostraram que a verba destinada nem sempre chega para beneficiar a população.

Lembrança

Em uma palestra para líderes da construção civil no DF, o brilhante Ayres Britto finalizou o discurso com a seguinte frase: “Estamos vivenciando, no Brasil, uma mudança de atitude. A desonestidade, como estilo de governo, está com seus dias contados”, frisou o ministro. Brindemos, então, à honestidade!

História de Brasília

O discurso do sr. João Goulart não pode ser transmitido pela estação oficial. Ou melhor, foi transmitido, mas ninguém entendia nada, porque todo o mundo falava durante a oração. Foi um pecado mortal dos funcionários do Itamarati. (Publicado em 10/9/1961)

Dignidade

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Com Circe Cunha e MAMFIL

Dignidade, que o dicionário define como sendo um atributo pessoal de quem procede com decência e com elevado senso de nobreza e honestidade, talvez seja uma das características fundamentais que distinga o ser humano do animal irracional.

Trata-se de um conceito cuja importância está ligada diretamente ao princípio da dignidade da pessoa humana que, por sua vez, se liga ao estado democrático de direito e, portanto, está inscrito no conjunto de direitos fundamentais da Constituição.

A relevância e o significado do termo levaram o filósofo alemão Immanuel Kant, na obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, a declarar que “No reino dos fins, tudo tem ou um preço, ou uma dignidade. Quando uma coisa tem preço, pode ser substituída por algo equivalente; por outro lado, a coisa que se acha acima de todo preço, e por isso não admite qualquer equivalência, compreende uma dignidade.”

Revestida de dignidade, a pessoa se torna merecedora do respeito não só de seus pares, mas do próprio Estado. É com base neste conceito que o Estado se organiza para prover e garantir-lhe as condições mínimas a saúde, a educação e a segurança. O desenvolvimento social, a justiça, a paz e a própria liberdade são construídas com base no conceito de dignidade. Mesmo nas guerras, as convenções internacionais obrigavam os lados em conflitos a procedimentos com relação ao tratamento humanitário dado aos prisioneiros capturados.

A própria ordem jurídica é calcada no conceito de dignidade da pessoa humana, sendo, por excelência, um dos principais pilares da democracia e, por conseguinte, do contrato social.

O processo civilizatório é decorrência direta do conceito de dignidade humana. Colocado dessa maneira sumária à guisa de elucidação sobre o tema, ficam as perguntas: como fica a questão da dignidade da pessoa humana em relação àqueles brasileiros que morrem nas portas dos hospitais? Dos que dormem nas ruas, que são mortos diariamente vítimas de atos de violência nas principais cidades do país? Como fica a questão dos brasileiros assaltados até por seus representantes eleitos? Em que estágio civilizatório nos encontramos na atualidade?

As imagens diárias mostrando famílias inteiras remexendo os lixões a céu aberto ao lado dos urubus, em busca do sustento diário, diz muito sobre a nossa concepção particular de dignidade.

A frase que foi pronunciada

“Quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo.”

Mahatma Gandhi

MPs

Outros quatro municípios estão sendo investigados também por contratação irregular de obras e locação de máquinas, além de serviços fraudulentos. A receita do crime é fraude em licitação, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Em Santo Amaro (BA), os cofres públicos foram lesados em R$ 24 milhões. Os ministérios públicos do país estão fechando o cerco contra a corrupção.

Treinamento

Operações simultâneas no Aeroporto de Brasília. Capacidade para até 60 pousos e decolagens simultâneos. É o único aeroporto do Brasil com essa capacidade. As atividades voltam em agosto, depois de treinamento dos operadores de voo e do pessoal do Cindacta.

História de Brasília

Ontem, culminou com a invasão do Salão Nobre do Planalto, onde guardas empurravam fotógrafos, e o presidente quase não pode falar. (Publicado em 10/09/1961)

O ovo de Trump

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Desde 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br e MAMFIL

Em o Ovo da Serpente de 1977, o cineasta Ingmar Bergman , mostra, por meio de uma Berlim nebulosa e fria os anos imediatamente anteriores a ascensão do nazismo. Os apelos ao patriotismo e o sentimento de ódio aos estrangeiros e a todas as minorias estavam presentes em toda a parte. Culpar os diferentes pela miséria imposta aos alemães pelas reparações de guerra é visto em toda a parte da cidade e tratado com indiferença pela polícia, que assiste aos maus tratos aos judeus com a frieza desumana.
O filme retrata o ambiente pesado e sombrio de uma Alemanha que caminha silente rumo a própria destruição. Haveria um paralelo ao destino trágico experimentado por povo culto nos anos vinte e o que acontece hoje com a, cada vez mais possível, vitória de Donald Trump a presidência dos Estados Unidos?
Para alguns analistas a comparação entre as duas situações parece incabível e despropositada. Também os alemães que vivenciaram aquele período, anterior a 1933 e que culminou com a eleição de Hitler como chanceler, acreditavam que o pior já havia passado com a primeira grande guerra e tudo era uma questão de tempo para voltar a normalidade. Da mesma forma, quando se deu a candidatura de Trump, todos os mais prestigiosos analistas apostavam que sua trajetória política iria definhar conforme avançava o processo eleitoral.
Diziam na ocasião que ele iria desaparecer afogado na própria retórica xenófoba e preconceituosa. A realidade dos fatos mostrou que estas previsões estavam totalmente equivocadas. Escolhido agora como candidato oficial do Partido Conservador, mesmo contra a vontade de muitos de seus correligionários, Trump caminha pesado, como um elefante numa loja de cristais rumo à presidência da maior potência do planeta.
A afirmação de que não devemos nos preocupar com aquilo que não podemos mudar, não parece muito sensata, justamente quando se percebe que o paraíso parece ter se exilado para bem distante de nossa nossas cidades e civilização. Uma possível vitória desse fascista declarado, num planeta cada vez mais instável e violento, assolado por atentados terroristas e ondas massivas de refugiados fugindo da fome e de conflitos armados, é tudo o que o mundo não precisa.
Para o renomado professor e pensador norte americano, Noam Chomsky, o sentimento de desesperança, oriunda das camadas de americanos brancos, de meia-idade e de baixo nível de instrução e que representam a parcela que mais comparece às urnas, está impulsionando a popularidade desse candidato. “Trump está evidentemente encontrando eco em sentimentos profundos de ira, medo, frustração e desesperança, provavelmente entre setores como os que estão assistindo a uma elevação da mortalidade, algo inusitado exceto em épocas de guerra e catástrofes”, afirma Chomsky. Como afirma um personagem no filme de Bergman […] qualquer um que fizer o mínimo esforço poderá ver o que nos espera no futuro. É como um ovo de serpente. Através das membranas finas pode-se distinguir o réptil já perfeitamente formado.

A frase que foi pronunciada
“ Think big and kick ass ”. Jerome Valcke pensava parecido e foi banido da Fifa. Essa é nossa esperança em relação ao Trump.
John Smith, na feira da Torre

Estímulo
Micro empreendedorismo individual pode registrar como endereço a residência de quem trabalha por conta própria. É uma facilidade que pode estimular novos microempresários. O senador Cássio Cunha Lima elogiou a iniciativa e declarou que um dos maiores desafios é que o Brasil seja mais produtivo e competitivo e essa é uma possibilidade de estímulo.

Viciados em corrupção
Sem se incomodar com as consequências da Operação Lava Jato, ainda há políticos por todo o país cometendo as mesmas fraudes. Dessa vez a Operação Adsumus, do MPBA no interior da Bahia teve como consequência o afastamento do vice-prefeito da cidade de Caetano Veloso. Santo Amaro. Leonardo Pereira, e o secretário municipal de Administração, Desenvolvimento, Obras e Serviços da mesma cidade, Luís Eduardo Alves, foram afastados dos cargos.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA Uma balbúrdia, a posse do sr. João Goulart. O cerimonial fracassou completamente, desde a primeira solenidade após a crise.(Publicado em 10/09/1961)

Eleições Censitárias

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Desde 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br e MAMFIL

Nas últimas duas décadas, as eleições no Brasil ganharam uma aparência e um significado censitário, ou seja, apenas os candidatos e os partidos com grandes somas de recursos tinham alguma chance de vitória nas urnas. No passado, principalmente a partir da Constituição de 1824 e durante todo o período monárquico, o voto era um direito concedido apenas para aqueles indivíduos com certo nível de renda . O sistema daquela ocasião deixava de fora os brasileiros com renda inferior a 100 mil réis. Era o chamado voto censitário, baseado na renda.
Do retorno a normalidade democrática de 1985, para cá, o que os eleitores passaram a observar, com certa desconfiança, a escalada acentuada nos valores gastos pelos candidatos a cada eleição. Para se ter uma ideia, nas eleições de 2014 para presidente, o custo total da campanha de Dilma Rousseff foi R$ 350 milhões. Uma verdadeira fábula, acessível a poucos. Naquela ocasião, para atrair a simpatia e o voto de cada um dos 54 milhões de eleitores obtidos, foram gastos mais de R$ 5,00 per capta. É Justamente nestes valores astronômicos, num país pobre, que residem os maiores perigos para nossa jovem democracia. O poder do dinheiro tomou o lugar da singularidade e da importância do voto.
No rastro das campanhas milionárias, vieram os maiores beneficiários diretos dessa dinheirama que foram os empresários do setor de propaganda e os grandes empreiteiros, de olho nas possibilidade de negócios fáceis que teriam através dos candidatos que financiaram. Obviamente, do outro lado do balcão, financiando direta e indireta mente essa gastança eleitoreira estavam os recursos públicos, principalmente aqueles desviados das estatais por meio de contratos superfaturados.
Para este dinheiro farto transitar livremente dos cofres públicos para os partidos, foi “oficializado” um rudimentar esquema de caixa dois, eufemisticamente denominado recursos não contabilizados e que foi elevado as alturas pelo Partido dos Trabalhadores, sendo inclusive reconhecido pelo seu principal personagem e maior beneficiário final do esquema.
A Operação Lava Jato, desnudou este esquema c riminoso, processando e prendendo parte de seus principais personagens . Na esteira dessa trama policial, os órgãos de fiscalização e controle de movimentações financeiras acordou de seu longo e providencial sono. Fez despertar da letargia marota, os Tribunais de Contas e com eles a inoperosa e descartável Justiça Eleitoral .
A movimentação do Ministério Público em conjunto com a Polícia Federal, somada as prisões de alguns figurões da política, fizeram acordar também o Congresso que correu para aprovar a nova legislação eleitoral (Lei nº13.165/2015). Claro que toda essa movimentação só foi possível graças as pressões das gigantescas manifestações de rua por todo o país. A s eleições vindouras dirão se já estamos definitivamente no caminho certo.
A frase que foi pronunciada
“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”
Platão, filósofo grego

Lixo é luxo
Brasília ainda não teve a sorte de ter um empresário sensível que perceba o lucro possível no gerenciamento de materiais recicláveis. Uma pena, porque os lixões irregulares no Distrito Federal, há 880 lixões que custam muito e rendem pouco.
Dormilantes
Volta à discussão sobre vigilantes e a obrigação de marcar a presença em um ponto de hora em hora. Se está trabalhando, é esse seu serviço. Casos de vigilantes dormindo no trabalho, são tão comuns que eles são chamados de dormilantes. Uma vergonha para a classe. O Sindicato pensa que protege, mas ridiculariza os profissionais.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Venceu, ontem, a terceira prestação do regime Parlamentarista para a posse do Presidente da República. Primeiro, o compromisso constitucional. Depois, a apresentação do gabinete, e ontem, finalmente, a entrega da faixa presidencial.(Publicado em 10/09/1961)